Mostrando postagens com marcador Europa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Europa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

A longa história das relações entre a Rússia e a Ucrânia

 


Por Antonio João Dias Prestes


1) O início da nação russa, incluindo a sua conversão ao cristianismo ortodoxo, se deu no principado de Kiev, sob a dinastia de origem escandinava (varegos) dos Ruríkidas, no século X d.C.


2) No início do século XIII toda a área deste primeiro estado russo e ucraniano foi conquistado pelo Império Mongol, e a maior parte destes povos/territórios/principados permaneceu sob a suserania dos mongóis (tártaros), de credo muçulmano, até finais do século XV.


3) A partir de meados do século XIII, o núcleo de um futuro Estado russo começou a se desenvolver, sob o comando de príncipes ruríquidas, em torno da cidade de Moscou, consolidando sua força ao enfrentar os suecos, os cavaleiros teutônicos (alemães), os bálticos e os próprios tártaros, expandindo-se rumo ao norte, oeste e sudeste, culminando, já no século XVI, com a proclamação do Império (com a adoção do título de czar), a “Terceira Roma”.


4) Enquanto isso, a maior parte do atual território da Ucrânia passou ao poder do Estado/Reino/Comunidade Polaco-Lituana, que teve o seu auge durante o século XVII, quando chegaram, inclusive, a ocupar Moscou por alguns anos, durante a crise sucessória da Rússia.


5) Ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX, já sob a nova casa imperial dos Romanov, o Império Russo teve uma expansão política e territorial extraordinária, chegando à costa do Pacífico, e reconquistando áreas que pertenceram ao Estado Polaco-Lituano e ao Império Turco Otomano, entre estes a maior parte da atual Ucrânia, incluindo a Península da Criméia.


6) Com a Revolução Russa, e, logo em seguida, Soviética (Comunista/Bolchevique), de 1917, o Estado Russo se viu forçado a fazer um armistício com o Império Alemão, cedendo a este e à recém recriada Polônia vastos territórios, entre os quais o da Ucrânia, no qual veio a se criar um Estado-satélite das Potências Centrais (Alemanha e Áustria-Hungria).


7) Com a derrota alemã ao fim da I Guerra Mundial, e com a vitória da Rússia Soviética na Guerra Civil contra os “russos brancos” (anticomunistas de várias tendências), apoiados pelas potências do Ocidente, foi constituída a União Soviética, em 1921, sendo a Ucrânia integrada como uma de suas 15 repúblicas comunistas soviéticas.


8) Com a ascensão de Joseph Stalin, o fim da gradualista NEP (Nova Política Econômica), instituída por Vladimir Lenin, para uma transição rumo ao comunismo, ocorreram as grandes coletivizações forçadas, com o extermínio dos camponeses prósperos e a grande fome decorrente, que afetou, com milhões de mortes, em especial a região da Ucrânia, no que ficou conhecido como o “Holodomor”.


9) A invasão da União Soviética pela Alemanha nazista, na II Guerra Mundial, em 1941, teve um apoio inicial por uma parcela dos ucranianos, o qual, salvo exceções muito pontuais, foi logo abandonado, devido à selvageria generalizada praticada pelos nazistas contra todos os eslavos e judeus, e a grande parte dos ucranianos se juntou aos russos e demais povos da URSS, na chamada Grande Guerra Patriótica, que culminou com a ocupação de Berlim e de quase todo o Leste Europeu pelos soviéticos, em 1945.


10) Com a morte de Stalin e a ascensão de Nikita Krushev, a Criméia foi cedida por Moscou à RSS da Ucrânia, embora sendo, assim como boa parte do leste ucraniano, habitada por russos étnicos.


11) A dissolução da União Soviética, ao final de 1991, foi precipitada pela declaração de independência da RSS da Ucrânia, embora a própria Federação Russa, liderada pelo (supunha-se) esquerdista Boris Yeltsin, também tenha optado por se desligar da URSS.


12) Com o fim da URSS, houve um acordo entre a Rússia, a Ucrânia e o Cazaquistão, as três únicas repúblicas soviéticas que detinham em seus territórios armas nucleares, para que as duas últimas cedessem seus arsenais nucleares à Rússia.


13) Ao contrário do que havia sido acordado, em 1990, nas negociações para a reunificação da Alemanha, a OTAN, sob a liderança dos Estados Unidos, incorporou ao seu pacto militar todos os Estados do antigo Pacto de Varsóvia, incluindo os três países bálticos, que fizeram parte do Império Russo, e, entre 1940 e 1991, da própria URSS, mas não a Finlândia, que permaneceu um Estado neutro.


14) Durante a última década, a Ucrânia passou a ser governada por lideranças pró-Ocidente, que incluíram na sua Constituição a promessa de incorporação do país à União Europeia e à OTAN. A Rússia, por sua vez, reanexou a Crimeia e estimulou os movimentos separatistas russos no leste da Ucrânia.


