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sábado, 22 de janeiro de 2011

Modelo a Ser Seguido

 
Em Santa Rosa metade da merenda escolar é comprada no município
 
O dado é histórico e foi divulgado pelo secretário municipal de Agropecuária, Ari Dresch. Segundo ele, o ano de 2010 apresentou recorde de R$ 442 mil adquiridos da agricultura familiar para abastecer o programa de merenda escolar. "Isso representa 51% de todo o volume de produtos utilizados pela Secretaria Municipal de Educação" destacou, lembrando que a legislação federal prevê que as prefeituras comprem pelo menos 30% deste segmento. "Nosso desejo é de crescer ainda mais com política planejada para este fim, para aumentar em 10% neste ano e chegar a 75% ou 80% até o final de 2012", projetou.
 
Em geral, produtos são adquiridos de pequenos produtores rurais de Cândido Godói, Tuparendi, Santa Rosa e Santo Cristo, associados da Copersol – Cooperativa de Economia Solidária. São itens como carne bovina e suína, farinhas, leite, feijão, massas, mel, frutas, temperos e verduras. "Há muito a crescer nas áreas das agroindústrias e hortigranjeiros. Uma pesquisa da Unijuí apontou isso e pretendemos fomentar esse segmento", explicou Ari. Antecipou que duas agroindústrias serão beneficiadas com R$ 25 mil cada para beneficiar farináceos para pães e massas à merenda escolar.
 

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Padre é preso em Santa Rosa


O padre Avelino Backes, 71 anos, foi preso ontem em Santa Rosa, no Noroeste do Estado, por crime contra a dignidade sexual. A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Giuseppe Battistoni Bellani, da 2 Vara Criminal da Comarca de Capinzal, em Santa Catarina. O mandado foi encaminhado pela Polícia Civil de Capinzal para a Polícia de Santo Cristo, município gaúcho vizinho de Santa Rosa. O padre é natural desse município.
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Backes foi acusado de abusar de meninas de 9 e 10 anos nas paróquias de Piratuba e Ipira, na região de Capinzal, em Santa Catarina, no final dos anos 1990. Em 2008, foi condenado a sete anos de prisão, inicialmente em regime fechado. O delegado Camilo Pereira Cardoso, da Delegacia de Polícia Civil de Santo Cristo, diz que, ao ser encaminhado ao presídio de Santa Rosa, o padre estará à disposição do Poder Judiciário, mas ainda não sabe se será transferido para Capinzal.

Correio do Povo

domingo, 13 de setembro de 2009

O mito do Sapucay

PORTO MAUÁ:

FELIPE DORNELES
fdorneles@correiodopovo.com.br

Gritos que simbolizavam comemorações, sinais de alerta ou tristeza nas aldeias dos índios guaranis são tema do documentário 'Eco do Sapucay'. A produção, dirigida pelo cineasta santa-rosense Anderson Farias, retrata a história, a cultura e a música da região Noroeste do Estado. Sapucay, no dialeto mbya-guarani, proveniente da língua tupi, significa grito. O termo surgiu nas tribos guaranis, e os gritos simbolizavam emoções e momentos vividos pelos índios. Com o passar dos anos e a chegada dos jesuítas à região, o Sapucay foi tomando outras formas e outros significados. É esta a história abordada no documentário. Uma equipe de sete profissionais da área de cinema percorreu, durante quatro dias de gravações, municípios do Noroeste gaúcho e cidades argentinas que fazem fronteira com o Brasil.
Anderson conta que a ideia deste documentário surgiu no seu retorno à terra natal. Jornalista e artista plástico, natural de Santa Rosa, ele passou um período no Rio de Janeiro, cursando Cinema, e retornou com o objetivo de contar histórias da região. Instigado por amigos cariocas para encontrar um tema e desenvolver um trabalho, lembrou dos contos do Sapucay. A mãe de Anderson é natural de Porto Mauá, onde ele ouvia falar da história de um gaiteiro, que vivia na beira do rio Uruguai, chamado Sapucay. 'Até o momento, para mim, Sapucay era um homem que vivia na barranca do rio Uruguai, e realizava bailes em sua casa para driblar a fiscalização na fronteira, e permitir que o chibo (contrabando de mercadorias) ocorresse na região'. A história conta que gritos eram usados como sinais, para que os chibeiros soubessem se podiam fazer a travessia ou não, se haviam no momento pessoas controlando o fluxo na fronteira.
Cláudia Cavali, historiadora de Porto Mauá, explica: 'Na década de 1940, quando João Felipe Bernardo, veio para esta região, devido ao seu trabalho na estrada de ferro, foi apelidado de Sapucaia, pois era natural do município de Sapucaia do Sul, na Grande Porto Alegre. Mais tarde, devido à sua sua fama de gritar na beira do rio Uruguai, recebeu esta reformulação no apelido'.
Na cidade de Porto Mauá, Fronteira-Noroeste do Estado, o túmulo do Sapucay é a única lembrança da época. Anderson conta que descobriu com as pesquisas, que João Felipe Bernardo, o Sapucay, não era quem havia originado a lenda.
O cineasta diz que constatou que termo vinha dos guaranis e que o 'Grito do Sapucay' ainda está presente na música gaúcha por meio do gênero chamamé. A partir destas descobertas o documentário percorre locais por onde os gritos ecoavam.
Serviram como locações gravações o Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, mais conhecido como Ruínas de São Miguel, em São Miguel das Missões, onde viviam índios guaranis; o Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas, que tem como atração internacional o Salto do Yucumã, a maior queda d’água longitudinal do mundo, com 1,8 mil metros de extensão; as cidades de Santa Rosa, São Luiz Gonzaga, Porto Mauá. Na Argentina houve locações no Sítio Arqueológico de San Ignacio Meni, na província de Misiones. Além de Cláudia Cavali foram entrevistados o professor da Unijuí Larry Wiznieswiski e o tradicionalista Erni Friderich. Na Argentina, as fontes foram os músicos Karai Genilito Benitez e Karozo Zuetta.

