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terça-feira, 17 de maio de 2016

AS ESPADAS DA BRIGADA




GAÚCHO

Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das coxilhas!
Saí de meus pagos em louca arrancada!
— Para que?
— Para nada!

Ascenso Ferreira


Se alguém não sabe, sabre é uma das três armas usadas na esgrima, juntamente com o florete e a espada. O sabre é a mais leve das armas da esgrima, com aproximadamente 500g de peso, o mesmo que um florete. É a arma mais curta das três disponíveis, tendo no máximo 88 cm de comprimento de lâmina e 105 cm de comprimento total.

Há uma certa dúvida a respeito de qual arma a Brigada Militar fez uso na carga de cavalaria realizada na sexta-feira, 13 de maio de 2016, em Porto Alegre.

Alguns órgãos da mídia declararam que os policiais utilizaram espadas. Outros viram perfeitamente que se tratava de sabres.

Possivelmente muitos dos membros da Brigada Militar que participaram da carga de cavalaria gostariam de ficar conhecidos como portadores de espadas. Afinal a espada é mais comprida que o sabre e é dura (os sabres são bastante flexíveis). Por outro lado, presume-se que não gostariam de ser conhecidos como portadores de floretes.

Porém, alguns dias após o ocorrido, há um certo consenso de que a arma utilizada foi o que costumam chamar de sabre.

Os sabres têm diversas utilidades. Além de serem armas de esgrima, podem ser usados para abrir espumantes, por exemplo.

Chamam a isso sabragem ou sabrage.

(O processo da sabragem funciona assim: primeiro é necessário que o espumante esteja bem gelado, depois é importante remover toda a cápsula (objeto de plástico, ligas metálicas ou estanho que cobre o gargalo) e a gaiola (arame) do produto. Em seguida, é necessário encontrar a emenda de vidro das duas metades que formam a garrafa, o que pode ser feito com tato ou a olho nu. O sabre deve acompanhar a emenda e percorrer o pescoço da garrafa para se chocar de forma brusca contra a base do gargalo e a pressão interna, de seis atmosferas, vai se encarregar de expelir a parte superior do líquido para longe. Se bem executado o processo, não há risco ao beber o conteúdo da garrafa, pois não ficam sobrando caquinhos de vidro.)

Segundo alguns, o sabre também é muito útil para coçar partes do corpo não alcançadas pelas mãos, porém quanto a isso não tenho certeza se funciona a contento.

A dúvida que ficou em relação à carga de cavalaria acima referida é a seguinte: para que diabos estavam sendo utilizados os sabres naquela sexta-feira?

Aparentemente o problema é que algumas pessoas, jovens na maioria, estavam extravasando seu descontentamento com o governo e, devido ao calor do momento, talvez estivessem mais entusiasmadas do que costumam ser usualmente.

A Brigada Militar examinou a situação e por algum motivo decidiu que as pessoas estavam passando de um ponto considerado como tolerável.

Decidiu, então, dispersá-las.

Para isso utilizou várias formas, uma das quais foi a famosa carga da cavalaria, com os nossos amigos sabres em posição de ataque.

Realmente não se conseguiu chegar a uma conclusão lógica em relação a como seriam utilizados os sabres na prática.

Provavelmente os valorosos membros da Brigada não estavam pensando em furar o corpo de ninguém com eles. Ou estavam?

Será que gostariam de bater nas pessoas, a la Rodrigo Cambará* (com os pequenos, de prancha)? De prancha: bater de lado, sem cortar, só para afugentar.

De qualquer forma esse mistério permanecerá, pois quando chegaram ao final da fatídica carga aparentemente não encontraram ninguém pela frente.

Ainda bem.





* "Buenas e me espalho, nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!"
Passagem do livro Um certo Capitão Rodrigo - Érico Veríssimo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Freira de 82 anos invade arsenal nuclear

Arsenal de Oak Ridge (fonte AQUI)


As centrais nucleares norte-americanas são ultra seguras – as autoridades do país reiteraram isso várias vezes após o acidente de Fukushima, no Japão, no ano passado. Será?

Megan Rice, uma freira idosa que já foi presa mais de 40 vezes por atos de desobediência civil, invadiu o arsenal nuclear de Oak Ridge, no estado do Tennessee, no que foi classificado por especialistas citados pelo diário The New York Times como “a maior falha de segurança de uma central nuclear nos Estados Unidos”. O local abriga o maior estoque de urânio ultra-enriquecido do país, suficente para produzir mil bombas.

