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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

A GLOBALIZAÇÃO ESTÁ QUEBRADA?

 


A globalização quebrou. Mas por quê?

Os motivos são muitos mas podem ser reduzidos a três. Um deles é que a globalização deu certo. Outro é a pandemia. O terceiro é que a infraestrutura do planeta não está preparada para uma economia que se digitaliza rapidamente. As três questões são independentes mas se correlacionam. Há uma tempestade perfeita em curso e as consequências são muitas. Em termos macroeconômicos está gerando inflação porque há pouca oferta e muita demanda. E a demanda não é só por produtos, é também por mão de obra que em muitas funções enfrenta escassez. 

 

Leia o artigo completo:

https://cidadania23.org.br/2021/10/17/pedro-doria-a-globalizacao-quebrou/

 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

HUMANIDADE: UMA VISÃO OTIMISTA?




"Na medida em que envelheci, comecei a odiar a humanidade. Portanto, se eu tivesse um poder absoluto, deixaria que ela continuasse em seu caminho de autodestruição. Ela seria destruída e eu ficaria mais feliz. Pessoas como eu são intelectuais: nós fazemos o nosso trabalho, escrevemos artigos, temos maneiras de protestar, mas não podemos mudar o mundo. Tudo o que podemos fazer é apoiar a política de empatia".

Umberto Eco, escritor, linguista e filósofo, faleceu no dia 19 de Fevereiro de 2016, aos 84 anos; na cidade de Milão, na Itália.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

TEMA DE MEDITAÇÃO PARA VENDEDORES AMBULANTES DE TODO O PLANETA

 

 



Porque a Rússia está a enlouquecer o ocidente. 


Por Pepe Escobar.


Eurásia. Os historiadores do futuro podem registrar este dia como aquele em que o geralmente imperturbável ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, decidiu que estava farto:

Estamos a habituar-nos ao fato de a União Europeia tentar impor restrições unilaterais, restrições ilegítimas e, nesta fase, partimos do pressuposto de que a União Europeia é um parceiro não confiável.

Josep Borrell, o chefe de política externa da UE, em visita oficial a Moscou, teve de levar o soco no queixo.

Lavrov, sempre um perfeito cavalheiro, acrescentou: “Espero que a revisão estratégica que terá lugar em breve venha a ser centrada nos interesses fundamentais da União Europeia e que estas conversações ajudem a tornar os nossos contatos mais construtivos”.

Ele referia-se à cimeira de chefes de Estado e de governo da UE no Conselho Europeu do próximo mês, onde discutirão a Rússia. Lavrov não abriga ilusões de que este “parceiros não confiáveis” venham a comportar-se como adultos.

Mas algo extremamente intrigante pode ser encontrado nas observações iniciais de Lavrov no seu encontro com Borrell: “O principal problema que todos enfrentamos é a ausência de normalidade nas relações entre a Rússia e a União Europeia – os dois maiores atores no espaço eurasiano. É uma situação doentia, que não beneficia ninguém”. 

Os dois maiores atores no espaço da Eurásia (itálico meu). Deixe isto penetrar na sua cabeça. Retornaremos ao assunto num momento.

Tal como está, a UE parece irremediavelmente viciada em agravar esta “situação doentia”. A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, arruinou de forma memorável o jogo da vacina em Bruxelas. Essencialmente, ela enviou Borrell a Moscou a fim de pedir direitos de licenciamento para empresas europeias produzirem a vacina Sputnik V – que em breve será aprovada pela UE.

E ainda assim os eurocratas preferem mergulhar na histeria, promovendo as palhaçadas do ativista da NATO e vigarista condenado Navalny – o Guaidó russo.

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, sob a capa da “dissuasão estratégica” , o chefe do STRATCOM dos EUA, almirante Charles Richard, casualmente deixou escapar que “há uma possibilidade real de que uma crise regional com a Rússia ou a China possa escalar rapidamente para um conflito envolvendo armas nucleares, se eles sentissem que uma perda convencional ameaçaria o regime ou estado”.

Portanto, a culpa pela próxima – e final – guerra já está atribuída ao comportamento “desestabilizador” da Rússia e da China. Presume-se que eles estarão “a perder” – e então, num acesso de raiva, irão para o nuclear. O Pentágono não passará de uma vítima; afinal de contas, afirma o Sr. STRATCOM, não estamos “presos na Guerra Fria”.

Os planeadores do STRATCOM fariam melhor se lessem o excelente analista militar Andrei Martyanov, que durante anos esteve na linha de frente pormenorizando como o novo paradigma hipersónico – e não o das armas nucleares – mudou a natureza da guerra.

Após uma discussão técnica pormenorizada, Martyanov mostra como “os Estados Unidos simplesmente não têm boas opções actualmente. Nenhuma. A opção menos má, no entanto, é conversar com os russos e não em termos de asneirada geopolítica e sonhos eróticos de que os Estados Unidos, de alguma forma, podem convencer a Rússia a “abandonar” a China – os EUA não têm nada, zero, a oferecer à Rússia para isso. Mas pelo menos russos e americanos poderão finalmente resolver pacificamente essa “hegemonia” da asneira entre si e então convencer a China a finalmente sentar-se à mesa como um dos Três Grandes e decidir por fim como governar o mundo. Esta é a única possibilidade para os EUA de permanecerem relevantes no novo mundo. ” 


A marca da Horda Dourada [1]

Por mais insignificantes que sejam as possibilidades de a UE debelar a “situação doentia” com a Rússia, não há evidências de que o que Martyanov delineou será contemplado pelo Estado Profundo estado-unidense.

O caminho pela frente parece inelutável: sanções perpétuas; expansão perpétua da NATO ao longo das fronteiras da Rússia; a acumulação de um anel de estados hostis em torno da Rússia; perpétua interferência dos EUA nos assuntos internos russos – completada com um exército de quinta colunistas; perpétua guerra de informação de espectro total.

Lavrov está a deixar claro como cristal que Moscou nada mais espera. Os factos no terreno, contudo, continuarão a acumular-se.

O Nordstream 2 será acabado – com ou sem sanções – e fornecerá o gás natural tão necessário à Alemanha e à UE. O vigarista condenado Navalny – 1% de “popularidade” real na Rússia – permanecerá na prisão. Cidadãos de toda a UE receberão o Sputnik V. A parceria estratégica Rússia-China continuará a solidificar-se.

