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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Carta abierta de Thomas Piketty y otros economistas a Angela Merkel



La interminable austeridad que se intenta hacer tragar a la fuerza al pueblo griego básicamente no funciona. Grecia ha dicho ahora basta ya de modo resonante.  

Como la mayoría del mundo ya sabía, las exigencias financieras hechas por Europa han aplastado a la economía griega, han llevado a un desempleo masivo, a un derrumbe del sistema bancario, han empeorado bastante más la crisis, con un problema de deuda que se ha acrecentado hasta un 175 %  del PIB impagable. La economía yace hoy quebrantada con una caída en picado de los ingresos, la producción y el empleo deprimidos, y las empresas famélicas de capital.

El impacto humanitario ha resultado colosal—hoy el 40 % de los niños vive en la pobreza, la mortalidad infantil se ha disparado y el desempleo juvenil se acerca al 50 %. La corrupción, la evasión fiscal y la mala contabilidad de anteriores gobiernos griegos contribuyeron a crear el problema de la deuda. Los griegos se han plegado a buena parte de la demanda de austeridad de la canciller alemana Angela Merkel —recorte de salarios, recorte del gasto público, tajos a las pensiones, privatizadas y desreguladas, y aumento de impuestos. Pero en años recientes los llamados programas de ajuste infligidos a países como Grecia sólo han servido para crear una Gran Depresión como no habíamos visto en Europa desde 1929-1933. La medicina prescrita por el Ministerio de Finanzas alemán y Bruselas ha sangrado al paciente, no ha curado la enfermedad.  

Juntos apremiamos a la canciller Merkel y a la troika a efectuar una corrección de rumbo para evitar mayores desastres y permitir que Grecia permanezca en la eurozona. Ahora mismo se le está pidiendo al gobierno griego que se ponga una pistola en la cabeza y apriete el gatillo. Por desgracia, la bala no solo acabará con el futuro de Grecia en Europa. El daño colateral acabará con la eurozona como ejemplo de esperanza, democracia y prosperidad y podría llevar a consecuencias económicas de  largo alcance en todo el mundo. 

En la década de 1950, Europa se fundó sobre el perdón de deudas pasadas, sobre todo las de Alemania, lo que generó una aportación masiva al crecimiento económico y la paz de la postguerra. Hoy necesitamos reestructurar y reducir la deuda griega, dejar espacio para que la economía pueda respirar y recuperarse, y permitir que Grecia vaya pagando un gravamen reducido de la deuda durante un largo periodo de tiempo. Este es el momento de repensar con humanidad el programa de austeridad, punitivo y fracasado, de años recientes y avenirse a una reducción considerable de las deudas griegas en conjunción con reformas muy necesarias en Grecia.

 Nuestro mensaje a la canciller Merkel es bien claro: le apremiamos a emprender esta acción vital de liderazgo para con Grecia y Alemania, y también ante el mundo. La historia le recordará por su forma de actuar en esta semana. Esperamos y contamos con que haga posible que se den pasos audaces y generosos en relación con Grecia que sean de utilidad para Europa en las generaciones por venir.

 Atentamente,

Heiner Flassbeck, ex-secretario de Estado del Ministerio Federal de Finanzas alemán  
Thomas Piketty, profesor de Economía de la Escuela de Economía de París 
Jeffrey D. Sachs, profesor de Desarrollo Sostenible, profesor de Política de Salud y Gestión, director del Instituto de la Tierra de la Universidad de Columbia
Dani Rodrik, profesor Fundación Ford de Economía Política Internacional, Escuela Kennedy de Harvard  
Simon Wren-Lewis, profesor de Política Económica de la Escuela Blavatnik de  Gobierno, Universidad de Oxford

Traducción para www.sinpermiso.info: Lucas Antón

sinpermiso electrónico se ofrece semanalmente de forma gratuita. No recibe ningún tipo de subvención pública ni privada, y su existencia sólo es posible gracias al trabajo voluntario de sus colaboradores y a las donaciones altruistas de sus lectores.

 Esta carta ha aparecido en publicaciones como The Nation, The Guardian, Le Monde y Der Tagesspiegel los días 7 y 8 de julio de 2015.

domingo, 17 de junho de 2012

A AURORA DOURADA DOS NEONAZISTAS GREGOS

Fonte desta imagem AQUI.

Uma tarde no bairro controlado pelos neonazistas em Atenas

Os brutamontes da extrema-direita da Aurora Dourada se encarregaram de semear a ordem segundo seus costumes : zero imigração africana ou magrebina, zero moradores de rua, zero pichações. Não voa uma mosca sem que eles cortem suas asas. Seu reinado se estende desde a Praça Ática até Agios Panteleimonas. A Aurora Dourada fez de Agios Panteleimonas seu trampolim de conquista. Irrompeu no bairro em 2009 e em 2012 já obteve o melhor resultado eleitoral de sua história (15%). O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Atenas.

Eduardo Febbro, direto de Atenas para CM

Atenas - O crepúsculo está em calma. A Aurora Dourada vela pela ordem nesta área central de Atenas onde não restou nem um imigrante nem um indigente das redondezas. A extrema direita grega e seus brutamontes de poucas palavras fizeram do bairro de Agios Panteleimonas (a igreja ortodoxa) seu sítio privado. « É preciso colocar minas terrestres nas fronteiras para que os imigrantes não entrem », diz um tipo enorme que não dá seu nome porque não quer. Mas diz sem rodeios : « tem cara de esquerdista, como teu governo », diz em tom de ameaça.

Houve uma época em que este perímetro de Atenas era um bairro popular, com crianças que jogavam nas ruas e garantiam uma barulhenta desordem. Já não é mais assim. Os brutamontes da extrema-direita da Aurora Dourada se encarregaram de semear a ordem segundo seus costumes : zero imigração africana ou magrebina, zero moradores de rua, zero pichações. Não voa uma mosca sem que eles cortem suas asas.

Seu reinado se estende desde a Praça Ática até Agios Panteleimonas. O número 52 da rua Aristomenus ainda carrega as marcas da ação da Aurora Dourada. Em 2010, os valentões do partido de Nikos Michaloliakos queimaram o local onde os imigrantes muçulmanos vinham rezar. A polícia não abriu nenhuma investigação e nenhum vizinho protestou. Esta é a terra da Aurora. Terra grega, como demonstra o ondulante silêncio das bandeiras com as cores nacionais que tremulam nas sacadas.

A Aurora Dourada obteve nas eleições de maio passado seu melhor resultado : 15% dos votos, o dobro. « Tenham medo, já chegamos », disse Nikos Michaloliakos no dia seguinte. A metodologia dos músculos deu seus frutos. A Aurora Dourada fez de Agios Panteleimonas seu trampolim de conquista. Irrompeu no bairro em 2009 e em 2012 já conseguiu o melhor resultado eleitoral de sua história. Os estrangeiros que ocupavam a zona ou dormiam na esplanada da igreja foram expulsos a golpes. Imigrantes, judeus, maçons, todos são inimigos da nação para este partido fundado por Michaloliakos nos anos 80, logo depois de ter saído da prisão onde cumpriu uma pena (várias na realidade) por atividades subversivas e violência. De modo similar a outros movimentos europeus de ultra-direita, a Aurora Dourada cresceu sob o tema da imigração.

