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quarta-feira, 21 de setembro de 2022

A INVENÇÃO DOS DEUSES

 


por Bento de Espinosa (1632-77)*
 
As pessoas encontram em si e fora delas bastante coisas que são meios que contribuem não pouco para que alcancem o que lhes é útil, por exemplo, olhos para ver, dentes para mastigar, vegetais e animais para alimentação, sol para iluminar, mar para sustento de peixes. São levadas a considerar todas as coisas da Natureza como meios para a sua utilidade pessoal. E porque sabem que tais meios foram por elas achados e não dispostos, daqui tiraram motivo para acreditar na existência de outrem que os dispôs para que os utilizassem.
 
Com efeito, depois de haverem considerado as coisas como meios, não podiam acreditar que elas se criassem a si mesmas, e dos meios que costumam dispor para seu uso próprio foram levados a tirar a conclusão de que houve alguém ou alguns regentes da Natureza, dotados como os homens de liberdade, e que cuidaram em tudo que lhes dissesse respeito e para sua utilidade fizeram todas as coisas.
Quanto à compleição destes seres, como nunca ouviram falar nada a tal respeito, também foram levados a julgá-la pela que em si notaram.
 
Daqui, haverem estabelecido que os deuses ordenaram tudo o que existe para uso humano, a fim dos homens lhes ficarem cativos e de serem tidos em suma honra; donde o fato de haverem excogitado, conforme a própria compleição, diversas maneiras de se render culto a Deus, para que Deus os estime acima dos outros e dirija a Natureza inteira em proveito da sua cega apetição e insaciável avareza.
 
Assim, este prejuízo transformou-se em superstição e lançou profundas raízes nas mentes.
 
* Filósofo, também conhecido pela grafia Baruch Spinoza ou Benedito Espinoza.
 
 
Fonte da Imagem: https://redhistoria.com/descubre-cual-es-el-dios-del-juego-en-cada-parte-del-mundo/

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

O INFERNO DO IGUAL

Byung-Chul Han: “Hoje o indivíduo se explora e acredita que isso é realização”

 

O filósofo sul-coreano, um destacado dissecador da sociedade do hiperconsumismo, fala sobre suas críticas ao “inferno do igual”

 

Carles Geli
Barcelona - 23 ago 2019 (El País)

As Torres Gêmeas, edifícios idênticos que se refletem mutuamente, um sistema fechado em si mesmo, impondo o igual e excluindo o diferente e que foram alvo de um ataque que abriu um buraco no sistema global do igual. Ou as pessoas praticando binge watching (maratonas de séries), visualizando continuamente só aquilo de que gostam: mais uma vez, multiplicando o igual, nunca o diferente ou o outro... São duas das poderosas imagens utilizadas pelo filósofo sul coreano Byung-Chul Han (Seul, 1959), um dos mais reconhecidos dissecadores dos males que acometem a sociedade hiperconsumista e neoliberal depois da queda do Muro de Berlim. Livros como A Sociedade do Cansaço, Psicopolítica e A Expulsão do Diferente reúnem seu denso discurso intelectual, que ele desenvolve sempre em rede: conecta tudo, como faz com suas mãos muito abertas, de dedos longos que se juntam enquanto ajeita um curto rabo de cavalo.

“No 1984 orwelliano a sociedade era consciente de que estava sendo dominada; hoje não temos nem essa consciência de dominação”, alertou em sua palestra no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), na Espanha, onde o professor formado e radicado na Alemanha falou sobre a expulsão da diferença. E expôs sua particular visão de mundo, construída a partir da tese de que os indivíduos hoje se autoexploram e têm pavor do outro, do diferente. Vivendo, assim, “no deserto, ou no inferno, do igual”.

Autenticidade. Para Han, as pessoas se vendem como autênticas porque “todos querem ser diferentes uns dos outros”, o que força a “produzir a si mesmo”. E é impossível ser verdadeiramente diferente hoje porque “nessa vontade de ser diferente prossegue o igual”. Resultado: o sistema só permite que existam “diferenças comercializáveis”.

