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segunda-feira, 27 de maio de 2013

A Inglaterra tem um novo império: o das offshores e paraísos fiscais




Investigação da Vanity Fair diz que “o Sol nunca se deita para o império britânico de offshores e paraísos fiscais”.

"Só as três dependências da coroa britânica [Caimão, as Ilhas Virgens Britânicas [BVI] e as Bermudas] providenciaram $332,5 biliões de financiamento para a City, a maioria não taxado".

"É uma surpresa para a maioria das pessoas que o mais importante player do sistema global de offshores (livre de impostos e taxas) não seja a Suíça, nem as Ilhas Caimão, mas sim a Grã-Bretanha, situada no centro de uma rede de paraísos fiscais britânicos interligados entre si, a lembrar os últimos resquícios do império.”

O parágrafo consta de um trabalho da revista norte-americana Vanity Fair, publicado na última edição de Abril, com o sugestivo título: A Tale of two Londons [uma brincadeira à volta do conto (1859) de Charles Dickens, a Tale of Two Cities].

Depois de, na terça-feira, a organização internacional não-governamental (ONG) Oxfam ter estimado em 14 biliões de euros (18,5 triliões de dólares) o dinheiro ocultado em paraísos fiscais espalhados pelo mundo, ficou hoje a saber-se que há 12 offshores, conectados com Portugal, associados a 22 proprietários ou gestores (quatro portugueses) domiciliados em Lisboa, Porto, Estoril, Tavira e Almancil.

A informação é hoje revelada pelo Expresso, em parceria com o Offshore Leaks, e consta de uma mega investigação a paraísos fiscais. A Offshore Leaks analisou 2,5 milhões de documentos secretos, relacionados com 120 mil companhias e 170 países.

As notícias mais recentes ajudam a levantar a cortina opaca que protege as grandes fortunas que “fogem” ao pagamento de impostos e surgem numa altura em que, em Bruxelas, os chefes de Estado e de governo europeus reuniram para adoptarem medidas de reforço da luta contra a evasão e a fraude fiscal.

A Oxfam prevê que dois terços [9,5 biliões de euros] da verba “ocultada” em paraísos fiscais (um total de 14 biliões de euros), estejam em “territórios” offshore da União Europeia (UE). E que os Estados tenham perdido de receita fiscal cerca de 120 mil milhões de euros: o que equivale “a duas vezes o necessário para que cada pessoa no mundo em pobreza extrema viva acima do limiar de 1,25 dólares por dia”.

Apesar das expectativas abertas com o anúncio de que os europeus iam reunir para discutir os temas offshore, os resultados do encontro de quarta-feira, 22 de Maio, não foram animadores. Bruxelas atrasou para Dezembro a decisão sobre a generalização da troca de dados financeiros no espaço europeu.

Ao contrário da França, que tem defendido medidas europeias contra a evasão fiscal, a Áustria e o Luxemburgo (com fiscalidades e regras de reporte de excepção) fazem depender o seu aval a uma maior transparência nas transacções financeiras, ao reforço da legislação na Suíça, no Mónaco, em Andorra, em San Marino e no Liechtenstein, territórios europeus, mas que não integram a UE.

A Alemanha, sede do segundo maior centro financeiro da Europa, também olha para as intenções de Holande com desconfiança.

Desta vez, e apesar de Londres surgir, habitualmente, como a face visível da resistência ao aumento da regulação financeira (bancos, operações financeiras e offshores), as posições britânicas não apareceram destacadas na comunicação social. Mas o trabalho da Vanity Fair, que se estende por sete páginas, não deixa dúvidas de que qualquer mudança à actual “arquitectura” da city londrina (uma metrópole offshore) tenderá sempre a ser vista como uma ameaça à “competitividade” da sua indústria financeira.

O título escolhido pela revista para ilustrar o mapa que acompanha o artigo de Nicholas (Nick) Shaxson (autor de outra investigação sobre o tema: Where the Money Lives) é elucidativo: “O Sol nunca se deita para o império britânico de offshores e paraísos fiscais.”

“Um círculo interior formado por dependências da coroa britânica – Jersey, Guernsey, Ilhas de Man. Um pouco mais longe estão os 14 territórios espalhados pelo mundo, metade são paraísos fiscais, incluindo, por exemplo, gigantes offshores como as Ilhas Caimão, as Ilhas Virgens Britânicas (BVI) e as Bermudas. Ainda mais longe numerosos países da Commonwealth britânica e antigas colónias como Hong Kong, com fundas e antigas ligações a Londres, continuam a alimentar grandes fluxos financeiros questionáveis e sujos para dentro da City”, lê-se na Vanity Fair. "A situação dúbia, meio dentro, meio fora (colónias sem o ser), assegura um fundo de legalidade e de distância que permite à Grã-Bretanha dizer “que nada pode fazer” quando um escândalo rebenta.” Esclarecedor, portanto.

Ainda assim a revista norte-americana faz menção ao que já se sabe: as enormes dificuldades em obter números sobre a circulação do dinheiro pelos paraísos fiscais, o que justifica que os valores divulgados pelas diferentes instituições nem sempre coincidam. Mas há pelo menos uma certeza: uma parte significativa das grandes fortunas mundiais, das empresas e dos fundos de investimento internacionais controlados a partir das metrópoles financeiras acabam sediados em paraísos fiscais.

Territórios opacos onde o sigilo bancário e a complexidade das estruturas societárias dificultam a identificação dos “offshore” e dos seus beneficiários efectivos, assim como das verbas que por ali circulam.

Depois de ressalvar que “a informação é pouca”, Nick Shaxson garante que no fim do primeiro semestre de 2009, “só as três dependências da coroa britânica [Caimão, as Ilhas Virgens Britânicas (BVI) e as Bermudas] providenciaram $332,5 biliões de financiamento para a City, a maior parte é dinheiro estrangeiro não taxado”.

“Estas questões estão de tal modo fora de controlo que, em 2001, até a Autoridade Fiscal britânica vendeu 600 edifícios a uma companhia, a Mapeley Steps, registada no paraíso fiscal das Bermudas para evitar o pagamento de taxas.”

Nick Shaxson "arranca" o artigo da Vanity Fair sem deixar dúvidas: “Quem realmente vive no One Hyde Park [Londres], o edifício residencial mais caro do mundo? A maior parte dos proprietários das habitações é gente que se esconde atrás de offshores, de paraísos fiscais, o que nos dá o retrato dos novos super-ricos.”

O construtor do One Hyde Park, Nick Candy, explicou que Londres “é a cidade no topo do mundo e o melhor paraíso fiscal para alguns”, enquanto Mark Holling, co-autor do livro Londongrad, de 2009, que fala da invasão russa, preferiu evidenciar: “ Eles [russos] vêem a capital/city como a mais segura, justa e honesta para parquear o seu dinheiro e a justiça britânica nunca os extradita”, nem “a polícia os investiga”, apesar de “se desconhecer a origem do seu dinheiro”, resultante das “privatizações pós-soviéticas corruptas”

A grande dimensão dos negócios/transacções em paraísos fiscais sob administração britânica tem gerado contestação e constitui uma dor de cabeça para o governo de David Cameron. Recentemente, num contexto em que se pede austeridade aos consumidores britânicos, o parceiro de coligação de Cameron, Lord Oakeshott, do partido Liberal-Democrata, avisou: “[as triangulações entre offshores] É uma mancha na face da Grã-Bretanha. Como pode Cameron pedir seriamente ao G8 para reforçar as receitas fiscais se depois deixar as ilhas [paraísos fiscais britânicos] usarem a lei para absorver milhões em dinheiro sujo?”

A acção da ex-primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, não foi esquecida por Shaxson: “As reformas financeiras [de Thatcher], nomeadamente, o Big Bang [desregulamentação], de 1986, fizeram disparar o número de banqueiros na city o que expandiu as operações financeiras” e atraiu investimento estrangeiro. Mas não só. A menor regulação e a maior competição, traços distintivos da city londrina thatcherista, não resultaram em maior transparência e qualidade nas operações financeiras e estiveram na origem da crise anglo-saxónica de 2007/2008.

Hoje, sugerem-se grandes mudanças e prometem-se "grandes batalhas" para meter a capital britânica na ordem. Mas será que a intenção de Oakeshott de colocar um fim na circulação de dinheiro sujo na City acabará algum um dia por sair da gaveta?
publico.pt

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

“Por que defendemos o Wikileaks e Assange”

Fonte desta imagem AQUI.

Se Assange for extraditado para os Estados Unidos, as consequência repercutirão por anos, em todo o mundo. Assange não é cidadão norte americano, e nenhuma de suas ações aconteceu em solo norte americano. Se Washington puder processar um jornalista nessas circunstâncias, os governos da Rússia ou da China poderão, pela mesma lógica, exigir que repórteres estrangeiros em qualquer lugar do mundo sejam extraditados por violar as suas leis. O artigo é de Michael Moore e Oliver Stone.

Passamos as nossas carreiras de cineastas sustentando que os media norte-americana são frequentemente incapazes de informar os cidadãos sobre as piores ações do nosso governo. Portanto, ficamos profundamente gratos pelas realizações do WikiLeaks, e aplaudimos a decisão do Equador de garantir asilo diplomático a seu fundador, Julian Assange – que agora vive na embaixada equatoriana em Londres.

O Equador agiu de acordo com importantes princípios dos direitos humanos internacionais. E nada poderia demonstrar quão apropriada foi a sua ação quanto a ameaça do governo britânico, de violar um princípio sagrado das relações diplomáticas e invadir a embaixada para prender Assange.

