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domingo, 26 de janeiro de 2020

Política cultural e nazismo: lições da História na Alemanha



Por Fátima Lacerda


Uma das lições da Alemanha pós-nazismo é o artigo 30 da Constituição (GG, na sigla), estipulando que assuntos culturais são de incumbência das regiões geopolíticas Länder (ao todo, dezesseis distritos), garantindo suas respectivas autonomias e respeitando suas nuances culturais.

Logo depois da ascensão de Hitler ao poder como chanceler do Reich, em janeiro de 1933, o setor cultural na Alemanha passou a ser centralizado e submetido a um aparato de controle que, na sequência, foi aperfeiçoado pelo ministro Joseph Goebbels (1897-1945).

Em março de 1933, surgiu o Ministério de Esclarecimento e Propaganda, como instrumento central da política nazista. Quaisquer medidas referentes a ele tinham que passar pelas mãos de Goebbels, que, com essa incumbência, ganhou ainda mais poder dentro do gabinete.

O ministro do Reich para Esclarecimento e Propaganda (RMVP, na sigla) era responsável por todos os setores de arte do país, pela propaganda para o Estado, cultura e ciência, e pela veiculação de informações de cunho nacional e internacional. Como desdobramento desse ministério, foi criada a Câmara de Cultura do Reich (Reichskulturkammer), decretada pelo próprio Hitler em 22 de setembro de 1933, com o objetivo de, meticulosamente, catalogar e monitorar todo o setor cultural. Para isso, foram criados sete setores: filmes, literatura, imprensa, teatro, rádio, belas artes e música.

A partir de então, quem quisesse exercer atividade artística no país tinha que apresentar carteira de membro de sua Câmara específica. Quem não conseguisse provar sua origem ariana não seria aceito e, consequentemente, ficaria proibido de exercer a arte.

Hitler, Goebbels e Garbo

O ditador e seu lacaio preferido eram unidos por mais do que uma ideologia sórdida, mas também pelo cinema. Hitler via nesse setor a chance de dar glamour ao seu regime e Goebbels, um dramaturgo e escritor frustrado, achava que era a ocasião perfeita para desfilar entre estrelas e estrelinhas. Os dois acreditavam piamente no poder persuasivo e na emocionalidade dos filmes.

A paixão pelo cinema de Hollywood também unia o ditador e seu principal articulador. Os dois se tornaram fãs de Greta Garbo depois de assistir ao filme A dama das camélias. Em seu diário, Goebbels escreve, emocionado: “Tudo é só reverência frente grande e solitária mulher”. E acrescenta: “Nós ficamos muito emocionados e tocados sem vergonha pelas lágrimas”.

Adicionada ao nostálgico olhar para a grande fábrica de sonhos, Hollywood, a inveja também era companheira de Goebbels, que tinha de presenciar o triunfo dos filmes em technicolor enquanto a alemã Agfacolor ainda penava no estágio de desenvolvimento e pesquisa.

Ao assistir …E o vento levou, em 1939, Goebbels classificou como “maravilhoso” ver os atores em cores. Ainda de acordo com uma notinha em seu diário, Hitler via no filme colorido “o futuro do cinema”, como publicou uma documentação da revista Der Spiegel em 2011: “Arma propagandista Agfacolor – A lição de cores de Goebbels”, de autoria de Benjamin Maack.

Em 1939, Goebbels anunciou a produção do filme Mulheres são os melhores diplomatas. Com ele, o ministro queria provar ser páreo para a concorrente americana. Com um orçamento muito maior do que o normal para filmes em preto e branco na época, Goebbels colocava todas as suas expectativas na fita. Porém, o material Agfacolor ainda exibia falhas técnicas, com manchas azuis. Deu-se um cenário grotesco no desenvolvimento do material, paralelamente às filmagens. Devido a defeitos na fita, cenas tiveram que ser rodadas várias vezes, aumentando o orçamento do filme. No dia 31 de outubro de 1941, já durante a Segunda Guerra, ocorreu a estreia. A imprensa, na época pasteurizada e neutralizada, falou de “um dia histórico para o filme alemão”, exatamente a retórica desejada pelo ministro. Goebbels elogiou a fita, criticou o enredo e afirmou: “Fizemos um grande avanço”.

Nos anos seguintes, mesmo com a guerra, Goebbels tinha os filmes como sua ferramenta preferida. Determinava todos os itens referentes à produção cinematográfica: da escolha do enredo e dos roteiros até a aprovação de atores e pontas.

Berlim 1936 – Riefenstahl, “a histérica”

As lentes do cinema e da TV foram escolhidas como o melhor instrumento de manipulação do regime. Os Jogos Olímpicos de Berlim seriam o momento perfeito para mostrar para o mundo o lado mundano e liberal do sistema. Para isso, Hitler deu carta branca à sua cineasta preferida: Leni Riefenstahl.

Hitler cumpria os parâmetros do Comitê Olímpico Internacional, como país anfitrião, ao registrar os jogos, e ansiava ter a raça ariana retratada de forma estética por Riefenstahl. Só para realizar o projeto que tinha o maior desafio técnico do momento, Riefenstahl arrecadou 2,8 milhões de reichsmark (a moeda da Alemanha entre 1924 e 1948) de Hitler e a certeza de que ninguém, nem mesmo Goebbels, daria palpites de quaisquer natureza em seu trabalho.

No livro Berlin 1936 (editora Siedler), o autor Oliver Hilmes descreve, de forma meticulosa, os dezesseis dias dos jogos e a agenda dos grandes poderosos da época. Goebbels chama Riefenstahl de “histérica” e diz que “se comporta de forma incabível. Afinal, ela não é um homem”. Várias vezes, o tom ficou acalorado entre os dois. Brigas homéricas, em alto e bom som, pelas exigências meticulosas de Riefenstahl para posicionar sua equipe da melhor forma.

Em seu diário, Goebbels exibia desagrado sobre a posição privilegiada de Riefenstahl, que tinha costas quentes com o ditador. O cachê para Riefenstahl por seu trabalho como diretora foi, inicialmente, de 250 mil reichsmark, até chegar a 400 mil. Para que o governo não aparecesse como empregador, foi especialmente criada a produtora Olympia-Film GmbH, da qual Leni e seu irmão, Heinz, eram os donos.

Roberto Alvim no topo

O vídeo veiculado pelo governo Bolsonaro não deixa nenhum detalhe por acaso: nem a música de Richard Wagner, compositor favorito de Hitler, a foto de Bolsonaro pregada na parede, o discurso sobre a proclamação da arte de cunho nacional a serviço do Estado e sua ideologia, a expressão de subserviência e agradecimento ao seu grande mentor, banhado de patriotismo. Ele esclarece: “Quando eu assumi esse cargo, em novembro de 2019, o presidente me fez um pedido. Ele pediu que eu faça uma cultura que não destrua, mas que salve, a nossa juventude”.

Num discurso pérfido e copiado de uma fala de Joseph Goebbels, Alvim se vê no topo de suas ambições. Existem várias similaridades entre seu anúncio sobre os novos “rumos” da arte, neutralizando o seu DNA, o fomento da subjetividade e o plano diabólico de Hitler ao assumir o cargo de chanceler do Reich.

Na opinião do ex-Secretário Especial, a arte deve servir aos anseios do povo brasileiro. Com a criação da Câmara da Cultura do Reich, Goebbels tinha em mente a neutralização das artes e tomava as rédeas para classificar de “arte desnaturada” (Entartete Kunst) tudo o que fosse contra o sistema.

