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domingo, 9 de outubro de 2022

ESG E ODS (Só mais uma sopa de letrinhas?)

 




COMO SURGIU O CONCEITO ESG?

 

Em 2000 foi lançado pelo então secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan o Pacto Global, uma chamada para as organizações alinharem suas estratégias e operações aos princípios universais nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção e desenvolverem ações que contribuam para o enfrentamento dos desafios da sociedade. É hoje a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo com mais de 16 mil participantes, entre empresas e organizações distribuídos em 70 redes locais, que abrangem 160 países.

Do Pacto Global nasceram as sementes do conceito ESG, que recebeu formulação em 2004 no documento Who Care Wins, elaborado pelo Pacto juntamente com o Banco Mundial.

Mais recentemente, em setembro de 2015, chefes de Estado e de Governo e altos representantes reunidos na sede das Nações Unidas em Nova York, decidiram sobre os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável globais e conclamaram todos os países e todas as partes interessadas atuando em parceria colaborativa para implementação deste plano.

 

MAS AFINAL, O QUE É ESSE TAL DE ESG?

 

ESG é a sigla em inglês para “Environmental, Social and Governance” e significa usar fatores ambientais, sociais e de governança para avaliar organizações e países sobre o quão estão avançados em relação à sustentabilidade.

Quanto mais avançadas estiverem essas organizações nesses três itens, melhores oportunidades terão de captação de recursos oriundos do Banco Mundial e de outras entidades investidoras.

 

ITEM 1: MEIO AMBIENTE

Alguns pontos analisados sobre impacto no meio ambiente:

·         Uso ou dependência de combustíveis fósseis.

·         Níveis de poluição gerados.

·         Alterações climáticas causados pelo processo produtivo

·         Eliminação de materiais perigosos.

·         Gestão de Resíduos.

·         Pegada de Carbono.

·         Utilização de energia renovável, água e outros recursos naturais.

 

ITEM 2: ASPECTOS SOCIAIS

Como a organização encara seu impacto social em todo o ecossistema no qual está envolvida.

·         Igualdade de Emprego e diversidade de gênero e racial.

·         Preocupações com a segurança de sua produção.

·         Saúde e segurança de seus trabalhadores.

·         Programas de inclusão social.

·         Capacitação e desenvolvimento.

·         Testes envolvendo animais.

·         Posicionamento sobre questões realizadas à saúde física e mental.

·         Transparência da cadeia de suprimentos.

·         Direitos humanos.

·         Privacidade de dados.

 

ITEM 3: GOVERNANÇA

Como a organização é administrada e como sua liderança atende aos interesses de todas as partes interessadas (funcionários, associados, clientes etc.).

·         Diversidade da liderança.

·         Estratégia tributária e padrões contábeis.

·         Suborno e corrupção.

·         Fraude

·         Éticas e valores.

·         Transparência.

·         Direitos dos associados.

·         Remuneração de funcionários e executivos.

 

A AGENDA 2030 DA ONU E OS ODS

 

Conforme acima colocado, chefes de Estado e de Governo e altos representantes, reunidos na sede das Nações Unidas em Nova York de 25 a 27 de setembro de 2015 decidiram sobre os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável globais.

Conclamaram todos os países e todas as partes interessadas, atuando em parceria colaborativa, para implementação deste plano.

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas anunciados demonstram a escala e a ambição desta nova Agenda planetária. Eles buscam concretizar os direitos humanos de todos e alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas. Eles são integrados e indivisíveis, e equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.

Os Objetivos e Metas foram determinados para estimular a ação para os próximos 15 anos em áreas de importância crucial para a humanidade e para o planeta (a AGENDA 2030 da ONU).

 

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS

 

Objetivo 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.

Objetivo 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.

Objetivo 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.

Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.

Objetivo 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.

Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos.

Objetivo 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos.

Objetivo 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.

Objetivo 9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.

Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.

Objetivo 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.

Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.

Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos (*)

Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.

Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.

Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.

Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

 

(*) Reconhecendo que a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima [UNFCCC] é o fórum internacional intergovernamental primário para negociar a resposta global à mudança do clima.

 

 

E NO BRASIL?

 

No Brasil já existem várias iniciativas estruturadas para a disseminação dos conceitos ESG e ODS.

Por exemplo, a edição 39 (julho, agosto e setembro de 2022) da Revista SABER COOPERAR, órgão de divulgação da OCB abre um artigo de destaque com a seguinte frase: “na hora em que o mundo mais precisa, o cooperativismo não se omite, lidera!”.

De fato, no mês de agosto de 2022 o Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil) realizou a Semana da Competitividade, um evento que reuniu as principais temáticas que envolvem o modelo de negócios do movimento cooperativista com palestras, feira, mesas redondas, laboratórios para atividades práticas, espaço de intercooperação e rodada de negócios internacional.

Um dos temas de maior destaque nesse importante encontro foi a necessidade imperativa de adoção do conceito ESG pelas organizações cooperativas de todo o País.

 

MECANISMOS DE INDUÇÃO

 

Após as definições acima relatadas, a ONU gradativamente criou mecanismos de indução para incentivar governos, empresas e organizações do terceiro setor a aderir aos ODS.

Os principais mecanismos criados foram a destinação de recursos financeiros do Banco Mundial e instituições correlatas, tendo como pré-condição para liberação a adesão aos ODS.

Por exemplo, a Assembleia Geral da ONU, em sua resolução 44/228, de 22 de dezembro de 1989 decidiu que a Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento deveria:

 

·         Identificar meios de proporcionar recursos financeiros novos e adicionais, em particular para os países em desenvolvimento, para programas e projetos de desenvolvimento ambientalmente saudável, em conformidade com os objetivos, as prioridades e os planos de desenvolvimento nacionais e considerar maneiras de monitorar eficazmente a oferta desses recursos financeiros novos e adicionais, em particular para os países em desenvolvimento, a fim de que a comunidade internacional possa adotar novas medidas apropriadas com base em dados exatos e fidedignos;

·         Identificar meios de proporcionar recursos financeiros adicionais para medidas orientadas para resolver problemas ambientais importantes de interesse mundial e, em especial, apoiar os países, sobretudo os países em desenvolvimento, para os quais a implementação de tais medidas representaria um peso especial ou extraordinário, devido particularmente a sua falta de recursos financeiros, competência e capacidades técnicas;

·         Examinar diversos mecanismos de financiamento, inclusive os voluntários, e considerar a possibilidade de estabelecer um fundo especial internacional e outras abordagens inovadoras tendo em vista assegurar, em bases favoráveis, a transmissão mais eficaz e rápida possível de tecnologias ambientalmente saudáveis para os países em desenvolvimento;

·         Quantificar as necessidades financeiras para implementar com sucesso as decisões e recomendações da Conferência e identificar possíveis fontes de recursos adicionais, inclusive as inovadoras.

 

Como decorrência dessas diretrizes, o BNDES criou o “Painel ODS – Nossa contribuição para a Agenda 2030”, cuja orientação de acesso encontra-se neste link: https://youtu.be/b4HZrh0rUCc

Assim como o BNDES, praticamente TODAS as instituições financeiras e de fomento repassadoras possuem explicitamente diretrizes a respeito da destinação de recursos para impacto nos processos produtivos locais, regionais e nacionais, sob o conceito dos ODS.

 

FAZ DE CONTA

 

Uma preocupação importante das instituições investidoras é a confirmação positiva dos dados de ESG apresentados pelas organizações captadoras.

Assim, é comum a realização de inspeções e auditorias de confirmação.

Uma organização que produz informações que não correspondem à realidade fica indelevelmente marcada pelo mercado financeiro e pelos governos locais.

 

MAS, AFINAL, O QUE ESTÁ POR TRÁS DE TUDO ISSO?

 

A principal preocupação da maioria dos líderes mundiais é a degradação do planeta, ou seja, a deterioração do meio ambiente através de esgotamento dos recursos tais como ar, água e solo; a destruição de ecossistemas e a extinção da vida selvagem.