Autoexploração. Na opinião do filósofo, passou-se do “dever fazer” para o “poder fazer”. “Vive-se com a angústia de não estar fazendo tudo o que poderia ser feito”, e se você não é um vencedor, a culpa é sua. “Hoje a pessoa explora a si mesma achando que está se realizando; é a lógica traiçoeira do neoliberalismo que culmina na síndrome de burnout”. E a consequência: “Não há mais contra quem direcionar a revolução, a repressão não vem mais dos outros”. É “a alienação de si mesmo”, que no físico se traduz em anorexias ou em compulsão alimentar ou no consumo exagerado de produtos ou entretenimento.

‘Big data’.”Os macrodados tornam supérfluo o pensamento porque se tudo é quantificável, tudo é igual... Estamos em pleno dataísmo: o homem não é mais soberano de si mesmo, mas resultado de uma operação algorítmica que o domina sem que ele perceba; vemos isso na China com a concessão de vistos segundo os dados geridos pelo Estado ou na técnica do reconhecimento facial”. A revolta implicaria em deixar de compartilhar dados ou sair das redes sociais? “Não podemos nos recusar a fornecê-los: uma serra também pode cortar cabeças... É preciso ajustar o sistema: o ebook foi feito para que eu o leia, não para que eu seja lido através de algoritmos... Ou será que o algoritmo agora fará o homem? Nos Estados Unidos vimos a influência do Facebook nas eleições... Precisamos de uma carta digital que recupere a dignidade humana e pensar em uma renda básica para as profissões que serão devoradas pelas novas tecnologias”.

Comunicação. “Sem a presença do outro, a comunicação degenera em um intercâmbio de informação: as relações são substituídas pelas conexões, e assim só se conecta com o igual; a comunicação digital é somente visual, perdemos todos os sentidos; vivemos uma fase em que a comunicação está debilitada como nunca: a comunicação global e dos likes só tolera os mais iguais; o igual não dói!”.

Jardim. “Eu sou diferente; estou cercado de aparelhos analógicos: tive dois pianos de 400 quilos e por três anos cultivei um jardim secreto que me deu contato com a realidade: cores, aromas, sensações... Permitiu-me perceber a alteridade da terra: a terra tinha peso, fazia tudo com as mãos; o digital não pesa, não tem cheiro, não opõe resistência, você passa um dedo e pronto... É a abolição da realidade; meu próximo livro será esse: Elogio da Terra. O Jardim Secreto. A terra é mais do que dígitos e números.

Narcisismo. Han afirma que “ser observado hoje é um aspecto central do ser no mundo”. O problema reside no fato de que “o narcisista é cego na hora de ver o outro” e, sem esse outro, “não se pode produzir o sentimento de autoestima”. O narcisismo teria chegado também àquela que deveria ser uma panaceia, a arte: “Degenerou em narcisismo, está ao serviço do consumo, pagam-se quantias injustificadas por ela, já é vítima do sistema; se fosse alheia ao sistema, seria uma narrativa nova, mas não é”.

Os outros. Esta é a chave para suas reflexões mais recentes. “Quanto mais iguais são as pessoas, mais aumenta a produção; essa é a lógica atual; o capital precisa que todos sejamos iguais, até mesmo os turistas; o neoliberalismo não funcionaria se as pessoas fossem diferentes”. Por isso propõe “retornar ao animal original, que não consome nem se comunica de forma desenfreada; não tenho soluções concretas, mas talvez o sistema acabe desmoronando por si mesmo... Em todo caso, vivemos uma época de conformismo radical: a universidade tem clientes e só cria trabalhadores, não forma espiritualmente; o mundo está no limite de sua capacidade; talvez assim chegue a um curto-circuito e recuperemos aquele animal original”.

