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domingo, 17 de março de 2013

A IGREJA CATÓLICA EM XEQUE


"Da minha experiência, pedofilia na verdade é uma doença. Não é uma condição criminosa, é uma doença".

Declaração do cardeal sul-africano Wilfrid Fox Napier, arcebispo de Durban, que ajudou a eleger o papa Francisco esta semana, à BBC. Para ele a pedofilia era um "distúrbio" que necessitava de tratamento.

Fonte da Imagem AQUI.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O esgotamento da monarquia papal



"Conceder novamente todo o seu lugar à colegialidade, tão sonhada pelo Vaticano II, seja talvez, hoje, a única maneira de reconstruir a unidade da Igreja romana e de refundar a primazia do bispo de Roma como garante da comunhão das igrejas locais. Requer, como pré-requisito, que o Papa deixe de ser o único bispo na Igreja”, escreve Danièle Hervieu-Léger.*

A maioria dos analistas trata a renúncia de Bento XVI como de uma “guinada histórica” para a Igreja romana. Segundo o ponto de vista tomado, destaca-se a “dessacralização” da função papal que levou à decisão muito humana que consiste, para um Papa, em renunciar. Ou, ao contrário, acentua-se a sabedoria de um Pontífice suficientemente humilde e responsável para reconhecer que não tem mais as energias necessárias para arcar com os compromissos relativos ao cargo. Para além dessas avaliações contraditórias, não há nenhuma dúvida de que a inesperada decisão de Bento XVI colocou à Igreja Católica, sem escapatória possível, a questão da sua governabilidade.

Atualmente, a pergunta surge em plena luz do dia, mas seria redutor limitar o escopo da questão exclusivamente à decisão de um papa idoso, cansado e oprimido pelas perturbações que marcaram seu reinado. Origina-se, de fato, a partir do momento em que a Igreja, rompendo com o fechamento intransigente para o qual a levou sua rejeição definitiva do novo mundo da Revolução Francesa, escolheu entrar em diálogo com um mundo para o qual ela queria dirigir uma mensagem de sentido. Este ponto de viragem, operado no Concílio Vaticano II, não significava a aceitação dos ideais da modernidade. Mas implicava uma consideração positiva das aspirações e expectativas de uma sociedade que a instituição romana sabia não mais ser capaz de reunir sob sua tutela espiritual direta.

O sonho intransigente da reconquista católica do mundo, liderado por uma Igreja pensada como um exército reunido atrás de seu chefe, governou, durante um século, a visão que a instituição romana tinha de si mesma. Substituindo este sonho ideal de um testemunho evangélico fixado por uma Igreja definida como “Povo de Deus”, o Concílio reabilitou, ao mesmo tempo, as fontes colegial e sinodal da autoridade na Igreja. Neste novo modelo de eclesialidade, cada Igreja local, cada comunidade, foi chamada a encontrar os meios para este testemunho nas condições concretas da sua inserção social, sob a responsabilidade de seu bispo, no seio de uma comunhão da que o bispo de Roma foi e deve continuar a ser o garante.

A furiosa polarização que jogou um contra o outro o campo daqueles que se comprometem com entusiasmo neste novo caminho e o daqueles que queriam impor o modelo hierárquico e exclusivamente pessoal do poder suposto conforme a “Igreja eterna”, matou em germe a colocação em prática a intuição central do Concílio relativa à gestão da autoridade. Paulo VI – que condenou com o mesmo rigor a deriva integrista e as experiências das comunidades de base inspiradas na Teologia da Libertação – usou seu pontificado para tentar evitar a desagregação da instituição, sem chegar a dar ao modelo conciliar a base organizacional que poderia ter dado corpo ao ideal renovado de uma comunhão eclesial compatível com o reconhecimento do pluralismo da instituição.

A inércia das estruturas romanas foi, provavelmente, tão pesada quanto o foram as pusilanimidades teológicas no desajustamento crescente entre o aparelho eclesial, as expectativas diversas e contraditórias das comunidades e a realidade de um mundo arrastado, em grande velocidade, pela espiral de mudanças que, em todas as frentes, questiona a Igreja, seu discurso, suas normas, sua organização e suas práticas da autoridade.

A figura de um papa monarca governante e no topo de um corpo eclesial supostamente homogêneo foi arrastada por este mesmo movimento. Tornou-se impossível, desde a cúpula romana, manter todos os filhos de uma Igreja confrontada ao mesmo tempo com o secularismo crescente no mundo ocidental, com a crescente disparidade de situações das igrejas nacionais e com o choque da concorrência religiosa em escala global. Tornou-se cada vez menos plausível compensar, com uma centralização ideológica e disciplinar reforçada, a disseminação de comunidades livres da armadura de uma civilização paroquial definitivamente moribunda.

As redistribuições da divisão do trabalho religioso, motivadas pela diminuição do corpo clerical e pela autonomização dos indivíduos crentes levados a fazer prevalecer sua preocupação com a autenticidade pessoal sobre as exigências institucionais da conformidade, fizeram o resto. A morte do Papa João Paulo I, esmagado pela carga após algumas semanas de pontificado, pode ser lida, deste ponto de vista, como uma espécie de parábola. “A Igreja, escreveu Michel de Certeau, era um corpo, mas tornou-se um corpus”.

