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domingo, 4 de janeiro de 2015

DÉJÀ VU NO RS




Desenho de Maurits Cornelis Escher


Déjà vu é um galicismo que descreve a reação psicológica da transmissão de ideias de que já se esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo.  O termo é uma expressão da língua francesa que significa, literalmente, "Já visto". (Wikipedia)


A sensação de repetição que fica, para quem acompanha a transição de um Governo para outro, no Estado do RS, neste final do ano 2014 e início de 2015, é bastante forte.

É considerado normal que novos governantes questionem, muitas vezes de forma ríspida, beirando a deselegância, a gestão anterior, principalmente se não ocorreu um processo de continuidade, ou seja, se os novos governantes eleitos exerceram oposição ao governo anterior.

Já ocorreram situações em que os governantes que estavam saindo literalmente fugiram da cerimônia da passagem de poder.

Também é considerado aceitável, em algumas situações, que ocorram fortes divergências de avaliação a respeito do estado atual do Governo, entre os governantes que saem e os que entram.

Por outro lado, em alguns casos, essas diferenças de pontos de vista são enormes.

O Governo que sai muitas vezes jura que está deixando para trás uma situação confortável para quem está entrando.

O Governo que entra, por sua vez, quando não é de continuidade, constata que a situação encontrada é ruim, principalmente em relação às finanças, insuportavelmente deficitárias.

No caso da transição atual, o Governo que está entrando adotou a postura de que a situação financeira está caótica, próxima da insolvência.

Não existem recursos para pagamento dos fornecedores e para continuidade de investimentos em andamento, salvo poucas exceções, e se corre grande risco de faltar recursos financeiros para o pagamento dos salários do funcionalismo.

Ou seja, o Governo do RS, segundo os governantes que entram, encontra-se à beira da catástrofe e com um pé já dentro.

Não se diz claramente, porém se induz o pensamento, com apoio da mídia, de que essa situação catastrófica é fruto de desmandos da gestão anterior.

A continuidade dessa lógica no tempo é clara: o caos cada vez aumenta, todos ficam desesperados e o Governo chega à conclusão de que a única solução viável para salvar o Estado, não mais o Governo, é a venda de patrimônio público.

E, assim, é lógico cogitar a venda de várias organizações, como é o caso do Banrisul, CEEE, Corsan (é grande o apetite pela privatização da água), CRM, SULGAS, etc.

A grande mídia, sócia e interessada nessa matéria, martela sistematicamente essa ideia, procurando torná-la aceitável para setores amplos da população.

No final surge o Governador, emocionado, não permitindo o absurdo de todas essas privatizações. Somente permitirá aquelas absolutamente necessárias para a salvação da República Riograndense. Banrisul e Corsan, por exemplo.

O povo suspira, aliviado.

Esse parece ser um roteiro que está sendo colocado em prática.

O que chama a atenção para alguém que não está de posse das informações dos bastidores, é que os governantes que terminaram a gestão em 2014 parecem estar conformados com essa situação.

Obviamente que não estão, porém parecem estar, às vezes.

Por exemplo, como já citado anteriormente, existe um verdadeiro abismo entre a percepção de como o Governo anterior deixou a administração do Estado, comparando com a percepção que está sendo martelada pelos novos governantes do aparentemente estado caótico com que receberam o Governo.

Ressalte-se novamente que os novos governantes têm o apoio firme da "grande mídia" para divulgar seus pontos de vista de terra arrasada, pois parecem existir vários interesses em comum entre os atuais governantes e os proprietários dos meios de comunicação.

Seria de se esperar um grande esforço de divulgação, por parte dos governantes que saíram e seus apoiadores, das enormes discrepâncias entre a realidade dos fatos e a versão que está sendo tornada pública, se essas discrepâncias realmente existem, e parece que existem.

O que se vê são pronunciamentos isolados, algumas vezes quase em tom de desculpa, procurando apresentar de forma tímida as divergências de dados e de avaliação.

Claro, todas essas observações são de alguém que não detêm a totalidade das informações.

Pode ser que existam explicações para tudo, tendo em vista o reconhecido brilhantismo intelectual dos envolvidos.

Porém como já dizia Carl Sagan, "o brilhantismo intelectual não é garantia contra... estar errado".

domingo, 15 de abril de 2012

Censura e Poder no Império das Letras

Fonte da Imagem AQUI.
Um dia a Revista de História da Biblioteca Nacional poderá publicar uma reportagem intitulada "Censura e poder no império das letras", contando o que lá aconteceu nos primeiros meses de 2012.

No dia 24 de janeiro, o jornalista Celso de Castro Barbosa publicou no site da Revista de História uma resenha do livro "A Privataria Tucana". Durante nove dias o texto esteve no ar, até que foi condenado publicamente pelo presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra. Daí em diante deu-se uma sucessão de desastres. A resenha foi expurgada, quando a boa norma recomendava que fosse contraditada por outros textos. A Sociedade dos Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin) informou que o texto não passara pelos procedimentos burocráticos da redação. Falso. Em seguida, a colaboração regular de Barbosa foi dispensada pelo editor da revista, professor Luciano Figueiredo.

No dia 29 de fevereiro o jornalista enviou uma carta a oito membros do Conselho Editorial da revista contando seu caso: "Gostar de um livro, senhoras e senhores conselheiros, não é crime". Nenhum deles respondeu e até hoje o Conselho nada disse sobre o expurgo do texto. Nem a Sabin.

Enquanto essa panela fervia, a Sabin demitiu o professor Figueiredo. Um caso nada tinha a ver com o outro, pois as razões da dispensa eram administrativas. Diversos conselheiros, insatisfeitos com a demissão, ameaçaram renunciar. A briga tinha cacique demais e índios de menos, até que a redação, que faz a revista, resolveu falar. Ela enviou uma carta aos conselheiros informando que "um incômodo tem nos acompanhado: o discurso público dos senhores em solidariedade ao ex-editor, na tentativa de fazê-lo retornar à revista". Queixaram-se de sua gestão e mais: "A RHBN precisa de um editor que não ordene à equipe trabalhos extra-RHBN, sem remuneração".