Desde sua fundação, o WikiLeaks revelou documentos como o filme “Assassinato Colateral”, que mostra a matança aparentemente indiscriminada de civis de Bagda por um helicóptero Apache, dos Estados Unidos; além de detalhes minuciosos sobre a face verdadeira das guerras contra o Iraque e Afeganistão; a conspiração entre os Estados Unidos e a ditadura do Iemen, para esconder a nossa responsabilidade sobre os bombardeios no país; a pressão do governo Obama para que outras nações não processem, por tortura, oficiais da era-Bush; e muito mais.

Como era de prever, foi feroz a resposta daqueles que preferem que os norte-americanos não saibam dessas coisas. Líderes dos dois partidos chamaram Assange de “terrorista tecnológico”. E a senadora Dianne Feinstein, democrata da Califórnia que lidera o Comitê do Senado sobre Inteligência, exigiu que ele fosse processado pela Lei de Espionagem. A maioria dos norte-americanos, britânicos e suecos não sabe que a Suécia não acusou formalmente Assange por nenhum crime. Ao invés disso, emitiu um mandado de prisão para interrogá-lo sobre as acusações de agressão sexual em 2010.

Todas essas acusações devem ser cuidadosamente investigadas antes que Assange vá para um país que o tire do alcance do sistema judiciário sueco. Mas são os governos britânico e sueco que atrapalham a investigação, não Assange.

As autoridades suecas sempre viajaram para outros países para fazer interrogatórios quando necessário, e o fundador do WikiLeaks deixou clara a sua disposição de ser interrogado em Londres. Além disso, o governo equatoriano fez uma oferta direta à Suécia, permitindo que Assange seja interrogado dentro de sua embaixada em Londres. Estocolmo recusou as duas propostas.

Assange também se comprometeu a viajar para a Suécia imediatamente, caso o governo sueco garanta que não irá extraditá-lo para os Estados Unidos. As autoridades suecas não mostraram interesse em explorar essa proposta, e o ministro de Relações Exteriores, Carl Bildt, declarou inequivocamente a um consultor jurídico de Assange e do WikiLeaks que a Suécia não vai oferecer essa garantia. O governo britânico também teria, de acordo com tratados internacionais, o direito de prevenir a reextradição de Assange da Suécia para os Estados Unidos, mas recusou-se igualmente a garantir que usaria esse poder. As tentativas do Equador para facilitar esse acordo entre os dois governos foram rejeitadas.

Em conjunto, as ações dos governos britânico e sueco sugerem que sua agenda real é levar Assange à Suécia. Por conta de tratados e outras considerações, ele provavelmente poderia ser mais facilmente extraditado de lá para os Estados Unidos. Assange tem todas as razões para temer esses desdobramentos. O Departamento de Justiça recentemente confirmou que continua a investigar o WikiLeaks, e os documentos do governo australiano de fevereiro passado, recém-divulgados afirmam que “a investigação dos Estados Unidos sobre a possível conduta criminal de Assange está em curso há mais de um ano”. O próprio WikiLeaks publicou emails da Stratfor, uma corporação privada de inteligência, segundo os quais um júri já ouviu uma acusação sigilosa contra Assange. E a história indica que a Suécia iria ceder a qualquer pressão dos Estados Unidos para entregar Assange. Em 2001, o governo sueco entregou à CIA dois egípcios que pediam asilo. A agência norte-americana entregou-os ao regime de Mubarak, que os torturou.

Se Assange for extraditado para os Estados Unidos, as consequência repercutirão por anos, em todo o mundo. Assange não é cidadão norte americano, e nenhuma de suas ações aconteceu em solo norte americano. Se Washington puder processar um jornalista nessas circunstâncias, os governos da Rússia ou da China poderão, pela mesma lógica, exigir que repórteres estrangeiros em qualquer lugar do mundo sejam extraditados por violar as suas leis. Criar esse precedente deveria preocupar profundamente a todos, admiradores do WikiLeaks ou não.

Invocamos os povos britânico e sueco a exigir que os seus governos respondam a algumas questões básicas. Por que razão as autoridades suecas se recusam a interrogar Assange em Londres? E por que nenhum dos dois governos pode prometer que Assange não será extraditado para os Estados Unidos? Os cidadãos britânicos e suecos têm uma rara oportunidade de tomar uma posição pela liberdade de expressão, em nome de todo o mundo.

(*) Artigo publicado originalmente em português em Outras Palavras.

Tradução: Daniela Frabasile

segunda-feira, 2 de abril de 2012

30 ANOS DE MALVINAS (OU COMO TROPEÇAR NA MESMA PEDRA)

Fonte da imagem AQUI.

30 años de Malvinas o cómo no tropezar con la misma piedra
Carlos Abel Suárez · · · · ·

El 30 de marzo de 1982 participamos de la primera protesta obrera y popular masiva contra la dictadura militar. La entonces llamada CGT de la calle Brasil o CGT Brasil, para diferenciarse de los colabores de los militares (la CGT Azopardo), había convocado a un paro nacional con movilización. Unos 50 mil manifestantes intentaban llegar a Plaza de Mayo aunados en la consigna "Paz, pan y trabajo". La policía y las bandas armadas de la dictadura reprimían brutalmente a las columnas que por Diagonal Norte, Rivadavia, avenida de Mayo y otras calles intentaban llegar a la plaza de Mayo. Una nueva generación de dirigentes y activistas tenía su bautismo de fuego en las calles, saliendo de las sombras del silencioso y riesgoso trabajo clandestino. La dictadura había culminado la operación exterminio, que comenzó con la Triple A, de las organizaciones populares, de la militancia social, política y cultural. No obstante, sobrellevando las dificultades que supone la clandestinidad, la resistencia a la dictadura se iba articulando, lo que se pudo comprobar en la movilización del 30 de marzo. Estaban todavía en las cárceles miles de presos políticos o sociales sin juicio ni condena y en esa noche se sumaron cientos o miles de nuevos presos en todo el país. Pese a que en ese día las principales ciudades del país fueron realmente ocupadas por las fuerzas represivas, el paro tuvo alcance nacional y se realizaron manifestaciones en varias provincias, entre ellas en Mendoza, donde fue asesinado José Benedicto Ortiz, un obrero cementista. La dictadura que había devastado el país y aparentemente abatido el movimiento social con la práctica sistemática del terrorismo de Estado, comenzaba a mostrar signos de resquebrajamiento.

Las luchas intestinas entre los jefes militares, que existieron desde el primer día del golpe, expresaban tendencias alimentadas por la ambición personal y el juego de los múltiples intereses de los tecnócratas y empresarios locales y transnacionales que ellos encarnaban. El reemplazo del dictador Jorge Rafael Videla por Roberto Viola desató una pelea abierta y desde allí las fisuras se acentuaron. Especialmente cuando fueron evidentes los resultados catastróficos de la política económica implementada por José Alfredo Martínez de Hoz, incluso para sectores de la gran burguesía. Pero además porque ocurrió un cambio en el escenario internacional que los "chicago boys" no habían previsto. En ese momento asume como un nuevo restaurador del "Proceso" el general Leopoldo Fortunato Galtieri, entonces comandante en jefe del Ejército y niño mimado del establishment militar de Washington, que había sido derrotado en Vietnam y ahora quería reivindicarse en la nueva guerra sucia de América Central.

Los dirigentes políticos peronistas, radicales y otros menores – los que se habían preservado de las migajas en intendencias y gobernaciones que tiraron los militares – estaban al tanto de las peleas internas de los militares y jugaban sus fichas, aunque pocos habían advertido la profundidad de la crisis internacional y el juego perverso que planeaban los mandos de la dictadura. Incomprensible por cierto, porque meses atrás ya los columnistas que tenían información relevante del poder militar y su corte escribían sobre la posibilidad de una escalada en el conflicto con Gran Bretaña por las Malvinas y hasta revelaban detalles del mismo. Las cartas estaban marcadas. Las secuelas brutales del terrorismo de Estado que ellos habían aplicado y que figurarán en las páginas de horror de la humanidad, podían ser acrecentadas aún más. Desde el inicio la estrategia – si se pueden llamar estrategia a esos planes - contemplaba una carnicería mayor. Estuvieron a punto de lograrlo en una guerra con Chile, cuando el sanguinario jefe del III Cuerpo de Ejército, Benjamín Menéndez, proclamaba que estaba ansioso "por mojarse las patas en el Pacífico". El objetivo fue alcanzado en Malvinas.

Como fue dicho en el interesante libro "Malvinas, de la guerra ´sucia´ a la guerra ´limpia´" del recordado intelectual León Rozitchner, la confusión embargó a ideólogos de izquierda para los que "el parloteo revolucionario y las citas de Gramsci encubrían la falta de principios y de deslinde ideológico contra sus supuestos enemigos, lo que pudo hacerles creer que la guerra de las Malvinas no era la continuación de la política del genocidio."

El desembarco en Malvinas y las Georgias se consumó en 2 de abril, han pasado 30 años. La "causa" de Malvinas cayó como anillo al dedo para encontrar una salida a una crisis política, económica y social. La miopía de la clase dominante en su conjunto, acompañada por un coro multitudinario, no advirtió que el mundo era más complejo. Esa movida en el tablero también le servía a la Inglaterra de Margaret Thatcher, a Ronald Reagan y a la OTAN. Hemos caracterizado en estas mismas páginas la guerra de Malvinas al cumplirse 25 años (http://www.sinpermiso.info/textos/index.php?id=1120); podríamos cambiar la fecha y decir ahora, cinco años después, lo mismo. Esperemos que en el 50 aniversario el debate político sea superior, que Malvinas y sus habitantes estén integrados en la América del Sur sin nuevas guerras ni dictaduras.