Para entender como chegámos a esta horrivel confusão russofóbica, um roteiro essencial é fornecido pelo Conservadorismo Russo , um estudo novo e estimulante de filosofia política de Glenn Diesen, professor associado da Universidade do Sudeste da Noruega, conferencista na Escola Superior de Economia de Moscou e um de meus distintos interlocutores em Moscou.

Diesen começa por se concentrar no essencial: geografia, topografia e história. A Rússia é uma vasta potência terrestre sem acesso suficiente aos mares. A geografia, argumenta ele, condiciona os fundamentos de “políticas conservadoras definidas pela autocracia, um conceito ambíguo e complexo de nacionalismo e o papel duradouro da Igreja Ortodoxa” – algo que implica resistência ao “laicismo radical”.

É sempre crucial recordar que a Rússia não tem fronteiras naturais defensáveis; foi invadida ou ocupada por suecos, polacos, lituanos, pela Horda Dourada mongol, pelos tártaros da Crimeia e por Napoleão. Sem mencionar a imensamente sangrenta invasão nazi.

O que está numa palavra? Tudo: “segurança”, em russo, é byezopasnost. Acontece que isso é negativo, pois byez significa “sem” e opasnost significa “perigo”.

A complexa e única constituição histórica da Rússia sempre apresentou problemas sérios. Sim, havia estreita afinidade com o império bizantino. Mas se a Rússia “reivindicasse a transferência da autoridade imperial de Constantinopla, seria forçada a conquistá-la”. E reivindicar o sucessor, o papel e a herança da Horda de Ouro relegaria a Rússia ao status de apenas uma potência asiática.

Ao longo do caminho russo para a modernização, a invasão mongol provocou não só um cisma geográfico como imprimiu a sua marca na política: “A autocracia tornou-se uma necessidade após o legado mongol e o estabelecimento da Rússia como um império da Eurásia com uma vasta extensão geográfica mal conectada”. 


“Um colossal Leste-Oeste”

Na Rússia o Oriente encontra o Ocidente. Diesen recorda-nos como Nikolai Berdiaev, um dos principais conservadores do século XX, já acertava em cheio em 1947: “A inconsistência e a complexidade da alma russa pode ser devido ao facto de que na Rússia duas correntes da história do mundo – Leste e Oeste – tropeçam e influenciam-se uma à outra (…) A Rússia é uma secção completa do mundo – um colossal Leste-Oeste”.

A ferrovia Transiberiana, construída para solidificar a coesão interna do império russo e projetar poder na Ásia, foi uma grande viragem de jogo: “Com assentamentos agrícolas russos a expandirem-se para o leste, a Rússia estava a substituir cada vez mais as antigas estradas que anteriormente controlavam e conectavam a Eurásia”.

É fascinante observar como o desenvolvimento da economia russa terminou na teoria das Terras Centrais (Heartland) [2] de Mackinder – segundo a qual o controle do mundo exigia o controle do supercontinente euro-asiático. O que aterrorizava Mackinder é que ferrovias russas a conectarem a Eurásia minariam toda a estrutura de poder da Grã-Bretanha como um império marítimo.

Diesen também mostra como o eurasianismo – surgido na década de 1920 entre os émigrés em resposta a 1917 – foi de facto uma evolução do conservadorismo russo.

O eurasianismo, por uma série de razões, nunca se tornou um movimento político unificado. O núcleo do eurasianismo é a noção de que a Rússia não era um mero estado do Leste Europeu. Após a invasão mongol do século XIII e a conquista dos reinos de Tátaros no século XVI, a história e geografia da Rússia não poderia ser apenas europeia. O futuro exigiria uma abordagem mais equilibrada – e envolvimento com a Ásia.

Dostoievski já o havia enquadrado de maneira brilhante, antes de mais ninguém, em 1881:

Os russos são tão asiáticos quanto europeus. O erro da nossa política nos últimos dois séculos tem sido o de fazer os cidadãos europeus acreditarem que somos verdadeiros europeus. Servimos demasiado bem a Europa, participámos demasiado nas suas querelas internas (…) Curvámo-nos como escravos perante os europeus e só ganhámos o seu ódio e desprezo. É hora de nos afastarmos da ingrata Europa. Nosso futuro está na Ásia.

Lev Gumilev foi indiscutivelmente a estrela maior de uma nova geração de eurasianistas. Ele argumentou que a Rússia fora fundada numa coligação natural entre eslavos, mongóis e turcos. The Ancient Rus and the Great Steppe, publicado em 1989, teve um impacto imenso na Rússia após a queda da URSS – como aprendi em primeira-mão com meus anfitriões russos ao chegar a Moscou pelo Transiberiano no Inverno de 1992.

Segundo Diesen, Gumilev estava a apresentar uma espécie de terceira via, para além do nacionalismo europeu e do internacionalismo utópico. A Universidade Lev Gumilev foi fundada no Cazaquistão. Putin referiu-se a Gumilev como “o grande eurasiano de nosso tempo”.

Diesen recorda-nos que em George Kennan, em 1994, reconheceu a luta conservadora por “este país tragicamente ofendido e espiritualmente diminuído”. Putin, em 2005, era muito mais perspicaz. Ele enfatizou, o colapso da União Soviética foi a maior catástrofe geopolítica do século. E para o povo russo foi um verdadeiro drama (…) Os velhos ideais foram destruídos. Muitas instituições foram desmanteladas ou simplesmente reformadas às pressas com controle irrestrito sobre os fluxos de informação, grupos de oligarcas serviram exclusivamente aos seus próprios interesses corporativos. A pobreza em massa começou a ser aceite como a norma. Tudo isso evoluiu num cenário da mais severa recessão económica, finanças instáveis e paralisia na esfera social. 



Aplicando “democracia soberana”

E assim chegamos à crucial questão europeia.

Na década de 1990, liderada por atlantistas, a política externa russa concentrava-se na Grande Europa, um conceito baseado na Casa Comum Europeia de Gorbachev.

E, no entanto, a Europa pós-Guerra Fria, na prática, acabou por configurar-se como a expansão ininterrupta da OTAN e o nascimento – e expansão – da UE. Toda espécie de contorcionismos liberais foram implantados para incluir toda a Europa, mas excluindo a Rússia.

Diesen tem o mérito de resumir todo o processo numa única frase: “A nova Europa liberal representava uma continuidade anglo-americana nos termos das potências marítimas e do objetivo de Mackinder de organizar o relacionamento germano-russo num formato de soma zero para impedir o alinhamento de interesses”.

