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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

OS ESTERTORES DA "VELHA" MÍDIA

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‘Num mar eletrônico, onde podemos ser devorados ou ignorados como um 1 anacronismo desnecessário’ 

Duas manifestaçoes que vieram a público na semana que passou abrem espaço para novas angulaçoes no debate sobre o futuro do jornalismo – verifica Luciano Martins Costa em comentario para o programa de radio do Observatorio da Imprensa de hoje, dia 10. Titula – ‘Uma sepultura, dois epitafios’.

Relata – “Durante o Seminário Internacional Rumos do Jornalismo Cultural, evento paralelo ao MediaOn – Seminário Internacional de Jornalismo Online, que se realizou em Sao Paulo entre 4a e 6a, o ex-diretor de mídias digitais do jornal espanhol El País e professor da Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano, Gumersindo Lafuente, observou que ainda há jornalistas que rejeitam as tecnologias digitais de comunicaçao, adotando uma atitude de negaçao diante da realidade”.

“A outra reflexao sobre o cenário das comunicaçoes nasce de um manifesto de 3 pesquisadores do Centro Tow para Jornalismo Digital da Universidade Columbia, em Nova Iorque, no qual os autores afirmam que as empresas tradicionais de mídia já perderam a oportunidade de reinventar seus negócios”.

Diz Luciano – “A declaraçao de Lafuente apanha no contrapé muitos estudiosos do jornalismo contemporâneo que vêm adaptando argumentos de fontes diversas, como a Teoria Crítica e a Nova História, ou versoes ‘higienizadas’ de matrizes marxistas, para demonizar as tecnologias digitais, afirmando que as redes sociais e outras novidades da internet móvel sao apenas a mais nova forma de dominaçao do capitalismo”.

Quanto ao manifesto dos pesquisadores da Universidade Columbia “é ainda mais radical” – “Para Clay Shirky, Christopher Anderson e Emilly Bell, a indústria da informaçao que um dia conhecemos nao existe mais – e discutir um futuro para a imprensa tradicional é perda de tempo (!)”.

O manifesto pondera que “a internet é um ambiente essencialmente flexível e visual, o que nao combina com sistemas de decisao centralizados e verticais, que implicam estruturas complexas de alto custo”. Mais – O que os autores chamam de “jornalismo pós-industrial”, simplesmente “nao tem como sobreviver diante da queda das receitas de publicidade, 1 fenômeno que se arrasta há mais de uma década nos EUA e tende a se espalhar pelo resto do mundo”.

O manifesto aborda ainda a circunstância irônica na qual os jornalistas têm muito mais acesso a informaçao, por causa das maiores exigências de transparência por parte da sociedade mas lembra que o público também tem acesso às mesmas fontes (!) – “O que os 3 pesquisadores chamam de superdistribuiçao – e poderia ser também qualificado como hipermediaçao – significa que também o cidadao comum ou uma publicaçao menos importante pode produzir e distribuir conteúdos interessantes e de qualidade” – observa Luciano.

Bell, Shirky e Anderson encerram o estudo citando um relatório produzido em 1992 pelo entao diretor do Washington Post Robert Kaiser, que, ao ser apresentado às ainda distantes possibilidades das publicaçoes multimídia, escreveu – “como o sapo em água fervente, estamos nadando num mar eletrônico, onde podemos ser devorados ou ignorados como um anacronismo desnecessário”.

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Aulete Digital:

  (es.ter.tor)  [ô]

sm.
  1  Respiração rouca de pessoa que está agonizando, ou em coma, ou em sono profundo, ger. causada pela passagem do ar por mucosidades acumuladas na traqueia e nos brônquios
  2  Med.  Ruído respiratório anormal auscultado através de estetoscópio

 [F.: Do lat. stertorem.]

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Internet apavora a velha mídia

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Não é apenas a revista Veja, denunciada por suas ligações com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, que está desesperada com os “insetos”, “robôs” e “petralhas amestrados” das redes sociais. Toda a velha mídia, no Brasil e no mundo, teme o vertiginoso crescimento da internet. Um estudo recente confirma que o seu modelo de negócios está em declínio acelerado.

Estimativas apresentadas na semana passada pela seccional brasileira da agência Interactive Advertising Bureau (IAB) indicam que os jornalões serão superados pela internet como mídia mais acessada até o final deste ano. Mas não são somente os veículos impressos que perderão publicidade e terão o seu faturamento reduzido. As emissoras de televisão também sofrerão abalos.

