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segunda-feira, 1 de março de 2021

CHURRASCO, CAIPIRINHA E SUICÍDIO COLETIVO

 

 
Marcos Nogueira

“Parem esses histéricos! Não tenham medo de morrer!” Uma jujuba para quem adivinhar ou autor dessas frases.

Não, não foi o Jair, embora pudesse ter sido. Foi o Jim. Jim Jones, pastor norte-americano que fundou uma comunidade utópica rural na selva da Guiana. Quando tudo degringolou em Jonestown, em 1978, ele optou por eliminar fisicamente os membros da seita.

Foram 909 pessoas mortas por envenenamento ou tiro. Destas, 304 eram crianças. Muitos obedeceram ao pastor e tomaram ki-suco com cianureto; quem desobedeceu foi assassinado. O próprio Jim se matou com uma bala na cabeça.

O Brasil, hoje, é uma Jonestown com 212 milhões de habitantes.

Sem saber como parar o vírus que mata e corrói a economia, as autoridades convocam a população para o suicídio coletivo.

Vejamos o que disse o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), em transmissão pela internet na quinta-feira (25):

“Dê a sua contribuição. Contribua com a sua família, com a sua cidade, com a sua vida para que a gente salve a economia do município de Porto Alegre.”

Frase longa? Eu edito para você: “Contribua (…) com a sua vida para (…) a economia (…)”.

Das capitais brasileiras, PoA é a que está mais próxima de repetir o pesadelo sanitário de Manaus. O que faz o prefeito? Manda a população se cuidar?

Não, ele convoca todo mundo a sair e comer costela na churrascaria Barranco, a compartilhar uma cuia de mate no parque Farroupilha, a movimentar a economia local.

Deixa de ser maricas, tchê! Contribui com a tua vida, bah! A ordem não poderia ser mais clara: morre e cala a boca. Tá cheio de gente que obedece com gosto.

Em São Paulo, para não peitar os comerciantes, o governador inventou um lockdown disruptivo e inovador: ele ordena o fechamento das coisas no horário em que elas sempre ficam fechadas. Paraná e Distrito Federal farão o mesmo, pois parece ser excelente na contenção da pandemia.

O presidente, com o timing preciso e habitual, discursou contra o uso de máscaras quando o Brasil bateu os 250 mil mortos. Um quarto de milhões de pessoas.

Morreu o equivalente a mais da metade da população de Roraima. A todos os habitantes de São Carlos, Araraquara, Marília ou Jacareí. Às vítimas somadas dos bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki.

Falemos o português que brasileiro entende: três Maracanãs lotados já foram despachados para o cemitério.

E, ainda assim, os caras lá de cima querem que nós levemos a vida normalmente, para salvar a economia. Sem vacina e sem usar máscara, que traz o insuportável sofrimento de sentir o próprio hálito –deve ser mesmo difícil para quem recende a Belzebu.

Jim Jones exterminou seus fiéis quando faltava comida e mal havia água para beber em Jonestown.

Aqui, não. Temos churras à vontade, breja trincando de gelada e até caipirinha. Dá para empacotar ao som de pagode, sertanejo ou funk.

Tá reclamando de quê?

Morra e não encha mais o saco.


Fonte: https://cozinhabruta.blogfolha.uol.com.br/2021/02/26/churrasco-caipirinha-e-suicidio-coletivo/

Imagem: Hieronymus Bosch

sexta-feira, 16 de março de 2018

ARMAS






Ilona Szabó: “O Brasil possui o maior número absoluto de mortes por armas de fogo no planeta — cerca de 44 mil em 2017. Sabemos que o custo de matar aqui é baixo. Menos de 10% das mortes violentas resultam em condenação. Ao contrário do que seu nome fantasia sugere, o Estatuto do Desarmamento não desarma o cidadão. Hoje, um brasileiro maior de 25 anos pode possuir até seis armas em casa ou local de trabalho, desde que cumpra requisitos. No entanto, é importante que se entenda que possuir uma arma é um ato de grande responsabilidade. Armas são instrumentos de ataque e raramente de defesa, e aumentam o risco de acidentes, suicídios e assassinatos de parceiros íntimos em lares onde estão presentes. Se sua escolha é possuir uma, não subestime os riscos. O estatuto proíbe o porte de armas para civis, isto é, cidadãos comuns não podem andar armados nas ruas. Faz todo sentido. A ideia de que armar civis torna as sociedades mais seguras é um mito. Estudo do Ipea em São Paulo mostra que o aumento de 1% de armas de fogo eleva em até 2% a taxa de homicídio. Um último esclarecimento sobre o referendo de 2005. Nele, a população decidiu que civis poderiam continuar a comprar armas no Brasil. E seu resultado foi respeitado, uma vez que a posse continua permitida no país.” (Folha) via Pioneiros