Inmediatamente después del desembarco, las primeras encuestas mostraron un bajo apoyo en la población a la aventura militar. Los miles que se manifestaron en plaza de Mayo y en algunas capitales de provincias no representaban una voluntad mayoritaria. El realismo de que asistíamos a un salto al vacio era percibido en los hogares más humildes, con una sensación de que la fiesta y la vocinglería guerrera, como si fuese un mundial de fútbol, la pagaríamos con creces, pero ocurre en el contexto de una dictadura feroz, esos sentimientos se expresan por canales no visibles. Varios intelectuales, movimientos de derechos humanos, grupos de intelectuales coincidieron en una postura pacifista. No obstante la propaganda oficial, especialmente la Televisión, se encargó de exaltar el chovinismo a un nivel tragicómico. Las celebridades recolectaban joyas para un fondo patriótico, que nunca se supo a dónde fueron a parar esas donaciones, en las escuela se pedían aportes de chocolates para los soldados, que nunca llegaron a destino, escritores de cierto renombre pedían suprimir la enseñanza del inglés en las escuelas, los del casi centenario Bar Británico le cambiaban presurosos el nombre, las señoras de barrio Norte, que nunca tejieron una bufanda a un nieto, porque la compraban en Londres, tejían alrededor del Obelisco los días soleados. Ese era el aporte patriótico de las clases altas y medias de Buenos Aires, mientras los más pobres, desde los rincones más humildes del país, ponían sus hijos como soldados, sin preparación ni equipo adecuado, que pasaban hambre y frío, sufriendo crueles castigo de sus jefes, salvo muy pocas excepciones ineptos, solo entrenados para la represión interior y los grupos de tareas de la dictadura.

Un aporte no menor al triunfo de los ingleses fue el de los propios militares y funcionarios, que por ingenuidad o lucro siguieron pasando durante el conflicto información a las dependencias de la CIA y el Departamento de Estado, en la lógica absurda de que ese gesto de buena voluntad hacia Washington – como exportar torturadores y grupos de tareas a Honduras, El Salvador o a la contra nicaragüense - torcería los compromisos históricos , estratégicos y geopolíticos de la principal potencia mundial. Estos hechos fueron denunciados, con la documentación correspondiente, ante la Fiscalía de Investigaciones Administrativas, por el abogado socialista Ángel Di Paola, tras la publicación de un artículo del periodista Oscar Raúl Cardoso, coautor de del primer y célebre libro sobre Malvinas (1). El hecho fue revelado por Bob Woodward, columnista del Washington Post y famoso por su investigación que llevó a la destitución de Richard Nixon. Es decir, que no fueron los satélites de la NATO quienes informaban a la flota británica, sino los "patriotas" agentes locales. La presidenta Cristina Fernández, días pasados, levantó el velo que ocultaba el informe Rattenbach, que en sus lineamientos generales ya se conocía desde 1983. Pero los soldados no fueron llamados a contar esa parte de la historia.

El ex soldado de Malvinas, Edgardo Esteban, hoy periodista y escritor, cuenta así el final de esa aventura trágica;

"Cuando volvimos, los militares nos escondieron por varios días en los cuarteles, en donde recibí muchas cartas diciendo que cuando retornara de la guerra me iban a hacer un gran recibimiento, como a un héroe. Imaginaba que cuando pisara las calles de Haedo iban a estar todos mis amigos, familiares, vecinos, conocidos. Pensé que cortarían la calle y pondrían pasacalles. Pero fue muy distinto y seguramente similar al recibimiento que tuvieron la gran mayoría de los soldados. En la noche fría del 25 de junio de 1982 sólo me esperaba un perro ladrando, una luz blanca y mi mamá, nadie más. Pasó muy rápido la euforia triunfalista de guerra y todos quisieron olvidar la derrota, menos los chicos de la guerra".

Sin lugar a dudas, hay fundadas razones que respaldan la posición argentina sobre las islas Malvinas; las resoluciones favorables en Naciones Unidas dan cuenta de ello. No es lugar aquí para reseñar la bibliografía y la documentación al respecto. La postura británica, por el contrario, se ha destacado por una gran ambigüedad.

La posibilidad de un acuerdo diplomático con Gran Bretaña sobre Malvinas nunca estuvo más cerca que durante el gobierno constitucional de Arturo Humberto Illia. En esos años, Gran Bretaña había abandonado a los residentes en el archipiélago a la buena de Dios. La integración comercial, cultural, logística y hasta de asistencia médica y sanitaria con Argentina fluía como un hecho natural. Con el derrocamiento de Illia por el mesiánico general Juan Carlos Onganía, que pretendía quedarse 20 años en el poder, las negociaciones quedaron congeladas. Tomaron algún impulso durante el breve interregno constitucional de Cámpora-Perón, en 1973-1974, para terminar en la catástrofe de 1982.

Ciertamente, estamos en una coyuntura internacional que no es la de 1966, ni la de 1982. Sin embargo, convendría entrar en el juego de las diferencias o similitudes.

La Guerra Fría terminó con la caída del muro de Berlín. Algunos podrían conjeturar que la Alianza Atlántica, entre Estados Unidos y Gran Bretaña, no existe con la intensidad de Reagan-Thatcher. La primera década de este siglo mostró la fortaleza de esa unión en todas las guerras donde han intervenido Washington y Londres. Más aún, Bush arrastró al abismo de Afganistán e Irak a Tony Blair, lo que fue su tumba política. Pensar otra vez que la Casa Blanca puede mirar para otro lado es repetir la misma lógica de Galtieri y su canciller Nicanor Costa Méndez, un reaccionario abogado de las propiedades de los nazis y luego personero de las trasnacionales inglesas y norteamericanas, que se acostó una noche como cruzado de Occidente y se levantó al día siguiente como antiimperialista. Algo recurrente en estos personajes para quienes la soberanía es un título de propiedad sobre los territorios, olvidan a sabiendas que la soberanía es la república y el poder de los pueblos para decidir sobre su destino. Y por lo tanto un día privatizan y aplauden la venta de las joyas de la abuela, la abuela misma y hasta su propia madre y al otro se rasgan las vestiduras por Malvinas.

Hay otro eje para jugar con las analogías: la crisis económica mundial.

Es bien sabido que la trágica aventura de Malvinas, en lugar de una prórroga de los militares en el poder y restaurar la imagen de los dictadores, los llevó a la descomposición y al descrédito. Dejaron una deuda ilegítima e inmoral, en parte por los gastos militares y los sobreprecios y triangulaciones, que enriquecieron a unos pocos y llevaron la miseria por años a millones de argentinos. Deuda que todavía se está pagando. Como contrapartida, la guerra forjó a la "dama de hierro", encumbró a la Thatcher como uno de los monumentos vivientes del neoliberalismo. Los primeros derrotados fueron los mineros ingleses y tras ellos cayeron las conquistas de la clase obrera y de los sectores populares británicos en de la postguerra. Thatcher quedó siempre agradecida por la ayuda de los militares argentinos.

Hace unos cuantos días, escribía en Le Monde Pierre François Gouret, capitán de Corveta de la Escuela de Guerra francesa:

"La situación económica de Francia, a fines de 2011 recuerda la del reino Unido en 1980. Sufriendo una grave recesión, el gobierno británico programaba una reducción drástica de sus gastos militares, para el verano de 1982, cuando las islas Malvinas fueron invadidas. Amenazadas por la supresión definitiva de su capacidad, las fuerzas armadas británicas ganaron total autonomía, con el imprevisto conflicto de las Malvinas. Esta victoria ha probado la necesidad de no disminuir exageradamente el arsenal de la defensa." (2)

Notas de este tenor son frecuentes cada vez que la crisis roza el tema tabú de los gastos militares. Asistimos una vez más al drama de que pueden ser recortados bárbaramente los gastos en salud y educación, como en el caso de Grecia, pero siguen incólumes –incluso aumentando –los presupuestos militares. Pueden admitir, como en España niveles astronómicos de desempleo, pero no bajan un céntimo sus compromisos con la guerra de Afganistán.

Por eso alarman algunas propuestas, a propósito de la "causa Malvinas", de restaurar el arsenal de las Fuerzas Armadas, de nuevas naves y submarinos dotados de reactores nucleares, las hipótesis de conflicto, junto con leyes antiterroristas y "Proyectos X", todo en un mismo paquete, en un país con altos niveles de pobreza e indigencia. Suena muy mal. Vale recordar un reclamo, casi un mandato, escrito cuando la sangre de los muertos en Malvinas estaba todavía caliente:

"Desde la experiencia que hemos vivido y que estamos viviendo, pido al gobierno y al pueblo argentino con el derecho que me asiste como ciudadano y como padre del soldado clase 62 Alejandro Pedro Vargas, muerto y enterrado en las islas Malvinas, lo siguiente: 1) Que nunca más un gobierno constitucional movilice tropas de reclutas, ya sea en casos como los ocurridos o para derrocar a un gobierno; 2) Que nunca más el periodismo de cualquier tipo azuce a nuestros hijos a guerras inspiradas en el oportunismo, la soberbia o la embriaguez. Ya no tengo más hijos para mi Patria Argentina, pero quedan millones de jóvenes argentinos sanos y valientes y no permitiré que los estafen con mentiras. Argentinos, no dejemos que esto vuelva a ocurrir. Salvador Antonio Vargas. Provincia de Buenos Aires." (Carta de lectores de Clarín ,24-06-1982).

NOTAS: (1)  Cardoso, Kirschbaum, van der Kooy, 1983:  Malvinas. La trama Secreta, Buenos Aires, sudamericana-Planeta. (2) Le Monde 24-01-2012.