Em frente da igreja Agios Panteleimonas há um bar de onde os agentes da Alba vigiam a praça. É o seu reino. Os ultras chegaram a ordenar até o fechamento da praça de esportes de Agios Panteleimonas. Por quê ? « Vê-se que você não vive aqui, por isso pergunta essas coisas : porque os negros e os romenos sujos vinham dormir aqui e sujar a praça », disse Kostas, um morador local com claras simpatias pela Alba. A polícia do bairro não interviu. Ela depositou a autoridade nas mãos dos neonazistas. A Grécia tem uma população de 11 milhões de habitantes e há um milhão de imigrantes. Um de cada quatro policiais votou pela Aurora Dourada nas últimas eleições.

Tudo aconteceu muito rápido para os gregos. Em apenas uma década : o euro, a falsa riqueza, os créditos fáceis, a imigração, a crise e o abismo. Muitos analistas e militantes anti-racistas pensam que o voto a favor dos neonazistas reflete o medo e a incompreensão, muito mais do que uma ideologia.

Como em todas as partes, Áttica e Agios Panteleimonas têm um anjo : Thanassis Kurkulas, responsável por uma ONG que luta contra o racismo instalada no bairro há cinco anos, Deport Racism. Kurkulas reconhece o perigo que representaria a Aurora Dourada repetir neste domingo os votos de maio passado e ingressar no Parlamento (o que surgiu em 6 de maio nunca se reuniu pelo fracasso em constituir uma maioria de governo). Mas também reconhece que « o imã dos neonazistas é forte : falam contra a Comissão de Bruxelas e contra os imigrantes e isso atrai votos, mas não são votos realmente ideológicos ». A situação é psicodélica : Atenas tem um bairro inteiro onde a autoridade pública, a segurança, é assumida por um partido político e não pelas forças da ordem. Polícia ideológica, sem controle algum. A exibição de músculos dos « agentes » da Aurora Dourada mostra que bem que não se trata de uma encenação ou aparência. Eles pegam, Maltratam. Insultam. Agridem. Estado débil, milícia forte.

Os vizinhos de Attica ou de Agios Panteleimonas que não aprovam esses métodos têm demasiado medo para intervir. « Seja como for, é inútil. Há uma clara cumplicidade do Estado », diz Vassilis, um morador da rua Aristomenus. O homem recorda que só uma das centenas de agressões ocorridas nos últimos anos deu lugar a um processo. Silêncio. « A delegacia do bairro não tem nem como pagar a luz. Se não estivéssemos nas ruas, isso seria pior que o inferno », diz Kostas.

As histórias se cruzam nestas ruas com extrema violência. A Grécia padeceu ao extremo sob as garras do nazismo mas hoje vota em mais de 7% em um partido abertamente neonazista. A extrema-direita se alimenta da crise. Em 2010, quando a Grécia já estava em um precipício, Nikos Michaloliakos ganhou um posto de conselheiro municipal de Atenas. Um ano mais trade foi filmado fazendo a saudação nazista, o que lhe valeu o apelido de « Führer ». Ninguém sabe ao certo se as reivindicações de Hitler na televisão ou os excessos cometidos pelos dirigentes da Aurora Dourada depois do resultado de maio passado incrementaram ou, pelo contrário, baixaram seu caudal de votos.

Dimitir Psarras, um respeitado jornalista grego especialista no tema da extrema-direita – ele vive, aliás, no bairro dos extremistas – lembra que « parece não haver vacina contra o passado ». No essencial, Psarras constata que, como em outros países do Velho Continente, o esquecimento apagou o rosto dos neonazistas para instalá-los no presente com o estatuto de atores políticos determinantes. Dimitri Psarras conhece bem o tema. É autor de uma biografia de Georgios Karatzaferis, o líder de outro partido de extrema direita, LAOS, e há alguns anos revelou como uma juíza da Corte Suprema alimentava um blog violentamente antisemita com um pseudônimo. Segundo Psarras, a extrema-direita faz pesar uma espada de Damocles sobre as sociedades : « com eles sempre se corre o mesmo perigo ». Despertam e alimentam os piores instintos. Além disso, obrigam os demais partidos a adotar os temas da extrema-direita e, quando a crise chega ao máximo, oferece soluções fáceis para pessoas que perderam completamente o rumo ».

O bairro de Agios Panteleimonas encontrou o seu com o timão da Aurora Dourada. Ofereceu segurança a cidadãos temerosos e a impôs prontamente. A noite cai suavemente, O vento é cálido, convida a um passeio distraído. Mas cada vez há menos siluetas nas ruas. Em algumas zonas do bairro, para caminhar à noite é preciso pedir permissão, peguntar com educação e agradecer com respeito.

Tradução: Katarina Peixoto

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

El acuerdo secreto de Geithner con los dirigentes de la Unión Europea

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Michael Hudson · · · · · 

Los mercados de valores estadounidenses y extranjeros siguen zigzagueando salvajemente a la espera de despejar la incertidumbre sobre la supervivencia del euro y ante unas sufridas poblaciones que arrostran las consecuencias de las políticas de austeridad neoliberal impuestas a Irlanda, Grecia, España, Italia, etc. Voy a contarles la historia que me fue confiada por responsables económicos europeos en relación con los últimos episodios caóticos en Grecia y en otras economías europeas deudoras y presupuestariamente deficitarias. (Faltan los detalles, puesto que las negociaciones se han desarrollado en el más absoluto de los secretos: lo que sigue es, pues, una reconstrucción.)

En otoño de 2011, resultaba evidente que Grecia no podría saldar su deuda pública. La UE sacó la conclusión de que había que depreciar esa deuda en un 50%. La alternativa a eso era la quiebra sobre el total de la deuda. Así que, básicamente, la solución para Grecia venía a reproducir lo que había ocurrido con la deuda latinoamericana en los 80, cuando los gobiernos substituyeron la deuda existente y los préstamos bancarios por bonos Brady, así llamados por el secretario del Tesoro de Reagan, Nicolas F. Brady. Esos bonos tenían un principal más bajo, pero al menos se consideraba seguro su cobro Y en efecto, se hicieron los pagos.

Esa quita griega del 50% parecía radical, pero los bancos europeos ya habían cubierto sus apuestas y subscrito seguros de impagos: los bancos norteamericanos se hacían cargo de buena parte de esos seguros.

En diciembre de 2011, un cuarto de siglo después de Brady, el secretario del tesoro de Obama, el señor Geithner, viajó a Europa para reunirse con los dirigentes europeos y exigirles que Grecia depreciara su deuda sobre la base de quitas voluntarias por parte de bancos y acreedores. Explicó que los bancos norteamericanos habían apostado a que Grecia no quebraría, y que, por lo mismo, su situación patrimonial neta era tan precaria que, si tenían que pagar por su mala apuesta, irían a la quiebra.

Según me contaron los banqueros alemanes la situación, Geithner amenazó con cargarse a los bancos y a las economías europeas, si no se allanaban a pagar el pato y cargar ellos con las pérdidas: los bancos estadounidenses no tenían que pagar por los seguros colateralizados de impagos (CDOs) y por otras apuestas en las que habían vertido miles de millones de dólares.

Los europeos estallaron de indignación. Pero Geither terminó por ofrecerles un trato. De acuerdo: la Casa Blanca permitirá la quiebra de Grecia. Pero los EEUU necesitan tiempo.
Convino en abrir una línea de crédito de la Reserva Federal al Banco Central Europeo (BCE). La Fed suministraría dinero para prestar a los bancos en el ínterin cuando las finanzas de los gobiernos europeos  desfallecieran. Se daría tiempo a los bancos para que pudieran deshacer sus garantías de quiebra. Al final, el BCE sería el acreedor. El BCE –y presumiblemente, la Fed— cargarían con los costes, “a expensas del contribuyente”.  Los bancos estadounidenses (y probablemente también los europeos) evitarían así cargar con unas pérdidas que se llevarían por delante su situación patrimonial neta.