Salvador, BA, 21/02/2022.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

TEMA DE MEDITAÇÃO PARA VENDEDORES AMBULANTES DE TODO O PLANETA

 

 



Porque a Rússia está a enlouquecer o ocidente. 


Por Pepe Escobar.


Eurásia. Os historiadores do futuro podem registrar este dia como aquele em que o geralmente imperturbável ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, decidiu que estava farto:

Estamos a habituar-nos ao fato de a União Europeia tentar impor restrições unilaterais, restrições ilegítimas e, nesta fase, partimos do pressuposto de que a União Europeia é um parceiro não confiável.

Josep Borrell, o chefe de política externa da UE, em visita oficial a Moscou, teve de levar o soco no queixo.

Lavrov, sempre um perfeito cavalheiro, acrescentou: “Espero que a revisão estratégica que terá lugar em breve venha a ser centrada nos interesses fundamentais da União Europeia e que estas conversações ajudem a tornar os nossos contatos mais construtivos”.

Ele referia-se à cimeira de chefes de Estado e de governo da UE no Conselho Europeu do próximo mês, onde discutirão a Rússia. Lavrov não abriga ilusões de que este “parceiros não confiáveis” venham a comportar-se como adultos.

Mas algo extremamente intrigante pode ser encontrado nas observações iniciais de Lavrov no seu encontro com Borrell: “O principal problema que todos enfrentamos é a ausência de normalidade nas relações entre a Rússia e a União Europeia – os dois maiores atores no espaço eurasiano. É uma situação doentia, que não beneficia ninguém”. 

Os dois maiores atores no espaço da Eurásia (itálico meu). Deixe isto penetrar na sua cabeça. Retornaremos ao assunto num momento.

Tal como está, a UE parece irremediavelmente viciada em agravar esta “situação doentia”. A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, arruinou de forma memorável o jogo da vacina em Bruxelas. Essencialmente, ela enviou Borrell a Moscou a fim de pedir direitos de licenciamento para empresas europeias produzirem a vacina Sputnik V – que em breve será aprovada pela UE.

E ainda assim os eurocratas preferem mergulhar na histeria, promovendo as palhaçadas do ativista da NATO e vigarista condenado Navalny – o Guaidó russo.

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, sob a capa da “dissuasão estratégica” , o chefe do STRATCOM dos EUA, almirante Charles Richard, casualmente deixou escapar que “há uma possibilidade real de que uma crise regional com a Rússia ou a China possa escalar rapidamente para um conflito envolvendo armas nucleares, se eles sentissem que uma perda convencional ameaçaria o regime ou estado”.

Portanto, a culpa pela próxima – e final – guerra já está atribuída ao comportamento “desestabilizador” da Rússia e da China. Presume-se que eles estarão “a perder” – e então, num acesso de raiva, irão para o nuclear. O Pentágono não passará de uma vítima; afinal de contas, afirma o Sr. STRATCOM, não estamos “presos na Guerra Fria”.

Os planeadores do STRATCOM fariam melhor se lessem o excelente analista militar Andrei Martyanov, que durante anos esteve na linha de frente pormenorizando como o novo paradigma hipersónico – e não o das armas nucleares – mudou a natureza da guerra.

Após uma discussão técnica pormenorizada, Martyanov mostra como “os Estados Unidos simplesmente não têm boas opções actualmente. Nenhuma. A opção menos má, no entanto, é conversar com os russos e não em termos de asneirada geopolítica e sonhos eróticos de que os Estados Unidos, de alguma forma, podem convencer a Rússia a “abandonar” a China – os EUA não têm nada, zero, a oferecer à Rússia para isso. Mas pelo menos russos e americanos poderão finalmente resolver pacificamente essa “hegemonia” da asneira entre si e então convencer a China a finalmente sentar-se à mesa como um dos Três Grandes e decidir por fim como governar o mundo. Esta é a única possibilidade para os EUA de permanecerem relevantes no novo mundo. ” 


A marca da Horda Dourada [1]

Por mais insignificantes que sejam as possibilidades de a UE debelar a “situação doentia” com a Rússia, não há evidências de que o que Martyanov delineou será contemplado pelo Estado Profundo estado-unidense.

O caminho pela frente parece inelutável: sanções perpétuas; expansão perpétua da NATO ao longo das fronteiras da Rússia; a acumulação de um anel de estados hostis em torno da Rússia; perpétua interferência dos EUA nos assuntos internos russos – completada com um exército de quinta colunistas; perpétua guerra de informação de espectro total.

Lavrov está a deixar claro como cristal que Moscou nada mais espera. Os factos no terreno, contudo, continuarão a acumular-se.

O Nordstream 2 será acabado – com ou sem sanções – e fornecerá o gás natural tão necessário à Alemanha e à UE. O vigarista condenado Navalny – 1% de “popularidade” real na Rússia – permanecerá na prisão. Cidadãos de toda a UE receberão o Sputnik V. A parceria estratégica Rússia-China continuará a solidificar-se.