Menos tempo diante da TV

Segundo Fabio Coelho, presidente do IAB-Brasil e também da filial do Google, em 2012 o meio digital crescerá 39%, fechando o ano com 13,7% de participação no mercado de comunicação e faturamento na casa dos R$ 4,7 bilhões. No ano passado, a web representava 11% do bolo publicitário. Para ele, a internet é “um mercado pujante”, que irá superar rapidamente as outras mídias.

O estudo da IAB, intitulado “Brasil Conectado: Hábitos de Consumo de Mídia”, aponta a existência de 80 milhões de internautas no país, dos quais 49% pertencem às chamadas classes C, D e E. Na rotina dos brasileiros, a internet já é considerada o meio mais importante para 82% dos 2.075 entrevistados. Mais de 40% deles passam, pelo menos, duas horas por dia navegando na rede, enquanto apenas 25% gastam o mesmo tempo assistindo TV.

“No limiar de uma grande transformação”

A internet aparece como a atividade preferida por todas as faixas etárias, de renda, gênero e região quando se tem pouco tempo livre, somando 62%. Em casa, a web é acessada pela manhã, quando 69% se conectam, 78% acessam à tarde e 73% à noite. Ela também é a mídia mais popular nos locais de trabalho, escola, restaurantes, shoppings e na casa de amigos.

“Todos os dados confirmam a expansão do mercado, que tende a se acentuar com as iniciativas de ampliação do acesso a banda larga e também ao aumento da base de smartphones. Estamos apenas no limiar de uma grande transformação”, garantiu Fabio Coelho, presidente do IAB, ao jornal O Globo.

Altamiro Borges é jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, militante do PCdoB.

CdoB

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Vinte anos nas capas da 'Veja'

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Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar e não está para brincadeiras. O ex-metalúrgico, por sua vez, brinca com a bola e é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

O presidente Lula sofreu impeachment em agosto de 2005. Quase ninguém se lembra dele. Era um trapalhão barrigudo, chefe de quadrilha e ignorante.

A história seria assim, se o mundo virtual da revista Veja fosse real. Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar. O ex-metalúrgico, por sua vez, é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

A visão de Veja é a visão da extrema direita brasileira. Tem uma tiragem de um milhão de exemplares e é lida por muita gente. Entre seus apreciadores está, surpreendentemente, o governo brasileiro. Este não se cansa de pagar caríssimas páginas de publicidade para uma publicação que o achincalha com um preconceito de classe raras vezes visto na imprensa.

Freud deve explicar. Clique no link abaixo para ver a sequência. Vale a pena.

As capas de Veja

P.S. Alertado pelos leitores, corrijo um engano meu no slide 3. Falei que Veja errou ao considerar que uma inflação mensal de 42,9% daria uma taxa anualizada de 5500%. A conta deles está correta. Desculpem

sábado, 3 de abril de 2010

PAPEL DA IMPRENSA


"A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo, de fato, a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo."

Declaração de Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e diretora-superintendente do Grupo Folha.

FNDC

Nota do Blog: A Judith foi sincera admitindo que os grandes jornais brasileiros substituem a oposição à Lula, que está "fragilizada". Agora, cá entre nós, precisava ter o sobrenome Brito?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Venda avulsa de jornalões brasileiros cai a índices surpreendentes


Fala-se muito na crise das publicações impressas, como jornais e revistas, mas quando se analisa os dados reais percebe-se que a situação é muito mais grave do que imaginamos e que a busca por novos modelos de negócios é ainda mais urgente do que se previa.

Quando você descobre que a Folha de S.Paulo, considerada um dos três mais influentes jornais do país, vendeu em média 21.849 exemplares diários em bancas em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009, é possível constatar a abissal queda de circulação na chamada grande imprensa brasileira. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares.

Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC) a Folha é o vigésimo quarto jornal em venda avulsa na lista dos 97 jornais auditados pelo instituto, atrás do Estado de S.Paulo, em 19o lugar e O Globo, em 15o lugar. Somados os três mais influentes jornais brasileiros têm uma venda avulsa de quase 96 mil exemplares diários, o que corresponde a magros 4,45% dos 2.153.891 jornais vendidos diariamente em banca nos primeiros nove meses de 2009.

São números muito pequenos comparados ao prestígio dos três jornalões, responsáveis por boa parte da agenda pública nacional. Globo, Folha e Estado compensam sua baixa venda avulsa com um considerável número de assinantes, o que configura a seguinte situação: os três jornais dependem mais do que nunca das classes A e B, que são maioria absoluta entre os assinantes, já que a população de menor renda é a principal cliente nas compras avulsas em bancas.

