domingo, 7 de abril de 2019
DEZ TÁTICAS DE MANIPULAÇÃO
por Chomsky
1. Distração (desviar a atenção daquilo que é realmente importante);
2. Método Problema-Reação-Solução (criar uma situação de terra arrasada para impor medidas de suposta solução);
3. Gradação (aplicar medidas impopulares de forma gradativa e imperceptível);
4. Sacrifício Futuro (é mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que imediato);
5. Discurso Infantilizado (tratar a opinião pública de forma afetuosa ou humorística);
6. Sentimentalismo e Temor (apelar para o medo e emoção para impedir uma resposta racional ou crítica;
7. Valorizar a ignorância (dar espaço na mídia pessoas medíocres e ignorantes para que o estúpido e o vulgar sejam um exemplo para os mais jovens);
8. Desprestigiar a inteligência (apresentar na produção audiovisual o cientista como vilão e o intelectual como pedante);
9. Incentivar introjeção da culpa (incutir a culpa no indivíduo para dividir a sociedade entre vencedores e perdedores);
10. Monitoramento (pesquisas de opinião e as atuais mineração de dados e análises psicométricas em redes sociais para controle de opinião pública).
Fonte da Imagem: Pink Floyd, The Wall.
segunda-feira, 18 de março de 2019
50 CIDADES MAIS PERIGOSAS DO MUNDO
Uma organização mexicana independente classificou as 50 cidades mais perigosas do mundo com base na taxa de homicídios (* número de assassinatos por 100.000 habitantes).
42 delas estão na América Latina.
Dados de 2018.
Fonte da Matéria: https://www.travelbook.de/orte/gefaehrliche-orte/mordrate-die-gefaehrlichsten-staedte-der-welt?ref=1
Fonte da Imagem: http://www.arthit.ru/surrealism/0055/surrealism-25.jpg
Ranking
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Cidade
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País
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Assassinatos
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População
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Taxa*
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| 1 | Tijuana | Mexiko | 2640 | 1,909,424 | 138.26 | |||||||
| 2 | Acapulco | Mexiko | 948 | 857,883 | 110.50 | |||||||
| 3 | Caracas | Venezuela | 2,980 | 2,980,492 | 99.98 | |||||||
| 4 | Victoria | Mexiko | 314 | 365,089 | 86.01 | |||||||
| 5 | Ciudad Juárez | Mexiko | 1,251 | 1,462,133 | 85.56 | |||||||
| 6 | Irapuato | Mexiko | 473 | 580,808 | 81.44 | |||||||
| 7 | Ciudad Guayana | Venezuela | 645 | 823,722 | 78.30 | |||||||
| 8 | Natal | Brasilien | 1185 | 1587055 | 74.67 | |||||||
| 9 | Fortaleza | Brasilien | 2,724 | 3,939,460 | 69.15 | |||||||
| 10 | Ciudad Bolívar | Venezuela | 264 | 382,095 | 69.09 | |||||||
| 11 | Kapstadt | Südafrika | 2,868 | 4,322,031 | 66.36 | |||||||
| 12 | Belém | Brasilien | 1,627 | 2,491,052 | 65.31 | |||||||
| 13 | Cancún | Mexiko | 547 | 848,465 | 64.47 | |||||||
| 14 | Feira de Santana | Brasilien | 386 | 609,913 | 63.29 | |||||||
| 15 | St. Louis | USA | 187 | 308,626 | 60.59 | |||||||
