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segunda-feira, 11 de abril de 2011

MÚSICOS DA OSB NÃO QUEREM EXECUTAR MARCHINHAS MARCIAIS



Agravou-se neste sábado (9) a crise da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Como Élio Gaspari bem relatou em sua coluna dominical, os antecedentes foram os seguintes:

"...o presidente da fundação que a sustenta, economista Eleazar de Carvalho Filho e o maestro Roberto Minczuk informaram aos seus 85 músicos que passariam por um processo de avaliação individual.

Em fevereiro, reunidos em assembleia, 56 músicos da OSB anunciaram que não se submeteriam à avaliação.

Eleazar de Carvalho foi em cima de seus peões, acusando-os de 'difamar e denegrir a reputação da Fundação OSB', lembrando-lhes que 'atos de insubordinação são passíveis de punição'.

O doutor usou linguagem das galés de Cesar... funcionou a ideia de que 'anda quem pode, obedece quem tem juízo'. Deu errado.

Eleazar de Carvalho e Roberto Minczuk foram surpreendidos por um boicote liderado pelos pianistas Nelson Freire e Cristina Ortiz, bem como pelo maestro Roberto Tibiriçá.

Na quinta feira, depois de demitir 32 músicos, Carvalho trocou de partitura e, numa carta, disse 'ter sido levado' a demiti-los e propôs uma negociação para 'salvar uma grande instituição'.

,,,[A] permanência no cargo (...) do maestro Minczuk tornou-se tão difícil quanto a execução da Sétima Sinfonia de Gustav Mahler".
Confirmou-se o prognóstico do veterano jornalista, com o qual costumo concordar, salvo quando desanda a escrever bobagens sobre a luta armada contra a ditadura de 1964/85, confiando cegamente no entulho autoritário, como se fosse a tábua dos dez mandamentos...

De qualquer forma, Gaspari acertou em cheio na sua avaliação de que o autoritário Minczuk se desqualificou totalmente para a função que ocupa. 

Isto ficou mais do que evidenciado ontem: tão logo Minczuk entrou no palco para, sob estridentes vaias de metade da platéia carioca, reger os instrumentistas da Orquestra Sinfônica Jovem, eles dignamente se retiraram, deixando-o sozinho com suas batutas. Bem feito!

O concerto foi cancelado. O programado para hoje também. 

Espera-se que, amanhã, alguém com mais poder e um mínimo de sensatez indique a porta da rua para Carvalho e Minczuk, pois salta aos olhos que tal serventia da casa é o primeiro passo para a solução do impasse.

Para os cinéfilos, o óbvio paralelo é com Ensaio de Orquestra (1979), um dos filmes mais amargos e questionáveis do genial Federico Fellini -- na verdade, uma parábola sobre o que ele considerou ser um movimento pendular da sociedade.

Os músicos de uma orquestra se rebelam contra o maestro autoritário e o expulsam, mas excedem-se tanto na demolição da velha ordem que acabam à beira da destruição.

Aí, face ao caos que ameaça a todos tragar, a alternativa acaba sendo a volta da autoridade... que logo reassume suas feições atrabiliárias e despóticas.

Torçamos para que os músicos da OSB façam melhor na vida real, depois desta admirável demonstração de resistência ao autoritarismo que estão dando.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Vítimas de abuso sexual de padres protestam próximo ao Vaticano

Por Philip Pullella 

ROMA (Reuters) - Vítimas de abuso sexual infantil por padres católicos protestaram próximo ao Vaticano na noite de domingo, segurando cartazes que pediam à Igreja que puna os responsáveis pelo acobertamento e que faça mais para proteger as crianças.

Cerca de 75 vítimas e seus apoiadores dos Estados Unidos e vários países europeus queriam marchar até o Vaticano com velas mas foram impedidos pela polícia por não terem permissão.

"Trata-se de responsabilidade", disse Gary Bergeron, um dos organizadores de um grupo chamado Voz dos Sobreviventes no Castelo de Sant' Angelo, no coração de Roma.