Enquanto isso... Dezenas de milhares de secundaristas, em todos os Estados Unidos, deixaram ontem suas salas de aula em escolas de grandes centros urbanos como Nova York e Chicago, mas também em cidades médias e pequenas. Levantaram-se, abriram as portas e desceram corredores reunindo-se em silêncio no lado de fora. Nenhum ato reuniu tanta gente num gesto político simultâneo desde os protestos contra a Guerra do Vietnã, nos anos 1960. O walkout marcou um mês da morte de 17 estudantes num high school da Flórida. Daqui a dez dias uma grande passeata está marcada para Washignton. Pedem maior controle na venda de armas.

Fonte: https://www.canalmeio.com.br/

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

ÉBOLA E A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA



 
Obra de Hieronymus Bosch



Epidemia de ébola
 
Joe Krishnan
 
El científico que dirige la respuesta del Reino Unido a la pandemia de ébola ha lanzado un ataque devastador a la gran industria farmacéutica, acusando a los gigantes del sector, entre ellos a las compañías GlaxoSmithKline (GSK), Sanofi, Merck y Pfizer, de no haber fabricado una vacuna, no porque no fuera posible, sino porque “no era negocio”.

La epidemia de ébola de África Occidental, que hasta ahora se ha cobrado bastante más de 2.000 vidas, podría haberse evitado desde el principio si se hubiera desarrollado una vacuna y se hubiera hecho acopio de una cantidad adecuada de dosis, cosa que según el profesor Adrian Hill, de la Universidad de Oxford, era factible. Un equipo dirigido por el profesor Hill comienza ahora las pruebas con una vacuna experimental contra el ébola, desarrollada deprisa y corriendo en una carrera desesperada por frenar la propagación del virus en Guinea, Sierra Leona y Liberia. Si supera los ensayos de seguridad y eficacia se podrían utilizar 10.000 dosis de la vacuna –desarrollada conjuntamente por la compañía británica GSK y los Institutos Nacionales de Salud (NIH) de EE UU– para proteger al personal sanitario de África Occidental de aquí a diciembre. No obstante, el profesor Hill ha declarado que el hecho de que no se dispusiera de una vacuna para poner coto a la enfermedad cuando surgió el primer brote en Guinea hace seis meses constituye un “fallo de mercado” del sistema comercial de producción de vacunas, que está dominado por la gran industria farmacéutica.

La dimensión del brote de ébola y la devastación que está causando en pérdidas de vidas humanas y colapso social hizo que la Organización Mundial de la Salud (OMS) ordenara una aceleración sin precedentes de los procesos normales de producción de medicamentos. Los expertos están estudiando diez posibles tratamientos y vacunas del ébola que todavía no están autorizados, entre los que la vacuna de GSK/NIH es una de las más prometedoras. Se ha decidido prescindir de los procedimientos de aprobación, que normalmente duran hasta 15 años, para poner a punto lo antes posible medicamentos y vacunas. Ya se ha utilizado el fármaco experimental ZMapp, desarrollado por Mapp, una pequeña empresa biofarmacéutica de EE UU, para tratar al menos a siete pacientes –cuatro de ellos occidentales–, mostrando resultados prometedores en ensayos con primates. Ahora las existencias se han agotado, pero el gobierno de EE UU ha entregado a Mapp 25 millones de dólares para acelerar la producción.

El viernes, la OMS se reunió en Ginebra para evaluar las opciones, pero concluyó que a pesar de las medidas extraordinarias, “ no se prevé que para antes de finales de 2014 haya disponibles nuevos tratamientos o vacunas suficientes para un uso extendido”. Junto con la vacuna de GSK/NIH, que se ensayará en Oxford con voluntarios sanos dentro de dos semanas, hay una vacuna canadiense que también parece prometedora y se está ensayando en EE UU. El profesor Hill explicó que la vacuna de GSK/NIH, que se basa en una cepa del virus del resfriado de chimpancé llamada ChAd3, se desarrolló inicialmente en EE UU para su uso potencial frente a un atentado bioterrorista y que solo existía gracias a los cuantiosos fondos de financiación otorgados a las vacunas destinadas a la defensa.

