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quarta-feira, 29 de junho de 2022

Bendito seja o fruto






Sob o pretexto de proteger uma parcela cristã da população, segmentos reacionários colocam em risco a secularização e os direitos individuais. Mas laicidade é liberdade. E premissa importante da democracia.
   

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Por Flávia Tavares, para canalmeio.com.br

“Existe mais de um tipo de liberdade, dizia Tia Lydia. Liberdade para, a faculdade de fazer ou não fazer qualquer coisa, e liberdade de, que significa estar livre de alguma coisa. Nos tempos da anarquia, era liberdade para. Agora a vocês está sendo concedida a liberdade de. Não a subestimem.”
O Conto da Aia, Margaret Atwood

Laicidade é liberdade. Em sua definição abrangente, um Estado laico é o que assegura a cada cidadão a liberdade para crer (ou não), cultuar (ou não) e se organizar (ou não) religiosamente. É o que garante que, em sua privacidade, o indivíduo possa ser o que quiser para que, no ambiente público, a todos os indivíduos seja dispensado o mesmo tratamento. A laicidade é o que afiança a pluralidade individual para sustentar a igualdade social. A laicidade está em perigo.

Em 2017, o presidente Jair Bolsonaro, ainda em fase de amealhar seguidores e viabilizar sua candidatura, apelou à base religiosa e demonstrou seu desprezo pelo Estado laico. “Somos um país cristão. Não existe essa historinha de Estado laico, não. O Estado é cristão“, afirmou. E assim, afrontando a Constituição de 1988 que veda, em seu artigo 19, que União, Estados e municípios adotem uma crença particular, Bolsonaro se conduz. No mesmo artigo, veda-se também que o Estado crie ”distinções entre brasileiros ou preferências entre si".

O argumento recorrente de segmentos reacionários contra a laicidade do Estado é uma suposta perseguição a cristãos, o que encontra zero respaldo na realidade. A perseguição que existe, de fato, é a religiões de matriz africana — se não promovida, frequentemente consentida pelo Estado brasileiro.

A laicidade não cerceia o exercício da espiritualidade, da religiosidade ou da negação a elas. Cerceia apenas a contaminação do debate público por dogmas religiosos. Na prática, coloca a ética acima da moral.

O valor de um Estado sem uma religião oficial é essencialmente ocidental. Mas, nas últimas semanas, os EUA obrigaram um estado a garantir recursos para escolas religiosas, impuseram o direito de professores em escolas públicas de trazer orações para o ambiente de ensino e, claro, retiraram a garantia constitucional do direito ao aborto. No Brasil, uma juiza bloqueou acesso ao aborto legal para uma criança, o ministério da Saúde trabalha para dificultar mais o direito, enquanto senadores lutam para abrir uma CPI e investigar sérios indícios de corrupção de três pastores, um deles ministro da Educação. A religião está impregnada em todos os Poderes, a todo tempo.

Proteção mútua

O rompimento entre Igreja e Estado tem uma história permeada de tensões e tentativas constantes de retomada de espaço e poder. Até o século XVII, essa não era uma questão. Reis eram ungidos por Deus e cardeais ditavam os rumos de todos os súditos. Embebidos no Iluminismo, europeus passaram a buscar formas de deixar emergir, na criação dos Estados-nação, uma autoridade civil não subordinada às autoridades religiosas. Enquanto isso, protestantes e católicos guerreavam em todo o continente. “O Estado laico surgiu para impedir que católicos e protestantes se matassem uns aos outros. A laicidade assegurou a liberdade dos próprios cristãos”, explica Joanildo Burity, cientista político, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco e professor da Universidade Federal de Pernambuco.

O marco fundamental seguinte foram as revoluções liberais do século XVIII. Tanto a americana quanto a francesa foram sacramentadas com declarações de direitos dos homens. “Direito à liberdade de crença, culto e organização religiosa é o primeiro direito humano objeto de detalhamento jurídico. Todas as revoluções liberais colocam esse direito entre os fundamentais. E esse é o direito que fornece o modelo aos demais. As igrejas passam a se sentir extremamente ameaçadas pela emergência dessa forma de organização política”, acrescenta Burity. Inaugura-se a era dos direitos humanos no Ocidente. A noção de que esses direitos são a base fundamental de uma democracia.

Essa nova concepção não resolve tudo. Ela traz em si um dilema explorado lindamente por Hanna Arendt, em Origens do Totalitarismo, de 1951. “É perfeitamente concebível, e mesmo dentro das possibilidades políticas práticas, que, um belo dia, uma humanidade altamente organizada e mecanizada chegue, de maneira democrática — isto é, por decisão da maioria —, à conclusão de que, para a humanidade como um todo, convém liquidar certas partes de si mesma. Aqui, nos problemas da realidade concreta, confrontamo-nos com uma das mais antigas perplexidades da filosofia política, que pôde permanecer desapercebida somente enquanto uma teologia cristã estável fornecia a estrutura de todos os problemas políticos e filosóficos”, diz a autora.

O homem como dimensão inicial e final das regras políticas é um modelo tão imperfeito quanto o próprio homem. Mas os fundadores da democracia americana, pensadores e estadistas que eram, anteviram em alguma medida esse impasse. Em O Federalista, obra basilar da Constituição dos Estados Unidos, Alexander Hamilton, James Madison e John Jay insistiram nos “freios e contrapesos” da divisão de Poderes e das eleições proporcionais para evitar distorções. Hamilton fraseia assim a questão e a solução: “Há […] momentos particulares nos negócios públicos, em que o povo, estimulado por paixões irregulares, seduzido por vantagens ilegítimas ou enganado por argumentos capciosos de homens interessados, pode solicitar medidas que bem depressa desaprovará e cujos efeitos virá mais tarde a deplorar. Nestes momentos críticos, quanto deve ser salutar a interposição de um corpo de cidadãos respeitáveis e moderados, que reprima o impulso funesto da multidão e que suspenda o golpe que o povo está para descarregar em si mesmo, até que a razão, a justiça e a verdade retomem o seu império sobre o espírito público!”.

Em seu discurso de 2017 (e em tantos outros), Bolsonaro deixa claro o perigo que “argumentos capciosos de homens interessados” pode representar. Disse ele: “Vamos fazer o Brasil para as maiorias. As minorias têm que se curvar às maiorias. As minorias se adequam ou simplesmente desaparecem.” Para evitar a tirania da maioria, depois mais bem conceituada por Alexis de Tocqueville, os fundadores americanos professavam que os poderes deveriam se equilibrar e os homens da política precisariam ser, no mínimo, “moderados”. E compreender que um preceito constitucional não se sobrepõe a outro. Algo plenamente oferecido pela laicidade.

Um Estado religioso dá ao governo e ao governante o poder de agir em nome de sua interpretação de leis divinas — e não à toa é associado ao totalitarismo. Religião não orna com crítica reflexiva.