Demissão

Que Roberto Alvim tenha sido exonerado horas depois da veiculação do vídeo não é nenhum motivo de alívio ou mesmo de euforia. O fato dele ter chegado ao cargo já é um indício quase irrefutável da pérfida política cultural do atual desgoverno. O olhar brilhante e de regozijo decreta que a arte ou será do jeito que o governo quer ou não será.

Em declaração à Rádio Gaúcha, Alvim alegou que teria sido uma “coincidência retórica” referir-se à frase de Goebbels, ao mesmo tempo em que culpou seus assessores por procurar no Google o tema “nacionalismo em arte”.

O alinhavar da retórica fascista

Mesmo separados por fronteiras geográficas, os retóricos fascistas contemporâneos exibem um plano diabólico, mas totalmente transparente. Em sua retórica – sejam eles Roberto Alvim ou Björn Höcke, a face do fascismo alemão que integra o “corredor radical” do partido Alternativa para a Alemanha -, o procedimento é sempre o mesmo. Joga-se num texto uma frase relativizando o Holocausto ou vangloriando algum nazista que a opinião pública sai em manifestações de repúdio, os trending topics do Twitter embarcam na onda de repúdio e revolta e durante dias só se fala naquele assunto. Da próxima vez, o choque já não será tão forte. Assim, em doses entre cavalares e homeopáticas, a retórica fascista vai se enfronhando nas conversas de botequim, nas esquinas, nos clubes de futebol, em toda a sociedade. Ao ser indagado pelo repórter da rede pública ZDF se trechos de seus discursos seriam do livro Minha luta”, de Adolf Hitler, Höcke procurou abrigo na esquina vitimista, como de praxe, e mergulhou na retórica do “mal entendido”, do “mal interpretado”.

A exoneração de Roberto Alvim é somente um paliativo no plano diabólico dos fascistas que governam o Brasil. O plano de neutralização continua na agenda de Bolsonaro, que anseia o triunfo do mediano, simbolizado em filmes apolíticos e superficiais, na intimidação e difamação da classe artística como um todo.

O discurso de Alvim reverberou nos principais veículos de comunicação na Alemanha. Em alguns deles, com a errônea denominação de “ministro da Cultura”, e não Secretário Especial da Cultura:

No canal Euronews, em língua alemã.
No portal Spiegel Online.
No portal da rádio aberta Deutschland Funk.

***

Fátima Lacerda é carioca, radicada em Berlim desde 1988 e testemunha ocular da queda do Muro de Berlim. Formada em Letras (RJ), tem curso básico de Ciências Políticas pela Universidade Livre de Berlim e diploma de Gestora Cultural e de Mídia da Universidade Hanns Eisler, Berlim. Atua como jornalista freelancer para a imprensa brasileira e como curadora de filmes.

Fonte do Texto: http://desacato.info/politica-cultural-e-nazismo-licoes-da-historia-na-alemanha/

Fonte da Imagem: https://www.wallpaperflare.com/static/86/466/462/giant-tentacles-eldritch-monster-wallpaper.jpg

domingo, 12 de maio de 2019

BAUHAUS



“¿Qué tienen que ver con la Bauhaus unas escaleras mecánicas en Medellín, unos caracteres gráficos en Amán, unos muebles de Londres, una iniciativa de agricultura urbana en Detroit y unas viviendas sin paredes en Tokio?”, se preguntan en el documental Mundo Bauhaus que difundió la Deutsche Welle (DW) para conmemorar el centenario de su fundación este primero de abril ¿Qué tienen en común cientos de edificios y rascacielos del llamado “Estilo Internacional” erigidos en muchos países, con la Bauhaus? El diseño contemporáneo –arquitectónico, industrial, gráfico, tipográfico, de mobiliario, de cerámica, etcétera– hunde sus raíces profundas en la Bauhaus de 1919. Esta escuela se constituyó como una auténtica vanguardia artística y arquitectónica, la más importante en la historia del siglo XX, que trasciende hasta nuestros días.

Weimar, Gropius y la Bauhaus

Pocas semanas después de ser asesinados en Berlín el 15 de enero de 1919 los revolucionarios Rosa Luxemburgo y Karl Liebknecht se funda la Bauhaus en la ciudad de Weimar. Producto de una revolución proletaria en noviembre de 1918 y de la derrota de la insurrección de enero de la Liga Espartaquista –aplastada violentamente por el ala derecha de la socialdemocracia encabezada por Friedrich Ebert– la República de Weimar surge de una asamblea nacional el 11 de agosto. La derrota de Alemania significó una humillación para la naciente y poderosa burguesía germana que después emprendería, comandada por Hitler y sus huestes nazis, afanes imperialistas y nuevamente una guerra mundial. La abdicación del Káiser Guillermo II, el fin de la guerra y la desaparición del II Reich desembocaron en el nuevo régimen republicano. Con la derrota estalló una crisis económica, social y política, pero también una efervescente creatividad en las artes y las ciencias. Este régimen tuvo vigencia de 1919 a 1933, precisamente la vida de la Bauhaus. A partir de 1920, inicia un gran florecimiento cultural y artístico, como bien señala el historiador Eric Weitz: “El espíritu de la revolución creó la sensación de que se abría un nuevo futuro, de posibilidades ilimitadas, que podía desarrollarse de forma más humanitaria. Y ello explica a su vez gran parte de los movimientos innovadores durante la República… La elite conservadora impugnó a la República de Weimar en su totalidad. El trabajo de los artistas, pensadores y arquitectos… fue muy cuestionado por los conservadores. Se trataba de la derecha establecida: los aristócratas, altos funcionarios, oficiales de las fuerzas armadas, banqueros, gente de la iglesia, que no sólo eran antisocialistas y anticomunistas, sino también antidemocráticos. La revolución de 1918/19 dejó intacto su poder. Estableció una democracia política, pero no terminó con la posición social y el poder de la elite ultraconservadora. Esa elite conservadora desafió a la República en todo momento. Muchos de los conflictos se centraron no necesariamente en la esfera política, sino también en los ámbitos cultural y social. Existió por ejemplo la “guerra de los techos de Zehlendorf”, en la que arquitectos y políticos conservadores, incluidos los nazis, argumentaron que los techos planos de la arquitectura moderna no eran alemanes. Para los conservadores, los techos debían ser a dos aguas y puntiagudos. Incluso se tildó a los techos planos de judíos”. La lucha de clases fue muy intensa pero en la República ahora permanecía de manera latente y la oligarquía mantenía el poder dentro de un relativo equilibrio de fuerzas que se inclinó a su favor con la toma del poder por el Partido Nacionalsocialista Obrero Alemán (Nazi) en 1933. El ascenso del fascismo fue la respuesta de la clase dominante alemana a los acontecimientos revolucionarios que siguieron a la Primera Guerra Mundial. “La llegada al poder de los ‘nacionalsocialistas’ significará sobre todo el exterminio de la flor y nata del proletariado alemán, la destrucción de sus organizaciones” (Trotsky). La política de los socialdemócratas y los estalinistas fue mantener dividido e indefenso al movimiento obrero frente a la amenaza nazi, y el fascismo alemán abrumó como una terrible pesadilla hasta 1945.

