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quarta-feira, 27 de março de 2013

Caso Feliciano expõe poder da religião na política nacional

Bancada religiosa representa um quinto do Congresso e se une para conter o avanço de pautas como aborto, drogas, direitos das mulheres e de homossexuais. Postura leva a questionamentos sobre real laicidade do Estado.

A controversa escolha do deputado federal Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara não é um fato isolado. Ela expõe, segundo especialistas, a consolidação do poder político das religiões no Brasil, sobretudo da evangélica, que cada vez mais direciona forças para impor sua agenda.

Os parlamentares ligados a instituições religiosas já representam um quinto do Congresso. Em 20 anos, o número de deputados federais e senadores evangélicos mais que triplicou – saltou de 23 em 1990 para 73 em 2010, perdendo hoje só para a bancada ruralista. E, com isso, os embates com grupos de direitos civis, pró-liberalização do aborto e das drogas, de direitos humanos e de defesa da laicização do Estado se intensificaram.

"Os católicos sempre foram hegemônicos no Brasil, você não precisava nem dizer que pertencia a essa religião. Mas, com o crescimento dos evangélicos, há um desequilíbrio nessa equação. A disputa foi para além dos limites do campo religioso, porque estar na política é garantir espaços privilegiados", destaca Christina Vital, professora de ciências sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Sob o pretexto de "proteger a família e a vida", os parlamentares das bancadas católica (22 congressistas) e evangélica deixam as diferenças de lado e chegam a trabalhar juntos para tentar conter o avanço de pautas como aborto, casamento homossexual e liberalização das drogas.

Mas os atuais esforços de hoje diferem da atuação após a redemocratização, quando parte do segmento católico e evangélico foi importante para o avanço dos direitos humanos e pautas da minoria, como temas ligados à terra, melhoria das condições de trabalho e dos direitos cidadãos. Os assuntos, no entanto, não afetavam a reprodução e a sexualidade.

E as alianças formadas pelas bancadas religiosas têm grande poder de ramificação. Como exemplo, a Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Preservação da Família, que une católicos, evangélicos e outros políticos de alguma forma ligados a esses preceitos, conta com 192 parlamentares (40% do Congresso).

"Não são somente eles que são conservadores. Eles vocalizam boa parte do que a população brasileira pensa sobre aborto, direitos das mulheres e de homossexuais", diz Vital.

Frank Usarski, professor de ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), diz que, em comparação com a Alemanha, por exemplo, o pluralismo das forças religiosas é menor no Brasil, porém a influência da religião é maior. "O enraizamento das igrejas na consciência e na realidade social dos brasileiros é maior", afirma o especialista alemão.

Estado laico

E, dessa forma, as religiões ameaçam o Estado laico brasileiro, como alerta o livro Religião e política: uma análise da atuação de parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e de LGBTs no Brasil. O estudo, de autoria dos pesquisadores Christina Vital e Paulo Victor Leite Lopes, é fruto da parceria entre a Fundação Heinrich Böll no Brasil e o Instituto de Estudos da Religião (Iser).

Nele, os autores descrevem o avanço dos evangélicos na política na década de 1980 e dizem que essa movimentação no campo político-religioso pelos evangélicos "introduziu um empowerment de diferentes tradições religiosas". Dessa forma, diz o texto, as igrejas passaram a reivindicar um lugar para si a fim de ampliarem a influência de suas denominações, tradições e valores.

Cerca de metade dos deputados pentecostais é composta por pastores, cantores gospel e parentes de líderes de igrejas, tele-evangelistas e donos de emissoras de rádio e TV. E, para serem eleitos, eles dependem do apoio eleitoral de pastores e líderes das igrejas.

"Essa dependência reforça o caráter corporativista e moralista de seus mandatos e seu compromisso de atuarem como despachantes de igreja", opina Ricardo Mariano, professor de sociologia da PUC do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em artigo recentemente publicado pela Revista de História.

Mas um equilibro das forças, mesmo que religiosas, é bem visto no palco político nacional. "É bom que diminua o poder dos católicos, mas que não se substitua um equívoco por outro – que seria a luta de algumas religiões evangélicas contra a predominância católica", destaca Ubirajara Calmon, professor aposentado de ética e teologia da Universidade de Brasília (UnB).

Luta pelo poder

Mas os evangélicos não são os primeiros a inaugurar a relação entre Estado e religião. O Brasil se tornou formalmente laico a partir da primeira Constituição Republicana, em 1891, "mas a igreja Católica sempre fez esforço ao longo desse período para garantir presença no Estado público", destaca Vital.

Como exemplo, está a introdução na Constituição de 1934 da obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas brasileiras e o acordo Brasil-Santa Sé aprovado em 2009 – que dá mais direitos à Igreja Católica em território nacional e recebeu na época críticas de organizações não governamentais e até mesmo do Ministério da Educação.

Para Vital, a questão da laicidade do Brasil é embaralhada, até mesmo pela abrangência do termo. Ela cita, por exemplo, o fato de não existir contribuição direta do imposto de renda para instituições religiosas, como acontece em alguns países da Europa.

"Por esse lado, o Estado é laico. Mas, por outro, se laicidade não é a presença da religião ou não ter a interlocução da religião com o segmento político, aí o Brasil não é laico. No Brasil, há uma enorme presença do elemento religioso no espaço público", concluiu.

DW.DE

Fonte da imagem AQUI.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Norte-americanos esterilizados em programa de eugenia lutam por indenização do Estado

Daniel Nasaw
Da BBC News, Washington

Em 1968, nos Estados Unidos, Elaine Riddick foi violentada por um vizinho que ameaçou matá-la se ela relatasse o ocorrido a alguém.

