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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Guerra dos EUA e Israel contra o Irã começou

Fonte dessa imagem AQUI.

Especialistas militares avaliaram, nesta quinta-feira, que a guerra entre o Irã e os EUA já começou, a julgar pelo movimento de tropas na região e os últimos acontecimentos no cenário montado pelas nações ocidentais no Golfo Pérsico. Fontes ouvidas pela agência espanhola de notícias RicTV atestam que, agora, “é apenas uma questão de horas para o início do conflito armado”. A morte do cientista iraniano em um atentado foi, segundo analistas, um ponto decisivo para o agravamento do quadro de confronto entre as forças norte-americanas, israelenses e do Irã.

A morte de Mostafa Ahmadi Roshan, de 32 anos, engenheiro nuclear iraniano, em um atentado a bomba, nesta quarta-feira, provocou uma onda de revolta em Teerã contra Israel, o principal suspeito, e contra os Estados Unidos, que afirmaram não ter qualquer ligação com o atentado. A edição desta quinta-feira dos principais jornais iranianos pede represálias imediatas contra ambos os países.

“Sob a lei internacional é legal executar represálias com o assassinato do cientista nuclear”, afirma o jornal iraniano Keyhan, em um editorial. “A República Islâmica conquistou muita experiência em 32 anos. Portanto, é possível assassinar autoridades e militares israelenses”, completa o texto. O assassinato domina o noticiário naquele país e muitos criticaram o que chamaram de silêncio do Ocidente sobre as mortes. Os jornais mais radicais pedem, inclusive, uma ação secreta contra Israel.

Ainda prudente em seus pronunciamentos, o governo iraniano disfarça a irritação com o episódio mas garante que obteve provas de que “interesses estrangeiros” estavam por trás da morte do cientista Roshan, subdiretor da central de enriquecimento de urânio de Natanz. Ele morreu quando dois homens, em uma motocicleta, pararam ao lado do automóvel do cientista, retido em um engarrafamento em Teerã, e colocaram uma bomba magnética na porta, após o que se ouviu uma forte explosão.

A bomba também matou o motorista e o segurança de Ahmadi Roshan, enquanto um terceiro ocupante do carro, um modelo Peugeot 405, ficou ferido. O ataque foi similar a outros quatro que aconteceram em Teerã nos últimos dois anos. Três cientistas, incluindo dois que também trabalhavam no programa nuclear iraniano, morreram, enquanto outro – que agora dirige a Agência de Energia Atômica do Irã – escapou por pouco tempo de um atentado.

Capitalismo em declínio

Pomo da discórdia entre o Irã, Israel e os EUA, a energia nuclear foi o tema central dos pronunciamentos realizados em Havana, na noite passada, durante a recepção ao presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad promovida pelo presidente cubano, Raúl Castro. Ambos defenderam o direito de todos os países ao uso pacífico da energia nuclear, no clímax da escalada militar em curso na região do Golfo Pérsico.

Os dois governantes “ratificaram o compromisso dos dois países na defesa da paz, do direito internacional e dos princípios da Carta das Nações Unidas, assim como do direito de todos os Estados ao uso pacífico da energia nuclear”, afirma um comunicado oficial.

O apoio cubano ao programa nuclear iraniano foi anunciado na mesma semana em que os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Nicarágua, Daniel Ortega, fizeram o mesmo. De acordo com a nota oficial, durante o encontro no Palácio da Revolução de Havana, Raúl Castro e Ahmadinejad conversaram sobre “o excelente estado das relações bilaterais e temas do âmbito internacional”.

– Estamos observando que o sistema capitalista está em decadência, em diferentes cenários, como em um beco sem saída, e é necessária uma nova ordem, uma nova visão, que respeite todos os seres humanos, um pensamento baseado na justiça. Quando já lhe falta lógica recorrem às armas para matar e destruir. Hoje em dia a única opção que restou ao sistema capitalista é matar – disse Ahmadinejad, em uma conferência na Universidade de Havana, onde recebeu o título Doutor Honoris Causa em Ciências Políticas.

Ahmadinejad reivindicou uma nova ordem mundial baseada na justiça e que respeite todos os seres humanos e encorajou Cuba e seus universitários a trabalharem ao lado de seu país para criá-la.