La posguerra generó una proliferación de variedades del radicalismo social –y como escribe Donald Drew Egbert en su libro El arte y la izquierda en Europa: de la Revolución Francesa a Mayo de 1968– haciendo “surgir asimismo una gran variedad de movimientos artísticamente radicales, que entendían ser una parte integral de la revolución… Los movimientos modernos en las diversas artes y que recibieron su expresión más importante en la famosa escuela de la Bauhaus, no fueron –en términos políticos– específicamente socialistas o comunistas en su origen o en su desarrollo”. Tales movimientos artísticos subrayaban la importancia de una síntesis orgánica de las artes, sin formular distinción entre arte y artesano; síntesis propia del espíritu pedagógico de la Bauhaus.

La historia de la Bauhaus inicia cuando Walter Gropius, berlinés (1883–1969), une la Escuela de Bellas Artes con la Escuela de Artes Aplicadas o Escuela de Artes y Oficios en Weimar, tierra de Goethe y Schiller. Gropius fue su primer director y reunió a maestros de muy alto nivel y prestigio para la educación de las artes y el diseño. El nombre completo de la escuela fue Staatliche Bauhaus (Casa de la Construcción Estatal).

La Bauhaus como síntesis total del arte y el diseño modernos

La escuela tuvo tres periodos: de 1919 a 1925; de 1926 a 1930, y de este año a 1933. Hubo tres directores: Walter Gropius, de 1919 a 1928, Hannes Meyer, suizo (1889-1954), de 1928 a 1930, Ludwig Mies van der Rohe, Aquisgrán, Alemania (1886-1969), de 1930 a 1933. Weimar, Dessau y Berlín, fueron las ciudades que alojaron a la escuela.

Gropius escribió en abril de 1919 el Manifiesto de la Bauhaus: “¡El último fin de toda actividad plástica es la arquitectura! Decorar las edificaciones fue antaño la tarea mas distinguida de las artes plásticas, que constituían elementos inseparables de la gran arquitectura(…) ¡Arquitectos, escultores, pintores, todos debemos volver a la artesanía! No existe ninguna diferencia esencial entre el artista y el artesano ¡Formemos pues un nuevo gremio de artesanos sin las pretensiones clasistas que querían erigir una arrogante barrera entre artesanos y artistas!”

Nunca en tan poco tiempo y en el mismo lugar se reunieron tan grandes maestros del arte y la arquitectura moderna: Paul Klee, Vassily Kandisky; Gropius y Van der Rohe. Algunos profesores de la escuela también pertenecían al Novembergruppe –Grupo de Noviembre, por la revolución alemana de noviembre de 1918–, movimiento artístico ligado al expresionismo, fundado en Berlín el 3 de diciembre de 1918. Entre sus miembros figuraron pintores y escultores, entre otros, como Kandinski, Klee, Lyonel Feininger, y Käthe Kollwitz; arquitectos como Erich Mendelsohn y Van der Rohe; compositores como Alban Berg y Kurt Weill; y el dramaturgo Bertolt Brecht. Ese año, también bajo el influjo de la Revolución, siguiendo el ejemplo de las asambleas de trabajadores y de soldados, se formó el Arbeitsrat für Kunst (Consejo Obrero para el Arte), de cuya dirección formó parte Gropius. Muchas agrupaciones de todo tipo anhelaban el cambio social necesario para “crear una nueva humanidad, una nueva forma de vida del pueblo… entonces el pueblo volverá a participar en la construcción de las grandes obras de arte”, escribió Gropius.

La Bauhaus también fue consecuencia de grandes movimientos artísticos que le precedieron como Arts and Crafts (Artes y Oficios), encabezado por el inglés William Morris. El mismo Gropius reconoció la influencia de Morris y de John Ruskin. El Art Nouveau o Jugendstil igualmente influyó. También fue precursora la Deutscher Werkbund (DWB. Asociación Alemana del Trabajo), fundada en 1907 para fomentar la colaboración entre la industria y el diseño, Gropius fue destacado integrante de la DWB. Gropius siempre consideró que la separación entre bellas artes y oficios, ocurrida en la tradición académica, había causado un desastre sobre las artes. El dadaísmo, el cubismo, el suprematismo y el constructivismo rusos, De Stijl y la Secesión vienesa, fueron influencias contemporáneas sobre la Bauhaus.

La Bauhaus no solamente es el fruto de una época que se sentía revolucionaria sino también es producto esencial de los procesos políticos y económicos. De los primeros con relación a la luchas de clases y de los segundos con el desarrollo capitalista de una industrialización tardía pero muy poderosa. La Bauhaus se trasladó en 1925 a la progresista ciudad industrial de Dessau, debido a la caída del gobierno provincial de Weimar en 1923 por causa del supuesto radicalismo político de la escuela. En Dessau existía un gobierno socialdemócrata y facilitó la construcción del edificio diseñado por el propio Gropius. La Bauhaus siempre recibió el apoyo de los partidos de izquierda y siempre fue atacada por la derecha política.

En 1928 Gropius renuncia a la dirección de la escuela y ante la negativa de Van der Rohe propone a Hannes Meyer, quien era entonces director de la sección de arquitectura. Meyer se declaraba abiertamente comunista y permitió la extrema politización izquierdista de la escuela. Meyer consideraba que las reflexiones de Gropius acerca de la relación entre arte e industria eran superficiales y completamente dominadas por la estética. También era visiblemente simpatizante de la URSS, ya para entonces dominada por Stalin. En los años treinta y en adelante a Meyer podemos considerarlo un estalinista con una visión “marxista” de la arquitectura demasiada dogmática. El 1 de agosto de 1930, Meyer fue despedido por motivos políticos. Su sucesor fue Ludwig Mies van der Rohe.

Tom Wolfe escribió en 1975 un libro: ¿Quién teme al Bauhaus feroz? El 30 de enero de 1930 la Bauhaus es declarada por el nazismo como fuerza política subversiva, “nido de comunistas” y como la élite de “color rojo”; bolchevismo cultural, judía, y “arte degenerado”. En 1933, en Berlín se cierra la Bauhaus y el edificio en Dessau se convierte en sede de un cuerpo militar destinado a ejecutar a todo enemigo del nazismo. El contraste era muy claro, por un lado, el fascismo representa fielmente el totalitarismo de la barbarie social y, por otro, la Bauhaus la modernidad progresiva y una utopía social.


Román Munguía Huato
Es académico de la Universidad de Guadalajara (México).

sábado, 22 de dezembro de 2018

Kit satânico, nazismo de esquerda, globalismo...



Por Luiz Fernando Menezes e Ana Rita Cunha
13 de dezembro de 2018, 17h59

Maconha causa câncer; agrotóxicos não fazem mal à saúde; escolas públicas promovem erotização infantil; PT tem ligações com o PCC. Informações falsas ou controversas têm pontuado declarações de ministros anunciados pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), mostra levantamento de Aos Fatos em posts e vídeos nas redes sociais, em reportagens e em entrevistas concedidas pelos novos integrantes do primeiro escalão do Executivo federal.
Confira abaixo o que encontramos.