¿Cuáles son realmente los detalles de este acuerdo? Lo que sabemos es que los bancos estadounidenses están retirando la renovación de sus líneas de crédito a los bancos y a otros prestatarios europeos a medida que van expirando. El BCE actúa para cubrir la brecha. A eso se le llama “suministro de liquidez”, pero más parece un suministro de solvencia en una situación de insolvencia básica. Después de todo, una deuda que no puede devolverse, nunca se devuelve.

La idea de Geithner es que lo que una vez funcionó, puede volver a funcionar. Cuando la Reserva Federal o el Tesoro cargan con una pérdida bancaria, lo que hacen, simplemente, es imprimir deuda pública o abrir un depósito para los bancos en el banco de la Reserva Federal. La opinión pública no ve eso de manera tan perspicua como cuando le arrebatan directamente el dinero. Y el gobierno se limita a decir que se trata de “salvar al sistema financiero”, sin mencionar el coste del asunto “a expensas del contribuyente” (¡no a expensas de los bancos!).

Es un regalo.

Michael Hudson es ex economista de Wall Street especializado en balanza de pagos y bienes inmobiliarios en el Chase Manhattan Bank (ahora JPMorgan Chase & Co.), Arthur Anderson y después en el Hudson Institute. En 1990 colaboró en el establecimiento del primer fondo soberano de deuda del mundo para Scudder Stevens & Clark. El Dr. Hudson fue asesor económico en jefe de Dennis Kucinich en la reciente campaña primaria presidencial demócrata y ha asesorado a los gobiernos de los EEUU, Canadá, México y Letonia, así como al Instituto de Naciones Unidas para la Formación y la Investigación. Distinguido profesor investigador en la Universidad de Missouri de la ciudad de Kansas, es autor de numerosos libros, entre ellos Super Imperialism: The Economic Strategy of American Empire.

Traducción para www.sinpermiso.info: Mínima Estrella

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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Todo o poder aos bancos!

Banqueiros

A última moda nos governos europeus, tendência que alguns tanto trabalham para implantar, é a tecnocracia: o governo dos ‘especialistas’. Economistas, claro, de comprovada ortodoxia. Frente a políticos vacilantes e indecisos, à mercê da opinião pública, nada como a firmeza que nos garantem os ‘especialistas’, graduados e pós-graduados nas melhores escolas de administração de empresas e negócios.

Até agora, trabalharam muito para implantar a nova moda na Grécia e na Itália. Na Grécia, pressionaram até o último momento para pôr no poder o equivalente grego do nosso espanhol Miguel Ángel Fernández Ordóñez(1): o economista Lucas Papademos, ex-presidente do Banco Central Grego, e ex-conselheiro do Banco Central Europeu. Ainda não resolveram, talvez porque tenha parecido descaramento demais pôr lá um banqueiro, com as ruas em ebulição. Mas estão tentando; e o nome ali ficou, para assustar.(2)

Na Itália, enquanto Berlusconi agonizava, embaralhavam-se as escolhas, entre as quais, lá está a tecnocracia, representada por Mario Monti, ex-comissário europeu, formado, como Papademos, nos EUA, e diretor europeu da Comissão Trilateral, da qual o grego também participa. Monti seria de fato um preposto, a mando de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, ex-presidente do Banco da Itália e ex-vice-presidente do grupo Goldman Sachs (influente banco de investimentos, do qual Monti também é assessor).

Na Espanha, onde as modas sempre chegam com atraso, ninguém precisa de executivo tecnocrático. Mas, se precisarem, proponho nosso Fernández Ordóñez.

Pouco a pouco, o círculo vai-se fechando, e, com banqueiros e economistas tecnocráticos a redigir leis e decretos, logo conseguiremos que os mesmos que nos meteram na crise em que estamos fiquem também encarregados de nos governar.

Sim, já sei que, na prática, sempre são eles que dividem o bacalhau, mas até agora ainda se via alguma diferença: uma coisa é ter o poder; outra coisa é governar; e aceitávamos que os políticos governassem, e os banqueiros tivessem todo o poder. Pois que façam todo o serviço! Que tenham todo o poder e que governem! Ficaria meio vergonhoso, mas… Eu, francamente, já não duvido de nada.

Isaac Rossa é escritor e colunista do diário Público, em Madri.

(1) Presidente do Banco de España. ‘Socialista’, claro… (Nota de Tlaxcala, Rede Internacional de Tradutores).

(2) Artigo escrito horas antes do anúncio de Papademos, como primeiro-ministro da Grécia (Nota de Tlaxcala, Rede Internacional de Tradutores).

CdB

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Quem elegeu Mario Monti e Lucas Papademos?

 

Quem elegeu Mario Monti e Lucas Papademos?

Emir Sader lançou a questão no seu mural no Facebook: “Saem Berlusconi e Papandreou, eleitos pelos cidadaos, entram Papademos e Monti, eleitos pelos mercados (isto é, pelos especuladores), por Merkel, Sarkozy e o BCE. Estes sao melhores eleitores do que os cidadaos? Essa é a conclusao que querem tirar?”.
Será que os líderes de Alemanha e França e o Banco Central Europeu perceberam que desta forma estão desacreditando a democracia?

Por pior que possam ter sido os governos de Georges Papandreou e, especialmente, de Silvio Berlusconi, eles foram eleitos pelo povo. Podemos questionar se foram bem eleitos ou não, podemos não entender as motivações do povo na hora do voto. É possível argumentarmos que os italianos elegeram um primeiro-ministro que tinha a mídia em suas mãos, no que a eleição fica comprometida, que isso prejudica o caráter democrático da república italiana etc. etc.

Mas há uma diferença. Mario Monti e Lucas Papademos podem ser extremamente competentes. Aliás, apostaria que o são. Mas há uma certeza que se pode ter a seu respeito. Ambos foram escolhidos com um único objetivo e de acordo com um único interesse. E esse interesse não é o bem comum, não é o melhor pra cada cidadão. O interesse que os rege é o mercado. É a ele que respondem, é para ele que são competentes. Além da ideologia que os orienta, têm quase uma dívida de gratidão. Estão onde estão para acalmar os mercados. Se não tivessem essa capacidade, não estariam lá. E se não fizeram, podem sair com facilidade.

Um modelo nada democrático na Europa, que, junto com os Estados Unidos, forma o exemplo de democracia do mundo ocidental. Aqueles que têm autoridade para invadir países e ditar regras usando como argumento a necessidade de levar democracia para onde antes só havia ditadura. São esses que agora impõem uma ditadura de mercado.

Como fica agora? Líderes eleitos pelo povo, como Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, perdem sua legitimidade. E chefes de Estados mais fracos, como Portugal e Espanha, se veem obrigados a andar na linha ditada pelo mercado. O cidadão vai ficando cada vez mais para último plano. Cada vez mais trabalha apenas para pagar as dívidas criadas em seu nome sem o seu consentimento.

Somos Andando

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

La Cumbre del euro, las tribulaciones de la elite político-bancaria y una carcajada pérfida

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Antoni Domènech · G. Buster · · · · 

La cumbre de la UE sobre la deuda soberana –decimocuarta en dos años— del miércoles de la pasada semana concentró simbólicamente en unas pocas horas casi todos los males que, yerro sobre yerro, han marcado el destino europeo en los últimos lustros.