No dia 1, Celso de Castro Barbosa enviou nova carta aos mesmos oito conselheiros da revista, com a mais justa das queixas: "Procurei mantê-los informados, mas o que se seguiu foi seu silêncio estridente. (...) Francamente, com amigos como vocês, a Biblioteca Nacional não precisa de inimigos".

Resposta, nem pensar.

Elio Gaspari

quarta-feira, 28 de março de 2012

MAIS UMA VÍTIMA DA PRIVATARIA TUCANA

Tucano para Colorir

Patrulha e Censura

Diga qual foi a publicação onde aconteceu isso:

Tendo publicado em seu site uma resenha favorável a um livro, ela foi denunciada pela direção de um partido político e daí resultaram os seguintes acontecimentos:

1) A resenha foi expurgada.

2) O autor do texto foi dispensado.

3) Semanas depois, o editor da revista foi demitido.

Isso aconteceu na revista História, o livro resenhado foi "A Privataria Tucana", a denúncia partiu do doutor Sérgio Guerra, presidente do PSDB, o jornalista dispensado foi Celso de Castro Barbosa e o editor demitido foi o historiador Luciano Figueiredo.

Em nove anos de poder, não há registro de que o comissariado petista, com suas teorias de intervenção na imprensa, tenha conseguido desempenho semelhante.

A revista é editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, que pouco tem a ver com a administração da veneranda instituição. No episódio, sua suposta amizade ofendeu a ideia de pluralidade essencial às bibliotecas.

Elio Gaspari, CP

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

DETALHES DA PRIVATARIA TUCANA

Road Town, Capital das Ilhas Virgens Britânicas

Na mesma batida

Por Juremir Machado da Silva, para Correio do Povo

Não faz muito, quando as denúncias de um soldado obscuro levaram à queda o ministro dos Esportes, Orlando Silva, o PC do B e amigos da base aliada do governo federal tentavam desqualificar o denunciante alegando que ele estava sendo processado por isto e aquilo. A oposição rebatia afirmando que é sempre assim que acontece. Bancava a irônica: queriam o quê? Que a denúncia partisse do arcebispo de Brasília? Agora, com a publicação de uma bomba sob a forma de livro, "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr., a oposição defende-se alegando que não se pode confiar num sujeito que está sendo processado por isto e aquilo, sendo isto e aquilo tentar montar um dossiê contra José Serra durante a campanha de 2010. A base aliada, obviamente, responde com ironia: queriam o quê? Que o livro fosse escrito pelo arcebispo de Brasília? Política é assim: bateu, levou.

Alto nível. Uma das partes mais instrutivas e hilariantes do livro de Amaury Ribeiro é sobre nomes de empresas de fachada montadas para repatriar dinheiro sujo do exterior, no caso capital levado por doleiros para as Ilhas Virgens Britânicas. Verônica Serra, por exemplo, teria criado a Decidir, sediada em Buenos Aires, para faturar com o fabuloso mundo da Internet, tendo depois sido aberta uma subsidiária em Miami. Gente fina não abre empresa virtual na Marginal Tietê. Em determinado momento, Verônica publicou nota garantindo nada mais ter com a empresa. Amaury Ribeiro prova que a ligação persistiu. Só que a Decidir mudou de endereço. Foi parar nas incontornáveis e providenciais Ilhas Virgens Britânicas com o pomposo nome de Decidir International Limited. Que coisa! Estou louco para conhecer essas Virgens tão bicadas por tucanos. A Decidir International Limited injetou, conforme documento da Junta Comercial de São Paulo localizado por Amaury Ribeiro, R$ 10 milhões na Decidir Brasil em 2006. Por quê? Para trazer dinheiro de volta para casa. Dinheiro não suporta viver longe.

Mesmo assim, estranhamente, a Decidir Brasil das duas Verônica, que passou a se chamar Decidir.com.Brasil S.A, deu prejuízo. Por coincidência, o marido de Verônica Serra também tem uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, a IConexa Inc, que investe na brasileira IConexa Ltda. Todas essas empresas abrigam-se no mesmo endereço estrangeiro e no mesmo endereço paulistano. As transações da Iconexa Inc e da Iconexa Brasil Ltda. levam a assinatura de um mesmo homem, Alexandre Bourgeois. Como diz Amaury Ribeiro, ele cobra o escanteio, corre e faz o gol de cabeça. Vou parar de contar, o meu leitor que vá ler o livro para entender toda essa paixão pelas Ilhas Virgens Britânicas. Fernando Henrique Cardoso já disse que tudo isso é uma fábrica de calúnias e infâmias. Não é de se duvidar. Chatos são os documentos que parecem confirmar tudo o que é denunciado. Como ensinam alguns historiadores, não se pode confiar cegamente em documentos. É preciso saber interpretá-los. Sem dúvida.

Como sou um inocente, eu me pergunto todos os dias: por que mesmo o livro de Amaury Ribeiro não se tornou capa da revista Veja? Ou foi capa e eu perdi essa edição?

Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br

domingo, 11 de dezembro de 2011

A PRIVATARIA TUCANA

Fonte desta imagem AQUI.

Tucanos se complicam após lançamento de livro sobre esquema de corrupção no governo FHC


A situação nacional do maior partido da direita brasileira, o PSDB, fica ainda mais complicada diante do lançamento de A Privataria Tucana, livro do jornalista Amaury Ribeiro Junior. Disponível nas livrarias desde a noite passada, a obra reúne, em 343 páginas, todo o processo de privatização realizado ao longo do governo de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 90, que dilapidou patrimônios públicos como a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional. O livro revela, ainda, documentos inéditos sobre a transferência de bilhões de reais para esquemas de lavagem de dinheiro e pagamentos de propina aos altos escalões da República. O ex-governador de São Paulo, José Serra, que também é do PSDB, assim como o então presidente Fernando Henrique Cardoso são citados como cúmplices no ciclo de corrupção.

