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sábado, 18 de junho de 2022

IMPRESSÕES DE CHARLES DARWIN SOBRE O BRASIL

 



Charles Darwin, 19 de agosto de 1836:

“No dia 19 de agosto deixamos finalmente as costas do Brasil. Dou graças a Deus, e espero nunca mais visitar um país de escravos. Até o dia de hoje, sempre que ouço um grito distante, lembro-me vivamente do momento doloroso que senti quando passei por uma casa no Recife. Ouvi os mais angustiosos gemidos, e não tinha dúvida nenhuma de que algum miserável escravo estava sendo torturado, entretanto, sentia-me tão impotente quanto uma criança, para até mesmo dar demonstrações. Julguei que os gemidos partiam de um escravo trucidado, pois disseram-me ser esse o caso, em outra ocasião. (...)” (Darwin, 1871, p. 129). 

Em seguida Darwin comentou a crueldade com que os escravos eram tratados, relembrando particularmente a sua passagem pelo Rio de Janeiro e revelando sua aversão a tais atos e à escravidão em geral. 

Em 2 de outubro, Darwin chegava finalmente à Inglaterra. 

Seu desejo de não mais visitar um país de escravos certamente foi atendido, e ao Brasil nunca mais retornou. 

 

Fonte: O Retorno Impossível: Charles Darwin e a Escravidão no Brasil; Antonio Carlos Sequeira Fernandes & Vera Lucia Martins de Moraes, no A n u á r i o d o I n s t i t u t o d e G e o c i ê n c i a s - U F R J ISSN 0101-9759 e-ISSN 1982-3908 - Vol. 31 - 1 / 2008 p. 65-82.

 Imagem: Slaves And Parasites By Jeff Christensen.

 

Nota do Blog: infelizmente, embora mais disfarçada, essa terrível "tradição" escravagista ainda persiste no Brasil.

quinta-feira, 7 de março de 2019

É chata, a vida de madame



Ainda falta muito para o Brasil se livrar da herança da escravidão. A vida de madame não tem futuro. Só que muitas mulheres da classe média e da chamada alta sociedade ainda não se deram conta, escreve Astrid Prange.

Caros Brasileiros,

Será que "a grande ilusão do Carnaval" é uma ilusão? Será que não são o rei e a jardineira fantasiados que vivem uma ilusão, mas sim, pelo contrário, o público que os aplaude? Na música A felicidade, de Tom Jobim, tudo se acaba na Quarta-feira de Cinzas.

Mas, na verdade, não acaba mais não. Faz 60 anos que Tom Jobim compôs essa música maravilhosa. Em 1958, era "normal" que o rei ou a jardineira voltassem a trabalhar para um salário mínimo depois da folia, ficando quietinhos até o próximo Carnaval.

Graças à luta de muitas "jardineiras e piratas", essa "normalidade" esta acabando. Pois os filhos e netos dos "piratas e jardineiras" hoje finalmente têm mais direitos, opções profissionais e mais peso político. O Brasil da Casa grande e senzala que Gilberto Freyre descreveu mudou.

Inclino-me perante guerreiras como Odete Conceição ou Nair Jane, "relíquias" do sindicato das domésticas, que lutaram para coisas tão básicas como o direito de ter uma certidão de nascimento. Pois, sem documento, muitas empregadas domésticas não "existiam" e, consequentemente, também não tinham direito à aposentaria, mesmo depois de décadas de trabalho.

Ainda falta muito para se livrar dessa herança cultural da escravidão. Mas não tem mais volta. Nem a eleição de Bolsonaro vai mudar isso. A vida de madame não tem futuro. Só que, no Brasil, muitas mulheres da classe média e da chamada alta sociedade ainda não se deram conta disso.

Cada vez que converso com brasileiros que se mudam para a Alemanha, me lembro desses contratempos e das eternas queixas sobre empregadas que não "trabalham direito". E são muitos os brasileiros vieram para a Europa e a Alemanha, especialmente depois da última eleição.