Esta constatação não é nova, mas ela aponta um dilema crucial: as classes A e B são aquelas onde a penetração informativa da internet é mais intensa. Nesta conjuntura, o futuro de O Globo, Estado e Folha depende umbilicalmente das classes média e alta, o que levou a uma disputa acirrada para saber qual deles interpreta melhor a ideologia destes segmentos sociais.

O atual perfil da imprensa brasileira mostra que os três grandes jornais nacionais agarram-se à classe média para manter assinantes e influenciar na agenda política do país, mesmo com tiragens reduzidíssimas, correspondentes a menos de 5% da média da venda avulsa nacional.

Nos últimos nove meses houve uma pequena recuperação nos índices de venda avulsa do Globo, Estado e Folha em 2009. O IVC registrou um crescimento de 5,5 % em relação aos quatro últimos meses do ano passado. É um aumento bem acima da média dos 97 jornais auditados pelo IVC, cuja venda avulsa diária total subiu insignificantes 0,27% no mesmo período. Mas a recuperação tem que ser vista num contexto de patamares muito baixos e que não garantem a rentabilidade futura dos jornais.

Em compensação os jornais locais e populares ocupam um espaço cada vez maior na mídia nacional. Dos dez jornais com maior venda avulsa, segundo dados do IVC, nove são claramente populares, voltados para as classes C e D. Destes, dois são de Minas Gerais, um do Rio Grande do Sul, cinco do Rio e dois de São Paulo. Somados eles chegam a uma venda avulsa diária média de 1.401.054 exemplares, ou seja 64,5% de todos os jornais auditados entre janeiro e setembro do ano passado.

O jornal Super Notícia, de Belo Horizonte, vende em bancas, em média, 290.047 exemplares (13,47% de todos os jornais auditados pelo IVC) - o que corresponde a cerca de 13,2 vezes a circulação avulsa da Folha de S.Paulo, em todo o país. Números que indicam uma clara tendência do mercado da venda avulsa de jornais no sentido das publicações populares, regionais, com apelo sensacionalista.

Isto também significa que os grandes jornais, tradicionais vitrines da agenda nacional, dependem, hoje, mais do prestígio herdado do passado do que do fluxo de caixa. A sua principal matéria prima, a notícia, perdeu valor de mercado em favor da opinião. Um prestígio que ainda alimenta uma receita publicitária compensadora, principalmente no setor imobiliário, de supermercados e revendas de automóveis, mas cujos dias também estão contados porque a migração destes segmentos para a internet é cada vez maior.

O conglomerado Globo aposta cada vez mais nos jornais populares regionais e segmentados - como o Extra, no Rio. Talvez busque inspiração no caso do Lance!, um jornal esportivo que vende, na média diária, 124 mil exemplares em bancas e jornaleiros. No sul, o grupo RBS aposta no Diário Gaúcho, o terceiro em vendas avulsas no ranking nacional do IVC e 8,4 vezes maior do que a do carro chefe do conglomerado, o jornal Zero Hora.

Observatório de Imprensa

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terça-feira, 10 de março de 2009