Após negociações com a polícia, Bergeron e uma mulher foram autorizados a caminhar até o Vaticano segurando velas e entrar no quarteirão da Basílica de São Pedro enquanto os outros foram forçados a ficar atrás.

Os dois deixaram 75 cartas das vítimas de abuso endereçadas ao papa Bento 16 na entrada do Vaticano. A polícia, que os seguiu de perto, fez cópias de seus passaportes e os liberou.

"Não há pessoa de posição alguma, em parte alguma do mundo cujo status ou posição que deva colocá-la acima da proteção de nossas crianças ou acima da lei", disse Bergeron.

Bergeron também deixou pequenas pedras no quarteirão representando as vítimas de diversos países.

"Quando homens de batina tomam os corpos de crianças para seu prazer, é hora de mudança", afirmou Bergeron durante a manifestação.

Revelações sobre crianças que foram sexualmente abusadas por padres nas últimas décadas têm abalado a Igreja este ano, particularmente na Europa, Estados Unidos e Austrália.

Entre os manifestantes estava um grupo de homens que foram abusados por padres em escola especial para surdos na cidade de Verona, norte da Itália, na década de 1960.

Eles falaram na linguagem dos sinais através de um intérprete e seguraram cartazes com mensagens como "Vergonha", "Queremos uma Igreja sem abuso" e "Padres pedófilos, tirem as mãos das crianças".

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, veio falar com os manifestantes mas foi forçado a deixar a reunião depois que alguns na multidão começaram a assobiar. Lombardi reuniu-se com os líderes em particular mais tarde.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

PAPEL RIDÍCULO

Bansky:


04 de março de 2010:

ZERO HORA

N° 16264
CRIME DESVENDADO

Uma busca que durou cem horas

Policiais civis levaram exatas cem horas para rastrear a quadrilha responsável pela morte do secretário de Saúde de Porto Alegre. Desde que Eliseu Santos, 63 anos, foi morto com dois tiros, na noite de sexta-feira, mais de 30 agentes e peritos palmilharam endereços, coletaram fios de cabelos, recolheram amostras de sangue e saliva e pernoitaram dentro de carros à espreita de suspeitos. Tudo, até identificar um dos assassinos e comprovar que é dele o DNA coletado na cena do crime. Zero Hora descreve os bastidores de uma das mais rápidas e científicas investigações da crônica policial gaúcha.

CORREIO DO POVO

Polícia garante: morte de Eliseu foi em assalto

Exame de DNA revela suspeito. Dois outros são procurados

A Delegacia de Homicídios (DH) anunciou ontem que conseguiu esclarecer a morte do secretário da Saúde, Eliseu Santos, ocorrida na noite de sexta-feira passada, no bairro Floresta, em Porto Alegre. Valendo-se de uma técnica cada vez mais usada pelas polícias de todo o mundo, o exame de DNA, os agentes da DH, comandados pelo delegado Bolívar Llantada, chegaram aos suspeitos de terem participado do crime. O trio, que, segundo o diretor do Deic, delegado Ranolfo Vieira Júnior, seriam integrantes de uma quadrilha especializada em roubo, furto e adulteração de veículos, de Sapucaia do Sul, teve a prisão temporária decretada pela Justiça. Até o momento, nenhum dos suspeitos foi preso. Um automóvel Vectra, ano 2007, foi encontrado na madrugada de ontem, queimado, no Santuário das Mães, em Novo Hamburgo, e pode ser o carro usado no ataque a Eliseu.