Não é só ativista político que se sente perseguido porque luta por diretos de minorias ou direitos sociais. É muita gente que foge do clima pesado, do pessimismo, da violência e da falta de perspectivas. Inclusive os eleitores de Bolsonaro.

Independentemente dos motivos da emigração, muitos brasileiros que chegam à Alemanha se deparam aqui com uma vida de "pirata e jardineira": sobrevivem sem arrumadeira, passadeira, cozinheira, faxineira, babá, porteiro ou motorista. Encontram "piratas e jardineiras" do morro que trabalhem por aqui e se viram muito melhor do que eles.

Confesso que já presenciei cenas incríveis. Macarrão grudado e tão duro que precisava de uma faca para cortar; blusa branca que virou cor-de-rosa e azul, pois rodou junto com calça jeans na máquina de lavar roupa; e roupa de cama que nunca foi trocada.

Pergunto-me: quanto tempo ainda vai durar a ilusão brasileira de Carnaval? Quanto tempo ainda vai demorar até que grande parte da classe média brasileira se emancipe da herança da escravatura?

Admito que muita gente poderia argumentar que essa crítica minha é hipócrita. Eu mesma já me questionei. Pois, quando vivia no Brasil, também tinha a mordomia de ter uma babá para as minhas filhas. No início, me senti constrangida, mas depois fiz as pazes e tentei devolver o apoio que dela recebi.

Hoje, estou cada vez mais convencida de que a ilusão do Carnaval não é uma ilusão. É a realidade que define o dia a dia no Brasil. Só falta que o reconhecimento no Sambódromo seja estendido para os foliões do morro nos outros 360 dias do ano também.

Já em 1956 se cantava: "Pra que discutir com madame?" Quando eu era chamada de 'madame' no Brasil, me sentia ofendida. Sentia um gostinho da vingança. Percebi que levava uma vida de "madame”, mesmo sem querer. Acabou. E não sinto falta. É chata, a vida de madame.


Astrid Prange de Oliveira foi para o Rio de Janeiro solteira. De lá, escreveu por oito anos para o diário taz de Berlim e outros jornais e rádios. Voltou à Alemanha com uma família carioca e, por isso, considera o Rio sua segunda casa. Hoje ela escreve sobre o Brasil e a América Latina para a Deutsche Welle. Siga a jornalista no Twitter @aposylt e no astridprange.de.

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.

Fonte da Imagem: http://keepwobblin.com/wp-content/uploads/2018/01/Nude_Gust_Online_1500.jpg

sábado, 17 de novembro de 2012

ELES NÃO GOSTAM DE SERES HUMANOS

Fonte desta imagem AQUI.

Foxconn começa a substituir funcionários por 10 mil robôs 

autor: risastoider


A Foxconn já planejava usar robôs para compor sua força de trabalho nas fábricas há algum tempo, mas agora a coisa ficou séria. Os estabelecimentos começaram a receber as primeiras máquinas: no total, a empresa pretende utilizar 10 mil robôs para substituir entre 10 mil e 20 mil trabalhadores.

Conforme o VR-Zone
, a Foxconn pretende aumentar esse número para 1 milhão dentro de três anos, o que vai gerar uma grande quantidade de demissões. Para se ter uma ideia, hoje, o total de funcionários da Foxconn gira em torno de 1,2 milhão.

Apelidados de “Foxbots”, os robôs farão atividades consideradas simples, como dar jatos de spray nas peças, soldagem e algumas montagens. Com os robôs, a Foxconn ainda quer acabar com as denúncias de organizações defensoras dos direitos dos trabalhadores, que acusam a empresa de práticas desumanas.

Uma coisa é certa: os robôs não precisam receber salários. Mas eles também têm um custo: para cada Foxbot, a companhia deve desembolsar algo em torno de US$20 mil e US$25 mil, valor três vezes maior do que a um funcionário humano chega a ganhar em um ano inteiro. Isso sem contar os custos com manutenção.