– Temos que estar alertas. Se nós não planejamos a nova ordem no mundo, serão os herdeiros dos donos de escravos e os capitalistas a controlar e impor o novo sistema – afirmou.

Questão de horas

Enquanto Ahmadinejad se movimenta pela América Latina, em busca de uma sólida aliança com países socialistas da região, o porta-aviões da classe Nimitz, modernizado e com armas mais letais se posiciona próximo ao Estreito de Ormuz. Nos últimos dias, os EUA trasladaram um grupo de militares especializados em desembarque e um batalhão inteiro de marines. A tropa segue embarcada nos navios anfíbios Makin Island, New Orleans e Pearl Harbor. Soma-se à força naval uma esquadrilha reforçada de helicópteros e um batalhão de retaguarda. As informações foram divulgadas, nesta manhã, pela RicTV.

A agência acrescenta que o serviço de comunicações da Armada norte-americana comunicou que a principal função do novo grupo de combate, encabeçado pelo super porta-aviões é apoiar o exército em suas operações no Afeganistão e participar de manobras internacionais na região. Especialistas ouvidos, no entanto, advertem que o aumento no número de embarcações dos EUA nas costas do Irã é um fator marcante para o aumento da tensão entre os dois países, com desfecho previsto em questão de horas. Fernando Bazán, um dos analistas internacionais, em entrevista aos jornalistas, aponta a escalada do poderio armamentista dos EUA no Mar Arábico.

– De um lado, Washington envia cada vez mais navios de guerra para a região por sua preocupação com o avanço da produção nuclear iraniana, ainda mais depois que Teerã confirmou a produção de urânio enriquecido a 20% em uma instalação subterrânea. De outra parte, o Irã é um dos países mais importantes na política regional e pode influir na maioria dos processos em curso no Oriente Médio, com apoio aos grupos xiitas – afirmou Bazán.

Além do USS Nimitz, o vespeiro em que se encontra o Estreito de Ormuz contará, nos próximos dias, com a presença de um grupo de combate da V Frota Marítima, encabeçado pelo porta-aviões Carl Vinson, com aeronaves a bordo. Estes equipamentos se somam a um outro grupo de navios de guerra estacionado na região desde dezembro último. Estas belonaves já haviam passado pelo Estreito de Ormuz, na divisa entre o Mar de Omán e o Golfo de Áden, por onde circulam 40% do tráfego mundial de petróleo.

CdB

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cartunista do Rio inspira de longe as rebeliões árabes


Por Stuart Grudgings

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Suas charges são afiadas, ousadas e um espinho na carne para líderes autoritários cambaleantes do mundo árabe -- e um presente para os manifestantes que protestam. Tudo isso tendo como improvável origem um apartamento no Rio de Janeiro.

Carlos Latuff, um esquerdista de 42 anos cujo único vínculo com o Oriente Médio é um avô libanês que ele nunca conheceu, se tornou um herói da "Primavera Árabe" com desenhos satíricos que ajudaram a inspirar as revoltas.

Ele só precisou de sua caneta, uma paixão pelas lutas da região e uma conta no Twitter, que ele utiliza para publicar suas charges.

Começando com o levante na Tunísia em dezembro, o trabalho de Latuff vem sendo baixado na Internet por líderes dos protestos e estampado em camisetas usadas em protestos do Egito à Líbia e ao Barein, tornando-se um emblema satírico da indignação popular.

Em uma delas, uma bota de cano longo representando o governo da Síria pisa em uma mão onde está escrito "liberdade". Em outra, um homem representando a Justiça sob o governo militar do Egito segura uma balança cheia de manifestantes presos.

Latuff disse que soube pela primeira vez que suas charges estavam tendo impacto quando, ao assistir à TV, viu-os estampados em cartazes no momento em que as manifestações se espalhavam pelo Egito, em 25 de janeiro, somente dois dias depois de ele as ter distribuído na Internet.

"Aquilo me deu a certeza de que meu trabalho era útil", disse Latuff à Reuters. "Não são as plataformas sociais que fazem as revoluções. É o povo. Twitter, Facebook, assim como uma câmera ou coquetéis molotov, são apenas instrumentos, equipamentos."

