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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Estados Unidos, um país à beira da desintegração


Fonte: http://novasof.deviantart.com/art/MMD-Disintegration-of-Evil-400704412


Os EUA parecem não encontrar paz. Mais uma vez, policiais foram mortos, e cresce a preocupação com novos tumultos e protestos. A ordem habitual do país corre perigo de se esfacelar, opina a jornalista Ines Pohl.
Por Ines Pohl, da Deutsche Welle (Washington, EUA)

De maneira alarmante, os Estados Unidos parecem ser a prova do quão rapidamente sociedades democráticas podem ficar fora de equilíbrio em um mundo em que as forças centrífugas da globalização rasgam as ordens políticas conhecidas. Um mundo em que as pessoas procuram refúgio no nacionalismo e não conseguem mais encontrar paz no frenesi do mundo digital.

Contextos já não são analisados como deveriam. Em vez disso, culpados são rapidamente encontrados, bodes expiatórios são nomeados. O mundo está dividido em "bem e mal", em "nós e eles".

A realidade se tornou estressante, não existem mais respostas fáceis, e uma análise honesta chegará sempre à conclusão de que o mundo rico tem que prover, pois o mundo pobre já não quer mais ficar assistindo pacificamente ao que está acontecendo.

Por isso que nos Estados Unidos, esse país de imigrantes, vem crescendo a agressão entre diferentes culturas, religiões, cores de pele. Por isso, pessoas são diariamente baleadas na rua, estudantes e policiais são mortos a bala. Certamente as liberais leis de armas têm algo a ver com isso. E é verdade que o racismo, que muitos achavam superado, desempenha um papel terrivelmente importante. Ainda.

No entanto, o problema tem mais uma dimensão. A ordem habitual do país corre perigo de se esfacelar. As pessoas já não estão mais dispostas a aceitar as consequências da nova ordem mundial. Políticos não parecem encontrar – junto com instituições, sindicatos, autoridades estaduais, policiais e sociedade civil – soluções credíveis.

Quem viaja pelos Estados Unidos em 2016 encontra um país em fuga da realidade. Isso combina com o fato de que um homem cujo grande sucesso foi celebrado em um reality show se prepara para se tornar o próximo presidente dos Estados Unidos da América.

As pessoas se refugiam em mundos virtuais. As pessoas encenam fotos para o Snapchat, Facebook, Instagram ou outras mídias sociais. Quem viaja por este país pode observar como crianças de um ano posam para foto quando avistam uma câmera. Elas vivenciam adolescentes que, aos sábados, não conversam uns com os outros no bar, mas ficam lado a lado, posando para as fotos que vão diretamente para a internet.

A realidade está se transformando em um palco para a encenação de uma vida que muitas vezes não condiz com a realidade. Há estudos que mostram que, para muitos, a visita ao restaurante, a caminhada na praia, o jantar de família só é "vivenciado" quando as fotos e videoclipes são postados na internet. E isso serve até mesmo para o memorial diante da delegacia de polícia em Dallas, onde as pessoas só começaram a soluçar e se abraçar quando uma câmera foi apontada para elas.

Donald Trump aposta na realidade encenada, incluindo os castelos do sonho em seus campos de golfe, as torneiras de ouro na Trump Tower, a cor artificial do rosto e o cabelo falso. Ele tem que fazê-lo porque lhe falta substância. Ele pode fazê-lo porque aprendeu cedo a seduzir as pessoas. E ele tem tanto sucesso porque muitos preferem sonhar com um mundo passado a trabalhar para um futuro.
 
Fonte:  http://m.dw.com/pt/opini%C3%A3o-estados-unidos-um-pa%C3%ADs-%C3%A0-beira-da-desintegra%C3%A7%C3%A3o/a-19408156

quarta-feira, 27 de março de 2013

Caso Feliciano expõe poder da religião na política nacional

Bancada religiosa representa um quinto do Congresso e se une para conter o avanço de pautas como aborto, drogas, direitos das mulheres e de homossexuais. Postura leva a questionamentos sobre real laicidade do Estado.

A controversa escolha do deputado federal Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara não é um fato isolado. Ela expõe, segundo especialistas, a consolidação do poder político das religiões no Brasil, sobretudo da evangélica, que cada vez mais direciona forças para impor sua agenda.

Os parlamentares ligados a instituições religiosas já representam um quinto do Congresso. Em 20 anos, o número de deputados federais e senadores evangélicos mais que triplicou – saltou de 23 em 1990 para 73 em 2010, perdendo hoje só para a bancada ruralista. E, com isso, os embates com grupos de direitos civis, pró-liberalização do aborto e das drogas, de direitos humanos e de defesa da laicização do Estado se intensificaram.

"Os católicos sempre foram hegemônicos no Brasil, você não precisava nem dizer que pertencia a essa religião. Mas, com o crescimento dos evangélicos, há um desequilíbrio nessa equação. A disputa foi para além dos limites do campo religioso, porque estar na política é garantir espaços privilegiados", destaca Christina Vital, professora de ciências sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Sob o pretexto de "proteger a família e a vida", os parlamentares das bancadas católica (22 congressistas) e evangélica deixam as diferenças de lado e chegam a trabalhar juntos para tentar conter o avanço de pautas como aborto, casamento homossexual e liberalização das drogas.

Mas os atuais esforços de hoje diferem da atuação após a redemocratização, quando parte do segmento católico e evangélico foi importante para o avanço dos direitos humanos e pautas da minoria, como temas ligados à terra, melhoria das condições de trabalho e dos direitos cidadãos. Os assuntos, no entanto, não afetavam a reprodução e a sexualidade.

E as alianças formadas pelas bancadas religiosas têm grande poder de ramificação. Como exemplo, a Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Preservação da Família, que une católicos, evangélicos e outros políticos de alguma forma ligados a esses preceitos, conta com 192 parlamentares (40% do Congresso).

"Não são somente eles que são conservadores. Eles vocalizam boa parte do que a população brasileira pensa sobre aborto, direitos das mulheres e de homossexuais", diz Vital.

Frank Usarski, professor de ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), diz que, em comparação com a Alemanha, por exemplo, o pluralismo das forças religiosas é menor no Brasil, porém a influência da religião é maior. "O enraizamento das igrejas na consciência e na realidade social dos brasileiros é maior", afirma o especialista alemão.