Não é de admirar que Putin, posteriormente, tivesse de ser erigido como o Espantalho Supremo, ou “o novo Hitler”. Putin rejeitou completamente o papel da Rússia de mero aprendiz da civilização ocidental – e o seu corolário, a hegemonia (neo)liberal.

Ainda assim, ele permaneceu bastante acomodatício. Em 2005, sublinhou Putin, “acima de tudo a Rússia foi, é e será, naturalmente, uma grande potência europeia”. O que ele pretendia era dissociar o liberalismo da política de poder – pela rejeição dos fundamentos da hegemonia liberal.

Putin estava a dizer que não existe um modelo democrático único. Isso acabou por ser conceitualizado como “democracia soberana”. A democracia não pode existir sem soberania; de modo que descarta a “supervisão” ocidental para fazê-la funcionar.

Diesen observa agudamente que se a URSS fosse um “eurasianismo de esquerda radical, algumas de suas características eurasianas poderiam ser transferidas para o eurasianismo conservador”. Diesen observa como Sergey Karaganov, por vezes mencionado como o “Kissinger russo”, mostrou “que a União Soviética foi fundamental para a descolonização e deu os meios para a ascensão da Ásia ao privar o Ocidente da capacidade de impor sua vontade ao mundo através da força militar, a qual o Ocidente impusera a partir desde o século XVI até a década de 1940”.

Isso é amplamente reconhecido em vastas extensões do Sul Global – desde a América Latina e África até o Sudeste Asiático. 


Península ocidental da Eurásia

Assim, após o fim da Guerra Fria e o fracasso da Grande Europa, o pivot de Moscovo para a Ásia para construir a Grande Eurásia não podia deixar de ter um ar de inevitabilidade histórica.

A lógica é impecável. Os dois centros geoeconomicos da Eurásia são a Europa e o Leste Asiático. Moscovo quer conectá-los economicamente dentro de um supercontinente: é onde a Grande Eurásia se junta ao Belt and Road Initiative (BRI) da China. Mas então há a dimensão extra-russa, como nota Diesen: a “transição da periferia usual desses centros de poder rumo ao centro de uma nova construção regional”.

De uma perspectiva conservadora, enfatiza Diesen, “a economia política da Grande Eurásia permite que a Rússia supere sua obsessão histórica com o Ocidente e estabeleça um caminho russo orgânico para a modernização”.

Isso implica o desenvolvimento de indústrias estratégicas; corredores de conectividade; instrumentos financeiros; projetos de infraestrutura para conectar a Rússia europeia com a Sibéria e a Rússia do Pacífico. Tudo isso sob um novo conceito: uma economia política industrializada e conservadora.

A parceria estratégica Rússia-China passa a ser ativa em todos esses três sectores geoeconomicos: indústrias estratégicas/ plataformas tecnológicas, corredores de conectividade e instrumentos financeiros.

Isso impulsiona a discussão, mais uma vez, para o imperativo categórico supremo: o confronto entre a Heartland e uma potência marítima.

As três grandes potências eurasianas, historicamente, eram os citas, os hunos e os mongóis. A razão chave para a sua fragmentação e decadência é que não foram capazes de alcançar – e controlar – as fronteiras marítimas da Eurásia.

A quarta grande potência eurasiana foi o império russo – e seu sucessor, a URSS. Uma razão chave para o colapso da URSS é que, mais uma vez, ela não foi capaz de alcançar – e controlar – as fronteiras marítimas da Eurásia.

Os EUA impediram-no ao aplicar uma combinação de Mackinder, Mahan e Spykman. A estratégia dos Estados Unidos até ficou conhecida como mecanismo de contenção Spykman-Kennan – todos estes “posicionamentos avançados” na periferia marítima da Eurásia, na Europa Ocidental, no Leste Asiático e no Médio Oriente.

Todos nós sabemos agora como a estratégia offshore geral dos EUA – bem como a principal razão para os EUA entrarem na Primeira e Segunda Guerras Mundiais – foi evitar por todos os meios necessários a emergência de uma hegemonia euro-asiática.

Quanto aos EUA como poder hegemónico, em 1997 isso foi brutalmente conceptualizado – com a característica arrogância imperial – pelo Dr. Zbig “Grande Tabuleiro de Xadrez” Brzezinski: “Para evitar conivência e manter a dependência de segurança entre os vassalos, manter os tributários flexíveis e protegidos, além de impedir que os bárbaros se juntem”. O bom e velho Divide e Impera, aplicado via “dominância do sistema”.

É esse sistema que está agora a desmoronar – para desespero dos suspeitos de sempre. Diesen nota como, “no passado, empurrar a Rússia para a Ásia relegaria a Rússia à obscuridade económica e eliminaria o seu status como potência europeia”. Mas agora, com o centro de gravidade geoeconômica a mudar para a China e o Leste Asiático, é um cenário totalmente novo.

A demonização da Rússia-China 24 horas por dia, 7 dias por semana, a par da mentalidade de “doentia” dos apaniguados da UE, só ajuda a impulsionar a Rússia cada vez para mais perto da China exatamente no momento crítico em que a dominação do mundo pelo ocidente que remonta há dois séculos está a chegar ao fim, como André Gunder Frank provou conclusivamente.

Diesen, talvez de modo muito diplomático, espera que “as relações entre a Rússia e o Ocidente no fim das contas também acabem por mudar com a ascensão da Eurásia. A estratégia hostil do Ocidente para com a Rússia está condicionada à ideia de que esta não tem para onde ir e que deve aceitar seja o que for que o Ocidente oferece em termos de “parceria”. A ascensão do Oriente altera fundamentalmente o relacionamento de Moscou com o Ocidente, permitindo à Rússia diversificar suas parcerias”.

Podemos estar a aproximar-nos rapidamente do ponto em que a Rússia da Grande Eurásia apresentará à Alemanha uma oferta do tipo pegar ou largar. Ou construímos a Heartland em conjunto ou a construiremos com a China – e vocês serão apenas um espectador histórico. É claro que sempre há a possibilidade remota de um eixo Berlim-Moscou-Pequim. Coisas mais estranhas já aconteceram.

Enquanto isso, Diesen está confiante em que “as potências terrestres da Eurásia acabarão por incorporar a Europa e outros estados da periferia interna da Eurásia. Lealdades políticas mudarão progressivamente à medida que os interesses economicos se voltem para o Leste – e a Europa está gradualmente a tornar-se a península ocidental da Grande Eurásia”.

Tema de meditação para os vendedores ambulantes peninsulares da “situação doentia”.