Criada em ambiente cercado de abusos, filha de pais violentos, na empobrecida cidadezinha de Winfall, na Carolina do Norte, a adolescente tinha 13 anos de idade.
Nove meses mais tarde, quando estava no hospital, dando à luz uma criança - fruto do crime de que tinha sido vítima - Riddick foi violentada pela segunda vez, agora pelo Estado - ela diz.

Uma assistente social que a tinha declarado "mentalmente fraca" pediu ao Eugenics Board - órgão americano encarregado de implementar no país as ideologias da Eugenia - que esterilizasse a adolescente.

Hoje tida como uma falsa ciência, a Eugenia foi um dos pilares do Nazismo na Alemanha e chegou a ser considerada um ramo respeitável das Ciências Sociais.

O termo quer dizer "bom nascimento" e foi criado em 1883 pelo britânico Francis Galton. A ideologia propunha o estudo de agentes capazes de melhorar ou empobrecer as características raciais de gerações futuras, física ou mentalmente.

Mais de 60 mil americanos foram esterilizados, muitos contra a vontade, como parte de um programa que terminou em 1979. Seu objetivo, na prática, era impedir que pobres e deficientes mentais procriassem.

Décadas mais tarde, um Estado americano - a Carolina do Norte - está considerando indenizar as vítimas.

Coerção

As autoridades da Carolina do Norte forçaram a avó de Riddick a escrever um "x" no formulário de autorização. Após fazer o parto do bebê por cesariana, os médicos esterilizaram Riddick.

"Mataram meus filhos", ela diz. "Mataram os meus antes de chegarem", diz Riddick, que sofreu décadas de depressão e outras doenças, e hoje tem 57 anos.

Quase 40 anos após a última pessoa ter sido esterilizada como parte do programa de Eugenia da Carolina do Norte, o Estado criou um grupo de trabalho para tentar localizar as 2.900 vítimas que, estima-se, ainda estariam vivas.

O grupo espera reunir as histórias pessoais das vítimas e recomendar ao Estado que lhes ofereça alguma forma de indenização. Entretanto, com as finanças públicas sob pressão, não está claro se o Legislativo vai concordar.

"Sei que não posso corrigir (a injustiça) mas ao menos posso reconhecê-la", disse o deputado estadual Larry Womble.

Ele espera "contar ao mundo que coisa horrenda o governo fez com jovens meninos e meninas".

O movimento de esterilização nos Estados Unidos foi parte de um amplo esforço para "limpar" a população do país de características considerados indesejadas.

Entre as políticas adotadas estavam evitar a mistura de raças e o estabelecimento de cotas de imigração rigorosas para europeus do leste, judeus e italianos.

Um total de 32 Estados americanos aprovaram leis permitindo que as autoridades esterilizassem pessoas consideradas não aptas a procriar, começando com a Indiana, em 1907. O último programa terminou em 1979.

As vítimas foram criminosos e jovens delinquentes, homossexuais, mulheres de tendências sexuais tidas como "anormais", pessoas pobres recebendo ajuda do Estado, epiléticos ou pessoas com problemas mentais.

Em alguns Estados, as grandes vítimas do programa foram populações de origem africana e hispânica.

Puritanismo

Segundo historiadores, as esterilizações, aparentemente feitas com o "consentimento" de vítimas e familiares, aconteciam, na prática, à base de coerção.

Camponeses analfabetos recebiam formulários para assinar, detentos eram advertidos de que não seriam libertados com seus corpos intactos, pais pobres eram ameaçados de perder assistência pública se não aprovassem a esterilização de filhas "depravadas".

Entre alguns dos pedidos de esterilização recebidos pelo Eugenics Board em outubro de1950 estavam:
  • Uma jovem de 18 anos, separada do marido, que tinha "comportamento anti-social"
  • Uma vítima de estupro, negra, com 25 anos, que apresentava "tendências sexuais anormais"
  • Uma menina de 16 anos que tinha sido enviada para uma instituição do Estado por "delinquência sexual" e cuja tia havia dado "assinatura de consentimento"
  • Uma mulher branca, casada, com três filhos, cuja família havia dependido do Estado por muitos anos, e que tinha um "histórico de casamentos com índios e negros"
Segundo o historiador e especialista em leis Paul Lombardo, da Georgia State University, a motivação por trás das medidas era a indignação com a ideia de que pessoas que haviam desrespeitado códigos de conduta sexual acabariam precisando de assistência pública.

"Nesse país, sempre fomos muito sensíveis a noções de histórias públicas de sexualidade inapropriada", disse.

"É nossa formação puritana entrando em conflito com nosso senso de individualismo".

Os programas de esterilização também se baseavam em critérios raciais.

Segundo Lombardo, o discurso era: "Quanto menos bebês negros tivermos, melhor. Vão todos acabar dependendo de ajuda do Estado".

Carolina do Norte

Embora os especialistas calculem que milhares em vários Estados americanos tenham sido esterilizados como parte do programa no século 20, a Carolina do Norte se destacou por sua eficiência em implementar as medidas.

A maioria dos Estados promoveu esterilizações de detentos e pacientes em prisões e outras instituições.

Na Carolina do Norte, no entanto, assistentes sociais atuando na comunidade podiam fazer petições ao Estado para que indivíduos fossem incluídos no programa.

As autoridades de saúde calculam que dos 1.110 homens e 6.418 mulheres esterilizados na Carolina do Norte entre 1929 e 1974, cerca de 2.900 estejam vivos.

Hoje, vários Estados examinaram seu passado e fizeram pedidos oficiais de desculpas. No caso da Carolina do Norte, isso ocorreu em 2003. Mas alguns no Estado querem que o processo vá mais além.

O deputado estadual Larry Womble continua a fazer campanha por indenização monetária para as vítimas.