1

Erotização infantil e satanismo
Damares Alves, futura ministra de Direitos Humanos, da Família e dos Direitos da Mulher notabiliza-se por palestras, todas disponíveis online, onde aborda temas que se destacaram entre as notícias falsas propagadas nas eleições presidenciais. Exemplo disso são as hipóteses de que as crianças são erotizadas ou receberam ‘kit satânico’ nas escolas públicas.
Para defender a existência de uma suposta erotização infantil, Damares distorceu, em uma palestra de 2013, a origem e a faixa etária indicada de cartilhas educativas. Na ocasião, ela afirmou que o livro francês Aparelho Sexual e Cia ( Zep, pseudônimo do suíço Phillipe Chappuis, e Hélène Bruller, 2007) é vendido para crianças de 2 a 3 anos. A editora da publicação no Brasil, a Companhia das Letras afirmou, porém, que o livro destina-se a adolescentes. Nos últimos meses, as redes sociais foram tomadas por vídeos, imagens e links que afirmavam categoricamente que a obra era parte do famigerado ‘kit gay’, o projeto Escola Sem Homofobia, o que não é verdade. A informação falsa chegou a ser propagada inclusive pelo presidente eleito Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional.
Na mesma palestra, a agora futura ministra também disseminou informações falsas ao dizer que a gestão de Marta Suplicy (ex-PT, hoje MDB) na Prefeitura de São Paulo contratou uma ONG para "ensinar professores de creches sobre ereção de bebês e masturbação". Como fonte, Damares citava uma reportagem de 2004 do Estado de S. Paulo, que, por sua vez, não traz a informação citada por ela na palestra.
O que o jornal denunciou, na verdade, foi a contratação dos serviços do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS), ONG ligada à própria Marta Suplicy, "para desenvolver um projeto de sexualidade e direitos reprodutivos nas escolas". Não há qualquer menção a “ereção de bebês”.
Já em uma palestra em 2016, Damares afirmou que um "kit satânico" estaria sendo distribuído nas escolas pelo governo, mas essa informação provou-se falsa, como Aos Fatos checou durante as eleições. Na realidade, o kit nada mais era do que o material de apoio ao projeto educacional BÚ! Histórias de Medo e Coragem.
Distribuído em algumas escolas, o material pretendia incentivar os alunos a produzirem conteúdos sobre medos e coragem por meio da leitura e produção de contos. Esse projeto é uma das ações de incentivo a literatura do Programa Endesa Brasil de Educação e Cultura e do Ministério da Cultura.
Damares Alves é advogada e pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular. Sua carreira política começou em meados de 2010, quando trabalhou para o senador Arolde de Oliveira (PSD). Desde 2015, ela é assessora parlamentar do senador Magno Malta (PR).

2

Maconha causa câncer
O futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), já divulgou informações controversas sobre o consumo de maconha durante uma audiência da Comissão da Seguridade Social e Família de maio de 2015 na Câmara dos Deputados. Para ele, não há sentido legalizar a droga, já que ela “dá câncer”. Nesse mesmo discurso, Mandetta chegou a ironizar o consumo da erva dizendo que: “se o cara começa na maconha, passa pra cocaína, vai no crack, acaba votando no PT no final do processo todo”.
Por mais que o consumo de maconha traga riscos à saúde, como o aparecimento de sintomas de bronquite crônica e interferências em funções cognitivas e motoras, ainda não é possível correlacionar o câncer com a droga. Segundo o estudo de 2015 “An epidemiologic review of marijuana and cancer: an update”, da revista Cancer, Epidemiology, Biomarkers & Prevention, que reuniu 34 estudos epidemiológicos sobre maconha e câncer, não há como ter certeza se o consumo aumenta o risco de contrair a doença.
Um estudo deste ano, publicado na revista americana Chest, revisou outros artigos que tratam somente da correlação com doenças do pulmão. Segundo o artigo, “um grande estudo de corte e uma análise conjunta de seis estudos de caso bem realizados não encontraram evidências de uma ligação entre o fumo de maconha e o câncer de pulmão”.
Os dois estudos citados apontam que os riscos só serão realmente conhecidos quando forem realizadas mais pesquisas em comunidades onde o acesso a droga é maior (como acontece com o cigarro de tabaco, por exemplo).
Mandetta é médico ortopedista e entrou para a política em 2005, quando assumiu a pasta de Saúde da prefeitura de Campo Grande (MS), durante o governo de Nelson Trad Filho (MDB). Em 2010 foi eleito deputado federal, cargo no qual permanece até hoje. Também foi presidente da Unimed da capital de Mato Grosso do Sul de 2001 a 2004.

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Conservadorismo brasileiro
Quando aceitou o convite de Bolsonaro, o futuro ministro da Educação, Ricardo Veléz Rodriguez, disse que adotaria uma posição de “elaboração de normas no contexto da preservação de valores caros à sociedade brasileira, que, na sua essência, é conservadora”. Porém, o resultado das duas últimas pesquisas nacionais sobre a aceitação de pautas e visões conservadoras e progressistas no país mostram uma realidade distinta.
O levantamento realizado pelo Datafolha concluiu que a maioria das pessoas acredita que imigrantes “contribuem com o desenvolvimento e a cultura” (70%), que a homossexualidade “deve ser aceita por toda a sociedade” (74%) e que os cidadãos não deveriam ter o direito à posse de armas (55%). Tais resultados aproximam a opinião pública da visão progressista.
A pesquisa do Ideia Big Data, por sua vez, apontou que 65,5% dos brasileiros acreditam que pessoas do mesmo sexo devem ter o direito de se casar; que 62,6% concordam que esses casais possam adotar crianças; e que 62,4% acham que direitos humanos devem valer para todos, incluindo bandidos. As posições também são distintas do pensamento conservador a que Veléz Rodriguez se referia.
Por outro lado, os brasileiros são, de fato, mais conservadores quando o assunto é a liberação de drogas e do aborto, de acordo com os dois levantamentos: 55,4% não acham que a maconha deve ser legalizada, segundo o Ideia Big Data. A regulamentação do aborto é reprovada por 70% dos entrevistados pelo Datafolha.
Ricardo Veléz Rodriguez é professor-colaborador do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora). Em suas falas, já se posicionou favoravelmente ao Escola Sem Partido e criticou o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Foi indicado pelo professor Olavo de Carvalho logo após a bancada evangélica se posicionar contra o primeiro nome, do educador Mozart Neves.

4

Agrotóxico como remédio
Tenho certeza de que não há ‘veneno’ nenhum. É discurso porque, primeiro, as pessoas só usam defensivos quando necessário, como remédios”, disse a deputada federal e futura ministra da Agricultura Tereza Cristina (DEM-MS) em um evento na Câmara de Campo Grande em junho deste ano. Defensora ferrenha do uso do agrotóxicos, a líder da bancada ruralista na Câmara Federal foi apelidada por seus colegas de Musa Veneno pelo empenho na tramitação do PL 6299/2002, que flexibiliza regras de controle de agrotóxicos no Brasil.
A certeza de que os defensivos agrícolas não causam mal à saúde vai, porém, contra diversos estudos científicos, como o Science and Total Environment de 2017. Segundo a pesquisa, que reuniu a bibliografia de diversos outros artigos sobre o tema, “as associações estatísticas entre a exposição a certos agrotóxicos e a incidência de algumas doenças são convincentes e não podem ser ignoradas”, ainda que seja difícil elucidar os impactos dos produtos na saúde humana devido a vários fatores, como tipo de pesticida, tempo de exposição e características ambientais.
Os dados disponíveis sobre danos à saúde causados pelos defensivos no Brasil também são alarmantes. Foram registrados 4.003 casos de intoxicações por agrotóxicos agrícolas no país em 2017, cerca de 11 por dia, segundo o Ministério da Saúde e a Fundação Fiocruz.
Dentre os efeitos mais preocupantes associados à exposição a agrotóxicos, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, “os mais preocupantes são as intoxicações crônicas, caracterizadas por infertilidade, impotência, abortos, malformações , neurotoxicidade, manifestada através de distúrbios cognitivos e comportamentais e quadros de neuropatia e desregulação hormonal, ocorrendo também em adolescentes, causando impacto negativo sobre o seu crescimento e desenvolvimento dentre outros desfechos durante esse período”. As informações constam do Dossiê Científico e Técnico contra o PL 6299/02 (parte 1 e parte 2).
Já o Atlas dos Agrotóxicos calcula que, de 2007 a 2014, pelo menos 1.186 pessoas morreram intoxicadas por defensivos agrícolas, uma média de 148 mortes por ano. Ainda assim, o documento alerta para uma subnotificação das ocorrências: calcula-se que, para cada caso de intoxicação notificada, outros 50 não sejam notificados.
Tereza Cristina é engenheira agrônoma, produtora rural e deputada federal pelo Mato Grosso do Sul desde 2015, quando ainda era filiada ao PSB. Ela foi uma das responsáveis pelo apoio declarado da Frente Parlamentar da Agropecuária (que reúne hoje 262 parlamentares) a Jair Bolsonaro ainda antes do primeiro turno das eleições.