NT

[1] A Horda Dourada foi um canato mongol, posteriormente turquizado, estabelecido no século XIII. Com a fragmentação do Império Mongol após 1259 tornou-se um canato funcionalmente separado.

[2] ” The Geographical Pivot of History ” é o título de um artigo apresentado por Halford John Mackinder à Royal Geographical Society. Nele era avançada a Teoria das Terras Centrais (Heartland Theory) e Mackinder estendia o âmbito da análise geopolítica a todo o globo.

Pepe Escobar é jornalista. Muitos dos seus livros estão em Book Depository .

O original encontra-se no Asia Times e em:

www.unz.com/pescobar/why-russia-is-driving-the-west-crazy/

Via: desacato.info

 

domingo, 26 de abril de 2020

OBSERVAÇÕES PARA REFLEXÃO



1. INTRODUÇÃO

Na semana passada participei de um evento virtual com o título “O papel da inovação na economia global pós-pandemia”. Esse evento foi produzido pela Produttare Consultoria e teve como palestrantes os Professores Roberto dos Reis Alvarez, Junico Antunes e João Furtado, sendo que o Professor Ivan de Pellegrin atuou como mediador.

Estou tomando a liberdade de fazer algumas observações, misturando o que captei nesse importante evento com outras que já estavam passeando pela minha mente.

Esse texto é apenas um memorial e não pretende ser representativo do evento citado.

Para quem quiser informações mais completas, sugiro assistir:

https://www.youtube.com/watch?v=kcxwHAT5-CQ&feature=youtu.be




2. DESAFIOS PARA A HUMANIDADE 

Covid-19: ninguém sabe o que vai acontecer. Talvez uma vacina seja a solução. Talvez não. Atualmente é impossível prever o futuro, porém o que já se pode vislumbrar é que o impacto será grande em todas as atividades humanas. O processo de urbanização crescente, com multidões de pessoas interagindo quotidianamente em cidades cada vez mais populosas, juntamente com a facilidade de deslocamento pelo planeta, são um caldo de cultura para surgimento de novas pandemias.

Mudanças do Clima: atualmente não há dúvidas de que o clima do planeta está mudando rapidamente. Certamente teremos impactos relevantes em relação às formas de vida. Os líderes humanos ainda não chegaram a um consenso a respeito de como encarar de forma conjunta esse fenômeno.




3. IMPACTOS DO COVID-19 NA ECONOMIA

A pandemia do Covid-19 causou um aumento impressionante na troca de informações via internet em todo o planeta. É importante ressaltar que a estrutura de internet existente suportou de forma olímpica esse significativo aumento de tráfego. Por outro lado, as organizações que atuam nessa área (suporte para troca de informações via internet e desenvolvimento de tecnologias associadas) estão realizando investimentos para dar mais consistência à troca de informações, que tende a aumentar.

Até o presente momento as organizações empresariais que dependiam do contato presencial ou de deslocamento das pessoas para o sucesso de seus negócios, estão sofrendo muito. Setores como turismo, aplicativos de transporte de passageiros e entretenimento em geral (futebol, teatro, música ao vivo etc.) estão passando por momentos muito desafiadores. Da mesma forma, estabelecimentos comerciais que possuem apenas estruturas físicas também estão passando por muitas dificuldades.

Alguns setores, como é o caso das organizações que trabalham com seguros, estão tentando se adaptar à nova realidade, porém até o presente momento não se sabe qual será o impacto real.

Por outro lado, parcelas de setores empresariais que já haviam iniciado migração para atendimento de clientes via internet, não dependendo de estabelecimentos físicos, estão sofrendo menos impacto negativo. Alguns, pelo contrário, estão com acréscimo em suas atividades e rentabilidade.

É possível afirmar que as organizações que acompanharam a evolução dos negócios do modelo tradicional para o ambiente digital estão não só suportando a crise causada pela pandemia, como em alguns casos estão acumulando resultados positivos importantes. De outro lado, as organizações que mantiveram estruturas tradicionais estão passando por grandes dificuldades e provavelmente várias não sobreviverão ao Covid-19.




4. ALGUMAS PERSPECTIVAS

Em termos de organização das atividades econômicas, a tendência atual aponta para uma concentração de atividades via ambiente virtual. Em relação ao comércio, por exemplo, as compras via internet são uma realidade crescente. A proliferação de serviços de entrega de alimentos também tem aumentado de forma importante. Etc.

Mantida essa tendência – o que pode ser considerado razoável – provavelmente dois setores terão que crescer e aprimorar suas capacidades: 


a) Redes de Comunicação Virtuais

As estruturas voltadas para suportar a troca de informações virtuais terão que passar por processo de reforço e aprimoramento tecnológico em toda a sua extensão. 


b) Logística

Com o crescimento das transações comerciais virtuais provavelmente veremos um grande desafio na área de organização das coletas, armazenamento e entregas.




5. TRANSIÇÃO

A ideia geral é que está havendo deslocamento de um modelo para outro.

As organizações “tradicionais”, que não acompanharam a evolução do mundo virtual, estão passando por desafios cada vez mais importantes e muitas tendem a soçobrar.

Estamos passando, no momento, por um período de adaptação.

Provavelmente teremos uma transição, com sistemas analógicos convivendo paralelamente com sistemas virtuais, e por vezes se complementando.

Na outra ponta, há inúmeras iniciativas que já nasceram nesse novo ambiente digital.

Exemplos de transição:

a) Setor Imobiliário

A pandemia atual está treinando muitos profissionais a trabalhar em seus ambientes familiares. Obviamente os custos de deslocamento e manutenção de escritórios coletivos são muito altos atualmente. Provavelmente após a queda do impacto do Covid-19 teremos bastante disponibilidade escritórios para locação, o que pode inibir novos empreendimentos nessa área.


b) Setor Educacional

O Ensino à Distância era considerado o “patinho feio” da Educação. Com a pandemia as atividades de ensino à distância foram objeto de significativo crescimento, para evitar paralização das atividades letivas. Não se pode descartar que a partir do final da pandemia ocorra um crescimento no ensino à distância, provavelmente intercalado com atividades presenciais.


c) Entretenimento

Durante a pandemia proliferaram atividades de vários tipos via canais tradicionais de televisão e, principalmente, via internet (shows, disponibilidade de filmes e séries, competições virtuais etc.). Existe a possibilidade de que alguns desses novos modelos de entretenimento permaneçam.





