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quarta-feira, 6 de março de 2013

O esgotamento da monarquia papal



"Conceder novamente todo o seu lugar à colegialidade, tão sonhada pelo Vaticano II, seja talvez, hoje, a única maneira de reconstruir a unidade da Igreja romana e de refundar a primazia do bispo de Roma como garante da comunhão das igrejas locais. Requer, como pré-requisito, que o Papa deixe de ser o único bispo na Igreja”, escreve Danièle Hervieu-Léger.*

A maioria dos analistas trata a renúncia de Bento XVI como de uma “guinada histórica” para a Igreja romana. Segundo o ponto de vista tomado, destaca-se a “dessacralização” da função papal que levou à decisão muito humana que consiste, para um Papa, em renunciar. Ou, ao contrário, acentua-se a sabedoria de um Pontífice suficientemente humilde e responsável para reconhecer que não tem mais as energias necessárias para arcar com os compromissos relativos ao cargo. Para além dessas avaliações contraditórias, não há nenhuma dúvida de que a inesperada decisão de Bento XVI colocou à Igreja Católica, sem escapatória possível, a questão da sua governabilidade.

Atualmente, a pergunta surge em plena luz do dia, mas seria redutor limitar o escopo da questão exclusivamente à decisão de um papa idoso, cansado e oprimido pelas perturbações que marcaram seu reinado. Origina-se, de fato, a partir do momento em que a Igreja, rompendo com o fechamento intransigente para o qual a levou sua rejeição definitiva do novo mundo da Revolução Francesa, escolheu entrar em diálogo com um mundo para o qual ela queria dirigir uma mensagem de sentido. Este ponto de viragem, operado no Concílio Vaticano II, não significava a aceitação dos ideais da modernidade. Mas implicava uma consideração positiva das aspirações e expectativas de uma sociedade que a instituição romana sabia não mais ser capaz de reunir sob sua tutela espiritual direta.

O sonho intransigente da reconquista católica do mundo, liderado por uma Igreja pensada como um exército reunido atrás de seu chefe, governou, durante um século, a visão que a instituição romana tinha de si mesma. Substituindo este sonho ideal de um testemunho evangélico fixado por uma Igreja definida como “Povo de Deus”, o Concílio reabilitou, ao mesmo tempo, as fontes colegial e sinodal da autoridade na Igreja. Neste novo modelo de eclesialidade, cada Igreja local, cada comunidade, foi chamada a encontrar os meios para este testemunho nas condições concretas da sua inserção social, sob a responsabilidade de seu bispo, no seio de uma comunhão da que o bispo de Roma foi e deve continuar a ser o garante.

A furiosa polarização que jogou um contra o outro o campo daqueles que se comprometem com entusiasmo neste novo caminho e o daqueles que queriam impor o modelo hierárquico e exclusivamente pessoal do poder suposto conforme a “Igreja eterna”, matou em germe a colocação em prática a intuição central do Concílio relativa à gestão da autoridade. Paulo VI – que condenou com o mesmo rigor a deriva integrista e as experiências das comunidades de base inspiradas na Teologia da Libertação – usou seu pontificado para tentar evitar a desagregação da instituição, sem chegar a dar ao modelo conciliar a base organizacional que poderia ter dado corpo ao ideal renovado de uma comunhão eclesial compatível com o reconhecimento do pluralismo da instituição.

A inércia das estruturas romanas foi, provavelmente, tão pesada quanto o foram as pusilanimidades teológicas no desajustamento crescente entre o aparelho eclesial, as expectativas diversas e contraditórias das comunidades e a realidade de um mundo arrastado, em grande velocidade, pela espiral de mudanças que, em todas as frentes, questiona a Igreja, seu discurso, suas normas, sua organização e suas práticas da autoridade.

A figura de um papa monarca governante e no topo de um corpo eclesial supostamente homogêneo foi arrastada por este mesmo movimento. Tornou-se impossível, desde a cúpula romana, manter todos os filhos de uma Igreja confrontada ao mesmo tempo com o secularismo crescente no mundo ocidental, com a crescente disparidade de situações das igrejas nacionais e com o choque da concorrência religiosa em escala global. Tornou-se cada vez menos plausível compensar, com uma centralização ideológica e disciplinar reforçada, a disseminação de comunidades livres da armadura de uma civilização paroquial definitivamente moribunda.

As redistribuições da divisão do trabalho religioso, motivadas pela diminuição do corpo clerical e pela autonomização dos indivíduos crentes levados a fazer prevalecer sua preocupação com a autenticidade pessoal sobre as exigências institucionais da conformidade, fizeram o resto. A morte do Papa João Paulo I, esmagado pela carga após algumas semanas de pontificado, pode ser lida, deste ponto de vista, como uma espécie de parábola. “A Igreja, escreveu Michel de Certeau, era um corpo, mas tornou-se um corpus”.

Os dois últimos papas, cada um à sua maneira, empenharam-se em afastar o risco das desfiliações que mina o corpo eclesial. Mas eles o fizeram, um e outro, trabalhando em prol da legitimação da centralidade papal, fora da qual nenhum dos dois era capaz de pensar a unidade da Igreja.

João Paulo II, dotado de uma personalidade flamejante e de uma história pessoal fora do comum, exerceu sem freios o lado carismático da sua função. Ele fortaleceu, através de viagens e grandes concentrações, uma Igreja reunida pela adesão emocional dos fiéis à pessoa de um guia capaz de converter a marginalização cultural do discurso católico em audácia profética.

Dos apelos para abandonar qualquer medo, que marcaram o início de sua pregação, até o testemunho mudo do abandono no final da sua vida, o Papa polonês apoiou a mobilização emocional de uma Igreja atormentada pela dúvida, ao mesmo tempo que pavimentava, no campo doutrinal e disciplinar, as bases das certezas que ele se encarregou de defender contra a crescente onda de “relativismo” considerado deletério.

O endosso do sentimento de pertença trouxe, indiscutivelmente, frutos para as fileiras dos fiéis católicos trabalhados pelas incertezas do tempo. Ele não conquistou ou reconquistou para a Igreja aqueles que já se encontravam aí. E ela, silenciosamente, afastou todos aqueles que aspiravam a fazer valer, no interior mesmo desse mundo de incertezas, não a última palavra de uma resposta católica, mas a fragilidade de um questionamento cristão.

Com o risco de uma comparação pouco favorável para ele, com a força do arrebatamento e do brio midiático de seu predecessor, Bento XVI consagrou seus esforços, não sem grandeza, à reabilitação racional do discurso cristão na cultura contemporânea. Falou-se muito sobre o seu investimento teológico como de um indicador de sua dificuldade de endossar a função papal. Podemos pensar, ao contrário, que ele não procurou menos que João Paulo II reforçá-la. Mas ele o faz no terreno que era o seu: o do ensino. Um terreno que, in fine, o deixou sozinho.

A lógica comum às duas trajetórias esclarece o fim diferente que cada um conheceu. Ir até o final das suas forças foi, para o papa carismático emudecido, uma maneira de se referir à desproporção humana da tarefa que lhe foi atribuída. Optar por renunciar é, para o papa-doutor, a expressão racional da constatação de um fracasso. Diante dos desafios do pluralismo interno e externo que desqualifica o sistema centralizado e monárquico do poder romano, nenhuma ajuda vinda do alto pode reconstruir a Igreja como um corpo.

Conceder novamente todo o seu lugar à colegialidade, tão sonhada pelo Vaticano II, seja talvez, hoje, a única maneira de reconstruir a unidade da Igreja romana e de refundar a primazia do bispo de Roma como garante da comunhão das igrejas locais. Requer, como pré-requisito, que o Papa deixe de ser o único bispo na Igreja.

Danièle Hervieu-Léger, Le Monde, 28-02-2013.

*Danièle Hervieu-Léger é socióloga, Diretora de estudos da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), dirigiu, de 1993 a 2004, o Centro de Estudos Interdisciplinares dos Fatos Religiosos (CNRS/EHESS). Presidiu o EHESS de 2004 a 2009. É autora de vasta obra.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O PAPA NÃO É MAIS POP

O legado do renunciante no Brasil

O evento mais midiático da visita do papa Bento XVI ao Brasil em 2007 foi a beatificação de um franciscano que enfrentou o poder secular na defesa de um soldado negro condenado à forca. E o de menor interesse público foi a assinatura do acordo para que o Estado brasileiro e a Santa Sé formulassem o estatuto jurídico da igreja católica no país.