Com a crise nas finanças públicas, no entanto, há poucas chances de que legisladores aprovem um pedido de US$ 58 milhões em indenizações - US$ 20 mil para cada vítima.

Uma das pessoas envolvidas na campanha é Charmaine Cooper, diretora-executiva do grupo de trabalho Justice for Sterilization Victims Task Force, criado pelo Estado.

"Minha esperança é de que o Estado reconheça que nunca haverá um bom momento para indenizações".

Entre as vítimas que deverão prestar depoimento está Riddick, que hoje vive em Atlanta. Para ela, a perspectiva de uma indenização de US$ 20 mil é um insulto.

"Deus disse, sejam fecundos, multipliquem-se. Eles não pecaram apenas contra mim, pecaram contra Deus".

domingo, 15 de maio de 2011

PARA JAIR BOLSONARO


Foda-se

Olhe dentro
Olhe dentro da sua mente pequena
Depois olhe mais atentamente
Porque ficamos tão desanimados
Tão enjoados e cansados
De todo ódio que você guarda

Então você diz
Que não é normal ser gay
Eu acho que você é malvado
Você é apenas um racista que
Sequer serve para amarrar meus cadarços
Seu ponto de vista é medieval

Foda-se
Foda-se muito, muito mesmo
Porque odiamos o que você faz
E odiamos toda sua turma
Por favor, não se aproxime

Foda-se
Foda-se muito, muito mesmo
Porque suas palavras não condizem
E está ficando muito tarde
Então por favor, não se aproxime

Você se sente
Você gosta de ter
uma mente pequena?
Você quer ser como seu pai
É aprovação que você quer
Bem, não é assim que vai encontrá-la

Você
Você realmente curte viver uma vida
tão cheia de ódio?
Porque há um buraco onde sua alma deveria estar
Você está perdendo o controle
E é realmente nojento

Foda-se
Foda-se muito, muito mesmo
Porque odiamos o que você faz
E odiamos toda sua turma
Por favor, não se aproxime

Foda-se
Foda-se muito, muito mesmo
Porque suas palavras não conduzem
E está ficando muito tarde
Então por favor, não se aproxime

Vá se foder, vá se foder, vá se foder
Vá se foder, vá se foder, vá se foder
Vá se foder

Você diz você acha que precisamos ir pra guerra
Bem, você já está em uma.
Pois são pessoas como você
Que precisam de uma lição
Ninguém quer sua opinião

Foda-se
Foda-se muito, muito mesmo
Porque suas palavras não condizem
E está ficando muito tarde
Então por favor, não se aproxime

Foda-se
Foda-se muito, muito mesmo
Porque suas palavras não condizem
E está ficando muito tarde
Então por favor, não se aproxime

Vá se foder
Vá se foder
 

Fuck You

Look inside
Look inside your tiny mind
Now look a bit harder
Cause we're so uninspired,
Sso sick and tired
Of all the hatred you harbour.

So you say
It's not OK to be gay
Well I think you're just evil
You're just some racist
Who can't tie my laces
Your point of view is medieval

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch

Do you get
Do you get a little kick out of
Being small-minded?
You want to be like your father,
His approval you're after
Well that's not how you find it.

Do you,
Do you really enjoy
Living a life that's so hateful?
Cause there's a hole where your soul should be
You're losing control of it
And it's really distasteful

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you, fuck you
Fuck you, fuck you, fuck you
Fuck you

You say you think we need to go to war
Well you're already in one
Cause it's people like you
That need to get slew
No one wants your opinion

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch

Fuck you
Fuck you
Fuck you

sexta-feira, 1 de abril de 2011

BOLSONARO E A MUDANÇA DE SEXO


Um casal do interior da Grã-Bretanha se surpreendeu ao descobrir que uma de suas galinhas havia parado de botar ovos, desenvolveu uma crista e começou a cantar como um galo.

Gertie era uma das duas galinhas mantidas pelo casal Jeanette e Jim Howard, de 79 e 76 anos, perto de Huntingdon, no condado de Cambridgeshire.

Segundo Jeanette, as galinhas haviam produzido menos ovos que o normal durante o inverno, mas Gertie então parou totalmente e desenvolveu características masculinas.

Segundo a veterinária Marion Ford, especialista em aves, mudanças aparentes de sexo em galinhas não são incomuns.

A situação seria verificada em uma a cada 10 mil aves do sexo feminino.

Segundo Ford, fungos encontrados na ração estocada para as galinhas podem ter o efeito de hormônios sintéticos.

Encorpada

Jeanette Howard disse ter começado a notar as mudanças na aparência de Gertie há poucos meses, quando ambas as aves estavam trocando de penas.

“Eu pensei que a Gertie tinha passado aquela fase muito bem. Ela ganhou muito mais penas e eu notei que ela também ficou mais encorpada. A Gertie parecia muito saudável”, afirmou.

Ela diz que a galinha então desenvolveu um papo característico dos galos e sua crista ficou bem maior do que era.

A galinha também começou a andar empertigada no entorno do galinheiro e pelo jardim, com uma atitude diferente.

“Então alguns dias depois a ouvi tentando cantar. Ela não conseguia fazer direito no início, mas progrediu bem e agora realmente canta muito bem”, disse a dona.

Jeanette diz não estar segura agora se Gertie realmente mudou de sexo. “Mas para todos os efeitos, ela agora é um galo”, afirmou ela, que rebatizou o animal de Bertie.

BBC

Comentário do Blog: Certamente o deputado Bolsonaro ocupará a tribuna para denunciar essa grave distorção e solicitará que Bertie seja imediatamente presa e torturada.

quinta-feira, 31 de março de 2011

“Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro este risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambientes, como lamentavelmente é o teu”.