Para entender como chegámos a esta horrivel confusão russofóbica, um roteiro essencial é fornecido pelo Conservadorismo Russo , um estudo novo e estimulante de filosofia política de Glenn Diesen, professor associado da Universidade do Sudeste da Noruega, conferencista na Escola Superior de Economia de Moscou e um de meus distintos interlocutores em Moscou.

Diesen começa por se concentrar no essencial: geografia, topografia e história. A Rússia é uma vasta potência terrestre sem acesso suficiente aos mares. A geografia, argumenta ele, condiciona os fundamentos de “políticas conservadoras definidas pela autocracia, um conceito ambíguo e complexo de nacionalismo e o papel duradouro da Igreja Ortodoxa” – algo que implica resistência ao “laicismo radical”.

É sempre crucial recordar que a Rússia não tem fronteiras naturais defensáveis; foi invadida ou ocupada por suecos, polacos, lituanos, pela Horda Dourada mongol, pelos tártaros da Crimeia e por Napoleão. Sem mencionar a imensamente sangrenta invasão nazi.

O que está numa palavra? Tudo: “segurança”, em russo, é byezopasnost. Acontece que isso é negativo, pois byez significa “sem” e opasnost significa “perigo”.

A complexa e única constituição histórica da Rússia sempre apresentou problemas sérios. Sim, havia estreita afinidade com o império bizantino. Mas se a Rússia “reivindicasse a transferência da autoridade imperial de Constantinopla, seria forçada a conquistá-la”. E reivindicar o sucessor, o papel e a herança da Horda de Ouro relegaria a Rússia ao status de apenas uma potência asiática.

Ao longo do caminho russo para a modernização, a invasão mongol provocou não só um cisma geográfico como imprimiu a sua marca na política: “A autocracia tornou-se uma necessidade após o legado mongol e o estabelecimento da Rússia como um império da Eurásia com uma vasta extensão geográfica mal conectada”. 


“Um colossal Leste-Oeste”

Na Rússia o Oriente encontra o Ocidente. Diesen recorda-nos como Nikolai Berdiaev, um dos principais conservadores do século XX, já acertava em cheio em 1947: “A inconsistência e a complexidade da alma russa pode ser devido ao facto de que na Rússia duas correntes da história do mundo – Leste e Oeste – tropeçam e influenciam-se uma à outra (…) A Rússia é uma secção completa do mundo – um colossal Leste-Oeste”.

A ferrovia Transiberiana, construída para solidificar a coesão interna do império russo e projetar poder na Ásia, foi uma grande viragem de jogo: “Com assentamentos agrícolas russos a expandirem-se para o leste, a Rússia estava a substituir cada vez mais as antigas estradas que anteriormente controlavam e conectavam a Eurásia”.

É fascinante observar como o desenvolvimento da economia russa terminou na teoria das Terras Centrais (Heartland) [2] de Mackinder – segundo a qual o controle do mundo exigia o controle do supercontinente euro-asiático. O que aterrorizava Mackinder é que ferrovias russas a conectarem a Eurásia minariam toda a estrutura de poder da Grã-Bretanha como um império marítimo.

Diesen também mostra como o eurasianismo – surgido na década de 1920 entre os émigrés em resposta a 1917 – foi de facto uma evolução do conservadorismo russo.

O eurasianismo, por uma série de razões, nunca se tornou um movimento político unificado. O núcleo do eurasianismo é a noção de que a Rússia não era um mero estado do Leste Europeu. Após a invasão mongol do século XIII e a conquista dos reinos de Tátaros no século XVI, a história e geografia da Rússia não poderia ser apenas europeia. O futuro exigiria uma abordagem mais equilibrada – e envolvimento com a Ásia.

Dostoievski já o havia enquadrado de maneira brilhante, antes de mais ninguém, em 1881:

Os russos são tão asiáticos quanto europeus. O erro da nossa política nos últimos dois séculos tem sido o de fazer os cidadãos europeus acreditarem que somos verdadeiros europeus. Servimos demasiado bem a Europa, participámos demasiado nas suas querelas internas (…) Curvámo-nos como escravos perante os europeus e só ganhámos o seu ódio e desprezo. É hora de nos afastarmos da ingrata Europa. Nosso futuro está na Ásia.

Lev Gumilev foi indiscutivelmente a estrela maior de uma nova geração de eurasianistas. Ele argumentou que a Rússia fora fundada numa coligação natural entre eslavos, mongóis e turcos. The Ancient Rus and the Great Steppe, publicado em 1989, teve um impacto imenso na Rússia após a queda da URSS – como aprendi em primeira-mão com meus anfitriões russos ao chegar a Moscou pelo Transiberiano no Inverno de 1992.

Segundo Diesen, Gumilev estava a apresentar uma espécie de terceira via, para além do nacionalismo europeu e do internacionalismo utópico. A Universidade Lev Gumilev foi fundada no Cazaquistão. Putin referiu-se a Gumilev como “o grande eurasiano de nosso tempo”.