Megan e dois outros militantes da causa anti-nuclear passaram por uma série de barreiras supostamente intransponíveis, inclusive cercas de arame farpado, detectores de movimento e 12 agentes de segurança, na madrugada de 28 de julho. Eles tiveram tempo de colocar sangue e cartazes com palavras de ordem nas paredes da unidade – uma construção sem janelas, cercada por altas torres de fiscalização, construída a um custo de meio bilhão de dólares. “Transformem espadas em arados”, dizia um cartaz, numa citação do Livro de Isaias. Os ativistas deverão ser julgados no começo de outubro e podem pegar 16 anos de cadeia e multas de até US$ 600 mil. No passado, a freira passou seis meses na prisão por protesto semelhante.

O que chama a atenção nesse episódio é que o grupo (todos para lá da meia-idade), embora muito motivado, não é propriamente um esquadrão ninja treinado pela KGB. Megan, por exemplo, vem de uma família abastada de Nova York e passou quase 40 anos trabalhando como professora em zonas rurais da Nigéria e de Gana.

Toda a equipe de segurança da unidade foi demitida depois do vexame.

Página 22

sábado, 7 de janeiro de 2012

Chega de Chiclete

Occupy Wall Street, trabalho de Curtis James

Texto de Mike Davis sobre o movimento Occupy Wall Street


Mike Davis, historiador e economista, autor de Planeta Favela (Boitempo, 2006), Apologia dos bárbaros: ensaios sobre o império (Boitempo, 2008) e Cidade de Quartzo: escavando o futuro em Los Angeles (Boitempo, 2009) nos enviou texto exclusivo sobre o movimento Occupy Wall Street (Ocupe Wall Street), que segue abaixo em tradução de Rogério Bettoni. Ao fim do texto, o original em inglês.
Na semana passada publicamos o discurso de Slavoj Žižek aos manifestantes do movimento, confira clicando aqui.

***

Quem poderia prever que o Occupy Wall Street e sua proliferação ao estilo de uma planta selvagem aconteceriam em cidades grandes e pequenas? John Carpenter previu. Há quase 25 anos (1988), o mestre do terror (Halloween, A coisa) escreveu e dirigiu They Live [“Eles vivem”, no Brasil], retratando a Era Reagan como uma catastrófica invasão alienígena. O filme continua sendo seu tour de force. Aliás, quem poderia esquecer das primeiras cenas brilhantes em que uma grande periferia terceiro-mundista é mostrada ao longo de uma autoestrada e refletida pelos arranha-céus espelhados de Bunker Hill, em Los Angeles? Ou da maneira como Carpenter retrata banqueiros milionários e ricos midiocratas dominando a pulverizada classe trabalhadora dos Estados Unidos, que vive em barracas numa encosta cheia de entulhos e implora por trabalhos casuais?

Partindo dessa igualdade negativa entre falta de moradia e desesperança, e graças aos óculos escuros mágicos encontrados pelo enigmático “Nada” (interpretado por Kurt Russell), o proletariado finalmente alcança a unidade inter-racial, não se deixa enganar pelas fraudes subliminares do capitalismo e fica furioso, extremamente furioso. Sim, eu sei, estou adiantando as coisas. O movimento “Occupy the World” ainda procura seus óculos mágicos (programa, demandas, estratégia e assim por diante), e sua fúria permanece baixa, em estado gandhiano.

Mas, como previu Carpenter, arrancar um número suficiente de cidadãos norte-americanos de suas casas e/ou carreiras (ou pelo menos atormentar dezenas de milhões com essa possibilidade) para promover algo novo e de grandes proporções é um movimento lento e cambaleante em direção ao Goldman Sachs. E, ao contrário do “Partido do Chá” [Tea party], até agora não há fios de marionete. Um dos fatos mais importantes sobre a revolta atual é simplesmente que ela ocupou as ruas e criou uma identificação espiritual com os desabrigados.

Para ser bem franco, a minha geração, educada no movimento dos direitos civis, teria pensado em primeiro ocupar os prédios e esperar que a polícia colocasse todos porta afora na base de cacetadas. (Hoje, os policiais preferem spray de pimenta e “técnicas não letais”.) Em 1965, quando eu tinha dezoito anos e participava da equipe nacional dos Estudantes para uma Sociedade Democrática, planejei uma ocupação do Chase Manhattan Bank, “parceiro do apartheid” por conta de seu papel central no financiamento da África do Sul depois do massacre de manifestantes pacíficos. Foi o primeiro protesto em Wall Street em uma geração, e 41 pessoas foram arrastadas de lá pela polícia.