– O livro tem sido, de longe, o mais vendido aqui, até agora – resume um funcionário de uma das maiores livrarias na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Amaury Jr. já previa que a compilação dos documentos reunidos em A Privataria Tucana renderia no conteúdo explosivo que os jornais conservadores ainda tentam abafar. Apenas um comentário, do ex-presidente FHC, foi consignado na edição deste sábado do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo. Nele, o acusado de deixar passar um dos maiores crimes já cometidos contra o patrimônio público brasileiro preferiu apenas descredenciar o autor das denúncias. Citado como um dos vilões no episódio, o candidato tucano derrotado nas eleições presidenciais do ano passado, novamente preferiu o silêncio.

– Ficou bem claro durante as eleições passadas que Serra tinha medo de esse meu livro vir à tona. Quando se descobriu o que eu tinha em mãos, uma fonte do PSDB veio me contar que Serra ficou atormentado, começou a tratar mal todo mundo, até jornalistas que o apoiavam. Entrou em pânico – disse o jornalista à 
revista Carta Capital, em uma entrevista que reproduzimos a seguir.

Lavagem de dinheiro

À revista Carta Capital, Amaury revela que decidiu investigar o processo de privatização no governo Fernando Henrique Cardoso quando ainda era repórter do diário conservador carioca O Globo, nos idos de 2000.

– Antes, minha área da atuação era a de reportagens sobre direitos humanos e crimes da ditadura militar. Mas, no início do século, começaram a estourar os escândalos a envolver Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro de campanha do PSDB e ex-diretor do Banco do Brasil). Então, comecei a investigar essa coisa de lavagem de dinheiro. Nunca mais abandonei esse tema. Minha vida profissional passou a ser sinônimo disso.

– Quem lhe pediu para investigar o envolvimento de José Serra nesse esquema de lavagem de dinheiro?

– Quando comecei, não tinha esse foco. Em 2007, depois de ter sido baleado em Brasília, voltei a trabalhar em Belo Horizonte, como repórter do (diário conservador mineiro) Estado de Minas. Então, me pediram para investigar como Serra estava colocando espiões para bisbilhotar Aécio Neves, que era o governador do Estado. Era uma informação que vinha de cima, do governo de Minas. Hoje, sabemos que isso era feito por uma empresa (a Fence, contratada por Serra), conforme eu explico no livro, que traz documentação mostrando que foi usado dinheiro público para isso.

Ficou surpreso com o resultado da investigação?

– A apuração demonstrou aquilo que todo mundo sempre soube que Serra fazia. Na verdade, são duas coisas que o PSDB sempre fez: investigação dos adversários e esquemas de contrainformação. Isso ficou bem evidenciado em muitas ocasiões, como no caso da Lunus (que derrubou a candidatura de Roseana Sarney, então do PFL, em 2002) e o núcleo de inteligência da Anvisa (montado por Serra no Ministério da Saúde), com os personagens de sempre, Marcelo Itagiba (ex-delegado da PF e ex-deputado federal tucano) à frente. Uma coisa que não está no livro é que esse mesmo pessoal trabalhou na campanha de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, mas sob o comando de um jornalista de Brasília, Mino Pedrosa. Era uma turma que tinha também Dadá (Idalísio dos Santos, araponga da Aeronáutica) e Onézimo Souza (ex-delegado da PF).

O que você foi fazer na campanha de Dilma Rousseff, em 2010?

– Um amigo, o jornalista Luiz Lanzetta, era o responsável pela assessoria de imprensa da campanha da Dilma. Ele me chamou porque estava preocupado com o vazamento geral de informações na casa onde se discutia a estratégia de campanha do PT, no Lago Sul de Brasília. Parecia claro que o pessoal do PSDB havia colocado gente para roubar informações. Mesmo em reuniões onde só estavam duas ou três pessoas, tudo aparecia na mídia no dia seguinte. Era uma situação totalmente complicada.

– Você foi chamado para acabar com os vazamentos?

– Eu fui chamado para dar uma orientação sobre o que fazer, intermediar um contrato com gente capaz de resolver o problema, o que acabou não acontecendo. Eu busquei ajuda com o Dadá, que me trouxe, em seguida, o ex-delegado Onézimo Souza. Não tinha nada de grampear ou investigar a vida de outros candidatos. Esse “núcleo de inteligência” que até Prêmio Esso deu nunca existiu, é uma mentira deliberada. Houve uma única reunião para se discutir o assunto, no restaurante Fritz (na Asa Sul de Brasília), mas logo depois eu percebi que tinha caído numa armadilha.

– Mas o que, exatamente, vocês pensavam em fazer com relação aos vazamentos?

– Havia dentro do grupo de Serra um agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que tinha se desentendido com Marcelo Itagiba. O nome dele é Luiz Fernando Barcellos, conhecido na comunidade de informações como “agente Jardim”. A gente pensou em usá-lo como infiltrado, dentro do esquema de Serra, para chegar a quem, na campanha de Dilma, estava vazando informações. Mas essa ideia nunca foi posta em prática.

– Você é o responsável pela quebra de sigilo de tucanos e da filha de Serra, Verônica, na agência da Receita Federal de Mauá?

– Aquilo foi uma armação, pagaram a um despachante para me incriminar. Não conheço ninguém em Mauá, nunca estive lá. Aquilo faz parte do conhecido esquema de contrainformação, uma especialidade do PSDB.

– E por que o PSDB teria interesse em incriminá-lo?