O PIOR DO BRASIL


Correio do Povo

Parece uma missão impossível designar o pior do Brasil. Eu não hesito: a mídia. Temos uma das mais conservadoras imprensas do mundo ocidental. Uma mídia maria-vai-com-as-outras que segue um único dogma: a moda. Ou a lei do mais forte. Nas últimas décadas, a mídia brasileira aderiu a todos os clichês sobre globalização e desregulamentação do mercado. Quem manda na mídia? O patrocinador. Muitas vezes, claro, o patrocinador é um governo. Aí o bicho pega de vez. Mas, mesmo quando o patrocinador não distribui dinheiro público, o quadro não muda. A mídia brasileira odeia movimentos sociais e reza pela cartilha dos donos do dinheiro que a financiam. Qualquer jornalista iniciante que deseje ascender na carreira vira imediatamente um neoliberal ferrenho.
Mesmo a Folha de S. Paulo, que passa por ser menos indecente, não escapa do furor conservador. Numa das derrapagens mais patéticas deste começo de século, a Folha de S. Paulo, em editorial, transformou o regime militar que enxovalhou o Brasil a partir de 1964 em 'ditabranda'. Só faltou declarar a sua saudade daqueles tempos de 'milagre econômico'. A verdade é que branda foi a relação da mídia brasileira com os milicos. O Estado de S. Paulo, que adora se mitificar lembrando que publicava receitas de bolo ou poemas de Camões no lugar de artigos censurados, foi um dos pilares da ditadura. Apoiou abertamente. O Estadão colocou luto pela morte de ditador chileno Augusto Pinochet. Uma tarja preta emoldurou a capa do jornal. A revista Veja nasceu durante a ditadura, segundo consta, com o beneplácito de Golberi do Couto e Silva. A Rede Globo, assim como, no outro terreno, a Varig, foi a grande beneficiada pela 'brandura' militar.
Nas províncias, especialmente naquelas em que o conservadorismo sempre esteve na ordem do dia, a imprensa se acomodou sem maiores complicações. Jornalistas enfrentaram a ditadura. Jornais, raramente. A imprensa tinha o álibi perfeito: que poderia fazer contra a força? Nada. Nem por isso precisava apoiar. O Grupo Folha, que hoje edita a Folha de S. Paulo, expandiu-se, sob o comando de Octavio Frias de Oliveira, graças às boas relações com a ditadura, que, sem dúvida, foi muito branda e generosa com os amigos. Passada a época de bancar o herói em segurança, durante a fase de redemocratização, no qual a mídia passou a rugir contra os ditadores, chegou o tempo de fazer as pazes com esse passado nebuloso. Pedro Bial alugou a sua pena de BBB para converter Roberto Marinho num espetacular estrategista em luta dissimulada (tão dissimulada que ninguém percebeu) contra o poder ditatorial brasileiro.
Agora, aparentemente com mais legitimidade, foi a vez de a Folha de S. Paulo contribuir para o revisionismo apressado que sonha em afastar o Brasil do paradigma que dominou o resto da América do Sul. Felizmente a Folha de S. Paulo tem um limite: o marketing. O termo 'ditabranda' pegou mal. O remédio foi dar abrigo aos artigos de intelectuais descontentes e não cercear as manifestações do próprio pessoal da casa, gente que tomou um susto com a recaída do jornal. Fez-se, no popular mais demagógico possível, do limão uma caipirinha. A Folha deu as costas ao látego e está faturando como jornal que se autocritica em praça pública. Branda é a nossa paciência com tamanho besteirol. A mídia brasileira é uma casa da mãe-joana.

juremir@correiodopovo.com.br

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

1 chimpanzé violento morto na 2a feira, Murdoch e Obama


Politicos, lideres religiosos e leitores protestaram ontem contra uma charge do New York Post comparando o presidente Obama a um macaco. A ilustraçao saiu na pagina 12 do jornal - mostra um chimpanzé abatido a tiros por 2 policiais. Um dos guardas diz ao colega que atirou - "Eles vao ter que encontrar outra pessoa para redigir a proxima lei de estímulo econômico". A charge seria uma referência a um caso real - um chimpanze violento tinha sido morto na 2a feira. Na pagina anterior à ilustracao, no entanto, o tabloide publicou uma foto de Obama assinando a lei de estimulo à economia - veja as duas imagens abaixo. O blog City Room, do New York Times diz que os telefones na redaçao do jornal nao pararam de tocar. E ouviu de uma fonte interna que a equipe do NY Post ficou abatida com a publicaçao da charge. O New York Post faz parte do grupo News Corp, de Rupert Murdoch, dono também da conservadora Fox News.

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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A ilusão de controle na internet


Por Luciano Martins Costa em 16/9/2008

A imprensa tradicional é um instrumento de organização e mobilização de redes sociais. Mas funciona praticamente em mão única, mesmo quando utiliza as novas tecnologias de comunicação do século 21. Para alguns analistas, a imprensa inventada por Gutenberg parece deslocada na época contemporânea porque tenta se apropriar da amplitude potencial da internet sem abrir mão dos controles possibilitados pela mídia impressa e pela televisão não-interativa, que não se abrem para a intervenção do público. Aliás, a própria idéia de "público" só faz sentido no teatro, no cinema e nas mídias não-interativas, uma vez que quando o sistema se abre para a co-autoria, os papéis acabam se misturando em algum ponto do processo. O leitor se torna co-editor.

Mesmo que determinado movimento seja iniciado em um blog, de autoria definida, quando a interatividade se expande a mensagem inicial passa por um processo de mutações constantes, submetendo-se ao arbítrio de todos que tenham acesso a ela. A imprensa tradicional não parece preparada para essa democracia toda. Afinal, parte do seu negócio se baseia na promessa de influenciar a fatia mais opinativa da população, aquela que supostamente é mais bem informada e mais articulada, e isso implica assegurar certo controle sobre a agenda desse "público".

Os blogs de jornais e revistas e os portais de emissoras de televisão tentam conter a interatividade em determinado círculo. Quanto mais próximo do núcleo de opinião se situar o limite desse círculo, mais restrita será a participação do "público" e mais distante estará essa mídia das potencialidades das novas tecnologias.