Carlos Abel Suárez es miembro del Comité de Redacción de SinPermiso.

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Un incidente diurético

  
Juan Gelman · · · · ·(Sin Permiso)

El soldado afgano que el viernes 20 mató a cuatro efectivos franceses e hirió a una docena o más –ocho se encuentran graves– no era un recluta talibán, como pretendió un comunicado triunfalista: el hombre había visto el documental de 40 segundos que alguien subió al blog TMZ y que muestra a cuatro marines sonrientes orinando los cadáveres de presuntos enemigos. Para el presidente de Francia, Nicolas Sarkozy, el hecho arroja serias dudas sobre la eficacia del entrenamiento que las tropas de la OTAN imparten al naciente ejército afgano y podría adelantar el regreso de los 3600 militares de su país estacionados en el país asiático.

Se puede considerar que esa profanación es una más de las perpetradas a los afganos, talibán o no, presos en Abu Ghraib, o cercados en Fallujah por las tropas de la OTAN que incluso utilizaron gases venenosos y mataron talibán y civiles por igual sin distinción alguna. Sólo que es un síntoma de otra naturaleza: aumenta el número de tropas aliadas muertas por los mismos que entrenan. El muy británico The Guardian publicó una lista, más bien escueta, de esa clase de guerra interna: el 3 noviembre del 2009, un policía afgano eliminó desde el techo de una vivienda a cuatro soldados británicos, hirió a ocho y logró escapar; en 2010, un soldado afgano asesinó a tres británicos en la provincia de Helmand, y un policía a ocho soldados estadounidenses durante un entrenamiento en Nangahar antes de suicidarse.

Estos incidentes fueron in crescendo en el 2011. El 18 de febrero, un soldado afgano ametralló a tres soldados alemanes en la provincia de Baghlan; el 27 de abril, un piloto muy experimentado de la fuerza aérea de Afganistán disparó contra un grupo reunido en Kabul, la capital, dando muerte a ocho efectivos de EE.UU. y a un contratista civil antes de ser derribado; el 9 de noviembre, las víctimas fueron tres soldados australianos y el 29 de diciembre, dos militares de la Legión Extranjera francesa. Se estima que el número total de efectivos aliados caídos en sucesos similares asciende a 57. ¿A qué se debe esta reacción? ¿Raptos de locura? ¿Patriotismo recuperado? ¿El stress post-traumático del combate, como proponen especialistas de la OTAN?

El Pentágono decidió investigar las razones y resultaron bien otras. Por ejemplo, la extrema arrogancia, los abusos y “el trato rudo” que los soldados afganos reciben de los instructores extranjeros. El informe asimismo califica de “profunda deshonestidad intelectual” la afirmación del comando de la OTAN de que son extremadamente raras las muertes de sus efectivos a manos de soldados o policías afganos. La de los cuatro franceses el viernes 20 –dice– “refleja una creciente amenaza sistemática de homicidios (entre ‘aliados’ de una magnitud sin precedente en la historia militar moderna)” (www.guardian.co.uk, 20-1-12). Y advierte que el problema es tan serio que “está provocando una crisis de seguridad y de confianza entre los occidentales que entrenan y trabajan con las Fuerzas Afganas de Seguridad Nacional”. Los efectivos alemanes de Baghlan se niegan a patrullar con los afganos. Tuvieron ya bastante con tres bajas.

Un informe del científico conductista Jeffrey Bordin señala que la mayoría de estos “asesinatos fratricidas” –así los llama– son producto de “una profunda animosidad estimulada por conflictos sociales y personales” (www.michaelyon-online.com, 12-5-11). El Dr. Bordin entrevistó a 623 miembros de las fuerzas de seguridad afganas, 215 soldados estadounidenses y 30 intérpretes afganos que trabajan para éstos y encontró que el desprecio y la incomprensión imperan por igual en instructores y entrenados. Subraya que se trata de “una crisis de incompatibilidad cultural”, pero el problema admite otras complejidades.

“Los soldados de EE.UU. no escuchan, son demasiado violentos, imprudentes, intrusivos, soberbios, profanos, aprovechados que se ocultan detrás de una tecnología de vanguardia... los civiles pagan cuando uno de los suyos cae”, fueron algunas opiniones de efectivos afganos recogidas por el investigador. La otra parte no se quedó corta: los soldados afganos “son cobardes, incompetentes, obtusos, ladrones, complacientes, holgazanes, drogradictos, radicales traidores y asesinos”, espetaron los soldados estadounidenses. Ni el gobierno de Karzai, ni los mandos de la OTAN han logrado frenar semejante hostilidad.

Esta situación podría tener consecuencias políticas no triviales. La Casa Blanca y su aliados vacilan en abandonar Afganistán con una población civil cargada de odio a los ocupantes y fuerzas de seguridad permeadas por el mismo sentimiento. La creación de un ejército afgano operativo contra los talibán es la base fundamental del designio de Obama, tantas veces reiterado, de retirar sus tropas a fines del 2014. ¿Lo hará?

Juan Gelman, escritor y poeta argentino, militante de izquierda de larga y respetada trayectoria, fue Premio Cervantes en 2007.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

The Economist analisa as transformações no trabalho doméstico no Brasil


Por Cristina P. Rodrigues para SOMOS ANDANDO

Em uma edição mais rechonchuda e com cara de especial, às vésperas do Natal, a revista britânica The Economist traz uma comparação entre Brasil e Inglaterra. O detalhe que inquieta o leitor é que é o Brasil do começo do século XXI com a Inglaterra de quando o século XX despontava. O tema é o trabalho doméstico e as relações de classe social.

A perspectiva é interessante, na medida em que a matéria sustenta que o Brasil está, de certa forma, libertando suas domésticas (a grande maioria são mulheres) em uma transformação social em que o pobre não mais se submete ao rico em tudo, porque não precisa mais. Segundo a revista, no início do século passado, os ricos começaram a sentir com desconforto as transformações que ocorriam nas bases da ordem social no Reino Unido.

O Brasil, por outro lado, começa a ver uma transformação no trabalho doméstico no início dos anos 2000, quando, de acordo com a The Economist, se assemelhava à Inglaterra dos anos 1880: desigual, sem oferecer educação para as massas e com longa tradição de trabalho doméstico. Os antes imigrantes nordestinos em São Paulo passam a voltar para seus estados, que experimentam um grande crescimento econômico. As empregadas domésticas exigem mais de suas patroas (e ainda impera a perspectiva de que quem cuida das coisas da casa é a mulher) e pedem demissão com muito mais facilidade. Elas têm vida social (não vivem mais apenas para o trabalho e nem moram na casa da patroa) e, nela, frequentemente mentem a respeito de sua atividade, devido ao precoceito que sofrem.

Reino Unido tem tantos empregados domésticos quanto na era vitoriana

Mas se o Reino Unido teve sua grande transformação um século antes do Brasil, ele não continuou evoluindo durante todos os 100 anos que a seguiram e continua um dos países mais desiguais entre os considerados desenvolvidos. Embora muito tenha mudado desde a Inglaterra vitoriana, do fim do século XIX, ainda é um país de classes sociais bastante definidas, com uma elite (aristocracia) dominante, oposta a um grande número de trabalhadores (muitos desempregados) pobres. A diferença entre classes grita quando a revista mostra o exemplo da escola de mordomos, para a qual muitos aristocratas mandam seus funcionários. Em 2011.

A média mais baixa de gasto com trabalho doméstico foi registrado em 1978, mas quadruplicou desde então. De uma forma diferente, mas ainda refletindo a grande desigualdade entre as classes, ainda que muitos tenham alguma qualificação (como para ser babá) e ganhem relativamente mais. Hoje os ricos pagam para que seus cães sejam levados para passear ou para limpar o forno. O resultado é que estimativas do órgão responsável pelos dados estatísticas no país estima que hoje haja o mesmo número de trabalhadores domésticos que na Inglaterra vitoriana.

No Reino Unido não existe a menor possibilidade de um trabalhador chegar ao poder. Ele nem sequer teria a chance de concorrer, porque só participar de um partido político já é uma atividade extremamente elitizada, o que traz como consequência um Parlamento majoritariamente composto por membros da classe A (não que o brasileiro não o seja, mas na terra da rainha a coisa é ainda pior).

Isso um século depois de as bases da ordem social inglesa terem sido alteradas, como diz a revista. Meu primeiro pensamento foi de que isso poderia ser um sinal de que temos que ter cuidado com o que está sendo feito no Brasil, um medo do que pode acontecer, não daqui a 100 anos, mas talvez nas próximas décadas, já que as transformações tendem a ter consequências cada vez mais imediatas.

Mas aí parei um pouco para pensar e comecei a questionar a publicação. Muito da análise tem sentido. De fato, o Brasil está sentindo uma mudança gigante em sua estrutura social, milhões de pessoas estão subindo de classe e passando a consumir, as perspectivas de trabalho estão também se transformando e, com isso, as relações sociais. Mas o contexto é diferente, e a forma como a mudança está sendo possibilitada, também.

Enquanto no Reino Unido, 100 anos depois de as mudanças no trabalho doméstico começarem a ser sentidas, ainda é impossível um trabalhador chegar a ser primeiro-ministro, no Brasil, elas aconteceram justamente porque já tivemos um trabalhador como presidente.

Na Inglaterra do início do século XX, a razão principal da mudança era muito mais a emancipação da mulher, que via abrirem-se as portas para um novo mercado de trabalho, do que por uma ascensão social, como é o caso do Brasil de 2011 (embora a situação prove que ainda existe um grande preconceito de gênero nas relações de trabalho no Brasil em prejuízo das mulheres).