Latuff não cobra por seu trabalho e diz que doa os desenhos para destacar as injustiças e mostrar sua solidariedade contra o autoritarismo mundialmente.

Suas únicas visitas ao Oriente Médio foram em 1999 e 2009, quando esteve nos territórios palestinos ocupados por Israel e, depois, em campos de refugiados palestinos na Jordânia e Líbano.

FAZENDO AMIGOS, E INIMIGOS

Foi o suficiente, diz ele, para lhe fazer entender que as dinâmicas da opressão na região eram semelhantes àquelas das favelas cheias de violência no Rio.

"A miséria é a mesma em qualquer país", disse ele. "A única diferença (nos campos) era que as mulheres tinham as cabeças cobertas, a escrita era em árabe e os homens com armas eram militantes, não traficantes de drogas."

A incursão de Latuff no mundo dividido do Oriente Médio fez com que ele ficasse repleto de inimigos, bem como amigos. Seu trabalho mostrando a brutalidade do Exército de Israel em relação aos palestinos -- uma charge compara soldados com alemães nazistas -- atraiu acusações de antissemitismo, o que ele nega fortemente.

Muitos de seus desenhos ainda têm como foco o Egito, onde os poderes de emergência dados aos militares ainda continuam em vigor seis meses depois da derrubada de Hosni Mubarak.

Uma charge traz uma cobra aparecendo por trás de uma mulher sentada diante de um computador -- uma referência à recente prisão da ativista Asmaa Mahfouz por "insultar" os militares em um comentário no Twitter. Ela foi posteriormente liberada pelos militares.

"A maioria das pessoas não sabe o que está acontecendo agora no Egito -- como Mubarak deixou o governo, elas pensam que eles têm democracia, mas isso não é verdade", disse Latuff.

(Reportagem adicional de Julia Aquino)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Aumenta pressão sobre Netanyahu


Wyre Davies
Da BBC News em Jerusalém

O discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no qual ele apoiou a criação de um Estado palestino baseado nas fronteiras de 1967, na quinta-feira, aumenta a pressão sobre o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que já vinha sendo criticado pela imobilidade diante do cenário de mudanças vivido pelo Oriente Médio nos últimos meses.

Em muitos aspectos, Netanyahu deveria ser um homem feliz com o seu quinhão. Ele está em meio a uma visita de alto nível a Washington, onde será recebido por um aperto de mão firme e palavras calorosas do presidente Obama.

Em um discurso histórico para uma sessão conjunta do Congresso na próxima semana, espera-se que ele seja repetidamente aplaudido ao descrever como seu governo vem buscando a paz incansavelmente.

E na conferência anual da Aipac (organização do lobby americano pró-Israel), ele será homenageado como um herói e um símbolo de esperança numa região hostil.

Mas no front doméstico, em um Oriente Médio que vem mudando radicalmente, o líder israelense parece cada vez mais ultrapassado ​​e fora de compasso com as tentativas de outros para resolver o frustrante e duradouro impasse do conflito israelo-palestino.

Quando o secular e moderado movimento palestino Fatah, que administra a Autoridade Palestina na Cisjordânia, anunciou no mês passado um acordo com a organização islâmica Hamas para formar um governo de união nacional, Netanyahu pode ter pensado que havia recebido um presente inesperado, na véspera de uma visita a Paris e a Londres.

Como Israel poderia negociar e confiar em “terroristas” palestinos (o Hamas), que haviam prometido lutar pela destruição do Estado judeu?

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, tinha uma escolha clara entre o Hamas e a paz e fez a escolha errada, era a mensagem que vinha do governo de Netanyahu. E era essa a mensagem que ele pretendia levar ao mundo.

Isolamento

Mas Netanyahu está encontrando um mundo – ao menos aquele além do confinamento amigo da conferência da Aipac em Washington – no qual Israel está cada vez mais isolado e no qual ele é pessoalmente criticado por comentaristas israelenses como “irrelevante” e carente de ideias.

Em Londres e Paris, por exemplo, a delegação israelense se encontrou com governos europeus preparados a dar uma chance à unidade palestina.

Claro, eles dizem, que o Hamas deve renunciar à violência e não prejudicar os esforços internacionais pela paz, mas o princípio de uma posição palestina unificada parece inteiramente lógica, e até mesmo desejável, para muitos na Europa.