Ainda acho que tomar o comando dos arranha-céus é uma ideia esplêndida, mas para um estágio mais avançado da luta. Até o momento, a genialidade do Occupy Wall Street é o fato de ter liberado alguns dos imóveis mais caros do mundo e transformado uma praça privada em um espaço público magnético e catalisador de protestos.

Nossa ocupação há 46 anos foi uma incursão de guerrilheiros; a de agora é uma Wall Street sob o cerco dos liliputianos. Também é o triunfo do princípio supostamente arcaico do cara a cara, da organização dialógica. As mídias sociais são importantes, é claro, mas não onipotentes. O sucesso da auto-organização dos ativistas – a cristalização da vontade política a partir do livre debate – continua sendo melhor nos fóruns urbanos da realidade. Dito de outra forma, a maior parte das nossas conversas na internet equivale ao padre sendo ensinado a celebrar a missa; até mesmo megasites como o MoveOn.com são voltados para um grupo que já sabe do que é dito, ou pelo menos para seu provável grupo demográfico.

As ocupações também são para-raios, acima de tudo, para as menosprezadas e alienadas tropas dos Democratas, mas, além disso, elas parecem estar derrubando barreiras de geração, proporcionando as bases comuns, por exemplo, para que os professores de meia-idade, ameaçados e que trabalham na educação básica, troquem ideias com jovens graduados e empobrecidos.

De maneira ainda mais radical, os acampamentos tornaram-se lugares simbólicos para reparar as divisões dentro da coalizão do New Deal impostas nos anos do governo Nixon. Como observa Jon Wiener em seu impecável blog, www.TheNation.com, “operários e hippies – juntos, finalmente”. Evidentemente. Quem não se comoveria quando o presidente da AFL-CIO, Richard Trumka – que trouxe mineiros de carvão para Wall Street em 1989 durante uma greve cruel, mas bem-sucedida, contra a Pittston Coal Company –, convocou homens e mulheres cheios de energia para “montar guarda” no Zucotti Park, apesar do esperado ataque da polícia de Nova York? Ainda que velhos radicais como eu sejam propensos a declarar como messias qualquer recém-nascido, essa criança tem o sinal do arco-íris.

Acredito que estamos vivenciando o renascimento das qualidades que definiram de modo tão marcante as pessoas comuns da geração de meus pais (migrantes e grevistas da Crise de 1929): uma compaixão generosa e espontânea, uma solidariedade baseada em uma ética perigosamente igualitária: Pare e dê carona a uma família. Jamais fure uma greve trabalhista, mesmo se sua família não puder pagar o aluguel. Compartilhe seu último cigarro com um estranho. Roube leite quando não houver para seus filhos e dê metade para as crianças do vizinho (isso foi o que minha própria mãe fez repetidas vezes em 1936). Ouça atentamente aos sagazes e serenos que perderam tudo, menos a dignidade. Cultive a generosidade do “nós”. O que quero dizer, suponho, é que me sinto extremamente impactado por aqueles que se juntaram para defender as ocupações apesar de diferenças significativas de idade, classe social e raça. E, da mesma maneira, adoro as crianças corajosas que estão prontas para encarar o próximo inverno e passar frio nas ruas, bem como seus irmãos e irmãs desabrigados.

Mas voltemos à estratégia: qual o próximo elo na corrente (no sentido de Lenin) que precisa ser apreendido? Até que ponto é imperativo para as plantas selvagens formar uma convenção, assumir demandas programáticas e, dessa forma, colocarem a si próprias no leilão das eleições de 2012? Obama e os Democratas certamente, e talvez desesperadamente, precisarão de energia e autenticidade. Mas é improvável que os “ocupacionistas” se coloquem à venda, ou seu extraordinário processo de auto-organização. Pessoalmente, tendo para uma posição anarquista e seus imperativos óbvios.

Primeiro, exponham a dor de 99%, levem Wall Street a julgamento. Tragam Harrisburg, Laredo, Riverside, Camden, Flint, Gallup e Hooly Springs para o centro financeiro de Nova York. Confrontem os predadores com suas vítimas. Um tribunal nacional sobre o genocídio econômico.