Basta pensar no que significa ter um “ministro terrivelmente evangélico” na Corte de resguardo da Constituição. A laicidade impede, inclusive, que agentes políticos usem da fé alheia, ou das ”paixões irregulares“ descritas por Hamilton, em benefício próprio. Se um político não pode usar a fé para pedir voto, ele é obrigado a pensar política. Política pública, ampla, estruturante. Um Estado laico é emancipatório.

A própria Arendt tem, em sua obra, a resposta para moderar os ímpetos do homem. Entre os princípios mais defendidos pela pensadora, está o de que a política se assenta na pluralidade. De que opiniões somente podem ser ampliadas e testadas quando confrontadas com as de outros atores políticos. Arendt não para aí. Ela advoga que, acima dos direitos humanos, está o direito a se ter direito. Para isso, o indivíduo precisa estar sob um Estado que não abdique de protegê-lo. Justamente o que faz um Estado confessional com aqueles que não praticam a fé oficial.

Gilead é hoje

É um tanto aterrador quando, ao escolher usar um trecho de O Conto da Aia, uma obra distópica em que o Estado confessional de Gilead submete mulheres oficialmente a estupros para conceber filhos a casais religiosos, corre-se o risco de ser clichê. Mas aqui estamos, no Brasil de 2022.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a laicidade foi assumindo um novo caráter, inclusive de defesa da liberdade de quem não tem religião. Aos poucos, essa noção secular passa a ser de que o Estado deve tomar o lugar da religião na formação de cabeças. Na educação pública. “No fim do século XX, com o boom econômico da Europa e do Atlântico Norte, ficamos com a ideia de que o desenvolvimento científico e cultural havia superado a religião. Nos anos 1990, percebemos que isso só valia para um quarto do planeta”, diz Burity. A tensão entre Igreja e Estado, sempre latente, se intensificou. Os religiosos nunca se afastaram da esfera pública para valer. Bancadas católicas e, mais recentemente, evangélicas sempre tiveram relevância; candidatos fazem o beija-mão cristão em cada ciclo eleitoral. O que mudou mais recentemente, que nos faz ter essa opressora sensação de que há uma ofensiva religiosa?

Houve uma sequência de eventos globais que chacoalharam qualquer noção de estabilidade. As grandes migrações pós-guerra, que num primeiro momento alimentaram a tolerância religiosa, se tornaram alvo da xenofobia. Guerra do Golfo, Torres Gêmeas, crises econômicas sucessivas, conquista de direitos de gênero, reprodutivos. Setores de igrejas reagiram de forma positiva à modernidade. Outros não. E eles aprenderam a usar a linguagem dos direitos e da participação política para inverter a lógica da “perseguição”. Para defender ideias retrógradas. “Essas são as lutas das próximas décadas. Não é incompreensível que as pessoas busquem encontrar nos discursos conservadores religiosos as garantias que o mundo ao seu redor não dá mais. Mas a garantia da participação pública e política de grupos religiosos deve ser acompanhada por exigências de respeito à lei e desse marco secular de não tomar partido de uma determinada religião”, conclui Burity.

As religiões são, de forma geral, patriarcais. Um conjunto de dogmas criado e compilado por homens, celibatários em muitos casos, com concepções medievais de como se deve conduzir a vida. O que chega no ambiente político costuma ser a versão mais radical desses dogmas, que é a que mais comove e tem potencial de se converter em votos. Essa matemática fica explícita quando se observa o caso americano. Na década de 1970, quando a Suprema Corte decidiu que o aborto era um direito constitucional, pesquisas apontavam que 39% dos republicanos disseram que o aborto deveria ser permitido por qualquer motivo, em comparação com 35% dos democratas. Hoje, conforme o Partido Republicano se viu sequestrado pela extrema-direita religiosa, uma pesquisa apontou que democratas e independentes de tendência democrata são 42 pontos percentuais mais propensos do que republicanos a dizer que o aborto deveria ser legal em todos ou na maioria dos casos (80% contra 38%).

É isso que a contaminação da política pela religião faz. Interfere no debate público. Impõe visões singulares e autoritárias. Extirpa direitos. Restringe liberdades. E mina a democracia.


Fonte do Texto: http://www.canalmeio.com.br/notas/bendito-seja-o-fruto/?h=T21hciBSw7ZzbGVyfDEyMjIwNg==

Imagem: The Inquisition, 1981. By Jacek Yerka, in WikiArt.org

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

NATAL: A ORIGEM!




A história do Natal começa, na verdade, pelo menos 7 mil anos antes do nascimento de Jesus. É tão antiga quanto a civilização e tem um motivo bem prático: celebrar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. É o ponto de virada das trevas para luz: o “renascimento” do Sol.
Num tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos significava a certeza de colheitas no ano seguinte. E então era só festa. Na Mesopotâmia, a celebração durava 12 dias. Já os gregos aproveitavam o solstício para cultuar Dionísio, o deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos.
Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza. Até povos antigos da Grã-Bretanha, mais primitivos que seus contemporâneos do Oriente, comemoravam: o forrobodó era em volta de Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.
A comemoração em Roma, então, era só mais um reflexo de tudo isso. Cultuar Mitra, o deus da luz, no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno – pelo calendário atual, diferente daquele dos romanos, o fenômeno na verdade acontece no dia 20 ou 21, dependendo do ano. Seja como for, o culto a Mitra chegou à Europa lá pelo século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Centenas de anos depois, soldados romanos viraram devotos da divindade. E ela foi parar no centro do Império.
Mitra, então, ganhou uma celebração exclusiva: o Festival do Sol Invicto. Esse evento passou a fechar outra farra dedicada ao solstício. Era a Saturnália, que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. “O ponto inicial dessa comemoração eram os sacrifícios ao deus.
Enquanto isso, dentro das casas, todos se felicitavam, comiam e trocavam presentes”, dizem os historiadores Mary Beard e John North no livro Religions of Rome (“Religiões de Roma”, sem tradução para o português). Os mais animados se entregavam a orgias – mas isso os romanos faziam o tempo todo. Bom, enquanto isso, uma religião nanica que não dava bola para essas coisas crescia em Roma: o cristianismo.
Os primeiros cristãos não estavam interessados em comemorações natalinas.
Não havia nenhum comando bíblico para fazê-lo e nenhuma data específica.
Mas, no século 4, quando as heresias concorrentes começaram a aparecer com força, houve uma necessidade de sublinhar o nascimento histórico de Cristo.
A primeira referência ao 25 de dezembro é de 336 d.C., no reinado do imperador Constantino, devoto de Mitra.
O mitraísmo era uma religião influente no exército romano.
Com o tempo, foram incorporados o Papai Noel, as renas etc. Os presentes surgiram na Idade Média, a partir de lendas nórdicas. 
O primeiro presépio do mundo teria sido montado em argila por São Francisco de Assis em 1223. Pegou. Quem não se emociona com aquela cena?
Uma colcha de retalhos muito bem urdida, chupada de outras tradições, sucesso absoluto há séculos.
Uma dica: guarde isso para você. Ninguém precisa de um chato metido a sabichão estragando a festa com choques de realidade e pavor.
...
A vida real já é suficientemente dura.
Feliz Natal. Com ou sem fake news.