Os dois últimos papas, cada um à sua maneira, empenharam-se em afastar o risco das desfiliações que mina o corpo eclesial. Mas eles o fizeram, um e outro, trabalhando em prol da legitimação da centralidade papal, fora da qual nenhum dos dois era capaz de pensar a unidade da Igreja.

João Paulo II, dotado de uma personalidade flamejante e de uma história pessoal fora do comum, exerceu sem freios o lado carismático da sua função. Ele fortaleceu, através de viagens e grandes concentrações, uma Igreja reunida pela adesão emocional dos fiéis à pessoa de um guia capaz de converter a marginalização cultural do discurso católico em audácia profética.

Dos apelos para abandonar qualquer medo, que marcaram o início de sua pregação, até o testemunho mudo do abandono no final da sua vida, o Papa polonês apoiou a mobilização emocional de uma Igreja atormentada pela dúvida, ao mesmo tempo que pavimentava, no campo doutrinal e disciplinar, as bases das certezas que ele se encarregou de defender contra a crescente onda de “relativismo” considerado deletério.

O endosso do sentimento de pertença trouxe, indiscutivelmente, frutos para as fileiras dos fiéis católicos trabalhados pelas incertezas do tempo. Ele não conquistou ou reconquistou para a Igreja aqueles que já se encontravam aí. E ela, silenciosamente, afastou todos aqueles que aspiravam a fazer valer, no interior mesmo desse mundo de incertezas, não a última palavra de uma resposta católica, mas a fragilidade de um questionamento cristão.

Com o risco de uma comparação pouco favorável para ele, com a força do arrebatamento e do brio midiático de seu predecessor, Bento XVI consagrou seus esforços, não sem grandeza, à reabilitação racional do discurso cristão na cultura contemporânea. Falou-se muito sobre o seu investimento teológico como de um indicador de sua dificuldade de endossar a função papal. Podemos pensar, ao contrário, que ele não procurou menos que João Paulo II reforçá-la. Mas ele o faz no terreno que era o seu: o do ensino. Um terreno que, in fine, o deixou sozinho.

A lógica comum às duas trajetórias esclarece o fim diferente que cada um conheceu. Ir até o final das suas forças foi, para o papa carismático emudecido, uma maneira de se referir à desproporção humana da tarefa que lhe foi atribuída. Optar por renunciar é, para o papa-doutor, a expressão racional da constatação de um fracasso. Diante dos desafios do pluralismo interno e externo que desqualifica o sistema centralizado e monárquico do poder romano, nenhuma ajuda vinda do alto pode reconstruir a Igreja como um corpo.

Conceder novamente todo o seu lugar à colegialidade, tão sonhada pelo Vaticano II, seja talvez, hoje, a única maneira de reconstruir a unidade da Igreja romana e de refundar a primazia do bispo de Roma como garante da comunhão das igrejas locais. Requer, como pré-requisito, que o Papa deixe de ser o único bispo na Igreja.

Danièle Hervieu-Léger, Le Monde, 28-02-2013.

*Danièle Hervieu-Léger é socióloga, Diretora de estudos da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), dirigiu, de 1993 a 2004, o Centro de Estudos Interdisciplinares dos Fatos Religiosos (CNRS/EHESS). Presidiu o EHESS de 2004 a 2009. É autora de vasta obra.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O PAPA NÃO É MAIS POP

O legado do renunciante no Brasil

O evento mais midiático da visita do papa Bento XVI ao Brasil em 2007 foi a beatificação de um franciscano que enfrentou o poder secular na defesa de um soldado negro condenado à forca. E o de menor interesse público foi a assinatura do acordo para que o Estado brasileiro e a Santa Sé formulassem o estatuto jurídico da igreja católica no país.

 