CORREIO DO POVO, 13 de setembro de 2009.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

SANTA ROSA - V

SOJA:

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 16 DE AGOSTO DE 2009

Filha lembra a prisão de agrimensor

Filha de um prisioneiro alemão, D.V.E. nasceu e mora em Santa Rosa. Ela lembra, emocionada, do dia em que seu pai foi preso. 'Eu estava em casa com a minha mãe e mais três irmãos, quando os informantes e policiais entraram na nossa residência. Recolheram armas que meu pai guardava, devido à sua profissão. Ele era agrimensor e trabalhava na mata fechada demarcando em extensões de terra. Eles entraram e revistaram tudo. Acabaram recolhendo uma máquina fotográfica, bíblias, livros e papéis de parede com dizeres em língua alemã. Meu pai não estava em casa e quando chegou soube do que aconteceu. Resolveu ir até a delegacia em busca de explicações. Acabou preso e levado à Colônia Penal Agrícola.'
A descendente de alemães diz que nem todos eram radicais. Ela lembra que no dia em que houve ataques a residências, pessoas que foram convidadas pelos policiais para invadir e depredar as casas esconderam-se para não participar dos atos de violência. Segundo D.V.E., no início da década de 1940, alguns dos imigrantes presos em Santa Rosa era encaminhados a Porto Alegre, onde teriam sido vítimas de torturas. 'Hoje ocupo parte do meu tempo lendo sobre a importância que tivemos para o desenvolvimento da região', conclui.

SANTA ROSA - IV

Portal em Homenagem à Xuxa:

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 16 DE AGOSTO DE 2009

O ataque ao supermercado 14 de Julho

Dois episódios, em especial, marcaram a memória daqueles que viveram os tempos de repressão em Santa Rosa. No dia 23 de abril de 1942, além da pichação das casas de famílias alemãs com a cruz suástica, houve passeatas, invasões, depredações em estabelecimentos comerciais e residências e centenas de prisões arbitrárias, segundo o relato de Saul Dante Liberalli. 'O que que ficava bem claro é que para que ocorressem todos esses fatos era preciso a conivência, a iniciativa, e o apoio das autoridades locais', diz a historiadora Tereza Christensen.
Em depoimento à historiadora, a proprietária do supermercado 14 de Julho afirmou que a noite de 22 de agosto de 1942 foi a mais marcante de toda a sua vida. Joana Fehlauer contou que a pessoas apedrejavam as residências e estabelecimentos aos gritos de 'fora' e 'inimigos'. Júlio e Joana Fehlauer, junto com os quatro filhos, foram buscar refúgio na residência do vizinho Luiz Zenni, onde ficaram escondidos por longos e intermináveis 14 dias.
A violência foi tamanha que, ao voltarem para casa, não encontraram 'pedra sobe pedra’'. Tereza Christensen conta em seu livro que naquela noite de agosto de 1942 mais de mil pessoas e um caminhão de pedras passavam pelas ruas, depredando residencias de alemães e italianos. Há relatos de que a esposa do proprietário de um dos estabelecimentos foi violentada.

