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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Un incidente diurético

  
Juan Gelman · · · · ·(Sin Permiso)

El soldado afgano que el viernes 20 mató a cuatro efectivos franceses e hirió a una docena o más –ocho se encuentran graves– no era un recluta talibán, como pretendió un comunicado triunfalista: el hombre había visto el documental de 40 segundos que alguien subió al blog TMZ y que muestra a cuatro marines sonrientes orinando los cadáveres de presuntos enemigos. Para el presidente de Francia, Nicolas Sarkozy, el hecho arroja serias dudas sobre la eficacia del entrenamiento que las tropas de la OTAN imparten al naciente ejército afgano y podría adelantar el regreso de los 3600 militares de su país estacionados en el país asiático.

Se puede considerar que esa profanación es una más de las perpetradas a los afganos, talibán o no, presos en Abu Ghraib, o cercados en Fallujah por las tropas de la OTAN que incluso utilizaron gases venenosos y mataron talibán y civiles por igual sin distinción alguna. Sólo que es un síntoma de otra naturaleza: aumenta el número de tropas aliadas muertas por los mismos que entrenan. El muy británico The Guardian publicó una lista, más bien escueta, de esa clase de guerra interna: el 3 noviembre del 2009, un policía afgano eliminó desde el techo de una vivienda a cuatro soldados británicos, hirió a ocho y logró escapar; en 2010, un soldado afgano asesinó a tres británicos en la provincia de Helmand, y un policía a ocho soldados estadounidenses durante un entrenamiento en Nangahar antes de suicidarse.

Estos incidentes fueron in crescendo en el 2011. El 18 de febrero, un soldado afgano ametralló a tres soldados alemanes en la provincia de Baghlan; el 27 de abril, un piloto muy experimentado de la fuerza aérea de Afganistán disparó contra un grupo reunido en Kabul, la capital, dando muerte a ocho efectivos de EE.UU. y a un contratista civil antes de ser derribado; el 9 de noviembre, las víctimas fueron tres soldados australianos y el 29 de diciembre, dos militares de la Legión Extranjera francesa. Se estima que el número total de efectivos aliados caídos en sucesos similares asciende a 57. ¿A qué se debe esta reacción? ¿Raptos de locura? ¿Patriotismo recuperado? ¿El stress post-traumático del combate, como proponen especialistas de la OTAN?

El Pentágono decidió investigar las razones y resultaron bien otras. Por ejemplo, la extrema arrogancia, los abusos y “el trato rudo” que los soldados afganos reciben de los instructores extranjeros. El informe asimismo califica de “profunda deshonestidad intelectual” la afirmación del comando de la OTAN de que son extremadamente raras las muertes de sus efectivos a manos de soldados o policías afganos. La de los cuatro franceses el viernes 20 –dice– “refleja una creciente amenaza sistemática de homicidios (entre ‘aliados’ de una magnitud sin precedente en la historia militar moderna)” (www.guardian.co.uk, 20-1-12). Y advierte que el problema es tan serio que “está provocando una crisis de seguridad y de confianza entre los occidentales que entrenan y trabajan con las Fuerzas Afganas de Seguridad Nacional”. Los efectivos alemanes de Baghlan se niegan a patrullar con los afganos. Tuvieron ya bastante con tres bajas.

Un informe del científico conductista Jeffrey Bordin señala que la mayoría de estos “asesinatos fratricidas” –así los llama– son producto de “una profunda animosidad estimulada por conflictos sociales y personales” (www.michaelyon-online.com, 12-5-11). El Dr. Bordin entrevistó a 623 miembros de las fuerzas de seguridad afganas, 215 soldados estadounidenses y 30 intérpretes afganos que trabajan para éstos y encontró que el desprecio y la incomprensión imperan por igual en instructores y entrenados. Subraya que se trata de “una crisis de incompatibilidad cultural”, pero el problema admite otras complejidades.

“Los soldados de EE.UU. no escuchan, son demasiado violentos, imprudentes, intrusivos, soberbios, profanos, aprovechados que se ocultan detrás de una tecnología de vanguardia... los civiles pagan cuando uno de los suyos cae”, fueron algunas opiniones de efectivos afganos recogidas por el investigador. La otra parte no se quedó corta: los soldados afganos “son cobardes, incompetentes, obtusos, ladrones, complacientes, holgazanes, drogradictos, radicales traidores y asesinos”, espetaron los soldados estadounidenses. Ni el gobierno de Karzai, ni los mandos de la OTAN han logrado frenar semejante hostilidad.