– Ficou bem claro durante as eleições passadas que Serra tinha medo de esse meu livro vir à tona. Quando se descobriu o que eu tinha em mãos, uma fonte do PSDB veio me contar que Serra ficou atormentado, começou a tratar mal todo mundo, até jornalistas que o apoiavam. Entrou em pânico. Aí partiram para cima de mim, primeiro com a história de Eduardo Jorge Caldeira (vice-presidente do PSDB), depois, da filha do Serra, o que é uma piada, porque ela já estava incriminada, justamente por crime de quebra de sigilo. Eu acho, inclusive, que Eduardo Jorge estimulou essa coisa porque, no fundo, queria apavorar Serra. Ele nunca perdoou Serra por ter sido colocado de lado na campanha de 2010.

– Mas o fato é que José Serra conseguiu que sua matéria não fosse publicada no Estado de Minas...

– É verdade, a matéria não saiu. Ele ligou para o próprio Aécio para intervir no Estado de Minas e, de quebra, conseguiu um convite para ir à festa de 80 anos do jornal. Nenhuma novidade, porque todo mundo sabe que Serra tem mania de interferir em redações, que é um cara vingativo.

Daniel Dantas

As pistas deixadas por bilhões de reais movimentados nos esquemas fraudulentos revelados em Privataria Tucana, segundo Ribeiro Jr, levam ao banqueiro Daniel Dantas, condenado recentemente por uma série de crimes ligados à lavagem de dinheiro.

– Esses tucanos deram uma sofisticação à lavagem de dinheiro. Eram banqueiros, ligados ao PSDB. Quem estava conduzindo os consórcios das privatizações eram homens da confiança do Serra. É um saque (financeiro) que eles fizeram da privatização brasileira. Eles roubaram o patrimônio do país, e eu quero provar que são um bando de corruptos. A grande força desse livro é mostrar documentos que provam isso – afirmou, em conversa com jornalistas de um portal da internet.

O livro detalha o esquema de corrupção que teria, no comando, amigos e parentes de Serra e de outros líderes da direita brasileira, alguns ainda no Democráticos (DEM) e no recém-fundado Partido da Social Democracia (PSD).

– Há 20 anos, como diz o próprio livro, investido essas contas, rastreando tudo. Hoje sou um especialista (em lavagem de dinheiro). O tesoureiro do Serra, o Ricardo Sérgio, criou um modus operandi para gerir o dinheiro no exterior e eu descobri como funcionava o esquema. Eles mandavam todo o dinheiro, da propina, tudo, para as Ilhas Virgens, que é um paraíso fiscal, e depois simulavam operações de investimento, nada mais era do que a internação de dinheiro. Usavam umas off-shores, que simulavam investir dinheiro em empresas que eram dele mesmo no Brasil, numa ação muito amadora. A gente pegou isso tudo – afirmou.

Amaury Jr. nega que tenha cooptado alguém para realizar escutas telefônicas: “Não teve quebra de sigilo, como me acusaram”.

– São transações que estão em cartórios de títulos e documentos. Quando você nomeia um cara para fazer uma falcatrua dessa, você nomeia um procurador, você nomeia tudo. Rastreando nos cartórios de títulos e documentos, a gente achou tudo isso aí. Não tem essa história de que investiguei a Verônica Serra (filha do ex-governador), que investiguei qualquer pessoa ou teve quebra de sigilo. A minha investigação é de pessoa jurídica. Meu livro coloca documentos, não tem quebra de sigilo, comprova essa falcatrua que fizeram – resume.

– Segundo seu livro, esse esquema teria chegado a movimentar cifras bilionárias então?

– Bilionárias, bilionárias. (O esquema era realizado por) banqueiros ligados ao PSDB, formados na PUC do Rio de Janeiro e com pós-graduação em Harvard. A gente é muito simples, formado em jornalismo na Cásper Líbero, mas aprendi a rastrear o dinheiro deles. Eles inventaram um marco para lavar dinheiro que foi seguido por todos os criminosos, como Fernando Beira-Mar, Georgina (de Freitas que fraudou o INSS), e eu, modestamente, acabei com esse sistema. Temos condenações na Justiça brasileira para esse tipo de operações. Os discípulos da Georgina foram condenados por operações semelhantes às que o Serra fez, que o genro (dele, Alexandre Bourgeois) fez, que o (Gregório Marín) Preciado fez, que o Ricardo Sérgio fez.

– Está dito no seu livro que pessoas ligadas a Serra que teriam participado desse esquema?

– Ricardo Sérgio, a filha (Verônia Serra), o genro (Alexandre Bourgeois), Preciado, o primo da mulher dele, e, acima, (o banqueiro) Daniel Dantas, o cara que comandava todo esse esquema de corrupção – crava.
No livro, Amaury Jr. afirma que faria parte das operações uma sociedade entre Verônica Serra, filha do ex-governador Serra, e Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas.

– Conto como Verônica Serra e a Verônica Dantas se uniram para implementar um pagamento de propina muito evidente para o clã Serra. Inventaram essa sociedade entre elas em Miami. Quem investe nessa sociedade? Os consórcios que investiram e ganharam (na privatização): o Opportunity, o Citibank. Eles que dão o dinheiro, está no site deles próprios. Em 2002, quando Serra era candidato a presidente do Brasil, o Dantas quis chantagear. Quem revelou isso aí? Fui eu, o jornalista investigativo? Foi a própria revista IstoÉ Dinheiro que revelou a sociedade de Dantas e o clã Serra. Porque ele tinha dificuldade em compor a Previ, do governo, do Banco do Brasil. Ele estava chantageando os tucanos para compor com ele. Veja como o Dantas é manipulador nessa história toda. Primeiro veio a matéria para justificar o dinheiro dessa corrupção, dizendo que a Verônica Dantas havia enriquecido porque era uma mártir das telecomunicações. Depois, veio uma matéria fajuta… Quando não o satisfazia, (Dantas) chantageou o Serra. Para compor com a Previ, que estava com problemas com a Telecom, naquele processo todo – relembra.