SANTA ROSA - III

Foto meramente ilustrativa:

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 16 DE AGOSTO DE 2009

O testemunho de Saul Liberalli

O oficial reformado do Exército Saul Dante Liberalli, 79 anos, era criança na época da 2ª Guerra Mundial, mas afirma 'que nunca esquecerá 'da brutalidade que Santa Rosa viveu na década de 1940'. Ele conta que a curiosidade e a indignação o levaram várias vezes para a frente do presídio onde estavam confinados os imigrantes alemães. 'Em Santa Rosa era terminantemente proibido falar outra língua, no início da década de 1940. Havia placas espalhadas na cidade com a proibição', lembra. Ele diz que as ações eram comandadas pela Brigada Militar, Polícia Civil e informantes e que, além de alemães, japoneses e italianos sofriam com as perseguições.
O aposentado afirma que a situação dos imigrantes que se encontravam no Presídio era lamentável. 'Era impressionante a precariedade do local. Além do frio, eram muitas pessoas na mesma cela, o contágio da gripe era algo muito fácil de ocorrer. Mas eles não ficavam muito tempo por lá, até pelo fato de o espaço ser pequeno. Na medida em que eles iam prendendo, iam soltando os mais antigos. Imagine você morar em um país, onde você só sabe falar uma língua. De repente, os imigrantes vêm ao Brasil e são proibidos de falar a única língua que sabiam, caso contrário seriam presos. É uma tamanha brutalidade', observa.
O descendente de italianos recorda que na época ninguém podia ter rádio em casa. 'Sobre esta proibição tenho dois fatos guardados na memória: um caminhão cheio de rádios, sendo despejados no pátio da Delegacia de Polícia, onde hoje se encontra uma agência dos Correios, e outra ocasião em que policiais entraram em minha casa, e queriam levar o único aparelho de rádio que tínhamos. Minha mãe não deixou. Disse que se levassem o rádio era para levar toda a família. Eles acabaram não levando nada.'
Saul Liberalli lembra também da estátua de Cristóvão Colombo, uma doação da colônia italiana ao governo do Estado. 'Era a segunda estátua de Colombo na América. Arrancaram a placa de homenagem, fixada na escultura, e no pescoço, colocara cartazes ofensivos'. O episódio ocorreu em 23 de abril de 1942, dia do aniversário de Adolf Hitler.
O oficial reformado do Exército relata ainda que que livros e bíblias na língua alemã foram queimados. 'Era uma fogueira de livros.' Na Praça Berlim, uma águia em homenagem aos poetas alemães também foi alvo de depredação. 'Quebraram a asa da águia, e tempos depois, ela sumiu. Deve ter sido derretida, pois era de ferro.' Saul enfatiza que não existia alemães fanáticos em Santa Rosa. Conforme o descendente de italianos, a situação só foi amenizada em novembro de 1942, com a chegada do 1º Regimento de Cavalaria Transportado, uma unidade do Exército.

Nota do Blog: Ancestrais deste blogueiro foram obrigados a fugir da região às pressas, rumo à Argentina, onde se estabeleceram. Crime cometido: só sabiam falar o idioma alemão.

SANTA ROSA - II

Bansky's "Maid in London":