Netanyahu havia anteriormente apontado a desunião palestina como um sinal de fraqueza.

Se o projeto de união palestina se manter de pé – e ainda há um grande “se” nisso – Netanyahu corre o risco de enfrentar uma crise ainda maior.

Ele poderá ser deixado falando sozinho enquanto a maior parte do mundo abraça o que será apresentado como novas iniciativas pelo lado palestino.

No início desta semana, Abbas deixou claro que se as negociações de paz não forem retomadas, irá à Assembleia Geral da ONU, em setembro, para buscar o reconhecimento internacional a um Estado palestino independente.

Em seu discurso na quinta-feira, Obama advertiu a liderança palestina de que essa ação não funcionará. Ele também reconheceu que o acordo entre o Fatah e o Hamas levantou preocupações legítimas para Israel.

Mas cada vez mais os palestinos parecem ter a iniciativa. A vida parece difícil para a coalizão de direita que sustenta Netanyahu, e há uma pressão ainda maior sobre Israel em relação a temas como os assentamentos judaicos ilegais em terras palestinas ocupadas.

Primavera Árabe

Não são somente os palestinos que estão fazendo o governo Netanyahu parecer mal preparado e sem direção.

Israel há muito tempo se apresentava como a única democracia verdadeira em uma região antidemocrática, dominada por regimes corruptos ou autoritários.

O governo de Netanyahu ficou quase imobilizado diante dos dramáticos acontecimentos da Primavera Árabe.

Em vez de abraçar e apoiar abertamente os pedidos por mais democracia no Egito, na Líbia ou na Síria, Israel pareceu às vezes temeroso de mudanças – denunciando a preferência, segundo alguns críticos, por homens fortes árabes seculares sobre os nascentes reformistas pró-democracia.

Em última instância, Binyamin Netanyahu pode estar certo em estar cauteloso. Ninguém sabe se o acordo Fatah-Hamas vai se manter. Nenhuma das facções palestinas disse até agora como pretende resolver as muitas questões fundamentais e diferenças entre eles.

Nem ninguém tem nenhuma ideia se a Primavera Árabe vai trazer democracias seculares genuínas, determinadas não somente a reformar seus próprios sistemas corruptos, mas também em abraçar o Estado de Israel como um parceiro legítimo.

Israel talvez tenha lutado guerras demais com os palestinos e seus vizinhos árabes para já ir abrindo seus braços com um sorriso.

Os opositores políticos de Netanyahu e seus críticos na imprensa estão desesperados para ver algumas iniciativas políticas pensadas e factíveis – tanto em relação aos palestinos quanto em relação ao mundo árabe.

Talvez isso virá diante de audiências mais receptivas em Washington nesta semana.

Se, entretanto, seus argumentos forem velhos, batidos e não suficientemente fortes para desafiar o isolamento israelense, Netanyahu voltará dos Estados Unidos para uma atmosfera política ainda mais febril.

Fronteiras de 1967

O presidente Obama disse acreditar que um futuro Estado palestino deveria ser baseado nas fronteiras do cessar-fogo de 1967, com trocas acertadas de território que poderiam manter alguns dos maiores assentamentos sob controle israelense.

Essa proposta já foi rotundamente rejeitada por políticos de direita e líderes de assentamentos em Israel. Netanyahu disse que buscaria garantias do presidente Obama, mas ele claramente não gostou do que ouviu.

Obama, que também falará à conferência da Aipac na semana que vem, não deve colocar muito mais força na queda de braço neste momento.

Mas se ganhar um segundo mandato, muitos analistas dizem que um Obama liberado das restrições eleitorais poderia voltar ao tema da paz no Oriente Médio e apertar mais a posição sobre Israel – e sobre os palestinos – se achar que pode conseguir o que muitos outros líderes americanos antes dele tentaram e falharam.

Os líderes de Israel também têm algumas escolhas duras a fazer, porque em 10 ou 20 anos os fatos e a mentalidade na região podem estar tão arraigados e firmes que uma solução de dois Estados, um israelense e um palestino, convivendo lado a lado, poderá não ser mais factível ou realista.