Refugiados. Han é muito claro: com o atual sistema neoliberal “não se sente preocupação, medo ou aversão pelos refugiados, na verdade são vistos como um peso, com ressentimento ou inveja”; a prova é que logo o mundo ocidental vai veranear em seus países.

Tempo. É preciso revolucionar o uso do tempo, afirma o filósofo, professor em Berlim. “A aceleração atual diminui a capacidade de permanecer: precisamos de um tempo próprio que o sistema produtivo não nos deixa ter; necessitamos de um tempo livre, que significa ficar parado, sem nada produtivo a fazer, mas que não deve ser confundido com um tempo de recuperação para continuar trabalhando; o tempo trabalhado é tempo perdido, não é um tempo para nós”.


Fonte da Imagem: https://static.businessinsider.com/image/5c1c08b00df17636254638ed

sábado, 3 de janeiro de 2015

O GOVERNO DO RS E A FILOSOFIA DO BODE NA SALA




Fonte da Imagem: http://images.fineartamerica.com/images-medium-large/cheeky-goat-poking-out-tongue-rebecca-hamby.jpg

Diz o conto antigo que em uma aldeia distante um "pai de família", João, criador de bodes, procurou o ancião líder do lugar e relatou, solicitando conselhos, que estava tendo muitos e enormes problemas em sua casa: a esposa gastava demais, o filho não estudava suficientemente e a filha somente pensava em namorar.

O ancião ordenou a João que, frente a tantos problemas, pegasse o bode de maior porte de sua criação e o amarrasse na sala da residência familiar por sete dias e, após, o procurasse novamente.

Após os sete dias estipulados, João procura o ancião, conforme o combinado. O ancião então lhe pergunta como está a situação e João desabafa contando que tudo está um caos. É a pior fase da vida da família, pois o bode ocupa todo o espaço da sala, cheira muito mal, defeca e urina no chão. Enfim, a família passa por um momento terrível.

O ancião, então, ordena que o bode seja retirado da sala e que João retorne novamente depois de uma semana.

João, ao retornar, está muito feliz e satisfeito, pois todos aqueles grandes problemas pelos quais a família passava antes da primeira visita ao ancião tinham sumido, ou seja, a esposa até que estava sendo econômica, o filho havia passado de ano na escola e a filha estava de casamento marcado.

Ontem, 02 de janeiro de 2015, o Governo do Estado do RS colocou o bode na sala.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Fábula: EL GATO Y EL PAJARITO

Trabalho de Michael Bridges: "Observador de Pássaros".

Thomas Moro Simpson · · · · ·  
 
Un pajarito y un gato,
sobre una rama florida,
dejando pasar la vida
conversan desde hace rato.


Dice el gato con pesar:
“¿Cómo saldré yo de aquí?
“Es triste seguir así,
y no sé cómo bajar.”


“Es que sos muy indeciso”,
terció el ave con desdén;
“Si movés las alas bien
llegarás muy pronto al piso”.


El gato maulló, perplejo:
“no tengo alas”, respondió.
El pajarito calló
y luego le dió un consejo:


“Con tu enfoque negativo
¿adónde vas a parar?
¡Tenés miedo de volar!
¡Te creí más constructivo!”


“Vuela el que quiere –añadió-,
y perdoname que insista:
¡Vos sí que sos derrotista!
¡Mirá cómo vuelo yo!”


Thomas Moro Simpson (Buenos Aires, 1929) es el filósofo argentino más importante y creativo de su generación.

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terça-feira, 22 de março de 2011

PSD, O "NOVO" PARTIDO



O Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, lançou oficialmente ontem seu novo partido, o PSD (Partido Social Democrático).

Ele declarou, no lançamento, que seu partido não será de direita nem de esquerda e apoiará a Presidenta Dilma e o Governador Alckmin, de São Paulo.