Esta situación podría tener consecuencias políticas no triviales. La Casa Blanca y su aliados vacilan en abandonar Afganistán con una población civil cargada de odio a los ocupantes y fuerzas de seguridad permeadas por el mismo sentimiento. La creación de un ejército afgano operativo contra los talibán es la base fundamental del designio de Obama, tantas veces reiterado, de retirar sus tropas a fines del 2014. ¿Lo hará?

Juan Gelman, escritor y poeta argentino, militante de izquierda de larga y respetada trayectoria, fue Premio Cervantes en 2007.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Chega de Chiclete

Occupy Wall Street, trabalho de Curtis James

Texto de Mike Davis sobre o movimento Occupy Wall Street


Mike Davis, historiador e economista, autor de Planeta Favela (Boitempo, 2006), Apologia dos bárbaros: ensaios sobre o império (Boitempo, 2008) e Cidade de Quartzo: escavando o futuro em Los Angeles (Boitempo, 2009) nos enviou texto exclusivo sobre o movimento Occupy Wall Street (Ocupe Wall Street), que segue abaixo em tradução de Rogério Bettoni. Ao fim do texto, o original em inglês.
Na semana passada publicamos o discurso de Slavoj Žižek aos manifestantes do movimento, confira clicando aqui.

***

Quem poderia prever que o Occupy Wall Street e sua proliferação ao estilo de uma planta selvagem aconteceriam em cidades grandes e pequenas? John Carpenter previu. Há quase 25 anos (1988), o mestre do terror (Halloween, A coisa) escreveu e dirigiu They Live [“Eles vivem”, no Brasil], retratando a Era Reagan como uma catastrófica invasão alienígena. O filme continua sendo seu tour de force. Aliás, quem poderia esquecer das primeiras cenas brilhantes em que uma grande periferia terceiro-mundista é mostrada ao longo de uma autoestrada e refletida pelos arranha-céus espelhados de Bunker Hill, em Los Angeles? Ou da maneira como Carpenter retrata banqueiros milionários e ricos midiocratas dominando a pulverizada classe trabalhadora dos Estados Unidos, que vive em barracas numa encosta cheia de entulhos e implora por trabalhos casuais?

Partindo dessa igualdade negativa entre falta de moradia e desesperança, e graças aos óculos escuros mágicos encontrados pelo enigmático “Nada” (interpretado por Kurt Russell), o proletariado finalmente alcança a unidade inter-racial, não se deixa enganar pelas fraudes subliminares do capitalismo e fica furioso, extremamente furioso. Sim, eu sei, estou adiantando as coisas. O movimento “Occupy the World” ainda procura seus óculos mágicos (programa, demandas, estratégia e assim por diante), e sua fúria permanece baixa, em estado gandhiano.

Mas, como previu Carpenter, arrancar um número suficiente de cidadãos norte-americanos de suas casas e/ou carreiras (ou pelo menos atormentar dezenas de milhões com essa possibilidade) para promover algo novo e de grandes proporções é um movimento lento e cambaleante em direção ao Goldman Sachs. E, ao contrário do “Partido do Chá” [Tea party], até agora não há fios de marionete. Um dos fatos mais importantes sobre a revolta atual é simplesmente que ela ocupou as ruas e criou uma identificação espiritual com os desabrigados.

Para ser bem franco, a minha geração, educada no movimento dos direitos civis, teria pensado em primeiro ocupar os prédios e esperar que a polícia colocasse todos porta afora na base de cacetadas. (Hoje, os policiais preferem spray de pimenta e “técnicas não letais”.) Em 1965, quando eu tinha dezoito anos e participava da equipe nacional dos Estudantes para uma Sociedade Democrática, planejei uma ocupação do Chase Manhattan Bank, “parceiro do apartheid” por conta de seu papel central no financiamento da África do Sul depois do massacre de manifestantes pacíficos. Foi o primeiro protesto em Wall Street em uma geração, e 41 pessoas foram arrastadas de lá pela polícia.