Estado laico

E, dessa forma, as religiões ameaçam o Estado laico brasileiro, como alerta o livro Religião e política: uma análise da atuação de parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e de LGBTs no Brasil. O estudo, de autoria dos pesquisadores Christina Vital e Paulo Victor Leite Lopes, é fruto da parceria entre a Fundação Heinrich Böll no Brasil e o Instituto de Estudos da Religião (Iser).

Nele, os autores descrevem o avanço dos evangélicos na política na década de 1980 e dizem que essa movimentação no campo político-religioso pelos evangélicos "introduziu um empowerment de diferentes tradições religiosas". Dessa forma, diz o texto, as igrejas passaram a reivindicar um lugar para si a fim de ampliarem a influência de suas denominações, tradições e valores.

Cerca de metade dos deputados pentecostais é composta por pastores, cantores gospel e parentes de líderes de igrejas, tele-evangelistas e donos de emissoras de rádio e TV. E, para serem eleitos, eles dependem do apoio eleitoral de pastores e líderes das igrejas.

"Essa dependência reforça o caráter corporativista e moralista de seus mandatos e seu compromisso de atuarem como despachantes de igreja", opina Ricardo Mariano, professor de sociologia da PUC do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em artigo recentemente publicado pela Revista de História.

Mas um equilibro das forças, mesmo que religiosas, é bem visto no palco político nacional. "É bom que diminua o poder dos católicos, mas que não se substitua um equívoco por outro – que seria a luta de algumas religiões evangélicas contra a predominância católica", destaca Ubirajara Calmon, professor aposentado de ética e teologia da Universidade de Brasília (UnB).

Luta pelo poder

Mas os evangélicos não são os primeiros a inaugurar a relação entre Estado e religião. O Brasil se tornou formalmente laico a partir da primeira Constituição Republicana, em 1891, "mas a igreja Católica sempre fez esforço ao longo desse período para garantir presença no Estado público", destaca Vital.

Como exemplo, está a introdução na Constituição de 1934 da obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas brasileiras e o acordo Brasil-Santa Sé aprovado em 2009 – que dá mais direitos à Igreja Católica em território nacional e recebeu na época críticas de organizações não governamentais e até mesmo do Ministério da Educação.

Para Vital, a questão da laicidade do Brasil é embaralhada, até mesmo pela abrangência do termo. Ela cita, por exemplo, o fato de não existir contribuição direta do imposto de renda para instituições religiosas, como acontece em alguns países da Europa.

"Por esse lado, o Estado é laico. Mas, por outro, se laicidade não é a presença da religião ou não ter a interlocução da religião com o segmento político, aí o Brasil não é laico. No Brasil, há uma enorme presença do elemento religioso no espaço público", concluiu.

DW.DE

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domingo, 17 de junho de 2012

A AURORA DOURADA DOS NEONAZISTAS GREGOS

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Uma tarde no bairro controlado pelos neonazistas em Atenas

Os brutamontes da extrema-direita da Aurora Dourada se encarregaram de semear a ordem segundo seus costumes : zero imigração africana ou magrebina, zero moradores de rua, zero pichações. Não voa uma mosca sem que eles cortem suas asas. Seu reinado se estende desde a Praça Ática até Agios Panteleimonas. A Aurora Dourada fez de Agios Panteleimonas seu trampolim de conquista. Irrompeu no bairro em 2009 e em 2012 já obteve o melhor resultado eleitoral de sua história (15%). O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Atenas.

Eduardo Febbro, direto de Atenas para CM

Atenas - O crepúsculo está em calma. A Aurora Dourada vela pela ordem nesta área central de Atenas onde não restou nem um imigrante nem um indigente das redondezas. A extrema direita grega e seus brutamontes de poucas palavras fizeram do bairro de Agios Panteleimonas (a igreja ortodoxa) seu sítio privado. « É preciso colocar minas terrestres nas fronteiras para que os imigrantes não entrem », diz um tipo enorme que não dá seu nome porque não quer. Mas diz sem rodeios : « tem cara de esquerdista, como teu governo », diz em tom de ameaça.

Houve uma época em que este perímetro de Atenas era um bairro popular, com crianças que jogavam nas ruas e garantiam uma barulhenta desordem. Já não é mais assim. Os brutamontes da extrema-direita da Aurora Dourada se encarregaram de semear a ordem segundo seus costumes : zero imigração africana ou magrebina, zero moradores de rua, zero pichações. Não voa uma mosca sem que eles cortem suas asas.

Seu reinado se estende desde a Praça Ática até Agios Panteleimonas. O número 52 da rua Aristomenus ainda carrega as marcas da ação da Aurora Dourada. Em 2010, os valentões do partido de Nikos Michaloliakos queimaram o local onde os imigrantes muçulmanos vinham rezar. A polícia não abriu nenhuma investigação e nenhum vizinho protestou. Esta é a terra da Aurora. Terra grega, como demonstra o ondulante silêncio das bandeiras com as cores nacionais que tremulam nas sacadas.

A Aurora Dourada obteve nas eleições de maio passado seu melhor resultado : 15% dos votos, o dobro. « Tenham medo, já chegamos », disse Nikos Michaloliakos no dia seguinte. A metodologia dos músculos deu seus frutos. A Aurora Dourada fez de Agios Panteleimonas seu trampolim de conquista. Irrompeu no bairro em 2009 e em 2012 já conseguiu o melhor resultado eleitoral de sua história. Os estrangeiros que ocupavam a zona ou dormiam na esplanada da igreja foram expulsos a golpes. Imigrantes, judeus, maçons, todos são inimigos da nação para este partido fundado por Michaloliakos nos anos 80, logo depois de ter saído da prisão onde cumpriu uma pena (várias na realidade) por atividades subversivas e violência. De modo similar a outros movimentos europeus de ultra-direita, a Aurora Dourada cresceu sob o tema da imigração.

Em frente da igreja Agios Panteleimonas há um bar de onde os agentes da Alba vigiam a praça. É o seu reino. Os ultras chegaram a ordenar até o fechamento da praça de esportes de Agios Panteleimonas. Por quê ? « Vê-se que você não vive aqui, por isso pergunta essas coisas : porque os negros e os romenos sujos vinham dormir aqui e sujar a praça », disse Kostas, um morador local com claras simpatias pela Alba. A polícia do bairro não interviu. Ela depositou a autoridade nas mãos dos neonazistas. A Grécia tem uma população de 11 milhões de habitantes e há um milhão de imigrantes. Um de cada quatro policiais votou pela Aurora Dourada nas últimas eleições.