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 16 DE AGOSTO DE 2009

Escola foi transformada em presídio

FELIPE DORNELES
fdorneles@correiodopovo.com.br

A cidade de Santa Rosa, na região Noroeste do Estado, guarda na memória histórias de perseguição e sofrimento durante a 2ª Guerra Mundial. Imigrantes que se instalaram na região, principalmente alemães, foram vítimas da repressão praticada pela polícia política brasileira. Centenas deles foram presos e alguns morreram na Colônia Penal Agrícola, transformada em uma espécie de campo de concentração. O fato está registrado em livros e na lembrança de quem testemunhou as perseguições.
Teresa Christensen, historiadora de Santa Rosa, conta que os primeiros alemães presos foram levados para três celas no porão da antiga sede da prefeitura. 'Mas tinha pouco espaço e, como ali era o Centro da cidade, não podiam torturar os imigrantes, pois se ouviriam os gritos. Então foi estruturado um presídio em local mais afastado, hoje a Vila Agrícola, no Bairro Planalto', explica a pesquisadora.
Em 1920, o governo do Estado criou a Escola Técnica Agrícola de Santa Rosa, com o objetivo de incentivar novas culturas e preparar jovens para as lidas no campo. Devido a problemas financeiros, o estabelecimento de ensino funcionou apenas três anos. Abandonados e com maquinários ao relento, os dois prédios construídos para a escola, um sobrado de madeira e um galpão onde eram ministradas aulas práticas passaram a ser uma prisão.
Teresa revela que a história guarda, desse tempo difícil, as grandes arbitrariedades que tinham como palco a Colônia Penal Agrícola. 'Conta-se que alguns colonos alemães e de outras etnias que mal falavam o português, eram levados ao Presídio da Agrícola e obrigados a assinar um documento de venda das colônias que possuíam e logo após eram degolados. Dizem os mais velhos que as paredes do galpão de madeira eram todas marcadas por mãos sujas de sangue', relata.
Segundo a historiadora, todos eram obrigados a falar português e as escolas confessionais, mantidas pelas comunidades, tiveram que mudar radicalmente. Professores foram demitidos, livros confiscados e escolas fechadas. Muitos espiões e denunciantes rondavam as casas de famílias para ver se estavam falando alemão e principalmente, se ouviam rádio. Teresa acrescenta que o fato de falar neste ou em outro idioma, era considerado crime contra a Pátria e as punições eram a cadeia e a tortura. Casas eram invadidas e os objetos dos moradores confiscados. As igrejas evangélicas e católicas também sofreram ataques. Padres e pastores eram presos e desrespeitados em plena celebração religiosa quando oravam em língua alemã..
No livro 'Santa Rosa: Histórias e Memórias', Tereza Christensen, com base em depoimentos de uma comerciante alemã, já falecida, narra o episódio do ataque ao mercado 14 de Julho. O fato ocorreu no dia 22 de agosto de 1942, após um comício no qual autoridades teriam instigado a população a invadir casas de alemães e italianos.

SANTA ROSA - I


Rio Grande do Sul teve campos de concentração

ROBERTO TAVARES
rtavares@correiodopovo.com.br

A existência, em território brasileiro, de campos de concentração ou de internamento, onde foram confinados centenas de imigrantes alemães, italianos e japoneses durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945) raramente é referida nos livros. O professor da PUCRS e da Ufgrs René Gertz, doutor em História, afirma que esses locais existiram do Pará ao Rio Grande do Sul. Em solo gaúcho houve confinamentos na Colônia Penal Agrícola Daltro Filho, em Charqueadas, e em Santa Rosa, na região Noroeste do Estado. Ele cita pronunciamento feito na Assembleia Legislativa do RS, em 1948, pelo deputado Alcides Flores Soares Júnior, da UDN. O parlamentar exigiu o pagamento de indenização aos alemães presos e denunciou tortura, sevícia e mortes no campo de Santa Rosa.
Gertz cujos avós eram russos, fez doutorado em Berlim e apaixonou-se pela história dos alemães no Brasil em 1975, quando decidiu elaborar uma tese sobre a Aliança Nacional Libertadora. Ele lembra que foi aconselhado pelo o médico e escritor Dyonélio Machado, militante comunista, a não fazer a pesquisa, pois o trabalho 'traria muita incomodação'. Depois de conversar com o professor Hélgio Trindade, o historiador decidiu estudar o Integralismo e os estudos resultaram na publicação dos livros 'O Fascismo no Sul do Brasil', 'O Perigo Alemão' e 'O Aviador e o Carroceiro'. O professor observa que nos locais de internamento não havia a mesma violência dos campos nazistas e que os italianos foram poupados, pois sua participação na guerra nunca foi considerada pelos gaúchos. A Colônia Penal Agrícola Daltro Filho, onde hoje está instalada a Pasc, foi construída como presídio comum, mas a partir de 1942 virou campo de internamento para cidadãos comuns sem nenhuma atividade política.
Foram recolhidos à Colônia Penal mais de cem alemães e três japoneses. Gertz conta que houve relato da morte de um alemão, mas o inquérito policial concluiu que o falecimento do prisioneiro teve causas naturais. O deputado Flores Soares, afirmou na época, durante discussão com outros políticos, que presenciara em Santa Rosa as práticas denunciadas. O caso, segundo o historiador, foi retratado também na Revista Vida Policial, da série 1942/1943 e numa brochura publicada em 18 de maio de 1948. Em Santa Rosa, o repórter Felipe Dorneles entrevistou uma historiadora e moradores que confirmam a repressão a imigrantes.

CORREIO DO POVO, 16 DE AGOSTO DE 2009.