Vino precedida y sucedida de reuniones y reunioncillas a puerta cerrada, en petit comité, o unter vier Augen. Precedida de conciliábulos de Merkel con Sarkozy, de Merkel con Sarkozy, Barroso y Van Rompuy, de Merkel, Sarkozy y Barroso con Charles Dallara (el jefe supremo de los banqueros, director del Instituto de Finanzas Internacionales, IIF). Sucedida, en España, del encuentro de Elena Salgado, la dama de la insulsez soñolienta, con un selecto grupo de grandes empresarios, banqueros y economistas del PP y del PSOE. Ni prensa, ni parlamentos, ni sindicatos, ni organizaciones sociales fueron siquiera consultados. Ni siquiera los gobiernos de los países miembros. Todo cábalas, pues. Hasta el anciano Delors, el otrora prior de la UE, tuvo que conformarse con conjeturas. Nada halagüeñas, por cierto: en una entrevista para la Deustche Welle, críticó "el método de póker" de Merkozy y admitió que "no se sabe a ciencia cierta como funcionará eso".

Ahora, apenas cinco días después, ya se sabe: muy mal. Papandreu, que por lo visto no quiere pasar a la historia como un Zapatero cualquiera, tiró ayer la toalla: se propone –ya veremos si le dejan— convocar un referéndum para que el pueblo griego decida directa y democráticamente sobre las recetas para Grecia de la Cumbre. Los mercados de valores descuentan ya hoy (1 de noviembre) como negativa la respuesta del pueblo griego: se han desplomado al unísono, en Europa y en ultramar. Indignación en Alemania. Rabia contenida de Sarkozy. Estupor en EEUU. Perplejidad en Beijing. Mal disimulado desconcierto de Barroso. En España, que tan mal parada salió de la Cumbre –impuso a la banca privada española recapitalizaciones por una cifra de 26 millones de euros, el mayor monto tras Grecia—, las reacciones a la decisión de Papandreu se han distribuido entre nuestros mandamases políticos ni más ni menos que como era de esperar.  Con las habituales emanaciones mistagógicas del entorno de Rajoy y Montoro, un posible ministro del área  económica en el futuro gobierno del PP. Con las alharacas intempestivas de la extrema derecha mediática madrileña y sus ridículos peritos en saña sectaria. Con la gárrula demagogia populista improvisada en el entorno del candidato Rubalcaba, al que aún no se le ha quitado la cara de tonto desde la inopinada contrarreforma constitucional express con que le sorprendió Zapatero el pasado agosto. Y, claro, con las alicaídas botaratadas de mal estudiante de Don José Blanco, el apicarado portavoz del agónico Gobierno actual. Vendrán más. A ver.

A todo eso hemos asistido hoy, sólo cinco días después de la dichosa Cumbre.

Los planes griegos de la Cumbre

Lo que el común de los mortales sabe de los planes griegos de la Cumbre viene del lacónico comunicado final de la misma. Se habría acordado elevar la quita de la deuda soberana griega del 21% al 50%, aunque dicha quita tendría lugar de manera "voluntaria" por parte de la banca privada. Se habría decidido también elevar reglamentariamente el capital principal de la banca europea al 9%, siguiendo unos cálculos de valoración del riesgo de la deuda soberana en los mercados, cuando menos, aleatorios. Y se habría resuelto convertir el neonato Fondo Europeo de Estabilización Financiera (FEEF) en un mecanismo de garantía de los bonos de la deuda soberana, paralelo a los mercados CDS –los opacos e irregulados mercados de derivados financieros de impagos crediticios— y con capacidad para intervenir en los mercados secundarios de la deuda, facilitando al mismo tiempo la recapitalización de la banca europea. Todo ello con una ampliación de sus 440.000 millones de capital hasta 1 billón de euros, merced –se dijo, aunque ya parece desmentido a día de hoy— a la participación de Japón, China, Brasil y otros países "emergentes". En este marco de acuerdo pretendidamente global de lo que podríamos denominar el II Pacto del Euro, Grecia recibiría finalmente el tercer tramo de la ayuda prometida desde el mes de julio y la promesa de otra inyección de 100.000 millones de euros en los próximos años que le permitan mantener en funcionamiento su economía.

Como es harto sabido, el peligro inminente de la bancarrota griega es lo que motivó la convocatoria de la Cumbre. Conocemos por una filtración del Financial Times el documento de análisis de la situación helena elaborado por el BCE. No puede ser más claro: Grecia ha quebrado, sin o con las quitas sucesivas de su deuda, y en el mejor de los escenarios, no saldrá de la profunda recesión a que ha sido arrojada (y que ya ha supuesto una caída de su PIB del 25%, ¡equivalente a la sufrida en los dos primeros años de la II Guerra Mundial!) no antes de 2020.

La política de austeridad dictada por la incompetente troika UE-BCE-FMI ha venido a sumar a un pésimo diagnóstico un verdadero ensañamiento terapéutico con el pueblo griego. Ahora se supone que Grecia deberá equilibrar una deuda actual –tras la comprometida quita del 50%— que monta el 120% del PIB. Pero ese 120% del PIB, merced a la recesión profunda inducida por las medidas de austeridad fiscal, volverá a crecer, según la estimación del propio BCE,  hasta 160% de su PIB. El proceso de "devaluación interna" que eso trae consigo, prosigue el informe filtrado al Financial Times, situará el paro por encima del 18%, lo que provocará con certeza la emigración del sector económicamente más activo de la población. En este escenario "positivo", dice el informe, Grecia podría volver a financiarse en el mercado financiero privado en unos diez años, y eso suponiendo que su estructura bancaria actual –que posee el 20% de los bonos soberanos— continúe recibiendo la ayuda del BCE, que la mantiene con vida a pesar de su quiebra técnica, a la espera de ser nacionalizados y recapitalizados sus bancos.

No hacía falta haber leído las noticias de lo que ha sido la huelga general del 19 y 20 de octubre pasados en Grecia, ni del recibimiento otorgado, a su vuelta, la delegación gubernamental que ha asistido a la Cumbre de la UE, para darse cuenta de que este plan de la UE era insostenible desde el punto de vista político y social. Papandreu no ha hecho sino reconocer finalmente esa obvia realidad, cuando se ha allanado a convocar un referéndum. Las encuestas improvisadas esta tarde dan más de un 60% de la población griega contraria a la "solución" ofrecida por la Cumbre de la UE.

El Fondo Europeo de Estabilidad Financiera, lejos de corregir, agrava el problema del mal diseño institucional de la Eurozona

Más estupefaciente aún, si cabe, que su irrealismo político-social resulta el que el mensaje propiamente económico de esa Cumbre, que debía ofrecer la solución económica "definitiva" al problema de la deuda soberana –como antes las de marzo y julio—, era sobre poco más o menos el que sigue: no hay tal solución; con todo y con eso, la eurozona mantendrá como sea a Grecia, persuadida de que de ello depende la propia supervivencia del euro. Los mercados especulativos no podían esperar mensaje más goloso.

Fue este núcleo duro del mensaje lo que disparó al alza los mercados de valores en todo el mundo el jueves y el viernes de la semana pasada, la mejor, en términos bursátiles, de los dos últimos años. Especialmente significativa fue la retirada de dinero de los bonos "refugio" de Alemania y EE UU, y su colocación en los fondos de riesgo por valor de 48.000 millones de dólares.