Idéias inovadoras

Acontece que a sociedade está mudando. Segundo a Technorati, que monitora conteúdos postados em blogs de vários idiomas, o explosivo crescimento do número de blogs em todo o mundo está sendo acompanhado por um grande amadurecimento no uso dessa ferramenta, o que leva ao surgimento de mídias alternativas de grande reputação, algumas das quais comparáveis a grandes jornais.

A característica principal desses veículos é que eles nasceram como pontos de informação e debate, passando por um período de funcionamento caótico, e acabam se consolidando como fontes de informação confiável e de qualidade para quem aprende a selecionar.

Esse fenômeno está alterando o modo como as pessoas se informam e partilham suas convicções e suas demandas. Alguns blogs criados por empresas como ferramentas de relacionamento com clientes evoluíram para plataformas de captação de opiniões sobre produtos e serviços, seleção de futuros colaboradores e fonte de idéias inovadoras. Mas essa evolução exige que a empresa esteja aberta a certos riscos, como a amplificação de queixas, que de outra forma ficariam localizadas, e o questionamento de seus processos de comunicação com o mercado.

Oportunidade perdida

Difícil imaginar que uma empresa tradicional de comunicação se arrisque a abrir completamente seus conteúdos para comentários e contribuições de leitores, sem interferência de qualquer ordem. Isso poderia subverter a hierarquia que determina os processos de captação e edição de notícias, fazendo com que parte do material jornalístico acabe adquirindo formas e significados diferentes daqueles que orientaram a pauta. No entanto, isso já está acontecendo de certa forma, quando as redes de relacionamento se apropriam de notícias de jornais, revistas e da TV e as reproduzem com novas abordagens.

Dito de outra forma, o que se pode constatar é que, por mais que resistam à avalancha de mudanças, os meios tradicionais acabam perdendo o controle sobre o destino do conteúdo que produzem, quando eles caem no ambiente caótico das redes. Se tivessem uma estratégia de engajamento real nas novas tendências, abandonando a ilusão do controle, seriam a vanguarda da comunicação no século 21, agregando à reputação construída no século passado a confiança de uma relação mais aberta com a sociedade.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Imprensa, um semestre de imposturas


CARTA MAIOR

Como esquecer a coluna de 9 de janeiro, de Eliane Catanhêde, colunista da Folha de São Paulo?: "Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem... Vacine-se logo!”. Gilson Caroni Filho analisa o primeiro semestre da imprensa brasileira.

Gilson Caroni Filho

Um balanço da imprensa nos primeiros seis meses de 2008 mostra que não foi por falta de empenho que a imagem do governo não sofreu considerável desgaste. Um acompanhamento, mês a mês, da cobertura noticiosa mostra que o jornalismo de mercado, usado como controle político das elites, terminou resvalando ladeira abaixo ao continuar acreditando que dispunha de uma ilimitada capacidade prestidigitação.

Quedas de tiragens e audiência decorreram do apego à desmesurada crença nos dispositivos que regulam a relação entre os responsáveis pela produção e difusão de informações. Em inúmeras vezes o fato concreto deu lugar à imaterialidade midiática.

Por mais fiel que seja o leitor, por mais intensa a cumplicidade com o veículo que sistematiza sua visão de mundo, um noticiário que não guarda qualquer relação com a realidade vivida termina por explicitar excessivamente os interesses a que serve. E ao fazê-lo, termina sendo disfuncional a esses mesmos interesses. Um discurso vazio, que cai no descrédito na medida em que mais complexa se torna a sociedade para a qual é elaborado.

Em entrevista a um Jornal Laboratório de conhecida faculdade de Comunicação do Rio de Janeiro, o diretor de redação de Veja, Eurípedes Alcântara, não mediu palavras ao defender o que julga ser a função missionária da revista paulista e, por extensão, de toda a imprensa: “Como no Congresso as oposições estavam- e ainda, de certa forma, estão- desarticuladas, Veja se viu nessa incômoda situação de ser a única oposição real ao governo Lula"

Se a publicação dos Civita adotou o panfletarismo neocon como padrão editorial, os demais veículos da grande mídia também não se furtaram ao papel de substituir os partidos conservadores, ora impondo a pauta a eles, ora sendo pautados por conhecidos parlamentares, como destacou recentemente, aqui mesmo, Bernardo Kucinski, em seu artigo Por que o governo Lula perdeu a batalha da comunicação.

A “invenção de realidades" só esbarrou em um problema. A sociedade brasileira aprendeu a ler sua mídia e dela se afastou. O resultado foi a saturação do fazer jornalístico como práxis ética.

Tendo noção da extensão do “prontuário”, destacaremos apenas os crimes de maior repercussão. Aqueles em que a verdade factual foi solenemente ignorada na escolha de pautas viciadas, em conhecidos direcionamento de títulos e de cobertura.