A la pregunta de por qué no había una vacuna autorizada, el profesor Hill dijo: “ Bueno, ¿quién fabrica las vacunas? Hoy en día, la producción comercial de vacunas está monopolizada por cuatro o cinco megaempresas –GSK, Sanofi, Merck, Pfizer–, que figuran entre las compañías más grandes del mundo. El problema es que incluso si se descubre una vía para crear una vacuna, si no tiene un gran mercado las grandes empresas consideran que no vale la pena… La vacuna contra el ébola para las personas que más la necesitaban no era negocio debido, en primer lugar, a la naturaleza del brote; en segundo lugar, al número de personas que probablemente se verían afectadas, que hasta entonces se consideraba que sería reducido; y en tercer lugar, al hecho de que la gente afectada se halla en algunos de los países más pobres del mundo y no pueden pagar una nueva vacuna. Es un fallo del mercado. ”

Dijo que la creación de una vacuna contra el ébola era “técnicamente más factible” que otras vacunas contra enfermedades graves y más extendidas como la tuberculosis, el sida y la malaria, que reciben más fondos de financiación. “Esto nos enseña algo”, añadió, “ y es que si se hubiera invertido en la búsqueda de una vacuna contra el ébola y esta estuviera disponible al aparecer el brote, la epidemia se podría haber cortado de raíz, al tener la posibilidad de vacunar a la región en que todo comenzó. Lo que ocurrió en Guinea es que se descontroló y se propagó. Si se invierte en la producción de una cantidad relativamente pequeña de vacunas que estén disponibles en el lugar preciso, tan pronto como ocurre algo se pueden ahorrar enormes cantidades de dinero, aparte, claro, de preservar muchas vidas .”

Una vez se ha desencadenado la epidemia, las autoridades públicas han de colaborar ahora con la industria farmacéutica para impulsar el desarrollo de vacunas contra “enfermedades epidémicas” como la del ébola, además del sars (síndrome respiratorio agudo y grave), el Marburg y el Chikungunya, dijo el profesor Hill, con el objetivo de crear reservas en países vulnerables. En un ensayo con 16 primates infectados por el virus ébola, una única dosis de ChAd3 bastó para proteger a los 16 animales. En las pruebas con humanos participan 140 personas sanas, 60 británicas y 80 residentes en Mali y Gambia. GSK ya está impulsando a marchas forzadas el desarrollo de la vacuna y espera tener 10.000 dosis disponibles a finales de año. Si se demuestra que es segura y eficaz, la vacuna se administrará al personal sanitario de los países afectados por el ébola. Cientos de trabajadores y trabajadoras han muerto a raíz de la epidemia actual y muchos se niegan a acudir al trabajo.

Un portavoz de la Asociación de la Industria Farmacéutica Británica ha declarado que las empresas del sector “ están comprometidas desde hace tiempo en la lucha continua contra las enfermedades infecciosas. La epidemia del ébola es un problema global y requiere una respuesta multilateral que ha de incluir la cuestión del control de la infección. La cooperación con las autoridades y los medios académicos competentes de todo el mundo sigue siendo un aspecto consustancial al enfoque del sector .”

Confinamiento de la población

Sierra Leona anunció ayer un confinamiento de cuatro días a escala nacional, en un intento desesperado de detener la propagación del ébola. La epidemia ya ha segado la vida de más de 2.100 personas en África Occidental desde el mes de marzo, y las cifras publicadas por las Naciones Unidas muestran que hasta el pasado viernes Sierra Leona había registrado 491 muertes. En un intento de frenar el avance de la infección y permitir al personal sanitario aislar los casos recientes de la enfermedad, se prohíbe a la población salir de sus casas entre el 18 y el 21 de septiembre. Más de 21.000 personas vigilarán el confinamiento. Ibrahim Ben Kargbo, asesor del grupo de trabajo nacional sobre el ébola, dijo que esta dura iniciativa era “ necesaria para hacer frente de una vez por todas a la propagación del ébola”. Médicos sin Fronteras ha declarado que la medida comporta el riesgo de que las víctimas pasen a la “clandestinidad” y aumente el riesgo de propagación del virus. La lucha contra el ébola ya se ha visto dificultada por la desinformación y la desconfianza del personal sanitario.