 

Bento XVI havia sido sagrado dois anos antes e, nesse pequeno extrato de seu papado, foi capaz de traduzir a missão política de que se investira.
Com a beatificação de Frei Galvão dispunha-se a mostrar que a "opção preferencial pelos pobres" não poderia ser reinvindicada exclusivamente pela banda do clero, em baixa no Vaticano, que, anos atrás, havia se irmanado com movimentos sociais para o surgimento do PT do presidente da República.
Igreja protegeu bens contra ações trabalhistas
Mas se a beatificação conferiu simbolismo à visita política de um teólogo, o capítulo mais substancioso de sua passagem foi a assinatura do acordo negociado por 17 anos entre os dois Estados.
O acordo, que acabaria virando estatuto ao final do segundo mandato Luiz Inácio Lula da Silva, não vai além do que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação prevê para o ensino religioso nem inibe a possibilidade de, um dia, o Estado descriminalizar o aborto.
A maior vitória da igreja com o texto foi a inclusão de um artigo que prevê o trabalho voluntário, sem vínculo empregatício, de leigos, padres e freiras que trabalham em instituições católicas. É nas ordens religiosas e não nas paróquias que está a maior fonte de renda da igreja. São os hospitais, escolas e imóveis dessas ordens que se viram crescentemente ameaçados pelas reclamações trabalhistas tanto de leigos quanto de padres e freiras que abandonam o hábito.
Além de um gesto de boa vontade com a Santa Sé, o governo petista agradava o comando da CNBB, de hegemonia conservadora à época e com a qual comungavam bispos como o então cardeal do Rio, d. Eusébio Scheidt, responsável pela desastrada definição do presidente: "Lula não é católico, é caótico".
Oito meses depois de promulgado o estatuto e três dias antes do segundo turno da tumultuada sucessão presidencial de 2010 o papa recebeu uma comitiva de bispos brasileiros que saíram do Vaticano com um recado para os eleitores. Não deveriam votar em candidatos que defendessem o aborto, mesma pregação do postulante do PSDB à Presidência, José Serra.
Além de ter tido fôlego curto na garantia de boas relações entre o petismo e a Santa Sé, o acordo indispôs um governo de extrato trabalhista com os movimentos sociais que abastecem de mão de obra as pastorais sociais da igreja.
Colaborou ainda para o azedume das relações entre o governo brasileiro e a cúpula eclesiástica a prosperidade dos negócios pentecostais sob o governo petista. A questão que mais parece pôr em xeque o papel da igreja na conjuntura, no entanto, é a perda de audiência católica em entre aqueles que passaram a consumir mais, seja pela ampliação do emprego e dos programas sociais, seja pela disputa com denominações mais identificadas com o ideário da prosperidade.
Se essa perda de fieis ainda não ameaça a condição de maior país católico do mundo tampouco colabora para aumentar o peso do episcopado brasileiro nos rumos de um papado voltado para a reevangelização do catolicismo europeu que Bento XVI sempre creu superior.
Pela frequência com que tem se pronunciado desde que anunciou sua renúncia, Bento XVI chegará a 28 de fevereiro, dia em que descalcará seus múleos vermelhos, como um cabo eleitoral de seu sucessor mais poderoso do que se exercesse o cargo vitalício até o fim, tolhido que parecia estar pelas intrigas da Cúria relatadas pelos mais eminentes especialistas em Vaticano.
Na homilia que deu início à quaresma pediu o fim das divisões do corpo eclesial. Como se quisesse deixar claro que o fim dessas divisões não deveria significar a prevalência de tendências mais modernizantes do catolicismo, reuniu os padres de Roma ontem e reafirmou suas críticas a leituras do Concílio Vaticano II, que "banalizaram a liturgia em nome da soberania popular".
Essas leituras criticadas pelo papa viram no concílio o início de uma maior abertura da igreja ao ecumenismo, ao diálogo com a ciência e à solidariedade com o mundo subdesenvolvido.
A maioria dos 117 cardeais que votarão no próximo conclave foi escolhida por Bento XVI e por João Paulo II, cujo papado foi fortemente influenciado pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que o sucederia.
Não se deve esperar deste conclave, portanto, uma guinada teológica. Mas a renúncia expôs as disputas mais terrenas que pressionarão o cardinalato a sinalizar punições a crimes de sexo e dinheiro. Na homilia da quaresma Bento XVI fez uma menção sutil ao condenar a "hipocrisia religiosa, o comportamento dos que querem aparentar, as atitudes que buscam os aplausos e a aprovação".
A resistência dos últimos oito anos de papado em punir bispos omissos em relação aos crimes sexuais cometidos pelos padres de suas paróquias não recebeu, de fato, aplausos nem aprovação.
A rede de sobreviventes de abusos de padres, uma ativa organização sediada nos Estados Unidos, já listou três cardeais indesejáveis - de Nova York, Tegucigalpa e Cidade do México - por serem os maiores críticos à cobertura da imprensa sobre o tema.
Na outra frente de problemas, de punição ainda mais escassa, a corrupção no Instituto para as Obras do Vaticano revela um papa imobilizado pelas intrigas da Cúria e refém de interesses que passam pela lavagem de dinheiro da máfia, de políticos e construtoras, como denunciou seu último dirigente ao demitir-se no ano passado.
Não são problemas novos mas que, nos últimos oito anos, apenas se agravaram, pondo em xeque o legado da superioridade moral da igreja católica, tão caro ao papa que se vai.
Maria Cristina Fernandes é editora de Política.

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terça-feira, 12 de junho de 2012

IGREJA CATÓLICA EM CRISE

Condenação de teólogos e teólogas: nenhuma surpresa nestes tempos. 

Charles Curran

Humanitas

O Papa e o Vaticano estão cada vez mais defendendo a ideia de uma Igreja remanescente – uma Igreja pequena e pura que se vê muitas vezes em oposição ao mundo ao seu redor. Parece como se as autoridades da Igreja não estão nada preocupadas com aqueles que deixam a Igreja. Qualquer outra organização tomaria medidas fortes para remediar a perda de um terço de seus membros.

A opinião é do teólogo norte-americano Charles E. Curran, professor da cátedra Elizabeth Scurlock de Ética Cristã da Southern Methodist University. O artigo foi publicado no sítio do jornal National Catholic Reporter, 06-06-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A condenação por parte da Congregação para a Doutrina da Fé ao premiado livro da Ir. Margaret Farley, das Irmãs da Misericórdia, Just Love: A Framework for Christian Sexual Ethics, não é nenhuma surpresa. A Congregação insiste que o livro "não pode ser usado como uma expressão válida da doutrina católica" porque discorda do magistério hierárquico sobre masturbação, atos homossexuais, uniões homossexuais, indissolubilidade do casamento, divórcio e segundo casamento.

Há uma longa lista de teólogos morais católicos cujas obras sobre ética sexual, em um veio semelhante, foram condenados ou censurados pela Congregação para a Doutrina da Fé ao longo dos últimos 40 anos. O Papa João Paulo II escreveu a sua encíclica Veritatis splendor, em 1993, por causa da discrepância entre o ensino oficial da Igreja sobre questões morais e o ensino de alguns teólogos morais, até mesmo nos seminários. Segundo o papa, a Igreja está "enfrentando o que certamente é uma crise genuína, que não se trata já de contestações parciais e ocasionais, mas de uma discussão global e sistemática do patrimônio moral".

Todos têm que reconhecer que há uma crise real como essa na Igreja hoje. Mas a crise não é apenas uma crise na teologia moral: ela envolve uma crise na Igreja como um todo e na nossa própria compreensão da Igreja Católica. De acordo com o respeitado Pew Forum on Religion & Public Life, uma em cada três pessoas que foram educadas como católicas romanas nos Estados Unidos já não é mais católica. A segunda maior "denominação" nos EUA é de ex-católicos. Uma em cada 10 pessoas nos EUA é ex-católica. Todos nós temos experiência pessoal daqueles que deixaram a Igreja por causa do ensino sobre questões sexuais. Questões relacionadas, incluindo o papel das mulheres na Igreja, o celibato para o clero e o fracasso das lideranças eclesiais em lidar com o escândalo dos abusos infantis e o seu encobrimento, também foram reconhecidas como razões pelas quais muitas pessoas abandonaram a Igreja Católica.

A reação de papas e bispos até teólogos morais revisionistas é apenas uma parte de uma realidade crescente em nossa Igreja hoje. Há uma ladainha de outras ações similares tomadas pelo Vaticano – as restrições impostas à Leadership Conference of Women Religious (LCWR); o controle sobre as atividades da Caritas Internationalis, a agência da Igreja dedicada à ajuda aos pobres; a reação muito negativa das associações de padres na Áustria e na Irlanda; a remoção de Dom William Morris, bispo de Toowoomba, na Austrália, por ter meramente incentivado a discussão sobre o celibato e o papel das mulheres; a nomeação apenas de clérigos muito seguros como bispos etc. E a lista continua.