Um líder que parece às vezes ter sua cabeça enterrada na areia, mostrando todos os sinais de inatividade e indecisão, enquanto outros em seu entorno tomam as iniciativas, é a última coisa de que Israel precisa agora.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Blair, socio fraternal de Gadafi

Tony Blair com seu amigo George
Tony Blair, enviado especial del Cuarteto - Estados UnidosRusia, la Unión Europea y las Naciones Unidas- que supuestamente busca la paz en Medio Oriente, acaba de calificar la ola de protestas pro-democracia que arrasa la región como “un momento de oportunidad verdaderamente importante”.


Importante pero no tan importante como los momentos de oportunidad que Blair ha aprovechado en su relación especial gubernamental y personal con Libia. Blair se lleva de maravilla con Muamar al Gadafi desde que siguió a José María Aznar y restableció relaciones diplomáticas con el dictador libio  en el 2004, un año en el que tanto Blair como Aznar –por no decir nada de George W Bush- necesitaban a todos los amigos árabes que podían encontrar tras liderar una guerra ilegal en Iraq que nadie apoyaba. Resultó especialmente audaz para Blair estrecharle la mano a Gadafi cuyo régimen estaba involucrado directamente en el atentado contra un avión de Pan Am  estadounidense que sobrevolaba Escocia en diciembre de 1988 y , al caer , obliteró el pueblo de Lockerbie provocando la muerte de 270 personas.  Al igual que la guerra en Iraq, era un ejemplo valiente del conviction politician,  dispuesto a desafiar a los sondeos de opinión  aunque no a los lobistas de petroleras como BP y Shell que necesitaban desesperadamente un deshielo de relaciones con la potencia petrolera y su excéntrico dictador. Uno de los numerosos acuerdos bilaterales firmados estipulaba  que el ejército británico ayudaría en la formación de soldados y policías libios.

Blair ha acumulado una fortuna próxima a 45 millones de libras (50 millones de euros) desde que abandonó Downing Street gracias a los honorarios que se embolsa por asesorar a diversos bancos y empresas multinacionales sin olvidar su excelente salario como embajador por la paz en Medio Oriente. Uno de los bancos que Blair asesora, JP Morgan, se hizo con un jugoso contrato en Libia a mediados del año pasado gracias, según explicó miembros del régimen libio, a la mediación de Blair durante una visita Trípoli en junio del año pasado. Por si esto fuera poco, Saif al-Islam Gaddafi , el hijo de Gadafi, dijo en una entrevista mantenida con el Daily Mail en el mismo mes que Blair había sido contratado por el fondo soberano libio, Libyan Investment Authority, como asesor. “Lo tratamos como a un hermano”, añadió. Blair lo desmintió.

Pero, ahora que, los manifestantes en favor de la democracia en Libia caen bajo una lluvia de balas disparadas con apuntería británica http://www.belfasttelegraph.co.uk/news/world-news/how-britain-taught-arab-police-forces-all-they-know-15089726.htm ,  quizás se debería volverá a mirar el asunto o, al menos, reflexionar sobrela cuestión de  si Blair es la persona indicada para decidir cómo aprovechar este “momento de oportunidades” en Medio Oriente.  Al fin y al cabo, no parece  el mejor misionero de la paz un gobernante que –según el reconoció de manera implícita en una investigación británica- tomó la decisión de invadir Iraq incluso antes de que se iniciaran las últimas inspecciones sobre armas de destrucción masiva de la ONU.

Si alguien dudaba de si las extraordinarios rebeliones árabes puedan complicar la vida a los líderes europeos que han mezclado negocios y política con los sátrapas árabes desde hace décadas, solo hace falta mirar la situación insostenible de la ministra de exteriores francés a Michelle Alliot-Marie  desde que  salen a la luz los negocios sucios que realizaba con los socios del tirano tunecino Zine el-Abidine Ben Ali .

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Orquestra pela conciliação no Oriente Médio faz turnê na América Latina


A West Eastern Divan Orchestra é composta por músicos com diferentes culturas do Oriente Médio, propagando através de seu trabalho paz e tolerância. A ideia é fazer música de qualidade, não só levar mensagem política.

Quatro jovens ensaiam um quarteto de cordas de Beethoven no centro cultural da estação Rolandseck, nas proximidades de Bonn, sob apreciação de um professor rigoroso e incorruptível. Chaim Taub – durante décadas o primeiro violino da Orquestra Filarmônica de Israel – retorna todo ano a essa localidade para dirigir um workshop.