| 16 | Culiacán | Mexiko | 585 | 966,609 | 60.52 | |||||||
| 17 | Barquisimeto | Venezuela | 683 | 1,205,142 | 56.67 | |||||||
| 18 | Uruapan | Mexiko | 189 | 346,640 | 54.52 | |||||||
| 19 | Kingston | Jamaika | 639 | 1,180,771 | 54.12 | |||||||
| 20 | Obregón | Mexiko | 179 | 343,613 | 52.09 | |||||||
| 21 | Maceió | Brasilien | 521 | 1,012,382 | 51.46 | |||||||
| 22 | Vitória da Conquista | Brasilien | 172 | 338,885 | 50.75 | |||||||
| 23 | Baltimore | USA | 309 | 611,648 | 50.52 | |||||||
| 24 | San Salvador | El Salvador | 906 | 1,800,336 | 50.32 | |||||||
| 25 | Aracaju | Brasilien | 463 | 949,342 | 48.77 | |||||||
| 26 | Coatzacoalcos | Mexiko | 162 | 335,077 | 48.35 | |||||||
| 27 | Palmira | Kolumbien | 149 | 310,608 | 47.97 | |||||||
| 28 | Maturín | Venezuela | 257 | 544,069 | 47.24 | |||||||
| 29 | Salvador | Brasilien | 1,849 | 3,914,996 | 47.23 | |||||||
| 30 | Macapá | Brasilien | 233 | 493,634 | 47.20 | |||||||
| 31 | Cali | Kolumbien | 1,209 | 2,570,905 | 47.03 | |||||||
| 32 | Celaya | Mexiko | 240 | 510,787 | 46.99 | |||||||
| 33 | San Pedro Sula | Honduras | 363 | 777,877 | 46.67 | |||||||
| 34 | Ensenada | Mexiko | 253 | 542,896 | 46.60 | |||||||
| 35 | Campos dos Goytacazes | Brasilien | 233 | 503,424 | 46.28 | |||||||
| 36 | Tepic | Mexiko | 230 | 512,387 | 44.89 | |||||||
| 37 | Manaus | Brasilien | 944 | 2,145,444 | 44.00 | |||||||
| 38 | Guatemala-Stadt | Guatemala | 1,411 | 3,226,974 | 43.73 | |||||||
| 39 | Recife | Brasilien | 1,738 | 3,975,411 | 43.72 | |||||||
| 40 | Distrito Central | Honduras | 538 | 1,242,397 | 43.30 | |||||||
| 41 | San Juan | Puerto Rico | 143 | 337,288 | 42.40 | |||||||
| 42 | Valencia | Venezuela | 678 | 1,600,662 | 42.36 | |||||||
| 43 | Reynosa | Mexiko | 295 | 711,130 | 41.48 | |||||||
| 44 | João Pessoa | Brasilien | 460 | 1,112,304 | 41.36 | |||||||
| 45 | Nelson Mandela Bay | Südafrika | 478 | 1,220,616 | 39.16 | |||||||
| 46 | Detroit | USA | 261 | 673,104 | 38.78 | |||||||
| 47 | Durban | Südafrika | 1,562 | 4,055,969 | 38.51 | |||||||
| 48 | Teresina | Brasilien | 324 | 861,442 | 37.61 | |||||||
| 49 | Chihuahua | Mexiko | 352 | 938,713 | 37.50 | |||||||
| 50 | New Orleans | USA | 145 | 393,292 | 36.87 |
domingo, 10 de março de 2019
MULHERES: UMA LONGA E SINUOSA ESTRADA PELA FRENTE
Kátia Zummach, vereadora de Nova Petrópolis, cidade distante cerca de 100 km de Porto Alegre, apresentou na Câmara de Vereadores daquele Município proposta de colocação de cartazes informativos do disque denúncia 180 em locais públicos.
Na sessão da Câmara da véspera do Dia Internacional da Mulher o tema foi debatido, pois ela convidou autoridades policiais e da Saúde para obter dados sobre a violência doméstica na cidade.
Cláudio Antônio Gottschalk, vereador, pede a palavra. Se dirige ao púlpito com um vistoso lenço gauchesco vermelho e abdômen avantajado e classifica esse projeto informativo como desnecessário.
Segundo ele, mulheres “que se prestam” não precisam disso e somente as mulheres “chinelonas” são vítimas de violência.