O que está acontecendo aqui é que o papa e o Vaticano estão cada vez mais defendendo a ideia de uma Igreja remanescente – uma Igreja pequena e pura que se vê muitas vezes em oposição ao mundo ao seu redor. Parece como se as autoridades da Igreja não estão nada preocupadas com aqueles que deixam a Igreja. Qualquer outra organização tomaria medidas fortes para remediar a perda de um terço de seus membros. Mas a Igreja remanescente se vê como uma Igreja forte de fiéis verdadeiros e, portanto, não está preocupada com essas partidas.

Esse conceito de Igreja opõe-se à melhor compreensão da Igreja Católica. A palavra "católico", em sua própria definição, significa grande e universal. A Igreja abraça tanto santos e pecadores, ricos e pobres, homens e mulheres, e conservadores e liberais políticos. Sim, há limites para o que significa ser católico, mas a compreensão de "católico" com "c" minúsculo insiste na necessidade de ser o mais inclusivo possível. Muitos de nós ficaram profundamente impressionados com os gestos do Papa Bento XVI no início do seu papado, ao ir ao encontro em diálogo com Hans Küng e de Dom Bernard Fellay, chefe do grupo originalmente fundado pelo arcebispo Marcel Lefebvre. Infelizmente, hoje, o diálogo ainda está em andamento com Dom Fellay, mas não com Hans Küng.

O problema básico de tudo isso é a compreensão e o papel da autoridade na Igreja Católica. Essa questão é muito vasta e complicada para ser discutida aqui com detalhes, mas três pontos deveriam orientar qualquer consideração sobre a autoridade na Igreja.

Primeiro, a principal autoridade na Igreja é o Espírito Santo, que fala de diversas maneiras; e todos os outros na Igreja, incluindo os detentores de cargos, devem se esforçar para ouvir e discernir o chamado do Espírito.

Segundo, a Igreja precisa dar corpo à compreensão de Tomás de Aquino de que algo é mandado e ordenado porque é bom, e não o contrário. A autoridade não faz algo certo ou errado. A autoridade deve se conformar ao que é verdadeiro e bom.

Terceiro, o perigo para a autoridade na Igreja é alegar uma certeza muito grande para o seu ensino e propostas. Margaret Farley desenvolveu esse ponto em um ensaio muito significativo, Ethics, Ecclesiology, and the Grace of Self-Doubt [Ética, Eclesiologia, e a Graça da Dúvida de Si]. A pressão por certeza fecha muito facilmente a mente e às vezes também o coração. A graça da dúvida de si permite a humildade epistêmica, condição básica para o discernimento moral comunitário e individual.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O MORDOMO É O CULPADO...

Fonte da imagem AQUI.

ESCÂNDALO NO VATICANO

Na audiência geral na praça de São Pedro, o papa Bento XVI pela primeira vez evocou publicamente o escândalo que abala o Vaticano e que levou na passada quarta-feira à detenção do mordomo, Paolo Gabrielle.

Centenas de documentos confidenciais transmitidos à imprensa italiana desde janeiro, provocaram o chamado escândalo “Vatileaks”, e uma crise no Vaticano.

“Hipóteses completamente gratuitas multiplicaram-se, ampliadas por alguns ‘media’, indo muito além dos factos, transmitindo uma imagem da Santa Sé que não corresponde à realidade», afirmou Bento XVI.

Por seu lado Gianluigi Nuzzi, o jornalista que está na origem da divulgação dos documentos e que publicou um livro, disse que há mais informadores no Vaticano.

“Há um grupo de pessoas, eu posso contar mais de uma dezena seguramente, que decidiram – como dizer… divulgar coisas”, disse o jornalista.

Paolo Gabrielle, foi detido depois de terem sido encontrados documentos confidenciais em sua casa.

A detenção foi anunciada um dia após o presidente do banco do Vaticano, se ter demitido


VATILEAKS

Em janeiro, documentos confidenciais divulgados pela imprensa italiana, - o escândalo batizado como "Vatileaks" - confirmaram as lutas internas para o cumprimento das normas sobre a transparência.

Há um mês, Bento XVI criou uma comissão formada por três cardeais - Julián Herranz, Josef Tomko e Salvatore De Giorgi - para investigar o vazamento reiterada de documentos internos.

A publicação nesta semana de uma série de cartas confidenciais dirigidas ao papa Bento XVI sobre temas delicados, como as intrigas do Vaticano ou os escândalos sexuais do padre mexicano Marcial Macial, em um livro gerou desconcerto e incômodo na Santa Sé.

Para o autor do livro, com o título "Sua santidade, as cartas secretas de Bento XVI", escrito por Gianluigi Nuzzi, autor do bem-sucedido "Vaticano SA" (Vaticano sociedade anônima"), sobre as finanças da Santa Sé, "emergem os confrontos secretos e as armadilhas em todos os níveis" que se espalham nos palácios apostólicos.

Este é mais comprometedor vazamento de documentos na história recente do Vaticano, que, por isso, anunciou ações legais contra o que classificou de "crime".


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Estado laico, personas libres


Francesc de Carreras, para La Vanguardia

La visita del Papa a España ha renovado, como era de esperar, la polémica sobre la laicidad del Estado y sus relaciones con la Iglesia católica. Durante su estancia en Barcelona, algunos grupos se han manifestado en contra del Papa y otros han criticado el trato que las autoridades, tanto estatales como autonómicas y locales, le han dispensado. No obstante, en un balance global, creo que la visita ha discurrido dentro de lo que podríamos denominar normalidad.

Tanto en Santiago como en Barcelona, una gran mayoría de ciudadanos, a tenor de la fría acogida que en sus recorridos por las calles ha tenido el Papa, se han mostrado indiferentes ante su visita. Ello, creo, se corresponde con la creciente secularización de la sociedad española. Asimismo, los grupos que se han manifestado de forma insidiosa en contra han sido muy minoritarios, una muestra de que en España el distanciamiento de la fe religiosa no implica hostilidad, ni a la religión, ni a quienes se declaran creyentes. Por ello han sido muy poco acertadas las palabras del Papa en las que establecía un símil entre la situación española actual y el anticlericalismo de la época de la Segunda República. Alguien le informó mal, muy mal, porque no hay comparación posible. Afortunadamente, la sociedad española, en esta y en otras materias, es infinitamente más abierta y tolerante que entonces.

Por último, las autoridades políticas han acogido al Papa dentro del amplio marco de la función que tienen constitucionalmente asignada. En efecto, el artículo 16.3 de la Constitución establece que "ninguna confesión tendrá carácter estatal". Pero a renglón seguido añade que "los poderes públicos tendrán en cuenta las creencias religiosas de la sociedad española y mantendrán las consiguientes relaciones de cooperación con la Iglesia católica y las demás confesiones". Por tanto, el Estado es laico –o no confesional, no veo diferencias de fondo–, pero debe tener en cuenta las creencias religiosas de la sociedad española, en especial la religión católica, y a tal efecto mantener relaciones de cooperación con las distintas confesiones de forma proporcionada a su significación social. Dado que la religión católica es, con enorme diferencia, la más numerosa, las autoridades se han comportado de acuerdo con este mandato constitucional.

La laicidad es un componente esencial de la idea de democracia. Estado laico y Estado confesional son conceptos antitéticos. En efecto, el Estado confesional es aquel que adopta como propia una determinada creencia, concede privilegios a sus fieles y, por tanto, discrimina a quienes profesan otras religiones o a quienes no profesan religión alguna. El privilegio es, por definición, opuesto a la igualdad y, por tanto, discriminatorio. En un Estado confesional, esa discriminación, tal desigualdad de trato, impide que denominemos ciudadanos a quienes componen su población, ya que la condición de ciudadano presupone la igualdad de derechos. En consecuencia, un Estado confesional no puede ser ni liberal ni democrático, porque vulnera los principios de libertad –al no reconocer el pluralismo que deriva de esta libertad– y de igualdad.

Por el contrario, el Estado laico es imparcial respecto de las diversas creencias precisamente porque, como tal Estado, no profesa creencia alguna. Se puede objetar que los valores en que se basa el Estado de derecho, básicamente la libertad y la igualdad, son también creencias cuya naturaleza no es distinta a las de cualquier religión. Por tanto, si admitimos esta objeción, nuestros estados constitucionales son también confesionales aunque basados en una creencia distinta a la religiosa pero creencia al fin: que todos los hombres son libres e iguales.