Bento XVI havia sido sagrado dois anos antes e, nesse pequeno extrato de seu papado, foi capaz de traduzir a missão política de que se investira.
Com a beatificação de Frei Galvão dispunha-se a mostrar que a "opção preferencial pelos pobres" não poderia ser reinvindicada exclusivamente pela banda do clero, em baixa no Vaticano, que, anos atrás, havia se irmanado com movimentos sociais para o surgimento do PT do presidente da República.
Igreja protegeu bens contra ações trabalhistas
Mas se a beatificação conferiu simbolismo à visita política de um teólogo, o capítulo mais substancioso de sua passagem foi a assinatura do acordo negociado por 17 anos entre os dois Estados.
O acordo, que acabaria virando estatuto ao final do segundo mandato Luiz Inácio Lula da Silva, não vai além do que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação prevê para o ensino religioso nem inibe a possibilidade de, um dia, o Estado descriminalizar o aborto.
A maior vitória da igreja com o texto foi a inclusão de um artigo que prevê o trabalho voluntário, sem vínculo empregatício, de leigos, padres e freiras que trabalham em instituições católicas. É nas ordens religiosas e não nas paróquias que está a maior fonte de renda da igreja. São os hospitais, escolas e imóveis dessas ordens que se viram crescentemente ameaçados pelas reclamações trabalhistas tanto de leigos quanto de padres e freiras que abandonam o hábito.
Além de um gesto de boa vontade com a Santa Sé, o governo petista agradava o comando da CNBB, de hegemonia conservadora à época e com a qual comungavam bispos como o então cardeal do Rio, d. Eusébio Scheidt, responsável pela desastrada definição do presidente: "Lula não é católico, é caótico".
Oito meses depois de promulgado o estatuto e três dias antes do segundo turno da tumultuada sucessão presidencial de 2010 o papa recebeu uma comitiva de bispos brasileiros que saíram do Vaticano com um recado para os eleitores. Não deveriam votar em candidatos que defendessem o aborto, mesma pregação do postulante do PSDB à Presidência, José Serra.
Além de ter tido fôlego curto na garantia de boas relações entre o petismo e a Santa Sé, o acordo indispôs um governo de extrato trabalhista com os movimentos sociais que abastecem de mão de obra as pastorais sociais da igreja.
Colaborou ainda para o azedume das relações entre o governo brasileiro e a cúpula eclesiástica a prosperidade dos negócios pentecostais sob o governo petista. A questão que mais parece pôr em xeque o papel da igreja na conjuntura, no entanto, é a perda de audiência católica em entre aqueles que passaram a consumir mais, seja pela ampliação do emprego e dos programas sociais, seja pela disputa com denominações mais identificadas com o ideário da prosperidade.
Se essa perda de fieis ainda não ameaça a condição de maior país católico do mundo tampouco colabora para aumentar o peso do episcopado brasileiro nos rumos de um papado voltado para a reevangelização do catolicismo europeu que Bento XVI sempre creu superior.
Pela frequência com que tem se pronunciado desde que anunciou sua renúncia, Bento XVI chegará a 28 de fevereiro, dia em que descalcará seus múleos vermelhos, como um cabo eleitoral de seu sucessor mais poderoso do que se exercesse o cargo vitalício até o fim, tolhido que parecia estar pelas intrigas da Cúria relatadas pelos mais eminentes especialistas em Vaticano.
Na homilia que deu início à quaresma pediu o fim das divisões do corpo eclesial. Como se quisesse deixar claro que o fim dessas divisões não deveria significar a prevalência de tendências mais modernizantes do catolicismo, reuniu os padres de Roma ontem e reafirmou suas críticas a leituras do Concílio Vaticano II, que "banalizaram a liturgia em nome da soberania popular".
Essas leituras criticadas pelo papa viram no concílio o início de uma maior abertura da igreja ao ecumenismo, ao diálogo com a ciência e à solidariedade com o mundo subdesenvolvido.
A maioria dos 117 cardeais que votarão no próximo conclave foi escolhida por Bento XVI e por João Paulo II, cujo papado foi fortemente influenciado pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que o sucederia.
Não se deve esperar deste conclave, portanto, uma guinada teológica. Mas a renúncia expôs as disputas mais terrenas que pressionarão o cardinalato a sinalizar punições a crimes de sexo e dinheiro. Na homilia da quaresma Bento XVI fez uma menção sutil ao condenar a "hipocrisia religiosa, o comportamento dos que querem aparentar, as atitudes que buscam os aplausos e a aprovação".
A resistência dos últimos oito anos de papado em punir bispos omissos em relação aos crimes sexuais cometidos pelos padres de suas paróquias não recebeu, de fato, aplausos nem aprovação.
A rede de sobreviventes de abusos de padres, uma ativa organização sediada nos Estados Unidos, já listou três cardeais indesejáveis - de Nova York, Tegucigalpa e Cidade do México - por serem os maiores críticos à cobertura da imprensa sobre o tema.
Na outra frente de problemas, de punição ainda mais escassa, a corrupção no Instituto para as Obras do Vaticano revela um papa imobilizado pelas intrigas da Cúria e refém de interesses que passam pela lavagem de dinheiro da máfia, de políticos e construtoras, como denunciou seu último dirigente ao demitir-se no ano passado.
Não são problemas novos mas que, nos últimos oito anos, apenas se agravaram, pondo em xeque o legado da superioridade moral da igreja católica, tão caro ao papa que se vai.
Maria Cristina Fernandes é editora de Política.

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Teólogos europeus exigem fim do celibato e ordenação de mulheres


144 professores de Teologia - equivalente a um terço dos teólogos católicos de fala alemã residentes na Alemanha, Suíça e Áustria – subscreveram um manifesto em que exige reformas na Igreja católica. As propostas incluem o fim do celibato, a ordenação de mulheres e a participação popular na escolha de bispos.

A reportagem foi publicada no jornal Süddeutsche Zeitung, destacando o fato de que esse número seria maior se muitos não temessem represálias da instituição. O fato lembra a Declaração de Colônia, assinada por 220 teologos em 1989, no papado de João Paulo II.

A notícia é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 07-02-2011.

Judith Könemann, professora de Teologia em Münster, destacou que o amplo eco a partir da declarações ao jornal bávaro demonstra que “tocaram um nervo”. Ela é uma das oito pessoas que redigiram o manifesto, ao qual se somaram professores eméritos da envergadura intelectual de Peter Hünermann e Dietmar Mieth, velhos batalhadores por reformas como Heinrich Missalla e Friedhelm Hengsbach, progressistas como Otto Hermann Pesch e Hille Haker, e até mesmo conservadores como Eberhard Schockenhoff.

Tendo como pano de a crise até então incontornável dos escândalos de pedofilia em dioceses e paróquias da Igreja católica ao redor do mundo, o texto elogia o chamamento dos bispos a um diálogo aberto.

Pragmáticos, os assinantes se dizem “na responsabilidade de dar uma contribuição a um novo começo real”, assumindo a tese central de que a Igreja Católica só “pode anunciar o libertador e amante Deus Jesus Cristo”, quando ela mesma “for um lugar e um testemunho crível da mensagem de libertação do Evangelho”.