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Nazismo era de esquerda
O futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo), publicou em setembro deste ano um artigo na plataforma Medium em que sustenta que o nazismo era parte da esquerda e classificou o movimento liderado por Adolf Hitler de “socialismo de preto” (em um paralelo com o comunismo, que seria o “socialismo de vermelho”).
A informação, claro, é falsa, mas chegou a circular com tal força que a Embaixada da Alemanha no Brasil fez um vídeo explicando a história do nazismo naquele país e explicando que o movimento era uma ideologia cunhada na extrema-direita: "devemos nos opor aos extremistas de direita, não devemos ignorar, temos que mostrar nossa cara contra neonazistas e antissemitas".
Ricardo de Aquino Salles foi candidato a deputado federal pelo Partido Novo nessas eleições, mas não conseguiu ser eleito. Antes da pasta, o advogado também foi secretário do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e também ocupou a pasta de Meio Ambiente paulista durante o governo tucano.
Durante a campanha eleitoral deste ano, ele defendeu uma política da “Tolerância Zero” em que propunha balas de fuzil como a solução para questões como “praga do javali” e “esquerda e o MST”. O partido Novo, ao qual Salles é filiado, manifestou-se dizendo que não aprovava a mensagem.

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Pesquisas fake por Bolsonaro
O futuro ministro da Secretaria Geral da Presidência e coordenador da campanha vitoriosa de Jair Bolsonaro, Gustavo Bebianno (PSL), já lançou mão de pesquisas falsas em favor do seu candidato em publicações no Instagram, rede social que mais usa.
A primeira era uma suposta pesquisa de político mais honesto do Brasil. A imagem compartilhada por Bebianno é de um post do site Hoje Notícias, que já foi tirado do ar. A Fundação Transparência Política Internacional, à qual é atribuído o ranking, também não existe. Um versão semelhante da notícia falsa publicada por Bebianno já foi checada por Aos Fatos, durante o período eleitoral.
Outra falsa pesquisa compartilhada por Bebianno foi sobre apoio feminino a Bolsonaro. Ele compartilhou a imagem de um post do site Jornal Publi Cidade sobre um suposto aumento do apoio das mulheres por conta da defesa à castração química de estupradores. O texto do próprio post contradiz o título ao não mencionar nenhuma pesquisa e ao citar como fonte da informação uma reportagem do UOL com entrevistas de simpatizantes de Bolsonaro. A reportagem do UOL, de junho desse ano, cita a rejeição das mulheres, de acordo com pesquisas de intenção de votos da época, e busca entender o que motivava as que apoiavam o então candidato do PSL.
Advogado, Bebianno aproximou-se de Bolsonaro em 2017 e, no começo de 2018, assumiu a presidência do PSL, logo após a filiação do hoje presidente eleito. A partir daí, tornou-se um dos principais coordenadores da campanha. Logo após a eleição de Bolsonaro, Bebianno deixou a presidência do PSL e, em 12 de novembro, foi indicado ao primeiro escalão do futuro governo.

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Escola Sem Partido
Símbolo da Operação Lava Jato e futuro ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro minimizou a importância do projeto Escola Sem Partido para o governo que integrará a partir de janeiro. Na entrevista coletiva após a confirmação da sua indicação, no começo de novembro, ele disse que não havia “proposta concreta sobre este tema” por parte da administração Bolsonaro. A fala ignora que pilares do Escola Sem Partido constam na plataforma de governo apresentada pelo hoje presidente eleito nas eleições, como o ensino “sem doutrinação e sexualização precoce”.

8

Médicos cubanos
O futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), também disseminou informações falsas a respeito do programa Mais Médicos, que será tutelado por ele a partir de 1º de janeiro. Segundo o ortopedista e deputado federal publicou em sua biografia oficial, o governo federal “tratou esses trabalhadores [médicos cubanos], não como trabalhadores individuais, mas como trabalhadores de um país como uma commodity, atingindo os trabalhadores, retendo seus salários, retendo seus documentos, proibindo seu deslocamento livre no território brasileiro”.
Mas não é verdade que o governo brasileiro fazia a retenção de salários dos médicos cubanos. Como Aos Fatos já explicou em uma checagem anterior, graças a um acordo com a Opas (Organização Panamericana de Saúde), o Brasil pagava o salário dos profissionais é destinado à organização, que dividia o valor para o médico e para o governo de Cuba, que ficava com a maior parte.
Também não foram identificadas informações que atestem o fato de o governo reter os documentos dos médicos cubanos e a suposta proibição de deslocamento pelo território brasileiro.

9

Aliança do PT com o PCC
O futuro ministro da Educação, Ricardo Veléz Rodriguez, também cercou-se polêmicas em 2014 ao dizer, em seu perfil no Facebook, que o PT estaria ligado aos “criminosos da facção mais perigosa que opera no Brasil, com táticas de guerrilha urbana, o PCC”.
O suposto vínculo entre o partido e a facção vem de 2006, quando o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, disse que haviam inquéritos que apontavam uma “correlação” entre os dois. Segundo uma ligação interceptada de criminosos do PCC, a facção criminosa combinou ataques contra políticos, menos os do PT, o que poderia indicar alguma ligação.
Logo após, o presidente do PFL da época, Jorge Bornhausen, e o então candidato José Serra (PSDB) acusaram o PT de envolvimento com a facção. Foi aberto um inquérito para apurar a ligação entre os dois. Aos Fatos não encontrou nenhuma atualização sobre o caso. Portanto, além de não haver provas que atestem o vínculo, o caso também se referia apenas ao Estado de São Paulo.
Houve ainda o caso do deputado estadual Luiz Moura (PT-SP), que teria participado de uma reunião na qual estariam presentes integrantes do PCC, segundo a polícia. A suspeita fez com que ele fosse expulso do partido. Mais uma vez, o caso não angariou provas que pudessem atestar ligações diretas e formais entre o PT e o PCC.