Esta conclusión sería aceptable si no tuviéramos en cuenta el valor democracia, es decir, si no consideráramos al poder político como expresión de la voluntad de los ciudadanos. Como ya sostuvo Rousseau, obedecer al Estado democrático o, lo que es lo mismo, obedecer las leyes democráticas, es una forma de obedecernos a nosotros mismos, ya que precisamente somos nosotros quienes hemos aprobado estas leyes; en definitiva, la obediencia a la ley democrática es un presupuesto necesario para el ejercicio de nuestra libertad, de la libertad individual igual para todos. Por tanto, en un Estado de derecho liberal y democrático no puede haber una creencia externa a nosotros que pueda imponerse contra nuestra voluntad –como sería el caso de una religión oficial en un Estado confesional–, sino que la finalidad de este Estado, que nos hemos dado nosotros mismos mediante un implícito contrato mutuo, es hacer posible, en la misma medida para todos, el libre ejercicio de nuestra voluntad.

Laicidad y democracia son, en consecuencia, indisociables. Por definición, toda democracia es laica. Y como no hay democracia sin libertades individuales, en un Estado laico, no confesional, cualquiera puede practicar la religión que desee mientras esta actividad no vulnere la ley. El Estado es laico, las personas son libres.

domingo, 7 de novembro de 2010

O PAPA NÃO É MAIS POP

La visita del Papa a Santiago no cumple las expectativas de público

El País

El Gobierno gallego ha invertido unos tres millones de euros con la convicción de que Galicia iba a convertirse hoy en el centro de la atención mundial, pero horas después, es la decepción de comerciantes, hosteleros y fieles la que inunda Santiago.

 

6.000 policías. Horario de 24 horas para los bares. Tiendas de souvenirs abiertas desde las siete de la mañana. Santiago ha amanecido preparado para recibir al aluvión de 200.000 católicos anunciado por la Xunta y el Ayuntamiento para ver y escuchar al Papa. El Gobierno gallego ha invertido unos tres millones de euros de dinero público con la convicción de que Galicia iba a convertirse hoy en el centro de la atención mundial. Pocas horas después, es la decepción de comerciantes, hosteleros y fieles la que se traslada en masa por las calles de la capital gallega.

 

Desde primera hora, los accesos a la ciudad han estado semidesiertos, sólo unos 300 de los 1.200 autobuses previstos habían llegado al mediodía a los macroaparcamientos habilitados para la ocasión, según fuentes de Protección Civil. "Los únicos que me han comprado recuerdos de la visita son unos policías sevillanos y unos bomberos de Barcelona. Los peregrinos se han asustado", cuenta Óscar, encargado de la tienda Recordos A Rúa, en el centro histórico de la ciudad y a unos cuantos metros de la plaza del Obradoiro, la zona cero de los pomposos actos organizados por la comisión especial creada por la Xunta para este "acontecimiento histórico". Joseph Ratzinger estaba a punto de aterrizar, y las expectativas de negocio alimentadas desde que hace unos meses anunció su visita se han esfumado.

Diego Pérez, sacerdote del Opus Dei de la diócesis de Tui-Vigo, subraya que lo importante es lo que va a decir el jefe de la Iglesia católica. "No ha venido para que los políticos tengan un rédito electoral". Minutos después, una veintena de personas está parada en el parque de la Alameda ante una de las siete pantallas gigantes instaladas en la ciudad para atender a las masas de creyentes deseosas de no perderse el mensaje de su líder. Están rodeados de un despliegue, este sí histórico, de periodistas, policías y voluntarios de Protección Civil. Habla el Papa, tras aterrizar en el aeropuerto de Lavacolla. Consumidores cargados con bolsas pasan de largo. Cuando Ratzinger termina su discurso, sólo dos de los telespectadores de la Alameda aplauden. El ambiente helado sorprende especialmente a Milagros Sandoval, una religiosa de Lumen Dei llegada de A Coruña. "Hay mucha menos gente de la esperada. Quizás es porque se hizo propaganda de que Santiago es pequeño..." "Es una pena", apostilla, desolada, la mujer que la acompaña.

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vaticano dá por encerrado incidente com documento ofensivo ao Papa


CIDADE DO VATICANO - O Vaticano deu por encerrado, neste domingo, o incidente do memorando de um funcionário do Foreign Office britânico que aconselhava o Papa a lançar sua própria marca de preservativos durante a visita que o Sumo Pontífice fará à Grã-Bretanha, em setembro.

"Para nós, o assunto está encerrado", declarou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, após a publicação na edição dominical do jornal britânico The Sunday Telegraph deste documento interno, redigido por um funcionário subalterno, que também recomendava a Bento XVI que abençoasse um casamento homossexual e abrisse uma clínica de aborto.

No sábado, o Foreign Office apresentou suas desculpas ao Vaticano pelo texto que qualificou de "estúpido", informando que o funcionário responsável, um jovem empregado, havia sido transferido.

O incidente não terá nenhuma repercussão na visita do Papa à Grã-Bretanha, em setembro, declarou à imprensa italiana Federico Lombardi, destacando que o embaixador britânico no Vaticano, Francis Campbell, apresentou suas desculpas pessoalmente.

A visita de Bento XVI será a primeira oficial de um Papa ao Reino Unido, já que João Paulo II só fez uma missão pastoral ao país, em 1982.

Correio Braziliense

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Los teólogos de la asociación Juan XXIII reclaman la dimisión del Papa


Las comunidades cristianas de base y los teólogos independientes soportan mal el comportamiento de buena parte de la jerarquía católica ante los escándalos de pederastia. Creen que al pecado y delito de encubrimiento en el pasado se añade ahora una actitud de soberbia, e incluso de comprensión o justificación del silencio.

También echan de menos peticiones de perdón a las víctimas y que se castigue a los culpables, canónica y judicialmente. Incluso se alzan voces reclamando que quienes en el Vaticano promovieron las órdenes ahora censuradas asuman sus responsabilidades. Es el caso de la Asociación de Teólogos y Teólogas Juan XXIII, cuya junta directiva ha hecho público hoy un manifiesto pidiendo la dimisión del Papa.

El comunicado de los teólogos empieza expresando su apoyo a la Carta abierta a los obispos católicos de todo el mundo de su colega el profesor Hans Küng, en la que el famoso teólogo suizo considera el actual pontificado una de las ocasiones perdidas en ámbitos eclesiales como el diálogo ecuménico e interreligioso; la reforma de la Iglesia; el ejercicio de la colegialidad; la incorrecta gestión de los abusos sexuales cometidos por obispos, sacerdotes y religiosos católicos en colegios, seminarios o parroquias; el mantenimiento del celibato o la prohibición del acceso de las mujeres al ministerio ordenado. Hans Küng (Sursee, 1928) fue con apenas 30 años perito y asesor del Concilio Vaticano II y coincidió allí con el actual Papa, que ejercía la misma función para el episcopado alemán.

La Asociación de Teólogos y Teólogas Juan XXIII, promovida hace tres décadas por Casiano Floristán, Enrique Miret Magdalena o José María Díez-Alegría, agrupa a medio centenar de conocidos pensadores cristianos, algunos en conflicto con las autoridades doctrinales de la Iglesia romana. Ahora, forman su junta directiva Federico Pastor (presidente); Juan José Tamayo (secretario general); Alfredo Tamayo Ayestarán (vicepresidente); José María Castillo y Máximo García (vocales).

Estas son algunas de sus propuestas, ofrecidas, dicen, "con espíritu constructivo y encaminadas a la transformación evangélica de la Iglesia católica":

Activar el Vaticano II. "Consideramos necesario activar y desarrollar el programa de reforma del concilio Vaticano II, que no se ha puesto debidamente en práctica y que durante el actual pontificado no sólo se ha paralizado, sino que ha ido en dirección contraria, bien sea volviendo a etapas anteriores al mismo, bien interpretándolo de forma conservadora".

Monarquía absoluta. "Creemos que la actual organización de la Iglesia católica es obsoleta y responde más a una monarquía absoluta que al movimiento de Jesús, comunidad de iguales. Nos parece urgente iniciar un proceso de democratización de la Iglesia, con la participación activa de todos los creyentes católicos en la elección de los cargos de responsabilidad dentro de la misma Iglesia. Es importante recordar que, desde los orígenes del cristianismo y durante varios siglos, la Iglesia estuvo organizada y gobernada con la participación del pueblo".

Con los pobres. "Los cristianos y las cristianas, así como todos los dirigentes de la Iglesia, deben ubicarse en el mundo de la marginación y de la exclusión social y optar decididamente por los pobres, actitud que lleva consigo la lucha por la justicia como criterio evangélico por excelencia".

Libertad teológica. "Consideramos de imperiosa necesidad la defensa y el fomento de la libertad de expresión, de investigación y de publicación de los teólogos y la eliminación de la censura eclesiástica, que coarta la libertad de los profesionales de la teología y limita la creatividad".

Derecho de reunión. "Reclamamos que se reconozca la libertad y el derecho de reunión de las comunidades y grupos cristianos, cualquiera que sea su orientación ideológica, y a todos por igual, sin privilegios para algunos, los más afines a la jerarquía, en detrimento de la exclusión de otros".