“Acho que uma mulher que presta não tem problema. Olha, aqui no município de Nova Petrópolis, não temos problemas. Acho que aqui fica feio colocar isso de telefone por aí”, disse Gottschalk.
A vereadora contra argumentou dizendo que em Nova Petrópolis existem inúmeros casos de mulheres que têm medo de denunciar ou não sabem como fazer.
A proposta foi protocolada e tem apoio da maioria dos vereadores.
Kátia informou que está analisando se vai ingressar com representação na Comissão de Ética da Casa contra Gottschalk.
Através da assessoria de imprensa da Câmara, a presidência classificou a manifestação do vereador como desrespeitosa e infeliz.
Nos números oficiais, somente em janeiro deste ano, 3.503 mulheres foram ameaçadas, 2.049 foram agredidas e 130 foram estupradas no Rio Grande do Sul. Além disso, quatro mulheres foram mortas por serem mulheres e houve 47 casos de feminicídio tentados. Os dados são do Observatório Estadual de Segurança Pública da Secretaria de Segurança.
Na realidade, porém, a situação é muito pior, pois muitos casos não são informados.
A posição do vereador Gottschalk pode parecer isolada, porém quem conhece as entranhas do Rio Grande do Sul sabe que muitos “machos” gaúchos pensam da mesma forma que ele.
Fonte da Imagem: http://rubyforwomen.com/wp-content/uploads/2015/09/the_long_and_winding_road_by_theonlyraquel.jpg
sexta-feira, 8 de março de 2019
André Lara Resende escreve sobre a crise da macroeconomia
Por André Lara Resende | Para o Valor
A teoria macroeconômica está em crise. A realidade, sobretudo a partir da crise financeira de 2008 nos países desenvolvidos, mostrou-se flagrantemente incompatível com a teoria convencionalmente aceita. O arcabouço conceitual que sustenta as políticas macroeconômicas está prestes a ruir. O questionamento da ortodoxia começou com alguns focos de inconformismo na academia. Só depois de muita resistência e controvérsia, extravasou os limites das escolas. Embora ainda não tenha chegado ao Brasil, sempre a reboque, nos países desenvolvidos, sobretudo nos Estados Unidos, já está na política e na mídia.
Leia o artigo completo neste link:
https://www.valor.com.br/cultura/6149939/andre-lara-resende-escreve-sobre-crise-da-macroeconomia?fbclid=IwAR1ky0tg-YRv77qp7MfTva22DLFIeQSfdWKuWbrxR4hFQ-wIcz9VUE2UFv0
Fonte da imagem: https://doc-research.org/wp-content/uploads/2017/02/bigstock-128926601-e1486642644715-696x498.jpg
quinta-feira, 7 de março de 2019
É chata, a vida de madame
Ainda falta muito para o Brasil se livrar da herança da escravidão. A vida de madame não tem futuro. Só que muitas mulheres da classe média e da chamada alta sociedade ainda não se deram conta, escreve Astrid Prange.
Caros Brasileiros,
Será que "a grande ilusão do Carnaval" é uma ilusão? Será que não são o rei e a jardineira fantasiados que vivem uma ilusão, mas sim, pelo contrário, o público que os aplaude? Na música A felicidade, de Tom Jobim, tudo se acaba na Quarta-feira de Cinzas.
Mas, na verdade, não acaba mais não. Faz 60 anos que Tom Jobim compôs essa música maravilhosa. Em 1958, era "normal" que o rei ou a jardineira voltassem a trabalhar para um salário mínimo depois da folia, ficando quietinhos até o próximo Carnaval.
Graças à luta de muitas "jardineiras e piratas", essa "normalidade" esta acabando. Pois os filhos e netos dos "piratas e jardineiras" hoje finalmente têm mais direitos, opções profissionais e mais peso político. O Brasil da Casa grande e senzala que Gilberto Freyre descreveu mudou.