Insiste que ela deve reconhecer e fomentar “a liberdade do homem como criatura de Deus”, respeitar a consciência livre, defender o direito e a justiça e criticar as manifestações que “depreciam a dignidade humana”. O que trazem são “desafios”, que incluem “maiores estruturas sinodais em todos os níveis da Igreja” e a participação dos fiéis na escolha de seus bispos e párocos.

O manifesto retoma o afirmação já feita de que a Igreja católica necessita “também de sacerdotes casados e mulheres no ofício eclesiástico”, denuncia que a falta de sacerdotes força a exigência de paróquias cada vez maiores e lamenta que os sacerdotes sofram desgastes diante destas circunstâncias.

Enfatiza ainda que “a defesa legal e a cultura do direito” na Igreja devem “melhorar urgentemente” e argumenta que a elevada valorização do matrimônio e do celibato supõe “excluir pessoas que vivem o amor, a fidelidade e a preocupação mútua” em uma relação estável de casal do mesmo sexo ou como divorciados casados em segundas núpcias.

Desconstrói a suposta autoridade de Roma e critica o “rigorismo” da Igreja Católica, insistindo que não se pode pregar a reconciliação com Deus sem criar as condições para uma reconciliação com aqueles “diante dos quais é culpada: por violência, por negar o direito, por converter a mensagem bíblica de liberdade em uma moral rigorosa sem misericórdia”.

E voltou aos escândalos de pedofilia, afirmando que “à tempestade do ano passado não pode seguir tranquilidade nenhuma”, e afirma considerar que “nas circunstâncias atuais só pode ser a tranquilidade da sepultura”. E conclui denunciando a prisão do pavor institucional diante do rebanho, exigindo diálogo, observando que “o medo não é bom conselheiro”, recordando que os cristãos foram “chamados pelo Evangelho a olhar com valor para o futuro e como o chamamento de Jesus a Pedro para caminhar sobre as águas: ‘por que estais com medo? Vossa fé é tão pequena?’”.

Fonte: IHU

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

FRASES


"Não há nada do que eu tenha de me envergonhar".

Declaração de Berlusconi, primeiro-ministro italiano, que pagou para fazer sexo com uma dançarina de 17 anos conhecida como "Ruby, Ladra de Corações".

Leia mais AQUI.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Órgão do Vaticano orientou bispos a não denunciar pedofilia, indica carta

Uma carta divulgada pela rede de TV irlandesa RTE revelou que um departamento do Vaticano aconselhou os bispos da Igreja Católica na Irlanda a não denunciar, em 1997, padres suspeitos de pedofilia.

Alvo de críticas pela onda de denúncias de pedofilia contra padres, o Vaticano afirmou diversas vezes que nunca instruiu bispos a ocultar provas ou suspeitas de abusos.

Entretanto, a carta mostra que autoridades do Vaticano rejeitaram, na época, a ideia de iniciar um processo de “denúncias obrigatórias” de queixas de abusos contra menores.

Vítimas de abusos disseram que a carta – que a emissora irlandesa diz ter recebido de um bispo – é uma prova decisiva para ser usada em processos legais movidos contra a igreja.

Leia AQUI a íntegra.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Vítimas de abuso sexual de padres protestam próximo ao Vaticano

Por Philip Pullella 

ROMA (Reuters) - Vítimas de abuso sexual infantil por padres católicos protestaram próximo ao Vaticano na noite de domingo, segurando cartazes que pediam à Igreja que puna os responsáveis pelo acobertamento e que faça mais para proteger as crianças.

Cerca de 75 vítimas e seus apoiadores dos Estados Unidos e vários países europeus queriam marchar até o Vaticano com velas mas foram impedidos pela polícia por não terem permissão.

"Trata-se de responsabilidade", disse Gary Bergeron, um dos organizadores de um grupo chamado Voz dos Sobreviventes no Castelo de Sant' Angelo, no coração de Roma.

Após negociações com a polícia, Bergeron e uma mulher foram autorizados a caminhar até o Vaticano segurando velas e entrar no quarteirão da Basílica de São Pedro enquanto os outros foram forçados a ficar atrás.

Os dois deixaram 75 cartas das vítimas de abuso endereçadas ao papa Bento 16 na entrada do Vaticano. A polícia, que os seguiu de perto, fez cópias de seus passaportes e os liberou.

"Não há pessoa de posição alguma, em parte alguma do mundo cujo status ou posição que deva colocá-la acima da proteção de nossas crianças ou acima da lei", disse Bergeron.

Bergeron também deixou pequenas pedras no quarteirão representando as vítimas de diversos países.

"Quando homens de batina tomam os corpos de crianças para seu prazer, é hora de mudança", afirmou Bergeron durante a manifestação.

Revelações sobre crianças que foram sexualmente abusadas por padres nas últimas décadas têm abalado a Igreja este ano, particularmente na Europa, Estados Unidos e Austrália.

Entre os manifestantes estava um grupo de homens que foram abusados por padres em escola especial para surdos na cidade de Verona, norte da Itália, na década de 1960.

Eles falaram na linguagem dos sinais através de um intérprete e seguraram cartazes com mensagens como "Vergonha", "Queremos uma Igreja sem abuso" e "Padres pedófilos, tirem as mãos das crianças".