Pluralismo político. "Pedimos que no se identifique el cristianismo con los programas políticos y las organizaciones religiosas conservadoras, como con frecuencia sucede por parte de la jerarquía, y que se respete el pluralismo político y religioso en la sociedad y en la Iglesia".

Contra las sanciones. "Exigimos que se levanten las sanciones impuestas a los teólogos y teólogas, obispos y sacerdotes motivadas por el ejercicio de la libertad de expresión y por su compromiso con los pobres".

Petición de perdón. "Como demostración del cambio de actitud de la Iglesia católica, consideramos necesaria la petición pública de perdón del Papa por el encubrimiento y complicidad del Vaticano, así como de no pocos episcopados, en los casos de abusos sexuales en los que están implicados obispos, sacerdotes y religiosos".

Contra el silencio. "Pedimos que se derogen de manera inmediata cuantos decretos del Papa y de la curia romana han impuesto silencio durante décadas en los casos de abusos sexuales a menores y han impedido poner dichos casos en manos de la justicia".

Pontificado agotado. "Nos parece que el pontificado de Benedicto XVI está agotado y que el Papa no tiene la edad ni la mentalidad para responder adecuadamente a los graves y urgentes problemas que hoy tiene que afrontar la Iglesia católica. Pedimos por ello, con el debido respeto a la persona del Papa, que presente la dimisión de su cargo".

Mujeres sacerdotes. "Creemos necesario que se facilite el acceso de las mujeres al sacerdocio ordenado en sus diferentes grados, como sucede en la mayoría de las iglesias cristianas, para terminar por fin con siglos de injusta e injustificada discriminación de las mujeres en la Iglesia católica".

Supresión del celibato. "Nos parece igualmente necesaria la supresión del celibato obligatorio para los sacerdotes, medida disciplinar represiva de la sexualidad, que carece de todo fundamento bíblico, teológico e histórico y que no responde a exigencia pastoral alguna".

Por último, los teólogos recuerdan a la jerarquía del catolicismo "que el criterio determinante de conducta, en la Iglesia de Jesucristo, no es la obediencia incondicional al Papa, sino la fidelidad al Evangelio". "En nombre de dicha fidelidad y en actitud de diálogo -señalan-, presentamos estas propuestas".

El País

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cardeal de Colônia critica alemães por depreciar papa Bento 16


Neste domingo (19/04) na catedral de Colônia, o arcebispo da cidade, cardeal Joachim Meissner, criticou o tratamento dado pelos alemães ao papa Bento 16. Em nenhum outro país o sumo pontífice seria tão depreciado como na Alemanha, afirmou Meissner, em alusão ao debate sobre a anulação da excomunhão de quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio 10 e à visita do papa ao continente africano

O cardeal de Colônia afirmou não ser possível deixar de ter a impressão de que dentro e fora da Igreja "o que se espera é a ocasião para poder atacar o papa". Meisser acresceu que isso o feriu e entristeceu. Nas críticas ao papa, faltaram, sobretudo, respeito e paciência, criticou o prelado.

Deutsche Welle

terça-feira, 31 de março de 2009

Papa ordena investigação de congregação religiosa após escândalo

LEGIONÁRIOS DE CRISTO SENDO ORDENADOS:

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Bento 16 ordenou a investigação de uma influente congregação da Igreja Católica Romana depois que se descobriu que o fundador da ordem era um molestador sexual e havia tido ao menos um filho com uma amante.

A congregação religiosa conservadora Legionários de Cristo anunciou a inspeção, conhecida na linguagem da Igreja como uma "Visita Apostólica", na terça-feira. O Vaticano havia informado a ordem de forma reservada em 10 de março.

Os Legionários foram abalados ao longo dos últimos anos por uma série de escândalos relacionados ao fundador da ordem, padre Marcial Maciel, que morreu no ano passado aos 87 anos.

No mês passado, a congregação disse ter encontrado evidência de que ele viveu uma dupla vida durante décadas.

Enquanto dirigia a congregação de padres que fazem promessas de celibato, ele tinha uma amante com quem teve ao menos uma criança.

Em 2006, o papa Bento 16 disse ao padre Maciel para que ele se aposentasse em "uma vida reservada de oração e penitência" depois das acusações de que teria molestado um menino e seminaristas décadas atrás.

A congregação negou as acusações por anos, mas o Vaticano tomou medidas contra Maciel depois do surgimento de novas evidências. Na época, as sanções contra Maciel fizeram dele uma das pessoas mais proeminentes a ser punida por abuso sexual.

A "Visita Apostólica" pode culminar em sanções e ação disciplinar. Essas investigações não são freqüentes e podem durar meses.

O padre Álvaro Corcuera, atual diretor-geral da congregação, disse em uma carta aos membros da congregação que espera que a investigação "nos ajude a enfrentar nossas vicissitudes presentes relacionadas aos fatos graves da vida de nosso fundador".

Os investigadores visitarão os seminários e outras instituições dos Legionários, como escolas, casas de repouso e universidades em todo o mundo.

Fundada em 1941 por Maciel, que era mexicano, a congregação conservadora reúne atualmente cerca de 800 padres e 2.500 seminaristas em mais de 20 países.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Papa distorce fatos sobre preservativos, diz revista médica


LONDRES (Reuters) - A respeitada revista médica Lancet acusou na sexta-feira o papa Bento 16 de distorcer evidências científicas a fim de promover a doutrina católica, ao declarar que os preservativos aumentam a difusão da Aids.

Em editorial intitulado "Redenção para o papa?", a publicação britânica pediu ao papa que se retrate de comentários feitos na semana passada, e disse que qualquer coisa aquém disso será um imenso desserviço ao público e aos ativistas que lutam conta a doença.

"Quando qualquer pessoa influente, seja um líder religioso ou político, faz uma falsa declaração científica que pode ser devastadora para a saúde de milhões de pessoas, ela deve se retratar ou corrigir os registros públicos", disse o editorial.

"Ao dizer que os preservativos exacerbam o problema do HIV/Aids, o papa distorceu publicamente evidências científicas para promover a doutrina católica nessa questão."

Durante a sua primeira visita à África, o papa disse a jornalistas que a Aids é um problema que "não pode ser superado pela distribuição de preservativos: pelo contrário, eles ampliam (a epidemia)."

A declaração provocou inúmeras críticas de autoridades sanitárias, ativistas e políticos, para os quais a declaração foi irrealista, não-científica e perigosa.

A Igreja prega que a fidelidade dentro do casamento heterossexual e a abstinência são as melhores formas de conter a Aids. O Vaticano afirma também que os preservativos podem induzir a comportamentos de risco.

Especialistas afirmam no entanto não haver evidências científicas de que o uso de preservativos estimulem as pessoas a assumirem mais riscos sexuais, e que na verdade os estudos comprovam que os preservativos reduzem o risco de contrair o vírus HIV.

Há cerca de 33 milhões de portadores do vírus no mundo todo, a maioria na África subsaariana. Não há cura para a doença, que já matou 25 milhões de pessoas em menos de três décadas.

(Reportagem de Michael Kahn)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Un experto en despertar críticas

Hupper, o SÁTIRO

Aunque nadie esperaba que dijera lo contrario, la condena de Benedicto XVI al uso de preservativos justo al llegar al continente más afectado por la pandemia de sida generó cuestionamientos en países africanos y en Europa.

Inquietud, indignación, enojo. Esos fueron las sensaciones expresadas ayer por funcionarios de gobiernos europeos y referentes de organizaciones internacionales de lucha contra el VIH/sida. Sentimientos generados por las declaraciones que el papa Benedicto XVI realizó durante su primer viaje a Africa, el continente que ostenta el procentaje más alto de personas que conviven con el virus del VIH/sida, en las que negó que la pandemia “pueda solucionarse con la distribución de preservativos” y –como si eso no bastara– aseguró que “su uso agrava el problema”. A pesar de los intentos de los voceros del Vaticano de encuadrar sus intenciones en un contexto de “educación en la responsabilidad”, el pontífice logró ganarse el mote de “indiferente” y “autista” en varios países europeos.

Es que el máximo representante de la Iglesia Católica no hace más que encender la polémica con sus expresiones. Todavía no quedó atrás el conflicto iniciado cuando decidió anular la excomunión a un grupo de sacerdotes que niegan la existencia del Holocausto, y ahora salió a negar la eficacia de los preservativos en la prevención del contagio del VIH/sida. Justamente en Africa, donde vive la mayoría de las personas infectadas con el virus.