Essa degradação, que vem ocorrendo há séculos, já extinguiu várias espécies da flora e da fauna e coloca em cheque a própria continuidade da espécie humana.

A preocupação no sentido de salvar o planeta não é uma perspectiva válida. O Planeta Terra seguirá sua viagem pelo cosmos pelos próximos séculos da forma similar à que vem ocorrendo até hoje.

A inquietude dos líderes planetários se refere à própria condição de sobrevivência da raça humana.

 

Omar, outubro de 2022. 

 

Fonte da Imagem: wallpaperflare.com

 

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Isso é crime, e não ajuda humanitária



Revoltante e irresponsável. E de ambos os lados. O que está acontecendo nas fronteiras da Venezuela não é fornecimento de ajuda humanitária, mas o uso político dela. Isso é um crime, afirma Astrid Prange.

Deutsche Welle

Vamos deixar uma coisa bem clara: a população da Venezuela precisa de ajuda humanitária. O número de pessoas que luta pela simples sobrevivência aumenta a cada dia, e o fornecimento de alimentos e medicamentos é uma catástrofe no país.

Tanto pior, portanto, que o autointitulado presidente interino Juan Guaidó e seus apoiadores abusem da ajuda humanitária e a usem como instrumento de poder. Aparecer do lado de pacotes de comida para bebê rende boas imagens para a televisão, mas pouca credibilidade política.

Pior ainda é o presidente Nicolás Maduro. O sucessor de Hugo Chávez arruinou economicamente o país, e de forma sistemática. Ele mandou prender os adversários políticos, tirou poder do Parlamento, que é dominado pela oposição, e abandonou a população à própria sorte.

Agora, a ajuda humanitária deve servir, para os dois lados, de cobertura para o fracasso político. As sanções contra o regime de Maduro, impostas desde 2015 pelos Estados Unidos, não tiveram o "sucesso" esperado, ou seja, a queda do "Socialismo do Século 21".

Elas apenas aceleraram o declínio da Venezuela e empurraram Maduro cada vez mais para os braços de Moscou e Pequim. Na semana passada, Maduro falava que não havia fome na Venezuela. Agora, ele anuncia, às vésperas do embate de 23 de fevereiro, que 300 toneladas de ajuda humanitária estão chegando da Rússia.

A Rússia é o principal aliado da Venezuela. Já nos tempos de Chávez, o Kremlin enviava armas para as Forças Armadas venezuelanas. Além disso, Caracas deve 12 bilhões de dólares para Moscou – como garantia para empréstimos, a Venezuela empenhou nada menos que a metade das ações da Citgo, uma rede de postos de gasolina nos Estados Unidos que pertence à estatal petrolífera PDVSA.

A Rússia tem, com isso, dois trunfos contra o presidente Donald Trump: por meio da Citgo, pode influenciar o abastecimento de combustíveis nos Estados Unidos; e, por meio da presença na Venezuela, se estabeleceu como importante ator internacional, ao lado da China e dos EUA, na América Latina.

O mais novo exemplo é o veto da Rússia no Conselho de Segurança da ONU, na semana passada. À resolução dos EUA que exigia novas eleições e ajuda humanitária, Moscou contrapôs seu próprio projeto de resolução.

O imbróglio deixa antever um retorno à Guerra Fria. Que ela tenha como palco justamente a América Latina é especialmente trágico. Afinal, a confrontação entre os Estados Unidos e a Rússia foi oficialmente encerrada apenas em 2014, com a normalização das relações diplomáticas entre EUA e Cuba.

Se houvesse um real interesse em enviar ajuda humanitária para a população da Venezuela, agências da ONU, como o Programa Alimentar Mundial, poderiam levar alimentos para o país – se necessário, com um mandato do Conselho de Segurança. Organizações de ajuda humanitária americanas e russas, bem como doadores de todo o mundo, poderiam entregar suas remessas para a ONU em vez de usá-las para elevar a divisão política dentro do país.