Pero la realidad del bucle depresivo de la crisis de la deuda soberana de los países europeos, combinada con el ensañamiento terapéutico de las políticas de austeridad fiscal, volvió a hacerse presente en veinticuatro horas: el bono italiano a 10 años regresó al 6,2% y el español, al 5,45%, a pesar de la significativa caída de las tasas de los bonos griegos y portugueses. Eso ocurrió el viernes. Papandreu todavía no había abierto la caja de los truenos democráticos.

¿Por qué las dudas sucedieron inmediatamente a la euforia.?¿Qué quería decir exactamente el comunicado cuando hablaba de una "quita voluntaria" de la deuda griega por parte de la banca privada? Lo único que salió a la luz fue la escena en la que el director ejecutivo del Instituto Internacional de Finanzas –la patronal bancaria mundial—, Charles Dallara fue informado por los lideres europeos, el BCE y el FMI de que la "voluntariedad" era la única solución viable políticamente. Parece que la señora Merkel le hizo a Dallara una oferta que no podía ser rechazada. O tomaba esa quita "voluntaria" –con dos meses por delante para la negociación técnica de la misma—, o lo que venía inexorablemente era una bancarrota real en cadena a corto plazo, lo que significaría la abrupta interrupción de los beneficios dimanantes de la deuda griega que, aun si rebajados ahora en un 50%, son buenos beneficios. con recapitalización de las pérdidas a precios interbancarios subvencionados. Quedarían así apalancados beneficios y capitales principales de los bancos privados.

A pesar del estigma de figurar en segundo lugar tras la banca griega en cuanto al monto requerido de recapitalización, la banca española sacó pecho, asegurando que los 26.000 millones de euros a levantar los conseguiría con márgenes relativamente cómodos porque, entre otras razones, en nada le afectaba la quita griega, teniendo, como sigue teniendo, elevados niveles de beneficio, más aún tras el apalancamiento de las deudas española y portuguesa. Parece obvio que la principal victima de este incoado proceso de recapitalización no serán los bancos privados, sino la llamada economía "real", las familias y las pequeñas y medianas empresas, sin circuitos propios de financiación: por cada mil millones que, a consecuencia de la recapitalización, quedan inmovilizados, se retiran del crédito 10 mil millones, lo que significa una contracción de más de un cuarto de billón de euros, nada menos, pues, que dos puntos y medio del PIB, y por ende, más de medio millón de puestos de trabajo.

¿Hay más víctimas? Desde luego. La ministra Salgado ha aceptado en la Cumbre que sea el FEEF la entidad que en el futuro ayude a la compra de deuda pública española, y no el BCE –la única institución europea con capacidad para crear, de la nada e ilimitadamente, euros—. Eso significa que en el futuro las compras de deuda pública española no saldrán gratis, lo que obligará --en 2012 hay que refinanciar unos 300 mil millones de euros de deuda-- a "ajustes estructurales" brutales, inimaginables hasta hoy..

Con ser éste un problema que afecta de modo muy grave a España, la "solución" del FEEF decidida en la cumbre, va mucho más allá, y afecta negativamente de lleno al conjunto de la Eurozona. Revela por lo magnífico lo que tantas veces se ha venido diciendo desde estas páginas de SinPermiso: los mandamases europeos parecen incapaces de reconocer que el problema central de la Eurozona es un problema de diseño institucional, el diseño de una unión monetaria sin autoridad fiscal central –sin Tesoro—, que impide que el BCE pueda actuar como un Banco Central normal (como la Reserva federal, como el Banco de Inglaterra, como el Banco de Japón), es decir, como prestamista de último recurso. La creación del FEEF no acerca, sino que aleja a la Eurozona del rediseño institucional normalizador, que sería un Tesoro capaz de emitir eurobonos y un BCE plenamente habilitado para comprar deuda pública y actuar como prestamista de última instancia. Diríase que el FEEF está concebido, no como un instituto capaz de lidiar eficazmente con el problema de la deuda soberana europea, sino como un mecanismo indirecto pronto a asegurar las políticas de ajuste y austeridad a través de la banca privada, porque se duda de la capacidad de disciplina fiscal de los gobiernos ante la conflictividad social que se espera. Esta es una de las lecciones de las contabilidades fiscales dobles de Grecia e Italia.

Desde su creación hace ya meses, el FEEF sigue siendo una entidad mas virtual que real: 40 personas alojadas en un piso de la sede del Bundesbank en Francfort, que ni siquiera cuenta todavía con una red informática propia. Y se supone que semejante institución debe ser el último garante de la estabilidad de la deuda soberana de los países europeos y, en definitiva, del euro. Desde mayo del 2010, la divergencia de recetas frente a la crisis de la deuda de Merkel y Sarkozy se ha concretado en el FEEF. Su lento aprovisionamiento de fondos, sometido a las decisiones, y en algunos casos caprichos, de los parlamentos nacionales de los 27 estados miembros, han llevado a Grecia directamente al abismo. El Banco Central Europeo ha tenido que intervenir, en contra de su reglamento, adquiriendo bonos de la deuda de los países mas afectados en los mercados secundarios por un volumen de 173.500 millones de euros. Nunca ha tenido mejor ejemplo el proverbial caso del bombero pirómano: el BCE prestaba sin limite a los bancos privados europeos al 1%, que a su vez represtaban, o actuaban directamente en los mercados de bonos, obteniendo rentabilidades de entre el 4% y el 20%, que a su vez revendían con enormes sobreganancias al BCE. Esta ha sido la formula neoliberal de "comunitarización" de la deuda a favor de las oligarquías financieras rentistas.

Este circuito especulativo –derivado de la incapacidad de reconocer el problema del deficiente diseño institucional de la Eurozona— es el que ha acabado siendo inadmisible políticamente para el parlamento de la República Federal de Alemania, principal contribuyente fiscal del BCE. Con su exigencia de una aprobación previa de los acuerdos de la Cumbre de la UE, el parlamento alemán rechaza cualquier apalancamiento de la deuda soberana en el BCE y finalmente en el presupuesto alemán. Lo que ha hecho Merkel es imponer esta decisión al resto de Europa y, especialmente, a Sarkozy. Por esta extraña vía, el euro queda expuesto a ser un matrimonio monetario sostenido exclusivamente, no en la economía real de Alemania, sino en el mecanismo virtual de cédulas de seguro de un FEEF financiado en buena parte fuera de la zona euro. En vez de asegurar unos beneficios especulativos extraordinarios con la compra de bonos de las deudas soberanas de rentabilidad más alta vía BCE, el mensaje de la Alemania de Merkel es que se "desapalanca" en la medida de lo posible, porque no confía en las políticas neoliberales de austeridad fiscal que impone a los países periféricos, y que mantiene un margen de maniobra para, en caso de una crisis terminal del euro, poder recuperar con el menor daño posible su propia moneda nacional, tal vez una zona Deutsche Mark que incluya a Austria y Holanda. Son en definitiva el peso de las economías reales y los asimétricos ritmos de desarrollo de la crisis los que acaso expliquen la diferencia de orientación estratégica de Merkel y Sarkozy y su cálculo del riesgo que implica el euro para sus economías nacionales. En una cosa llevaba razón Sarkozy, que ha perdido la partida: fiarlo todo al FEEF, abandonando la perspectiva de un BCE plenamente reconstituido como prestamista de último recurso, significa poner a la deuda pública de Francia y de la propia Alemania en riesgo de ataque especulativo. (Véase, en esta misma entrega de SinPermiso, el soberbio análisis al respecto de Marshall Auerback.)