Taub tem 85 anos, seus alunos entre 20 e 25. Ele não deixa passar nada, sempre muito atento aos detalhes, insistindo na repetição de compassos e frases. Às vezes ele canta junto, batuca o ritmo na mesa e ocasionalmente faz um elogio à sua maneira: "Vocês estão quase lá".

Estabelecer uma marca

Enquanto isso, num outro espaço, ouvem-se sons de oboé, clarinete e fagote. Lá também um programa de música de câmara está sendo trabalhado meticulosamente. Na idílica Rolandseck, o público alemão pode acompanhar os ensaios. Em poucos dias, contudo, os músicos já estarão em Sevilha, onde sua orquestra – a West Eastern Divan Orchestra – se encontra tradicionalmente no verão, antes de sair em turnê. Na primeira semana de agosto, eles partem para uma série de concertos na América Latina, sem passar pelo Brasil.

Os integrantes da Divan, provindos de diversos países do Oriente Médio, da Alemanha e da Turquia, são como embaixadores musicais pelo diálogo e pelo entendimento. A orquestra foi fundada em 1999 por duas personalidades motivadas a propagar a tolerância por meio da música.

Daniel Barenboim, pianista e regente mundialmente conhecido, e Edward Said, pensador de origem palestina e especialista em estudos literários, abriram a jovens músicos israelenses, palestinos e de países árabes possibilidades que eles nunca tinham tido.

Com muitos concertos e turnês por todo o mundo, a orquestra mostra desde então o potencial musical existente numa região que normalmente só produz manchetes negativas. Tocar juntos, estabelecer o diálogo, ouvir uns ao outros – isso é claramente mais que um desafio musical.

Em alto nível

Michael Barenboim – filho do fundador da orquestra – tem 24 anos e é primeiro violino. Ele está quase terminando o curso de música em Rostock, prestes a começar sua carreira de violinista. Para ele, a qualidade musical vem em primeiro plano. "Não temos uma missão política, mas uma ideia. Ouvimos com atenção a história dos outros. É melhor que tanques e foguetes", descreve ele a missão da orquestra.

Os músicos do projeto não querem se saturar com muitas discussões e pretensões políticas. A música é o principal, diz Guy Braunstein, que é também spalla da Filarmônica de Berlim. "Quanto ao nível, não há meio-termo. Não somos uma orquestra semiprofissional que arranha qualquer coisa para se sair bem na televisão por causa da política. Não, o mais importante é a maior qualidade possível".

Música e política

Os problemas do Oriente Médio continuam a se fazer sentir. E a música também não se realiza em um espaço hermético e impermeável. "Não estamos fora da realidade", diz Michael Barenboim.

E Guy Braunstein admite que há situações complicadas de vez em quando. Fizemos uma viagem no fim de 2008, começo de 2009, justamente na época de uma operação militar israelense na Faixa de Gaza. Alguns membros da orquestra têm família e amigos lá. E tiveram que tocar a 2 mil quilômetros. É difícil, muito difícil".

Projeto empolgante

Quem quiser participar da West Eastern Divan Orchestra não só precisa ser muito bom, mas também precisa se dar bem nas audições. Assim como a fagotista turca Zeynep Koyluoglu, de 24 anos. Ela está para concluir seus estudos na Escola Superior de Música de Hannover e ingressou na orquestra há pouco tempo. "As pessoas daqui me interessaram, com suas diversas religiões e culturas. Em termos geográficos, somos bastante próximos, na verdade", comenta Zeynep.

Para ela, a Divan é um projeto empolgante e um enriquecimento musical para seus integrantes. Zeynep continua desenvolvendo sua técnica com o fagote, instrumento que chegou a ela por acaso e cujo timbre grave a encanta.

A jovem música diz estar aprendendo muito com Daniel Barenboim. "Ele tem uma energia incrível, nunca se cansa, pode fazer um recital de Chopin num dia e reger uma ópera no dia seguinte, e depois uma sinfonia de Bruckner, além dos ensaios e concertos diários. Ele é incrível!", descreve ela.