Declaração do deputado Jair Bolsonaro ao ser questionado por Preta Gil, em programa de televisão, a respeito do que ele faria caso seu filho se apaixonasse por uma negra. O deputado posteriormente alegou, através de nota oficial, que “a resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta — percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay”.

Comentário do Blog: Bolsonaro, oriundo do Exército Brasileiro, deputado do PP, se reelegeu com 120.646 votos na última eleição. Ele deve fazer sucesso com frases e pensamentos deste jaez em redutos da extrema direita.

Leia MAIS.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A indisfarçável vitória dos Funileiros Nazais


"O verdadeiro confronto no Rio é entre Fuzileiros Navais e Funileiros Nazais"
(Vitor Biglione)

Depois de um fim de semana de guerra, no Rio, calcei as chinelas, enfiei a sunga e fui à praia. Lá pelo meio da tarde de domingo, começo a ouvir um alvoroço no Posto 10 e lá fui eu, de novo. Um grupo de marombeiros de vida mansa, hostilizavam gays de ambos os sexos, enxotando-os para onde consideram ser seu lugar ao sol, que fica na Faixa de Gaza, entre os postos 8 e 9, em frente à Farme de Amoedo. Essa gurizada bronzeada que luta "jiu -jitsu" faz questão do "apharteid", por não aceitarem opções alternativas às suas e não conviverem com demonstrações homo-afetivas.

A Polícia de Praia contemporizou o conflito, mas chamou reforços. No clima de confronto que vivia o Rio, quando chegaram 5 viaturas da PM, o primeiro a descer era um sargento que me fazia parecer um pigmeu, empunhando um caibro de baraúna de metro e meio e adentrou a areia de Ipanema frizado na direção da galera, seguido por uma policial de meu tamanho de pistola em punho e mais um colega portando um fuzil AR 15. Um evidente exagero, mas demonstração de que o Estado não está mais para brincadeiras. Os policiais de praia contemporizaram novamente e pediram aos PMs armados que saíssem da praia pois o conflito não necessitava tamanha intervenção. Quando os 3 da tropa de choque se viraram para abandonar o local os mauricinhos de praia começam a gritar: "polícia para quem precisa..."

Ou seja: esses desocupados que passam o dia marombando em academias patrocinados pelos pais e que, cheirados até o último fio de cabelo nas ventas, saem às ruas pra bater em homosexuais, deixam claro que vão continuar com a mesma vidinha de sempre. Seguirão financiando o tráfico, pois seu forte não é o bom senso e o mundo não vai além do próprios umbigos. Como mora muito mais gente em Copacabana, Ipanema e Leblon, do que no complexo do Alemão, eles seguirão ditando as normas de comportamento, enquanto os humildes residentes das áreas conflagradas, serão abondonados à própria sorte, assim que terminar a intervenção militar, pois sabemos que o Estado não vai subir o morro e colocar escolas, ambulatórios, saneamento e segurança permanente por lá. É questão de dias para vermos policiais e militares retornarem aos quartéis de Abrantes e tudo fica como antes. Trocam apenas os donos do negócio e é, provavelmente, isso que está acontecendo no Rio neste momento. O Estado, apoiado pelas milícias, mete bomba, prende e arrebenta com os vagabundos da bandidagem tradicional, com essa entidade clandestina assumindo os pontos de tráfico de uma maneira mais "bacana", para quando o carnaval, a Copa ou as Olímpiadas chegarem.

Se isso ficar confirmado -oremos pra que seja o contrário- de pouco adiantou mobilizar os Fuzileiro Navais, PQDs,exército e aeronáutica, pois a vitória final será dos funileiros nazais, trajando sunguinhas de "bad boy" e metendo porrada em biba. São eles os verdadeiros responsáveis pelo tráfico no Rio, os consumidores, por financiarem e os operadores subterrâneos do Estado fluminense. Ou como disse o PM com a AR 15 na mão ao sair da praia no domingo, olhando para os apartamentos mais nobres da Vieira Souto: "me dá um mandato de busca e vamos ver se eu não levanto mais droga nesses apartamentos do que acharam no Alemão".

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

República Tcheca faz testes de homossexualidade em exilados


A Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA, na sigla em inglês) denunciou nesta terça-feira a República Tcheca por realizar testes para comprovar a homossexualidade dos homens que deixam seus países com o argumento de serem perseguidos por sua orientação sexual.

Com o aviso prévio do exilado, o teste realizado por um sexólogo e por um psicólogo é aplicado para comprovar se o homossexual reage diante de imagens de material pornográfico heterossexual, explicou a própria agência.

A informação foi divulgada em um relatório sobre discriminação sexual que a FRA apresentou nesta terça-feira no Parlamento Europeu.

Segundo a agência, o teste é realizado apenas quando há dúvidas sobre a orientação sexual de quem denunciou a perseguição.

Como muitos países perseguem a homossexualidade mas não a proibem por leis nacionais, surgem dúvidas nos gabinetes de exílio na hora de conceder a proteção internacional nestes casos.

A FRA considerou que esse exame "é particularmente inadequado" para os exilados porque "muitos deles podem ter sido vítimas de abusos sexuais e sofrerem com esse tipo de técnica".

Por outro lado, a agência também duvida que o teste seja realizado "com prévio consentimento", além de declarar que tem "uma credibilidade questionável e totalmente ineficaz no caso dos bissexuais".

O mecanismo é a revelação mais surpreendente do relatório sobre homofobia da FRA, que conclui que desde o estudo anterior, em 2008, "não mudou nada ou muito pouco" no que se refere à redução da discriminação sexual.

"Embora um maior número de países avançou no reconhecimento das uniões do mesmo sexo, vários outros seguem negando esse direito apesar das implicações que isso tem para as liberdades individuais", afirmou no relatório o diretor da FRA, Morten Kjaerum.