Fonte do Texto: http://desacato.info/o-natal-e-a-mae-e-o-pai-das-fake-news-feliz-natal/
Fonte da Imagem:  https://www.flickr.com/photos/evenliu/46420340972

quarta-feira, 27 de março de 2013

Caso Feliciano expõe poder da religião na política nacional

Bancada religiosa representa um quinto do Congresso e se une para conter o avanço de pautas como aborto, drogas, direitos das mulheres e de homossexuais. Postura leva a questionamentos sobre real laicidade do Estado.

A controversa escolha do deputado federal Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara não é um fato isolado. Ela expõe, segundo especialistas, a consolidação do poder político das religiões no Brasil, sobretudo da evangélica, que cada vez mais direciona forças para impor sua agenda.

Os parlamentares ligados a instituições religiosas já representam um quinto do Congresso. Em 20 anos, o número de deputados federais e senadores evangélicos mais que triplicou – saltou de 23 em 1990 para 73 em 2010, perdendo hoje só para a bancada ruralista. E, com isso, os embates com grupos de direitos civis, pró-liberalização do aborto e das drogas, de direitos humanos e de defesa da laicização do Estado se intensificaram.

"Os católicos sempre foram hegemônicos no Brasil, você não precisava nem dizer que pertencia a essa religião. Mas, com o crescimento dos evangélicos, há um desequilíbrio nessa equação. A disputa foi para além dos limites do campo religioso, porque estar na política é garantir espaços privilegiados", destaca Christina Vital, professora de ciências sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Sob o pretexto de "proteger a família e a vida", os parlamentares das bancadas católica (22 congressistas) e evangélica deixam as diferenças de lado e chegam a trabalhar juntos para tentar conter o avanço de pautas como aborto, casamento homossexual e liberalização das drogas.

Mas os atuais esforços de hoje diferem da atuação após a redemocratização, quando parte do segmento católico e evangélico foi importante para o avanço dos direitos humanos e pautas da minoria, como temas ligados à terra, melhoria das condições de trabalho e dos direitos cidadãos. Os assuntos, no entanto, não afetavam a reprodução e a sexualidade.

E as alianças formadas pelas bancadas religiosas têm grande poder de ramificação. Como exemplo, a Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Preservação da Família, que une católicos, evangélicos e outros políticos de alguma forma ligados a esses preceitos, conta com 192 parlamentares (40% do Congresso).

"Não são somente eles que são conservadores. Eles vocalizam boa parte do que a população brasileira pensa sobre aborto, direitos das mulheres e de homossexuais", diz Vital.

Frank Usarski, professor de ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), diz que, em comparação com a Alemanha, por exemplo, o pluralismo das forças religiosas é menor no Brasil, porém a influência da religião é maior. "O enraizamento das igrejas na consciência e na realidade social dos brasileiros é maior", afirma o especialista alemão.

Estado laico

E, dessa forma, as religiões ameaçam o Estado laico brasileiro, como alerta o livro Religião e política: uma análise da atuação de parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e de LGBTs no Brasil. O estudo, de autoria dos pesquisadores Christina Vital e Paulo Victor Leite Lopes, é fruto da parceria entre a Fundação Heinrich Böll no Brasil e o Instituto de Estudos da Religião (Iser).

Nele, os autores descrevem o avanço dos evangélicos na política na década de 1980 e dizem que essa movimentação no campo político-religioso pelos evangélicos "introduziu um empowerment de diferentes tradições religiosas". Dessa forma, diz o texto, as igrejas passaram a reivindicar um lugar para si a fim de ampliarem a influência de suas denominações, tradições e valores.

Cerca de metade dos deputados pentecostais é composta por pastores, cantores gospel e parentes de líderes de igrejas, tele-evangelistas e donos de emissoras de rádio e TV. E, para serem eleitos, eles dependem do apoio eleitoral de pastores e líderes das igrejas.

"Essa dependência reforça o caráter corporativista e moralista de seus mandatos e seu compromisso de atuarem como despachantes de igreja", opina Ricardo Mariano, professor de sociologia da PUC do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em artigo recentemente publicado pela Revista de História.

Mas um equilibro das forças, mesmo que religiosas, é bem visto no palco político nacional. "É bom que diminua o poder dos católicos, mas que não se substitua um equívoco por outro – que seria a luta de algumas religiões evangélicas contra a predominância católica", destaca Ubirajara Calmon, professor aposentado de ética e teologia da Universidade de Brasília (UnB).

Luta pelo poder

Mas os evangélicos não são os primeiros a inaugurar a relação entre Estado e religião. O Brasil se tornou formalmente laico a partir da primeira Constituição Republicana, em 1891, "mas a igreja Católica sempre fez esforço ao longo desse período para garantir presença no Estado público", destaca Vital.

Como exemplo, está a introdução na Constituição de 1934 da obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas brasileiras e o acordo Brasil-Santa Sé aprovado em 2009 – que dá mais direitos à Igreja Católica em território nacional e recebeu na época críticas de organizações não governamentais e até mesmo do Ministério da Educação.

Para Vital, a questão da laicidade do Brasil é embaralhada, até mesmo pela abrangência do termo. Ela cita, por exemplo, o fato de não existir contribuição direta do imposto de renda para instituições religiosas, como acontece em alguns países da Europa.

"Por esse lado, o Estado é laico. Mas, por outro, se laicidade não é a presença da religião ou não ter a interlocução da religião com o segmento político, aí o Brasil não é laico. No Brasil, há uma enorme presença do elemento religioso no espaço público", concluiu.

DW.DE

Fonte da imagem AQUI.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

RELIGIÃO NO BRASIL

 
Católicos: Continuam sendo a maioria da população, mas baixaram de 73,6% em 2000 para 64,6% em 2010, ou 123 milhões de pessoas.

Evangélicos: A população evangélica foi a que mais cresceu. Os fiéis passaram de 15,4% em 2000 para 22,2%, ganhando 16 milhões de adeptos. O Brasil tem hoje 42,3 milhões de evangélicos.

Espíritas: O grupo aumentou de 1,3% para 2% na década, passando a abranger 3,8 milhões de brasileiros.

Sem religião: O número dos que se declararam sem religião cresceu de 7,4% para 8%, um aumento inferior ao registrado nas décadas anteriores. Em 1980, apenas 1,9% dos brasileiros se diziam sem religião.

Ascensão e queda: A igreja que mais ganhou adeptos entre 2000 e 2010 foi a Assembleia de Deus, que passou de 8,4 milhões para 12,3 milhões de fiéis. Já a Igreja Universal do Reino de Deus perdeu quase 300 mil adeptos, passando de 2,1 milhões para 1,8 milhões.