6. OBSERVAÇÕES GERAIS SOBRE O BRASIL

Uma pandemia como a que estamos passando faz com que possamos realizar algumas reflexões interessantes.

Não existe atualmente nenhum país isolado em relação aos demais países do planeta.

No caso do Brasil, por exemplo, as ações que estão sendo tomadas para estancar o processo pandêmico são diferentes de outros países onde o combate ao vírus está sendo realizado.

Por exemplo: até a semana passada os EUA aplicaram mais de 13 mil testes por milhão de habitantes. A Bélgica, mais de 15 mil testes por milhão de habitantes. A Espanha quase 20 mil testes por milhão. O Brasil, na outra ponta, até meados da semana passada, tinha aplicado em torno de 1,3 mil testes por milhão de habitantes, o que não permite um conhecimento calibrado da situação real de contaminação.

O Brasil é um país sabidamente com grande desigualdade social. Se eventualmente o vírus se alastrar até as camadas mais pobres da população, o impacto pode ser muito grande.

Um aspecto positivo no país é a existência do SUS, porém neste momento fica claro que o esse sistema de saúde está subfinanciado, operando no limite de suas possibilidades. 


Omar, em 26 de abril de 2020. 





Fonte da Imagem: https://images.app.goo.gl/xWt7tEAAs2NrdeED6

terça-feira, 12 de junho de 2018

O mundo pode bem passar sem a cúpula do G7


A última cúpula das supostas principais economias acabou em desavença. Desse jeito, é melhor abrir mão do encontro anual cujo modelo já está mesmo obsoleto há mais de uma década, opina o jornalista Felix Steiner.

Angela Merkel e Emmanuel Macron deveriam simplesmente tomar a iniciativa e declarar juntos a suspensão de novas conferências de cúpula do Grupo dos Sete (G7). Quem poderia questionar que tenham esse direito? Uma vez que a Cúpula Econômica Mundial – como se chamava originalmente o encontro anual dos líderes das maiores nações industriais – remonta a uma ideia do então chanceler federal alemão, Helmut Schmidt, e do presidente francês, Valéry Giscard d'Estaing, não há dúvida que o direito autoral cabe a seus sucessores eleitos.

A renúncia ao megaevento seguramente não será nenhuma perda para a humanidade. Da ideia original – de uma conversa confidencial ao pé da lareira, longe de todas as amarras protocolares, como ocorreu pela primeira vez em 1975 – não resta mesmo mais nada. Em vez disso, a cada ano, de preferência no local mais distante possível, por medo de protestos, acontece uma algazarra de mais de mil jornalistas, interpretando ao vivo cada gesto e cada expressão facial dos Sete Grandes.

E por os dirigentes saberem disso, eles se encenam, enviam fotos suas para todo o mundo, sobretudo para impressionar o eleitorado em casa. Nunca foi possível observar tão bem quanto no atual encontro, como uma mesma cena pode suscitar tantas interpretações nacionais diferentes.

E aí vem a declaração final, após longas negociações diplomáticas e portanto extremamente vaga, que há vários anos faz parte da cúpula. Se vai ser assinada por todos ou não, não tem o menor efeito sobre os destinos do mundo.

Seja como for, há que se perguntar se, nas poucas horas que o encontro dura, é preciso mesmo barganhar sobre o lixo plástico no mar ou sobre o empreendedorismo feminino nos países em desenvolvimento. Ambos são, sem dúvida, temas importantes, mas nesse círculo? Não existem fóruns mais apropriados no contexto das Nações Unidas?

Em 2007, na alemã Heiligendamm, os estadistas deliberaram sobre a mudança climática, embora já tivesse ocorrido a Conferência do Clima anual. Quanto à crise financeira que oito semanas mais tarde abalaria o mundo, ninguém viu chegar. Os economistas chamam isso de negligenciar a competência distintiva. O resultado, em geral, é a falência.

De qualquer modo, faz tempo que o nome G7 não corresponde mais à realidade. Em vez de Itália e Canadá, há anos o lugar à mesa de conferências dos "Sete Realmente Grandes" deveria caber à Índia e sobretudo à China. Por isso, após a crise financeira, se criou o G20, especialmente para consultas sobre a economia mundial, uma vez que nada mais anda sem os países emergentes em rápido crescimento.

A rigor, já na época o G7 deveria ter se dissolvido, mas, convencido da própria importância, o grupo usou o estratagema de se redefinir como "comunidade de valores". O que é tão risível quanto a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a qual, à parte todo seu discurso de valores comuns, nunca teve problema com ditaduras militares, nem a grega, nem as diversas turcas.

Não, a Otan e o G7 não passam de comunidades de interesse ad hoc. E os Estados Unidos, como membro mais poderoso de ambos os clubes, decidiu, por canais democraticamente legitimados, redefinir agora seus interesses de política comercial. Os eleitores de Donald Trump se deliciam com a política de seu presidente, como provam as sondagens atuais. Nesse sentido, uma correção de curso não está à vista, no curto prazo, por mais que se deseje deste lado do Atlântico.

Com isso, o mais tardar agora o G7 perdeu sua base de existência, todo o resto era mesmo acompanhamento decorativo, sem valor prático real. Não se trata, em absoluto, de uma ruptura das relações transatlânticas, ainda há suficientes consultas em outros níveis.

Mas Angela Merkel tem decididamente razão ao afirmar que agora, mais do que nunca, tudo depende da unidade dentro da União Europeia. Um apelo dirigido, em primeira linha, a ela mesma, pois é quem melhor sabe o quanto das atuais distorções na UE foi desencadeado por ela e pelos governos que liderou.

