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sexta-feira, 9 de julho de 2021

SUICÍDIO COLETIVO OU GENOCÍDIO PLANEJADO?

 


CIDADES SUICIDAS

 

Pedro Hallal, para Folha de São Paulo

 

"Os dados trazidos a público pelo jornalista Ricardo Mendonça no Valor Econômico são estarrecedores. Todas as 5.570 cidades brasileiras foram divididas de acordo com o percentual de votos em Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais de 2018. Em 108 cidades, Bolsonaro teve menos de 10% dos votos, em 833 cidades teve entre 10% e 20% dos votos, e assim sucessivamente, até chegar nas 214 cidades nas quais Bolsonaro teve entre 80% e 90% dos votos e na única cidade em que Bolsonaro teve 90% ou mais dos votos em 2018. Essas informações, aliás, são de domínio público e podem ser acessadas por qualquer um no Repositório de Dados Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral.

 

De posse dessas informações, o próximo passo foi analisar a quantidade de casos e de mortes por Covid-19 em cada uma das 5.570 cidades. Novamente, os dados são de livre acesso, tanto pelo Painel Coronavírus do Ministério da Saúde quanto pelo DataSUS. Nas 108 cidades em que Bolsonaro teve menos de 10% dos votos, o número de casos é de 3.781 por 100.000 habitantes. A quantidade de casos sobe linearmente até atingir 10.477 casos por 100.000 habitantes nas cidades em que Bolsonaro teve entre 80% e 90% dos votos e 11.477 casos por 100.000 habitantes na cidade em que Bolsonaro teve 90% ou mais dos votos.

 

Os dados para mortes são igualmente chocantes. A mortalidade varia de 70 mortes por 100.000 habitantes nas cidades em que Bolsonaro teve menos de 10% dos votos, até mais de 200 mortes por 100.000 habitantes nas cidades em que Bolsonaro teve 50% dos votos ou mais. Na única cidade em que Bolsonaro fez 90% dos votos ou mais no segundo turno das eleições de 2018, a mortalidade é de 313 por 100.000 habitantes. Mais do que o resultado dessa cidade isoladamente, o que chama atenção é a escadinha observada nos gráficos.

 

O morador de uma cidade na qual Bolsonaro venceu o segundo turno das eleições de 2018 tem três vezes mais risco de morte por Covid-19 do que o morador de uma cidade em que Bolsonaro foi derrotado com folga. Mesmo que a pessoa tenha votado contra o negacionismo, estando ela exposta a um ambiente negacionista, seu risco de morte é maior."

 

Pedro Hallal, na Folha.

Fonte da Imagem: http://fantasyartdesign.com/free-wallpapers/wallpaper.php?u_i=368&i_i=645

 

segunda-feira, 1 de março de 2021

CHURRASCO, CAIPIRINHA E SUICÍDIO COLETIVO

 

 
Marcos Nogueira

“Parem esses histéricos! Não tenham medo de morrer!” Uma jujuba para quem adivinhar ou autor dessas frases.

Não, não foi o Jair, embora pudesse ter sido. Foi o Jim. Jim Jones, pastor norte-americano que fundou uma comunidade utópica rural na selva da Guiana. Quando tudo degringolou em Jonestown, em 1978, ele optou por eliminar fisicamente os membros da seita.

Foram 909 pessoas mortas por envenenamento ou tiro. Destas, 304 eram crianças. Muitos obedeceram ao pastor e tomaram ki-suco com cianureto; quem desobedeceu foi assassinado. O próprio Jim se matou com uma bala na cabeça.

O Brasil, hoje, é uma Jonestown com 212 milhões de habitantes.

Sem saber como parar o vírus que mata e corrói a economia, as autoridades convocam a população para o suicídio coletivo.

Vejamos o que disse o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), em transmissão pela internet na quinta-feira (25):

“Dê a sua contribuição. Contribua com a sua família, com a sua cidade, com a sua vida para que a gente salve a economia do município de Porto Alegre.”

Frase longa? Eu edito para você: “Contribua (…) com a sua vida para (…) a economia (…)”.

Das capitais brasileiras, PoA é a que está mais próxima de repetir o pesadelo sanitário de Manaus. O que faz o prefeito? Manda a população se cuidar?

Não, ele convoca todo mundo a sair e comer costela na churrascaria Barranco, a compartilhar uma cuia de mate no parque Farroupilha, a movimentar a economia local.

Deixa de ser maricas, tchê! Contribui com a tua vida, bah! A ordem não poderia ser mais clara: morre e cala a boca. Tá cheio de gente que obedece com gosto.

Em São Paulo, para não peitar os comerciantes, o governador inventou um lockdown disruptivo e inovador: ele ordena o fechamento das coisas no horário em que elas sempre ficam fechadas. Paraná e Distrito Federal farão o mesmo, pois parece ser excelente na contenção da pandemia.