Tudo aconteceu muito rápido para os gregos. Em apenas uma década : o euro, a falsa riqueza, os créditos fáceis, a imigração, a crise e o abismo. Muitos analistas e militantes anti-racistas pensam que o voto a favor dos neonazistas reflete o medo e a incompreensão, muito mais do que uma ideologia.

Como em todas as partes, Áttica e Agios Panteleimonas têm um anjo : Thanassis Kurkulas, responsável por uma ONG que luta contra o racismo instalada no bairro há cinco anos, Deport Racism. Kurkulas reconhece o perigo que representaria a Aurora Dourada repetir neste domingo os votos de maio passado e ingressar no Parlamento (o que surgiu em 6 de maio nunca se reuniu pelo fracasso em constituir uma maioria de governo). Mas também reconhece que « o imã dos neonazistas é forte : falam contra a Comissão de Bruxelas e contra os imigrantes e isso atrai votos, mas não são votos realmente ideológicos ». A situação é psicodélica : Atenas tem um bairro inteiro onde a autoridade pública, a segurança, é assumida por um partido político e não pelas forças da ordem. Polícia ideológica, sem controle algum. A exibição de músculos dos « agentes » da Aurora Dourada mostra que bem que não se trata de uma encenação ou aparência. Eles pegam, Maltratam. Insultam. Agridem. Estado débil, milícia forte.

Os vizinhos de Attica ou de Agios Panteleimonas que não aprovam esses métodos têm demasiado medo para intervir. « Seja como for, é inútil. Há uma clara cumplicidade do Estado », diz Vassilis, um morador da rua Aristomenus. O homem recorda que só uma das centenas de agressões ocorridas nos últimos anos deu lugar a um processo. Silêncio. « A delegacia do bairro não tem nem como pagar a luz. Se não estivéssemos nas ruas, isso seria pior que o inferno », diz Kostas.

As histórias se cruzam nestas ruas com extrema violência. A Grécia padeceu ao extremo sob as garras do nazismo mas hoje vota em mais de 7% em um partido abertamente neonazista. A extrema-direita se alimenta da crise. Em 2010, quando a Grécia já estava em um precipício, Nikos Michaloliakos ganhou um posto de conselheiro municipal de Atenas. Um ano mais trade foi filmado fazendo a saudação nazista, o que lhe valeu o apelido de « Führer ». Ninguém sabe ao certo se as reivindicações de Hitler na televisão ou os excessos cometidos pelos dirigentes da Aurora Dourada depois do resultado de maio passado incrementaram ou, pelo contrário, baixaram seu caudal de votos.

Dimitir Psarras, um respeitado jornalista grego especialista no tema da extrema-direita – ele vive, aliás, no bairro dos extremistas – lembra que « parece não haver vacina contra o passado ». No essencial, Psarras constata que, como em outros países do Velho Continente, o esquecimento apagou o rosto dos neonazistas para instalá-los no presente com o estatuto de atores políticos determinantes. Dimitri Psarras conhece bem o tema. É autor de uma biografia de Georgios Karatzaferis, o líder de outro partido de extrema direita, LAOS, e há alguns anos revelou como uma juíza da Corte Suprema alimentava um blog violentamente antisemita com um pseudônimo. Segundo Psarras, a extrema-direita faz pesar uma espada de Damocles sobre as sociedades : « com eles sempre se corre o mesmo perigo ». Despertam e alimentam os piores instintos. Além disso, obrigam os demais partidos a adotar os temas da extrema-direita e, quando a crise chega ao máximo, oferece soluções fáceis para pessoas que perderam completamente o rumo ».

O bairro de Agios Panteleimonas encontrou o seu com o timão da Aurora Dourada. Ofereceu segurança a cidadãos temerosos e a impôs prontamente. A noite cai suavemente, O vento é cálido, convida a um passeio distraído. Mas cada vez há menos siluetas nas ruas. Em algumas zonas do bairro, para caminhar à noite é preciso pedir permissão, peguntar com educação e agradecer com respeito.

Tradução: Katarina Peixoto

segunda-feira, 21 de maio de 2012

IMIGRAÇÃO ALEMÃ (SEMELHANÇAS COM O BRASIL NÃO SÃO COINCIDÊNCIAS)

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Alemania ante el espejo de la emigración 

Àngel Ferrero · · · · · 

«Vienen a quitarnos el trabajo», «hay demasiados», «no se integran»... Todo esto se lo he oído decir a los alemanes de los turcos, rusos y españoles, a los españoles de los latinoamericanos, rumanos y árabes y a los árabes de los africanos. La inmigración es las más de las veces una matrioshka donde siempre hay alguien por debajo de ti. O por encima. Que se lo pregunten a los alemanes, que desde hace unas semanas se llevan las manos a la cabeza con las declaraciones de Natalie Rickli, una destacada político del Partido Popular Suizo (SVP). En una cadena de televisión local, Rickli se quejó de que en Suiza hay demasiados alemanes. Ya antes se había descolgado en el diario Sonntags-Blick afirmando que «cuando en las montañas suizas hay solamente Serviertöchter (camareras) alemanas y médicos alemanes que sólo atienden a pacientes alemanes, entonces dejo de sentirme como si estuviera en mi propio país.» Según Rickli, los inmigrantes alemanes suponen una carga para el estado y la sociedad suiza en todos sus aspectos –desde el mercado laboral, las escuelas y las universidades hasta el transporte público y los alquileres– y no sólo desplazan de sus puestos de trabajo a los trabajadores autóctonos, sino también a los en Suiza estimados trabajadores croatas o serbios. «Quien, como alemán, quiera saber qué siente un trabajador emigrante al no ser bien recibido en el extranjero, debería mudarse a Suiza», escribe el respetable semanario Spiegel, y añade: «para ser más exactos, a la zona germanoparlante del país. Allí un nada desdeñable 36% de la población opina que en su hermosa república alpina viven demasiados alemanes.» [1]