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, veio falar com os manifestantes mas foi forçado a deixar a reunião depois que alguns na multidão começaram a assobiar. Lombardi reuniu-se com os líderes em particular mais tarde.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Padre é preso em Santa Rosa


O padre Avelino Backes, 71 anos, foi preso ontem em Santa Rosa, no Noroeste do Estado, por crime contra a dignidade sexual. A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Giuseppe Battistoni Bellani, da 2 Vara Criminal da Comarca de Capinzal, em Santa Catarina. O mandado foi encaminhado pela Polícia Civil de Capinzal para a Polícia de Santo Cristo, município gaúcho vizinho de Santa Rosa. O padre é natural desse município.
...
Backes foi acusado de abusar de meninas de 9 e 10 anos nas paróquias de Piratuba e Ipira, na região de Capinzal, em Santa Catarina, no final dos anos 1990. Em 2008, foi condenado a sete anos de prisão, inicialmente em regime fechado. O delegado Camilo Pereira Cardoso, da Delegacia de Polícia Civil de Santo Cristo, diz que, ao ser encaminhado ao presídio de Santa Rosa, o padre estará à disposição do Poder Judiciário, mas ainda não sabe se será transferido para Capinzal.

Correio do Povo

sábado, 17 de julho de 2010

VATICANO DITA A MODA


Escândalo de pedofilia leva a primeira bispa luterana a renunciar

AFP

HAMBURGO — A alemã Maria Jepsen, de 65 anos, a primeira bispa luterana do mundo em 1992, anunciou nesta sexta-feira sua renúncia, em meio ao escândalo de pedofilia que abala diversas Igrejas.

Maria Jepsen, arcebispa de Hamburgo (norte), era criticada pela lentidão e brandura com que reagiu diante das acusações de agressões sexuais contra jovens de ambos os sexos e das quais seria culpado um pastor de Ahrensburg (Schleswig-Holstein, norte).

"Minha credibilidade está colocada em dúvida", declaró Jepsen en una coletiva de imprensa convocada em Hamburgo.

"Portanto, não estou em condições de propagar a Boa Palavra, como me comprometi diante de Deus e ante a paróquia durante minha ordenação e nomeação como bispa", acrescentou.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

FRASES


“Tudo o que posso dizer é: sinto muito. Me vejo como um simples pedófilo asqueroso que me aproveitei da situação e usei meu poder para abusar de jovens”.

John Sidney Denham, padre católico australiano, ao declarar-se culpado de assédio a crianças.

Leia mais AQUI.

sábado, 8 de maio de 2010

El Papa no para de aceptar renuncias por casos de abuso sexual


Benedicto XVI aceptó la renuncia del obispo de la ciudad alemana Augsburgo, Walter Mixa, acusado de abusar de un niño y malversar fondos. La decisión del Papa fue adoptada un día después de que la Justicia informó que se iniciaron investigaciones preliminares por presunto abuso sexual contra un menor por parte del obispo, consignó la agencia alemana DPA.

Página/12

La decisión del Papa fue adoptada un día después de que la Justicia informó que se iniciaron investigaciones preliminares por presunto abuso sexual contra un menor por parte del obispo, consignó la agencia alemana DPA.

Mixa, que se encuentra según la prensa en una clínica suiza de tratamiento de adicciones por una supuesta adicción al alcohol, negó los cargos de abuso sexual a través de su abogado y ofreció su colaboración a la Justicia.

El obispo solicitó al Pontífice, el 21 de abril, ser separado del cargo después de que durante semanas se multiplicaron las denuncias de que, cuando fue párroco de la ciudad de Schrobenhausen (1975- 1996), tenía la costumbre de golpear brutalmente a niños y jóvenes internados en el hogar que estaba a su cargo.

En un primer momento el obispo negó las acusaciones y aseguró "desde lo más puro de su corazón" que nunca había sido violento con los jóvenes o niños, pero luego admitió que había dado golpes y pidió perdón por todos los errores que pudo haber cometido.

Luego, fue acusado de malversar fondos, cuando a fines de abril se supo que por disposición del obispo se había pagado con fondos de la Fundación de Niños Expósitos de Schrobenhausen una importante suma para la adquisición de antigüedades, vino, alfombras, diversos muebles y un solarium para el hogar.

Esta situación derivó en el pedido de renuncia de Mixa, por lo que el presidente de la Conferencia Episcopal Alemana, Robert Zollitsch, le solicitó públicamente que abandonara su cargo, en un gesto sin precedentes en la historia del catolicismo en Alemania.

La organización católica laica alemana "Somos Iglesia" se manifestó conforme con la decisión del Vaticano y demandó el esclarecimiento de todas las acusaciones como forma de evitar más daños a la imagen y la credibilidad de la Iglesia católica alemana.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A IGREJA SE DEFENDE ATACANDO


Frases de Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto alegre, proferidas em 4 de abril de 2010, na 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB):


“Antigamente não se falava em homossexual. Quando começa a (dizer) que eles têm direitos, direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos”



“A sociedade atual é pedófila, esse é o problema. Então, facilmente as pessoas caem nisso. E o fato de denunciar isso é um bom sinal”.