O jornalista afirma, ainda ter descoberto que a sociedade de Verônica Dantas e Verônica Serra “não acabou, como disseram. Foi para as Ilhas Virgens, sendo operada pelo Ricardo Sérgio”.

– Para quê? Jogar dinheiro aonde? Para a própria filha do governador do Serra. Mapeei o fluxo do dinheiro, esses caras roubaram, receberam propina, e a propina está rastreada. O dia em que o Dantas deu a propina da privatização, peguei a ponta batendo no escritório da filha dele lá no (bairro paulistano do) Itaim-Bibi. O Dantas pagou pro Serra. A parte da propina do Serra está documentada – garante.

A propina seguia, então, das Ilhas Virgens para as contas dos donos do poder, naquela época, e quem conduzia o processo eram os consórcios das privatizações, diz o livro, “todos liderados por homens da confiança do Serra. (O líder) era o Ricardo Sérgio Oliveira. Foi caixa de campanha dele. Isso é um saque que eles fizeram da privatização brasileira”.

– Na condição de diretor internacional do Banco do Brasil, o Ricardo Sérgio assinou uma portaria que permitia a bancos brasileiros possuir contas em bancos correlatos no Paraguai, e vice versa. Essa medida tinha como pretexto facilitar a movimentação de dinheiro dos brasileiros que possuem comércio no Paraguai. No entanto, se transformou no maior duto para lavagem de dinheiro. Em vez do dinheiro vir para o Brasil, os doleiros passarama a usar esse mecanismo pra mandar todo o dinheiro para uma agência do Banestado em Nova York. Pode-se dizer que Ricardo Sérgio atuou nessa ponta da lavanderia do Banestado – disse.

E continuou: “Segundo ponto: Ricardo Sergio foi o grande artesão dos consórcios das empresas de telecomunicações durante as privatizações, no governo FHC. Ele conseguia manipular a formação dos grupos porque controlava o Fundo de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), e decidia a forma como o Previ participaria dos consórcios. Ele conseguia isso porque o presidente do Fundo era um aliado dele, o João Bosco Madeiro da Costa.

– Por fim, Ricardo Sérgio criou a metodologia de usar as offshores nas Ilhas Virgens Britânicas, principalmente no Citco. Essas offshores eram usadas pra internar (trazer de volta ao Brasil) dinheiro que saiu ilegalmente do país, por meio de uma rede de doleiros.

Quem indicou Ricardo Sergio para o Banco do Brasil, segundo Amaury Jr., foi “Clovis Carvalho, homem muito próximo de FHC (foi ministro da Casa Civil) e Serra”.

Fogo amigo

De acordo com o livro, o jogo pesado nas eleições também estava presente na equipe de campanha da presidenta Dilma Rousseff. O vazamento de informações sigilosas de dentro do comitê da candidata, segundo Amaury Jr., era uma ação coordenada de dentro do próprio partido.

– Eu achava que era coisa do (ex-delegado federal Marcelo) Itagiba ou do (candidato a vice-presidente, deputado do PMDB, Michel) Temer. Aí vem a surpresa: era o fogo-amigo do PT. Do Rui Falcão (atual presidente do PT e deputado estadual) – acusa.

O episódio rendeu ao autor de A Privataria Tucana um processo, ao qual responde na Polícia Federal, em que é acusado pela quebra do sigilo fiscal da filha de Serra para um suposto dossiê encomendado pela equipe de campanha da atual presidenta.

– Claro. Por quê? Quebra de sigilo fiscal. É um crime administrativo que só se imputa a funcionário público. O inquérito todo da Polícia Federal é uma fraude, não tem foco. Foi aberto para apurar quebra de sigilo fiscal e abrange tudo. Nunca vai atingir a mim. Mas precisavam ter um herói, e me jogar para o público. A imprensa (conservadora) queria o último factoide para jogar sobre a Dilma no segundo turno. O que fizeram? Deturpar meu depoimento na Polícia Federal. Eu nunca disse que quebrei sigilo de nenhuma pessoa, mas o cara da Folha (de S. Paulo) disse, ele deturpou, induziu todo mundo a dizer que confessei ter quebrado o sigilo fiscal. Ele mentiu sobre um depoimento na Polícia Federal, e a mídia toda espalhou isso. Era a única arma dessa imprensa carrasca, que mostrou seu lado. Eu nunca disse isso, meus quatro depoimentos são coerentes, têm uma lógica. A imprensa foi bandida – aponta.

Sem resposta

Procurado pelo Correio do Brasil, neste sábado, o ex-governador paulista José Serra não atendeu às ligações. Já o ex-presidente FHC, questionado em uma entrevista na FSP sobre os relatos feitos por Amaury Jr. preferiu desqualificar o jornalista.

– O autor desse livro está sendo processado. Está na Polícia Federal (PF). Até lá, quem está sub judice é ele – disse.

FHC aproveitou para defender Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil, citado por Amaury no livro como o grande operador do esquema de corrupção.

– Eu não tenho nada que o desabone – afirmou.

Outro tucano, cotado para concorrer à Presidência da República nas eleições de 2014, o senador Aécio Neves também preferiu não comentar a obra na qual é citado pelo autor.

– Eu não li ainda, quando eu ler eu comento com vocês – concluiu, em conversa com repórteres em Salvador, onde esteve na noite passada, para uma série de compromissos partidários.

CdB

domingo, 31 de julho de 2011

Fatura da privatização assusta população de Uruguaiana


O aumento foi efetivado em todas as cidades privatizadas
Um mês após a privatização do abastecimento de água e do serviço de esgoto, os moradores de Uruguaiana levaram um susto. A maioria das contas sofreu aumento, contrariando as promessas de redução da tarifa, feitas pela prefeitura e da empresa Foz do Brasil.
 