E ainda mais importante: o governo da Venezuela poderia, ele mesmo, pedir ajuda à comunidade internacional. Ajuda humanitária também poderia ser transportada a pé, por voluntários, por outros pontos da fronteira além de Cúcuta – sem toda essa cobertura midiática.

O atual uso político da ajuda humanitária é tudo menos humanitário. Ele faz uma população inteira refém e transforma quem presta ajuda humanitária em cúmplice de uma acirrada disputa política de poder. Isso é um crime.

______________
A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 

Imagem:  https://c.wallhere.com/photos/75/9e/Zdzis_aw_Beksi_ski_fantastic_realism_creepy_surreal_dark_war-1504145.jpg!d

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

ÁGUA, ETC...



Fonte da Imagem: http://www.newearthgreendepot.com/wp-content/uploads/water_border.jpg



No final da década de 70 e no início dos anos 80 foi que pela primeira vez li e ouvi falar a respeito de pessoas que estavam preocupadas com o futuro da água em nosso planeta.

Na época isso me pareceu um tanto esquisito.

Onde cresci, região noroeste do RS, a água era abundante. Chegando em Porto Alegre em 1976, aos 19 anos, não via indícios de que a falta de água fosse um problema. Pelo contrário, eventualmente rios transbordavam em função de excesso de chuva.

De lugares distantes para mim naquela época, nordeste do Brasil e norte da África, por exemplo, às vezes chegavam notícias de que havia problemas com escassez de água, porém isso parecia, de certa forma, normal, pois as informações que chegavam é de que esses lugares historicamente eram muito quentes e quase que tradicionalmente ocorriam períodos de grande seca. Cheguei a ficar chocado com fotos de pessoas, no nordeste do Brasil, se alimentando de lagartixas, devido à seca, porém isso tudo era vendido pela mídia da época como algo inevitável, natural e cíclico (hoje se sabe que a seca pode ser combatida de forma inteligente).

Naquela época quando chegavam informações de que pessoas inteligentes e sensíveis, já taxadas de ecochatos pela mídia, estavam preocupadas com o futuro da água isso me deixava meio que sem saber o que pensar, então arquivava esse assunto em alguma parte do cérebro colocando uma espécie de marcação de alerta, talvez um asterisco imaginário, para ver no futuro. Por via das dúvidas comecei a acompanhar as notícias sobre mudanças no meio ambiente, cada vez mais apreensivo, pois estas não eram de maneira nenhuma positivas.

De lá para cá se passaram quase 40 anos.

Então, de repente, não há água em São Paulo.

Um dos diretores da Sabesp, empresa de economia mista e capital aberto encarregada de prover os paulistas de água, num acesso de sinceridade, declara: “Saiam de São Paulo, porque aqui não vai ter água”.

Obviamente, toda a periferia da cidade de São Paulo pensa: vamos passar uma temporada em Miami até esse problema ser resolvido...

São Paulo possui atualmente cerca de 20 milhões de pessoas em sua região metropolitana.

Mais recentemente chegam notícias de que os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais também estão à beira de um colapso no abastecimento do líquido precioso.

O que aconteceu nesses estados brasileiros, nos quase 40 anos para que a situação chegasse a esse ponto?

Consultando a Dra. Internet encontrei muitas informações interessantes. Desde 1949 existe mobilização mundial para discutir os problemas planetários do meio ambiente e a questão da escassez da água.

No final deste texto relaciono o que considerei os principais eventos. *

Foram inúmeros encontros, seminários, congressos, que resultaram em legislações no mundo todo e que deram origem à criação de numerosas organizações públicas, privadas e do terceiro setor, em todo o planeta, inclusive no Brasil.

Todos os aspectos possíveis e imagináveis envolvendo a possível escassez de água foram abordados exaustivamente.

Então permanece para mim a grande dúvida, porque falta água em São Paulo?

Até agora não consegui entender direito.