“¿El Papa vive en el siglo XXI?”, se preguntó Alain Fogue, del Movimiento Camerunés por el Acceso a los Tratamientos (Mocpat), una de las muchas organizaciones que trabajan para paliar la pandemia en ese continente. En ese sentido, consideró que lo esbozado por Benedicto XVI “va a contramano de todos los esfuerzos de los últimos años del gobierno camerunés y de los actores implicados en la lucha contra el sida en el país”. Con él coincidieron referentes de la asociación camerunesa SunAids: “Nos pone en aprietos. Que no nos digan que lo que dijo no tiene un impacto en la lucha contra el sida”, deslizaron.

Las fronteras continentales no limitaron las reacciones, que encontraron mecha en países europeos. Luego de abrir el paraguas y dudar sobre el papel que el gobierno de su país juega en la polémica, Eric Chevallier, vocero del Ministerio de Relaciones Exteriores francés, expresó la “gran inquietud” que despertaron en el gobierno de Francia las declaraciones de Benedicto XVI, sobre todo, por las consecuencias que pueda tener en la lucha contra el sida. Según el funcionario, mensajes de este tipo “ponen en peligro las políticas de salud pública”.

El ex primer ministro francés Alain Juppé fue más allá y opinó que el Papa vive “en una situación de autismo total”. Las frases pontificias resultaron “consternadoras” para la ministra de Sanidad de Bélgica, Laurette Onkelinx, que las consideró “el reflejo de una visión doctrinaria peligrosa”. Desatada la polémica, el Ministerio de Sanidad de España envió un millón de preservativos a Africa.

Sin embargo, Benedicto XVI tampoco parece estar solo –el martes negó su soledad frente al conflicto en torno de los sacerdotes negacionistas– en esta nueva polémica. No pasaron muchas reacciones hasta que el portavoz del Vaticano, Federico Lombardi, saliera en su auxilio al indicar que, con lo dicho, el Papa “destacó el papel de la educación y la responsabilidad”.

Sin embargo, fue sincero frente a la prensa: “Con este viaje no hay que esperar un cambio de postura de la Iglesia Católica frente al problema del sida”, dijo Lombardi. La institución a la que representa sólo acepta la abstinencia como método anticonceptivo y profiláctico. Al respecto, el vaticanista Sandro Magister agregó que “la solución de la Iglesia es la fidelidad sexual; el preservativo es una falsa seguridad que sigue alimentando la promiscuidad sexual”.

El análisis de los referentes de organizaciones internacionales que trabajan en la prevención de la enfermedad a nivel mundial tuvo como expresión común la bronca. El director ejecutivo del Fondo Mundial de Lucha contra el Sida –dependiente de las Naciones Unidas–, Michel Kazatchkine, indignado, pidió al Pontífice el retiro de lo dicho, tras juzgar sus palabras de “inaceptables, ya que niegan la epidemia”. En una frase “se cuestionaron años de trabajo”, opinaron desde Médicos del Mundo.

Página/12

domingo, 15 de março de 2009

Fuego amigo en el Vaticano


"El Papa no está solo. Todos sus colaboradores más cercanos le son lealmente fieles y están profundamente unidos a él". El desmentido lanzado ayer por el cardenal Tarcisio Bertone, número dos de Benedicto XVI y secretario del Estado vaticano, no deja lugar a dudas. Recuerda las coletillas que se usan en situaciones excepcionales o desesperadas, en golpes de Estado por ejemplo. Así están las cosas en el Vaticano. A casi dos meses vista del estallido del perdón a los obispos lefebvrianos, -incluido Williamson, el que se empeña en negar el Holocausto- el Papa ha caído herido por el intenso fuego amigo.

Dentro de la Iglesia "se muerde y se devora". Ése es el insólito mensaje que Ratzinger envió a los católicos en su ya histórica carta a los obispos de todo el mundo, que fue conocida el miércoles, un día antes de lo previsto, gracias a una nueva filtración de la curia, en la segunda fuga de información de las últimas semanas.

Usando palabras medidas, pero más íntimas que nunca, el frío Papa alemán se desnuda ante el mundo con una sinceridad nunca vista, tanto por el tono como por el contenido. Ratzinger no se queja de las críticas de laicos y judíos, al revés alaba "la ayuda de los amigos hebreos", hace autocrítica y admite errores de comunicación, pide perdón por no usar más Internet, se confiesa lacerado por la actitud beligerante de sus propias ovejas. El enemigo en casa: "Odio sin temor ni reserva", "hostilidad lista para el ataque".

La crisis que revela la carta es gravísima. El estado de ánimo del Papa, más que triste, profundamente solo y decepcionado, llena de sombras el presente y el futuro de su pontificado. Cuatro años después de su elección, "la curia está en desbandada y el Papa sigue encerrado en su palacio", escribía ayer Marco Politi, vaticanista de La Repubblica.

L'Osservatore Romano, el órgano de la Santa Sede, se atreve a definir las críticas católicas al Papa como "el mayor escándalo de los tiempos recientes", pone el adjetivo "miserables" a las fugas de información, habla de "manipulaciones" de la curia y recuerda al equipo de Gobierno que es un "organismo colegiado que tiene un deber de ejemplaridad".

El Papa desvela más: dice que ese clima de guerra civil, ese descontento, estaba latente, y ha salido a la luz del sol aprovechando el escándalo global creado por el perdón de la excomunión de los lefebvrianos. Un gesto magnánimo hacia los preconciliares, que quería ser de "discreta misericordia" y que se justifica en la virtuosa necesidad de unir a una Iglesia en crisis, es aprovechado por sus adversarios para "morder" y provocar una división aún mayor.

La revuelta parte de los grandes episcopados europeos, todos ellos muy sensibles a la cuestión judía (Alemania, con la sublevación de 60 teólogos; luego Austria, más tarde Francia y Suiza). Los críticos reprochan al Papa sobre todo una cosa: que no pidiera de forma preventiva a los lefebvrianos una adhesión clara al Concilio II. Ésa es la sustancia de la controversia, casi oculta tras la bomba mediática de la entrevista a Williamson en la que el obispo lefebvriano negaba el Holocausto. Lejos de ver en la decisión un futuro de unidad, muchos obispos juzgan como una involución el generoso trato ofrecido a los cismáticos. Una vuelta a un pasado oscuro y cerrado. Como dice un jesuita español destinado en Roma, "el concilio es la Iglesia; sin concilio no existimos".

Dentro de la curia -los cientos de obispos y cardenales que llevan la gestión diaria de la Santa Sede desde una treintena de congregaciones, tribunales, oficinas y consejos pontificios-, las lamentaciones son de otra índole. La principal es que un Papa como Dios manda no debe dar nunca marcha atrás. Y Benedicto XVI lo ha hecho dos veces en un mes. En Austria, al revocar el nombramiento del obispo auxiliar de Linz, el ultraconservador Gerhard Maria Wagner, ante el clamor suscitado en el país. Y en Roma, al conceder el perdón a los lefebvrianos y congelarlo luego.

Además, están los síntomas de guerrilla, la disfuncionalidad general en la gestión, las torpes prácticas de comunicación, el hielo entre el cardenal Bertone y la curia. Y a eso se suma el aislamiento del líder: la abstracción del Papa -ahora remata su primera encíclica social y la segunda parte del libro sobre Jesucristo-, la ausencia de un equipo con el que contrastar opiniones, la falta de una línea de mando, la escasez de cardenales fieles.

Caben en una mano: Bertone; el sucesor de Ratzinger al frente de la Congregación para la Doctrina de la fe, Joseph Levada; el nuevo responsable del Culto Divino, Antonio Cañizares; y Grocholewski, que se ocupa de Educación Católica.

Entre los demás, el deporte favorito es comparar a Benedicto XVI con Juan Pablo II. Inagotable tema de conversación en la curia, la nostalgia de los buenos y no tan viejos tiempos. La verdadera cruz de Ratzinger, bastón doctrinal de Wojtyla durante 20 años, es Wojtyla. "Él no tiene su carisma, no tiene su capacidad de llegar a la gente, no tiene su visión política. Vive apartado del mundo", resume Sor María, monja genovesa, profesora en un colegio de Roma.

El País

segunda-feira, 2 de março de 2009

Papa Bento 16, em novo revés, recua em nomeação de bispo


Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Bento 16 sofreu mais um revés constrangedor nesta segunda-feira, quando foi forçado a cancelar a promoção de um padre austríaco conservador cuja nomeação a bispo havia polarizado a Igreja Católica.

O Vaticano disse que o papa eximiu o padre Gerhard Maria Wagner da obrigação, pelas leis da Igreja, de aceitar sua promoção a bispo. Na prática, Bento revogou a nomeação de Wagner, que no mês passado desencadeou críticas na Áustria e fora do país.

É inusitado na Igreja que o papa seja forçado a revogar a nomeação de um bispo. O caso voltou a chamar a atenção para o processo de exame de candidatos feito pelo Vaticano e as consultas com a Igreja, que, segundo críticos, são insuficientes.