Estos trabajadores alemanes que hacen sus maletas para marcharse a Suiza lo hacen buscando, como todos, mejores salarios y condiciones laborales. Son la razón inmediata, probablemente por delante de las tendencias demográficas del país, de la cacareada carencia de mano de obra cualificada que ha atraído en los últimos dos años a miles de ciudadanos españoles, griegos e italianos a Alemania. El empobrecimiento de los países del sur de Europa y Europa oriental, que tensa las relaciones europeas entre centro y periferia, ha servido en última instancia para crear un enorme ejército industrial de reserva dispuesto a aceptar los puestos de trabajo que no quieren desempeñar los alemanes y a hacerlo tanto por peores condiciones laborales –salarios más bajos a cambio de jornadas de trabajo más largas– como por la ausencia, en la práctica, de toda protección sindical.[2] Peor todavía: si los alemanes se ven forzados algún día a retornar de Austria o de Suiza no sólo se encontrarán con que sus anteriores plazas de trabajo han sido ocupadas por otros, sino con un mercado laboral mucho más deteriorado. ¿Y qué lección han aprendido los alemanes de todo esto? Pues absolutamente ninguna. Los alemanes del Este no reciben más que varazos de sus compatriotas del Oeste –el último, el cierre de varias fábricas productoras de placas solares en Mecklemburgo-Pomerania Occidental, que ha devuelto a la región a una segunda desindustrialización– y una vez más hacen las maletas para encontrar mejor suerte en el Oeste, en lo que supone un flujo migratorio interno silencioso, pero constante. Suficiente tienen con lo suyo como para protestar por los demás. Si éste es el trato entre alemanes, ¿qué les cabe esperar a los extranjeros? Éste es el Modell Deutschland para Europa, versión 2012: a este retorno a la extracción de plusvalía absoluta más cruda, sostenido por un ejército industrial de reserva constantemente desplazándose por Europa –lo que obstaculiza, por supuesto, toda unidad de los trabajadores–, con el que Alemania intenta mantener a toda costa su posición de nación exportadora frente a la creciente competencia de los países emergentes, se interponen sin embargo la complejidad del idioma y la falta de lo que los sociólogos alemanes dan en llamar “una cultura de bienvenida”, producto de la irregular historia del país. En Alemania un emigrante nunca se siente como en casa. Y quizá el objetivo sea precisamente ése: no por casualidad las autoridades de Alemania occidental acuñaron en la década de los cincuenta el término “Gastarbeiter”, que significa, literalmente, “trabajador invitado”. ¿Y qué invitado se queda a vivir para siempre en la casa de su anfitrión?

Si no se solventan estos problemas que se arrastran durante lustros, el resultado amenaza con ser explosivo. Por una parte, la creciente alienación de los países del sur de Europa del proyecto europeo, capitalizado por las élites franco-alemanas para su propio beneficio. Por la otra, una creciente división social en Alemania que viene acompañada de otra segregación, más peligrosa aún si cabe, de tipo racial, tanto en el ámbito educativo y laboral como en el urbano, con la aparición de barrios donde la población de inmigrantes pobres es ya mayoritaria. Y ya sabemos por lo ocurrido en el Reino Unido en los ochenta y en las banlieues francesas en los noventa adónde conducen estos polvorines sociales. La cosa sería ya grave si no fuera porque algunos partidos políticos comienzan a cosquillear peligrosamente la glándula del nacionalismo alemán buscando votos en un sistema de partidos cada vez más fraccionado. Y no sólo, como cabría esperar, la extrema derecha y los conservadores.[3] Entrevistado por el diario Bild, el socialdemócrata Peer Steinbrück se declaró en contra de la expulsión del partido de Thilo Sarrazin por sus tesis racistas basadas en teorías seudocientíficas –«aparte del último capítulo, apenas puede decirse nada en contra de la mayor parte del análisis de Sarrazin»– y añadió que quien emigre a Alemania «debe aportar con su cualificación una plusvalía y no ser una carga [para el Estado]» [4] Si de una virtud no carece Steinbrück ésa es la claridad de expresión. Peer Steinbrück, que fue ministro de Finanzas en el anterior gobierno de Merkel –«el multiculturalismo ha muerto», recuerden–, será probablemente el próximo candidato a la cancillería del SPD, un partido que, si no recuerdo mal, en una ocasión estuvo por algo así como el socialismo e incluso mucho antes por el socialismo sin más.

Alemania, ¿tierra de emigrantes?

Por eso acaso convenga recuperar un artículo de Michael Bodemann aparecido el otoño pasado en el Blätter für deutsche und internationale Politik sobre los emigrantes alemanes en Estados Unidos que mereció mayor atención y que es –o debería de ser– una llamada a la humildad. [5]

Como su autor recuerda al comienzo del artículo, en los siglo XVIII y XIX los alemanes llegaron a constituir en algunas zonas de los EE.UU. la comunidad de inmigrantes más numerosa, lo que generó el rechazo frontal de los colonos anglosajones. Así, a mediados de la década de los cincuenta del siglo XVIII, la administración y la iglesia de Pensilvania exigió –pero no consiguió– el establecimiento de matrimonios forzosos entre alemanes y anglosajones así como la prohibición de hablar el alemán en público. Los mismísimos Founding Fathers Thomas Jefferson y James Madison temían que la religión y el régimen absolutista del que procedían los alemanes acabase suponiendo una amenaza a la neonata república estadounidense. Benjamin Franklin fue más lejos todavía y afirmó en una carta que «quienes llegan hasta aquí son por lo general del tipo más ignaro y estúpido de su propia nación... y dado que pocos de los ingleses entienden el idioma alemán, no pueden dirigírseles desde la prensa o el púlpito, haciendo prácticamente imposible eliminar los prejuicios que pudieran ocuparles... No estando acostumbrados a la libertad, no saben hacer un uso modesto de la misma... Aún recuerdo cuando modestamente declinaron toda intromisión en nuestras elecciones, pero ahora llegan en masa, y traen a todos consigo, excepto en uno o dos condados... En pocas palabras, el flujo de su importación debería dirigirse de ésta a otras colonias, como Ud. juiciosamente propone, pues de lo contrario pronto nos superarán en número de tal modo que todas las ventajas que tenemos no seremos en mi opinión capaces de preservarlas, sea nuestro lenguaje, e incluso nuestro gobierno.» Y en otro lugar, y en tonos abiertamente racistas, se preguntaba: «Por qué Pensilvania, fundada por los ingleses, debería convertirse en una colonia de extranjeros, que dentro de poco serán tan numerosos que nos germanizarán en vez de anglificarlos nosotros a ellos, y que nunca adoptarán nuestro idioma y costumbres como no pueden adquirir nuestra complexión física. Lo que me lleva al siguiente comentario: que el número de gente puramente blanca en el mundo es proporcionalmente muy pequeño. Toda África es negra o morena (tawny). Asia principalmente morena. América (excluyendo a los recién llegados) también lo es por completo. Y en Europa, los españoles, italianos, franceses, rusos y suecos son por lo general lo que denominados de complexión atezada (swarthy); como también lo son los alemanes, con la salvedad de los sajones, quienes, junto con los ingleses, constituyen el cuerpo principal de gente blanca sobre la faz de la Tierra.» [6] Tal era el miedo a la presencia de los alemanes que, hasta el día de hoy, EE.UU. carece de lengua oficial, pues se temía que cualquier votación condujese a la victoria del alemán –un idioma que, por lo demás, unía a los inmigrantes alemanes, austriacos y suizos independientemente de su confesión religiosa (protestante, católica o judía)– por encima del inglés.