Diesen recorda-nos que em George Kennan, em 1994, reconheceu a luta conservadora por “este país tragicamente ofendido e espiritualmente diminuído”. Putin, em 2005, era muito mais perspicaz. Ele enfatizou, o colapso da União Soviética foi a maior catástrofe geopolítica do século. E para o povo russo foi um verdadeiro drama (…) Os velhos ideais foram destruídos. Muitas instituições foram desmanteladas ou simplesmente reformadas às pressas com controle irrestrito sobre os fluxos de informação, grupos de oligarcas serviram exclusivamente aos seus próprios interesses corporativos. A pobreza em massa começou a ser aceite como a norma. Tudo isso evoluiu num cenário da mais severa recessão económica, finanças instáveis e paralisia na esfera social. 



Aplicando “democracia soberana”

E assim chegamos à crucial questão europeia.

Na década de 1990, liderada por atlantistas, a política externa russa concentrava-se na Grande Europa, um conceito baseado na Casa Comum Europeia de Gorbachev.

E, no entanto, a Europa pós-Guerra Fria, na prática, acabou por configurar-se como a expansão ininterrupta da OTAN e o nascimento – e expansão – da UE. Toda espécie de contorcionismos liberais foram implantados para incluir toda a Europa, mas excluindo a Rússia.

Diesen tem o mérito de resumir todo o processo numa única frase: “A nova Europa liberal representava uma continuidade anglo-americana nos termos das potências marítimas e do objetivo de Mackinder de organizar o relacionamento germano-russo num formato de soma zero para impedir o alinhamento de interesses”.

Não é de admirar que Putin, posteriormente, tivesse de ser erigido como o Espantalho Supremo, ou “o novo Hitler”. Putin rejeitou completamente o papel da Rússia de mero aprendiz da civilização ocidental – e o seu corolário, a hegemonia (neo)liberal.

Ainda assim, ele permaneceu bastante acomodatício. Em 2005, sublinhou Putin, “acima de tudo a Rússia foi, é e será, naturalmente, uma grande potência europeia”. O que ele pretendia era dissociar o liberalismo da política de poder – pela rejeição dos fundamentos da hegemonia liberal.

Putin estava a dizer que não existe um modelo democrático único. Isso acabou por ser conceitualizado como “democracia soberana”. A democracia não pode existir sem soberania; de modo que descarta a “supervisão” ocidental para fazê-la funcionar.

Diesen observa agudamente que se a URSS fosse um “eurasianismo de esquerda radical, algumas de suas características eurasianas poderiam ser transferidas para o eurasianismo conservador”. Diesen observa como Sergey Karaganov, por vezes mencionado como o “Kissinger russo”, mostrou “que a União Soviética foi fundamental para a descolonização e deu os meios para a ascensão da Ásia ao privar o Ocidente da capacidade de impor sua vontade ao mundo através da força militar, a qual o Ocidente impusera a partir desde o século XVI até a década de 1940”.

Isso é amplamente reconhecido em vastas extensões do Sul Global – desde a América Latina e África até o Sudeste Asiático. 


Península ocidental da Eurásia

Assim, após o fim da Guerra Fria e o fracasso da Grande Europa, o pivot de Moscovo para a Ásia para construir a Grande Eurásia não podia deixar de ter um ar de inevitabilidade histórica.

A lógica é impecável. Os dois centros geoeconomicos da Eurásia são a Europa e o Leste Asiático. Moscovo quer conectá-los economicamente dentro de um supercontinente: é onde a Grande Eurásia se junta ao Belt and Road Initiative (BRI) da China. Mas então há a dimensão extra-russa, como nota Diesen: a “transição da periferia usual desses centros de poder rumo ao centro de uma nova construção regional”.

De uma perspectiva conservadora, enfatiza Diesen, “a economia política da Grande Eurásia permite que a Rússia supere sua obsessão histórica com o Ocidente e estabeleça um caminho russo orgânico para a modernização”.

Isso implica o desenvolvimento de indústrias estratégicas; corredores de conectividade; instrumentos financeiros; projetos de infraestrutura para conectar a Rússia europeia com a Sibéria e a Rússia do Pacífico. Tudo isso sob um novo conceito: uma economia política industrializada e conservadora.

A parceria estratégica Rússia-China passa a ser ativa em todos esses três sectores geoeconomicos: indústrias estratégicas/ plataformas tecnológicas, corredores de conectividade e instrumentos financeiros.

Isso impulsiona a discussão, mais uma vez, para o imperativo categórico supremo: o confronto entre a Heartland e uma potência marítima.

As três grandes potências eurasianas, historicamente, eram os citas, os hunos e os mongóis. A razão chave para a sua fragmentação e decadência é que não foram capazes de alcançar – e controlar – as fronteiras marítimas da Eurásia.

A quarta grande potência eurasiana foi o império russo – e seu sucessor, a URSS. Uma razão chave para o colapso da URSS é que, mais uma vez, ela não foi capaz de alcançar – e controlar – as fronteiras marítimas da Eurásia.