Nos dois últimos anos, Irlanda, França, Portugal e Suécia avançaram na luta contra o preconceito, enquanto Romênia, Bulgária e Estônia proibiram expressamente as uniões homossexuais.

Terra

sábado, 17 de julho de 2010

FRASES


"Que me acusem do que quiser. Deus me diz uma coisa e eu vou obedecer com todo rigor, mesmo que custe meu posto, e mesmo que me custe a vida, porque primeiro está o que Deus me diz".

Marta Covella, juíza de paz argentina da cidade de General Pico, juíza de paz afirmando que jamais realizará o casamento de casais homossexuais, um dia depois de o Senado aprovar uma lei que autoriza essas uniões.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vaticano é alvo de mais críticas por vincular gays à pedofilia


A casa onde o Papa Ratzinger nasceu (acima), localizada na Alemanha, amanheceu hoje pichada com palavras não divulgadas.

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - Políticos e grupos representantes de gays condenaram o número dois do Vaticano nesta quarta-feira por dizer que o homossexualismo é uma "patologia" e vinculá-lo diretamente ao abuso sexual de crianças.

As declarações feitas pelo cardeal Tarcisio Bertone durante visita ao Chile, e a controvérsia que desencadearam, fizeram manchetes nos grandes jornais italianos. O Ministério do Exterior francês e alguns blogs católicos que apoiam o papa também condenaram as declarações do cardeal.

À medida que o escândalo em torno do abuso sexual de crianças por parte de padres vem se alastrando, alguns setores da Igreja Católica começaram a pedir uma revisão da norma da Igreja que proíbe os padres de se casarem, dizendo que o casamento lhes permitiria desfrutar de uma vida sexual saudável.

Bertone, o secretário de Estado do Vaticano e que às vezes é chamado de "vice-papa", disse em coletiva de imprensa concedida em Santiago na segunda-feira:

"Muitos psicólogos e psiquiatras já mostraram que não existe vínculo entre o celibato e a pedofilia, mas, me foi dito recentemente, muitos outros já demonstraram que existe uma relação entre homossexualidade e pedofilia."

"Esta (a homossexualidade) é uma patologia que atinge pessoas de todas as categorias, e sacerdotes em grau menor, em termos percentuais", disse ele. "O comportamento dos padres neste caso, o comportamento negativo, é muito sério, é escandaloso."

Ativistas de defesa dos direitos dos gays reagiram com escárnio e ultraje.

"É um absurdo científico. A Organização Mundial da Saúde descreve o homossexualismo como uma variante do comportamento humano. É a pedofilia que é uma patologia, um crime, e não o homossexualismo", disse Franco Grillini, ex-parlamentar que esteve na vanguarda do movimento italiano de defesa dos direitos dos gays.

"Pelo fato de terem seus próprios problemas com a crise dos abusos e de não saberem como lidar com isso, estão tentando transferir sua 'cruz' dos ombros deles para os nossos", disse Grillini à Reuters.

BLOG CATÓLICO CRITICA

O Ministério do Exterior da França disse que foi "uma vinculação inaceitável e que condenamos".

Alguns blogs católicos pró-Vaticano disseram que mais polêmica é a última coisa de que o Vaticano precisa.

"Pedofilia e homossexualismo: Bertone tropeça -- mais uma vez -- sobre os gays", disse um post no "Blog dos Amigos do papa Ratzinger."

O blog disse que agora o papa terá que "limpar a sujeira feita por seu braço direito".

O porta-voz do Vaticano padre Federico Lombardi divulgou um comunicado no qual tentou minimizar a repercussão do incidente.

Ele disse que líderes da Igreja não estavam fazendo "afirmações gerais sobre uma natureza psicológica específica" e mostrou estatísticas da Igreja mostrando que dois terços dos casos de abuso de adolescentes por padres envolviam padres homossexuais.

Um editorial de primeira página no jornal romano de viés esquerdista La Repubblica, intitulado "A Confusão na Igreja", disse que as declarações de Bertone acabarão por "prejudicar mais a própria Igreja, e não os homossexuais".

Bertone também foi criticado pela deputada de direita Alessandra Mussolini, cujo avô, o ditador fascista Benito Mussolini, enviou os gays para o exílio interno.

"Não se pode vincular orientação sexual a pedofilia. O vínculo corre o risco de ser perigosamente enganoso para a proteção das crianças", disse ela.

O ArciLesbica, principal grupo italiano de defesa dos direitos das lésbicas, acusou o Vaticano de usar "declarações violentas e enganosas" para desviar a atenção de seu escândalo de abuso sexual e disse que os pais italianos deveriam estudar a possibilidade de tirar seus filhos de instituições dirigidas pela Igreja.

Em sua audiência semanal geral, o papa Bento 16 não fez nenhuma referência direta à crise enfrentada pela Igreja.

(Reportagem adicional de Crispian Balmer, em Paris, e Simon Gardner, em Santiago)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

HOMOFOBIA EM GENERAL


"A vida militar se reveste de características que podem não se enquadrar com os homossexuais. A tropa não obedece indivíduos desse tipo"

Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, general, ao ser sabatinado no Senado para o preenchimento de vaga do Supremo Tribunal Militar.


A frase, fora do contexto onde foi dita, fica no mínimo estranha nos dias de hoje... Além disso não demonstra exatamente sensibilidade, conhecimento de história, de perfis psicológicos e de características de liderança. Ele desconhece (?!?!?) a história de um dos maiores generais da história da humanidade (Alexandre Magno). Que os espartanos tinham seus companheiros como "pau para toda a obra", para quem literalmente confiavam seu traseiro. Na época isso não era considerado menos. Nem mais. E não dá para dizer que Alexandre não era um grande líder. Muito menos os espartanos...
Dá, general???
:)
Vixe!!

abs

Marcus

PS: Nos Estados Unidos, o tema está em discussão no governo. O secretário de Defesa do país, Robert Gates, disse nesta terça-feira diante do Senado que um grupo de trabalho vai estudar a possível anulação de uma lei de 1993 que proíbe o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas do país.