Escolaridade: O ensino fundamental incompleto é mais comum entre os católicos (40%), os sem religião (39%) e os evangélicos pentecostais (42%). A menor proporção está entre os espíritas (15%), onde o nível superior completo é mais frequente (31,5%).

Dados do Censo 2010 do IBGE
 
Leia mais AQUI.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

AS BRUXAS DA SUÍÇA

Quandos as bruxas eram torturadas e queimadas

Por Olivier Grivat, swissinfo.ch

Cinco mil pessoas foram julgadas por bruxaria na Suíça até 1782. Dois terços delas morreram na fogueira após confessar sob tortura um pacto com o Diabo.

Esse é o tema de uma exposição do Castelo de Chillon, a conhecida atração turística do país às margens do lago Léman.

Um nariz adunco sob um chapéu pontudo, sentada em cima de um cabo de vassoura. É assim que a imagem popular retratava as bruxas na Idade Média. Elas chegariam ao número de 100 mil em toda a Europa, homens e mulheres, mesmo se estas últimas formassem a grande maioria dos suspeitos (70%). Através da figura de Eva, mulheres são vistas como grandes pecadoras, fonte de todas as doenças...

Além da caricatura, que banaliza o drama dessas vítimas da ignorância e do sadismo dos juízes, tanto os laicos como os religiosos, católicos ou protestantes, a acusação poderia cair sobre quaisquer pessoas como explicam os organizadores da exposição intitulada "A caça às bruxas no Pays de Vaud" (a região localizada a oeste do país).

Interatividade  

Na saída da exposição os organizadores colocaram um espelho, onde o visitante pode se imaginar sendo queimado vivo em cima de uma fogueira, após ter passado pelo suplício do polé (n.r.: instrumento de tortura que consistia em suspender o supliciado pelas mãos, por cordas, prender pesos de ferro em seus pés e deixá-lo cair abruptamente), o método de tortura mais utilizado no século 15.

A vítima da qual tenta-se obter a confissão "espontânea" é suspensa pelas mãos, os braços amarrados atrás das costas e os pés atados a pesos que aumentam segundo o decorrer do interrogatório: 25 quilos, 50 quilos, 75 quilos. É permitido repetir cada nível de torturas por três vezes até que o acusado decida confessar, quebrado pela dor graças à desarticulação dos membros ou à fratura da clavícula ou das omoplatas.

Após cada sessão, o acusado é levado à sala do processo e deve repetir sua confissão. Se ele se contradiz, é levado ao seu carrasco: "Isso podia acontecer a qualquer pessoa e de qualquer idade. Eles deviam confessar os nomes dos cúmplices que também teriam firmado um pacto com o Diabo, participado de uma missa negra ou comido crianças", comenta Marta dos Santos, diretora-adjunta do Castelo de Chillon.

O número de novos candidatos à confissão sob tortura era sem fim. Mesmo meninas com idades entre 9 e 12 anos não eram poupadas. A "questão" permitia "liberar" a acusada das empreitadas do demônio, como justificou durante muito tempo a Igreja Católica. A partir de 1252, Roma reconheceu a prática como um meio legal de obter as confissões: o acusado jurava dizer a verdade e suas confissões eram, portanto, consideradas verídicas. A Reforma Protestante não acabou com os processos contra a bruxaria, mas foram os juízes laicos que adotaram o sistema inquisitorial.

A "marca do Diabo"

A partir do século 16, uma novidade foi introduzida: além das confissões, os juízes procuravam a "marca do Diabo" nos corpos dos suspeitos e, mais frequentemente, da suspeita. Ela ocorria no início do processo como uma etapa preliminar à tortura.

Sem roupas, geralmente raspada em todo o corpo, o(a) acusado(a) era entregue a um especialista (carrasco, cirurgião, barbeiro ou parteira) encarregada de "sondar" ao picar com uma longa agulha as diferentes partes de seu corpo, frequentemente as mais íntimas, como relatam as gravuras de época.

A marca diabólica poderia ser uma mancha de vinho, uma simples pinta na pele, uma verruga, uma protuberância na pele, uma particularidade física ou ser até mesmo algo praticamente invisível: "Na falta de dor ou escoamento de sangue, os especialistas concluíam a existência de uma ou várias marcas de origem diabólica", revela Martine Ostorero, comissária da exposição.

Segundo seus estudos, essas práticas humilhantes começaram a ser frequentes a partir de 1534, inicialmente no Pays de Vaud e em Genebra, regiões que tinham passado há pouco pela Reforma Protestante, assim como na Savóia e no Franco-Condado vizinhos. Os autos revelam: em 1651, Jeanne Tissot, da comuna de Isle, foi "visitada" para ver se ela havia sido marcada pelo Diabo. A marca foi encontrada sobre o braço esquerdo depois de ter sido "bem testada e analisada". A procura da marca do Diabo conduziu ao desenvolvimento de todo um arsenal de instrumentos, passando por agulhas para perfurar, pinças e até lâminas de barbear.

Os historiadores consideram que os anos que conheceram importantes picos de repressão correspondiam, frequentemente, aos períodos de crises econômicas, epidemias, fomes ou guerras. Dessa forma, em 1599, ano durante o qual 74 pessoas foram condenadas ao carrasco no Pays de Vaud, foi um ano de peste.

Por vezes as bruxas eram acusadas de ter espalhado a peste durante a noite, ao passar nas portas gordura dada por Satanás. Em 1613, Lausanne criou uma patrulha adicional de dois homens para remover o perigo causado pelos "meliantes que passam gordura à noite".

Será necessário esperar até a República Helvética de 1798 para acabar com a prática. A última bruxa da Suíça, a empregada doméstica Anna Göldi, foi decapitada em 1782. Um processo de reabilitação foi aberto pelo cantão de Glarus, que terminou a inocentando em 2008. Já era tempo.

Olivier Grivat, swissinfo.ch
Adaptação: Alexander Thoele

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Estônia: País menos religioso do mundo

"Primavera", de Botticelli

Vinte anos após o colapso da União Soviética, a Estônia, uma das antigas repúblicas do regime comunista, mantém praticamente intacto um traço marcante dos anos em que era dirigida por Moscou - o desinteresse pela religião.

Uma pesquisa do Instituto Gallup, de 2009, indica que os estonianos são o povo menos religioso do mundo, pelo menos estatisticamente. Apenas 16% da população considera que a religião desempenha um papel importante em suas vidas (contra 99% dos habitantes de Bangladesh, os mais religiosos).

O repórter Tom Esslemont, da BBC, foi ao país báltico conhecer a espiritualidade dos seus habitantes:
A princípio, as ruas da cidade litorânea da capital estoniana Tallinn podem até dar ao visitante uma sensação distinta: cúpulas fazem parte da paisagem, sinos tocam aos domingos e hinos religiosos são ouvidos nas catedrais.