Os EUA impediram-no ao aplicar uma combinação de Mackinder, Mahan e Spykman. A estratégia dos Estados Unidos até ficou conhecida como mecanismo de contenção Spykman-Kennan – todos estes “posicionamentos avançados” na periferia marítima da Eurásia, na Europa Ocidental, no Leste Asiático e no Médio Oriente.

Todos nós sabemos agora como a estratégia offshore geral dos EUA – bem como a principal razão para os EUA entrarem na Primeira e Segunda Guerras Mundiais – foi evitar por todos os meios necessários a emergência de uma hegemonia euro-asiática.

Quanto aos EUA como poder hegemónico, em 1997 isso foi brutalmente conceptualizado – com a característica arrogância imperial – pelo Dr. Zbig “Grande Tabuleiro de Xadrez” Brzezinski: “Para evitar conivência e manter a dependência de segurança entre os vassalos, manter os tributários flexíveis e protegidos, além de impedir que os bárbaros se juntem”. O bom e velho Divide e Impera, aplicado via “dominância do sistema”.

É esse sistema que está agora a desmoronar – para desespero dos suspeitos de sempre. Diesen nota como, “no passado, empurrar a Rússia para a Ásia relegaria a Rússia à obscuridade económica e eliminaria o seu status como potência europeia”. Mas agora, com o centro de gravidade geoeconômica a mudar para a China e o Leste Asiático, é um cenário totalmente novo.

A demonização da Rússia-China 24 horas por dia, 7 dias por semana, a par da mentalidade de “doentia” dos apaniguados da UE, só ajuda a impulsionar a Rússia cada vez para mais perto da China exatamente no momento crítico em que a dominação do mundo pelo ocidente que remonta há dois séculos está a chegar ao fim, como André Gunder Frank provou conclusivamente.

Diesen, talvez de modo muito diplomático, espera que “as relações entre a Rússia e o Ocidente no fim das contas também acabem por mudar com a ascensão da Eurásia. A estratégia hostil do Ocidente para com a Rússia está condicionada à ideia de que esta não tem para onde ir e que deve aceitar seja o que for que o Ocidente oferece em termos de “parceria”. A ascensão do Oriente altera fundamentalmente o relacionamento de Moscou com o Ocidente, permitindo à Rússia diversificar suas parcerias”.

Podemos estar a aproximar-nos rapidamente do ponto em que a Rússia da Grande Eurásia apresentará à Alemanha uma oferta do tipo pegar ou largar. Ou construímos a Heartland em conjunto ou a construiremos com a China – e vocês serão apenas um espectador histórico. É claro que sempre há a possibilidade remota de um eixo Berlim-Moscou-Pequim. Coisas mais estranhas já aconteceram.

Enquanto isso, Diesen está confiante em que “as potências terrestres da Eurásia acabarão por incorporar a Europa e outros estados da periferia interna da Eurásia. Lealdades políticas mudarão progressivamente à medida que os interesses economicos se voltem para o Leste – e a Europa está gradualmente a tornar-se a península ocidental da Grande Eurásia”.

Tema de meditação para os vendedores ambulantes peninsulares da “situação doentia”.


NT

[1] A Horda Dourada foi um canato mongol, posteriormente turquizado, estabelecido no século XIII. Com a fragmentação do Império Mongol após 1259 tornou-se um canato funcionalmente separado.

[2] ” The Geographical Pivot of History ” é o título de um artigo apresentado por Halford John Mackinder à Royal Geographical Society. Nele era avançada a Teoria das Terras Centrais (Heartland Theory) e Mackinder estendia o âmbito da análise geopolítica a todo o globo.

Pepe Escobar é jornalista. Muitos dos seus livros estão em Book Depository .

O original encontra-se no Asia Times e em:

www.unz.com/pescobar/why-russia-is-driving-the-west-crazy/

Via: desacato.info

 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

NOVA ORDEM MUNDIAL?




Os EUA experimentam uma virtual guerra civil política, opondo o presidente Donald Trump e um pequeno punhado de assessores ao núcleo duro do Establishment, um amálgama entre o “complexo de segurança nacional” e Wall Street, crescentemente ensimesmado e aferrado à perigosíssima ilusão de que poderá sustentar a sua agenda hegemônica a qualquer custo, mesmo com o risco de provocar um novo conflito global de grandes proporções.

Trump, um jogador pragmático e intuitivo, venceu as eleições de 2016 prometendo “secar o pântano” das tramoias de Washington e questionando a multitentacular presença militar dos EUA em quase todas as regiões do planeta, principalmente, quanto aos custos de tais aventuras. A despeito da sua obsessão com o acordo nuclear com o Irã (mais devida ao fato de ter sido assinado por seu detestado antecessor Barack Obama), prometeu um entendimento com a Rússia de Vladimir Putin e retirar o quanto antes as tropas estadunidenses da Síria de Bashar al-Assad.