O anúncio foi feito durante audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado. O secretário afirmou que a revisão da lei vai considerar o impacto que teria a sua anulação.

O chefe do Estado Maior conjunto Michael Mullen disse à mesma comissão que apoia a suspensão, acrescentando que "isso é o que se deve fazer".
A legislação atual, conhecida como 'Don't ask, don't tell', proíbe que soldados gays e lésbicas assumam sua homossexualidade, bem como que eles sejam questionados sobre isso.

NOTA DO BLOG: Esta postagem é um e-mail recebido do amigo Marcus Rosa, pubicado com a devida autorização, naturalmente.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Cardeal diz que homossexuais 'não vão para o céu'

Javier Lozano Barragán:

O cardeal mexicano Javier Lozano Barragán causou polêmica nesta quarta-feira ao afirmar que homossexuais e transexuais não vão para o céu.

"Transexuais e homossexuais não entrarão no Reino dos Céus", disse o religioso em declarações publicadas no site católico conservador Pontifex.roma. "E não sou eu que digo, mas São Paulo."

Questionado sobre se a opinião também vale para uma pessoa que nasce homossexual, o cardeal disse que "não se nasce homossexual".

"Por várias razões, por razões de educação, por não haver desenvolvido sua própria identidade na adolescência. Talvez não sejam culpados, mas agindo contra a dignidade do corpo, certamente não entrarão no Reino dos Céus", disse.

"Tudo que consiste em ir contra a natureza e contra a dignidade do corpo ofende a Deus."

Diversas organizações de defesa dos homossexuais na Itália criticaram as declarações do religioso mexicano.

Lozano Barragán é presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde.

O Vaticano se distanciou dos comentários do cardeal.

BBC

Comentário do BLOG: E os religiosos que abusam de crianças, vão para o céu?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

ALTÍSSIMO NÍVEL

Pantanal:

Minc descarta processo contra Puccinelli

Um dia após ter sido chamado de "veado" e "fumador de maconha" pelo governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), o ministro da Meio Ambiente, Carlos Minc, reagiu com insinuações. "Ele (Puccinelli) que saia do armário tranquilo, pois nós defendemos todos os homossexuais, assumidos ou enrustidos", respondeu o ministro. Ele disse que não vai abrir processo contra Puccinelli pelas agressões, mas não abriu mão de prolongar a polêmica.

Defensor do plantio de cana para produção de etanol no entorno do Pantanal, o governador deu a declaração ontem, durante encontro com empresários e políticos da região, sem se incomodar com a presença de jornalistas na plateia. Ao comentar as restrições ao plantio de cana na Bacia do Alto Paraguai, previstas no zoneamento agroecológico lançado por Minc na semana passada, Puccinelli chegou a fazer uma ameaça insólita, caso o ministro viesse participar da minimaratona ecológica a se realizar no estado. "Eu corro atrás dele e o estupro em praça pública", disse, diante de risos do público.

Em pouco tempo, as declarações estavam na Internet, deixando Puccinelli em saia justa. Depois, o governador tentou se desculpar, mas Minc não quis conversa. "Ele (Puccinelli) perdeu o controle e mostrou o seu verdadeiro eu de forma desassombrada, manifestando preconceito", observou o ministro. Citando Siegmund Freud, o pai da psicanálise, Minc afirmou ser típico de pessoas que não admitem seu próprio homossexualismo. "Na verdade (essas pessoas) agridem algo que existe dentro deles próprios e que não aceitam", explicou.

Em meio à baixaria, o governador deu uma declaração pública hoje, na tentativa de encerrar o assunto. "Era um bate papo informal com empresários e, na hora que se conta piadas, se fazem besteiras como essa", explicou. "Como tornou-se público eu achei que devia pedir desculpas públicas".

O ministro ressaltou que, à parte as ofensas, o que mais lhe preocupa é "a virulência" do governador contra a preservação do Pantanal, "um paraíso ambiental para o qual os olhos do mundo estão voltados". Ele informou que tinha conversado com o governador dois meses antes do lançamento do zoneamento, explicando as medidas e presumido a concordância de Puccinelli.

O Mato Grosso do Sul, segundo o ministro, tem 9 milhões de hectares férteis, fora da bacia do Alto Paraguai, considerados aptos à produção canavieira. O Estado, acrescentou o ministro, tem lei que veda construção de usinas e a produção de cana na área de influência do Pantanal. "Ele (Puccinelli) achou interessante, ficou de estudar e agora veio com essa histeria", disse o ministro.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Tailândia cria curso para desencorajar monges 'afeminados'


As autoridades religiosas da Tailândia anunciaram a adoção de aulas de boas maneiras para desencorajar o que consideram comportamentos "afeminados" entre monges noviços.

Se tiver sucesso, o novo curso, inicialmente introduzido em um seminário budista no norte do país, será implementado também nas demais escolas e mosteiros tailandeses.

As autoridades religiosas disseram estar respondendo à crescente irritação entre os clérigos tailandeses mais conservadores e parte da população com o comportamento considerado afeminado.

Eles pretendem reduzir ou eliminar a utilização de maquiagem e de túnicas apertadas por monges jovens, além de atitudes gerais que possam sugerir atividade homossexual.

A Tailândia é provavelmente o país da Ásia mais tolerante em relação à homossexualidade, normalmente expressada de forma aberta.