Deutsche Welle

segunda-feira, 4 de junho de 2018

TENDÊNCIA DE AUMENTO DO CONSUMO MUNDIAL DE VASELINA



Após três dias de negociações frustradas, os seis membros do G7, com exceção dos EUA, assinaram um documento enfático contra a posição americana de iniciar uma guerra tarifária. Desde a meia-noite do dia 1º, estão valendo também para os principais países aliados as novas tarifas sobre aço (25%) e alumínio (10%). O objetivo em teoria é combater o avanço chinês, mas acaba por isolar Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Japão e Canadá, que seriam os principais aliados potenciais nesta disputa. E toca a União Europeia num momento delicado, pós-Brexit, e enquanto Itália e Espanha vivem uma crise anti-União interna. (Washington Post)

sexta-feira, 18 de maio de 2018

PAPA FRANCISCO E A BOMBA-RELÓGIO



A bomba-relógio do mercado

O papa Francisco chamou o mercado de derivativos de "bomba-relógio". Em uma ampla crítica ao mercado financeiro global divulgada pelo Vaticano nesta quinta-feira (17), ele incluiu os credit-default swaps. A crítica incomum tem a ver com a visão cética que o papa Francisco tem do capitalismo global desenfreado. "O mercado de CDS, logo após a crise financeira de 2007, era grande o suficiente para representar quase o equivalente ao PIB do mundo inteiro. A disseminação de tal tipo de contrato sem os devidos limites tem encorajado o crescimento de finanças da sorte de apostas na falha de outros, o que é inaceitável de um ponto de vista ético", afirmou o Vaticano no documento. A avaliação é similar a comentários feitos pelo megainvestidor Warren Buffett em 2003, que classificou os derivativos de "armas financeiras de destruição em massa". Na ocasião, Buffett também criticou a expansão sem controle deste mercado. O papa Francisco tem sido um crítico de Wall Street e já pediu regulação para as práticas financeiras especulativas, além de controle sobre o "poder absoluto" do sistema financeiro, o qual ele disse pode trazer mais crises. 

Fonte: Affonso Ritter

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A CHINA DE XI


Xi toma el control total del futuro de China

Michael Roberts

05/11/2017


Xi Jinping ha sido consagrado como líder más poderoso de China desde Mao Zedong después de que un nuevo legado de pensamiento político con su nombre fuese incluido en los estatutos del Partido Comunista. La simbólica medida se produjo el último día del XIX Congreso, que duró una semana en Beijing, en el que Xi se ha comprometido a dirigir la segunda mayor economía del mundo hacia una “nueva era” de poder e influencia internacionales.

En la ceremonia de clausura en el Gran Salón del Pueblo de la época de Mao, se anunció que el pensamiento de Xi sobre el “socialismo con características chinas para una Nueva Era” quedaba inscrito en los estatutos del partido. “El Congreso acuerda por unanimidad que el pensamiento Xi Jinping ... constituye [una de] las guías de acción del partido en su constitución”, afirma una resolución.

Al mismo tiempo, se anunció el nuevo Comité Permanente del Politburó de siete miembros. Todos estos líderes supremos tienen más de 62 años y por lo tanto no serán elegibles para convertirse en secretario general del partido dentro de cinco años. Lo que significa con toda seguridad que Xi tendrá un tercer mandato, algo sin precedentes, como líder del partido hasta 2029 y así seguirá a la cabeza de la máquina de estado chino toda una generación.

Lo que esto me dice es que, bajo Xi, China nunca iniciará el desmantelamiento del partido y la máquina del estados para desarrollar una 'democracia burguesa' basado en una economía de mercado plena y capitalista. China seguirá siendo una economía fundamentalmente dirigida y controlada por el estado, con los ‘sectores claves' de la economía de propiedad pública y controlada por la elite del partido.

Las empresas extranjeras no encuentran esta perspectiva atractiva, como era de esperar. En una encuesta de enero entre 462 empresas de Estados Unidos de la Cámara Americana de Comercio en China, el 81 por ciento dijo que se sentían menos bienvenidos en China, mientras que más del 60 por ciento tienen poca o ninguna confianza de que el país abrirá aún más sus mercados en los próximos tres años.

De hecho, China sigue ocupando el puesto 59 entre los 62 países evaluados por la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico en términos de apertura a la inversión extranjera directa. Al mismo tiempo, la IED es cada vez menos importante para la economía: en 2016 representó poco más del 1 por ciento del PIB de China, por debajo del 2,3 por ciento en 2006 y un 4,8 por ciento en 1996.

Una causa de preocupación aún mayor para las multinacionales son los planes de Beijing para replicar tecnologías extranjeras y apoyar a sus ‘campeones nacionales’ que puedan exportarlas globalmente. Un programa puesto en marcha en 2015, llamado Hecho en China 2025, tiene como objetivo hacer que el país sea competitivo dentro de una década en 10 industrias, incluyendo aviones, vehículos de nueva energía, y la biotecnología. China, bajo Xi, tiene como objetivo no sólo ser el centro manufacturero de la economía mundial, sino también ocupar un lugar destacado en innovación y tecnología para competir con los EEUU y otras economías capitalistas avanzadas dentro de una generación.

Beijing tiene como objetivo impulsar la cuota de robots de fabricación nacional a más del 50 por ciento de las ventas totales en 2020, que fue ya del 31 por ciento el año pasado. Las compañías chinas como E-Deodara Robot Equipments, Siasun Robot & Automation y Anhui Efort Intelligent Equipments aspiran a convertirse en multinacionales, desafiando a compañías similares como ABB Robotics de Suiza y la japonesa Fanuc por el liderazgo en unmercado de 11 mil millones de dólares.

Bajo XI, China también ha redoblado esfuerzos para construir su propia industria de semiconductores. El país compra alrededor del 59 por ciento de los chips que se venden en todo el mundo, pero los fabricados en el país representan sólo el 16,2 por ciento de los ingresos de las ventas globales de la industria, de acuerdo con la consultora PwC. Para cambiar esto, Made in China 2025 destina 150 mil millones de dólares de inversión en 10 años. Un informe de enero de 2017 del Consejo Presidencial de Asesores en Ciencia y Tecnología de EE UU detalla los amplios subsidios de China a sus fabricantes de chips, la obligación de las empresas nacionales de comprar sólo a proveedores locales, y el requisito de que las empresas estadounidenses transfieran tecnología a China a cambio de acceso a su mercado .

Y el imperialismo estadounidense tiene miedo. El secretario de Comercio de Estados Unidos Wilbur Ross ha descrito el plan como un “ataque” al “genio americano.” En un excelente nuevo libro, The US vs China: Asia’s new cold war?, Jude Woodward, un asiduo visitante y conferenciante en China, señala las medidas desesperadas que los EEUU está adoptando para tratar de aislar a China, bloquear su progreso económico y cercarla militarmente. Pero también afirma que esta política está fallando. China no está aceptando el control que la quieren imponer las multinacionales extranjeras; está desarrollando continuamente vínculos comerciales y de inversión con el resto de Asia; y, con la excepción del Japón de Abe, está teniendo éxito en mantener a los estados capitalistas asiáticos ambivalentes entre la 'mantequilla' de China y las 'armas' de Estados Unidos. Como resultado, China ha sido capaz de mantener su independencia del imperialismo estadounidense y del capitalismo global como ningún otro estado.