Autora: Cornelia Rabitz (tm)
Revisão: Simone Lopes

DEUTSCHE WELLE

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Viagem de Amorim ao Oriente Médio 'não foi fracasso', dizem especialistas


Fabricia Peixoto
BBC Brasil

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, retorna nesta quarta-feira de uma viagem ao Oriente Médio aparentemente sem conseguir atingir seu objetivo principal, que era incluir o Brasil no seleto grupo de países que vêm trabalhando no processo de paz entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas.

O resultado, no entanto, não deve ser visto como uma derrota da diplomacia brasileira. Pelo menos essa é a interpretação de especialistas em Relações Internacionais ouvidos pela BBC Brasil.

“Considerar a viagem uma derrota é um exagero. Desde o início era sabido que as chances de o Brasil influenciar o processo eram definitivamente muito pequenas”, diz Andrew Hurrel, professor-visitante do Centro de Estudos Brasileiros, da Universidade de Oxford.

Segundo Hurrel, a viagem ao Oriente Médio, no momento em que a região é foco da comunidade internacional, é coerente com a política externa do governo Lula de estar presente nas principais discussões mundiais.

“Existem diversas formas de se ganhar prestígio no cenário internacional. Uma delas é de que sua contribuição seja reconhecida por outros países. Não necessariamente por meio de um resultado efetivo”, diz Andrew Hurrel,

Em quatro dias, o ministro Amorim teve encontros com autoridades locais na Síria, Israel, Cisjordânia, Jordânia e Egito. A pedido do presidente Lula, Amorim colocou o Brasil à disposição para participar das negociações. Lula também sugeriu uma conferência para discutir a paz na região, tão logo o conflito chegue ao fim.

A iniciativa brasileira, porém, foi criticada por alguns ex-membros da diplomacia brasileira. Entre eles está o ex-ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia. Segundo ele, a viagem de Amorim ao Oriente Médio “beira o ridículo”, em função de sua pouca influência na região.

Grupo restrito

As conversas entre Israel e o Hamas vêm sendo intermediadas por um grupo restrito, que inclui basicamente Estados Unidos, França e Egito. Mais recentemente a Turquia foi incluída no processo, a pedido do grupo palestino.

“Entrar para esse grupo não é fácil”, diz o especialista em Oriente Médio da London School of Economics, Amon Aran. “Para participar do grupo de negociadores, um país precisa ter um forte vínculo, seja ele histórico, geográfico ou material”.

Segundo ele, o Brasil não se encaixa nesse perfil. Além disso, diz, é preciso considerar o fato de que os negociadores que já estão no círculo dificilmente abrirão espaço para novos atores.

Na visão de Aran, as chances do Brasil são “praticamente nulas”. “Mas isso não quer dizer que o país não possa tentar e até obter algum outro resultado positivo com a iniciativa”.

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB), Virgílio Arraes, diz que o Brasil vem tentando ampliar sua atuação diplomática para fora do eixo tradicional, historicamente a América Latina.

“O país precisa fazer isso se quiser pleitear um assento no Conselho de Segurança da ONU”, diz. Segundo Arraes, a viagem ao Oriente Médio faz sentido nesse contexto.

Segundo ele, a influência do Brasil em outras regiões é de fato “reduzida”, e por isso “a diplomacia vem se mexendo”.

Para a professora Susan Purcell, diretora do Centro para a Política Hemisférica da Universidade de Miami, o fato de Amorim ter voltado para casa sem provar sua influência não significa uma derrota.

“Não é exatamente um fracasso brasileiro. A essa altura, nenhum outro país sozinho, seja ele os Estados Unidos ou a França, teria conseguido um resultado diferente”, diz.

Para ela, o Brasil apostou em uma iniciativa diplomática de “baixo risco” – com pouco a perder – e ao mesmo tempo com chances de obter alguma vantagem, ao demonstrar especial interesse no processo de paz.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ofensiva de Israel enfraquece governos árabes moderados, dizem analistas

Hassan Nasrallah:

Tariq Saleh
De Beirute para a BBC Brasil

A ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza pode dar novo combustível aos grupos mais radicais no Oriente Médio e enfraquecer a imagem dos governos tidos como moderados, alertaram analistas.