Uma olhada mais atenta, no entanto, revela a realidade da espiritualidade estoniana. Cerca de 70 dos fiéis que participavam do culto dominical da Igreja Luterana de Tallinn eram turistas holandeses. Apenas 15 eram estonianos.

O pastor Arho Tuhkru não vê a baixa frequência como um problema: "As pessoas creem, mas não querem se ligar a uma igreja. Por aqui não temos a tradição de uma família inteira vir à igreja", disse.

Hostilidade histórica

Embora a Igreja Luterana seja a maior denominação religiosa da Estônia, ela representa apenas 13% da população do país.

A falta de interesse pela religião começa já nas escolas, onde os alunos aprendem que o Cristianismo foi imposto no país pelos invasores germânicos e dinamarqueses.

Ringo Ringvee, especialista em religião, diz que a Estônia "é uma sociedade secular onde a identidade religiosa e nacional não se cruzam".

A língua também cumpriu um papel determinante na rejeição de muitos estonianos à religião, segundo Ringvee.

"Os luteranos falavam alemão. Os russos ortodoxos chegaram no século 19 e até o século 20 continuavam falando russo", disse.

Com a fundação da Igreja Ordoxa Estoniana, em 1920, o culto passou a ser na língua local (com o ramo estoniano fiel ao patriarca de Constantinopla, e não ao de Moscou).

Nos anos 1940, a União Soviética anexou o país báltico. Até o fim do regime comunista, em 1991, a religião foi desincentivada pelo Estado.

Diferente de outros países, que experimentaram um reavivamento religioso após a desintegração soviética, a Estônia continuou pouco crente. Mas o desapego às igrejas tradicionais não significa que os estonianos não acreditem em nada.

Culto à natureza

A 300 km de Tallinn, no meio da floresta, um grupo de fiéis cultuam as forças da natureza.

"Somos pagãos", diz Aigar Piho. "Nosso deus é a natureza. Você deve parar, sentar e ouvir".

Como muitos estonianos, Piho se considera um espiritualista. Ele também é membro da comunidade Maausk, um culto pagão que venera a terra e as árvores, sem rituais pré-estabelecidos.


Tradições como essa estão arraigadas na sociedade local, onde mais de 50% dos estonianos dizem acreditam em alguma força espiritual, mesmo que não consigam definí-la.

Folclore

Para alguns pesquisadores, no entanto, as tradições não são tão antigas quanto parecem.

"Elas são geralmente baseada no folclore do século 19 e 20", segundo o arqueólogo Tonno Jonuk, especialista em religião pré-histórica.

"É algo que eles acreditam e seguem. Mas não é nada medieval ou anterior ao Cristianismo", diz.

A concepção de Jonuk não é, no entanto, compartilhada pelo grupo Maavalla Koda. A organização com 400 integrantes diz ser baseada no antigo calendário rúnico (baseado em runas).

Entre os seguidores estão Andres Heinapuu e seu filho Ott. Para ambos, espiritualidade é uma experiência intensamente pessoal.

"A árvore não tem ouvido. Eu penso na questão em frente à árvore. Então, sinto que recebo a resposta", diz. Para o estoniano, "a árvore é um sujeito, não um objeto"

domingo, 5 de junho de 2011

PERU E BRASIL: QUANTA SEMELHANÇA...

Las iglesias también votan

 

JAIME CORDERO, para El País


En la teoría, Perú no se declara un estado laico, pero sí marca una línea entre política y religión. Así lo señala el artículo 50 de su Constitución, que reconoce a la Iglesia Católica como "elemento importante en la formación histórica cultural y moral del Perú", pero "dentro de un régimen de independencia y autonomía". La ley orgánica de elecciones también prohibe de manera explícita el uso o invocación de temas religiosos, de cualquier credo, en las campañas políticas.

En la práctica, Perú es un país en el que los candidatos juran por Dios o con una mano puesta sobre la Biblia, en el que algunos sacerdotes son acusados de azuzar conflictos sociales y los obispos han llegado a sacar imágenes sagradas a las calles en plena campaña electoral. Ahora mismo, tiene un cardenal (del Opus Dei, para mas inri) que se entrevista con todos los candidatos presidenciales de importancia, cuenta con un programa semanal en la radio informativa más importante y no tiene inconvenientes -a través de homilías, declaraciones públicas y comunicados- de expresar su posición sobre temas de política y, llegado el caso, incluso censurar candidatos.

Ya antes de la primera vuelta electoral, el cardenal Juan Luis Cipriani, arzobispo de Lima, se expresó con dureza contra el ex presidente Alejandro Toledo por proponer en su campaña una agenda liberal que incluía temas como despenalización del aborto, la legalización del matrimonio gay y empezar a evaluar la posibilidad de legalizar algunas drogas. "Los que quieren matar niños no están preparados para gobernar", sentenció en aquella ocasión. Luego se enfrascó en una polémica con Mario Vargas Llosa, a quien acusó intentar dirigir el voto de la población hacia Ollanta Humala. Tras la respuesta del escritor, en varios templos de Lima se leyó un mensaje de solidaridad y apoyo al cardenal.

Esta semana, a pocos días de la segunda vuelta, Cipriani volvió a pronunciarse para criticar que se haya puesto sobre el tapete las denuncias sobre las esterilizaciones forzadas a unas 300 mil mujeres durante el gobierno de Alberto Fujimori. Aunque no lo dice expresamente, resulta claro que se trata de un crítica al humalismo, que es el que ha planteado el tema. "De manera sorpresiva, recientemente, se ha introducido en el proceso electoral la discusión sobre las esterilizaciones realizadas en la década de los noventa, confundiendo al electorado", señala el comunicado del arzobispado. Tras su difusión, el presidente de la conferencia episcopal peruana, monseñor Miguel Cabrejos, aclaró que la posición del cardenal no era la de la Iglesia peruana y recalcó la condena de la iglesia a las esterilizaciones forzadas. También insistió en que habla "en representación de la iglesia católica en el país" y pidió que se diferencie "lo que es la Conferencia Episcopal con lo que es una persona, con el respeto que se merece esa persona".

"Cipriani es un actor político, es bastante de derecha y muy dispuesto a meterse en politica", señala Steve Levitsky, investigador de la Univesidad de Harvard, que actualmente trabaja en la Universidad Católica del Perú. Y agrega: "Cipriani está con Keiko, me parece evidente. Y si bien en la Iglesia peruana hay otros actores, él sin duda es el más poderoso".

No solo la Iglesia Católica participa en política. También algunos representantes de las iglesias evangélicas lo hacen. Se trata de un sector a que agrupa a aproximadamente el 15% de los creyentes en el país, según algunos sondeos.