Adrenaline

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Site da Foxconn é invadido por hackers

Fábrica da Foxconn na China
Um grupo de hackers denominado Swagg Security invadiu o site da Foxconn e divulgou nomes de usuários, senhas e informações pessoais de todos os funcionários da empresa, incluindo o presidente da companhia, Terry Gou.

O ataque foi em resposta às péssimas condições de trabalho as quais funcionários da Foxconn são submetidos em fábricas na China.

Mais informações:
- http://goo.gl/QRsw6

Fonte: Clube do Hardware

terça-feira, 16 de março de 2010

Grupo é encontrado em trabalho escravo

Deviantart:

Um grupo de 23 pessoas foi encontrado em situação de trabalho escravo em Bom Jesus, no Nordeste do Estado. Segundo a procuradora do Trabalho de Caxias do Sul, Priscila Boaroto, auditores fiscais que faziam uma operação de rotina na região denunciaram o caso.

Por intermédio de um paulista, as vítimas - procedentes do estado do Maranhão - foram contratadas para atuar em uma plantação de batatas. Apesar disso, ninguém tinha registro em carteira ou recebia algum direito trabalhista. De acordo com a procuradora, todos ficavam expostos a uma situação degradante tanto no local da colheita quanto nos alojamentos. "Eles estavam dormindo no chão, sem banheiro e sem refeitório adequado", contou.

Priscila disse que o acordo entre o contratante e os trabalhadores era de que eles receberiam por comissão. Cada um ganharia R$ 14,00 por bag - espécie de unidade de medida (sacola). Apesar de conseguirem colher entre quatro e cinco bags diariamente, um intermediário recebia o dinheiro do produtor e tirava uma comissão de R$ 4,00 por sacola antes de fazer o pagamento às vítimas. Com a ação do MPT, os 23 trabalhadores receberam verbas rescisórias e tiveram os contratos rescindidos. Voltaram para o MA.

Correio do Povo

Pergunta do Blog: Quem são os proprietários das terras onde isso acontece?

domingo, 7 de março de 2010

Ação resgata 22 trabalhadores


Uma ação conjunta da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Estado (SRTE/RS) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou no resgate de 22 pessoas - 17 homens e cinco mulheres. O grupo estava submetido a trabalho escravo em uma propriedade rural de Bom Jesus, na região dos Campos de Cima da Serra.

Correio do Povo

Pergunta do Blog: Por que não é divulgado o nome do proprietário rural escravagista?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Du Pont do Brasil


O Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul e a empresa Du Pont do Brasil S/A – Divisão Pioneer Sementes firmaram acordo e fixaram as obrigações da companhia, estabelecidas na Ação Civil Pública ajuizada pelo MPT/RS. A empresa, que atua em mais de 50 países, compromete-se a regularizar as condições de higiene, saúde e segurança dos trabalhadores nas suas unidades em todo o Estado.

Em fiscalização na zona rural das Missões, o MPT/RS constatou irregularidades no registro de jornada dos trabalhadores, ausência de instalações sanitárias em condições adequadas, inexistência de local próprio para refeição, além da falta de acesso à vacinação dos trabalhadores contra surtos endêmicos – à época, a região estava em alerta para a incidência da febre amarela. A Ação Civil Pública contra a Du Pont recebeu liminar favorável da Vara do Trabalho de Santa Rosa (RS) em fevereiro.

Segundo o acordo firmado pelas partes, a empresa deverá disponibilizar imediatamente áreas de vivência com condições adequadas de conservação, asseio e higiene em cada frente de trabalho. Os locais deverão ter instalações sanitárias fixas ou móveis compostas de assentos sanitários e lavatórios, na proporção de um conjunto para cada grupo de 40 trabalhadores. Também deverá haver áreas para refeição que tenham abrigos, fixos ou móveis, que protejam os trabalhadores em caso de chuva ou vento e durante as refeições.