El primer flujo migratorio, del siglo XVII hasta 1815, se compuso de menonitas, huteritas y otras confesiones anabaptistas perseguidas en Europa, y dejó paso según Bodemann a un segundo período que se extiende desde el Congreso de Viena de 1815 hasta el comienzo de la Primera Guerra Mundial. Durante este período fueron los exiliados de la fracasada Revolución de marzo de 1848 quienes dejaron una mayor huella en los Estados Unidos. Los alemanes, escribe Bodemann, «se concentraban en “Little Germanies”, como ocurrió en Nueva York, Milkwaukee, Baltimore, St. Louis y Filadelfia. En Chicago, entre 1850 y 1914, entre el 25 y el 30% de la población era de origen alemán.»

Durante todo este espacio de tiempo los alemanes constituyeron lo que hoy se conoce como una “sociedad paralela”: «Los inmigrantes, también en la segunda generación, seguían hablando alemán, leyendo periódicos alemanes, llevando a sus hijos a escuelas alemanas, atendiendo misa en lengua alemana, celebrando festividades alemanas, acudiendo los fines de semana durante el verano a los Biergarten y en invierno consumían su tiempo, en una economía comunitaria, en sus propios clubes de caza, sociedades obreras o coros y teatros en lengua alemana.» Sus costumbres siguieron siendo durante mucho tiempo –por extraño que nos parezca ahora, cuando los conservadores creen haber fundido la diversidad cultural europea en las supuestas “raíces cristianas” (o incluso “judeocristianas”) de Europa– ajenas a la población estadounidense. Así, mientras para los puritanos era «el domingo un día de reflexión, de recogimiento en la parroquia y en el hogar, para los alemanes, independientemente de si eran protestantes, católicos o socialistas, era un día para pasar con la familia haciendo picnic o en los Biergärten, con cerveza y canciones.» Tanto rechazo generaban los alemanes que «la contratación de alemanes fue percibida como un signo de deslealtad en la joven nación de orientación anglosajona, y en algunos lugares se intentó por medio de la legislación obstaculizar la apertura y el funcionamiento de las escuelas alemanas.» Los alemanes fueron, junto a los irlandeses, el grupo étnico más discriminado en Estados Unidos. Una noticia del Christian Examiner de 1851 comenzaba con la siguiente advertencia apocalíptica: «dos razas han aparecido para desafiar el predominio de los ingleses […] hablamos por supuesto de los irlandeses y de los alemanes.»

La población anglosajona miraba con inquietud y desconfianza a los recién llegados. ¿Era su intención como súbditos del káiser fundar un imperium in imperio en los Estados Unidos? ¿O traían consigo algo todavía peor? Michael Bodemann recuerda que «en torno a 1850 [los alemanes] constituían más del 80% de la fuerza de trabajo, y aún en 1900 dos tercios de la misma.» De los ocho acusados en los sucesos de Haymarket en Chicago –el origen de la celebración del Primero de Mayo–, por ejemplo, seis eran de origen alemán y los carteles llamando a la manifestación se imprimieron en inglés y en alemán. El Chicago Tribune publicó la siguiente y reveladora crónica: «los más entusiastas de entre el público eran los alemanes. Entre sus filas había igualmente un enorme número de polacos y bohemios (Böhmisch), junto a personas de aspecto estadounidense que se acercaron a observar qué ocurría.» A lo que Bodemann comenta con acierto: «alemanes como participantes entusiastas, americanos como espectadores pasivos. Aquí vemos cómo se alza el dedo acusador que dice: “como inmigrantes no anglosajones estáis obligados a ateneros a las normas estadounidenses existentes, y vuestro socialismo no pertenece a ellas.»

Los germano-americanos fueron obligados a asimilarse por completo y renunciar a su identidad en la Primera Guerra Mundial, aprovechando las hostilidades con el Segundo Imperio que desataron una oleada de germanofobia por todo el país. Del sentimiento como tales –a diferencia de afroamericanos, asiático-americanos, etc.– no queda ni rastro. Pero por otra parte, su tradición cultural enriqueció la cultura estadounidense (cuyo melting pot es, sin duda, el producto más valioso): las icónicas hamburguesa y hot dog –o, si lo prefieren, frankfurts o wieners– son, como no es difícil deducir, de origen alemán, como lo son el abeto navideño o Santa Claus. Los alemanes trajeron consigo la cerveza, una bebida que favorece el consumo social frente al individualista whisky. «Hoy –concluye Bodemann– nos planteamos la cuestión de si el pasado germano-americano en la época de la Primera Guerra Mundial es un espejo de nuestro propio futuro en Alemania o si la sociedad alemana –como ocurrió, al menos parcialmente, en los Estados Unidos antes de la Primera Guerra Mundial– está dispuesta a seguir aceptando el multiculturalismo.»

Alemania se mira ante el espejo de la emigración y no se reconoce.