Uma pista me deu o Presidente da Nestlé, Peter Brabeck.

Em 2013 ele afirmou que a água deveria ser tratada como qualquer outro bem alimentício e ter um valor de mercado estabelecido pela lei de oferta e procura (ironicamente no final de 2014 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa proibiu a distribuição e comercialização, em todo o país, de lote da água mineral da marca São Lourenço, produzida pela Nestlé, por estar contaminada por bactéria).

Na visão de Brabek, provavelmente admirador de Adam Smith, a água deve ser entregue à mão invisível do mercado.

Aparentemente foi assim que os gestores públicos paulistas agiram ao abrir o capital da Sabesp. Economizaram em planejamento e investimentos para sobrar mais dinheiro para os acionistas. Então ficaram olhando para o céu esperando que São Pedro mandasse chuvas, o que não aconteceu.

Obviamente estou simplificando o raciocínio. Os gestores públicos são pessoas extremamente inteligentes e sensíveis, porém os de São Paulo provavelmente não acreditaram nos ecochatos quando esses afirmaram que as condições climáticas do planeta estavam mudando para pior.

Aliás, provavelmente consideraram também que o desmatamento da Amazônia nada tem a ver com as chuvas na região Sudeste do país. Como teria a ver, se é tão longe?

Estou sendo obrigado, então, a constatar que parcela importante dos gestores públicos e privados, respaldados pela “grande” mídia, acredita que não é necessário realizar planejamento de longo prazo, pois o mercado tem o poder de se autorregular.

Para mim esse modo de pensar faz faltar água. E outras coisas mais.




* Grandes Eventos sobre Meio Ambiente e Água

Fonte: Internet

Desde 1949 a ONU estava preocupada com a conservação e utilização dos recursos naturais do planeta. Nesse ano, após a devastadora segunda guerra mundial, foi realizada uma conferência a respeito em Lake Sucess, EUA, pois pessoas importantes e bem informadas estavam de olho na degradação dos oceanos, rios e mares, na contaminação industrial e na gestão de dejetos perigosos, bem como nas mudanças climatológicas e no desenvolvimento nuclear.
Naquele momento, essas pessoas e a ONU receberam uma brutal oposição de organizações extrativistas e industriais, que viam nessa movimentação um possível limitador de sua atuação, que de fato muitas vezes era extremamente danosa para a saúde do planeta.
De 1949 para cá ocorreram vários eventos destinados a tratar do estado do meio ambiente planetário.
Dá para destacar o Ano Geofísico Internacional, 1957/1958, que teve como desdobramento o Programa Biológico Internacional, com atividades entre 1964 e 1974.
Em 1970 ocorreu em Tóquio, Japão, o Simpósio das Nações Unidas sobre a Desorganização do Meio Ambiente. Esse evento foi importante, pois nele os representantes latino americanos presentes deixaram muito claro o registro da existência de correlação entre o grau de contaminação do meio ambiente e a natureza sócio econômica em vigor.
Em 1972 ocorreu a Conferência de Estocolmo, Suécia, também convocada pela ONU. Esse evento, intitulado Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, sintetizou os conceitos de política ambiental que passaram a ser adotados, em menor ou maior grau, por todos os países membros.
Em relação à água, o primeiro grande evento mundial convocado para tratar especificamente desse tema foi convocado também pela ONU e aconteceu em março de 1977 em Mar del Plata, Argentina. Esse encontro foi importante, pois as conclusões do mesmo deixaram explícita a situação de que o crescente consumo de água em dimensão planetária e a pressão exercida sobre os recursos hídricos apontavam para o surgimento de crise de escassez em médio prazo.
Essa percepção de Mar del Plata foi corroborada na conferência Eco-92, realizada em 1992 no Rio de Janeiro, e foi formalizada na Agenda 21, documento resultante dos trabalhos desse evento.
A Agenda 21 destaca “a importância de cada país a se comprometer a refletir, global e localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações governamentais e todos os setores da sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais”, destacando o problema de escassez de recursos hídricos.