Porém, em poucas semanas na Casa Branca, se deu conta de que os presidentes estadunidenses têm influência restrita na formulação da política externa do país. De fato, esta é alienada ao “complexo de segurança nacional” e o último que tentou contrariar a regra, John F. Kennedy (1961-63), não chegou a completar três anos de mandato. Para o complexo, os conflitos permanentes constituem um meio de vida permanente para justificar os colossais gastos com a rubrica “defesa”, que representam mais de metade dos gastos discricionários do orçamento federal.

É conhecido o relato de uma das primeiras reuniões de Trump com os seus assessores e chefes militares, na qual questionou por que os EUA mantinham tantas tropas no Afeganistão (após 16 anos de conflito) e na Coreia do Sul, e por que ainda tinham tropas na Síria. “Vocês caras querem que eu envie tropas a toda parte. Qual é a justificativa?” – perguntou, impaciente. Na ocasião, o secretário de Defesa, general James Mattis, respondeu que a presença estadunidense em tais lugares era necessária “para impedir que uma bomba detone na Times Square [em Nova York]… Infelizmente, senhor, o senhor não tem escolha. O senhor será um presidente de tempo de guerra”.

O resultado das eleições intermediárias de 6 de novembro, que deu o controle da Câmara dos Deputados ao Partido Democrata e deixou o Senado nas mãos dos republicanos, pode sinalizar uma influência ainda maior dos belicistas sobre Trump, uma vez que a Câmara Alta é a caixa de ressonância da política externa vinculada aos interesses do “complexo de segurança nacional”.

Não obstante, como Trump não é um integrante inato do Establishment e tem um interesse real em recuperar parte das capacidades produtivas do país perdidas para a “globalização”, como prometeu em sua campanha eleitoral, é possível que o seu embate com os “ensimesmados” amplie a janela de oportunidades externas para iniciativas tendentes a reforçar a construção da nova ordem cooperativa. Examinemos dois exemplos relevantes.

Nesse contexto, não é casual que os EUA sejam vistos como o maior obstáculo à emergência dessa ordem cooperativa e não hegemônica, baseada em um cenário multipolar de influência política e econômica, em substituição à “unipolaridade” militar e econômico-financeira desfrutada pela superpotência estadunidense desde o fim da Guerra Fria, há mais de um quarto de século.

Afinal, nenhum outro país detém tais prerrogativas: 1) mais de 800 bases militares em 80 países; 2) sete frotas que operam em todos os oceanos do mundo; 3) um orçamento de “segurança nacional” que supera os gastos de defesa combinados de todos os demais países do mundo; 4) um sistema de vigilância eletrônica capaz de interceptar mais de 80% de todas as comunicações eletrônicas feitas no planeta; 5) tem na força militar o seu instrumento favorecido de política externa; 6) detém o privilégio de emitir indiscriminadamente a moeda de reserva e referência internacional (dólar); 7) controla ou influencia de forma determinante as instituições multilaterais (Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e Organização Mundial do Comércio) e o sistema financeiro internacional, que funcionam como a espinha dorsal da “hiperglobalização” (como a denomina a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento-UNCTAD).

Uma pesquisa realizada em 2017 pelo Pew Research Center de Washington, em 30 países, quase todos aliados dos EUA, 35% dos entrevistados consideraram o poder e a influência dos EUA como uma “grande ameaça” ao mundo, contra 31% que optaram pela Rússia e a China, os únicos outros países citados.

Uma pesquisa anterior, realizada em 2013 pelos institutos WIN e Gallup International, em 65 países, apresentou um resultado ainda mais contundente: 24% dos entrevistados apontaram espontaneamente os EUA como “a maior ameaça à paz mundial”, o único país que conseguiu um percentual de dois dígitos (para comparação, a China ficou com 6%; Irã e Coreia do Norte, 5%; e Rússia, 2%).

Assim, países antagonizados pelos EUA e até mesmo antigos aliados articulam-se em diversas instâncias, para criar alternativas ao empenho de Washington de preservar a sua hegemonia à custa dos interesses legítimos dos demais países. O principal exemplo é a emergência da Eurásia como o novo centro de gravidade geoeconômico do planeta, turbinado pela ativa cooperação estratégica e econômica entre a China e a Rússia, que vem sendo gradativamente estendida a outros países.

Dilemas da defesa da Europa


A Europa, tradicionalmente presa ao arranjo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), lançou uma iniciativa de defesa coletiva que dificilmente teria ocorrido fora do contexto da “guerra civil” em Washington, mas que, todavia, não responde de forma concreta aos reais desafios de defesa do continente.

Em 7 de novembro, em Paris, ocorreu a primeira reunião da Iniciativa Europeia de Intervenção (EII, na sigla em inglês), coalizão de dez países europeus destinada ao estabelecimento de uma estrutura de defesa fora do marco da OTAN e, consequentemente, da influência dos EUA.