Notas:

[1] “Schweiz: SVP-Politikerin Rickli sieht Masse der Deutsche als Problem”, Spiegel, 29 de abril de 2012. [2] Jörn Boewe, “El nuevo ejército industrial de reserva”, Sin Permiso, 24 de julio de 2011. [3] A comienzos del mes de marzo la ministra Ursula von der Leyen anunciaba la exclusión de las ayudas Hartz-IV para los ciudadanos de 14 países de Europa, Noruega, Islandia y Turquía que no hayan trabajado en Alemania. Véase: “Arbeitsmarkt: Regierung will Hartz-IV für EU-Zuwanderer stoppen”, Spiegel, 9 de marzo de 2012; Rafael Poch, “Alemania se vacuna contra la emigración oportunista del sur de Europa”, La Vanguardia, 10 de marzo de 2012. [4] “Steinbrück gegen Auschluss von Sarrazin aus der SPD”, Bild, 10 de febrero de 2011. [5] Michael Bodemann, “Der deutsch-amerikanische Bindestrich. Eine Lektion in Multikulti aus der Geschichte der USA”, Blätter für deutsche und internationale Politik, n. 7/2011, 111-120. [6] “Ben Franklin on 'Stupid, Swarthy Germans'”, Dialog International, 5 de febrero de 2008.

Àngel Ferrero es miembro del Comité de Redacción de SinPermiso.


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quinta-feira, 17 de maio de 2012

"JUSTIÇA" NORTE-AMERICANA

Carlos de Luna (fonte da imagem AQUI)

Um professor da Faculdade de Direito de Colúmbia, nos Estados Unidos, James Liebman, e cinco de seus alunos, acreditam que a Justiça do Texas matou um inocente em 1989. Carlos DeLuna, foi executado com injeção letal no lugar de Carlos Hernandez, o verdadeiro assassino de Wanda Lopez, em fevereiro de 1983. A vítima era uma mãe solteira que foi esfaqueada em um posto de gasolina, onde trabalhava, na cidade de Corpus Christi, no Texas.

O caso se tornou emblemático para a Justiça americana porque deixou evidente o fracasso do sistema legal do país, aponta a pesquisa do professor. DeLuna, com 27 anos na época, foi executado após investigação incompleta. Os pesquisadores encontraram muitos erros, provas e oportunidades perdidas que deixariam evidente não só que ele não havia cometido o crime, mas que outro homem era o autor. James Liebman destacou, em um documento que acompanha o seu relatório de 780 páginas, que falhas análogas às que condenaram DeLuna continuam enviando ao corredor da morte muitos inocentes.

CP

Comentário do Blog: "Casualmente" DeLuna não era um WASP - "Branco, Anglo-Saxão e Protestante" (White, Anglo-Saxon and Protestant)...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Bagunça aumenta estereótipo


Psicólogos holandeses descobriram que pessoas tendem a ser mais preconceituosas em locais desordenados ou sujos

Quanto mais bagunçado um local, maior a tendência ao preconceito de seus frequentadores. Pode parecer que uma coisa não tenha nada a ver com a outra, mas a desordem gera preconceito,  segundo um estudo feito por dois psicólogos holandeses.

A dupla realizou dois experimentos de campo e três estudos de laboratório para chegar a esta conclusão. “De uma certa forma estávamos esperando os resultados que obtivemos, mas ficamos surpresos de ver que os efeitos são tão fortes e consistentes. Achávamos nossas ideias provocativas e arriscadas pois as pessoas não 'sentem' conscientemente a desordem ou ordem com as quais as confrontamos. Se você perguntar a elas se estão cientes do que a situação/ambiente faz com elas a resposta é não.”, explicou ao iG Diederik Stapel, um dos autores do estudo da Universidade de Tilburg, na Holanda.

O motivo do aumento do preconceito, de acordo com a pesquisa publicada por eles na edição desta quinta-feira do periódico Science, é que ambientes bagunçados desestabilizam as pessoas, levando-as a querer mais ordem. “Em situações ou ambientes que ficam, de repente, desordenados como crises econômicas ou terrorismo, as pessoas ficam temporariamente perturbadas e isto aumenta a necessidade de estrutura e consequentemente aumentam sua necessidade de estereótipos”, afirmou Stapel. E completou: “portanto em locais com maior incerteza, desordem, medo ou sensação de falta de controle, pessoas tendem a estereotipar mais [...] Acredito que estes efeitos são importantes e universais porque a necessidade de classificar, ordenar, estruturar e ser capaz de prever é uma das mais básicas e mais centrais do comportamento humano. Talvez mais importante e mais básica do que a necessidade de felicidade e auto-estima.”

Em um dos experimentos de campo, a dupla foi a uma estação de trem durante uma greve de lixeiros. Nela, que estava obviamente suja, os pesquisadores pediram a 40 viajantes para sentar no local e preencher um questionário sobre estereótipos. Perto delas, ficava uma pessoa de outra etnia. Ao repetir, o experimento com a estação estava limpa, Stapel e Siegwart Lindenberg, o outro autor do trabalho, descobriram que as pessoas se sentavam mais longe do “estranho” quando o local estava sujo.

Posteriormente, a dupla fez um experimento semelhante na rua perguntando a 47 pessoas que passavam sobre seus esterótipos e pedindo que doassem para uma entidade chamada “Dinheiro para as Minorias” em dois dias diferentes. No primeiro, um carro estava parado em cima do meio fio, havia uma bicicleta no chão e o o chão da calçada estava quebrado. No dia seguinte, tudo estava perfeitamente arrumado. O resultado foi semelhante ao da estação de trem. As pessoas discriminavam mais e doavam menos quando o local estava bagunçado.

Já no laboratório, a dupla realizou ainda mais três experimentos que confirmaram os testes de campo. Ou seja: seres humanos precisam de ordem. “Isto é baseado na ideia existencialista de que, no final das contas, a vida é um absurdo e muitas coisas ocorrem ao acaso. As pessoas não conseguem lidar com essa situação pois querem sentido, ordem, capacidade de prever. Elas querem que a vida seja previsível porque caso contrário é difícil viver -- por que você subiria em um avião ou em um carro se não tem certeza que o céu não vai cair, que o avião não vai bater ou que o carro não vai bater em uma árvore? No final, todos nós, em maior ou menor grau, precisamos de ordem porque ela torna a vida manejável”, pontuou Staepel.