El más notorio evangélico es el pastor Humberto Lay, candidato a la vicepresidencia con Pedro Pablo Kuczynski en la primera vuelta, que ahora apoya a Keiko Fujimori. También el cabeza de la lista parlamentaria fujimorista es un pastor y el jueves, en su mitin de cierre de campaña, la candidata presentó a otro grupo, que la acompañó en el estrado. "No representan a las principales iglesias evangélicas y, si expresan apoyo a una candidatura, lo hacen a título personal. Las iglesias, por definición, no deben apoyar una opción política", señaló Víctor Arroyo, secretario del Concilio Nacional Evangélico del Perú (Conep), que, asegura, agrupa al 85% de los cultos evangélicos en el país.

sábado, 17 de julho de 2010

VATICANO DITA A MODA


Escândalo de pedofilia leva a primeira bispa luterana a renunciar

AFP

HAMBURGO — A alemã Maria Jepsen, de 65 anos, a primeira bispa luterana do mundo em 1992, anunciou nesta sexta-feira sua renúncia, em meio ao escândalo de pedofilia que abala diversas Igrejas.

Maria Jepsen, arcebispa de Hamburgo (norte), era criticada pela lentidão e brandura com que reagiu diante das acusações de agressões sexuais contra jovens de ambos os sexos e das quais seria culpado um pastor de Ahrensburg (Schleswig-Holstein, norte).

"Minha credibilidade está colocada em dúvida", declaró Jepsen en una coletiva de imprensa convocada em Hamburgo.

"Portanto, não estou em condições de propagar a Boa Palavra, como me comprometi diante de Deus e ante a paróquia durante minha ordenação e nomeação como bispa", acrescentou.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Roupa é item opcional em igreja


Uma igreja no Estado americano da Virginia (nordeste dos Estados Unidos) está causando polêmica ao receber fiéis nus. Até o pastor celebra o culto como veio ao mundo.

Na capela de Whitetail - uma comunidade nudista fundada em 1984, na cidade de Ivor, roupas são um item opcional.

"Eu não acredito que Deus se importe com a maneira como você se veste quando você faz suas orações. O negócio é fazer as orações", diz Richard Foley, um dos frequentadores.

Mas entre os que não fazem parte da congregação, a ideia de uma igreja nudista não agrada muito. Várias pessoas ouvidas nas ruas de Ivor se surpreenderam e disseram achar o conceito de uma igreja nudista desrespeitoso.

O pastor Allen Parker discorda: "Jesus estava nu em momentos fundamentais de sua vida. Quando ele nasceu estava nu, quando foi crucificado estava nu e quando ressuscitou, ele deixou suas roupas sobre o túmulo e estava nu. Se Deus nos fez deste jeito, como isso pode ser errado?"

Lucro

A comunidade nudista de Whitetail vai de vento em popa apesar dos tempos de crise. Segundo a administração do resort, mais de dez mil pessoas visitaram o local no último ano e os lucros subiram 12% no período.

Os visitantes dizem que ser nudista é algo libertador. Para eles, em um ambiente como este não há julgamento de classe social e todos ficam livres para ser quem realmente são.

Além disso, o clima seria de igualdade. Um frequentador exemplificou isso dizendo que, na comunidade, não é possível dizer quem está desempregado, quem é alto-executivo e quem é encanador.

"Aqui, todos participam, todos são compreensivos e preocupados com a comunidade e com a família. Temos uma das congregações mais ativas da região. Eu considero isso um presente de Deus e um privilégio", disse o pastor Parker.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

El vicario que predicaba el terror


En la causa por delitos de lesa humanidad en Entre Ríos, los testigos contaron que el fallecido Adolfo Tortolo justificaba las torturas y los crímenes cometidos con “armas bendecidas”.

Por Diego Martínez, para Página/12

En diciembre de 1975, como presidente de la Conferencia Episcopal Argentina y vicario general castrense, Adolfo Servando Tortolo, anunció un inminente “proceso de purificación”. Después del golpe de Estado, advirtió que “los principios que rigen la conducta del general (Jorge) Videla son los de la moral cristiana”. Cuando el país era un gran campo de concentración, defendió la tortura ante sus pares con argumentos de teólogos medievales. Murió impune en 1986. En las últimas semanas, su nombre resurgió con fuerza en el marco de una causa por crímenes de lesa humanidad: sobrevivientes de centros clandestinos de Entre Ríos relataron que el entonces arzobispo de Paraná recibió a personas secuestradas en su residencia, las visitó en cautiverio, vio cuerpos deshechos por la tortura y predicó el “por algo será” ante hombres que horas después desaparecieron para siempre.

El paso cansino de los procesos reabiertos hace un lustro, sumado al largo cuarto de siglo de impunidad plena que lo precedió, deriva en situaciones insólitas. Víctimas del terrorismo de Estado, organismos de derechos humanos y hasta periodistas de Entre Ríos vivieron con euforia, como si se tratara de un verdadero juicio, una de las primeras etapas de la causa con mayor cantidad de víctimas de la dictadura en Paraná: la de las declaraciones testimoniales, el relato de los padecimientos en cautiverio en manos de militares y policías aún libres y sin castigo.

“Son las primeras testimoniales desde la reapertura de la causa en 2004 y después de treinta años de haber sufrido desapariciones, cárcel y consejos de guerra lo estamos viviendo como si hubiera llegado el momento del juicio y castigo”, admite Alicia Dasso, testigo y miembro de la Asociación de Familiares y Amigos de Desaparecidos de Entre Ríos (Afader). “Estamos empeñados en demostrar que el terrorismo de Estado fue para todo un pueblo. Como querellantes y como organismos, tratamos de estar en la calle porque, para peor, el proceso se rige por código viejo, es totalmente cerrado”, lamenta. La causa se conoce como Area Paraná, está a cargo de la jueza subrogante Myriam Stella Gallizi y estuvo paralizada durante casi cuatro años por planteos dilatorios de los imputados.

Las audiencias a puertas cerradas, que se revertirían en la etapa final tal como ocurrió en Capital Federal con los jefes del Batallón de Inteligencia 601, se tradujeron cada jueves del último mes en actividades artísticas organizadas por Hijos regional Paraná para celebrar las audiencias y repudiar su publicidad acotada. También el Consejo Superior de la Universidad Autónoma de Entre Ríos, donde ofician de docentes varios testigos de la causa, resolvió acompañarlos públicamente.

La causa concentra secuestros, torturas y homicidios en la subzona 22, que incluyó centros de detención en el escuadrón de Comunicaciones de la Brigada de Caballería Blindada II, en cercanías de la Base Aérea y en la Unidad Penal 1 del Servicio Penitenciario provincial, todas en Paraná. Entre la docena de imputados se destacan el general Juan Carlos Trimarco, ex comandante de la Brigada, y el capitán auditor Jorge Humberto Appiani, el socio del estudio jurídico de Jorge Olivera que faxeó a Italia la partida de defunción falsa de Marie Anne Erize para lograr la liberación de su amigo, detenido por segunda vez el mes pasado.