O constrangimento do papa com a nomeação de Wagner como bispo auxiliar de Linz se deu em meio a uma crise em curso sobre seu estilo de governança, que, segundo críticos, é demasiado isolado.

Em janeiro, o papa provocou furor ao revogar a excomunhão de quatro bispos tradicionalistas, incluindo Richard Williamson, que negou o Holocausto. Vários funcionários do Vaticano se queixaram de não ter sido consultados.

Críticos atacam Wagner por várias declarações que ele deu no passado, incluindo uma em que ele disse que o furacão Katrina, de 2005, foi a maneira usada por Deus para castigar a cidade de Nova Orleans por seus pecados.

Wagner tachou os livros de Harry Potter de satânicos, disse que a homossexualidade é curável, se negou a permitir a entrada de sacerdotes mulheres em sua igreja e excluiu a participação de leigos em assuntos da Igreja.

Pouco após sua nomeação a bispo, 31 dos 39 decanos (padres seniores) da diocese de Linz apresentaram uma declaração de não confiança nele -- um fato raro na Igreja Católica e, na prática, uma manifestação aberta contra a decisão do papa.

Líderes da igreja na Áustria disseram que a decisão de nomear Wagner como bispo foi tomada sem consultas prévias.

No mês passado, o próprio Wagner pedira ao papa que revogasse a promoção devido ao que qualificou de "resistência implacável" contra ele, e para o bem da igreja.

Diante do número crescente de católicos austríacos que estavam abandonando a igreja, e dos protestos entre o clero, o cardeal de Viena, Christoph Schoenborn, foi obrigado a convocar uma reunião de emergência dos bispos austríacos para superar a crise de confiança com o Vaticano.

Os casos de Williamson e Wagner suscitam o receio de que o papa venha agindo isoladamente e a igreja venha seguindo um rumo cada vez mais conservador.

O Vaticano vem procurando minimizar os danos desde o final de janeiro, quando o caso Williamson veio à tona. O papa vem recebendo críticas fortes especialmente da Áustria e da Alemanha, seu país de origem.

Em entrevista que foi ao ar em 21 de janeiro, Williamson disse à TV sueca que acredita que não houve câmaras de gás e que não mais de 300 mil judeus morreram nos campos de concentração nazistas, em lugar dos 6 milhões estimados pela maioria dos historiadores.

Entre os que condenaram Williamson e a decisão do papa estavam sobreviventes do Holocausto, católicos progressistas, parlamentares dos EUA, o Rabinato Chefe de Israel, líderes da comunidade judaica alemã e o escritor Elie Wiesel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Estilo ‘absolutista' de papa atrai críticas


Assimina Vlahou
De Roma para a BBC Brasil

Quatro anos após ser eleito, o Papa Bento 16 está enfrentando críticas cada vez mais frequentes de teólogos, analistas e religiosos dentro e fora da Igreja Católica, que o acusam de ter um estilo recluso e liderar a Igreja de forma autoritária.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil afirmam que decisões tomadas recentemente pelo papa - como a nomeação de um bispo auxiliar conservador na Áustria sem considerar o parecer do episcopado local - são sinais de um papado centralizador e pouco democrático.

Uma das decisões controvertidas de Bento 16, na opinião dos especialistas, foi nomear o ultraconservador Gerhard Maria Wagner como bispo auxiliar de Linz, sem ouvir as considerações do episcopado local. Wagner renunciou duas semanas depois devido a fortes pressões causadas por declarações suas, como a de que homossexuais deveriam ser "curados" e de que o furacão Katrina foi um "castigo de Deus" pelas clínicas que praticavam aborto em Nova Orleans.

Em outra decisão considerada polêmica, Bento 16 suspendeu a excomunhão de quatro bispos da ordem tradicionalista Pio X. Os religiosos haviam sido ordenados sem autorização da Santa Sé em 1988 pelo francês Marcel Lefebvre, criador de uma irmandade que não reconhece as reformas propostas no Concílio Vaticano II, introduzido no final dos anos 60.

"A questão (da reabilitação) dos lefebvrianos representa a superação de um limite. É como se a lua de mel da igreja católica com o papa tivesse acabado", disse à BBC Brasil o professor de História do Cristianismo, Alberto Melloni.

"O papa tem um estilo solitário e absolutista de governar. Não aceita conselhos, opiniões e críticas e isto cria problemas, inclusive nos setores moderados da igreja", afirmou, em entrevista à BBC Brasil, o vaticanista Marco Politi, que acabou de publicar o livro A Igreja do Não, pela editora Mondadori.

A suspensão da excomunhão dos "lefebvrianos" por Bento 16 causou ainda grande mal estar nas igrejas da Alemanha, Áustria, Suíça e França.

Um dos bispos perdoados, Richard Williamson, foi obrigado pelo governo a deixar a Argentina depois de negar publicamente o extermínio de judeus durante o regime nazista.

Williamson, que estava radicado na Argentina desde 2003, chegou a Londres nesta quinta-feira.

Estilo de governo

Em entrevista ao jornal Le Monde nesta semana, o teólogo dissidente suíço Hans Kung também criticou o estilo de governo do papa.

Kung, que foi professor da Universidade alemã de Tubinga com o então cardeal Joseph Ratzinger nos anos 60, disse ao jornal que "Bento 16 viajou muito pouco e sempre viveu em ambiente eclesiástico, fechado no Vaticano - que é uma especie de antigo Kremlin - onde fica protegido das críticas".

"Ele não foi capaz de entender o impacto que teve uma decisão destas (a suspensão da excomunhão) e seu secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone, é totalmente submisso. Estamos diante de um problema de estrutura".

Segundo Kung, Ratzinger defende a idéia do "pequeno rebanho" - poucos fiéis e uma igreja elitista, formada por "verdadeiros católicos".

"É uma ilusão pensar que é possível continuar assim, sem padres nem vocações. A Igreja corre o risco de se tornar uma seita", afirma.

Assessores

Melloni, que também é especialista no Concílio Vaticano II e presidente da Fundação de Ciências Religiosas João 23, de Bolonha, concorda com o teólogo suíço.

"O risco de se tornar uma seita é um problema real", disse ele à BBC Brasil.

Para Politi, o pontificado de Bento 16 está acumulando problemas.

"Em vez de um pontificado de transição, este pode ser um papado de estagnação, em que se acumulam problemas e tensões dentro da Igreja e entre a Igreja e o mundo moderno".

Alguns observadores, entretanto, acreditam que Bento 16 não é de todo responsável pelas polêmicas. Para eles, o problema é o tradicional mecanismo de funcionamento da Cúria Romana.

A professora de Sociologia da Religião da Universidade la Sapienza de Roma Maria Immacolata Maciotti lembra que o papa tem opiniões próprias consideradas fortes. A questão, segundo ela, é que o aparato em torno de Bento 16 - que normalmente impediria a tomada de decisões polêmicas - não tem funcionado bem.

"O impulso de perdão do pontífice (aos lefebvrianos) deveria ser freado pelos conselheiros atentos a estes problemas. Isto não ocorreu. Podemos supor que o papa é muito autoritário ou não tem pessoas capazes em torno de si", afirmou em entrevista à BBC Brasil.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

El Papa alemán


Por Osvaldo Bayer, para Página/12

Desde Bonn, Alemania

El horno se ha recalentado. La Iglesia Católica alemana está entre desolada y furiosa. Justamente un Papa alemán cometió el gravísimo error –o no error desde su punto de vista anterior a los hechos– de haber levantado la excomunión a cuatro sacerdotes del sector de Lefebvre, uno de ellos –nada menos– había negado la existencia del Holocausto nazi contra los judíos. Fue el obispo británico Williamson, quien sostuvo que “no fueron seis millones los judíos muertos por los nazis sino entre 200 mil y 300 mil”, y negó la existencia de cámaras de gas en los campos de concentración nazis, como Auschwitz, por ejemplo. Todo esto ocurrió hace más de dos semanas, pero la discusión –en especial en Alemania– no amaina sino que adquiere cada vez más fuerza, con la reacción de cientos de feligreses que renuncian a seguir perteneciendo a la Iglesia Católica, y declaraciones de obispos, curas, teólogos y decanos que censuran abiertamente al papa Ratzinger. Sí, en Alemania, cuyo pueblo llevará siempre la carga del genocidio hitlerista.