Segundo, continuem a democratizar e ocupar produtivamente o espaço público (isto é, reivindicar os bens comuns). O veterano historiador e ativista Mark Naison, do Bronx, propôs um plano arrojado para transformar os espaços degradados e abandonados de Nova York em recursos de sobrevivência (jardins, áreas de acampamento, playgrounds) para desabrigados e desempregados. Os manifestantes do Occupy em todo o país agora sabem como é ser desabrigado e não poder dormir em parques ou numa barraca. Mais uma razão para arrebentar as amarras e escalar os muros que separam o espaço não usado das necessidades humanas urgentes.

Terceiro, fiquem atentos à verdadeira recompensa. A grande questão não é subir os impostos dos ricos ou realizar uma melhor regulamentação dos bancos. Trata-se de uma democracia econômica – o direito das pessoas comuns de tomar macrodecisões sobre investimento social, taxas de juros, fluxo de capital, criação de empregos, aquecimento global e afins. Se o debate não for sobre o poder econômico, ele é irrelevante.

Quarto, o movimento deve sobreviver ao inverno para combater o poder na próxima primavera. As ruas são frias em janeiro. Bloomberg e todos os outros prefeitos e autoridades locais estão contando com um inverno rigoroso para acabar com os protestos. Por isso é muito importante reforçar as ocupações durante as férias de Natal. Vistam seus casacos.

Por fim, precisamos nos acalmar – o itinerário do protesto atual é totalmente imprevisível. Mas se alguém 
erguer um para-raios, não podemos nos surpreender caso caia um relâmpago.

Banqueiros entrevistados recentemente no The New York Times parecem considerar os protestos do Occupy pouco mais que um incômodo baseado, segundo eles, numa compreensão rudimentar do setor financeiro. Eles deveriam ser mais humildes. Na verdade, deveriam tremer diante da imagem da carreta de munições. Quatro milhões e meio de empregos na área industrial foram perdidos nos Estados Unidos desde 2000, e uma geração inteira de recém-graduados encara agora a mais alta mobilidade descendente na história do país. Desde 1987, afro-americanos perderam mais da metade de seu patrimônio líquido; os latinos, inacreditáveis dois terços. Arruinar com o sonho americano e com as pessoas comuns será extremamente prejudicial para vocês. Ou, como Nada explica aos agressores imprudentes no excelente filme de Carpenter: “Vim aqui para mascar chiclete e quebrar tudo… e meus chicletes acabaram.”

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PARÁBOLA DE BUDA SOBRE A CASA EM CHAMAS

Fonte da imagem AQUI.

Poema de Brecht

Buda conta a seus discípulos uma história:

“Numa ocasião, vi uma casa pegando fogo.
As chamas saíam pelo telhado.
Quando me aproximei, vi homens em seu interior.
Avisei que o teto estava queimando,
Mas não tinham pressa.
Um deles, enquanto suas sobrancelhas começavam a arder,
Perguntou-me como estava o tempo aqui fora, se a chuva continuava,
Se a ventania parara, se havia outra casa nas redondezas e assim por diante.
Não respondi e me afastei.
Na realidade, meus amigos, aos indiferentes que não vêem motivos para mudar
Não tenho nada a dizer”.

A casa global começa a pegar fogo. Em alguns lugares as sobrancelhas de muita gente já ardem.
Os comentaristas conservadores desdenham os ativistas e perguntam como vai o tempo, se chove amanhã etc. etc…
Não importa. É preciso negar tudo. É preciso sair da casa rápido.

Leia o Artigo de Gilberto Maringoni AQUI.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Movimento "Ocupem Wall Street" intriga o mundo

Por Peter Millership

LONDRES (Reuters) - Da Praça Tahrir no Cairo, passando pela Praça Verde em Trípoli, Praça Syntagma em Atenas e agora no Parque Zuccoti em Nova York, a ira popular contra as elites no poder está se propagando ao redor do mundo.

Muitos têm se mostrado intrigados com o movimento Ocupem Wall Street contra a desigualdade financeira que começou no parque em Nova York e se espalhou pelos Estados Unidos, de Tampa, na Flórida, a Portland, no Oregon, passando por Los Angeles e Chicago.

Centenas de ativistas se reuniram há um mês no parque em Manhattan a duas quadras de Wall Street para demonstrar a raiva com o que eles veem como excessos dos financistas de Nova York, a quem eles culpam pela crise econômica que assolou incontáveis norte-americanos comuns e reverberou pela economia global.

No movimento dos Estados Unidos, nações árabes veem ecos dos levantes deste ano da Primavera Árabe. Espanhóis e italianos enxergam paralelos com os ativistas Indignados, enquanto vozes em Teerã e Pequim com seu próprio propósito anti-norte-americano também já disseram que isso pode ser um presságio do derretimento dos Estados Unidos.