Desde hoy, el BCE está dirigido por el italiano Draghi, un antiguo ejecutivo del Goldman Sachs, el banco privado norteamericano que ayudó técnicamente en su día al gobierno conservador griego a falsificar fraudulentamente la contabilidad nacional pública para asegurar la entrada de Grecia en el euro, origen de los presentes males de la Eurozona. El círculo, pues, se cierra, y bien irónicamente.

¿Podrá Draghi mantenerse en los márgenes de la crisis de la deuda soberana y concentrarse en la lucha contra la inflación que, en la fantasía neoliberal de los mandamases europeos, amenaza con acompañar a la recesión de una parte importante de la eurozona? Con toda seguridad, las insuficiencias y aun las contradicciones del FEEF –cuyo Presidente Regling ha viajado ya sin mucho éxito a Pekin y Tokio para pedir la ayuda que no encuentra en la UE— le obligarán a intervenir una y otra vez. (Hoy mismo parece que lo ha hecho, tan masiva como infructuosamente: la prima de riesgo española se disparó hasta 380 puntos, la italiana, hasta 430.)

Este fue el segundo mensaje de la Cumbre, relacionado con Italia. Si Grecia no puede quebrar porque arrastraría al euro y a la UE, mucho menos un país como Italia, cuyo problema de deuda se concentra en la anomia fiscal del estado y cuya riqueza neta se calcula cuatro veces superior al volumen de su deuda. La autonomía institucional del BCE volverá a jugar, en situaciones de crisis como la vivida en mayo de 2010 o en agosto de 2011, como el mecanismo de intervención en nombre de la estabilidad del euro por encima de las propias decisiones de los estados miembros. Pero ese margen de maniobra, sin la reconfiguración institucional de la Eurozona, sin el reconocimiento pleno del BCE como prestamista de último recurso, sin un Tesoro europeo, se irá agotando.

Y una carcajada pérfida

La necia cerrazón dogmática neoliberal de una casta de mandamases europeos cristalizada durante decenios en un ambiente horro de todo careo democrático con los pueblos, y expuesta, en cambio, también durante decenios, a todo tipo de presiones y cabildeos granempresariales y bancarios, hace inverosímil la esperanza de que pueda poner proa siquiera a la solución del problema de la pésima arquitectura institucional de las finanzas europeas. Ese verdadero pecado original de una Unión Monetaria construida por unas elites tan sesgadas tecnocráticamente como ajenas a la racionalidad macroeconómica más elemental no lo pueden corregir esas mismas elites. Sólo se podría corregir con una verdadera revolución democrática de los pueblos europeos.

Voltaire, el gran crítico del despotismo europeo de su época, dejó en Diccionario filosófico esta simpática alabanza –de todo punto política— de la carcajada pérfida:

"La risa sarcástica, perfidum ridens (…) es la alegría que nos causa la humillación de los demás. Perseguimos con risa burlona y maliciosa al que prometiéndonos maravillas, no hace mas que tonterías; eso es silbar más que reír. Nuestro orgullo entonces se burla de la arrogancia necia de los demás."

Eso nos queda, por ahora. Una miríada de mediáticos buscavidas intelectuales vienen criticando la algazara y el combativo buen humor de los "indignados" alzados ya en medio mundo por su supuesta "falta de programa" o por su incapacidad de "vertebrarse políticamente". La acusación nos parece de todo punto falsa. Pero aunque así fuera, convendría recordar que en el derrocamiento del antiguo régimen fueron parte también, acaso sin mucho programa y sin mucha vertebración, las carcajadas pérfidas de la sátira de Voltaire o de los caprichos asnales de Goya.

En una situación extrañamente parecida a la nuestra, Gramsci –desde una cárcel fascista—recomendó también el sarcasmo como arma de combate contra unas clases dominantes corrompidas por una arrogancia asnal:

"En el caso de la acción histórico-política, el elemento estilístico adecuado, la aproximación característica de quien quiere distanciarse y comprender, es el 'sarcasmo apasionado'. (…)  Hay que considerar el sarcasmo como una expresión que pone de relieve las contradicciones de un período de transición; se busca mantener el contacto con las expresiones subalternas humanas de las viejas concepciones, y al propio tiempo, se acentúa la distancia con las de las clases dominantes y dirigentes, esperando que las nuevas concepciones, con el decantamiento operado por el desarrollo histórico, dominen hasta conquistar la fuerza de las 'creencias populares'. Esas concepciones ya están sólidamente adquiridas por quienes hacen el sarcasmo, pero han de ser expresadas y divulgadas en actitud 'polémica'; si no, serían un 'utopía', porque parecerían 'arbitrariedades" o de un individuo o de una camarilla."

En eso parecen estar ahora los "indignados" del mundo –los que van en serio, queremos decir—, no en la arbitrariedad utópica de camarilla, sino persiguiendo con risa burlona y maliciosa a estas señoras y a estos señores tan serios que, prometiéndonos maravillas, no hacen más que tonterías. ¡Nosotros somos el 99%!

Antoni Domènech es el editor de SinPermiso. Gustavo Buster es miembro del Comité de Redacción de SinPermiso.

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

NÚMERO DE SUICÍDIOS DISPARA NA GRÉCIA

Fonte da imagem AQUI.
Esmagada pelo peso da dívida,a economia grega afunda-se na recessão. A crise dura há quatro anos e só se vislumbram agravamentos. 

As travessias de barco espelham o estado do país. Antonios Kafouros trabalha na bilheteira de um cais do ferry boat:

“- Tentamos vender bilhetes mas não podemos. Não há passageiros. Suprimimos os barcos e os que querem não chegam ao destino. Estão todos doidos.”

Apesar do cansaço e de um derrotismo crescente, a maioria silenciosa grega sente revolta. É o caso de Vassiliki Angelatou.

Depois de 24 anos como investigadora no Instituto de Exploração Geológica e Mineral, sofreu um corte salarial de 30% que vai subir para 50% com as novas medidas de austeridade.

Vassiliki Angelatou:

“- Deixamos de gastar por não saber como vai ser o dia seguinte. Não apenas por causa dos cortes, mas também por causa da incerteza, e dos anúncios diários sempre piores”.

A angústia e um grande sentimento de injustiça instalaram-se na sua família da classe média, imersa pelos novos impostos.

Vassiliki:

“- Ao cabo de tantos anos de trabalho, uma pessoa sente-se insultada. É injusto, o que está a acontecer, não apenas a nós, especificamente, mas a toda a gente. Questionamos o porquê, principalmente por não vermos nenhum resultado.”

Este pessimismo também desencadeou uma degradação na saúde mental dos gregos. A crise agravou os problemas psicológicos já existentes e gerou novos casos devido ao stress intenso provocado pelos graves problemas financeiros.

George Bouras, psicólogo no Hospital Attikon:

“- Há desempregados que têm problemas para conciliar o sono, não podem dormir, outros não conseguem comer, têm falta de motivação, sentem-se abatidos, não conseguem fazer nada, muitas pessoas cairam em depressões profundas.”

O número de suicídios disparou, conforme denunciou a revista médica britânica The Lancet.

Alexandre Kentikelenis, do Kings College, é um dos autores do estudo:

“- Tivemos acesso a relatórios do ministério da Saúde e de outros ministérios que assinalam um aumento dos suicídios de 25% em 2010 para 40% na primeira metade de 2011.”

O relatório assinala também um aumento de 50% das infeções pelo vírus do HIV, a maioria devido ao consumo de drogas.

Greve geral na Grécia é ápice de situação que está se tornando revolucionária

Acropolis

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Una breve fábula de la eurozona


Un banco, una pandilla de ministros y unos tratados sin valor.