O que deve mudar daqui para a frente

O futuro do Brasil, de acordo com a The Economist, são mudanças nos hábitos do dia-a-dia. Mais comidas congeladas nas mesas das famílias (uma boa cozinheira pode custar 4 mil reais por mês), escolas particulares quase todas de turno integral, roupas que não precisam ser passadas começam a ser mais procuradas, baby-sitters para uma ou outra noite mais especial ocupam o lugar de babás permanentes, homens vão assumir mais tarefas domésticas. Muitas mansões paulistas não têm certas comodidades domésticas, como máquina de lavar louça ou água quente na cozinha, porque têm empregados de tempo integral, o que deve mudar.

O que a revista não diz é que mudanças todos vão sentir, mas de formas diferentes. Em vez de começar a cozinhar e passar roupa, a madame compra a comida pronta e a roupa que não amassa, porque ela não se submete ao trabalho doméstico, que ainda é considerado inferior e continua gerando preconceito contra quem o faz. A classe média alta vai comer mais comida pronta e gastar o dinheiro jantando fora de vez em quando, com seus filhos estudando em escolas particulares que oferecem todo o amparo que precisam. Mas a classe média baixa continua dependendo da escola pública e contando as moedas. O cenário é bem diferente de quando essa mesma pessoa não tinha sequer moedas para contar e seus filhos trabalhavam em vez de estudar, mas o Brasil só vai ser igual de verdade quando todos puderem jantar em bons restaurantes e a educação for pública e de qualidade para os filhos de todas as famílias.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O 'tchador' da Rainha Isabel

Fonte da Imagem: AQUI.

Esta semana, às mulheres de dois países muito diferentes - um, moderno e democrático, e outro, ainda na Idade Média - foi feita a mesma promessa de aproximação à igualdade.

A umas, a do fim de uma condição que, embora só interessando directamente a poucas, espanta pelo atraso ao já conseguido pelas suas concidadãs.

A outras, a promessa de uma pequenina reforma que por mudar um marasmo milenar só pode ter efeito de dique a rebentar. 

Desta última promessa já falei ontem: o Rei saudita revelou que as mulheres da Arábia Saudita vão poder eleger e ser eleitas nas únicas eleições permitidas no país, de pouca importância (municipais) mas com forte valor simbólico num país onde elas nem podem conduzir automóveis. 

Por uma coincidência extraordinária, ontem também, o Times de Londres anunciava que o Governo inglês vai propor a mudança de uma condição anacrónica, o fim da "primogenitura", que no costume inglês dá prioridade no direito de herança real ao filho varão. 

Se em vez da princesa Margarida a Rainha Isabel tivesse tido um irmão mais novo, era este que teria chegado ao trono... 

Ao que parece, a nova lei vai ser feita a correr antes que Kate engravide do príncipe William e, tendo uma filha (que não poderia beneficiar retroactivamente), complique a mudança desejada. 

Vinda de lugares tão opostos, Riade e Londres, a coincidência das notícias só sublinha que a igualdade não são favas contadas onde quer que seja. 

Ferreira Fernandes, para DN OPINIÃO

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Acordos clandestinos com regime de Kadafi constrangem CIA e MI6



Os serviços de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido colaboraram ativamente com Kadafi ao enviar suspeitos líbios para serem interrogados pela polícia secreta do ditador. Prática da tortura era conhecida.
 

Estados Unidos e Reino Unido vivem um momento embaraçoso. Perguntas críticas recaíram sobre os dois países depois que documentos confidenciais encontrados na sede da Organização de Segurança Externa da Líbia evidenciaram uma extensa cooperação entre a CIA, Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, o MI6, serviço de inteligência externa dos ingleses, e o serviço secreto do ex-ditador em fuga, Muammar Kadafi.

Os documentos, descobertos por membros do governo de transição na Líbia e pesquisadores do Human Rights Watch durante uma varredura nos prédios oficiais líbios, mostram que ambos os serviços ocidentais de inteligência desenvolveram relações bastante estreitas com Kadafi. Essa cooperação acontecia, inclusive, antes de  o ex-líder líbio ser reabilitado junto à comunidade internacional em 2004, quando prometeu ajudar o Ocidente na guerra contra o terrorismo e renunciar às armas nucleares.

As informações também mostram que a CIA usava a Líbia como local de "rendições especiais" desde 2002. Essa política norte-americana de "rendição" consiste em enviar supostos terroristas a outros países para interrogatórios. Os arquivos indicam que os Estados Unidos não só enviaram suspeitos à Líbia para serem ouvidos pela polícia secreta de Kadafi, mas também mandaram as perguntas a serem feitas.

"Depois do 9 de Setembro, a CIA parece que se envolveu em vários países do Norte da África com treinamento de forças e fornecimento de pequenas armas com a desculpa de parar a Al Qaeda e o terrorismo", analisa Patrícia DeGennaro, professora de Segurança Internacional na Universidade de Nova York.

Segundo a pesquisadora, sabia-se da existência de campos de rendição em diversos países, inclusive no Marrocos. "Já que a Líbia estava isolada e despertava pouca atenção internacional, era fácil para a CIA usar essa localidade e não ser descoberta", adiciona DeGennaro. "Ninguém no cenário internacional levou Kadafi a sério, então era pouco provável que alguém o questionasse sobre esses locais de rendições."

A cooperação era tão profunda que o governo de George W. Bush considerou estabelecer "uma presença permanente" na Líbia, possivelmente uma prisão secreta administrada pela CIA ou um escritório clandestino da agência, onde suspeitos de terrorismo poderiam ficar presos e serem interrogados. Documentos mostram que essa "presença" foi especificada em 2004, depois do fim do isolamento diplomático de Kadafi.

Participação da CIA
 
Uma carta enviada pela CIA ao serviço de inteligência líbio, de 15 de abril de 2004, cita "o desenvolvimento de acordos recentes" entre os Estados Unidos e Líbia e pede aos líbios que "levem em consideração os requisitos norte-americanos para interrogatório" em relação a um suspeito terrorista não identificado. A correspondência também pede que os líbios "garantam que os direitos humanos do suspeito sejam protegidos" enquanto ele estiver detido.

Os documentos mostram que oito prisioneiros, no total, foram capturados e transportados em voos de "rendição" de volta para a Líbia entre 2004 e 2007, apesar de a cooperação entre Estados Unidos e Líbia ter continuado até 2009 – segundo informações vazadas pelo WikiLeaks. Ainda segundo as informações, senadores como John McCain e Joe Liebermann encontraram-se com Kadafi para assegurar ao ditador que os "Estados Unidos queriam fornecer à Líbia os equipamentos necessários para sua segurança."

"Os Estados Unidos abandonaram essa relação com Kadafi quando o presidente Barack Obama assumiu", diz DeGennaro."Naquela época, Obama era contra esse ideia de rendição e pretendia fechar Guantánamo e acabar com a reputação de país que fazia uso da tortura, adquirida por meio de prisões clandestinas e detenções ilegais."

Antes dessa mudança na administração, no entanto, a CIA consolidou sua presença e expandiu suas atividades na Líbia. Em outro documento de 2004, a agência norte-americana pede que o serviço de inteligência líbio permita que seus agentes questionem diversos cientistas iraquianos que viviam no país africano, numa tentativa de descobrir o destino das supostas armas de destruição em massa do Iraque. Outros dados mostram a crescente preocupação dos Estados Unidos com uma suposta célula "operacional" terrorista na Líbia, suspeita de manter contato com membros da Al Qaeda no Iraque.

O principal contato entre CIA e Líbia neste período de intensa cooperação parece ser Mussa Kussa, então chefe de inteligência e o principal suspeito de ter coordenado as atividades terroristas apoiadas pela Líbia nos anos de 1980.

Kussa, que deixou o governo de Kadafi em março último, aparece nos documentos como o principal aliado de Stephen Kappes, o segundo na hierarquia do serviço clandestino da CIA, e como negociador-chave do acordo nuclear de 2004 com a Líbia. Kussa também parece ter cultivado relações significativas com membros do serviço de inteligência britânico.

Acordo com MI5

Alguns documentos mostram que o serviço de segurança interno inglês, o MI5, negociou informações com cidadãos líbios opositores a Kadafi baseados no Reino Unido em troca de revelações feitas por terroristas suspeitos que estavam sendo questionados na Líbia sob a condição de "rendição extraordinária".

Os ingleses conheciam bem a reputação da Líbia de torturar seus prisioneiros, mas pareciam não se preocupar com as práticas usadas para extrair informações que eles recebiam, o que sugere cumplicidade do Reino Unido.

O MI6, serviço britânico de inteligência externa, segundo os documentos, trabalhou com a CIA na entrega de terroristas suspeitos à Líbia, incluindo o comandante de segurança dos rebeldes líbios em Trípoli, Abdul Hakim Belhaj. Ele era um membro dissidente de liderança no LIFG, grupo armado islâmico líbio, e considera processar os governos norte-americano e inglês pelo suposto tratamento brutal. A LIFG é uma organização listada como grupo terrorista pelos Estados Unidos que teria ligações com a Al Qaeda.

Um documento registra uma conversa entre um oficial sênior do MI6 e um homólogo líbio, na qual o agente inglês elogia a maneira como os espiões do serviço britânico informaram ao serviço de inteligência norte-americano e líbio sobre os disfarces de Belhaj, o que possibilitou sua prisão em Bangkok, em 6 de março de 2004.

Belhaj alega que foi torturado pela CIA e que recebeu injeções de soro da verdade antes de ser colocado no voo de volta a Trípoli para um interrogatório, onde ele diz que foi primeiro interrogado pelo MI6 e, depois, passou a ficar sob custódia da Líbia.