“Nós sabemos que o adolescente é espontaneamente homossexual. Só depois, se não houve uma boa orientação, isso se fixa”



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sábado, 1 de maio de 2010

Papa recebe bispos que inspecionaram Legionários de Cristo


AFP

CIDADE DO VATICANO — O Papa Bento XVI recebeu nesta sexta-feira no Vaticano os cinco bispos que realizaram uma inspeção da controvertida congregação mexicana Legionarios de Cristo, cujo fundador, o falecido padre Marcial Maciel, abusou por décadas de jovens seminaristas, informou nesta sexta-feira a Santa Sé.

O encontro com o Papa não havia sido anunciado e demonstra a importância que o Pontífice concede ao caso.

Bento XVI deverá decidir sobre o futuro da congregação mexicana uma vez avaliados os informes apresentados.

As decisões sobre a congregação serão adotadas num segundo momento pelo Santo Padre, depois de um cuidadoso estudo e reflexões sobre os resultados da visita apostólica (inspeção)", explicou o padre Federico Lombardi à Rádio Vaticano esta semana.

O cardeal Tarcisio Bertone, número dois do Vaticano, se reuniu na sexta com os bispos, na primeira reunião celebrada depois da investigação determinada pelo Papa no ano passado.

Segundo o comunicado oficial, os resultados no encontro, no entanto, não serão divulgados.

Este é um dos casos mais delicados para a Igreja católica já atingida por uma série de escândalos de teor sexual na Europa e nos Estados Unidos.

O caso de Maciel, fundador da ordem em 1941 no México, acusado de múltiplos abusos sexuais de seminaristas menores de idade e de ter tido secretamente filhos, é um dos mais simbólicos da chamada "política do silêncio" aplicada por décadas pelo Vaticano para encobrir seus escândalos internos.

domingo, 18 de abril de 2010

João Paulo 2 º apoiou elogio a ocultação de abusos, diz cardeal


Por Tom Heneghan

VATICANO (Reuters) - Um ex-cardeal do Vaticano que cumprimentou um bispo francês por ter protegido um padre que cometia abusos sexuais afirmou ter agido com a aprovação do papa João Paulo 2º, informou um jornal espanhol neste sábado.

O cardeal Darío Castrillón Hoyos, que era a autoridade do Vaticano encarregada dos padres de todo o mundo quando elogiou o bispo francês, em 2001, inseriu o papa polonês na controvérsia ao fazer essa declaração durante uma conferência na cidade espanhola de Murcia.

Castrillón Hoyos fez o comentário depois que um porta-voz do Vaticano indiretamente confirmou que uma carta de 2001 para o bispo francês, colocada em um site da França na quinta-feira, era autêntica e provava que o Vaticano estava certo naquele ano ao tornar mais rígidos seus procedimentos sobre casos de abusos sexuais.

Ao invocar João Paulo 2o, Castrillón Hoyos pareceu ter tomado parte em uma sutil disputa de poder no Vaticano sobre quem deve ser responsabilizado por falhas no passado em agir efetivamente nos casos de abusos sexuais, cuja revelação nos últimos meses vem abalando a Igreja.

"Depois de consultar o papa, escrevi uma carta para o bispo cumprimentando-o por ser um modelo de pai que não entrega seus filhos", disse Castrillón Hoyos na conferência de sexta-feira, segundo o diário La Verdad, que informou que ele foi aplaudido por prelados, padres e leigos presentes.

"O Santo Padre me autorizou a enviar esta carta a todos os bispos do mundo e publicá-la na Internet."

Castrillón Hoyos, um colombiano que se aposentou do serviço no Vaticano no ano passado, argumentou em entrevista na semana passada à emissora CNN em Espanhol que suspender temporariamente padres que cometeram abusos e depois silenciosamente transferi-los para outro local não era um encobrimento dos fatos.

A carta de Castrillón Hoyos, escrita em francês, em 2001, elogiava o bispo Pierre Pican, de Bayeux-Lisieux, por não ter denunciado um padre francês, que posteriormente foi sentenciado a 18 anos de prisão por ter estuprado repetidamente um menino e cometido abusos sexuais com dez outros.

Pican, que recebeu pena de prisão de três meses, depois suspensa, por não ter denunciado abusos sexuais de menores, admitiu em corte que manteve o padre René Bissey em trabalho paroquial, apesar de ele ter admitido de modo privado ter cometido atos de pedofilia.

O caso chocou a França e levou os bispos do país a declararem que todos os casos de abusos devem ser levados às autoridades civis.

"Eu lhe cumprimento por não ter denunciado um padre à administração civil", escrevera Castrillón Hoyos na carta a Pican.

Na conferência de Murcia, o cardeal afirmou que Pican não denunciou Bissey porque o padre havia admitido seus pecados no confessionário, onde o segredo é respeitado.

No julgamento, Pican declarou que Bissey admitiu os abusos em uma conversa particular, que não estava sob o benefício da proteção legal.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vaticano é alvo de mais críticas por vincular gays à pedofilia


A casa onde o Papa Ratzinger nasceu (acima), localizada na Alemanha, amanheceu hoje pichada com palavras não divulgadas.

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - Políticos e grupos representantes de gays condenaram o número dois do Vaticano nesta quarta-feira por dizer que o homossexualismo é uma "patologia" e vinculá-lo diretamente ao abuso sexual de crianças.