Quiere decir que, salvo algunas minorías, la mayor parte de la población alemana aprendió la lección. El propio jefe de redacción de Radio Vaticano, Eberhard von Gemmingen, se adelantó a decirlo en una conferencia de prensa: “El Vaticano ha cometido un error... lo califico como un error. Se han originado con ello muchos daños, ahora hay que repararlos”... Ha comenzado una corriente de fieles que abandonan la Iglesia; ahora tienen los obispos que salir y decir lo que ya algunos obispos han señalado: que la Iglesia de hoy sigue sosteniendo el II Concilio Vaticano. También tiene que ratificarlo el Papa. Ellos tienen que consolar a los fieles, tienen que decir que la Hermandad Pío XII, conservadora de derecha, no va a ser jamás aceptada en la Iglesia. No hay que hacer como si esto no fuera importante. Sin ninguna duda, las relaciones entre el Vaticano y los obispos alemanes se han enfriado.

Es que en Alemania hay un fuerte movimiento para una renovación de la Iglesia y para que no se cometan los errores del pasado. Se nota en la reacción de muchos obispos que salieron a criticar abiertamente la decisión del Papa. Por ejemplo, el obispo Gerhard Müller-Ludwig, de Regensburgo, prohibió la entrada a Williamson en todas las iglesias y organizaciones católicas de su obispado. La Conferencia de Obispos Alemanes resolvió tratar el tema de Williamson en la reunión de marzo. El presidente de esa Conferencia, el obispo Zollitsch, señaló en un comunicado que “en la Iglesia Católica alemana jamás habrá lugar para quien niegue el Holocausto”. Y se deslizó en muchos sacerdotes la pregunta: ¿por qué el Papa le abre la puerta a la Hermandad Pío XII de extrema derecha, y no a los sacerdotes del tercer mundo? ¿Por qué no se revisan las penas a los dos teólogos, Eugen Drewermann y Hans Küng, que promovían un cambio hacia una nueva sociedad sin diferencias sociales?

Justo a Hans Küng –el más sabio de los teólogos vivientes, sin ninguna duda– lo fueron a buscar los periodistas en esos días de fiebre por saber quién podía tener razón. Le preguntaron si el Pontífice había querido demostrar un cambio de rumbo hacia la derecha explícita. A lo que respondió el teólogo alemán: “El papa Benedicto ha tomado, desgraciadamente, un curso cada vez más a la derecha. Justo da por terminada la excomunión a los sacerdotes que niegan los resultados del II Concilio Vaticano, cuando se va a cumplir medio siglo de ese acontecimiento vital. Eso lo demuestra todo. Poco a poco, el Papa actual se ha puesto en marcha para terminar con los logros progresistas de ese Concilio, por ejemplo con el retorno de la antigua misa en latín, con la reimplantación del pedido a Dios de la conversión de los judíos y ahora justo con el levantamiento de las penas contra los enemigos de ese Concilio que trajo tanto progreso a la Iglesia. Este Papa tuvo la oportunidad –como prefecto de la Congregación de la Fe, que trata de todos los procedimientos inquisitoriales– de aprovechar para avanzar, y no para volver al viejo rostro de la Iglesia. El lleva a cabo un profundo conservadorismo, que él mismo había superado –sólo por breve tiempo– en los años ’60. Fue cuando, después de haber estado en la Universidad de Tübingen, donde trabajamos juntos y donde durante tres años se respiró un aire fresco renovador, volvió a lo de antes. Volvió a un rumbo absolutamente reaccionario, que siguió teniendo cuando fue cardenal en Munich y ahora como Papa, para gran daño de toda la Iglesia Católica. Desde entonces él votó por todos los documentos reaccionarios de Juan Pablo II, por ejemplo, dentro de la enseñanza ‘sagrada’ de que nuestro bondadoso Dios no desea a ninguna mujer como sacerdote. O la medida que ha tomado contra los teólogos de la liberación, Jon Sobrino, de El Salvador, y el padre jesuita norteamericano Roger Haigh, a quienes les ha prohibido la enseñanza y la publicación de sus escritos. En el pasado abril, el papa Benedicto festejó su cumpleaños 81 en compañía de George W. Bush. Sería bueno ahora que tomara alguna de las ideas de cambio del sucesor de Bush, Obama. La Iglesia Católica necesita avanzar y no retroceder”.

Hasta ahí, el teólogo Hans Küng. Por otra parte, las universidades católicas de Münster, Friburgo y Tübingen criticaron abiertamente la decisión del Papa, y veintitrés profesores de ellas firmaron un documento donde censuran el acercamiento del Papa con la derechista cofradía Pío XII. Entre ellos, el profesor Johann Merz, colega del actual Papa cuando éste enseñó Dogmática en esa universidad. Merz es un abierto defensor de la Teología de la Liberación.

El diario de Bonn señala en su editorial que “pocas veces se han cometido tantos daños como con la resolución del Papa. El quiso unir y logró la división. En el futuro, el Papa debe buscar mejores consejeros”. Y, por primera vez, un miembro del gobierno alemán criticó en público al Papa, como lo hizo la primera ministra Angela Merkel.

Los medios alemanes dieron un gran espacio a reportajes a obispos, sacerdotes y creyentes. Casi todos los interrogados señalaban que estaban “sorprendidos de que Roma se preocupara tanto por los derechistas y nada acerca de la Teología de la Liberación”. Otros, decepcionados, contestaron: “Esta no es la Iglesia que yo he amado tanto”. El obispo de Rottenburg-Stuttgart señaló: “La unidad de la Iglesia es un bien muy valioso, y servir a ella es el deber del Papa y de sus obispos. Pero esa unidad jamás se logrará negando los avances obtenidos en el II Concilio Vaticano”. Justo ese día, el papa Ratzinger nombraba a un sacerdote austríaco ultraconservador como obispo adjunto de Linz. Pareció una respuesta dura a tanta crítica, demostrando quién es el que tiene el máximo poder. Es decir, en resumen, ni el anuncio de ayer de que Ratzinger va a visitar Israel puede borrar su mal paso de los últimos días. Es que el Papa alemán se comportó como un elefante en una tienda de porcelanas.

Toda esta discusión, de la cual podríamos llenar páginas enteras, se produjo en medio de la otra gran polémica mundial, el ataque de Israel a los palestinos. ¿Por qué –y aquí se hizo la pregunta– el Papa toma la decisión de lavar de pecados a un negador del Holocausto justo en ese período? Hay muchas respuestas, pero la búsqueda de razones y motivos nos harían caer en interpretaciones que no podrían ajustarse a la realidad. Fue así. El Papa alemán ha perdido mucho prestigio, principalmente aquí, en su país, Alemania. Es que no se puede jugar con la ética. Antes de tomar esa decisión, Ratzinger tendría que haberse informado profundamente –si no lo estaba– de que ya no es posible tomar decisiones sin analizar que el mundo, pese a la actualidad cargada de nubarrones, va avanzando de a poco, pero avanza. Ni los crímenes de la Inquisición son ya posibles hoy, ni tampoco la palabra de “Dios” es indiscutible.

Pero, claro, siempre se presenta en la vida diaria el cinismo. En especial el cinismo de ciertos políticos para que todo cambie, pero nada se transforme. Como corolario a la interminable discusión de la campaña de plomo absolutamente desproporcionada de Israel contra Palestina, pondremos a un oportunista ejemplar, el primer ministro turco Erdogan, quien en el encuentro de Davos le gritó al presidente israelí Shimon Peres estas palabras: “Usted entiende mucho de matar, como cuando mata a los niños palestinos en las playas”, y se retiró. Y por eso fue recibido por miles de turcos en Ankara con el título de “Héroe de Turquía” y “Ahora sí lo entendemos a Hitler”. Erdogan, nada menos, cuando Turquía nunca reconoció el genocidio cometido contra el pueblo armenio. Además guarda silencio ante el crimen del periodista Hrant Dink, de enero de 2007, que investigaba a fondo ese genocidio. Hrant Dink había sido amenazado por nacionalistas turcos, pero con valentía enfrentó todos los peligros, hasta que fue asesinado. Los armenios titularon así este asesinato: “Hrant Dink, la víctima 1.500.001 del genocidio”. Ya Dink había sido condenado a seis meses de prisión por la Justicia turca por sus investigaciones. Luego de ese aviso, su asesinato. Y en octubre pasado, el hijo de Hrant Dink fue condenado a un año de cárcel por insultos a la “entidad turca”.

Erdogan califica a otros de “sabios en matar”. No sólo eso sino que habla de niños muertos, pero basta leer las condenas a niños kurdos, que acompañaron a las protestas de las minorías kurdas en Turquía cuando Erdogan visitó esas regiones. Seis niños de entre 13 y 14 años fueron condenados a veinte años de prisión por los jueces turcos. Realidades de nuestra humanidad.

¿Y las iglesias qué hacen? ¿Por qué no se unen con el solo objeto de terminar con la muerte y al hambre? ¿O es más importante el tema de si las misas hay que darlas en latín, o que a las mujeres hay que prohibirles que puedan ser sacerdotes, que defender la vida?