O cerco a Gaza e o considerável número de civis mortos no conflito gerou protestos pelo mundo. Nos países árabes, manifestantes pedem o fim dos ataques a Gaza e do bloqueio imposto ao empobrecido território palestino.

Governos árabes foram acusados pelo grupo palestino Hamas, o grupo xiita libanês Hezbollah, a Síria e o Irã de permanecer inertes frente à situação em Gaza.

Em discurso ainda no início do conflito, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, chegou a acusar o Egito e Arábia Saudita, principais forças políticas do mundo árabe, de conspirarem a serviço de Israel para tirar o Hamas do poder em Gaza.

Egito e Arábia Saudita são aliados dos Estados Unidos e recebem ajuda militar americana. Os americanos e outros países ocidentais os vêem como moderados.

Mas para muitos árabes, os governos árabes em sua maioria são "ditaduras" que não atendem a interesses do povo.

Frustração

Analistas alertam para as imagens de protestos em diversos países árabes em manifestantes carregavam bandeiras do Hamas, do Hezbollah ou até de Nasrallah.

"Isso por si só já mostra o nível de frustração dos árabes ao verem pelas imagens de televisão as mortes de civis palestinos em Gaza e a lentidão dos governos árabes em adotar uma ação mais firme contra Israel", disse o professor Oussama Safa, diretor do Centro Libanês para Estudos Políticos.

Safa disse que os árabes vêm procurando um líder que lhes devolva a "dignidade" perante um Ocidente alinhado com Israel.

"São pelo menos 40 anos de humilhação e derrotas frente a Israel, em que árabes viram seus governos sendo superados em todos os aspectos militares e políticos pelo estado judaico."

Segundo Safa, a guerra de 2006 entre o Hezbollah e Israel, e a derrota parcial dos militares israelenses, trouxe ao mundo árabe um novo herói – Hassan Nasrallah.

Os grupos com discursos mais fortes contra Israel ganharam mais espaço e as populações começaram a notar a ineficiência de seus governos frente a Israel, disse Safa.

"O resultado da guerra no Líbano causou um enorme embaraço aos ditos moderados, e o mesmo está acontecendo com a guerra em Gaza."

Futuro

Para o professor de Ciência Política da Universidade Americana de Beirute, Hassan Krayyem, a ofensiva israelense trará uma grave conseqüência no futuro.

"Militantes políticos contrários ao diálogo com Israel argumentarão que o governo israelense não aceita dialogar, que só conhece o uso da força, causando mortes de inocentes."

Krayyem também disse que Israel enterrou a chance de uma paz verdadeira com os árabes, ao menos por enquanto.

"Será uma vergonha para os governos árabes oferecer propostas de paz e reconhecimento diplomático a Israel depois das imagens de morte e destruição em Gaza", afirmou Krayyem.

Fatah X Hamas

Mas o maior prejudicado, segundo os analistas, será a Autoridade Nacional Palestina, do presidente Mahmoud Abbas, controlada pelo partido Fatah, rival do Hamas.

Abbas e seu governo vinham mantendo conversações de paz com Israel, mas que geraram frustrações nos palestinos que não viram a ocupação de Israel na Cisjordânia nem o bloqueio à Faixa de Gaza acabarem.

"A Autoridade Palestina já estava desacreditada antes, sendo acusada ser complacente demais com Israel e sem ter feito progressos consideráveis no estabelecimento de um Estado palestino", disse Paul Salem, diretor do Centro Carnegie para o Oriente Médio em Beirute.

Para Salem, o presidente Abbas feriu ainda mais sua imagem após comentários de que o Hamas era o culpado pelo início do conflito em Gaza.

"Muitos palestinos criticaram a posição de Abbas em um momento em que ele deveria ter unido as diversas facções em torno de uma causa palestina.”

De acordo com Safa, o Hamas poderá ganhar mais simpatizantes em médio prazo e se a Autoridade Palestina e o Fatah não agirem de forma mais dura contra Israel.

A ofensiva israelense, segundo Krayyem, deixou os palestinos menos confiantes na solução de dois estados como forma de resolver o conflito árabe-israelense.

"Grupos mais radicais poderão alegar que com conversas de paz não houve avanços, e que somente o uso da força dará aos palestinos o fim da ocupação que já dura 41 anos", disse Krayyem.