10

Maconha reduz Q.I de jovens
Futuro ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra (MDB), que também é médico, publicou no Twitter em agosto deste ano que “maconha reduz o QI” ao compartilhar uma reportagem do G1 sobre uma tese da UFMG de que usuários de maconha tinham mais dificuldade para passar nas matérias da faculdade.
Porém, a reportagem não traz qualquer afirmação parecida: houve comparação de rendimento escolar entre usuário e não-usuários (apenas 50,7% dos estudantes que fumam maconha passaram direto em todas as disciplinas, enquanto entre os não usuários a proporção foi de 66,1%, por exemplo), mas sem definição de causalidade.
Por mais que existam estudos que sugerem que o consumo de maconha por adolescentes podem diminuir sua capacidade mental, há outros que mostram o contrário: em 2016, um artigo da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos estudou a influência da erva em gêmeos e constatou que foram encontradas “poucas evidências para sugerir que o uso de maconha adolescente tem um efeito direto sobre o declínio intelectual”.
Esta será a segunda vez do médico Osmar Terra no comando de uma pasta ministerial. O emedebista foi ministro do Desenvolvimento Social no governo de Michel Temer (MDB). Em sua carreira política ele também foi prefeito de Santa Rosa (RS), secretário de Saúde do Rio Grande do Sul e é deputado desde 2001.

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Rombo da Previdência
O futuro ministro da Casa Civil e atual ministro extraordinário de Transição, Onyx Lorenzoni (DEM), foi um crítico contumaz da Reforma da Previdência enviada ao Congresso pelo presidente Michel Temer (MDB) em dezembro de 2016. Para barrar o projeto, ele lançou mão, inclusive, de informações incorretas.
Durante audiência da comissão especial que analisava o projeto, em abril de 2017, Lorenzoni afirmou que o problema principal do Regime Geral de Previdência Social é a unificação da previdência rural, "que, na verdade, é assistência e, por isso, deficitária" com a urbana, que seria, de acordo com Lorenzoni, superavitária.
Porém, em 2016, a previdência urbana teve déficit de R$ 46,3 bilhões e a rural, R$ 103,4 bilhões, em valores nominais, de acordo com o Ministério da Fazenda. Esse era o dado mais recente disponível na época da fala do hoje ministro.

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A cruzada contra o globalismo
Ernesto Araújo, futuro ministro das Relações Exteriores, também é conhecido por ter opiniões controversas, muitas das quais não podem ser comprovadas factualmente. Em seu blog pessoal, por exemplo, ele cita a existência de uma política globalista: “Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anti-cristão”.
Posição que também é adotada pelo presidente americano, Donald Trump, a teoria propaga que ONU, União Europeia, China e ONGs financiadas por bilionários como George Soros comandariam um plano para dominação global e substitução das culturas tradicionais por uma moral secular, cosmopolita e esquerdista.
De acordo com o professor de Relações Internacionais da FAAP e da PUC-SP, David Magalhães, a tese, originalmente defendida no Brasil por Olavo de Carvalho em seu texto “Do Marxismo Cultural”, publicado no jornal O Globo em 2002, foi concebida pelo escritor Willian S. Lind. Segundo ele, o movimento revolucionário comunista preconizava introduzir seus ideais em todas as instituições que influenciavam a cultura, como igrejas, universidades, escolas e imprensa.
Ainda segundo essa teoria, os marxistas teriam conseguido ocupar todos os “meios de pensamento” dos EUA, das universidades aos estúdios de Hollywood. Segundo Olavo de Carvalho: “seus dogmas macabros, vindos sem o rótulo de ‘marxismo’, são imbecilmente aceitos como valores culturais supra-ideológicos pelas classes empresariais e eclesiásticas, cuja destruição é o seu único e incontornável objetivo. Dificilmente se encontrará hoje um romance, um filme, uma peça de teatro, um livro didático onde as crenças do marxismo cultural” não apareçam.
Ernesto Araújo atualmente é diplomata há 29 anos e diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Internacionais do Itamaraty. Junto com Ricardo Veléz, é o segundo ministro indicado pelo filósofo Olavo de Carvalho.

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Os reclusos da Esplanada
O levantamento realizado por Aos Fatos nos perfis de redes sociais, blogs, artigos, reportagens e entrevistas concedidas pelos futuros ministros de Bolsonaro esbarrou na falta de informações públicas e verificáveis de outros membros da futura Esplanada dos Ministérios. É o caso de Roberto Campos Neto (Banco Central), André Luiz de Almeida Mendonça (AGU), General Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), Tarcísio Gomes de Freitas (Ministério da Infraestrutura), Gustavo Henrique Canuto (Desenvolvimento Regional), General Fernando Azevedo e Silva (Ministério da Defesa), Wagner Rosário (Controladoria Geral da União), General Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Guedes (Ministério da Economia) e Bento Costa Lima Leite (Ministério de Minas e Energia).



Outro lado. Aos Fatos entrou em contato com os dez ministros que tiveram declarações analisadas nesta reportagem, mas não obteve respostas até a publicação desta reportagem.


Fonte: https://aosfatos.org/noticias/kit-satanico-nazismo-de-esquerda-globalismo-investigamos-o-que-ja-disseram-ministros-de-bolsonaro/

Imagem: Não consegui identificar a fonte da imagem.

domingo, 15 de março de 2015

HISTÓRIA EXTRAORDINÁRIA *


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No verão de 1942, a Ucrânia é administrada pelos nazistas com a brutalidade que os caracteriza. No entanto, os alemães quiseram organizar partidas de futebol entre os diferentes países ocupados ou satelitizados no Leste. E eis que uma equipe logo de distingue, acumulando vitórias contra seus adversários romenos ou húngaros: o FC Start, montado às pressas a partir da ossatura do defunto Dínamo de Kiev, proibido desde o início da ocupação, mas cujos jogadores foram chamados de volta para a ocasião.

A notícia dos sucessos dessa equipe chega aos alemães, que decidem organizar uma partida de prestígio em Kiev, entre a equipe local e a equipe da Luftwaffe. Os jogadores ucranianos são obrigados, no momento da apresentação das equipes, a fazer a saudação nazista.

No dia da partida, as duas equipes entram no estádio, lotado, e os jogadores alemães estendem o braço, gritando: "Heil Hitler!". Os ucranianos também estendem o braço, por certo para a decepção do público que, evidentemente, vê na partida a ocasião de uma demonstração de resistência simbólica ao invasor. Mas, em vez de pontuarem seu gesto com o "Heil Hitler" convencionado, os jogadores fecham o punho, dobram o braço sobre o peito e gritam: "Viva a cultura física!". O slogan, impregnado de conotação soviética, faz o público delirar.

Mal iniciada a partida, um atacante ucraniano tem a perna fraturada por um jogador alemão. Ora, na época não há reservas. O FC Start deve assim jogar com dez. Em superioridade numérica os alemães abrem o placar. A situação parece bem difícil, mas os jogadores de Kiev não desistem. Conseguem o empate, para a alegria da multidão. Depois marcam um segundo gol, que faz o estádio explodir.

No intervalo, o general Eberhardt, superintendente de Kiev, vai visitar os jogadores ucranianos no vestiário e lhes faz este discurso: "Bravo, vocês jogaram muito bem e nós apreciamos. Só que agora no segundo tempo, vocês devem perder. Devem! A equipe da Luftwaffe nunca foi derrotada, especialmente em territórios ocupados. É uma ordem! Se vocês não perderem, serão executados".

Os jogadores escutam em silêncio. De volta ao campo, sem acordo prévio e após um breve momento de incerteza, eles tomam sua decisão: vão jogar. Marcam um gol, depois mais um, acabam vencendo por cinco a um. O público ucraniano delira. O lado alemão resmunga. Tiros são disparados no ar. Mas por enquanto nenhum dos jogadores é ainda atingido, pois os alemães pretendem lavar a afronta em campo.