Em janeiro, a febre amarela voltava às cidades brasileiras, e com casos registrados no Centro-Oeste, retornávamos todos à primeira metade do século passado. De nada adiantou o desmentido das autoridades. A situação calamitosa da saúde pública revelava o descuido do governo. Assim decidiram, de forma igual e combinada, os editores e proprietários das grandes empresas de mídia.

Como esquecer a coluna de 09/01 de Eliane Catanhêde, colunista da Folha de São Paulo?: "Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem... Vacine-se logo!”.

A marcha da insensatez não esperou que o primeiro mês do ano completasse sua primeira quinzena. Dias depois, como fogo-fátuo, o assunto sumiu do noticiário. O amarelo da falsa epidemia revela a coloração de quem a fabricava.

Em fevereiro, a instalação da CPI dos Cartões Corporativos prometia revelar as entranhas de um "governo corrupto”. Tapiocas, mesas de sinuca e notas fiscais frias na prestação de contas de contas de aluguel de veículos que o Planalto teria feito com cartões, anunciavam, enfim, esquemas irregulares envolvendo agentes do governo.

Como convinha ao espetáculo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enviava e-mail ao senador Sérgio Guerra, no “qual garantia jamais ter usado dinheiro público para pagar gastos pessoais." Uma pantomima que iria perdurar até meados de maio, quando, vendo que daquele mato não sairia coelho, o jornalismo de Pindorama já teria transformado banco de dados em dossiê. Os préstimos de um conhecido senador foram de valor inestimável.

Abril seria o mês de uma “crise militar". A edição de 16/04 do Globo informava que “o general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, voltou a classificar a transformação da faixa da fronteira norte do país em terras indígenas como ameaça à soberania nacional”. Em palestra sobre a defesa da Amazônia no Clube Militar, no Rio, o general não se mostrou preocupado em contrariar a posição do governo, que defende a homologação de terras indígenas mesmo em regiões de fronteira, e disse que o Exército "serve ao Estado brasileiro e não ao governo", e chamou a política indigenista do governo de "caótica".

Ingredientes explosivos. Quebra de hierarquia e política pública pondo em risco a integridade do país. O procedimento editorial era condenar o comportamento do militar, dando total respaldo ao teor do seu discurso. Era um fato jornalístico com fortes ressonâncias no imaginário político nacional. Uma oportunidade de continuar o trabalho de assessoramento da "oposição desarticulada". Não durou uma semana. Era muito fardo para pouca farda.

Tráfico de influência na venda da Varig, ingerência indevida da Casa Civil no processo, pressões sobre a ex-diretora da Anac foram os destaques de junho. O depoimento de Denise Abreu na Comissão de Infra-Estrutura do Senado obedeceu ao roteiro folhetinesco conhecido por leitores e telespectadores. Mas o ”grande achado do mês" foi apresentar a elevação de preços que, em grande parte é explicada por fatores externos, como o fim da estabilidade monetária.

O terrorismo de jornais, revistas e emissoras de televisão criou um novo tipo de inflação, que não é de oferta ou de demanda, mas pode ser explicada a partir da formação de um estoque de descontextualização informativa: uma inflação de mídia. Novamente a imprensa tateou à procura de fatos reais que dessem sustentação à produção noticiosa. A distinção entre opinião e informação é algo inexistente quando a luta é contra um governo classificado pelo diretor de redação da Veja como “liberticida”

O primeiro dia de julho, no entanto, traria uma notícia desalentadora: "A inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) recuou pela terceira semana consecutiva na última medição de junho, registrando taxa de 0,77% - 0,12 ponto percentual menor que a da semana anterior (0,89%). A taxa também é a menor que a registrada no encerramento do mês anterior, quando ficou em 0,87%” (O Globo).

Supondo-se detentora de um mandato que lhe assegura total liberdade na tentativa de intermediar as relações entre Estado e sociedade civil, a imprensa brasileira zelou pelos interesses da oposição ao governo. A governadora Yeda Crusius e o alto comando do PSDB foram os principais beneficiários da cobertura padrão. O Detran gaúcho e o caso Alstom foram, até agora, blindados.

Mantida a inversão na relevância das informações é previsível o modus operandi predominante no segundo semestre. Porém, com a extradição de Cacciola, resta indagar com a poética de Drummond, em que gruta ou concha de página quedará abstrato o indesejável banqueiro?

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Mostra suíça traz história de fotos adulteradas


Marcelo Crescenti
De Frankfurt para a BBC Brasil

Uma exposição no Museu da Comunicação de Berna, na Suíça, mostra como a imprensa e governos totalitários adulteraram fotos para manipular a opinião pública.