Esto nos lleva a la cuestión de si China es un estado capitalista o no. Creo que la mayoría de los economistas políticos marxistas están de acuerdo con la teoría económica dominante que asume o acepta que China es capitalista. Sin embargo, no es mi caso. China no es capitalista. La producción de mercancías con fines de lucro, basada en relaciones espontáneas del mercado, es lo que caracteriza al capitalismo. La tasa de ganancia determina sus ciclos de inversión y genera crisis económicas periódicas. Esto no se aplica en China. En China, la propiedad pública de los medios de producción y la planificación del estado siguen siendo dominantes y la base de poder del Partido Comunista se basa en la propiedad pública. El ascenso económico de China se ha conseguido sin que el modo de producción capitalista sea dominante.

El “Socialismo con características chinas” es una bestia extraña. Por supuesto, no es 'socialismo' de acuerdo con ninguna definición marxista o de control obrero democrático. Y ha habido una expansión significativa de las empresas privadas, tanto nacionales como extranjeras en los últimos 30 años, con el establecimiento de un mercado de valores y otras instituciones financieras.

Pero la gran mayoría del empleo y la inversión tiene lugar a través de empresas públicas o por instituciones que están bajo la dirección y el control del Partido Comunista. La mayor parte de las industrias competitivas globales de China no son multinacionales de propiedad extranjera, sino empresas estatales chinas.

Y puedo proporcionar algunas pruebas que, en la medida que yo sepa, no han sido planteadas por otros comentaristas. Recientemente el FMI publicó una serie de datos completa del tamaño del sector público y de su inversión y su crecimiento, que se remonta 50 años para todos los países del mundo. Estos datos ofrece algunos resultados sorprendentes.

Demuestran que China tiene un stock de activos del sector público por valor de 150% del PIB anual; Sólo Japón tiene algo similar con el 130%. Todas las otras economías capitalistas importantes tiene menos del 50% del PIB en activos públicos. Cada año, la inversión pública de China en relación al PIB es de alrededor del 16% en comparación con el 3-4% en los EEUU y el Reino Unido. Y aquí está la cifra decisiva. El volumen del stock de activos productivos públicos en relación con los activos del sector capitalista privado en China es tres veces mayor. En los EEUU y el Reino Unido, los bienes públicos son menos del 50% de los activos privados. Incluso en las 'economías mixtas' de India o Japón, la proporción de activos públicos en relación con los privados solo es del 75%. Esto demuestra que en China la propiedad pública de los medios de producción es dominante - a diferencia de cualquier otra economía importante.


Un informe de la Comisión de Revisión Económica y de Seguridad Estados Unidos-China encontró que “La parte de propiedad y control estatal de la economía china es grande. Basándose en suposiciones razonables, parece que el sector público visible- las empresas estatales y las entidades controladas directamente por las empresas estatales, representan más del 40% del PIB no agrícola de China. Si se consideran las contribuciones de las entidades controladas indirectamente, colectivos urbanos y empresas municipales públicas, la proporción del PIB de propiedad y control del Estado es de aproximadamente el 50%”. Los grandes bancos son propiedad del Estado y sus políticas de crédito y de depósito están dirigidas por el gobierno (para disgusto del Banco Central de China y otros elementos pro-capitalistas). No hay flujo libre de capitales extranjeros dentro y fuera de China. Los controles de capital son impuestos y aplicados y el valor de la moneda se manipula según los objetivos económicos (para gran disgusto del Congreso de Estados Unidos y los fondos de cobertura occidentales).

Al mismo tiempo, el aparato del Partido Comunista / estado se infiltra en todos los niveles de la industria y la actividad en China. De acuerdo con un informe de Joseph Fang y otros ( http://www.nber.org/papers/w17687 ), hay organizaciones del partido en cada corporación que emplea a más de tres miembros del partido comunista. Cada organización del partido elige a un secretario del partido. El secretario del partido es el eje central del sistema de gestión alternativa de cada empresa. Esto amplía el control del partido más allá de las empresas estatales a las empresas privatizadas y las empresas propiedad de los gobiernos locales en el sector privado o “nuevas” organizaciones económicas” como se las llama. En 1999, sólo el 3% de ellas tenía células del partido. Ahora la cifra es de casi el 13%. Como señala el informe: “El Partido Comunista Chino (PCC), controla la promoción profesional de todo el personal de alto nivel en todas las agencias reguladoras, todas las empresas de propiedad estatal (EPE), y prácticamente todas las principales instituciones financieras de propiedad estatal (EPE) y las posiciones determinantes del partido en todas, menos las empresas más pequeñas, no públicas, que siguen sometidas a una dirección leninista”.

La realidad es que casi todas las empresas chinas que emplean a más de 100 personas tienen un sistema de control basado en células del partido. Esta no es una reliquia de la era maoísta. Es la estructura actual establecida específicamente para mantener el control del partido en la economía. Como el informe de Fang dice: “El Departamento de Organización del PCCh gestiona todas las promociones de alto nivel de todos los bancos, reguladores, ministerios y organismos gubernamentales, empresas estatales, e incluso muchas empresas no públicas, designadas oficialmente. El partido promueve a gente en los bancos, agencias reguladoras, las empresas, los gobiernos y los órganos del Partido, gestionando gran parte de la economía nacional en un gran cuadro de gestión de recursos humanos. Un cuadro joven y ambicioso puede comenzar en un ministerio estatal, unirse a los mandos intermedios de un banco público, aceptar un alto cargo del partido en una empresa cotizada, ser promovido a un puesto de regulación superior, aceptar el nombramiento como alcalde o gobernador de provincia, convertirse en un CEO de un banco público diferente, y quizás por último, ascender a los escalones superiores del gobierno central o el PCCh - todo gracias al Departamento de Organización del PCCh”.

El Partido Comunista de China es mencionado en los estatutos de muchas de las mayores empresas del país, que describen al partido como un elemento director que juega un papel central de “una manera organizada, institucionalizada y concreta” y “provee dirección [y] gestiona la situación general”.

Hay 102 empresas estatales clave con activos de 50 billones de yuanes, que incluyen empresas públicas de petróleo, operadores de telecomunicaciones, generadores de energía y fabricantes de armas. Xiao Yaqing, director de la Comisión de Supervisión y Administración de Activos Estatales del Consejo de Estado (SASAC), escribió en la publicación de la Escuela Central del Partido Tiempo de Estudio que cuando una empresa estatal tiene un consejo de administración, el jefe del partido también tiende a ser el presidente del consejo. Los miembros del Partido Comunista en las empresas estatales forman el “el fundamento de clase más sólido y fiable” que permite al Partido Comunista gobernar. Xiao califica la idea de la “privatización de los bienes del Estado” como un pensamiento mal orientado.