Ainda acho que tomar o comando dos arranha-céus é uma ideia esplêndida, mas para um estágio mais avançado da luta. Até o momento, a genialidade do Occupy Wall Street é o fato de ter liberado alguns dos imóveis mais caros do mundo e transformado uma praça privada em um espaço público magnético e catalisador de protestos.

Nossa ocupação há 46 anos foi uma incursão de guerrilheiros; a de agora é uma Wall Street sob o cerco dos liliputianos. Também é o triunfo do princípio supostamente arcaico do cara a cara, da organização dialógica. As mídias sociais são importantes, é claro, mas não onipotentes. O sucesso da auto-organização dos ativistas – a cristalização da vontade política a partir do livre debate – continua sendo melhor nos fóruns urbanos da realidade. Dito de outra forma, a maior parte das nossas conversas na internet equivale ao padre sendo ensinado a celebrar a missa; até mesmo megasites como o MoveOn.com são voltados para um grupo que já sabe do que é dito, ou pelo menos para seu provável grupo demográfico.

As ocupações também são para-raios, acima de tudo, para as menosprezadas e alienadas tropas dos Democratas, mas, além disso, elas parecem estar derrubando barreiras de geração, proporcionando as bases comuns, por exemplo, para que os professores de meia-idade, ameaçados e que trabalham na educação básica, troquem ideias com jovens graduados e empobrecidos.

De maneira ainda mais radical, os acampamentos tornaram-se lugares simbólicos para reparar as divisões dentro da coalizão do New Deal impostas nos anos do governo Nixon. Como observa Jon Wiener em seu impecável blog, www.TheNation.com, “operários e hippies – juntos, finalmente”. Evidentemente. Quem não se comoveria quando o presidente da AFL-CIO, Richard Trumka – que trouxe mineiros de carvão para Wall Street em 1989 durante uma greve cruel, mas bem-sucedida, contra a Pittston Coal Company –, convocou homens e mulheres cheios de energia para “montar guarda” no Zucotti Park, apesar do esperado ataque da polícia de Nova York? Ainda que velhos radicais como eu sejam propensos a declarar como messias qualquer recém-nascido, essa criança tem o sinal do arco-íris.

Acredito que estamos vivenciando o renascimento das qualidades que definiram de modo tão marcante as pessoas comuns da geração de meus pais (migrantes e grevistas da Crise de 1929): uma compaixão generosa e espontânea, uma solidariedade baseada em uma ética perigosamente igualitária: Pare e dê carona a uma família. Jamais fure uma greve trabalhista, mesmo se sua família não puder pagar o aluguel. Compartilhe seu último cigarro com um estranho. Roube leite quando não houver para seus filhos e dê metade para as crianças do vizinho (isso foi o que minha própria mãe fez repetidas vezes em 1936). Ouça atentamente aos sagazes e serenos que perderam tudo, menos a dignidade. Cultive a generosidade do “nós”. O que quero dizer, suponho, é que me sinto extremamente impactado por aqueles que se juntaram para defender as ocupações apesar de diferenças significativas de idade, classe social e raça. E, da mesma maneira, adoro as crianças corajosas que estão prontas para encarar o próximo inverno e passar frio nas ruas, bem como seus irmãos e irmãs desabrigados.

Mas voltemos à estratégia: qual o próximo elo na corrente (no sentido de Lenin) que precisa ser apreendido? Até que ponto é imperativo para as plantas selvagens formar uma convenção, assumir demandas programáticas e, dessa forma, colocarem a si próprias no leilão das eleições de 2012? Obama e os Democratas certamente, e talvez desesperadamente, precisarão de energia e autenticidade. Mas é improvável que os “ocupacionistas” se coloquem à venda, ou seu extraordinário processo de auto-organização. Pessoalmente, tendo para uma posição anarquista e seus imperativos óbvios.

Primeiro, exponham a dor de 99%, levem Wall Street a julgamento. Tragam Harrisburg, Laredo, Riverside, Camden, Flint, Gallup e Hooly Springs para o centro financeiro de Nova York. Confrontem os predadores com suas vítimas. Um tribunal nacional sobre o genocídio econômico.