Autor: Alessandro Greco
Fonte: IG São Paulo

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

ITÁLIA DE BERLUSCONI


Balotelli, da Inter de Milão, diz estar farto de ofensas

ROMA (Reuters) - O atacante da Inter de Milão, Mario Balotelli, está farto das ofensas e abusos que escuta. O jogador de 19 anos, negro, tem sido alvo de insultos racistas por torcedores da Juventus e na semana passada temia-se que o jogo entre as duas equipes fosse suspenso.

A torcida da Juve, que em grande parte se comportou bem na vitória de 2 x 1 sobre a Inter, argumenta que os gritos eram contra o atacante por ele ser adversário, e não por sua cor.

"Deixo toda conversa sobre mim para trás, apesar de algumas vezes querer dizer: me deixem em paz, me deixem viver", disse o jogador segundo o La Gazzetta dello Sport.

"Depois de um tempo você se enche. Não dá para ler as mesmas coisas, quase sempre negativas, todos dia".

O talento de Balotelli ficou evidente na quarta-feira, quando a Inter se classficou para a fase eliminatória da Liga dos Campeões depois da vitória por 2 x 0 sobre o Rubin Kazan.

(Reportagem de Paul Virgo)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Síria e Líbano chamam de "racista" discurso de Netanyahu

Netanyahu:

Síria e Líbano criticaram nesta segunda-feira o discurso feito neste domingo pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o qual qualificaram de "racista" e "perigoso", respectivamente.

Uma fonte oficial síria citada pela agência estatal Sana disse que a posição anunciada neste domingo por Netanyahu constitui "uma rejeição clara" às exigências que poderiam levar à paz no Oriente Médio, baseadas nas resoluções internacionais e na Conferência de Madri (1991).

Netanyahu, que se dirigiu à opinião pública a partir de uma tribuna em uma universidade de Tel Aviv, disse que Israel só aceitaria um Estado palestino "desmilitarizado" e que reconheça a natureza judaica de Israel e Jerusalém como capital indivisível desta entidade hebréia.

Além disso, destacou que o problema dos quatro milhões de refugiados palestinos "deve ser resolvido fora das fronteiras de Israel".

Segundo a fonte, as condições, impostas por Netanyahu, refletem "atitudes racistas", esvaziam a paz de conteúdo e privam os palestinos de direitos, como o de retorno dos refugiados.

Em consequência, a fonte ressaltou que a Síria acredita que Israel não está disposto a alcançar a paz e pede à comunidade internacional, principalmente aos Estados Unidos, que pressionem o Estado judeu para que coloque fim aos assentamentos, levante o bloqueio sobre Gaza, e aplique as resoluções internacionais.

Já o presidente do Líbano, Michel Suleiman, qualificou hoje as palavras de Netanyahu como muito perigosas e de tentativa de "destruir o processo de paz", informaram os meios de comunicação do Líbano.

Para Suleiman, os planos israelenses "afetarão, de modo negativo, os esforços para encontrar uma solução ao problema do Oriente Médio".

O chefe de Estado libanês pediu aos líderes da região para "se unir e proteger o povo (palestino) para que possa resistir" e reiterou que a iniciativa árabe de paz, lançada em 2002 em Beirute, constitui "uma oportunidade para garantir uma solução justa e duradoura" ao conflito.

A iniciativa propõe a paz em troca da devolução dos territórios ocupados por Israel em 1967, ou seja, Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental e as Colinas do Golã sírios, além do reconhecimento do direito de retorno dos refugiados palestinos, como estipula a resolução 194 do Conselho de Segurança da ONU.

EFE PARA TERRA

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ban Ki Mun critica las ausencias en la conferencia de la ONU sobre racismo y se reúne con Ahmadineyad


Ginebra. (EFE).- El secretario general de Naciones Unidas, Ban Ki Mun, lamenta "profundamente" el boicot de nueve países a la Conferencia sobre Racismo de Naciones Unidas y afirmó que el borrador del documento adoptado por consenso es "equilibrado".

Ban Ki Mun se reunió con el presidente iraní, Mahmud Ahmadineyad, en el Palacio de Naciones de Ginebra. Coincidiendo con el encuentro, la oficina del secretario general de la ONU emitió una declaración de éste con ocasión de la próxima celebración del Día del Holocausto, en la que Ban condena la negación de la matanza de judíos por parte de los nazis y su relativización.

Ahmadineyad es el único jefe de Estado que asiste a este foro, y tiene previsto intervenir esta tarde. La presencia de Ahmadineyad ha causado la indignación de Israel, que ha llamado a consultas a su embajador en Berna en protesta por la entrevista que mantuvo anoche el presidente suizo, Hans-Rudolf Merz, con su homólogo iraní.

Ban inauguró esta mañana la Conferencia de Revisión sobre Racismo, Xenofobia e Intolerancia, que boicotean Israel, Estados Unidos, Alemania, Canadá, Italia, Holanda, Polonia, Nueva Zelanda y Australia porque temen que pueda convertirse en un foro antisemita, como denuncian que ocurrió en la primera reunión celebrada en la ciudad sudafricana de Durban hace ocho años, cuando se acusó a Israel de ser un "estado racista".

El Gobierno alemán dijo tras el arranque de la conferencia que se reserva el derecho de sumarse a la discusión final si observa un "desarrollo positivo".

"El documento es muy equilibrado y establece un marco concreto de acción en una campaña global en busca de la justicia para las víctimas del racismo en el mundo", dijo Ban respecto al texto aprobado por consenso el viernes tras arduas negociaciones.

El documento, borrador y base para la declaración oficial que debe ser aprobada durante la conferencia, no hace referencia a Israel, ni tampoco a los territorios palestinos ocupados, pero sí hace mención al Holocausto y a la necesidad de no olvidarlo.

"Soñamos con ir en una nueva dirección, pero muchos se aferran al pasado. Hablamos de buscar una nueva unidad, como los tiempos demandan, pero seguimos débiles y divididos; hablamos de tolerancia y respeto mutuo, pero señalamos con el dedo y realizamos las mismas acusaciones hoy que hace años, sino décadas", declaró Ban.

El secretario general de la ONU pidió a todos los países "que vean la conferencia como el inicio y no el final de un proceso", y reiteró su llamamiento para que todos los países participen. "A menos que participen, sus opiniones no podrán ser escuchadas o tomadas en cuenta", subrayó.