O presidente, com o timing preciso e habitual, discursou contra o uso de máscaras quando o Brasil bateu os 250 mil mortos. Um quarto de milhões de pessoas.

Morreu o equivalente a mais da metade da população de Roraima. A todos os habitantes de São Carlos, Araraquara, Marília ou Jacareí. Às vítimas somadas dos bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki.

Falemos o português que brasileiro entende: três Maracanãs lotados já foram despachados para o cemitério.

E, ainda assim, os caras lá de cima querem que nós levemos a vida normalmente, para salvar a economia. Sem vacina e sem usar máscara, que traz o insuportável sofrimento de sentir o próprio hálito –deve ser mesmo difícil para quem recende a Belzebu.

Jim Jones exterminou seus fiéis quando faltava comida e mal havia água para beber em Jonestown.

Aqui, não. Temos churras à vontade, breja trincando de gelada e até caipirinha. Dá para empacotar ao som de pagode, sertanejo ou funk.

Tá reclamando de quê?

Morra e não encha mais o saco.


Fonte: https://cozinhabruta.blogfolha.uol.com.br/2021/02/26/churrasco-caipirinha-e-suicidio-coletivo/

Imagem: Hieronymus Bosch

sexta-feira, 16 de março de 2018

ARMAS






Ilona Szabó: “O Brasil possui o maior número absoluto de mortes por armas de fogo no planeta — cerca de 44 mil em 2017. Sabemos que o custo de matar aqui é baixo. Menos de 10% das mortes violentas resultam em condenação. Ao contrário do que seu nome fantasia sugere, o Estatuto do Desarmamento não desarma o cidadão. Hoje, um brasileiro maior de 25 anos pode possuir até seis armas em casa ou local de trabalho, desde que cumpra requisitos. No entanto, é importante que se entenda que possuir uma arma é um ato de grande responsabilidade. Armas são instrumentos de ataque e raramente de defesa, e aumentam o risco de acidentes, suicídios e assassinatos de parceiros íntimos em lares onde estão presentes. Se sua escolha é possuir uma, não subestime os riscos. O estatuto proíbe o porte de armas para civis, isto é, cidadãos comuns não podem andar armados nas ruas. Faz todo sentido. A ideia de que armar civis torna as sociedades mais seguras é um mito. Estudo do Ipea em São Paulo mostra que o aumento de 1% de armas de fogo eleva em até 2% a taxa de homicídio. Um último esclarecimento sobre o referendo de 2005. Nele, a população decidiu que civis poderiam continuar a comprar armas no Brasil. E seu resultado foi respeitado, uma vez que a posse continua permitida no país.” (Folha) via Pioneiros

Enquanto isso... Dezenas de milhares de secundaristas, em todos os Estados Unidos, deixaram ontem suas salas de aula em escolas de grandes centros urbanos como Nova York e Chicago, mas também em cidades médias e pequenas. Levantaram-se, abriram as portas e desceram corredores reunindo-se em silêncio no lado de fora. Nenhum ato reuniu tanta gente num gesto político simultâneo desde os protestos contra a Guerra do Vietnã, nos anos 1960. O walkout marcou um mês da morte de 17 estudantes num high school da Flórida. Daqui a dez dias uma grande passeata está marcada para Washignton. Pedem maior controle na venda de armas.

Fonte: https://www.canalmeio.com.br/

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Los sindicatos denuncian cinco nuevos suicidios en France Télécom en 15 días

Suicide, de Edouard Manet:

En total, 23 trabajadores de la compañía de comunicaciones francesa se han quitado la vida en lo que va de año, cuatro más que en todo 2009


El País

Un sindicato francés ha denunciado hoy que otros cinco trabajadores de France Télécom se han suicidado en los últimos quince días. Con estas muertes se eleva a 23 el número de empleados de la compañía francesa que se han quitado la vida desde principios de 2010.

Según Sébastien Crozier, portavoz del sindicato CFE-CGC-Unsa, dos de los fallecimientos se produjeron en la región de Rennes (oeste), mientras que los tres restantes se reparten en las zonas de Lille (norte), Toulouse (sur) y París. Cuatro de estos empleados trabajaban directamente para France Télécom, mientras que el quinto lo hacía para Equant, filial de la empresa de telecomunicaciones. Ninguno de los cinco fallecidos había finalizado su relación laboral con la compañía en el momento de quitarse la vida, aunque uno sí había abandonado el puesto, según infroma el diario Le Figaro.

La situación en France Télécom, antiguo monopolio que fue privatizado y aún cuenta con participación estatal, ya fue objeto de polémica en 2009, cuando se quitaron la vida 19 personas, lo que obligó a la dimisión del entonces director general de la compañía, Didier Lombard, en febrero de este años.

En esta ocasión, la empresa se ha limitado a confirmar que durante las últimas dos semanas se han registrado varios suicidios en distintas regiones del país, aunque rechaza cifrar estas muertes. "No queremos entrar en contabilidad", ha asegurado el portavoz de la compañía, quien ha trasladado la "gran tristeza" de France Télécom por los tristes sucesos y expresado el compromiso de investigarlos.