"O MI6 estava buscando acesso aos detentos associados ao movimento jihadista na Líbia, na tentativa de obter informações sobre, primeiramente, suspeitos terroristas líbios conhecidos e, em segundo lugar, suspeitos terroristas de outras nacionalidades com os quais os líbios pudessem ter tido contato no Sudão, Argélia ou Afeganistão", comenta Alia Brahimi, especialista em Oriente Médio e autor.

Em outra revelação embaraçosa para o Reino Unido, Saadi e Khamis Kadafi, filhos do ex-ditador, são convidados a visitar a sede do Serviço Aéreo Especial (SAS, do inglês), importante regimento das Forças Armadas inglesas, além do serviço homólogo da Marinha, SBS, em julho de 2006. Apesar do convite, a visita nunca aconteceu. Os dois filhos de Kadafi iriam se encontrar com oficiais do alto escalão britânico durante a visita e havia conversas agendadas com representantes dos maiores fabricantes ingleses de armas durante a passagem deles pelo Reino Unido.

Tortura
 
Os documentos reveladores vêm à tona num momento em que os serviços de segurança britânicos estão sob crescente escrutínio, diante de uma investigação sobre o papel do Reino Unido em rendições forçadas e o conhecimento dos serviços de segurança sobre a prática da tortura e maus tratos a suspeitos de terrorismo.

O chamado inquérito Gibson, criado pelo juiz inglês Peter Gibson, anunciou que irá "considerar como parte do trabalho acusações de envolvimento do Reino Unido em entregas de suspeitos à Líbia" e que tem o apoio do primeiro-ministro, David Cameron. O líder britânico congratulou uma investigação mais ampla sobre as denúncias "significativas" de que o MI6 e MI5 teriam "se aproximado demais" da Líbia.

"O que essas organizações de inteligência fizeram foi ilegal e desumano. David Cameron está certo de começar uma investigação, o governo Obama e o Congresso norte-americano não deveriam hesitar em seguir esse exemplo", comenta DeGennaro.

A especialista acredita que, "infelizmente, isso traria implicações para membros do Congresso e à antiga administração", no caso dos Estados Unidos. "Senadores poderosos como John McCain, que provavelmente sabiam muito bem o que estava acontecendo, nunca permitiriam que uma investigação do tipo fosse feita", conclui DeGennaro.

Autor: Nick Amies (np)
Revisão: Roselaine Wandscheer

Deutsche Welle

domingo, 21 de agosto de 2011

Verano negro para Cameron y los británicos


El desgaste en sólo quince meses de la coalición conservadora-liberal demócrata es notable. La pregunta es cuánto puede resistir el embate de los elementos, ahora que la economía del mundo desarrollado parece en estado de implosión.

Por Marcelo Justo

Desde Londres, para Página/12

El verano de David Cameron comenzó a principios de julio con las escuchas telefónicas ilegales y está terminando este agosto con los peores disturbios de la posguerra. En el medio, coloreando todo, un continuo declive económico que está proyectando el fantasma de una segunda recesión. El desgaste en sólo 15 meses de la coalición conservadora- liberal demócrata es notable. La pregunta es cuánto puede resistir el embate de los elementos, ahora que la economía del mundo desarrollado parece en estado de implosión.

El año político británico, que comienza normalmente en septiembre con el congreso anual de los sindicatos y los principales partidos políticos, se adelantó un mes gracias a los disturbios y saqueos. El primer ministro tuvo que cortar abruptamente sus vacaciones, la plana mayor del gobierno, sus diputados y la oposición regresaron de sus sombrillas, esterillas y paseos, y la sociedad entera se sumergió en un debate que va a marcar la agenda política de los próximos años. Cameron comenzó con un endurecimiento de su discurso –”es una cuestión puramente delictiva”– que lo dejó sin mucho margen de maniobra. Si ese era el único significado de los disturbios, el gobierno no tenía mucho que hacer: sólo cárcel y mano dura. Esta semana Cameron intentó una conceptualización más amplia hablando de “una sociedad rota”, “una desintegración moral” y “la necesidad de revisar la política social”. No bien terminó de formular estas ideas, el aumento de la tasa de desempleo lo devolvió a una realidad más prosaica. Las estadísticas mostraban 2 millones y medio de desempleados, casi el 8 por ciento de la fuerza laboral.

Los jóvenes de entre 18 y 24 años de edad son los más afectados: uno de cada cinco está sin trabajo. No es el único problema de este sector, alma mater de los disturbios. Debido a la triplicación de la matrícula universitaria que se aplicará a partir de 2012, la mayoría de los estudiantes que termina la secundaria ha desechado la tradición del gap year –una especie de año sabático para viajar antes de sumergirse en la universidad– y está buscando un lugar en la universidad este año. El resultado es que casi 190 mil postulantes se están disputando 29.409 lugares en la universidad. Un estudio indica que los que no entren probablemente no vayan a la universidad el año próximo debido al aumento de las matrículas. Con decenas de miles sin estudio, sin trabajo y sin perspectivas, ¿se pueden descartar nuevos disturbios?

El segundo frente de tormenta para Cameron es el escándalo de las escuchas telefónicas. La publicación esta semana de la carta de Clive Goodman, el periodista de News of the World condenado por el caso en 2007, revela que las escuchas telefónicas ilegales se discutían abiertamente en las reuniones que presidía el entonces editor del dominical Andy Coulson. La suerte de Coulson, que fue arrestado y puesto en libertad bajo fianza el mes pasado, está echada. Pero la decisión de Cameron de contratarlo como su jefe de propaganda meses después que dejara su cargo en el New of the World se está convirtiendo en la soga que puede terminar ahorcándolo. En aquel momento, tener a alguien tan vinculado con el grupo Murdoch pudo parecer imprescindible para ganarle las elecciones al laborismo, que llevaba 10 años consecutivos en el gobierno. Si la decisión era más que dudosa a nivel ético, se agrava por la presencia de señales que ponen el “affaire Coulson” más allá del mero cálculo político.

Según el The Independent, una ex “dominatrix”, Natalie Rowe, directora de una agencia de prostitución, y amiga del ministro de Finanzas George Osborne desde los años ’90, estuvo entre los números de teléfono hackeados por el News of The World en 2005, cuando David Cameron se postulaba para jefe del Partido Conservador. El dominical seguía una pista de consumo masivo de cocaína en la campaña, cuyo director era el mismo Osborne. Dos años más tarde el ministro de Finanzas fue el principal responsable de que Cameron contratara a Coulson. No es necesario ser un amante de las teorías conspirativas para sospechar una posible conexión entre este nombramiento y la investigación del News of the World sobre la amistad de Natalie Rowe y Osborne.

El enigma puede develarse en los próximos meses. Rowe está por publicar su libro de memorias en el que, según la publicidad previa, quedan comprometidos dos miembros del gabinete de Cameron y dos ex ministros conservadores. La doble investigación que lleva la policía sobre escuchas telefónicas y hackeo de computadoras, que está a cargo del juez Lord Brian Levenson sobre la relación entre los medios y la política, y la que sucede en la comisión de interior del Parlamento, sacarán a relucir más trapos sucios. El gobierno se reunió más de 30 veces con los directivos del grupo Murdoch después de las elecciones de mayo del año pasado: 5 veces en las primeras semanas. Osborne se lleva las palmas: tuvo 16 encuentros con el grupo Murdoch. El contenido de estas reuniones, cuando todavía estaba en juego la adquisición por parte del grupo de la totalidad del paquete accionario de BskyB, tiene un potencial indudablemente explosivo.

Es posible que el gobierno sobreviva al escándalo de las escuchas siempre y cuando no aparezca nada que comprometa directamente la integridad de Cameron. Más complicada es la situación económica. El gobierno avanzó contra viento y marea con un programa de drástico ajuste fiscal a pesar de que la economía estaba saliendo muy lentamente de una profunda recesión, con una caída del PIB de 4,9% en 2009. Hoy la economía hace agua por todos los flancos. El consumo doméstico está planchado, la inflación es de un 4,4%, mientras que los salarios sólo crecieron un 2,6, las exportaciones se desinflaron y el PIB apenas aumentó un 0,2 por ciento el último trimestre. Pero todavía falta lo peor. Como consecuencia del ajuste, unas 143 mil personas perdieron su trabajo en el sector público en los últimos 12 meses, pero el cálculo oficial indica que en los tres años y nueve meses que quedan de gobierno habrá entre 440 y 500 mil despidos adicionales. Con el huracán económico que se avecina en el mundo desarrollado, es fácil ver que los problemas de este verano son apenas el comienzo.

sábado, 13 de agosto de 2011

Tumultos de Londres são pedido de ajuda


Por Stefano Ambrogi

LONDRES (Reuters) - O homem que liderou uma das mais temidas gangues de rua de Londres diz que os tumultos na capital e em outras cidades inglesas esta semana são resultado inevitável da frustração sentida pela juventude britânica e não uma invenção de gangues de rua.

Elijah Kerr, que transformou a famosa gangue de rua criada por ele numa organização de entretenimento destinada a ajudar jovens, zombou da sugestão do primeiro-ministro britânico, David Cameron, de que os tumultos foram coordenados por líderes de gangues.

"O que aconteceu foi a frustração, a tensão, que estourou. É como uma panela de pressão. O fogo está ali, guardado numa sala, trancado e aí alguém abriu a porta e isso se espalhou pela casa", disse Kerr à Reuters.

Ele afirmou que a violência e os saques, com lojas esvaziadas e pessoas sendo atacadas, poderia acontecer numa sociedade que excluiu gerações de jovens.