Nota do Blog: Com forte conotação político-ideológica os principais veículos da mídia impressa gaúcha tentaram abafar a verdade sobre a morte de Eliseu Santos. Não havia, no dia 4 de março de 2010, nenhuma ponta de dúvida. É só revisitar o que foi publicado. Hoje, 2 de abril de 2010, são obrigados a publicar outra, segundo eles, "versão". Em relação ao papel da polícia no caso, fica a pergunta: quantos inquéritos são investigados assim "rapidamente" e encerrados a pedido sem despertar o interesse do Ministério Público? Tudo bem que a mídia impressa está perdendo rapidamente a credibilidade em função de episódios como esse, porém a quem interessa que a Polícia perca a credibilidade?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

VELHO CASTILHISMO


Juremir Machado da Silva, para Correio do Povo

A governadora quer um avião novo para decolar. A secretária estadual da Cultura pretende transformar o Conselho de Cultura num enfeite sem função deliberativa. A secretária estadual da Educação deseja acabar com a eleição de diretores de escola, aumentar o número de alunos em sala de aula, misturar séries, limitar os aumentos salariais, não aceitando piso com salário inicial, e cobrar mais desempenho dando menos condições de trabalho. Quer tratar a educação pública como negócio privado com prêmios aos mais 'produtivos'. Esse é o velho Rio Grande do Sul castilhista apaixonado por um executivo forte e livre. O escritor Benedito Saldanha, presidente da Academia de Artes e Letras de Porto Alegre, acaba de lançar um pequeno livro muito interessante intitulado 'Apolinário Porto Alegre: a Vida Trágica de um Mito da Província'. Apolinário foi educador, fundador de escolas, escritor, intelectual e perseguido político.
Júlio de Castilhos, conhecido como 'gaguinho da Federação', esse mesmo cujo nome aparece em muitas placas de rua, nomes de cidade e de escolas, mandou desencadear uma terrível perseguição a Apolinário, então morador na célebre casa branca do Morro Santana. Por sorte, os atiradores tinham péssima pontaria. Mesmo assim, Apolinário Porto Alegre teve de suportar um exílio de três anos em Montevidéu. Quando voltou, sua propriedade estava em estado precário. O crime de Apolinário era ter opiniões. Ele fundou o Partenon Literário, lutou pela abolição da escravatura, ajudou a alforriar crianças, libertadas no Theatro São Pedro, e sempre defendeu um liberalismo democrático. Quase foi assassinado por isso.
O tempo de Júlio de Castilhos era trepidante. Quando o caudilho Gumercindo Saraiva foi morto, durante a guerra civil de 1893-1895, o jornal A Federação, porta-voz de Castilhos, publicou uma nota reproduzida por Benedito Saldanha: 'Pesada como os Andes te seja a terra que o teu cadáver maldito profanou... Caiam sobre essa cova asquerosa todas as mágoas concentradas das mães que sacrificaste, das esposas que ofendeste, das virgens que poluíste, besta-fera do Sul, carrasco do Rio Grande'. Sem dúvida, uma linguagem apropriada. A cabeça de Saraiva foi colocada numa chapeleira e enviada ao Gaguinho. São nossos heróis. Gente que governava de faca na bota. Não mudou muito. Estamos apenas mais controlados por mecanismos externos. Mas todo governador sonha em mandar de peito aberto sem ser incomodado pelos demais poderes.
Esse negócio de Conselho de Cultura limitando a ação do executivo não convence nossos dirigentes. Diretor de escola eleito só atrapalha. Ter de se explicar por causa da compra de um modesto jatinho cansa. No tempo do castilhismo e do borgismo, os deputados se reuniam três meses por ano para aprovar o orçamento e iam embora cuidar de vida deixando de atrapalhar o déspota esclarecido. Críticos eram tratados com a crueldade que mereciam. A cada um segundo a sua capacidade de alfinetar ou de causar estrago. Deve ser por isso que não tem placa em homenagem a Apolinário Porto Alegre no Morro Santana. Tem uma em honra do último proprietário da casa branca. O que ele fez de importante? Mandou derrubar a residência onde, bem antes de Apolinário, Bento Gonçalves, Neto e outros discutiram a Revolução Farroupilha.

juremir@correiodopovo.com.br

terça-feira, 1 de julho de 2008

Cartilha dá dicas de como agir diante da polícia



Carlos Eduardo Santos 30/06/2008

Texto produzido pela parceria portal Comunidade Segura e Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Como se comportar diante de uma abordagem policial? A questão pode parecer simples, mas no Brasil vem ecoando pelos quatro cantos do país. O motivo é a distribuição de uma cartilha elaborada pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, do governo federal, que dá dicas de como encarar essa situação.