Inspirados pela força do movimento nos EUA, que começou pequeno mas agora faz parte do debate político do país, ativistas em Londres vão se reunir para protestar do lado de fora da Bolsa de Londres no dia 15 de outubro, mesmo dia em que grupos espanhóis se reunião na praça Puerta del Sol, em Madri, em solidariedade.

"O povo norte-americano está cada vez mais e mais seguindo o rumo escolhido pelas pessoas no mundo árabe", disse o oficial da Guarda Revolucionária Masoud Jazayeri, segundo a agência de notícias estudantil iraniana ISNA. "O governo dominante norte-americano vai enfrentar levantes similares àqueles na Tunísia e Egito."

Jornais chineses divulgaram notícias sobre o Ocupem Wall Street com editoriais culpando o sistema político dos Estados Unidos e denunciando a mídia ocidental por negligenciar os protestos.

No Cairo, Ahmed Maher, fundador e líder do Movimento Jovem 6 de Abril do Egito, que ajudou a derrubar o autocrata Hosni Mubarak, disse que estava em contato com vários grupos organizando as manifestações anti-Wall Street.

"Há alguns dias, vimos um cartaz em Nova York que dizia 'Essa é a Praça Tahir'", afirmou Maher, referindo-se à praça no Cairo que se tornou o epicentro da revolução egípcia.

 "A Primavera Árabe definitivamente inspirou protestos nos Estados Unidos e Europa."

A mídia espanhola tem dedicado cobertura diária ao movimento de Wall Street, apelidando os participantes de "Indignados em Manhattan", com jornais de esquerda afirmando que os manifestantes norte-americanos se inspiraram no grupo jovem espanhol.

Em Londres, os manifestantes estavam usando as mídias sociais, como Facebook e Twitter, para planejar o protesto em frente à Bolsa no sábado. Eles pretendem chamar atenção para "sistemas econômicos que causaram terríveis injustiças ao redor do mundo", de acordo com o website deles.

sábado, 13 de agosto de 2011

Tumultos de Londres são pedido de ajuda


Por Stefano Ambrogi

LONDRES (Reuters) - O homem que liderou uma das mais temidas gangues de rua de Londres diz que os tumultos na capital e em outras cidades inglesas esta semana são resultado inevitável da frustração sentida pela juventude britânica e não uma invenção de gangues de rua.

Elijah Kerr, que transformou a famosa gangue de rua criada por ele numa organização de entretenimento destinada a ajudar jovens, zombou da sugestão do primeiro-ministro britânico, David Cameron, de que os tumultos foram coordenados por líderes de gangues.

"O que aconteceu foi a frustração, a tensão, que estourou. É como uma panela de pressão. O fogo está ali, guardado numa sala, trancado e aí alguém abriu a porta e isso se espalhou pela casa", disse Kerr à Reuters.

Ele afirmou que a violência e os saques, com lojas esvaziadas e pessoas sendo atacadas, poderia acontecer numa sociedade que excluiu gerações de jovens.

"Estou falando de instituições de abrigo onde eu cresci, de onde vim, onde as pessoas não têm esperança e foram esquecidas. Perdidas", disse Kerr, fundador e líder da gangue PDC.

PDC são as iniciais de "Pil Dem Crew", termo com raízes no "peel dem" jamaicano, algo como "roubem deles".

"Isso vem crescendo há anos, talvez há uns cinco anos - iria acontecer", disse Kerr, também chamado de Jaja, que cresceu no conjunto habitacional de Angell Town em Brixton, sul de Londres.

Na quinta-feira, após quatro noites de caos em cidades inglesas do interior, Cameron declarou guerra às gangues de rua, que, segundo ele, estavam "no centro de toda a violência", negando com veemência que as medidas de austeridade do governo ou a pobreza tenham contribuído para o tumulto.

Kerr disse que os comentários de Cameron estão totalmente fora da realidade.

Agora aos 31 anos, Kerr afirmou que conheceu a cena das gangues quando tinha 9 anos e esteve envolvido com drogas, usou crack e foi preso várias vezes.

Na última década, porém, ele abriu mão da violência e passou a liderar sua "turma" em uma organização legítima de entretenimento com foco na música e na criatividade.

sábado, 4 de abril de 2009

Protestos contra Otan deixam rastro de destruição


Márcia Bizzotto
De Estrasburgo (França) para a BBC Brasil

Um hotel incendiado, uma igreja saqueada, vidros quebrados em diversas lojas e carros apedrejados. Foi este o saldo dos dois dias de protestos, durante a cúpula de 60 anos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Estrasburgo, na fronteira franco-alemã.