Inclino-me perante guerreiras como Odete Conceição ou Nair Jane, "relíquias" do sindicato das domésticas, que lutaram para coisas tão básicas como o direito de ter uma certidão de nascimento. Pois, sem documento, muitas empregadas domésticas não "existiam" e, consequentemente, também não tinham direito à aposentaria, mesmo depois de décadas de trabalho.
Ainda falta muito para se livrar dessa herança cultural da escravidão. Mas não tem mais volta. Nem a eleição de Bolsonaro vai mudar isso. A vida de madame não tem futuro. Só que, no Brasil, muitas mulheres da classe média e da chamada alta sociedade ainda não se deram conta disso.
Cada vez que converso com brasileiros que se mudam para a Alemanha, me lembro desses contratempos e das eternas queixas sobre empregadas que não "trabalham direito". E são muitos os brasileiros vieram para a Europa e a Alemanha, especialmente depois da última eleição.
Não é só ativista político que se sente perseguido porque luta por diretos de minorias ou direitos sociais. É muita gente que foge do clima pesado, do pessimismo, da violência e da falta de perspectivas. Inclusive os eleitores de Bolsonaro.
Independentemente dos motivos da emigração, muitos brasileiros que chegam à Alemanha se deparam aqui com uma vida de "pirata e jardineira": sobrevivem sem arrumadeira, passadeira, cozinheira, faxineira, babá, porteiro ou motorista. Encontram "piratas e jardineiras" do morro que trabalhem por aqui e se viram muito melhor do que eles.
Confesso que já presenciei cenas incríveis. Macarrão grudado e tão duro que precisava de uma faca para cortar; blusa branca que virou cor-de-rosa e azul, pois rodou junto com calça jeans na máquina de lavar roupa; e roupa de cama que nunca foi trocada.
Pergunto-me: quanto tempo ainda vai durar a ilusão brasileira de Carnaval? Quanto tempo ainda vai demorar até que grande parte da classe média brasileira se emancipe da herança da escravatura?
Admito que muita gente poderia argumentar que essa crítica minha é hipócrita. Eu mesma já me questionei. Pois, quando vivia no Brasil, também tinha a mordomia de ter uma babá para as minhas filhas. No início, me senti constrangida, mas depois fiz as pazes e tentei devolver o apoio que dela recebi.
Hoje, estou cada vez mais convencida de que a ilusão do Carnaval não é uma ilusão. É a realidade que define o dia a dia no Brasil. Só falta que o reconhecimento no Sambódromo seja estendido para os foliões do morro nos outros 360 dias do ano também.
Já em 1956 se cantava: "Pra que discutir com madame?" Quando eu era chamada de 'madame' no Brasil, me sentia ofendida. Sentia um gostinho da vingança. Percebi que levava uma vida de "madame”, mesmo sem querer. Acabou. E não sinto falta. É chata, a vida de madame.
Astrid Prange de Oliveira foi para o Rio de Janeiro solteira. De lá, escreveu por oito anos para o diário taz de Berlim e outros jornais e rádios. Voltou à Alemanha com uma família carioca e, por isso, considera o Rio sua segunda casa. Hoje ela escreve sobre o Brasil e a América Latina para a Deutsche Welle. Siga a jornalista no Twitter @aposylt e no astridprange.de.
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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Fonte da Imagem: http://keepwobblin.com/wp-content/uploads/2018/01/Nude_Gust_Online_1500.jpg
domingo, 24 de fevereiro de 2019
Isso é crime, e não ajuda humanitária
Revoltante e irresponsável. E de ambos os lados. O que está acontecendo nas fronteiras da Venezuela não é fornecimento de ajuda humanitária, mas o uso político dela. Isso é um crime, afirma Astrid Prange.