As declarações feitas pelo cardeal Tarcisio Bertone durante visita ao Chile, e a controvérsia que desencadearam, fizeram manchetes nos grandes jornais italianos. O Ministério do Exterior francês e alguns blogs católicos que apoiam o papa também condenaram as declarações do cardeal.

À medida que o escândalo em torno do abuso sexual de crianças por parte de padres vem se alastrando, alguns setores da Igreja Católica começaram a pedir uma revisão da norma da Igreja que proíbe os padres de se casarem, dizendo que o casamento lhes permitiria desfrutar de uma vida sexual saudável.

Bertone, o secretário de Estado do Vaticano e que às vezes é chamado de "vice-papa", disse em coletiva de imprensa concedida em Santiago na segunda-feira:

"Muitos psicólogos e psiquiatras já mostraram que não existe vínculo entre o celibato e a pedofilia, mas, me foi dito recentemente, muitos outros já demonstraram que existe uma relação entre homossexualidade e pedofilia."

"Esta (a homossexualidade) é uma patologia que atinge pessoas de todas as categorias, e sacerdotes em grau menor, em termos percentuais", disse ele. "O comportamento dos padres neste caso, o comportamento negativo, é muito sério, é escandaloso."

Ativistas de defesa dos direitos dos gays reagiram com escárnio e ultraje.

"É um absurdo científico. A Organização Mundial da Saúde descreve o homossexualismo como uma variante do comportamento humano. É a pedofilia que é uma patologia, um crime, e não o homossexualismo", disse Franco Grillini, ex-parlamentar que esteve na vanguarda do movimento italiano de defesa dos direitos dos gays.

"Pelo fato de terem seus próprios problemas com a crise dos abusos e de não saberem como lidar com isso, estão tentando transferir sua 'cruz' dos ombros deles para os nossos", disse Grillini à Reuters.

BLOG CATÓLICO CRITICA

O Ministério do Exterior da França disse que foi "uma vinculação inaceitável e que condenamos".

Alguns blogs católicos pró-Vaticano disseram que mais polêmica é a última coisa de que o Vaticano precisa.

"Pedofilia e homossexualismo: Bertone tropeça -- mais uma vez -- sobre os gays", disse um post no "Blog dos Amigos do papa Ratzinger."

O blog disse que agora o papa terá que "limpar a sujeira feita por seu braço direito".

O porta-voz do Vaticano padre Federico Lombardi divulgou um comunicado no qual tentou minimizar a repercussão do incidente.

Ele disse que líderes da Igreja não estavam fazendo "afirmações gerais sobre uma natureza psicológica específica" e mostrou estatísticas da Igreja mostrando que dois terços dos casos de abuso de adolescentes por padres envolviam padres homossexuais.

Um editorial de primeira página no jornal romano de viés esquerdista La Repubblica, intitulado "A Confusão na Igreja", disse que as declarações de Bertone acabarão por "prejudicar mais a própria Igreja, e não os homossexuais".

Bertone também foi criticado pela deputada de direita Alessandra Mussolini, cujo avô, o ditador fascista Benito Mussolini, enviou os gays para o exílio interno.

"Não se pode vincular orientação sexual a pedofilia. O vínculo corre o risco de ser perigosamente enganoso para a proteção das crianças", disse ela.

O ArciLesbica, principal grupo italiano de defesa dos direitos das lésbicas, acusou o Vaticano de usar "declarações violentas e enganosas" para desviar a atenção de seu escândalo de abuso sexual e disse que os pais italianos deveriam estudar a possibilidade de tirar seus filhos de instituições dirigidas pela Igreja.

Em sua audiência semanal geral, o papa Bento 16 não fez nenhuma referência direta à crise enfrentada pela Igreja.

(Reportagem adicional de Crispian Balmer, em Paris, e Simon Gardner, em Santiago)

Secretário de Estado do Vaticano relaciona pedofilia com homossexualidade


O "número dois" do Vaticano nega qualquer relação entre o celibato e a pedofília. Numa conferência de imprensa, no Chile, o cardeal Tarcisio Bertone defendeu antes que há estudos que comprovam que existe uma conexão entre homossexualidade e abusos sexuais de menores. Declarações polémicas que surgem poucos dias antes da visita do Papa a Malta, uma deslocação que está já a ser marcada por protestos.

"Muitos psicólogos e muitos psiquiatras demonstraram que não há qualquer relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros mostraram, como me disseram recentemente, que há uma ligação entre a homossexualidade e pedofilia", disse o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, de visita ao Chile.

O cardeal reforçou, mesmo assim, que os casos de abusos entre o clero são escandalosos e assegurou que o Papa vai anunciar em breve novas medidas para evitar este problema.

O Vaticano divulgou, entretanto, um guia de orientações para os casos de abusos sexuais numa altura que surgem na imprensa novos escândalos a envolver a Igreja.

Na Alemanha um mosteiro da Baviera está sob suspeita por alegados actos pedofilos dos sacerdotes. Já na Austria, um padre católico está indiciado pela posse de pornografia infantil no computador pessoal.

Protestos em Malta

Num país profundamente católico, a visita de Bento XVI, no sábado, é esperada com ansiedade, mas a deslocação está também a ser ensombrada pelos casos de pedofilia - 45 padres estão a ser investigados por suspeita de abusos de menores.

Algumas das vítimas pedem justiça, querem ser recebidas pelo Papa e planeiam uma manifestação para o fim-de-semana.

As autoridades vão reforçar a segurança nas ruas.