A iniciativa, oficialmente lançada em junho último, é encabeçada pela França e reúne o Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Estônia, Espanha e Portugal. A intenção é dispor de uma estrutura decisória enxuta (ao contrário da OTAN, que exige o consenso dos seus 29 membros), capaz de operar rapidamente em resposta a crises de natureza humanitária e militar, independentemente da OTAN e da própria União Europeia (UE).

Em entrevista à rádio Europa 1, o presidente francês Emmanuel Macron usou palavras surpreendentes para justificar a criação do que chamou “um real exército europeu”. Segundo ele: “Nós temos que nos proteger com respeito à China, Rússia e até mesmo os EUA. Quando eu vejo o presidente Trump anunciando que está abandonando um importante tratado de desarmamento que foi formado depois que a crise dos euromísseis da década de 1980 atingiu a Europa [referência ao Tratado de Mísseis Intermediários-INF], quem é a principal vítima? A Europa e a sua segurança. A Europa pode assegurar a sua própria proteção contra a Rússia e, até mesmo, um imprevisível presidente Donald Trump (Strategic Culture Foundation, 11/11/2018).”

A previsível resposta de Trump às declarações de Macron veio da forma habitual, via Twitter, em 9 de novembro, qualificando-as como “muito insultuosas” e repetindo a sua antiga litania de que, antes de pensar em um exército próprio, “a Europa deveria primeiro pagar a sua justa parcela na OTAN, que os EUA subsidiam grandemente”.

E nem o encontro pessoal com o presidente francês, dois dias depois, na celebração do centenário do final da I Guerra Mundial, em Paris, serviu para reduzir as salvas de tuítes. De volta a Washington, na segunda-feira 12, Trump afirmou que, na I Guerra Mundial, os franceses “estavam começando a aprender alemão em Paris, antes que os EUA chegassem”, em uma referência à chegada da força expedicionária estadunidense à Europa, em 1917, que acabou sendo o fator decisivo para a derrota alemã no conflito.

Por sua vez, de forma sintomática, o presidente russo Vladimir Putin, que também esteve em Paris, saudou a iniciativa europeia, considerando-a positiva para “reforçar o novo mundo multipolar”. Para ele, “a Europa é… uma poderosa união econômica e é apenas natural que queira ser independente e… soberana no campo da defesa e da segurança” (RT, 11/11/2018).

Escrevendo no sítio da Strategic Culture Foundation, o analista Alex Gorka fez uma avaliação otimista sobre a nova organização: “A formação da EII mostra quão profundas são as fraturas que dividem a OTAN e a UE em grupos que perseguem os seus próprios interesses. Essas grandes organizações parecem já ter visto dias melhores. Elas se tornaram muito grandes para ser realmente unidas e fortes… Pode ser que isto nunca seja dito oficialmente, mas as dez nações europeias desfecharam um forte golpe contra a OTAN encabeçada pelos EUA.”

Ademais, afirma, “as tensões e divisões entre a Europa e a Rússia não são para sempre e a EII e a Rússia não têm que ser adversárias, uma vendo a outra através de alças de mira. Afinal, elas enfrentam ameaças de segurança comuns. Cedo ou tarde, a cooperação no campo da segurança estará de volta à agenda”.

Precisamente, as tensões com a Rússia, materializadas de forma clara nas sanções aplicadas a Moscou nos últimos anos, por pretextos que vão desde a retomada da Crimeia ao mal explicado envenenamento do ex-agente de inteligência russo Sergei Skripal e sua filha, no Reino Unido, constituem um dos focos centrais da agenda de segurança europeia, nem de longe contemplado pela formação da EII.

O mesmo argumento vale para o outro problema crucial, a imigração islâmica motivada pelas guerras de destruição implementadas pelas potências da OTAN no Oriente Médio, nas quais os europeus seguiram levianamente a liderança estadunidense e, agora, pagam caro pelas consequências. Aqui, também, é fundamental um entendimento com a Rússia, que, a partir da sua intervenção militar no conflito na Síria, tornou-se o fiel da balança da estabilidade de toda a região. De certa maneira, isso começa a ser admitido, como se mostrou com a recente reunião de cúpula de Macron e sua colega alemã Angela Merkel, em Istambul, com Putin e o turco Recep Erdogan, para discutir a questão síria – emblematicamente, sem a presença de qualquer representante dos EUA.

Em essência, qualquer acordo defensivo na Europa não pode esquivar-se a contemplar os interesses comuns entre o bloco europeu e a Rússia, uma potência cristã que, afinal, também faz parte do continente e faz a sua “ponte terrestre” com a Ásia – condição que os teóricos da geopolítica, de Mackinder a Brzezinski, sempre colocaram na mira das suas maquinações hegemônicas, como pré-condições para a manutenção da hegemonia anglo-americana.

Ásia: audazes movimentos do Japão


Na Ásia, onde a construção da nova ordem cooperativa está mais avançada, impulsionada pela cooperação China-Rússia, o Japão, aliado tradicional dos EUA no pós-guerra, também está se movimentando com insólita independência.