Kassab disse também querer contar, no seu novíssimo partido, com Kátia Abreu (também conhecida como Kátia Motosserra) e com Índio da Costa (candidato a Vice na chapa de Serra na última eleição).

Abaixo estão os três principais pontos do Estatuto do PSD:


Como todos sabem, e eu captei na Wikipedia, o existencialismo foi inspirado nas obras de Arthur Schopenhauer, Søren Kierkegaard, Fiódor Dostoiévski e nos filósofos alemães Friedrich Nietzsche, Edmund Husserl e Martin Heidegger, e foi particularmente popularizado em meados do século XX pelas obras do escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre e de sua companheira, a escritora e filósofa Simone de Beauvoir. Os mais importantes princípios do movimento são expostos no livro de Sartre "L'Existentialisme est un humanisme" ("O existencialismo é um humanismo"). O termo existencialismo foi adotado apesar de existência filosófica ter sido usado inicialmente por Karl Jaspers, da mesma tradição.

Ou seja, finalmente teremos um partido que tem como um dos três principais objetivos fazer essa importante transição, do existencialismo para o pós-existencialismo.

Tudo a ver com os dois outros pontos principais do seu Estatuto.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

¡ LA VIDA DEBERÍA SER AL REVÉS!

Se debería empezar muriendo y así ese trauma quedaría superado.

 Luego te despiertas en un Hogar de ancianos mejorando día a día.
 Después te echan de la Residencia porque estás bien y lo primero que haces es cobrar tu pensión.
 Luego, en tu primer día de trabajo te dan un reloj de oro.
 Trabajas 40 años hasta que seas bastante joven como para disfrutar del  retiro de la vida laboral.
 Entonces vas de fiesta en fiesta, bebes, practicas el sexo, no tienes problemas graves y te preparas para empezar a estudiar.
 Luego empiezas el cole, jugando con tus amigos, sin ningún tipo de obligación, hasta que seas bebé.
 Y los últimos 9 meses te pasas flotando tranquilo, con calefacción central, roomservice, etc. etc.

 Y al final... ¡Abandonas este mundo en un orgasmo!
 
Quino 

quarta-feira, 19 de maio de 2010

FRASES


''Vou ficar uma jaguatirica''

Marina Silva


''Indicação de Temer não vale dois mil réis''

Pedro Simon


Comentário do Blog: Caso o Senador fosse o indicado, certamente essa indicação valeria bem mais. Talvez até 30 moedas de prata. Não sei como está a cotação de jaguatiricas porém, se fosse o caso, poderia até comprar uma com esse dinheiro. Não que seja necessário fazer isso.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A IGREJA SE DEFENDE ATACANDO


Frases de Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto alegre, proferidas em 4 de abril de 2010, na 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB):


“Antigamente não se falava em homossexual. Quando começa a (dizer) que eles têm direitos, direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos”



“A sociedade atual é pedófila, esse é o problema. Então, facilmente as pessoas caem nisso. E o fato de denunciar isso é um bom sinal”.



“Nós sabemos que o adolescente é espontaneamente homossexual. Só depois, se não houve uma boa orientação, isso se fixa”



Leia mais AQUI.

quinta-feira, 5 de março de 2009

DESTRUIÇÃO DA NATUREZA


Texto do Filósofo Bento de Espinosa (1632-77):*
As pessoas encontram em si e fora delas bastante coisas que são meios que contribuem não pouco para que alcancem o que lhes é útil, por exemplo, olhos para ver, dentes para mastigar, vegetais e animais para alimentação, sol para iluminar, mar para sustento de peixes. São levadas a considerar todas as coisas da Natureza como meios para a sua utilidade pessoal. E porque sabem que tais meios foram por elas achados e não dispostos, daqui tiraram motivo para acreditar na existência de outrem que os dispôs para que os utilizassem.