La Vanguardia

Nota do Blog: É uma posição esperada desses países que boicotam. Têm medo de enfrentar a discussão dos crimes que Israel cometeu em Gaza no início de 2009.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

1 chimpanzé violento morto na 2a feira, Murdoch e Obama


Politicos, lideres religiosos e leitores protestaram ontem contra uma charge do New York Post comparando o presidente Obama a um macaco. A ilustraçao saiu na pagina 12 do jornal - mostra um chimpanzé abatido a tiros por 2 policiais. Um dos guardas diz ao colega que atirou - "Eles vao ter que encontrar outra pessoa para redigir a proxima lei de estímulo econômico". A charge seria uma referência a um caso real - um chimpanze violento tinha sido morto na 2a feira. Na pagina anterior à ilustracao, no entanto, o tabloide publicou uma foto de Obama assinando a lei de estimulo à economia - veja as duas imagens abaixo. O blog City Room, do New York Times diz que os telefones na redaçao do jornal nao pararam de tocar. E ouviu de uma fonte interna que a equipe do NY Post ficou abatida com a publicaçao da charge. O New York Post faz parte do grupo News Corp, de Rupert Murdoch, dono também da conservadora Fox News.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Aumentam na Alemanha delitos motivados por extremismo de direita


Deutsche Welle

O número de delitos motivados pelo extremismo de direita na Alemanha aumentou nitidamente no ano passado. De acordo com dados provisórios confirmados pelo Ministério do Interior, nesta terça-feira (17/02), em Berlim, 14 mil crimes desse gênero foram registrados em 2008. No ano anterior, a estimativa provisória ainda apontava 11 mil delitos.

De acordo com o portal de notícias tagesschau.de, os números relativos a 2008 atingem um nível recorde. Os dados ainda poderão variar até a divulgação dos resultados definitivos, prevista para abril ou maio próximos, conforme comunicou um porta-voz do Ministério.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Casar com muçulmanos pode ser um «monte de sarilhos», diz Dom José Policarpo

LISBOA:

Dom José Policarpo advertiu as jovens portuguesas que casar com muçulmanos pode causar uma carga de sarilhos. O Cardeal Patriarca de Lisboa diz que «nem Ala sabe onde acabam os problemas».

Casar com muçulmanos pode causar «um monte de sarilhos». Uma declaração que surpreendeu o auditório do Casino da Figueira da Foz. O Cardeal Patriarca de Lisboa deixa o alerta para as jovens portuguesas.

«Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Ala sabe onde acabam», salienta.

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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Arroz, feijão e chumbo

Patchogue:

Lucas Mendes
De Nova York para a BBC Brasil

Patchogue é um destas pequenas, antigas e charmosas cidades de Long Island, à beira-mar, sem maiores distinções. Foi tema de um romance - Going to Patchogue, de Thomas McGonigle - na década de noventa, e onde morou o sobrinho e ultimo descendente de Hitler, William Patrick Hitler.

Nos últimos 20 anos, Patchogue cresceu, prosperou e atraiu milhares de latinos de vários países. Hoje representam 24% dos quase 12 mil habitantes. Em 1990, eram pouco mais do que 10%.

Há três semanas, Patchogue está em destaque nos noticiários porque foi cenário de um crime inédito na região: assassinato por ódio racial.

A vítima foi Marcelo Lucero, um trabalhador equatoriano, de 37 anos, sem nenhum antecedente de crime ou violência. Veio para os Estados Unidos há 18 anos para sustentar a mãe, Rosario, que tinha câncer. Ele trabalhava numa lavanderia e dividia um quarto com outros latinos, inclusive um irmão.

Os suspeitos são sete, mas o autor da facada fatal foi Jeffrey Conroy, de 17 anos, um atleta querido na escola onde se destacava nos times de futebol, luta livre e lacrosse.

Há um outro esporte favorito entre os jovens de Patchogue: caçar latinos, "beaner hunting" ou "beaner jumping", é a expressão que eles usam.

"Beaners" é o apelido dos latinos, porque comem arroz com feijão. Os jovens disparam armas de ar comprimido quando os latinos estão saindo de suas casas para o trabalho. Ou cercam e espancam suas vítimas.

Naquela madrugada do dia 8 de novembro, dois deles já tinham enchido Marlon Garcia de chumbinhos. À noite, Jeffrey Conroy e seis amigos bebiam cerveja num parque e decidiram sair para mais uma caçada. Pouco antes de meia-noite encontraram duas vítimas: Angel Loja e Marcelo Lucero.

Depois de levar muita pancada, Angel conseguiu escapar, mas Marcelo, cercado, decidiu se defender com o cinto. Jeffrey Conroy levou uma fivelada. Enfurecido puxou uma faca e enfiou no peito de Marcelo. A polícia, alertada por Angel, em poucos minutos prendeu os sete, mas já era tarde para Marcelo.

No mesmo dia que o corpo dele estava chegando no vilarejo de Gualeceo, no Equador, os sete jovens estavam algemados diante de um juiz. Todos se declaram inocentes, mas o juiz estabeleceu fiança de 500 mil dólares para cinco e negou fiança para Jeffrey Conroy e outro que estava solto sob fiança.

O crime é ainda mais chocante porque dois dos seis agressores são latinos e Jeffrey Conroy tem amigos de varias etnias. Colegas de escola, latinos e negros, se referem a ele com afeto, admiração e até gratidão. O pai dele, aposentado, e também muito querido, criou clubes na cidade para incentivar a aproximação de jovens.

Neste momento milhares de latinos estão a caminho de volta aos seus países de origem por falta de emprego, perseguição da imigração ou violência como a de Patchogue, mas neste caso a morte de Marcelo pode representar o fim das hostilidades aos latinos.

O crime sacudiu não só a cidade como toda região. Long Island, com uma população de sete milhões e meio, quase igual à de Nova York, é a maior ilha do país e a 17ª maior do mundo. Além de ser dormitório de milhões de empregados de Manhattan, é famosa pela sua história, suas casas de praia milionárias - os Hamptons- suas assombrações e crimes, mas pela primeira vez, em quase 400 anos, alguém é indiciado por assassinato racial. Jeffrey Conroy talvez nunca mais saia da prisão.

Marcelo pagou com a vida e milhares de latinos sofreram, mas daqui por diante o arroz com feijão virá sem chumbo.