Deutsche Welle
Vamos deixar uma coisa bem clara: a população da Venezuela precisa de ajuda humanitária. O número de pessoas que luta pela simples sobrevivência aumenta a cada dia, e o fornecimento de alimentos e medicamentos é uma catástrofe no país.
Tanto pior, portanto, que o autointitulado presidente interino Juan Guaidó e seus apoiadores abusem da ajuda humanitária e a usem como instrumento de poder. Aparecer do lado de pacotes de comida para bebê rende boas imagens para a televisão, mas pouca credibilidade política.
Pior ainda é o presidente Nicolás Maduro. O sucessor de Hugo Chávez arruinou economicamente o país, e de forma sistemática. Ele mandou prender os adversários políticos, tirou poder do Parlamento, que é dominado pela oposição, e abandonou a população à própria sorte.
Agora, a ajuda humanitária deve servir, para os dois lados, de cobertura para o fracasso político. As sanções contra o regime de Maduro, impostas desde 2015 pelos Estados Unidos, não tiveram o "sucesso" esperado, ou seja, a queda do "Socialismo do Século 21".
Elas apenas aceleraram o declínio da Venezuela e empurraram Maduro cada vez mais para os braços de Moscou e Pequim. Na semana passada, Maduro falava que não havia fome na Venezuela. Agora, ele anuncia, às vésperas do embate de 23 de fevereiro, que 300 toneladas de ajuda humanitária estão chegando da Rússia.
A Rússia é o principal aliado da Venezuela. Já nos tempos de Chávez, o Kremlin enviava armas para as Forças Armadas venezuelanas. Além disso, Caracas deve 12 bilhões de dólares para Moscou – como garantia para empréstimos, a Venezuela empenhou nada menos que a metade das ações da Citgo, uma rede de postos de gasolina nos Estados Unidos que pertence à estatal petrolífera PDVSA.
A Rússia tem, com isso, dois trunfos contra o presidente Donald Trump: por meio da Citgo, pode influenciar o abastecimento de combustíveis nos Estados Unidos; e, por meio da presença na Venezuela, se estabeleceu como importante ator internacional, ao lado da China e dos EUA, na América Latina.
O mais novo exemplo é o veto da Rússia no Conselho de Segurança da ONU, na semana passada. À resolução dos EUA que exigia novas eleições e ajuda humanitária, Moscou contrapôs seu próprio projeto de resolução.
O imbróglio deixa antever um retorno à Guerra Fria. Que ela tenha como palco justamente a América Latina é especialmente trágico. Afinal, a confrontação entre os Estados Unidos e a Rússia foi oficialmente encerrada apenas em 2014, com a normalização das relações diplomáticas entre EUA e Cuba.
Se houvesse um real interesse em enviar ajuda humanitária para a população da Venezuela, agências da ONU, como o Programa Alimentar Mundial, poderiam levar alimentos para o país – se necessário, com um mandato do Conselho de Segurança. Organizações de ajuda humanitária americanas e russas, bem como doadores de todo o mundo, poderiam entregar suas remessas para a ONU em vez de usá-las para elevar a divisão política dentro do país.
E ainda mais importante: o governo da Venezuela poderia, ele mesmo, pedir ajuda à comunidade internacional. Ajuda humanitária também poderia ser transportada a pé, por voluntários, por outros pontos da fronteira além de Cúcuta – sem toda essa cobertura midiática.
O atual uso político da ajuda humanitária é tudo menos humanitário. Ele faz uma população inteira refém e transforma quem presta ajuda humanitária em cúmplice de uma acirrada disputa política de poder. Isso é um crime.
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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Imagem: https://c.wallhere.com/photos/75/9e/Zdzis_aw_Beksi_ski_fantastic_realism_creepy_surreal_dark_war-1504145.jpg!d
domingo, 17 de fevereiro de 2019
O que afasta os turistas estrangeiros do Brasil?
País recebe somente 6,5 milhões de visitantes por ano, menos até que a cidade Osaka, no Japão. Motivos vão desde falta de preparo e infraestrutura até manchetes negativas no noticiário internacional.