Com efeito, depois de haverem considerado as coisas como meios, não podiam acreditar que elas se criassem a si mesmas, e dos meios que costumam dispor para seu uso próprio foram levados a tirar a conclusão de que houve alguém ou alguns regentes da Natureza, dotados como os homens de liberdade, e que cuidaram em tudo que lhes dissesse respeito e para sua utilidade fizeram todas as coisas.

Quanto à compleição destes seres, como nunca ouviram falar nada a tal respeito, também foram levados a julgá-la pela que em si notaram.

Daqui, haverem estabelecido que os deuses ordenaram tudo o que existe para uso humano, a fim dos homens lhes ficarem cativos e de serem tidos em suma honra; donde o fato de haverem excogitado, conforme a própria compleição, diversas maneiras de se render culto a Deus, para que Deus os estime acima dos outros e dirija a Natureza inteira em proveito da sua cega apetição e insaciável avareza.

Assim, este prejuízo transformou-se em superstição e lançou profundas raízes nas mentes.

*Extraído da biografia "ESPINOSA VIDA E OBRA", de Steven Nadler, Publicações Europa-América.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

MARX REVISITADO

Karl Marx, o autor mais revisitado após a crise financeira:

Karl Marx

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de 1883) foi fundador de uma das grandes teorias que iria influenciar os séculos dezenove e vinte, intelectual alemão, economista, sendo considerado um dos fundadores da Sociologia e militante da Primeira e Segunda Internacional.

Também é possível encontrar a influência de Marx em várias outras áreas, tais como: Filosofia e História. Teve participação como intelectual e como revolucionário no movimento operário, escrevendo o Manifesto Comunista.

Atualmente é bastante difícil analisar a sociedade humana sem se referenciar, em maior ou menor grau, à produção de Karl Marx, apesar da polêmica causada por suas afirmações.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

De ponta-cabeça


Conheça a simplicidade voluntária, um estilo de vida que perverte velhos conceitos, e descubra de uma vez por todas como simplificar sua vida

por Priscilla Santos

Você deve ter passado a vida inteira ouvindo a expressão: tempo é dinheiro. Como se cada segundo desperdiçado equivalesse a moedas indo pelo espaço. Também deve ter escutado aos montes sobre a sociedade materialista e seus supostos males à humanidade. Agora, suponhamos que tudo isso virasse de cabeça para baixo. Dinheiro é tempo o tempo que você gasta para ganhá-lo. E materialismo pode ser bom desde que você entenda como materialista aquela pessoa que valoriza tanto os bens materiais, mas tanto mesmo, que aproveita tudo o que pode deles, e, por isso mesmo, não precisa de muito para se satisfazer. Essas remexidas em velhos conceitos são algumas das propostas da simplicidade voluntária, um estilo de vida que passou a se propagar nos Estados Unidos nos anos 70, em resposta à sociedade de consumo, ganhou ecos em países como Canadá e França e, devagarzinho, chega ao Brasil. Pesquisas estimam que, nos Estados Unidos, cerca de 20 milhões de pessoas, 10% da população, estejam optando por uma vida materialmente mais comedida, pautada na convivência com a família, os amigos e a comunidade e no respeito à natureza, no sentido de fazer o máximo para preservar seus recursos. Uma maneira de viver que é exteriormente mais simples e interiormente mais rica, diz o escritor norteamericano Duane Elgin em seu livro Simplicidade Voluntária. O título do livro, lançado em 1981, deu nome a essa forma de viver.

A expressão simplicidade voluntária deixa claro que ter uma vida mais simples é questão de escolha, de estarmos mais conscientes do que queremos, de quais são os propósitos da nossa vida. E esclarece: não se deve confundir simplicidade com pobreza. Simplicidade é escolha, pobreza não. Simplicidade tampouco tem a ver com negar a tecnologia afinal, ela é muito útil. E muito menos significa mudar-se para uma cabana na floresta. A idéia é simplificar a vida onde se está, com o que se tem - e a maior parte das pessoas que já fazem isso vive nas cidades.

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