Segundo, continuem a democratizar e ocupar produtivamente o espaço público (isto é, reivindicar os bens comuns). O veterano historiador e ativista Mark Naison, do Bronx, propôs um plano arrojado para transformar os espaços degradados e abandonados de Nova York em recursos de sobrevivência (jardins, áreas de acampamento, playgrounds) para desabrigados e desempregados. Os manifestantes do Occupy em todo o país agora sabem como é ser desabrigado e não poder dormir em parques ou numa barraca. Mais uma razão para arrebentar as amarras e escalar os muros que separam o espaço não usado das necessidades humanas urgentes.

Terceiro, fiquem atentos à verdadeira recompensa. A grande questão não é subir os impostos dos ricos ou realizar uma melhor regulamentação dos bancos. Trata-se de uma democracia econômica – o direito das pessoas comuns de tomar macrodecisões sobre investimento social, taxas de juros, fluxo de capital, criação de empregos, aquecimento global e afins. Se o debate não for sobre o poder econômico, ele é irrelevante.

Quarto, o movimento deve sobreviver ao inverno para combater o poder na próxima primavera. As ruas são frias em janeiro. Bloomberg e todos os outros prefeitos e autoridades locais estão contando com um inverno rigoroso para acabar com os protestos. Por isso é muito importante reforçar as ocupações durante as férias de Natal. Vistam seus casacos.

Por fim, precisamos nos acalmar – o itinerário do protesto atual é totalmente imprevisível. Mas se alguém 
erguer um para-raios, não podemos nos surpreender caso caia um relâmpago.

Banqueiros entrevistados recentemente no The New York Times parecem considerar os protestos do Occupy pouco mais que um incômodo baseado, segundo eles, numa compreensão rudimentar do setor financeiro. Eles deveriam ser mais humildes. Na verdade, deveriam tremer diante da imagem da carreta de munições. Quatro milhões e meio de empregos na área industrial foram perdidos nos Estados Unidos desde 2000, e uma geração inteira de recém-graduados encara agora a mais alta mobilidade descendente na história do país. Desde 1987, afro-americanos perderam mais da metade de seu patrimônio líquido; os latinos, inacreditáveis dois terços. Arruinar com o sonho americano e com as pessoas comuns será extremamente prejudicial para vocês. Ou, como Nada explica aos agressores imprudentes no excelente filme de Carpenter: “Vim aqui para mascar chiclete e quebrar tudo… e meus chicletes acabaram.”

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Boycott Elbit Systems!

Stop the Wall:

Elbit Systems is one of the largest Israeli security and defense firms, specializing in military electronics, surveillance systems, UAVs and homeland security systems. The company provides both UAVs and other military technology for Occupation forces as well as security systems for the Wall and settlements.

Like all Israeli firms operating in the military technology sector, endless war and occupation create valuable marketing opportunities. Elbit UAVs, for instance, can be sold on the global market as “battle tested” devices, increasing their appeal and leading to their adoption by a number of international militaries.

Elbit has major subsidiaries across the globe, and any BDS campaign against arms trade must take the company into account.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Excesso de peso de soldados atrapalha ação britânica no Afeganistão, diz jornal


Os esforços do Exército britânico na guerra no Afeganistão podem estar sendo atrapalhados pelo número de soldados com excesso de peso ou simplesmente fora de forma para o combate, segundo reportagem publicada pelo jornal britânico The Observer.

O diário diz ter obtido a cópia de um memorando, enviado para todas as unidades do Exército, que revela que as recomendações e determinações básicas para ajudar os soldados a manter a forma, como a prática de duas horas diárias de exercícios, "não estão sendo seguidas".

O documento destacaria ainda uma preocupação do alto comando com "uma tendência alarmante de obesidade" que está limitando o número de soldados fisicamente capazes de atuar na província de Helmand, uma das frentes do conflito com militantes do Talebã.

O Observer revela que o Exército deve introduzir, em outubro, "medidas de análise da composição corporal", o que ajudaria a "barrar" soldados acima do peso, além de implementar também a obrigatoriedade de no mínimo três sessões semanais de atividade física.

Recorde de mortes

Segundo o jornal, atualmente 3.860 membros das Forças Armadas estão classificados como "incapazes" de serem enviados para a frente de combate, enquanto outros 8.190 têm "capacidade limitada" de serem enviados, por causa de problemas de saúde.