Un segundo portavoz de la compañía ha declarado que los trabajadores fallecidos no se conocían y "trabajaban en puestos distintos", por lo que no se podría establecer "ninguna relación" entre "estos dramas". Según el sindicato, esta cadena de suicidios está relacionada con el empeoramiento de las condiciones laborales en los últimos años.

CFE-CGC-Unsa también denuncia que las medidas puestas en marcha por el nuevo presidente ejecutivo, Stéphane Richard, "no son suficientes". "Los responsables de la crisis moral del grupo no han sido sancionados a la vista de los trabajadores" ha dicho Crozier en alusión, entre otros aspectos, al mantenimiento de Lombard en la directiva.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Governo suíço quer restringir "turismo da morte"


SWISSINFO:

Cerca de 1800 pessoas se suicidaram em 2007 na Suíça. Quatrocentas foram assistidas nessa decisão pelas organizações Exit, Dignitas e Ex International.

A Dignitas é alvo de severas críticas por atender principalmente estrangeiros. Agora o Conselho Federal (Executivo suíço) planeja impor restrições ao suicídio assistido.

A absoluta maioria (85%) das 141 pessoas que a Dignitas assistiu no ano passado vieram do exterior. Por isso, ela é acusada de fomentar o chamado "turismo da morte". Seus "clientes" estrangeiros seriam enviados para o além sem muitos esclarecimentos.

O diretor da organização, o jornalista e advogado zuriquense Ludwig Minelli (75 anos), é criticado especialmente por usar hélio como meio para o suicídio. Com isso, a Dignitas escapa do controle médico, uma vez que essa substância pode ser comprada livremente no mercado.

O pentobarbital de sódio, comumente usado para esse fim, depende de receita, de modo que nenhum suicídio seria possível sem autorização médica.

O próprio Minelli admitiu em entrevista a uma revista suíça, que, com a utilização do hélio, quis demonstrar que "poderíamos descartar o controle e a cooperação médica".

"Com o método do hélio, a Dignitas escapa ao controle na área de medicamentos", diz Bernardo Stadelmann, do Ministério da Justiça. Isso abre uma brecha que coloca em questão um suicídio digno e eleva o risco de abusos, acrescenta.

Por isso, o Conselho Federal encarregou o Ministério da Justiça de apresentar, até o início de 2009, um relatório com propostas de normas legais para o suicídio assistido.

Serão avaliados os deveres mínimos de diligência e aconselhamento das organizações de assistência ao suicídio, a documentação, o controle de qualidade na seleção e na formação do pessoal envolvido, transparência financeira e a definição de limites éticos.

Limites legais e éticos

A definição de limites éticos pode significar que o suicídio de pessoas saudáveis venha a ser proibido. Não está planejada uma supervisão oficial dessas organizações, porque isso, segundo o ministério, lhes daria um "selo de qualidade estatal".

Por recomendação do ex-ministro da Justiça, Christoph Blocher, o governo havia renunciado a uma regulamentação do suicídio assistido. A sucessora de Blocher, Eveline Widmer-Schlumpf, vê a necessidade de ação do Legislativo, principalmente para combater o "turismo da morte".

As organizações Exit e Dignitas disseram que, em princípio, não são contra uma regulamentação, mas pedem que não haja um excesso de burocratização da ajuda ao suicídio. Do contrário, as pessoas "cansadas da vida" buscariam uma alternativa no mercado negro ou optariam por um suicídio brutal.
As regras em outros países

O país em que a Dignitas tem mais "clientes" é a Alemanha, onde a ajuda ativa ao suicídio é proibida. A ajuda passiva é permitida, se este for o desejo do paciente. Mas não há uma lei sobre como lidar com esse desejo.

A Holanda foi o primeiro país no mundo a permitir a "ajuda ativa ao suicídio". Desde abril de 2002, os médicos holandeses podem aplicar uma injeção mortal em um paciente terminal, se ele o desejar em plena consciência. Uma comissão formada por um médico, um jurista e um especialista em ética precisa aprovar o suicídio assistido. A Bélgica tem uma lei semelhante.

Na França, os médicos podem "deixar morrer" pacientes terminais, mas não podem pôr um fim ativamente à vida deles. Os médicos também podem interromper medidas de prolongação da vida, como a respiração artificial.

No Reino Unido, os médicos podem dar fortes doses de sedativos, mesmo correndo o risco de que o paciente morra mais rápido. Na Suécia e na Noruega, sob determinadas condições, é possível interromper tratamentos que prolongariam a vida.

Na Grécia, onde a influência da Igreja Ortodoxa é forte, a assistência ao suicídio é rigorosamente proibida. Na católica Polônia, quem presta assistência ao suicídio corre o risco de levar até cinco anos de cadeia.