Estos 102 grandes conglomerados contribuyeron el 60 por ciento de las inversiones exteriores de China a finales de 2016. Las empresas estatales, incluyendo China General Nuclear Power Corp y China National Nuclear Corp han asimilado tecnologías, a veces occidentales con cooperación o sin ella, y ahora tienen proyectos en Argentina, Kenia, Pakistán y el Reino Unido. Y la gran ‘Nueva Ruta de la Seda' para el centro de Asia no está dirigido a obtener beneficios. Se trata de expandir la influencia económica de China a nivel mundial y extraer recursos tecnológicos y naturales para la economía nacional.

Esto también contradice la idea común entre algunos economistas marxistas de que la exportación de capital de China para invertir en proyectos en el extranjero es producto de la necesidad de absorber el 'excedente de capital' doméstico, similar a la exportación de capital de las economías capitalistas antes de 1914, que Lenin consideró una característica clave del imperialismo. China no está invirtiendo en el extranjero a través de sus empresas estatales debido a un 'exceso de capital' o incluso porque la tasa de ganancia de las empresas estatales y capitalistas esta cayendo.

Del mismo modo, la gran expansión de la inversión en infraestructura a partir de 2008 para contrarrestar el impacto del colapso del comercio mundial desde la crisis financiera global y la Gran Recesión que golpea las economías capitalistas no ha sido un gasto público a través del endeudamiento de tipo keynesiano, como la mayoría de los economistas y (algunos) marxistas argumentan. Fue un programa de inversiones de las corporaciones estatales planificada y financiada por los bancos de propiedad estatal dirigidos por el Estado. Fue lo que Keynes llamó una 'inversión socializada’, pero que nunca fue puesta en práctica en las economías capitalistas durante la Gran Depresión, porque hacerlo sería sustituir el capitalismo.

La ley del valor del modo de producción capitalista opera en China, principalmente a través del comercio exterior y la entrada de capitales, así como a través de los mercados internos de bienes, servicios y fondos. Por lo que la economía china se ve afectada por la ley del valor. Eso no es realmente sorprendente. No se puede 'construir el socialismo en un solo país' (y si un país está bajo una autocracia y sin democracia obrera, es así por definición). La globalización y la ley del valor de los mercados mundiales se filtran a la economía china. Pero el impacto es 'distorsionado', 'frenado' y bloqueado por la 'interferencia' burocrática del estado y la estructura del partido hasta el punto de que todavía no puede dominar y dirigir la trayectoria de la economía china.

Es cierto que la desigualdad de la riqueza y el ingreso en China bajo el 'socialismo con características chinas' es muy alta. Hay un creciente número de multimillonarios (muchos de los cuales están relacionados con los líderes comunistas). El coeficiente de Gini de China, un índice de desigualdad de los ingresos, ha pasado del 0,30 en 1978, cuando el Partido Comunista comenzó a abrir la economía a las fuerzas del mercado, a un máximo del 0,49 justo antes de la Recesión Global. De hecho, el coeficiente Gini de China ha subido más que en cualquier otra economía asiática en las últimas dos décadas. Este aumento fue en parte el resultado de la urbanización de la economía en la medida en que los campesinos rurales han emigrado a las ciudades. Los salarios urbanos en los talleres y las fábricas están dejando atrás cada vez más los ingresos de los campesinos (no es que los salarios urbanos sean nada del otro mundo, porque a los trabajadores de montaje de i-pads de Apple se les paga menos de 2 dólares la hora).


Pero también es en parte el resultado de la élite que controla las palancas del poder y se está enriqueciendo, permitiendo al mismo tiempo que algunos multimillonarios chinos ‘florezcan’. La urbanización se ha ralentizado desde la Gran Recesión y también lo ha hecho el crecimiento económico y el índice de desigualdad de Gini se ha reducido un poco.


La economía china se protege parcialmente de la ley del valor y la economía capitalista mundial. Pero la amenaza de la 'vía capitalista' permanece. De hecho, los datos del FMI muestran que, mientras que los activos del sector público en China siguen siendo casi dos veces mayores que los activos del sector capitalista, la brecha se está cerrando.


Bajo Xi, parece que la mayoría de la élite del partido continuará con un modelo económico que está dominado por las corporaciones estatales dirigidas a todos los niveles por cuadros comunistas. Esto es debido a que incluso la elite se dan cuenta de que si adopta la vía capitalista y la ley del valor se convierte en dominante, se expondrá al pueblo chino a una inestabilidad económica crónica (booms y crisis), a la inseguridad de empleo e ingresos y a mayores desigualdades.

Por otra parte, Xi y la élite del partido están unidos en su oposición a la democracia socialista como cualquier marxista la entendería. Desean preservar su régimen autocrático y los privilegios que se derivan de él. La gente todavía tienen un papel que jugar. Han luchado batallas locales por el medio ambiente, sus pueblos y sus puestos de trabajo y salarios. Pero no han luchado por más democracia o poder económico.

De hecho, la mayoría apoya al régimen. Los chinos apoyan al gobierno, pero están preocupados por la corrupción y la desigualdad - las dos cuestiones que Xi afirma que está combatiendo (pero en las que fracasará).

Una reciente encuesta realizada por el Centro de Investigación Pew encontró que el 77% de los encuestados creen que su forma de vida en China necesita ser protegida de la “influencia externa”. El politólogo Bruce Dickson colaboró con expertos chinos para estudiar la percepción pública del Partido Comunista de China gobernante. Los investigadores llevaron a cabo entrevistas directas con unas 4.000 personas en 50 ciudades de todo el país. Dickson concluyó: “No importa cómo se mida, no importa qué preguntas se pregunten, los resultados indican siempre que la gran mayoría de la gente está realmente satisfecha con el status quo”.


Parece que Xi y su banda durarán bastante tiempo.


Michael Roberts
es un reconocido economista británico, que ha trabajador 30 años en la City londinense como analista económico y publica el blog The Next Recession. 
 
Fuente: https://thenextrecession.wordpress.com/2017/10/25/xi-takes-full-control-of-chinas-future/ 
 
Traducción: G. Buster 
 
Via SIN PERMISO (http://www.sinpermiso.info/textos/xi-toma-el-control-total-del-futuro-de-china)