As reclamações dos usuários foram parar na imprensa local. O jornal A Cidade publicou matéria em que revela a insatisfação dos moradores e o caso de um cliente que gastou apenas um metro cúbico de água e teve que pagar R$ 33,00.
 
Essa é a demonstração prática do equívoco de prefeitos que desejam abandonar a Corsan e privatizar os serviços de abastecimento de água e de tratamento de esgoto em seus municípios.
 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

FRASES

Mundo ideal de FHC
 
"Por que não defender? Privatização não é entregar o país ao adversário."

Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB, a respeito do candidato Serra não ter defendido as privatizações na campanha eleitoral para Presidência da República.

Fonte: Correio do Povo

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Los sindicatos denuncian cinco nuevos suicidios en France Télécom en 15 días

Suicide, de Edouard Manet:

En total, 23 trabajadores de la compañía de comunicaciones francesa se han quitado la vida en lo que va de año, cuatro más que en todo 2009


El País

Un sindicato francés ha denunciado hoy que otros cinco trabajadores de France Télécom se han suicidado en los últimos quince días. Con estas muertes se eleva a 23 el número de empleados de la compañía francesa que se han quitado la vida desde principios de 2010.

Según Sébastien Crozier, portavoz del sindicato CFE-CGC-Unsa, dos de los fallecimientos se produjeron en la región de Rennes (oeste), mientras que los tres restantes se reparten en las zonas de Lille (norte), Toulouse (sur) y París. Cuatro de estos empleados trabajaban directamente para France Télécom, mientras que el quinto lo hacía para Equant, filial de la empresa de telecomunicaciones. Ninguno de los cinco fallecidos había finalizado su relación laboral con la compañía en el momento de quitarse la vida, aunque uno sí había abandonado el puesto, según infroma el diario Le Figaro.

La situación en France Télécom, antiguo monopolio que fue privatizado y aún cuenta con participación estatal, ya fue objeto de polémica en 2009, cuando se quitaron la vida 19 personas, lo que obligó a la dimisión del entonces director general de la compañía, Didier Lombard, en febrero de este años.

En esta ocasión, la empresa se ha limitado a confirmar que durante las últimas dos semanas se han registrado varios suicidios en distintas regiones del país, aunque rechaza cifrar estas muertes. "No queremos entrar en contabilidad", ha asegurado el portavoz de la compañía, quien ha trasladado la "gran tristeza" de France Télécom por los tristes sucesos y expresado el compromiso de investigarlos.

Un segundo portavoz de la compañía ha declarado que los trabajadores fallecidos no se conocían y "trabajaban en puestos distintos", por lo que no se podría establecer "ninguna relación" entre "estos dramas". Según el sindicato, esta cadena de suicidios está relacionada con el empeoramiento de las condiciones laborales en los últimos años.

CFE-CGC-Unsa también denuncia que las medidas puestas en marcha por el nuevo presidente ejecutivo, Stéphane Richard, "no son suficientes". "Los responsables de la crisis moral del grupo no han sido sancionados a la vista de los trabajadores" ha dicho Crozier en alusión, entre otros aspectos, al mantenimiento de Lombard en la directiva.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Los obreros masacran el capitalismo en China

Vista de Jilin, capital da Província de mesmo nome:

El capitalismo tiene efectos mortales en China. Enfurecidos por el anuncio de que la fusión entre el gigante estatal Tonghua Iron and Steel Group y la corporación privada Jianlong Steel Holding Company, con base en Pekín, dejaría sin empleo al 80% de los empleados de la compañía de acero y hierro más grande de la provincia de Jilin –en el viejo corazón industrial del nordeste chino–, tres mil operarios asesinaron a golpes y patadas al flamante gerente encargado de la operación. El viernes, después de tres días de protestas y parálisis de siete altos hornos de la planta –que produce anualmente unos siete millones de toneladas de acero–, Chen Guojun intentó sin éxito negociar con los manifestantes, que lo sacaron a la rastra de la sala de reuniones, lo golpearon y lo arrojaron desde el segundo piso. En respuesta al incidente, el gobierno comunista anunció ayer la suspensión “definitiva” de la venta de Tonghua, que fue anunciada por los altoparlantes de la fábrica y celebrada con fuegos artificiales por los obreros.

Crítica de la Argentina

sábado, 6 de junho de 2009

Conflitos entre polícia e indígenas terminam em 33 mortes no Peru

Alan Garcia:

Um protesto de indígenas no Peru terminou com a morte de pelo menos 33 pessoas nesta sexta-feira.

A manifestação, contra leis que os indígenas consideram como "prejudiciais" a suas comunidades, aconteceu na Província de Bagua, que fica na região amazônica.

De acordo com a Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana (AIDESEP), que representa os indígenas, pelo menos 22 manifestantes da etnia awajún morreram nos confrontos com a polícia.

Onze policiais também teriam morrido nos enfrentamentos, de acordo com o primeiro-ministro Yehude Simon. Segundo ele, apenas três manifestantes teriam morrido.

Os conflitos tiveram início na madrugada de sexta-feira, quando policiais tentaram liberar uma estrada que havia sido bloqueada pelos indígenas.

A ação gerou protestos e, por volta do meio dia, segundo a imprensa peruana, as manifestações se espalharam pelas cidades de Bagua e Jaén, onde edifícios públicos foram incendiados.

Os manifestantes protestavam contra uma nova legislação que permite que empresas estrangeiras explorem a madeira, minérios e instalem grandes fazendas nas terras habitadas por indígenas.

Acusações

O presidente do Peru, Alan García, lamentou as mortes e responsabilizou os incidentes a "falsos dirigentes indígenas".