Três dias depois, uma revanche é organizada e anunciada através de uma grande quantidade de cartazes. Nesse meio tempo, os alemães fazem vir com urgência jogadores profissionais de Berlim para reforçar a equipe.

A segunda partida começa. O estádio está de novo lotado, mas desta vez tropas da SS se postam ao redor, oficialmente a fim de manter a ordem. Os alemães abrem outra vez o placar. Mas os ucranianos reagem e vencem por cinco a três. No final da partida, a torcida ucraniana delira de alegria, mas os jogadores estão lívidos. Os alemães disparam tiros, o campo é invadido. Na confusão três jogadores desaparecem na multidão. Eles sobreviverão à guerra. O resto da equipe é detido e quatro jogadores são imediatamente levados a Babi Yar, onde são executados. Ajoelhado diante da cova, o capitão e goleiro Nicolaï Trusevich tem tempo de gritar, antes de receber uma bala na nuca: "O esporte vermelho não morrerá jamais!". Os outros jogadores serão a seguir também assassinados. Hoje , um monumento lhes é dedicado diante do estádio do Dínamo.


* Texto extraído do livro HHhH de Laurent Binet (Companhia das Letras), gentilmente emprestado pelo amigo Cristóvão Feil.

domingo, 17 de junho de 2012

A AURORA DOURADA DOS NEONAZISTAS GREGOS

Fonte desta imagem AQUI.

Uma tarde no bairro controlado pelos neonazistas em Atenas

Os brutamontes da extrema-direita da Aurora Dourada se encarregaram de semear a ordem segundo seus costumes : zero imigração africana ou magrebina, zero moradores de rua, zero pichações. Não voa uma mosca sem que eles cortem suas asas. Seu reinado se estende desde a Praça Ática até Agios Panteleimonas. A Aurora Dourada fez de Agios Panteleimonas seu trampolim de conquista. Irrompeu no bairro em 2009 e em 2012 já obteve o melhor resultado eleitoral de sua história (15%). O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Atenas.

Eduardo Febbro, direto de Atenas para CM

Atenas - O crepúsculo está em calma. A Aurora Dourada vela pela ordem nesta área central de Atenas onde não restou nem um imigrante nem um indigente das redondezas. A extrema direita grega e seus brutamontes de poucas palavras fizeram do bairro de Agios Panteleimonas (a igreja ortodoxa) seu sítio privado. « É preciso colocar minas terrestres nas fronteiras para que os imigrantes não entrem », diz um tipo enorme que não dá seu nome porque não quer. Mas diz sem rodeios : « tem cara de esquerdista, como teu governo », diz em tom de ameaça.

Houve uma época em que este perímetro de Atenas era um bairro popular, com crianças que jogavam nas ruas e garantiam uma barulhenta desordem. Já não é mais assim. Os brutamontes da extrema-direita da Aurora Dourada se encarregaram de semear a ordem segundo seus costumes : zero imigração africana ou magrebina, zero moradores de rua, zero pichações. Não voa uma mosca sem que eles cortem suas asas.

Seu reinado se estende desde a Praça Ática até Agios Panteleimonas. O número 52 da rua Aristomenus ainda carrega as marcas da ação da Aurora Dourada. Em 2010, os valentões do partido de Nikos Michaloliakos queimaram o local onde os imigrantes muçulmanos vinham rezar. A polícia não abriu nenhuma investigação e nenhum vizinho protestou. Esta é a terra da Aurora. Terra grega, como demonstra o ondulante silêncio das bandeiras com as cores nacionais que tremulam nas sacadas.

A Aurora Dourada obteve nas eleições de maio passado seu melhor resultado : 15% dos votos, o dobro. « Tenham medo, já chegamos », disse Nikos Michaloliakos no dia seguinte. A metodologia dos músculos deu seus frutos. A Aurora Dourada fez de Agios Panteleimonas seu trampolim de conquista. Irrompeu no bairro em 2009 e em 2012 já conseguiu o melhor resultado eleitoral de sua história. Os estrangeiros que ocupavam a zona ou dormiam na esplanada da igreja foram expulsos a golpes. Imigrantes, judeus, maçons, todos são inimigos da nação para este partido fundado por Michaloliakos nos anos 80, logo depois de ter saído da prisão onde cumpriu uma pena (várias na realidade) por atividades subversivas e violência. De modo similar a outros movimentos europeus de ultra-direita, a Aurora Dourada cresceu sob o tema da imigração.

Em frente da igreja Agios Panteleimonas há um bar de onde os agentes da Alba vigiam a praça. É o seu reino. Os ultras chegaram a ordenar até o fechamento da praça de esportes de Agios Panteleimonas. Por quê ? « Vê-se que você não vive aqui, por isso pergunta essas coisas : porque os negros e os romenos sujos vinham dormir aqui e sujar a praça », disse Kostas, um morador local com claras simpatias pela Alba. A polícia do bairro não interviu. Ela depositou a autoridade nas mãos dos neonazistas. A Grécia tem uma população de 11 milhões de habitantes e há um milhão de imigrantes. Um de cada quatro policiais votou pela Aurora Dourada nas últimas eleições.

Tudo aconteceu muito rápido para os gregos. Em apenas uma década : o euro, a falsa riqueza, os créditos fáceis, a imigração, a crise e o abismo. Muitos analistas e militantes anti-racistas pensam que o voto a favor dos neonazistas reflete o medo e a incompreensão, muito mais do que uma ideologia.

Como em todas as partes, Áttica e Agios Panteleimonas têm um anjo : Thanassis Kurkulas, responsável por uma ONG que luta contra o racismo instalada no bairro há cinco anos, Deport Racism. Kurkulas reconhece o perigo que representaria a Aurora Dourada repetir neste domingo os votos de maio passado e ingressar no Parlamento (o que surgiu em 6 de maio nunca se reuniu pelo fracasso em constituir uma maioria de governo). Mas também reconhece que « o imã dos neonazistas é forte : falam contra a Comissão de Bruxelas e contra os imigrantes e isso atrai votos, mas não são votos realmente ideológicos ». A situação é psicodélica : Atenas tem um bairro inteiro onde a autoridade pública, a segurança, é assumida por um partido político e não pelas forças da ordem. Polícia ideológica, sem controle algum. A exibição de músculos dos « agentes » da Aurora Dourada mostra que bem que não se trata de uma encenação ou aparência. Eles pegam, Maltratam. Insultam. Agridem. Estado débil, milícia forte.

Os vizinhos de Attica ou de Agios Panteleimonas que não aprovam esses métodos têm demasiado medo para intervir. « Seja como for, é inútil. Há uma clara cumplicidade do Estado », diz Vassilis, um morador da rua Aristomenus. O homem recorda que só uma das centenas de agressões ocorridas nos últimos anos deu lugar a um processo. Silêncio. « A delegacia do bairro não tem nem como pagar a luz. Se não estivéssemos nas ruas, isso seria pior que o inferno », diz Kostas.

As histórias se cruzam nestas ruas com extrema violência. A Grécia padeceu ao extremo sob as garras do nazismo mas hoje vota em mais de 7% em um partido abertamente neonazista. A extrema-direita se alimenta da crise. Em 2010, quando a Grécia já estava em um precipício, Nikos Michaloliakos ganhou um posto de conselheiro municipal de Atenas. Um ano mais trade foi filmado fazendo a saudação nazista, o que lhe valeu o apelido de « Führer ». Ninguém sabe ao certo se as reivindicações de Hitler na televisão ou os excessos cometidos pelos dirigentes da Aurora Dourada depois do resultado de maio passado incrementaram ou, pelo contrário, baixaram seu caudal de votos.