O pior episódio de violência foi registrado neste sábado, último dia de reuniões, quando um grupo antiglobalização conhecido como "black bloc" (bloco negro, em tradução livre) incendiou um hotel a cinco quilômetros do Palácio da Música e dos Congressos, onde os governantes dos 28 países aliados estavam reunidos.

Canais de televisão locais mostraram imagens do incêndio destruindo completamente o andar térreo do edifício, mas os bombeiros conseguiram impedir que o fogo se alastrasse para os andares superiores.

Com o rosto coberto por gorros de lã e armados com barras de ferro, cerca de cem membros do grupo também vandalizaram uma igreja, uma farmácia e um posto policial próximos à ponte que une Estrasburgo à Kehl, na Alemanha, que também sediou a cúpula da Otan.

'Black bloc'

Os "black bloc" tinham a intenção de se juntar a uma enorme passeata, organizada por 600 organizações de 43 países, que havia sido autorizada pelas autoridades locais.

A polícia francesa enfrentou os manifestantes com balas de borracha, jatos de água e gás lacrimogêneo. Segundo as autoridades locais, 28 pessoas foram detidas, mas o número de feridos não foi divulgado.

As forças de segurança também usaram gás lacrimogêneo para impedir que outros mil opositores à Otan cruzassem a ponte Churchill, que leva ao local da cúpula em Estrasburgo, depois de ele terem anunciado que pretendiam perturbar a conclusão do evento.

Ao todo, 25 mil policiais e 31 unidades de choque francesas e alemãs foram mobilizados nos dois lados da fronteira para garantir a segurança da cúpula aliada.

'Cidade sitiada'

Com as principais ruas fechados tanto para o trânsito como para pedestres, Estrasburgo parecia uma cidade sitiada e muitos comércios se viram obrigados a fechar as portas diante da falta de movimento e do temor de protestos violentos.

Na madrugada do sábado, 25 pessoas foram detidas por enfrentarem a polícia ao serem impedidos de cruzar o perímetro de segurança estabelecido ao redor do centro da cidade.

Outros 300 manifestantes foram detidos na noite da quinta para a sexta-feira, às vésperas do início da reunião, por vandalizar telefones públicos e carros em episódios separados.

Ainda assim, cerca de 200 pacifistas conseguiram furar o cerco policial e protestar, com tambores e narizes de palhaço, a apenas 500 metros do Palácio da Música e dos Congressos, observados de perto pelas forças de segurança.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ação em Gaza inspira protestos em vários países


Milhares de pessoas foram às ruas protestar contra a ação militar israelense na Faixa de Gaza em várias cidades do mundo, no último sábado.

Em Londres, cerca de 15 pessoas foram presas durante a manifestação que atraiu 20 mil pessoas, segundo a polícia. De acordo com as estimativas da BBC, cerca de 50 mil pessoas teriam participado dos protestos.

No sul do Líbano, milhares de pessoas acompanharam um comício promovido pelo Hizbollah, e em Atenas, capital da Grécia, manifestantes seguravam fotografias de crianças palestinas feridas pelos bombardeios israelenses em Gaza.

Na Austrália, centenas de manifestantes atiraram sapatos contra o prédio da embaixada israelense em Camberra, e protestos semelhantes ocorreram em Sarajevo, Berlim – onde mais de 8 mil pessoas fizeram uma passeata – e Paris, onde um número estimado de 30 mil pessoas gritava: “Nós somos todos crianças de Gaza”.

Londres

Na capital britânica, os protestos começaram pacificamente, mas houve confrontos quando a polícia tentou afastar manifestantes dos portões da embaixada israelense.

A vitrine de um café Starbucks foi quebrada e três policiais ficaram feridos, quando um grupo de manifestantes começou a atirar objetos.

Centenas de policiais guardavam a segurança do lado de fora da embaixada, onde cerca de 200 manifestantes chegaram mais perto do prédio, mas na maior parte do dia, as manifestações foram pacíficas.

Também houve protestos em Edimburgo, Aberdeen (Escócia), Belfast (Irlanda do Norte), Newcastle e Southampton (Inglaterra).

Em Edimburgo, cerca de 300 sapatos foram atirados por manifestantes contra o consulado dos Estados Unidos e três policiais sofreram feridas leves.

Os manifestantes pediam uma postura mais forte do governo britânico na condenação dos ataques.