De los testimonios difundidos por Afader, Hijos y la Asociación de ex Presos y Exiliados Políticos “La Solapa” queda claro que el rol de Tortolo es equiparable al de los principales acusados. Un testigo relató:

–Recuerdo una noche de tortura, que fue corta. Me llevaron a los calabozos y sentí muchas voces en el trayecto. Era algo normal (...) Vi cómo sacaban a un muchacho que estaba a la izquierda de mi calabozo. A los 15 o 20 minutos lo trajeron y le pregunté: “¿Qué pasa que hay tanto revuelo, para qué te sacaron?”. “Vino Tortolo a verme. Y le pregunté: ‘¿Vos denunciaste lo que está pasando acá?’ Me respondió que no, me dijo solamente: ‘Si estás acá, por algo será’.” Al día siguiente el muchacho desapareció.

Tres testigos contaron que el arzobispo los visitó en la cárcel y dio misa el 24 de diciembre de 1976. “Fue humorístico porque dijo ‘a los comunes me los sentás de este lado, a los subversivos de este otro’”, relató uno. “Le decían lo que pasaba y él se tapaba los ojos”, confió otro. “Dijo que, si alguien deseaba hablar con él, podía hacerlo. Yo le conté lo que sucedía y le pregunté por qué mataban gente. Tortolo me dijo: ‘Si ellos matan gente, las armas están bendecidas. Ustedes matan con armas sin bendecir’. Le aclaré que no había matado a nadie y me dio dos cachetadas porque no había dicho la verdad. Si alguien recibía una cachetada, era porque había dicho la verdad”, agregó el tercero.

“A Coco Erbetta lo llevaron una noche, estando en Comunicaciones, a hablar con monseñor Tortolo a la residencia del arzobispo, en el Parque Urquiza. Estuvo varias horas con él. Coco le comentó la situación de todos los detenidos (...) Esa misma noche lo llevaron y nunca más volvió. Tipo 6 de la mañana vi pasar una camilla con un cuerpo ensangrentado, tapado con una sábana blanca. Había médicos y supuse que era el cuerpo de Erbetta”, declaró un sobreviviente. Victorio José Erbetta fue secuestrado el 16 de agosto de 1976 y visto por última vez siete días después, en el Escuadrón de Comunicaciones. En cautiverio, le contó a un ex compañero de secundario que tenía esperanzas de salir vivo con la ayuda de la Iglesia, ya que había militado en la Acción Católica.

La muerte le evitó a Tortolo tener que seguir los pasos de Cristian von Wernich, pero no un final acorde a su obra. Según los seminaristas de Paraná que lo cuidaron durante el largo deterioro de su mente, entrevistados por Emilio Mignone para su libro Iglesia y Dictadura, hasta el final el ex presidente de la Conferencia Episcopal Argentina deliraba a los gritos que su madre estaba desaparecida.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Los evangélicos pescan fieles en la crisis católica


El papa Benedicto XVI puso el dedo en la llaga el pasado lunes: "La fe se debilita hasta extinguirse" en algunas naciones. Precisamente en aquellas que fueron "ricas de fe y vocaciones". Y aunque no la citó, España es una de ellas. Pero si la fe católica pierde terreno, otras lo ganan. La profesora de Antropología de la Universidad de Sevilla Manuela Cantón Delgado resume la cuestión: "Se extingue la fe de los católicos, pero no la de sus primos hermanos, los protestantes. Ésta sube de manera imparable".

Los datos lo atestiguan: hace un siglo, había 4.000; llegaron a los 22.000 durante la República, en 1932; el franquismo los redujo a 7.000; hoy suman 400.000. Más casi otro millón de inmigrantes, según los datos de la Federación de Entidades Religiosas Evangélicas de España (Ferede).

¿Cuáles son las razones del aumento de los evangélicos, término que prefieren al de protestantes? Desde luego, como señala el joven pastor sevillano José Pisa, nieto del primer pastor evangélico gitano, en primer lugar está la democracia: "Con el franquismo era difícil reunirse; con libertad de expresión y libertad religiosa, nos hemos podido extender más y mejor". Y añade Jorge Fernández Basso, responsable de Comunicación de Ferede: "El cristianismo evangélico-protestante es dinámico y participativo y tiende a crecer donde hay libertad".

La profesora Cantón, que investiga desde hace 20 años el movimiento evangélico en América Latina y España, afirma que "el catolicismo lleva mucho tiempo en retroceso ante las iglesias evangélicas, mucho más flexibles". Unas religiones que, en palabras de esta experta, al ser más participativas y contar con centros de culto más pequeños, provocan un mayor conocimiento y apoyo mutuo entre sus fieles. Por el contrario, la Iglesia católica mantiene una "organización muy vertical".

¿Cuál es el origen social de los evangélicos? Los primeros protestantes españoles, hace ya cuatro siglos, pertenecían a las clases altas e ilustradas. Hoy la gran masa de creyentes son de clase media y en ocasiones vecinos de barrios marginales.

Algunos expertos señalan que crecen porque se ha producido una "retirada" de la Iglesia católica de esos barrios. La profesora Cantón prefiere hablar, más que de una retirada, de "un cierto rechazo a la Iglesia católica española actual, tan reaccionaria, que se manifiesta de manera pavorosa y nos trae recuerdos que nos estorban".

La presencia cada día más intensa de pastores evangélicos en las zonas deprimidas de las ciudades españolas es pues otra de las razones de su crecimiento. Sin que ello signifique que todo lo católico haya sido barrido de esos barrios. Porque la semilla de la Iglesia obrera de los años cincuenta y sesenta pervive aún en muchos lugares.

El sacerdote católico Gabriel Delgado Jiménez es un buen ejemplo. Director del Secretariado de Migraciones del obispado de Cádiz, Delgado es heredero del pensamiento de los curas obreros desde que fuera trabajador de Astilleros. Hoy realiza una encomiable labor entre los jóvenes gaditanos y los inmigrantes. Delgado prefiere hablar de "diferentes estrategias" entre los católicos y otras confesiones. "Los mormones, los testigos de Jehová o los evangélicos de Filadelfia van a la conquista de la gente. Nosotros no tenemos esa estrategia de caza y captura del feligrés", señala. "Lo nuestro es más presencia y más compromiso".

El cura Delgado afirma: "En mi diócesis siempre hemos estado presentes en las calles; hace años, estábamos en las fábricas, ahora con los inmigrantes". Pero la opinión que se recoge en los barrios más marginales es que lo católico se ha visto reducido a su mínima expresión, mientras que lo evangélico se perfila como la religión de los pobres.

José Jiménez, de 42 años, es gitano, vendedor ambulante y pastor evangelista en uno de esos barrios. Dirige la Iglesia Evangélica La Unción en la zona más conflictiva de Sevilla, las Tres Mil Viviendas. Un barrio donde la policía, los partidos políticos, los servicios básicos del Estado han permanecido ausentes durante muchos años; un barrio de 20.000 habitantes, de los que casi la mitad son analfabetos y están en paro; un barrio batido por la droga, donde los bomberos dejaron de actuar, los carteros pasaban de largo, los autobuses no llegaban y ni siquiera se recogía la basura.