Fonte: Deutsche Welle
O Brasil atrai atualmente um pouco mais de 6,5 milhões de turistas estrangeiros por ano. Pode parecer muito, mas o número é baixo considerando seu tamanho continental e a variedade de atrações e belezas naturais. O país perde, por exemplo, para a cidade de Osaka, no Japão, que recebe anualmente cerca de 8,4 milhões de visitantes estrangeiros.
Nos últimos dez anos, o Brasil não apareceu entre os 40 país que mais recebem visitantes estrangeiros, segundo dados da Organização Mundial de Turismo (UNWTO). Nações como África do Sul (10,2 milhões), Austrália (8,8 milhões) e Tailândia (35,4 milhões) – que ficam praticamente tão longe quanto o Brasil dos EUA e da Europa, principais centros emissores de turistas – recebem mais estrangeiros.
Enquanto as chegadas de turistas estrangeiros cresceu 7% no mundo em 2017 em comparação ao ano anterior, a maior alta desde a crise financeira mundial de 2008, o turismo no Brasil aumentou somente 0,6% no mesmo período, segundo a UNWTO.
Segundo especialistas, entre os principais motivos para um país com tanta diversidade de destinos "patinar" no turismo mundial estão as manchetes negativas no exterior; a pouca divulgação internacional; a falta de preparo e infraestrutura para receber os estrangeiros e o alto custo da viagem.
"O turismo internacional no Brasil ganhou mais força no país nos últimos dez anos e, portanto, carece de maturidade. O Rio de Janeiro sempre foi um destino muito procurado internacionalmente", diz André Coelho, especialista em turismo da FGV Projetos. "Mas, quando pensamos no Brasil como um todo, ele está em estágio de maturidade anterior ao de outras nações menores."
O especialista enxerga a imagem brasileira como manchada pelo noticiário negativo recorrente. As notícias no exterior são, geralmente, um misto entre casos de violência, como a intervenção federal no Rio, crises e desastres, como o de Brumadinho.
Ministérios de Relações Exteriores de países estrangeiros costumam dar conselhos aos viajantes em seus sites. O da Alemanha, por exemplo, cita que "o risco de se tornar vítima de um assalto ou outro crime violento é significativamente maior no Brasil do que nos países da Europa Ocidental" e que algumas cidades grandes como Belém, Porto Alegre, Recife, Salvador, Fortaleza, São Luiz, Maceió, Rio de Janeiro e São Paulo "têm altas taxas de criminalidade" e que "a cautela é apropriada, mesmo em partes do país e de cidades consideradas seguras".
Outro fator que impede o aumento do número de turistas internacionais no país é o custo total da viagem. Os alemães, por exemplo, pagam cerca de 600 euros para voar durante o verão europeu para Bangcoc, num trajeto que dura cerca de 11 horas. Já para São Paulo, no mesmo período, a viagem de cerca de 12 horas custa normalmente 1 mil euros. Além da passagem, o custo de hotéis, entrada em atrações, transporte e alimentação na Tailândia é bem menor do que no Brasil.
"O custo total da viagem interfere no processo decisório do turista. Para um alemão ou europeu ocidental, por exemplo, é mais barato viajar e se custear na Tailândia do que no Brasil", conta André Coelho, da FGV Projetos. "Há também mais voos da Europa para o país asiático, já que Bangcoc serve também de hub [centro de distribuição de voos] para passageiros que vão para outros destinos no sudeste asiático e Austrália. Assim, os preços dos tíquetes aéreos se tornam mais baratos."
O especialista diz, ainda, que a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016, não foram suficientes para turbinar o turismo no país. "A Copa, por ter tido um alcance nacional com as doze sedes e mais pessoas assistindo às partidas no mundo, deu uma boa visibilidade para o Brasil”, explica Coelho. "Já a crise econômica atingiu não só o Rio de Janeiro, mas também todo o país, um ano antes do início dos Jogos Olímpicos, atrapalhando o sucesso do megaevento no Rio."