Um milhão de exemplares do livreto “A polícia me parou. E agora?”, que está sendo distribuído em 14 estados da federação, tem sido motivo de debates em universidades e programas de rádio e televisão.

Há quem ache que as dicas são pertinentes. Outros afirmam que a cartilha deveria ser entregue aos policiais e não à população. Uma coisa é certa, o livreto - voltado para jovens que residem nas periferias das grandes cidades brasileiras - tem causado polêmica.

A distribuição do material está sendo coordenada pelas ouvidorias de polícia dos estados. Receberam a publicação o Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Pará e Bahia.

Entre as dicas de como agir em uma abordagem da polícia, as que chamam mais atenção são: “fique calmo e não corra” e “não discuta com o policial nem toque nele.” Pesquisadores do tema segurança pública, no entanto, acreditam que a polícia deve ser treinada para saber tratar o cidadão e não o contrário.

Para a pesquisadora Ronidalva Melo, da Fundação Joaquim Nabuco, esse tipo de material deve ser disponibilizado apenas em países onde o Estado é respeitoso. “Esse tipo de informação deve vir na cabeça do policial. Como se explica o medo que a população tem da polícia em nosso país? A polícia precisa ser preparada antes do cidadão”, destacou.

A ouvidora da Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco, Amparo Araújo, explicou que as normas contidas na cartilha seguem padrão internacional das Organizações das Nações Unidas (ONU). “Essas dicas são utilizadas em todo o mundo e a cartilha é distribuída em outros países”, destacou.

O cientista político Adriano Oliveira afirmou desconhecer que essas dicas sejam repassadas fora do Brasil. “Essa cartilha é o reconhecimento de que nossa polícia viola os direitos humanos. Revela que ela é seletiva e trata de forma diferente as pessoas”, explicou Oliveira, que é membro do Núcleo de Instituições Coercitivas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Para o presidente da Associação dos Cabos e Soldados de Pernambuco, Renílson Bezerra, a cartilha é válida para melhorar a relação entre polícia e sociedade. “Dependendo do local, o policial fica mais ou menos tenso no momento de uma abordagem. E é preciso que a sociedade saiba disso. Mas também concordo que é necessária uma reciclagem para que os policiais saibam evitar os excessos”, afirmou.

O objetivo da SNDH é evitar que uma abordagem de rotina se transforme em uma situação de violência. Em entrevista ao site da secretaria, a coordenadora do Programa Ouvidorias de Polícia e Policiamento Comunitário, Isabel Figueiredo, explica como surgiu a idéia de confeccionar o material.

“A cartilha surgiu da constatação de que a abordagem policial ainda não é vista por parte da população e da própria polícia como mecanismo habitual de trabalho, mas sim como instrumento de perseguição. Muitas pessoas procuram as Ouvidorias de Polícia para denunciar abusos que sofreram durante uma abordagem e para esclarecer dúvidas sobre a legalidade do procedimento.”

O comandante de um batalhão da Região Metropolitana do Recife, que preferiu não ser identificado, admitiu que os excessos existem. “Infelizmente, muitos policiais se colocam no dilema de ser duro numa abordagem ou não. Tudo depende da tensão que ele vive naquele momento. As dicas da cartilha são importantes tanto para o cidadão quanto para um PM”, destacou.

Em Pernambuco, somente nos três primeiros meses do ano, a Ouvidoria da SDS registrou 306 reclamações contra policiais. Muitas delas sobre excessos na abordagem. A cartilha também traz informações sobre os direitos do cidadão. “Não é crime andar sem documentos, mas recusar-se a se identificar é contravenção penal”, diz o folheto.