El pastor Jiménez llegó al culto de la mano de su compañera poco antes de casarse. "Hasta entonces, yo era un pecador, había hecho cosas malas". Hoy, trabaja para recuperar "a personas que no andan por un camino recto, pues aquí hay prófugos que huyen de la policía, atracadores, secuestradores".

A través de la Federación de Asociaciones Cristianas de Andalucía (FACA), los evangelistas gitanos han desarrollado un sinfín de programas sociales. Entre los más importantes, los de rehabilitación de drogadictos. La profesora Cantón afirma que "muchas familias gitanas se hacen religiosas sólo para huir de la droga". Como le dijo un rehabilitado, su "terapia se llama Jesús de Nazaret".

Además de esta labor social, los gitanos se sienten cómodos en las iglesias evangélicas porque, según la profesora Cantón, en estos cultos "ellos son los protagonistas, los pastores son gitanos como ellos, mientras en la Iglesia católica se consideran marginados".

El pastor Jiménez se sirve de la palabra sagrada para ayudar a sus vecinos. Una palabra que ha aprendido "en el libro". El libro es la Biblia. Su conversación está plagada de citas bíblicas que ha memorizado tras una lectura cotidiana. Algo que los católicos no hacen con la frecuencia debida, como señalaba el Papa la semana pasada en la inauguración de la XII edición de la asamblea general ordinaria del sínodo de los obispos. Benedicto XVI recomendó su lectura, porque en la Biblia se encuentra "el mensaje consolador".

Si los católicos leen poco la Biblia, los evangélicos, todo lo contrario. El año pasado se vendieron en España 86.468 ejemplares de la Biblia Reina-Valera (en castellano, euskera, catalán y asturiano), la más apreciada por los protestantes, según datos de la editora Sociedad Bíblica de España. A los que hay que sumar otras casi 20.000 importadas. Unas cifras que han duplicado las de los últimos cuatro o cinco años. En el mundo se vendieron el pasado año casi 27 millones de ejemplares en español.

Mientras en los hogares católicos apenas si se encuentra un ejemplar de los Evangelios, entre los evangélicos lo usual es que cada miembro de la familia tenga su propio ejemplar de la Biblia. "Incluso dos o tres cada uno", señala Lola Calvo, responsable de Comunicación y Desarrollo de la Sociedad Bíblica.

La pasión por la Biblia llega al extremo de que los jóvenes evangélicos practican la "esgrima bíblica". Eliseo Vila, director de la Editorial Clie, con más de 2.500 libros cristianos en español, explica este singular deporte: "Con la Biblia en mano y cerrada, uno indica un texto bíblico por su referencia, por ejemplo Juan 3:16, y gana el que primero encuentra el texto y lo lea, suponiendo que no lo cite de memoria".

También memorizan la Biblia muchos gitanos que apenas sí saben leer. Un total de 150.000 gitanos de toda España son evangélicos, según la Federación de Entidades Religiosas. Están agrupados en unos 700 centros de culto, la mayoría pertenecientes a la Iglesia Evangélica de Filadelfia.

Los evangélicos gitanos representan alrededor del 10% del total de creyentes que residen en España. Pero son más de la tercera parte de los evangélicos españoles de nacimiento. Juan Ferreiro, subdirector general de Coordinación y Promoción de la Libertad Religiosa del Ministerio de Justicia, fija en alrededor de 1,3 millones (cifra no oficial) el número de evangélicos residentes en España. Ferede la eleva al millón y medio. De ellos, 800.000 son inmigrantes comunitarios que viven en España más de seis meses al año; 400.000 españoles y el resto inmigrantes de diversos países, entre los que destaca el colectivo rumano, cada vez más numeroso.

El Registro de Entidades Religiosas del Ministerio de Justicia tenía contabilizadas en junio de 2008 un total de 1.437 iglesias evangélicas. Ferede, por su parte, tiene registrados 2.600 centros de culto, más otros 500 independientes. Algunas iglesias tienen varios centros de culto, pero un solo número de registro. Madrid, Barcelona, Valencia y algunas capitales de Andalucía son las que registran mayor número de fieles.

En 1992, el Estado firmó acuerdos de cooperación con tres religiones de notorio arraigo, evangélica, musulmana y judía. Entre otras cosas, el Estado costea la enseñanza de esa religión en centros oficiales. En 130 escuelas se imparte protestantismo y en 41, islamismo. La Fundación Pluralismo y Convivencia, creada en 2005 por el Ministerio de Justicia, ha distribuido en sus tres años y medio de existencia más de 14 millones de euros entre las tres federaciones religiosas que suscribieron aquellos acuerdos. Hasta mayo de 2008, éstas son las ayudas percibidas: evangélicos, 6.149.886 euros; musulmanes, 5.887.825; judíos, 2.130.873.

El pastor Bernardo Serrano, de 54 años, ha recibido tres subvenciones de la Fundación Pluralismo para programas de integración en su Iglesia Apostólica Pentecostal de Antequera (Málaga), una de las mayores de Andalucía. Uno de los que más éxito ha tenido es el de Cine Cero Cero. O sea, cine sin alcohol más película que resalte los valores humanos, como Carros de fuego. "Buscamos alternativas al botellón entre los jóvenes".

Serrano realizó un estudio sociológico en 2007 entre las 546 iglesias evangélicas de Andalucía. Los resultados apuntan en la dirección del crecimiento: en 1970 había 59 congregaciones; en 2008, sumaban 546. El número de miembros practicantes, es decir bautizados, se elevó de los 16.000 a los 40.000. A ellos hay que añadirle 67.000 extranjeros.

Según el estudio, el perfil del evangélico andaluz, que puede ser extrapolado al resto de España, es el siguiente: clase media baja (85%), entre los 26 y los 40 años (el 40%) y con estudios secundarios (56%). Hay mayoría de mujeres en un porcentaje muy similar al de la población en general (52,55%).

Además de los barrios, los evangélicos trabajan en cárceles y hospitales. "En algunas prisiones acuden ya más presos a nuestros cultos que a los católicos", dice el pastor Serrano, y cita el caso del penal de El Dueso, en Cantabria.

Toda esta labor, ¿pasa inadvertida a los partidos políticos? No, claro. Así lo expresa el pastor gitano Pisa: "Nos han propuesto de todo: alcaldías o ser el brazo del alcalde de turno. Los políticos andaluces saben que detrás hay 150.000 votos directos y medio millón indirectos". Pero ellos se mantienen lejos de la tentación: "Votamos en conciencia, no recomendamos ninguna opción".

No la recomiendan, pero la llevan en su corazoncito. El pastor malagueño Miguel Rueda, de 58 años, compañero de Serrano, cree que los de su generación son mayoritariamente de izquierda, como él mismo, "por el rechazo y la persecución que hubo en el franquismo". En resumen: la dictadura abonó la semilla evangélica, que creció y se multiplicó en democracia.