SAPO

quarta-feira, 24 de março de 2010

Teólogo suíço Hans Küng ataca o papa e pede fim do celibato


Na discussão sobre casos de pedofilia na Igreja Católica, o teólogo suíço Hans Küng ataca o papa. Dificilmente alguém sabia tanto quanto ele sobre os casos de abuso, disse Küng em entrevista à televisão pública suíça. Ele também pediu o fim do celibato.

A Igreja Católica na Suíça mostra-se dividida quanto às medidas para combater o problema. O abade do mosteiro de Einsiedeln propõe uma "lista suja" dos religiosos pedófilos.

Depois dos escândalos de pedofilia na Igreja Católica na Alemanha e na Irlanda, o problema também é discutido na Suíça. Segundo o semanário Sonntag, os bispados suíços investigaram mais de 60 denúncias de abusos sexuais nos últimos 15 anos.

O caso mais recente ocorreu no bispado de Chur (nordeste), que abrange 309 paróquias e 690 mil católicos em cinco estados. O cônego Christoph Casetti disse na sexta-feira (19/3) à agência de notícias SDA que seu bispado atualmente investiga cerca de dez casos de suspeita de abusos sexuais.

A comissão de "Abusos Sexuais na Pastoral" da Conferência dos Bispos Suíços (CBS) investigou nove casos, envolvendo oito padres e uma professora. Em um outro caso, um representante da Igreja teria baixado pornografia infantil da internet. As vítimas foram três meninas, duas adolescentes, duas mulheres adultas, um aluno e um jovem.

Lista suja

Depois que se tornaram públicos no final de semana mais dois casos de assédio sexual nos mosteiros de Einsiedeln (centro da Suíça) e Disentis (leste), o abade de Einsiedeln, Martin Werlen, propôs a criação pelo Vaticano de uma "lista suja" dos pedófilos na Igreja.

"Na troca de emprego para uma outra diocese em qualquer parte do mundo, o bispo poderia se informar se houve alguma denúncia grave contra o padre", disse Werlen em entrevista ao semanário SonntagsBlick. Ele quer apresentar sua proposta à CBS.

"É responsabilidade de cada bispado esclarecer previamente se alguém tem condições profissionais e morais para um emprego na Igreja", disse o presidente da Conferência dos Bispos Suíços, Norbert Brunner, ao jornal Le Matin Dimanche. Ele prefere intensificar a troca de informações entre as dioceses a uma "lista suja".

Segundo Brunner, os casos de abusos não são denunciados sistematicamente à autoridades judiciárias civis. Se um bispo ou um padre toma conhecimento de um abuso, ele deve pedir ao acusado que se autodenuncie. Em casos muito graves, a própria Igreja pode apresentar queixa, se a vítima concordar, explicou Brunner.

Segundo o porta-voz da CBS, Walter Müller, as vítimas são imediatamente ouvidas, assistidas e encorajadas pela Igreja a apresentar queixa à polícia. "Além disso, cada diocese dispõe de um posto de contato para vítimas e testemunhas que queiram denunciar abusos contra crianças", disse à televisão suíça.

Küng pede fim do celibato

Na última sexta-feira (19/3), o papa Bento 16 publicou uma carta pastoral em que expressa "vergonha e remorso" pelos casos de abusos sexuais cometidos por religiosos na Irlanda, mas não menciona os escândalos ocorridos em outros países, como a Alemanha, onde mais de 300 casos vieram a público desde o início do ano (veja um resumo da carta no link na coluna à direita).

Segundo o teólogo suíço Hans Küng, presidente da Fundação Weltethos (Ética Mundial), sediada em Tübingen (Alemanha), "não é exagero dizer que dificilmente houve um homem na Igreja Católica que sabia tanto quanto o papa sobre os casos de abusos".

"Desde a Idade Média temos uma teologia da sexualidade inibida", declarou Küng, em entrevista à emissora de televisão pública suíça SF, no domingo (21/3). Isso culmina na lei do celibato, que tem a ver com esses casos de abusos, acrescentou.

Segundo Küng, este é um dos motivos pelos quais o papa, em sua carta pastoral, não assumiu qualquer responsabilidade pelos casos de abuso. "O mais importante seria que o papa liberasse a discussão sobre o celibato. Muita coisa melhoria se o celibato fosse abolido", disse Küng.

O teólogo suíço lembrou que o cardeal Joseph Ratzinger, atual papa, durante 24 anos foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que também é responsável por orientações aos bispos sobre como lidar com desvios sexuais de religiosos.

O professor de Teologia da Universidade de Lucerna, Edmund Arens, também critica Bento 16. "Penso que o papa deveria pedir desculpas em nome da Igreja. Está mais do que na hora de a instituição reconhecer a culpa por esses crimes, pela sua ocultação e pelo fato de ter impedido vítimas de recorrer à Justiça", disse à swissinfo.ch.

Segundo o presidente da CBS, Norbert Brunner, em primeiro lugar, o autor do crime é responsável por seu ato, não a Igreja. "Tenho dificuldade de entender por que a Igreja deve se desculpar junto às vítimas por um ato cometido por outro. O importante é que um bispo realmente lamente tais casos – e isso eu faço", declarou ao jornal NZZ am Sonntag.

Geraldo Hoffmann, swissinfo.ch (colaboração de Simon Bradley e informaçõs de jornais e agências)