"Estou falando de instituições de abrigo onde eu cresci, de onde vim, onde as pessoas não têm esperança e foram esquecidas. Perdidas", disse Kerr, fundador e líder da gangue PDC.

PDC são as iniciais de "Pil Dem Crew", termo com raízes no "peel dem" jamaicano, algo como "roubem deles".

"Isso vem crescendo há anos, talvez há uns cinco anos - iria acontecer", disse Kerr, também chamado de Jaja, que cresceu no conjunto habitacional de Angell Town em Brixton, sul de Londres.

Na quinta-feira, após quatro noites de caos em cidades inglesas do interior, Cameron declarou guerra às gangues de rua, que, segundo ele, estavam "no centro de toda a violência", negando com veemência que as medidas de austeridade do governo ou a pobreza tenham contribuído para o tumulto.

Kerr disse que os comentários de Cameron estão totalmente fora da realidade.

Agora aos 31 anos, Kerr afirmou que conheceu a cena das gangues quando tinha 9 anos e esteve envolvido com drogas, usou crack e foi preso várias vezes.

Na última década, porém, ele abriu mão da violência e passou a liderar sua "turma" em uma organização legítima de entretenimento com foco na música e na criatividade.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Saqueos en casa del gato Larry

 

Alfredo Abián, para La Vanguardia

EL Reino Unido es tan fantástico que hasta el número 10 de Downing Street, residencia oficial del primer ministro, cuenta con un cazarratones oficial. Dicen que la costumbre se remonta a la noche de los tiempos. Obviamente, el servicial criado es un gato que no está en nómina. El felino de compañía que mantiene limpia de roedores la casa de David Cameron atiende por Larry. Cuentan las crónicas que tardó dos meses en capturar a su primera presa, cuyo cuerpo depositó en la zona de secretaría ante un grupo de atemorizadas funcionarias. El líder conservador tiene ahora problemas de más envergadura. Por eso ordenó que más de 15.000 policías patrullaran anoche la megaurbe londinense, en un intento desesperado de acabar con saqueos, incendios y todo tipo de delincuencia que han convertido grandes zonas de la capital olímpica del 2012 en un vertedero de escombros, cuyas imágenes rememoran las ruinas de los bombardeos alemanes durante la Segunda Guerra Mundial. Algún alma caritativa dirá que es una exageración. Y que, en todo caso, la ira popular está justificada: de una parte, la muerte a balazos de un taxista negro detenido por la policía; de otra, la crisis que sacude la conurbación de la capital, que se ceba especialmente en los más jóvenes. A la espera del dictado de los próceres, estamos ante un estallido social de dimensiones colosales. Aunque todo acabe siendo fuego de cuatro días, se han saqueado comercios al grito de todo es gratis; se han incendiado edificios y grandes centros empresariales como un almacén de Sony, y se ha robado lo que no está escrito: desde vaqueros hasta televisores, pasando por guitarras eléctricas, pañales o papel higiénico. Ha habido delincuencia común al por mayor, pero probablemente algo más. Como casi siempre.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

LONDRES 2011

I Predict a Riot

Watching the people get lairy
Is not very pretty I tell thee
Walking through town is quite scary
And not very sensible either
A friend of a friend he got beaten
He looked the wrong way at a policeman
Would never have happened to Smeaton
And old Leodiensian
La-ah-ah, la la lalala la
Ah-ah-ah, la la lalala la

I predict a riot, I predict a riot
I predict a riot, I predict a riot

I tried to get in my taxi
A man in a tracksuit attacked me
He said that he saw it before me
Wants to get things a bit gory
Girls run around with no clothes on
To borrow a pound for a condom
If it wasn't for chip fat, well they'd be frozen
They're not very sensible

La-ah-ah, la la lalala la
Ah-ah-ah, la la lalala la

I predict a riot, I predict a riot
I predict a riot, I predict a riot

And if there's anybody left in here
That doesn't want to be out there

Watching the people get lairy
Is not very pretty I tell thee
Walking through town is quite scary
And not very sensible

La-ah-ah, la la lalala la
Ah-ah-ah, la la lalala la

I predict a riot, I predict a riot
I predict a riot, I predict a riot

And if there's anybody left in here
That doesn't want to be out there

I predict a riot, I predict a riot
I predict a riot, I predict a riot

 

Eu Prevejo Uma Revolta

Vendo as pessoas ficarem cada vez mais excitadas
Não é muito bonito eu te conto
Andar pela cidade é bem assustador
E também não é muito sensato
Um amigo de um amigo apanhou
Olhou do jeito errado para um policial
Jamais teria acontecido a Smeaton
Um velho Leodiensiano
La-ah-ah, la la lalala la
Ah-ah-ah, la la lalala la

Eu prevejo uma revolta
Eu prevejo uma revolta

Tentei pegar meu taxi
Um homem de moleton me ataca
Ele disse que o viu primeiro
Quer as coisas um pouco ensangüentadas
Garotas correm por aí sem roupas
Para pegar emprestado uma libra pra camisinhas
Se não fosse por um pouco de gordura elas congelariam
Elas não são muito sensatas

La-ah-ah, la la lalala la
Ah-ah-ah, la la lalala la

Eu prevejo uma revolta
Eu prevejo uma revolta

E se ainda há alguem aqui
Que não quer estar lá fora

Vendo as pessoas ficarem cada vez mais excitadas
Não é muito bonito eu te conto
Andar pela cidade é bem assustador
E também não é muito sensato

La-ah-ah, la la lalala la
Ah-ah-ah, la la lalala la

Eu prevejo uma revolta
Eu prevejo uma revolta

E se ainda há alguem aqui
Que não quer estar lá fora

Eu prevejo uma revolta
Eu prevejo uma revolta

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Saques e violência se espalham por Londres em segunda noite de tumultos

Revoltas que explodiram na noite de sábado no bairro de Tottenham se espalharam para outras regiões de Londres na noite de domingo, que foi marcada por saques e violência em ruas da cidade.

Mais de 100 pessoas foram presas, policiais sofreram ataques, e lojas foram saqueadas e destruídas em vários pontos do norte de Londres, além de Brixton, no sul, e de Oxford Circus, no centro turístico da capital britânica.

Nas duas noites de violência, 35 policiais ficaram feridos.

A Polícia Metropolitana de Londres (conhecida como Scotland Yard) disse que os incidentes são imitações de atividades criminosas, que começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, de 29 anos.

Troca de tiros

Duggan foi morto por policiais na quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro. Os policiais não divulgaram detalhes do suposto tiroteio, em que um policial também foi ferido à bala, mas prometeram uma investigação.

No sábado, manifestantes se reuniram para exigir respostas da polícia a respeito da ação.

Por volta das 20h (16h no horário de Brasília), um tumulto começou e a polícia foi acionada.

Alguns manifestantes jogaram bombas caseiras contra a polícia e alguns prédios. Um ônibus de dois andares foi incendiado. Um supermercado, uma loja de carpetes e outros prédios também pegaram fogo.

Tênis novos

Em seguida, a violência começou a se espalhar para bairros vizinhos e depois para outras áreas da cidade. Veículos da polícia foram atacados e grupos de dezenas de jovens saquearam e incendiaram lojas.

"Eles destruíram a (casa de apostas) William Hill, colocaram fogo em latas de lixo (...) Eu vi uma (loja de celulares) Vodafone saqueada, uma (loja de calçados) Footlocker saqueada e incendiada, eu vi um (supermercado) Marks & Spencer atacado", relatou o jornalista da BBC Paraic O'Brien, que estava em Brixton.

Jornalistas também disseram ter visto jovens lançando pedras e garrafas contra a polícia e até usando extintores de incêndio para impedir a aproximação dos policiais, enquanto eles saqueavam lojas.

O repórter Andy Moore, da BBC, testemunhou as duas noites de violência e disse que elas tinham motivações bem diferentes.

"O que pode ter sido iniciado em Tottenham por jovens ressentidos com o que eles viam como perseguição policial se tornou algo de natureza bem diferente. Na noite passada, havia uma impressão de que os saques, a violência e a desordem em Londres estavam sendo coordenados nos sites de mídia social", disse ele.

'Níveis absurdos de violência'

"Os policiais estão chocados com os absurdos níveis de violência dirigidos a eles. Pelo menos nove policiais foram feridos esta noite, além dos 26 da noite de sábado. Nós não vamos tolerar essa violência deplorável. A investigação continua para levar esses criminosos à Justiça", disse a comandante da polícia Christine Jones.

Partes de Tottenham, onde os tumultos começaram, ainda estão isoladas para que policiais e especialistas forenses examinem o local dos confrontos.

Até o momento, 16 pessoas já foram indiciadas por crimes como roubo, violência e posse de arma.