Em uma entrevista ao Observer, o parlamentar conservador Patrick Mercer, ex-diretor de estratégia da Agência de Recrutamento e Treinamento do Exército, disse que as revelações são uma "desgraça". "O Exército está desesperadoramente precisando de mais homens, e é extraordinário que a obesidade seja um problema", afirmou.

Segundo o Ministério da Defesa britânico, desde outubro de 2001, 191 soldados britânicos morreram no Afeganistão - 160 deles em combate.

Entretanto, os últimos anos têm sido mais violentos, com um recorde de 54 mortes apenas no primeiro semestre de 2009.

O governo tem falado em enviar mais soldados para reforças os já 9 mil que estão atuando no Afeganistão - medida que está provocando polêmica no país, diante do número de mortes.

BBC

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

EE UU reabre el caso de un bombardeo sobre Afganistán

Fotografía de archivo del 23 de agosto de 2008, un día después del bombardeo estadounidense, en la que un hombre reza ante las tumbas de los fallecidos en el ataque.- AFP

El Ejército asegura que dispone de "nuevas evidencias" que podrían modificar su versión oficial.

El Ejército estadounidense anunció ayer que planea reabrir la investigación sobre la muerte de civiles durante un bombardeo aéreo de las tropas estadounidenses al oeste de Afganistán el pasado 22 de agosto en una operación contra un grupo de talibanes. Washington asegura que han aparecido nuevas evidencias sobre las víctimas, por lo que enviará a un oficial a Nawabad para revisar el caso. El Ejército estadounidense se opuso a los datos del Gobierno afgano, que aseguraba que al menos 90 personas habían fallecido en el ataque en la provincia de Herat, una cifra respaldada por Naciones Unidas, que apuntó que la mayoría de las víctimas era mujeres y niños. De momento, la versión oficial de EE UU es que en el bombardeó tan sólo hubo cinco víctimas mortales.

Filas de cuerpos

EE UU no ha explicado qué evidencias son las que le llevan a revisar el caso, pero el periódico The New York Times ha informado de que se trata de vídeo realizado con un teléfono móvil en el que aparecen los cuerpos de mujeres y niños tendidos cerca de la mezquita donde ocurrió el ataque. El vídeo, de ocho minutos de duración, lo ha podido ver en exclusiva el periódico británico The Times, que explica que la grabación la realizó un médico que trabaja en una clínica cercana.

En las imágenes, según el diario, aparecen filas de cuerpos, que yacen en el suelo, mientras que tratan de identificarlos. Entre las víctimas mortales hay niños, incluso bebés, muchos de ellos, con heridas graves en la cabeza. En la grabación se escuchan gritos como: "Oh, Dios, sólo es un niño" o "Mi madre, mi madre". El Times resume que el vídeo es la evidencia más clara del que puede ser el ataque más sangriento sobre víctimas civiles desde el inicio de la guerra de Afganistán.

El objetivo

Hasta ayer, el Pentágono insistía en que sólo cinco civiles habían fallecido junto a 35 talibanes durante una operación, cuyo objetivo era un encuentro de líderes talibanes. Fuentes del centro de inteligencia de las Fuerzas Armadas Españolas, a las que ha tenido acceso la Cadena SER, han confirmado que sus informes apuntan a un error cometido por el espionaje de EE UU. Según estas fuentes, una familia rival enfrentada con la de las víctimas informó a las tropas estadounidenses de la existencia de talibanes en esa zona. El centro de inteligencia asegura que se trató de una acusación interesada, que los agentes estadounidenses dieron por buena.

El número de civiles asesinados en Afganistán por las fuerzas internacionales se ha triplicado entre 2006 y 2007, según un informe publicado hoy por la organización no gubernamental Human Rights Watch (HRW). El texto asegura que los errores de las operaciones militares han desatado la cólera entre la población. Las cifras de HRW hablan de, al menos, 929 víctimas civiles en 2006, de las que 230 murieron a causa de operaciones de la coalición. En 2007, al menos 1.633 civiles perdieron la vida. De enero a julio de 2008, más de 500 civiles han sido asesinados, 119 en bombardeos de la coalición.