Mike Whitney · · · · ·  

Pongamos que usted deseara construir un país nuevo, pero que ignorara todo acerca de las instituciones civiles, la burocracia o la historia. Lo que debería preocuparle sería tan solo crear un entorno que fuera bueno para los negocios, en donde el rigor presupuestario y los acuerdos comerciales fueran la ley de esta tierra.

Así que usted se gasta un montón de dinero en bombo publicitario de su Estado Idílico dirigido a políticos y al público en general, publicidad que proclama que su nueva creación será la vía rápida para la paz y la prosperidad. Para sorpresa de todos, tanto llegan a amar la idea que pasan por alto el fallo estructural que está en el corazón de este diseño, es a saber, que la confederación libre de estados carece de un gobierno central. La única cosa que mantiene a los países unidos es una moneda compartida además de restricciones presupuestarias. Eso es. Pero los peces gordos de las empresas y los magnates de la banca se encogen de hombros y no hacen caso del problema porque, bien, los gobiernos en realidad no hacen nada de todos modos, ¿no es cierto? Solamente entorpecen los grandes negocios.

Esa es la razón por la cual usted ideó un modelo totalmente diferente, un modelo que puso al Banco Central en el centro del universo, rodeado de un reguero de eurócratas (ministros de finanzas) que realizan sus dictados y cantan sus alabanzas.

Entonces, un día, un fuego surge en el perímetro y usted empieza a asustarse. Usted corre en círculos agitando las manos y rogando ayuda. Pero los otros líderes retroceden ante sus demandas porque están atados a sus distritos electorales y corren el riesgo de perder las elecciones si acceden a apagar el fuego que no empezaron. Después de todo, fueron estos “griegos haraganes” los que empezaron el incendio. ¡Que paguen por ello!

Así que ahora tenemos un serio problema. Eurotopia está siendo reducida a escombros y nadie puede ponerse de acuerdo en alguna solución. En todo momento usted sigue planteándose que “si pudiera conseguir que los ministros de finanzas apoyaran un fondo de emergencia mayor para que yo pudiera vaciarlo todo, apagaría el fuego pronto y volvería a ganar dinero.” Nunca se le pasa por el magín que su Estado-Frankenstein corporativo no dispone de precedentes históricos y está construido sobre una base de simple arena. Usted nunca piensa “quizás necesitamos un ejecutivo, un congresista, un juez, un mercado de bonos y funcionarios públicos para ejecutar nuestros planes.”

¡Quiá! No puede ser, porque el gobierno es malo. Los bancos son buenos, los gobiernos son malos, ¿no?

Y cuando usted saborea este bocado de sabiduría, su Eldoradoeurolandia se reduce a cenizas.
Los 17 miembros de la eurozona están inmersos en una espiral irreversible. Los bancos acumulan capital, la financiación del dólar se hace más apretada, los CDS campan cada vez más por las suyas, el programa de préstamo de emergencia del Banco Central europeo se dispara, y los medidores de stress del mercado hacen saltar todas las alarmas. Se trata de todos los síntomas de un gran cataclismo crediticio.

Ahora estos problemas se podría solucionar si hubiera un gobierno trabajando para extinguir el incendio. Pero no está. En su lugar hay un banco, una camarilla de ministros de finanzas y unos tratados sin valor alguno. Y ésta es la razón por la cual la eurozona está condenada al fracaso.

Y la moraleja es… que el gobierno importa.

Mike Whitney es un analista político independiente que vive en el estado de Washington y colabora regularmente con la revista norteamericana CounterPunch.

Traducción para www.sinpermiso.info: Daniel Raventós

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A MÍDIA ESPANHOLA COPIA O PIG BRASILEIRO

Cerdo Iberico

 

Telemadrid utiliza imágenes de disturbios en Grecia para informar sobre los de Barcelona

 

Redacción (Barcelona).- La cadena de televisión pública Telemadrid ha utilizado imágenes de enfrentamientos violentos entre manifestantes y policía griegos para ilustrar la supuesta agresividad que habrían mostrado de los 'indignados' en las protestas frente a la sede del Parlament de Catalunya de este miércoles.

En el programa de información matutino de la cadena del pasado jueves, se informa de las agresiones de un grupo de manifestantes a diputados de la cámara catalana en contraposición al ideario publicado por el movimiento 15-M.

Para mostrar las contradicciones de los 'indignados' entre lo que hacen y lo que dicen ser, la cadena señala punto por punto sus 'leit motive' y hace hincapié en su autoconsideración como movimiento pacifista: "Somos pacifistas. No a la guerra", advierte el ideario. Sin embargo, el informativo lo coteja: "Pues vea algunas de las instanténeas que podemos ver, por ejemplo en el diario El Mundo", introduce la presentadora. Acto seguido aparecen imágenes de violencia callejera y peleas entre policías y civiles armados con palos.

"Como ven, muy pacifistas, muy pacifista...", señala la conductora del programa. Pero en las imágenes se advierte que los agentes no llevan el uniforme habitual de los Mosso d'Esquadra, que en sus escudos protectores aparecen letras en griego y que incluso algún alborotador porta banderas del país heleno, nada que ver con cualquiera de las estampas que en estos días se pueden ver en los medios de comunicación sobre los hechos de Barcelona.

La Vanguardia

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Socialistas têm vitória folgada em eleição grega

ACROPOLIS:

Por Dina Kyriakidou

ATENAS (Reuters) - Os socialistas gregos obtiveram no domingo uma ampla vitória eleitoral, com promessas de mais impostos e gastos públicos para enfrentar uma crise econômica que o atual governo conservador foi incapaz de resolver.

Num confronto entre herdeiros de dinastias políticas importantes, o líder do Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), George Papandreou, conseguiu chegar ao poder em sua terceira tentativa, depois das derrotas de 2004 e 2007. Ele derrotou o atual primeiro-ministro Costas Karamanlis.

Militantes socialistas comemoraram enchendo o centro ateniense com bandeiras verdes, dançando, gritando e tocando tambores e buzinas.

"Hoje mudamos o rumo da Grécia e das nossas vidas. Hoje começamos um grande esforço nacional para colocar o nosso país num rumo de recuperação, desenvolvimento e criação", disse Papandreou a jornalistas, após declarar vitória diante de uma entusiasmada multidão.

Projeções do Ministério do Interior apontam uma ampla maioria parlamentar do Pasok, num país que é visto como o elo mais fraco da zona do euro.

Papandreou, 57 anos, prometeu um pacote de estímulo de 3 bilhões de euros (4,36 bilhões de dólares), com uma política de taxar mais os ricos e ajudar os pobres. Já Karamanlis, 53 anos, propunha mais dois anos de austeridade.

O atual premiê admitiu a derrota, cumprimentou o rival e renunciou à liderança do seu partido. "Nosso governo enfrentou a tempestade da mais séria crise do pós-guerra (...). Os cidadãos não aprovaram meu plano", disse ele a jornalistas.

Com 50 por cento dos votos apurados, o Pasok tinha 43,6 por cento dos votos, e a Nova Democracia, de Karamanlis, tinha 35. Pela projeção do ministério, os socialistas terão 160 das 300 cadeiras parlamentares.

"Sentimos que um peso pesado foi suspenso", disse a militante socialista Litsa Moraitou, 55 anos. "(Os conservadores) prometeram combater a corrupção, mas foi mentira. Agora podemos novamente ter esperança."