Em entrevista à BBC, o chanceler peruano, José Antonio García Belaúnde, afirmou que os manifestantes "portavam armas de fogo" e que teriam atirado contra helicópteros e "logo conseguiram matar policiais".

Já a organização indígena AIDESEP negou as acusações e responsabilizou o poder executivo pelas mortes, por ter ordenando a repressão aos protestos.

Em uma entrevista coletiva nesta sexta-feira, o presidente da AIDESEP, Alberto Pizango, afirmou que os indígenas foram "fuzilados" pelos policiais. Ele pediu também a "atenção internacional" para o caso.

Protestos

Grupos indígenas peruanos estão realizando, desde o último dia 9 de abril, protestos contra uma série de decretos legislativos do presidente Alan García.

Entre as leis questionadas pelos indígenas está uma que regulamenta o manejo dos recursos hídricos do país e outra que estabelece parâmetros para a administração de recursos florestais.

A nova legislação foi estabelecida em 2008 pelo presidente, com o uso de poderes especiais concedidos a ele pelo Congresso para o processo de implementação do acordo de livre comércio entre Peru e Estados Unidos.

As comunidades indígenas argumentam que a legislação é "prejudicial" a seus direitos, por permitir a "privatização" das florestas e dos recursos hídricos.

Até agora, os protestos incluíram bloqueios de estradas, o fechamento de válvulas de gasodutos e o bloqueio de rios para navegação.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Estudo liga alta mortalidade em ex-países comunistas a privatizações

La Morte Bianca, de Marco Abbenda:

Um estudo britânico sugere que o drástico aumento da mortalidade masculina no início dos anos 90 em vários países que pertenciam à antiga União Soviética ou à sua esfera de influência está ligado às reformas e à rápida privatização em massa de empresas estatais que se seguiram ao colapso do comunismo.

Os pesquisadores ressaltam que as reformas provocaram um aumento rápido do desemprego e disseram que suas conclusões devem servir como alerta para outras nações que estejam começando a abraçar reformas amplas de mercado.

Foram examinadas as taxas de mortalidade entre homens com idade para trabalhar (15—59 anos) nas nações pós-comunistas do Leste Europeu e da antiga União Soviética, entre 1989 e 2002. Os pesquisadores concluíram que até um milhão destes homens morreram em virtude do choque econômico das políticas de privatização em massa.

Depois do colapso do velho regime soviético em meados da década de 90, pelo menos 25% das empresas estatais de grande porte foram transferidas para os setor privado em apenas dois anos.

O estudou, liderado pelo sociólogo David Stuckler, da Universidade de Oxford, associou o programa de privatizações a um aumento de 12,8% nos óbitos.

A análise relaciona este aumento no número de mortes a uma elevação de 56% na taxa de desemprego no mesmo período.

Estudos anteriores apontaram causas imediatas do aumento da mortalidade na região, como o alcoolismo e o desemprego. Também foi levantada a questão do impacto das privatizações sobre os sistemas de assistência médica e saúde.

Apoio social

Mas alguns países com uma boa rede de apoio social enfrentaram melhor as transformações bruscas, de acordo com os pesquisadores.

Em lugares onde 45% ou mais da população eram membros de pelo menos uma organização social, como igreja ou sindicato, a privatização em massa não levou a um aumento da mortalidade.

Rússia, Cazaquistão, Letônia, Lituânia e Estônia foram as mais afetadas, com uma triplicação do desemprego e um aumento de 42% nas mortes entre a população masculina no período de 1991 a 1994.

A população dos países ex-comunistas que adotaram um ritmo mais lento de mudanças, introduzindo gradativamente as condições de mercado livre e o desenvolvendo instituições apropriadas, se adaptou melhor. Albânia, Croácia, República Tcheca, Polônia e Eslovênia, que tiveram um aumento de apenas 2% no desemprego, viram a taxa de mortalidade da população masculina diminuir 10%.

"Deve ser tomado mais cuidado quando políticas macroeconômicas buscam transformar radicalmente a economia sem considerar o impacto potencial na saúde da população", disse Stuckler.

O estudo foi divulgado na revista científica Lancet.

BBC

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

AES: OUTRA REESTATIZAÇÃO NA ARGENTINA?


Se hizo la luz en Edelap y Aes se las ve negras

De la presentación se desprende que la estadounidense Aes Corp., controlante del 90 por ciento de las acciones, habría realizado una maniobra financiera que le ocasionó a la privatizada un perjuicio de 55 millones de pesos.

Por Cledis Candelaresi, para Página/12

Earl Anthony Wayne se retiró incómodo el martes de la semana pasada del despacho del ministro de Planificación, Julio De Vido. El embajador norteamericano entendió que a la estadounidense Aes Corp., accionista mayoritaria de Edelap, no le será fácil desembarazarse de la situación generada por la denuncia penal que presentó el Estado contra sus directivos por presunta defraudación contra la distribuidora eléctrica platense. Página/12 accedió a esa presentación de la que se desprende que la maniobra financiera del principal accionista le habría ocasionado a la privatizada un perjuicio de 55,3 millones de pesos. El descargo que intentaron los responsables de la división Latinoamérica de la trasnacional ante funcionarios del Ministerio de Planificación, horas después del encuentro entre el diplomático y el ministro De Vido, no resultó convincente para el Gobierno, que reclamó que investigara el Juzgado en lo Criminal y Correccional No 27 de Alberto Baños. Si el juez avala la imputación y los próximos balances de la privatizada constataran que, efectivamente, tiene un patrimonio neto negativo, estaría allanado el camino para una eventual reestatización.

Paradójicamente, todo comenzó con una auditoría financiera contable practicada por el Ente Regulador de la Electricidad (ENRE) en el marco de la Revisión Tarifaria Integral que se está preparando para todas las distribuidoras eléctricas bajo su órbita (también Edenor y Edesur). Es una de las instancias más esperadas por las empresas, ya que de ese desmenuzamiento del negocio eléctrico surgiría un nuevo cuadro de precios ajustados sin discriminación de usuarios, a aplicar a partir de febrero. El gran aumento general tan anhelado por estas concesionarias.