Mas o homossexualismo ainda é considerado incompatível com a condição de sacerdote budista, com suas tradições de celibato e de auto-disciplina.

bbc

domingo, 9 de novembro de 2008

COMO SERÁ O TESTE?!


Igreja vai testar homossexualismo em seminários; diz jornal

A Igreja Católica deve testar todos os candidatos a padre para evitar a ordenação de suspeitos de homossexualismo "profundamente enraizado", de acordo com uma reportagem publicada neste sábado pelo jornal britânico The Independent.

A recomendação teria sido formulada pela Congregação para a Educação Católica do Vaticano em um documento batizado de "Manual de Regras para o Uso da Psicologia na Admissão e na Formação de Padres".

O líder da congregação, cardeal Zenon Grocholewski, teria afirmado em entrevista coletiva durante a semana, que mesmo homossexuais celibatários devem ser excluídos da Igreja.

De acordo com o Independent, o líder católico polonês teria classificado o homossexualismo de "um tipo de desvio, de irregularidade" e que por isso representaria uma "ferida no exercício do sacerdócio".

"O candidato não precisa necessariamente praticar o homossexualismo. Ele pode não ter pecados, mas se tem um tendência profundamente enraizada, não pode ser admitido para o ministério eclesiástico", disse o cardeal, segundo a reportagem do Independent.

'Paternidade espiritual'

A explicação para o afastamento de gays, segundo Grocholewski, seria "a natureza do sacerdócio, no qual se desempenha uma paternidade espiritual".

"De certa forma, quando nos perguntamos por que Cristo reservou o sacerdócio aos homens, falamos na sua paternidade espiritual, e sustentamos que o homossexualismo é um tipo de desvio, um tipo de irregularidade", afirmou.

"Por isso, é um tipo de ferida no exercício do sacerdócio, na formação de relações com os outros."

Essa não é a primeira vez que a Igreja recomenda a exclusão de homossexuais. Em 2005, o Vaticano divulgou que seminaristas gays deveriam ser afastados.

A reportagem do Independent cita ainda duras críticas do grupo britânico gay pela igualdade de direitos Stonewall.

"É uma tragédia (ainda mais) neste momento em que a Igreja sente a escassez desesperada de vocações à Igreja", afirmou Ben Summerskill ao jornal britânico.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

"Lutamos contra o preconceito de que não existem militares gays"


DW:
Como o Exército lida com a homossexualidade na Alemanha? Sobre o tema, DW-WORLD.DE entrevistou o primeiro-tenente Peer Uhlmann, representante dos interesses dos afiliados homossexuais do Exército alemão.

O caso dos sargentos gays do Exército brasileiro que assumiram publicamente seu relacionamento homossexual acendeu no Brasil uma questão que vem sendo tematizada há décadas nos assim chamados países industrializados. Em entrevista exclusiva à DW-WORLD.DE, o primeiro-tenente Peer Uhlmann, membro da diretoria do Círculo de Trabalho dos Afiliados Homossexuais do Exército alemão (AHsAB e.V.), respondeu sobre a situação no país.

DW-WORLD.DE: Como membro da diretoria do Círculo de Trabalho dos Afiliados Homossexuais do Exército alemão (AHsAB e.V.), o senhor poderia nos relatar como o Exército alemão lida com a homossexualidade?

Primeiro-tenente Peer Uhlmann, do Exército alemãoPeer Uhlmann: Desde fins do ano 2000, existe no Exército alemão um decreto feito para regulamentar a forma de relacionamento, sobretudo entre homens e mulheres, dentro e fora do expediente. Graças à então iminente abertura do Exército para mulheres e graças a um militar combatente, a liderança do Exército foi obrigada a discutir intensamente o tema da tolerância. Pela primeira vez, um decreto do Exército tematizou explicitamente o relacionamento privado dos militares.

Anteriormente, a sexualidade em si não existia, ela era assunto privado e não tinha nada a ver com o serviço. O decreto deveria sobretudo esclarecer as conseqüências dos contatos privados, principalmente entre mulheres e homens. Mas também a homossexualidade foi abordada no decreto.

Segundo a diretiva, é indiferente para os superiores quem tem uma relação com quem e de que forma a desfruta. O importante é que o trabalho não seja prejudicado por esta relação. No que concerne a isto, o Exército alemão não difere das empresas da economia livre.

Até que ponto o decreto sexual de dezembro de 2000 atingiu o objetivo da igualdade de tratamento entre os sexos?

Em um exército, em princípio, a patente, a performance e a capacidade dos soldados são mais importantes que suas preferências pessoais. Se um soldado é gay ou não, isto não interessa à execução de suas tarefas. Também na avaliação de seu rendimento e nas promoções, isto não deveria ter nenhuma importância. Escapa a qualquer controle, no entanto, o fato de preconceitos escondidos exercerem aí influência. O mesmo vale, por exemplo, para militares femininos e masculinos de origem migratória.

O que os militares fazem depois do serviço, em casa ou em sua acomodação, é desinteressante desde que outros não sejam perturbados. Tanto faz se um soldado recebe seu namorado ou sua namorada em sua casa.

O decreto é um bom ponto de partida, mas ele não pode combater a intolerância – encontrada em todos os níveis hierárquicos – nas cabeças das pessoas. Nesse caso, principalmente a responsabilidade dos superiores é requisitada. Apesar do decreto, faltam aí, em muitos casos, a necessária sensibilidade e um tratamento sem preconceitos do tema. Sobretudo discriminações veladas não se deixam excluir.

Existem casos de transferências ou queixas de militares femininos e masculinos que assumem abertamente sua homossexualidade e por isto são discriminados?