Nascido nos EUA, Papandreou, um político de discurso brando, lutou para escapar à sombra do seu legendário pai, o falecido Andreas Papandreou, fundador do Pasok. Karamanlis, orador inflamado, é sobrinho do veterano estadista Constantine Karamanlis.

O resultado eleitoral deve agradar os mercados, "não porque tenhamos preferência entre os dois partidos, mas porque um novo governo com maioria parlamentar terá um mandato revigorado para buscar seu programa ao longo de um mandato de quatro anos", segundo Alexander Moraitakis, presidente da SMEHA, entidade que reúne corretoras de valores locais.

(Reportagem adicional de Renee Maltezou)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Grécia: tragédia nas ruas reflete conflitos históricos

Atenas ontem:

Atenas em chamas, milhares de pessoas nas ruas e uma população aterrorizada. Distúrbios desestabilizam o governo e deixam a pergunta no ar: quais são as verdadeiras razões da violência que assola a Grécia?

O Estado de Direito está em perigo, a democracia em crise. Manchetes, que à primeira vista não seriam associadas a uma metrópole européia, falam de Atenas. A capital grega ocupa as páginas dos jornais desde o último sábado (6/12), quando um jovem de 15 anos foi morto à queima-roupa por um policial nas ruas da cidade.

As noites seguintes foram marcadas por sérios confrontos entre forças policiais e manifestantes. Se os protestos foram iniciados por grupos de esquerda, aos poucos receberam a adesão de sindicatos, professores, escolares e vários outros segmentos da sociedade. Milhares de pessoas estão indo para as ruas indignadas com o comportamento da polícia num incidente que não foi o único na história recente do país.

Justiça pelas próprias mãos

Desde o fim da ditadura militar, em 1974, foram mortas na Grécia 15 pessoas em conseqüência de violência policial. Para o jornalista Grigoris Roubanis, do jornal Elevtherotypia, não se pode falar de casos isolados, mas de um comportamento comum da polícia do país.

"O que estamos vendo tem a ver com a forma que a polícia vê o cidadão. Por razões quaisquer que sejam, a polícia acredita que pode fazer valer a lei com as próprias mãos. No ano passado, um estudante foi espancado por um policial até ir parar no hospital. Sua família teve que apelar para tribunais europeus, a fim de que fosse feita justiça. Presenciamos conflitos da polícia contra estrangeiros, contra membros da etnia rom, contra desempregados. A polícia exerce a função de braço extenso da lei", descreve Roubanis.

Herança da Guerra Civil

Desde o último fim de semana, as notícias de distúrbios nas ruas e protestos reunindo milhares de pessoas correm o mundo. Em quase todo debate dentro do país, o assunto é a busca de uma explicação para os repetidos conflitos entre a polícia e os cidadãos. Fala-se muito da má qualificação e dos baixos salários pagos aos policiais.

Para Roubanis, no entanto, o comportamento da polícia grega tem suas razões históricas na guerra civil que assolou o país após a Segunda Guerra Mundial e se perpetuou até 1949. "A guerra civil não só marcou a vitória da direita no país, mas também deixou para a sociedade uma certa mentalidade como herança. Uma mentalidade de arbitrariedade em relação a tudo o que põe em xeque o poder do Estado. E é exatamente a esse espírito que se prende a polícia grega. Um dos slogans preferidos da época era: 'Contra a esquerda e seus simpatizantes'. Quem questionava a arbitrariedade da polícia, era imediatamente rotulado de comunista ou simpatizante. E para a polícia ainda hoje vale a idéia de que o poder do Estado pode se vingar do cidadão comum. Estes são os efeitos tardios da guerra civil", explica Roubanis.

Em seu discurso à nação na segunda-feira (8/12), o premiê Costas Caramanlis tentou reafirmar a postura de que o Estado não vai tolerar os distúrbios nas ruas. Os tumultos, no entanto, continuaram acontecendo. De lá para cá, não são apenas os ativistas de esquerda que estão protestando, mas representantes de vários segmentos da sociedade, até mesmo escolas inteiras. E a tendência é que cada vez mais gente se disponha a participar das manifestações.

Beco sem saída

"Nossa sociedade tem feridas profundas. Indefesa, ela está entregue à complacência econômica do Estado. Os cidadãos vêem os políticos se enriquecerem, enquanto se encontram, eles mesmos, à beira da ruína financeira. A credibilidade da Igreja, na qual boa parte da população se apoiou, foi recentemente abalada por um grande escândalo. Além disso, a sociedade grega espera, há décadas, por uma modernização. Desta modernização faria parte um Estado mais eficiente, uma polícia decente e uma Justiça honesta. Os sistemas públicos de saúde e educação estão se dissolvendo. Em poucas palavras: nós nos encontramos, como sociedade, num beco sem saída", resume o jornalista.

E neste contexto os gregos voltaram a assistir pela televisão, na segunda-feira, à forma como policiais deram chutes em manifestantes nas ruas do país. Ou seja, se o país não modificar sua conduta política, os distúrbios atuais serão apenas o início de vários outros, prevê Roubanis.

"Falei estes dias com um político do alto escalão. Ele acredita que os representantes da facção conservadora vêem o Estado como propriedade privada – no caso, deles próprios. Isso é também visível no discurso do primeiro-ministro: ao analisar sua posição, percebe-se que se trata de alguém que não pertence à sociedade, mas que se confronta a ela".

Alkyone Karamanolys, para Deutsche Welle

Tiros da polícia

Ontem na Grécia:

Rogério Simões, para BBC

A capital da Grécia, Atenas, foi transformada em palco de guerra. De um lado manifestantes, muitos deles armados com paus e pedras, e do outro a tropa de choque da polícia local. O motivo dos violentos protestos: a morte de um garoto de 15 anos, Alexandros Grigoropoulos, atingido no fim-de-semana por um tiro disparado por um policial.

Muito longe dali, em Brasília, pouco antes do jogo decisivo do Campeonato Brasileiro, um outro rapaz, Nilton César de Jesus, de 26 anos, levava um tiro da polícia na cabeça. Em coma induzido, nesta terça-feira ele continuava entre a vida e a morte. Um comandante da Polícia Militar apareceu na segunda-feira na TV dizendo que se tratava de um erro pessoal, de um sargento. Nada que possa ser associado à corporação como um todo, disse ele. O uso de armas de fogo em situação de protestos ou tumultos, ainda segundo o comandante da PM, não era recomendado.

Dois jovens, dois tiros da polícia. Duas histórias bem diferentes. Na Grécia, o caso ameaça o governo. O primeiro-ministro, Costas Karamanlis, tem discutido com o presidente, Karolos Papoulias, como sair da crise gerada pelo assassinato. No Brasil, onde tiros são dados e recebidos com uma chocante naturalidade, o incidente em Brasília foi apenas mais um fato do cotidiano.

Logicamente, os gregos são uma sociedade muito mais combativa do que a brasileira, inventaram a democracia, apesar de a própria ser bastante conturbada, e estão descontentes com vários aspectos do governo atual, entre eles o impacto da crise econômica global no país. A morte do jovem pode ser apenas a gota d'água para uma população já há muito insatisfeita. Mas nada muda o fato de que, pelo menos em tese, policiais que enfrentam tumultos não deveriam nem portar armas de fogo, quanto mais dispará-las. Na Grécia, um deles usou e matou. Provocou dias de fúria em vários pontos do país. No Brasil, o policial responsável foi detido. Caso (aparentemente) encerrado.

NOTA DO OMAR: O policial detido no Brasil já foi libertado.