Dimitir Psarras, um respeitado jornalista grego especialista no tema da extrema-direita – ele vive, aliás, no bairro dos extremistas – lembra que « parece não haver vacina contra o passado ». No essencial, Psarras constata que, como em outros países do Velho Continente, o esquecimento apagou o rosto dos neonazistas para instalá-los no presente com o estatuto de atores políticos determinantes. Dimitri Psarras conhece bem o tema. É autor de uma biografia de Georgios Karatzaferis, o líder de outro partido de extrema direita, LAOS, e há alguns anos revelou como uma juíza da Corte Suprema alimentava um blog violentamente antisemita com um pseudônimo. Segundo Psarras, a extrema-direita faz pesar uma espada de Damocles sobre as sociedades : « com eles sempre se corre o mesmo perigo ». Despertam e alimentam os piores instintos. Além disso, obrigam os demais partidos a adotar os temas da extrema-direita e, quando a crise chega ao máximo, oferece soluções fáceis para pessoas que perderam completamente o rumo ».

O bairro de Agios Panteleimonas encontrou o seu com o timão da Aurora Dourada. Ofereceu segurança a cidadãos temerosos e a impôs prontamente. A noite cai suavemente, O vento é cálido, convida a um passeio distraído. Mas cada vez há menos siluetas nas ruas. Em algumas zonas do bairro, para caminhar à noite é preciso pedir permissão, peguntar com educação e agradecer com respeito.

Tradução: Katarina Peixoto

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

EUA protegeram criminosos nazistas

Relatório revela detalhes de como serviço de inteligência dos EUA protegeu criminosos nazistas após a Segunda Guerra. Diante da Guerra Fria, EUA passaram a estar menos interessados em punir tais criminosos já em 1946.
 

Documentos da CIA e das Forças Armadas norte-americanas confirmam que, após a Segunda Guerra Mundial, autoridades aliadas protegeram antigos nazistas e criminosos de guerras, caso provassem que poderiam ser úteis e cooperativos.

"Sem dúvidas, o advento da Guerra Fria outorgou à inteligência norte-americana novas funções, novas prioridades, e novos inimigos. Prestar contas com alemães ou com seus colaboradores se tornou menos urgente. Em alguns casos, isso se tornou até contraproducente", afirma o relatório divulgado na última sexta-feira (10/12) pelo Arquivo Nacional dos Estados Unidos.

"Apesar das variações, esses casos específicos apresentam um padrão: a questão de capturar e punir criminosos de guerra se tornou menos importante ao longo do tempo."

O relatório denominado Hitler's Shadow: Nazi War Criminals, US Intelligence and the Cold War (A sombra de Hitler: criminosos de guerra nazistas, inteligência dos EUA e a Guerra Fria), se baseia em informação considerada confidencial até 2005 e veio a público graças ao Ato de Divulgação de Crimes de Guerra Nazistas, um esforço de Washington com vista a uma posição mais crítica sobre seus próprios segredos.

O documento lança um olhar sobre uma série de antigos membros da SS e da Gestapo que escaparam da Justiça, com a tolerância dos Estados Unidos ou mesmo sua ajuda na fuga.

Guarda de Auschwitz protegido da extradição

Rudolf Mildner, por exemplo, foi preso inicialmente em uma operação à procura de criminosos de guerra que pudessem levar a um movimento clandestino de resistência nazista.

As autoridades norte-americanas sabiam que Mildner havia pertencido à Gestapo durante muito tempo, mas nunca o pressionaram para saber mais detalhes sobre crimes da Gestapo contra judeus ou outros grupos.

Capturado e interrogado em Viena, as autoridades norte-americanas o consideraram "muito confiável e cooperativo".

No entanto, um olhar mais detalhado sobre seu passado revelou que ele ordenara a execução de 500 a 600 poloneses no campo de extermínio de Auschwitz. Confrontado com as acusações, Mildner confessou e o relatório menciona que ele tentou racionalizar suas ações, defendendo que eram para "preservar a ordem e evitar sabotagem".

Posteriormente, países como a Polônia e o Reino Unido pediram a extradição de Mildner. Mas, de acordo com o relatório, "localizar e punir criminosos de guerra não estavam no topo das prioridades das Forças Armadas norte-americanas no final de 1946".

Acredita-se que autoridades dos EUA o protegeram da extradição e facilitaram até mesmo sua posterior fuga para a América do Sul, que se tornou um refúgio para muitos criminosos de guerra nazistas fugindo da Justiça.

Planos de Hitler para Palestina pós-guerra

O material recentemente liberado também lança luz sobre os planos da Alemanha nazista no Oriente Médio, onde as lideranças do regime de Hitler estabeleceram estreitos laços com o Grande Mufti de Jerusalém, Amin Al-Husseini.

Husseini recebeu substancial apoio financeiro e logístico da Alemanha nazista, que pretendia usá-lo para o controle da Palestina, uma vez que a Alemanha tivesse derrotado o Reino Unido no Oriente Médio. Na época, Husseini e Berlim se uniram principalmente por verem nos judeus um inimigo comum.

Os arquivos da CIA e das Forças Armadas norte-americanas agora liberados definem que os Aliados sabiam o suficiente sobre o passado de Husseini para considerá-lo um criminoso de guerra. Temendo a perseguição, ele fugiu para a Suíça, onde as autoridades locais o entregaram à França.

Por temer agitação política na Palestina, o governo britânico foi contra levar Husseini a julgamento. Ele foi então morar na Síria e no Líbano, sempre refutando acusações de ter tido laços com a Alemanha nazista. Ele alegou que visitou Berlim somente para evitar a prisão pelos britânicos.

Ex-nazistas em serviços de espionagem ocidentais

No começo deste ano, a Alemanha liberou documentos da Stasi que mostravam em detalhes como o serviço de inteligência da antiga Alemanha Ocidental empregava antigos nazistas e criminosos de guerra em sua base de pessoal. O serviço de inteligência da antiga Alemanha Ocidental foi formado com a ajuda dos aliados.

Como o bloco soviético se tornou o inimigo comum após 1945, diversos historiadores afirmaram que autoridades aliadas aceitaram amplamente que ex-nazistas escapassem da Justiça, caso suas habilidades se provassem úteis para as novas frentes da Guerra Fria.

Autor: Andreas Illmer (ca)
Revisão: Roselaine Wandscheer

DEUTSCHE WELLE

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

OAB REAGE A ATAQUES CONTRA NORDESTINOS


A seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) entra nesta quarta-feira (3), na Justiça de São Paulo, com representação criminal contra a onda de ataques aos nordestinos divulgada por meio do Twitter após a eleição de Dilma Rousseff. No domingo à noite, usuários da rede de microblogs começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste, relacionando o resultado à boa votação de Dilma na região.

A representação da OAB-PE é contra a estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo, uma das que teriam iniciado os ataques. Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara deverá responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio.

Entre as mensagens postadas pela universitária, há frases como: Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!. São mensagens absolutamente preconceituosas. Além disso, é inadmissível que uma estudante de Direito tenha atitudes contrárias à função social da sua profissão. Como alguém com esse comportamento vai se tornar um profissional que precisa defender a Justiça e os direitos humanos? diz Mariano.

Fonte: JusBrasil