Na última semana de outubro, o primeiro-ministro Shinzo Abe protagonizou uma importante visita de Estado a Pequim, a primeira de um governante japonês em sete anos, acompanhado por uma enorme delegação de quase mil empresários. Das conversas com o presidente Xi Jinping e o premier Li Keqiang, resultaram as seguintes iniciativas: 1) negócios da ordem de 18 bilhões de dólares; 2) um acordo de trocas de moedas no valor de 29 bilhões de dólares, para casos emergenciais de crises; 3) a inclusão do renminbi chinês nas reservas cambiais do Japão; 4) investimentos diretos do Banco do Japão em títulos do governo chinês; 5) a criação de uma linha de comunicação direta (hotline) para eventuais casos futuros de tensões, como as que envolvem as reivindicações chinesas de soberania sobre áreas do Mar do Sul da China.

Igualmente, o governo chinês convidou formalmente o Japão a participar da Iniciativa Cinturão e Rota, o núcleo da agenda de integração eurasiática, que tem sido criticada por países como a Malásia e o Paquistão, este um tradicional aliado da China. Com a participação japonesa, Pequim pretende operar um proveitoso “upgrade” em todo o empreendimento.

Porém, mais significativo do que quaisquer negócios ou acordos do gênero foi o fato de Abe ter transmitido a Xi Jinping a intenção do imperador Akihito de visitar a China antes da sua renúncia, em abril de 2019, para pedir formalmente desculpas pela invasão japonesa ao país, entre 1937 e 1945. Se a visita se confirmar, será um gesto do maior simbolismo para ajudar a reduzir as tensões históricas entre as duas potências asiáticas, cujas recordações daquele acidentado passado têm ressurgido com certa frequência e influenciado negativamente as relações bilaterais, três gerações após o término do conflito. O gesto será ainda mais relevante no âmbito da situação dos dois países em relação aos EUA: a China, oficialmente apontada como potência rival, e o Japão, tradicional aliado em todo o pós-guerra.

Essencialmente, os dois países estabeleceram uma relação de “cooperação, em vez de competição”, expressão usada em ambas as capitais.

Após a visita a Pequim, Abe reuniu-se em Tóquio com o premier indiano Narendra Modi, com que acertou um diálogo regular no âmbito das respectivas chancelarias e ministérios de defesa, além da cooperação em projetos de infraestrutura em Bangladesh, Myanmar e Sri Lanka, e um acordo de trocas de moedas semelhante ao estabelecido com a China, no valor de 75 bilhões de dólares.

E o outro objeto de uma crescente aproximação do Japão é a Rússia, onde Tóquio pretende participar do desenvolvimento econômico da vastíssima região do Extremo Oriente, em projetos de infraestrutura e energia.

Fonte do Texto: https://msiainforma.org/ensimesmamento-estadunidense-abre-espaco-para-ordem-global-cooperativa/

Via: Jeferson Miola

Fonte da Imagem: https://medium.com/@karelovs/a-global-war-seems-unavoidable-10b8b8531d85

segunda-feira, 16 de julho de 2018

COPA DO MUNDO 2018 – EVOLUÇÃO













Considerando os continentes que compõe o planeta, a distribuição de seleções classificadas para disputar a Copa do Mundo na Rússia foi a seguinte:

CONTINENTE
SELEÇÕES
%
OITAVAS
%
QUARTAS
%
SEMIFINAL
%
ÁFRICA
5
16
0
0
0
0
0
0
AMÉRICAS
8
25
5
31
2
25
0
0
ASIA
4
13
1
6
0
0
0
0
EUROPA
14
44
10
63
6
75
4
100
OCEANIA
1
3
0
0
0
0
0
0
TOTAL
32
100
16
100
8
100
4
100

A África iniciou o torneio com 5 seleções, aproximadamente 16% das equipes que iniciaram. Já nas oitavas de final não restou nenhuma seleção africana.
As Américas iniciaram com 8 seleções, 25% do total dos times. Nas oitavas de final restavam 5, o que aumentou a representatividade para 31%. Nas quartas de final, porém, somente restavam duas seleções (retornando aos 25%) e nenhuma dessas duas passou para a fase semifinal.
A Ásia, o maior dos continentes, iniciou a Copa com 4 seleções, 13% do total de seleções. Nenhuma chegou até as oitavas de final.
A Europa iniciou com 14 seleções. 44% do total. Chegou às oitavas de final com 10 seleções, ampliando a participação para 63%. Nas quartas de final chegou com 6 seleções, 75% do total de seleções que chegaram às quartas de final. Já nas semifinais chegou com 4 equipes, ou seja, a totalidade das equipes (100%).
A Oceania teve como representante inicial a Austrália, que não passou a primeira fase.
Como é de conhecimento geral a França foi a grande campeã, contando com maioria de jogadores oriundos do Continente Africano o que, de certa forma, é considerado por algumas pessoas uma espécie de vingança da África.
Esses números servem para uma série de divagações ou conclusões. Ou não, afinal é só futebol.

Omar Rösler, em julho de 2018.