En la ejecución de esa tarea, los técnicos oficiales se sorprendieron con una operación financiera por la que pidieron aclaraciones a la firma platense. “No hubo respuestas o éstas fueron evasivas”, se lamentaron los expertos del órgano regulador bajo el comando del ex cobista Mario de Casas. El hallazgo motivó la presentación de aquella denuncia penal, cuya derivación, imprevisible en esta instancia, podría llegar a la prisión de los responsables de Aes no identificados con nombre y apellido en la denuncia.

Desde que se la compró a Techint por 350 millones de dólares –un valor muy alto en relación con lo que indicaba el mercado–, Aes Corp. es dueña del 90 por ciento de las acciones de Edelap a través de Compañía de Inversiones de Electricidad S. A. (51 por ciento), Luz de la Plata S. A. (31,9 por ciento), Inversora Aes Américas Holding España (7,1 por ciento). El 10 por ciento restante pertenece al programa de propiedad participada, es decir los trabajadores, damnificados por las maniobras objetadas por el ENRE.

Luego de un proceso de reestructuración de pasivos, la distribuidora se quedó con una deuda de 38,81 millones de pesos a favor del Banco de Galicia y otra de 38,08 millones con el Bank Boston. A través de sus subsidiarias Aes Platense Investment Uruguay y Aes Argentina Holding Uruguay, la principal accionista compró esos pasivos por un monto menor, de 31,09 millones en el primer caso y 21,65 millones en el segundo. Pero esa transacción no le reportó ningún beneficio a la distribuidora eléctrica, que siguió endeudada en los valores originales y por el capital pactado entonces, sólo que cambió la ventanilla de pago: los fondos no iban a los bancos sino a su socio mayoritario.

“Téngase presente que si los fondos aportados por la sociedad controlante hubieran sido efectuados como aportes de capital societario a Edelap S. A., hubiera sido esta y no sociedades distintas pero pertenecientes al grupo la que hubiera usufructuado del descuento obtenido y actualmente hubiera resuelto sus problemas financieros”, sentencia la octava carilla de la presentación judicial a la que accedió Página/12. Si al beneficio que Aes obtuvo por aquellos descuentos en la compra de los pasivos se le añade el de los intereses que cobró y cobraría sobre el monto original de la deuda y no el reducido, resulta un perjuicio para Edelap de 36,5 millones de pesos (22,1 por el primer concepto y 12,4 por el segundo). No es todo.

Los reguladores también advirtieron otra ventanilla por la que se desperdiciarían los recursos de la distribuidora eléctrica “que podría encubrir una defraudación a los derechos de los accionistas minoritarios y a otros acreedores de la concesionaria”, que atraviesa una “grave situación patrimonial”. Edelap paga 18 millones de pesos a Luz de la Plata S. A. por el gerenciamiento, algo que a juicio del Estado constituye una “transferencia sin ninguna prestación a favor de la sociedad”. Resulta una de las decisiones más difíciles de explicar para Aes, en virtud de que el objeto exclusivo de la distribuidora es, justamente, la prestación del servicio de distribución y comercialización de energía eléctrica”, lo que le quita sentido a esa virtual tercerización.

En rigor, Luz del Plata oficia de operador técnico de la distribuidora, cuya existencia fue impuesta por los pliegos licitatorios de casi todas las privatizaciones. El problema aquí es la magnitud de la remuneración. Los auditores públicos tomaron nota de que aquel monto representa el 2,2 por ciento de los costos totales de la concesionaria, contra el 1,2 por ciento que invierte Edenor por el mismo concepto, por ejemplo.

Finalmente, la denuncia ante la Justicia pide que se investigue la posible comisión del delito de evasión fiscal, porque aquella operación de crédito descripta reportaría un beneficio a Aes no registrado localmente y, por lo tanto, no sujeto al pago del Impuesto a las Ganancias. Por ahora sólo una presunción de que se violó la Ley Penal Tributaria, pero que no dejó de incluirse en la presentación ante los tribunales, también alimentada por un dato urticante. De acuerdo con el texto, Edelap tiene un patrimonio neto negativo de 90 millones de pesos, según surgiría del balance cerrado el 30 de junio del 2008. Esto la pone en la delicada situación de ser capitalizada de inmediato, a riesgo de entrar en un proceso de disolución, tal como indica la Ley de Sociedades. Pero fuentes oficiales aseguran que, estrictamente, aquel cuadro adverso quedaría configurado recién a mediados del año próximo, ya que hoy resulta de una “proyección del flujo de fondos”.

Las “maniobras descriptas no sólo podrían traer aparejado un perjuicio hacia la administración nacional como concedente del servicio público, sino también en perjuicio de los usuarios”, reza el texto. Aes compró los activos de Edelap pero tiene la prestación del servicio en concesión. Si se probara tanto la comisión del delito de defraudación como la existencia de un patrimonio neto negativo, el Estado estaría en condiciones de forzar la venta de las acciones de Edelap en una oferta pública internacional o podría proceder él mismo a su rescate. Vía que por ahora De Vido asegura no querer transitar.

Las coincidencias con Aerolíneas Argentinas surgen ineludiblemente. Alberto Baños, titular del Juzgado No 27 en lo Correccional y Criminal, también analiza localmente los supuestos desvíos del dinero que la Sepi le dio a Marsans para cancelar pasivos concursales y equipar la compañía. El grupo aéreo tiene patrimonio neto negativo y el Estado está propiciando por vía parlamentaria y judicial el rescate de acciones. La privatización de Edelap parece estar transitando el mismo camino de imputaciones judiciales.

cledis@pagina12.com.ar