Até os anos de 1980, era normal excluir homossexuais masculinos do serviço militar por serem inaptos. Em 1999, um oficial apelou ao Tribunal Federal Constitucional contra sua transferência devido à sua tendência homossexual. A justificativa do Ministério estava cheia de preconceitos: o moral da tropa não poderia ser prejudicado, a autoridade de um superior homossexual seria minada, etc. A Justiça não apoiou esta argumentação. Encontrou-se então em consenso extrajudicial.

Conhecemos casos em que militares homossexuais, bissexuais ou também transgêneres foram zombados, evitados ou desacreditados às escondidas. Aí se encontra o verdadeiro problema. Esta forma de discriminação é difícil de controlar, ela prejudica o ambiente de trabalho e influencia outras pessoas que, em princípio, não tinham preconceitos. Se os superiores não agirem corretamente, um tratamento aberto do tema homossexualidade é quase impossível.

É possível avaliar quantas pessoas homossexuais fazem parte do Exército alemão?

Também o Exército é um perfil da população. Quase todas as facetas da nossa sociedade estão representadas, só que estas não são reconhecidas, por baixo do uniforme, à primeira vista. É alto o número daqueles que renegam sua orientação sexual no Exército alemão, por medo de conseqüências negativas. Somente poucos têm a coragem de assumi-la abertamente e, por exemplo, registrar perante seus superiores uma parceria civil homossexual. Acreditamos que cinco a dez por cento dos membros do Exército alemão são homossexuais.

Em 2006, a revista Der Spiegel relatou que o Ministério alemão da Defesa queria evitar que soldados em viagens de serviço freqüentassem áreas próximas a bares gays, impedindo assim conseqüências negativas para a imagem do Exército alemão. Isto não seria uma forma de discriminação?

Esta tentativa do Ministério alemão da Defesa foi novamente marcada por preconceitos. O caso mostra claramente que, sobretudo em escalões mais altos, também na política, as pessoas ainda têm muitas reservas. Mas, em vez de discutir os problemas de forma construtiva, eles são transformados em tabu. Claro que isto é uma forma de discriminação.

E sempre há novos casos. Há pouco, a organização que representa os interesses dos membros do Exército, a Federação Alemã dos Militares, exigiu no tocante ao tema igualdade de direitos a exclusão das parcerias civis homossexuais, no parecer que deu sobre a lei de realinhamento dos serviços públicos. A justificativa foi que isto seria muito complexo e precisaria de uma lei própria.

Então nos perguntamos para quê. Isto poderia ser muito fácil: igualdade de direitos – e pronto! A passagem "parcerias civis são equivalentes em todos os pontos ao casamento" poderia esclarecer todas as questões de uma só vez. Mas isto é demais para muitos conservadores.

Esta forma de discriminação através de leis não é rara na Alemanha. Atualmente, existem muitos casos de tratamento desigual no tocante à remuneração, benefícios e aposentadorias. Eu mesmo estou lutando pelo complemento familiar. Casados o recebem, eu e o meu parceiro não – e isto, ainda que nos encontremos objetivamente em situação semelhante.

Que atividades e objetivos persegue o Círculo de Trabalho de Afiliados Homossexuais do Exército? Quantos membros possui?

Nós temos atualmente por volta de 100 membros. Como o Exército alemão está presente em todo o país, também estamos representados em toda a Alemanha. Nós estamos à disposição dos soldados no local – não somente dos homossexuais que têm problemas com seus camaradas e superiores – também dos superiores que precisam de ajuda para lidar com soldados, soldadas e funcionários civis homossexuais.

Em seminários para superiores, nós estimulamos a desmontagem de preconceitos e intolerância. Nossa organização existe desde 2002 e agora se engaja na discussão política. Estamos em troca ativa com outras representações de interesses e estabelecemos contatos com a política para defender os interesses dos nossos membros. Também procuramos a divulgação pública, por exemplo, nas paradas de orgulho homossexual, e lutamos contra o preconceito que não existem militares gays.

Assumir uma tendência homossexual é muito difícil para muitos soldados jovens. Nós os aconselhamos e os acompanhamos para que possam desfrutar das nossas experiências.

Como é a situação em outros países europeus? Existem organizações como a AHsAB em outros países?

Cada Exército é único. As preocupações e necessidades dos soldados diferem de país para país. Em muitos países, existem organizações que ajudam os afiliados homossexuais das Forças Armadas – em alguns países de forma mais ofensiva, em outros, mais escondida. Para isto, a situação política e a aceitação social são decisivas. A longo prazo, nos engajamos naturalmente por cooperações e pela troca de experiência com estas representações de interesses, também no estrangeiro.

Na sua opinião, por que os Exércitos de muitos países têm problemas com militares homossexuais?

Os Exércitos formam sua coesão através da tradição e do espírito de corpo. Muitas das formas de comportamento se assemelham a rituais. E aí a homossexualidade não tem espaço.

É um tema que não é tratado abertamente. Nestas unidades marcadas por uma masculinidade exacerbada, a homossexualidade é considerada uma fraqueza. Principalmente nas unidades em que a forte coesão é importante, como no caso de unidades de combate. Que soldado forte quer escutar isso sobre ele?

Os processos de dinâmica de grupo levam a um banimento de comportamentos que variam da maioria. Por isso, soldados gays não assumem freqüentemente sua homossexualidade. O resultado é que esta não é tematizada. Quando ele ou ela a assume, isto é visto como fraqueza, como exceção. Teme-se o desconhecido e evita-se o contato. Em caso extremo, o militar está, de repente, isolado.

O pedagogo Peer Uhlmann, nascido em 1980, é membro da AHsAB e.V. desde 2004 e a partir de 2008 faz parte de sua diretoria. Ele entrou no Exército em 1998, tendo agora o posto de primeiro-tenente. Atualmente, Uhlmann trabalha no serviço de imprensa em Mayen, próximo a Koblenz.


Carlos Albuquerque