Uma foto vale mais que mil palavras – mas às vezes ela também pode mentir e mostrar uma realidade falsa, como deixa claro a exposição Imagens que Mentem na cidade de Berna, na Suíça.

A mostra explica como meios de imprensa e regimes totalitários usaram a força das imagens através dos tempos para manipular a opinião pública e muitas vezes criar um clima sensacionalista.

São mais de 300 fotos que foram publicadas nos últimos cem anos. Muitas delas mostram celebridades em poses inventadas, como a princesa Stefanie de Mônaco que aparece com diversos bebês diferentes em capas de revista.

Outro exemplo é a foto da princesa Diana com seu amante Dodi em um barco. A foto no jornal Daily Mirror insinua que eles estavam quase se beijando, enquanto a imagem original os mostra somente conversando.

O acervo também inclui a famosa imagem do líder soviético Lênin com dois de seus companheiros, Kamenev e Trotski - que, mais tarde, durante o regime do líder soviético Stálin, caíram em desgraça no Kremlin e foram removidos da fotografia.

Segundo os organizadores da mostra, há três tipos de manipulação: a mudança da foto em si, um texto insinuando uma situação diversa da fotografia ou o corte de parte da foto para mostrar só um ângulo específico.

Isso é mostrado com o exemplo de uma foto de dois soldados americanos ajudando um iraquiano: Sua parte esquerda, isolada, dá a impressão que o americano aponta uma arma para a cabeça do iraquiano.

A exposição em Berna também mostra como cenas de TV podem ser adulteradas. Visitantes podem ver em cabines de vídeo os takes originais e falsificados.

PARA VER AS FOTOS CLIQUE NO TÍTULO DESTA POSTAGEM.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

REVISTA VEJA


A VEJA e o meu pai - por Roberto Efrem Filho

Hoje, dia 10 de junho do ano de 2008, foi o dia em que meu pai cancelou a renovação da Revista VEJA. É bem verdade que há fatos históricos um tanto quanto mais importantes e você deve estar se perguntando “o que cargas d’água eu tenho a ver com isso?”. Não é nenhuma tomada de Constantinopla, queda da Bastilha ou vitória da Baia dos Porcos. É um ato de pequenas dimensões objetivas, realizado no espaço particular de uma família de classe média brasileira, sem relevantes conseqüências materiais para as finanças da Editora Abril, sem repercussões no latifúndio midiático nacional. A função deste texto, portanto, é a de provar que meu pai é um herói.

A Revista VEJA se diz assim: ”indispensável ao país que queremos ser”. Começa e termina com propagandas cujo público alvo é a classe média e, nela, claro, meu pai. Banco Bradesco, Hyundai, H. Stern. Pajero, Banco Real, Mizuno. Peugeot, Aracruz, Nokia. Por certo, a classe média – inclusive meu pai – dificilmente terá acesso à grande parte dos bens expostos na vitrine de papel. Não importa. Mais do que o produto, a VEJA vende o anseio por seu consumo. Melhor: credita em seu público-alvo, a despeito de quaisquer probabilidades, a idéia de que ele, um dia, chegará lá.

Logo no comecinho, na terceira e quarta folhas, estão as páginas amarelas da Revista. Nelas, acham-se as entrevistas com personalidades tidas como renomadas e com muito a dizer ao país. Esta semana a VEJA apresenta as opiniões de Patrick Michaels (?), climatologista norte-americano que afirma a inexistência de motivos para temores com o aquecimento global. Na semana passada, deu-se voz ao “jovem herói” Yon Goicoechea (?), um “líder” estudantil venezuelano oposicionista de Chávez e defensor da tese de que a ideologia deve ser afastada para que a liberdade seja conquistada contra o regime “ditatorial” chavista.

Não. Não é que a VEJA não conheça o aumento dos níveis dos mares, dos números de casos de câncer de pele, do desmatamento da Amazônia, da escassez da água e dos recursos naturais como um todo e de suas conseqüências na produção mundial de alimentos. Sim, ela conhece. Não. Não é que ela não saiba que um estudante não representa sozinho o posicionamento democrático de uma nação e que um governo legitimamente eleito não pode ser chamado de totalitário. Sim, ela sabe. Do mesmo modo que conhece e sabe da existência de diferentes opiniões (ideológicas, como tudo) sobre ambos os assuntos e não as manifesta. Acontece que isso ela também vende: o silêncio sobre o que não é lucrativo pronunciar.