Os agricultores também deverão ter acesso à vacinação e prevenção contra doenças endêmicas. A Du Pont terá que garantir pausas para descanso e outras medidas que preservem a saúde dos trabalhadores.

Também deverá ser fornecido o transporte coletivo dos servidores. É necessário que as condições de segurança dos veículos estejam adequadas. Além disso, a empresa terá que disponibilizar gratuitamente os Equipamentos de Proteção Individual (EPI's). Eles deve estar adequados ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento.

Os trabalhadores devem ter acesso gratuito a água potável e fresca em quantidade suficiente nos locais de trabalho. A empresa também deverá garantir a cada contratação utensílios para armazenar as refeições.

A companhia se compromete a assegurar o registro da jornada de trabalho. Ela também deve disponibilizar o treinamento em primeiros socorros para no mínimo um trabalhador a cada turma de no máximo 40.

A Ação Civil Pública também previa que a companhia prestasse uma reparação por dano moral coletivo. A empresa se compromete a elaborar seis mil cartilhas sobre normas de segurança e saúde no trabalho rural e distribui-las nas próximas três safras.

Além da empresa se comprometer a respeitar as normas de saúde e segurança do trabalhador, também assegurou não utilizar mão-de-obra por meio cooperativas para a prestação de quaisquer serviços.

Como forma de pagar pela multa, a Du Pont deverá doar uma camionete de aproximadamente R$ 90 mil à Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Santo Ângelo (RS). A companhia se comprometeu ainda a doar uma mesa elétrica de cirurgias para o Hospital de Caridade de Três Passos, no valor aproximado de R$ 26 mil. Outros R$14 mil deverão ser pagos ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Em caso de descumprimento do acordo, a empresa terá que pagar multa de R$ 10 mil por cláusula descumprida, além de 30% do salário do piso da categoria para cada trabalhador prejudicado. Se as multas forem aplicadas, os valores poderão ser revertidos ao FAT.

Os grifos são deste blog.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Una cifra que duele: en el mundo hay 218 millones de niños que trabajan


Alrededor de 218 millones de niños trabajan en todo el mundo, de los cuales unos 126 millones, es decir, uno de cada doce, están expuestos a las peores formas de trabajo infantil, ya sea servidumbre, trabajos forzosos o explotación sexual.

El trabajo infantil afecta a unos 5,7 millones de niños en Latinoamérica, en sectores tan dispares como la agricultura (1,32 millones de menores de entre 5 a 14 años), el servicio doméstico (175.000), la pesca, el sector manufacturero, la explotación sexual o como niños soldado (30.000).

Así lo afirmó el director de la Oficina de la Organización Internacional del Trabajo (OIT) en España, Juan Hunt, en una conferencia de prensa en Madrid con motivo de la celebración del Día Mundial contra el Trabajo Infantil, que se conmemorará el viernes.

La mayoría de los niños que trabajan en América Latina lo hace para sus familias y no percibe ningún sueldo, y las niñas son las más afectadas, ya que, en general, las oportunidades que se les ofrecen en el mercado laboral remunerado son peores que las de los varones.

Hunt indicó que se trata de "un problema gravísimo en todo el mundo" y aseguró que los países más propensos al trabajo infantil "hipotecan su presente y su futuro" y vaticinó que la actual crisis económica global aumentará estas cifras de trabajo infantil. "Estamos claramente en una crisis de empleo. Sin duda alguna, la crisis afecta al trabajo infantil y va a suponer que los números van a incrementarse porque afecta a todo el entorno de la sociedad", añadió.

La OIT celebra el Día Internacional contra el Trabajo Infantil coincidiendo con el 90º aniversario de su nacimiento y el décimo de la puesta en marcha del Convenio 182, referente a las Peores Formas de Trabajo Infantil, ratificado por 169 de los 181 países miembro de esta agencia de la ONU.

Crítica Digital