Divulgação do país e facilitação de vistos
O Ministério do Turismo reconhece que a chegada de turistas estrangeiros não condiz com o potencial do país e que tem trabalhado na conectividade do Brasil e o aumento da promoção internacional. Isso englobaria a isenção de visto – sem reciprocidade – para quatro países considerados estratégicos: EUA, Canadá, Japão e Austrália. Há a expectativa de que a liberação possa acontecer ainda este ano.
Entre as metas do governo federal para o período de 2019-2022 está um salto na chegada de turistas estrangeiros: dos 6,8 milhões estimados em 2018 para 12 milhões de visitantes internacionais em 2022.
Mas ao mesmo tempo em que pretende quase dobrar o número de chegadas internacionais no país em um período de quatro anos, a Embratur – responsável desde 2003 pela promoção do Brasil no mercado internacional – encerrou no final de 2018, após cinco anos, o contrato com executivos que faziam a divulgação do país em 11 nações estratégicas: EUA, França, Argentina, Peru, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Reino Unido, Rússia e Japão.
O governo federal, porém, não vê prejuízos para o setor, já que, a partir deste ano, o relacionamento com profissionais do setor turístico internacional será comandado diretamente pelo corpo técnico da Embratur, numa ação articulada com o Itamaraty. "Uma equipe de servidores estreitará relações com os mais de 23 mil parceiros internacionais já mapeados, entre operadores de turismo, companhias aéreas, agências de viagem e outros", afirma o texto.
Nos últimos cinco anos, o Brasil viu também sua verba de promoção turística no exterior cair mais da metade. De acordo com dados do Ministério do Turismo, o país investiu 117,3 milhões de reais em 2014 em ações de divulgação. Já em 2018, o montante foi de 51,3 milhões de reais.
O Ministério do Turismo acredita que a aprovação do projeto que prevê a criação da Agência Brasileira de Promoção do Turismo (nova Embratur), que está em tramitação no Congresso, dará mais flexibilidade à gestão da autarquia e reforçará a promoção internacional por meio de parcerias com a iniciativa privada para atrair turistas, eventos e investimentos.
"A Embratur precisa de mais recursos para fazer a promoção do país. Marketing turístico é muito mais do que publicidade nas redes sociais, é ter também representação estratégica no exterior", afirma Coelho. "A promoção brasileira precisa sair para o mundo. Não se pode promover o país estando no Brasil. Há um potencial de crescimento muito grande, mas ele depende de uma nova gestão de promoção turística também", completa o especialista.
Ele diz ser positivo o movimento do Brasil de simplificar o visto de turista para cidadãos dos EUA, Canadá, Japão e Austrália. Entre as facilidades do visto eletrônico estão a redução do custo da emissão da autorização, que passou de 160 dólares para 40 dólares (além de uma taxa de 4,24 dólares) e do prazo médio, que foi alterado de 30 dias para a média de até cinco dias úteis. A meta, agora, é ampliar esse benefício para outros mercados estratégicos como China e Índia.
Após a adoção do visto eletrônico a partir de dezembro de 2017, o Ministério das Relações Exteriores observou um crescimento nos países beneficiados – EUA, Canadá, Japão e Austrália – de cerca de 40% no pedido de visto para o país, o que pode potencialmente representar uma injeção de 71,5 milhões de dólares na economia brasileira.
"Esses movimentos de flexibilização de visto só ganharam força nos últimos dois anos, já poderiam ter sido feitos antes", conclui Coelho. "Alinhada a medidas como mais segurança e infraestrutura para turistas, além de uma melhor divulgação do Brasil no exterior, a adoção do visto eletrônico e a liberação unilateral de vistos para alguns países trará mais visitantes para o país."
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