Do meio pro final da Revista estão os casos de corrupção. Esta é a parte do “que vergonha, meu filho, quando isso vai parar?” dito pelo meu pai, com decepção na voz. A VEJA desenvolve um movimento interessante de despolitização nesse debate. Ela veste o figurino do combatente primeiro da corrupção, aquele sujeito que desvendará as artimanhas, denunciará os ladrões e revelará “a” verdade, única, inabalável. Com isso, a VEJA confere centralidade à corrupção no debate político, transformando a política em caso de polícia e escondendo o fato de que o seu próprio exercício policialesco é inerentemente político.

No fim, “todo político é ladrão” – menos os do PSDB, claro, todos “intelectuais” -, “política não presta”, o que presta mesmo é a Revista VEJA. A Revista é ainda permeada por textos de cronistas e colunistas. Estão, entre seus autores, Cláudio de Moura Castro, Lya Luft e Roberto Pompeu de Toledo. Todos dignos do título de “cidadão de bem”, conscientes e responsáveis. Evidentemente, todos de posicionamentos um tanto moralistas e um tanto conservadores. Difere-se deles Diogo Mainardi. Este, conhecido por chamar o Presidente da República de “minha anta” e por sua irreverência desrespeitosa e direitista, escancara a alma da VEJA. Mas não se engane. Não é Mainardi o perigo. São os outros.

Foram eles que meu pai um dia leu com respeito e é aquela auto-imagem que a VEJA quer – como tudo – vender. Sem dúvida a Revista VEJA é ainda mais que isso. Suas estratégias de persuasão vão muito além dos limites deste breve texto. Afinal, é ela a revista mais lida no país, parte significativa de um império da concentração do poder de informar. Seja nas suas “frases da semana”, nas quais há de costume as fotografias de uma mulher bonita dizendo bobagem e de um homem-autoridade falando coisa inteligente e importante, seja no fetiche da citação “eu li na VEJA”, faz-se ela um dos mais eficazes instrumentos de convencimento a favor da classe dominante.

Meu pai, por sua vez, é um trabalhador. Casado com Fátima, minha mãe, e pai também de Rafael, criou seus filhos com princípios que ele preserva como inalienáveis. Já votou no PT. Já votou no PSDB e mesmo no PFL (“porque foi o jeito, meu filho!”). Opõe-se a qualquer tipo de ditadura (conceito no qual incluía até pouco tempo o governo de Chávez: coisas da VEJA). Já se disse socialista, na juventude. É praticante da doutrina espírita desde menino. Discorda de mim em milhares de coisas. Concorda noutras. É um bom e sonhador homem com quem eu quero sempre parecer.

Hoje, ele cancelou a renovação da Revista VEJA, aquilo que para ele já foi seu meio de conhecimento do mundo, depois de chamar de “idiota” a entrevista daquele herói das páginas amarelas sobre o qual falei acima. Antes, havia criticado fortemente um artigo de Reinaldo Azevedo publicado na Revista, em que Azevedo falava atrocidades sobre Paulo Freire: “meu filho, veja que besteira esse homem está dizendo sobre Paulo Freire”.

Hoje, ele operou uma mudança nesta realidade tão acostumada à perpetuação do estabelecido. Hoje, para o mundo, como em todos os dias da minha vida para mim, meu pai é um herói.

Roberto Efrem Filho é mestrando em direito pela UFPE e filho de Roberto Efrem, a quem dedica este artigo.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Muere, maldito diario papel


CRÍTICA DIGITAL:

Eduardo Blaustein
11.06.2008

Profetizar en este mundo en apariencia racional es una actividad libre y gratuita. Si todavía se emiten documentales seudoinquietantes sobre las grandes pegadas de Nostradamus, es natural que cada tanto la comunicación global trompetee profecías improbables.

En los últimos tiempos una de las más socorridas es la que le pone fecha de defunción a la prensa gráfica y su reemplazo por la reluciente prensa digital, a la que se pone en el lugar de digna y merecedora ganadora de la contienda. Esta vez la predicción proviene de alguien con una trayectoria respetable: el periodista especializado Philip Meyer, también catedrático de la Universidad de Carolina del Norte. Meyer es minucioso: dice que el año fatídico será 2043. A partir de entonces ya no habrá diarios de papel para los humanos.

Medio mundo, desde el primer estallido de la era informática, alguna vez ha dicho algo parecido. Bill Gates hace años plantó la lápida en el 2020. Y en los últimos días adhirieron con sus matices altos escribas de The New York Times y The Economist. Consultado por los augurios, José Luis Cebrián, mítico fundador de El País de España, fue escueto. Sugirió preguntar “quién es nuestro asesino, porque muertos, lo que se dice muertos, ya lo estamos”.