The Angry Mob

Kaiser Chiefs

I can prove anything: I'll make you admit, again and again
That I can prove anything: the way that it's writ, again and again

And its only 'cos you came here with your brothers too
If you came here on your own you'd be dead
It's only 'cos you follow what the others do
It's no excuse to say you're easily led

You can choose anything: and you choose to lose, again and again
And you could do anything: but why should you do anything again

And it's only 'cos you came here with your brothers too
If you came here on your own you'd be dead
You're winding yourself up until you're turning blue
Repeating everything that you've read

So here we go with a letter
Can you fix it for me?
Because we need entertainment
To keep us all off the streets

So tonight you'll sleep softly in your beds

You can try anything and no one would know apart from you and me
You can stop anything, it starts with just one, and turns to two then three

And it's only 'cos you came here with your brothers too
If you came here on your own you'd be dead
You'll raise a glass until you raise a fist or two
And get a shopping basket wrapped round your head

So here we go with the letter
Can you fix it for me?
For twenty-four hour drinking
To keep us all off the streets

So tonight you'll sleep softly in your beds

We are the angry mob we read the papers every day
We like who we like, we hate who we hate
But we're also easily swayed

A Multidão Enfurecida

Eu posso provar qualquer coisa: Eu farei que você admita , várias vezes
Eu posso provar qualquer coisa: O jeito que está escrito, várias vezes

E só porque você veio aqui com seus irmãos também
Se você viesse aqui por conta própria você estaria morto
Só porque você segue o que os outros fazem
Nenhuma desculpa é fácil para você dizer

Você pode escolher qualquer coisa: e você escolhe perder novamente
Você podia fazer qualquer coisa: mas por que devia você fazer qualquer coisa novamente

E só porque você veio aqui com seus irmãos também
Se você viesse aqui por conta própria você estaria morto
Sinuoso você mesmo veio até virar azul
Repetindo tudo que você leu

E aqui nós vamos com a carta
Bem você poder consertar isto para mim?
Porque nós precisamos de entretenimento
Para manter nós todos fora das ruas

Então hoje à noite você dormirá suavemente em sua cama

Você pode tentar qualquer coisa e ninguém saberia além de você e eu
Você pode parar qualquer coisa, começa com só um e virada para duas então três

Só porque você veio aqui com seus irmãos também
Se você viesse aqui por conta própria você estaria morto
Você levantara um copo até que você levanta um punho ou dois
E consiga uma cesta de compras embrulhada na sua cabeça

Então aqui nós vamos com a carta
Oh você pode consertar isto para mim?
24 horas bebendo
Para manter nós todos fora das ruas

Então hoje à noite você dormirá suavemente em sua cama

Nós somos a multidão enfurecida, nós lemos os diários todos os dias
Nós gostamos de quem gostamos, nós odiamos quem nós odiamos
Mas nós também somos facilmente influenciáveis

quarta-feira, 9 de março de 2011

Trapalhadas no deserto


Ivan Lessa
Colunista da BBC Brasil

Só faltou o Renato Aragão. Lembro dos filmes, folheio mentalmente os compêndios de história, admiro as estátuas de militares e seus feitos. Os britânicos são ferozes na guerra. Aquela história: dão um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair dela. Dizem. 

Invasões do Iraque e do Afeganistão, na base do faremos tudo que “seu” mestre, os EUA, mandar. Ninguém em sã consciência ou louco desatino poderá dizer que foram exemplos eloquentes de sucesso.

Corria até há pouco, ontem, que a culpa fora do outro primeiro-ministro, o hoje negociante Tony Blair. Ele e suas armas de destruição em massa. Sai governo trabalhista, entra governo conservador. A co-liderar o país esse homão, que parece um nabo ambulante de terno e gravata, David Cameron. Conforme editoriais, suas revoluções árabes não têm sido um sucesso. Foi o primeiro líder mundial a visitar o Egito e aquela praça, a Tahrir (quer dizer libertação), após a queda de Hosni Mubarak.

Fez bem. Só que não se deveria utilizar da oportunidade da queda de um regime opressivo para, na mesma viagem, levar no cortejo oito firmas vendedoras de equipamento militar. Teria agido melhor se tivesse obamado. Obamar, verbo derivado do nome do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e que quer dizer fechar-se em copas, não dizer coisa com coisa, mostrar indecisão. Vai pro Houaiss um dia.

Logo a seguir, nosso bom Cameron andou levantando a hipótese de um bloqueio aéreo sobre a agora conturbada Líbia. O secretário de Defesa americano, Robert Gates, não demonstrou, com toda razão, muito entusiasmo. O que a seguir? Bombardeios, envio de tropas?

Agora, em pleno Carnaval, a patuscada, a palhaçada, o ridículo de uniforme e de terninho listrado. Se fosse baile, ou escola de samba, o nome seria fácil de dar: Pastelão na Areia.

Correu mundo a notícia de que o Reino Unido enviara peritos para o leste da Líbia, onde predominam, por enquanto, as forças rebeldes. O suposto objetivo seria entrar em contato com a oposição para dar conselhos militares e, quem sabe, bolar um esqueminha que agradasse à distinta plateia presente ao sacudido mundo das conturbações no norte da África.

Logo, logo vieram maiores detalhes. E mais, bem mais grotescos: a unidade britânica fora flagrada pela oposição com equipamento de espionagem, múltiplos passaportes e armas as mais variadas. Alguém aí já pensou numa nova aventura para James Bond?

O conselho de Benghazi, onde se deu o vexame, mediante o pronunciamento de um alto membro declarou à imprensa internacional que “isso não era maneira de se conduzir durante um levante”. Levante é o que está havendo por lá. Guerra civil? Falta pouco.

É bom frisar que entre os militares apreendidos e prontamente remetidos de volta, via uma fragata a Londres e arredores, estavam oito soldados da lendária SAS (a Special Air Force), espécie de super-homens invencíveis que servem ainda para assustar criança que não se comporta bem. Há dezenas de filmes e livros narrando suas heroicas e imbatíveis façanhas. Todos péssimos.

No meio da turma, assim como quem não quer nada, também oito membros do MI6, o serviço secreto para assuntos exteriores, ou seja, Inteligência Militar Secção 6. James Bond, nosso bom 007, é do MI6.

Sempre em ritmo de folia momesca, essa gentarada toda foi capturada por guardas revolucionários armados, segundo consta, de confete e serpentina apenas, além de uma espada de pau de fantasia barata de pirata. Farmers, simples e carnavalescos farmers, ou pequenos agricultores.

Passaram a noite, a gente boa e braba da SAS e do MI6, num dormitório vagabundo, na certa inventando presepadas inesquecíveis para líbios em torno que nada entendiam.

Voltou tudo debaixo de estrondosas gargalhadas para a Grã-Bretanha. O ministro das Relações Exteriores, William Hague, no Parlamento, disse que tudo não passou de mero “erro operacional”.

O vexame continua a render. Eu se fosse fazendeiro local, de grandes, pequenos ou médios recursos tomaria o maior cuidado.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Blair, socio fraternal de Gadafi

Tony Blair com seu amigo George
Tony Blair, enviado especial del Cuarteto - Estados UnidosRusia, la Unión Europea y las Naciones Unidas- que supuestamente busca la paz en Medio Oriente, acaba de calificar la ola de protestas pro-democracia que arrasa la región como “un momento de oportunidad verdaderamente importante”.


Importante pero no tan importante como los momentos de oportunidad que Blair ha aprovechado en su relación especial gubernamental y personal con Libia. Blair se lleva de maravilla con Muamar al Gadafi desde que siguió a José María Aznar y restableció relaciones diplomáticas con el dictador libio  en el 2004, un año en el que tanto Blair como Aznar –por no decir nada de George W Bush- necesitaban a todos los amigos árabes que podían encontrar tras liderar una guerra ilegal en Iraq que nadie apoyaba. Resultó especialmente audaz para Blair estrecharle la mano a Gadafi cuyo régimen estaba involucrado directamente en el atentado contra un avión de Pan Am  estadounidense que sobrevolaba Escocia en diciembre de 1988 y , al caer , obliteró el pueblo de Lockerbie provocando la muerte de 270 personas.  Al igual que la guerra en Iraq, era un ejemplo valiente del conviction politician,  dispuesto a desafiar a los sondeos de opinión  aunque no a los lobistas de petroleras como BP y Shell que necesitaban desesperadamente un deshielo de relaciones con la potencia petrolera y su excéntrico dictador. Uno de los numerosos acuerdos bilaterales firmados estipulaba  que el ejército británico ayudaría en la formación de soldados y policías libios.

Blair ha acumulado una fortuna próxima a 45 millones de libras (50 millones de euros) desde que abandonó Downing Street gracias a los honorarios que se embolsa por asesorar a diversos bancos y empresas multinacionales sin olvidar su excelente salario como embajador por la paz en Medio Oriente. Uno de los bancos que Blair asesora, JP Morgan, se hizo con un jugoso contrato en Libia a mediados del año pasado gracias, según explicó miembros del régimen libio, a la mediación de Blair durante una visita Trípoli en junio del año pasado. Por si esto fuera poco, Saif al-Islam Gaddafi , el hijo de Gadafi, dijo en una entrevista mantenida con el Daily Mail en el mismo mes que Blair había sido contratado por el fondo soberano libio, Libyan Investment Authority, como asesor. “Lo tratamos como a un hermano”, añadió. Blair lo desmintió.

Pero, ahora que, los manifestantes en favor de la democracia en Libia caen bajo una lluvia de balas disparadas con apuntería británica http://www.belfasttelegraph.co.uk/news/world-news/how-britain-taught-arab-police-forces-all-they-know-15089726.htm ,  quizás se debería volverá a mirar el asunto o, al menos, reflexionar sobrela cuestión de  si Blair es la persona indicada para decidir cómo aprovechar este “momento de oportunidades” en Medio Oriente.  Al fin y al cabo, no parece  el mejor misionero de la paz un gobernante que –según el reconoció de manera implícita en una investigación británica- tomó la decisión de invadir Iraq incluso antes de que se iniciaran las últimas inspecciones sobre armas de destrucción masiva de la ONU.

Si alguien dudaba de si las extraordinarios rebeliones árabes puedan complicar la vida a los líderes europeos que han mezclado negocios y política con los sátrapas árabes desde hace décadas, solo hace falta mirar la situación insostenible de la ministra de exteriores francés a Michelle Alliot-Marie  desde que  salen a la luz los negocios sucios que realizaba con los socios del tirano tunecino Zine el-Abidine Ben Ali .