The Independent
Traducción de Viento Sur
http://www.vientosur.info/spip.php?article9465

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Brasil y su mapa de la violencia



Eric Nepomuceno

Entre 2004 y 2007, el conflicto armado de Irak resultó en 76 mil 266 muertes. En Sudán, otro país convulsionado, los muertos fueron 12 mil 719, poco más que los 12 mil 417 registrados en Afganistán. En el mismo periodo, los muertos de Colombia han sido 11 mil 833.

Pues en Brasil, entre 2004 y 2007, ocurrieron 147 mil 343 muertes por armas de fuego. Ese número se hace aún más impactante cuando es comparado con el total de víctimas fatales registradas en 12 países que vivieron conflictos armados, de la República del Congo a Pakistán, pasando por Somalia y los territorios palestinos e Israel: 169 mil 574.

Esos son los datos compilados por el Centro Brasileño de Estudios Latinoamericanos, y que acaban de ser divulgados en Brasilia. Solamente en 2010 han sido asesinadas 36 mil 792 personas en Brasil, una media de 100 al día, o cuatro por hora. Una cada 15 minutos.

Hay otros aspectos del mapa de la violencia en Brasil que llaman la atención. Si antes las muertes violentas estaban concentradas en los dos mayores centros urbanos, Sao Paulo y Río de Janeiro, ahora el fenómeno se nacionalizó. Con eso, Brasil sigue ocupando un lugar destacado entre los países más violentos del mundo, tomándose como base la proporción de asesinatos por cada 100 mil habitantes: 20.4 personas.

Ese número sitúa a Brasil en el octavo puesto entre las 100 naciones con estadísticas consideradas relativamente confiables, según la institución.

La media de asesinatos es el doble de lo que la ONU considera tolerable (10 por cada 100 mil habitantes). Julio Jacobo Waiselfisz, coordinador de la investigación, destaca que la violencia se expandió por todo el país, aunque se haya concentrado en el nordeste y en el norte.

En Alagoas, por ejemplo, se registró en 2010 la tasa de 55.3 homicidios por cada 100 mil habitantes. Es el estado donde más se mata a negros y mujeres. En Maceió, famosa por sus playas y polo de atracción turística, esa media es de 94.5. No sólo es la capital más violenta de Brasil, sino una de las más violentas del mundo.

El problema es que otras capitales muy turísticas, como Salvador de Bahía, también aparecen con índices elevadísimos (59.6 asesinatos por cada 100 mil habitantes). Río de Janeiro, octavo estado con mayor proporción de muertos por arma de fuego (26.4 por cada 100 mil habitantes), tiene una capital relativamente segura, comparada con las demás: 23.54. Más del doble del tope determinado por la ONU.

Sao Paulo, el más rico y poblado del país, es uno de los cuatro, entre los 27 estados brasileños, que se queda por debajo de lo que la ONU dice que es tolerable: 9.3 asesinatos por cada 100 mil habitantes. Ha sido el estado con la disminución más significativa de esa proporción, en el periodo entre 2000 y 2010: 67.5% menos asesinatos. En Río de Janeiro, la caída ha sido de 43%.

Ya en Pará, entre 2000 y 2010 el número de asesinatos creció absurdos 307%. En el vecino Maranhão, también en el norte miserable, 282.2%. En Bahía, 195%.

El estudio abarca un periodo que va de los dos últimos años de la segunda presidencia de Fernando Henrique Cardoso al final de los dos gobiernos de Lula da Silva. El resultado demuestra que pese a haber sido declarado reiteradamente por los gobiernos estatuales, a lo largo de todos esos años, que la seguridad pública era tema prioritario (también el gobierno nacional dio en la misma tecla), los resultados son elocuentes, y preocupantes. Son políticas ineficaces o, en el mejor de los casos, insuficientes.

Hay muchas explicaciones para el fenómeno de la violencia: el narcotráfico, la gran cantidad de armas (legales y principalmente ilegales) en circulación, y la misma cultura de la violencia como vía de solución para conflictos personales.

A eso hay que sumar la corrupción policial, la incompetencia olímpica de la policía a la hora de investigar crímenes, la absurda morosidad y la corrupción de la justicia, el estado degradante y degradado del sistema carcelario.

Con relación a la manera como las muertes por arma de fuego se extendieron rápidamente por todo el país, dejando de concentrarse en los dos o tres mayores centros urbanos de Brasil, la explicación resulta sorprendente: acorde a la investigación llevada a cabo por el Centro Brasileño de Estudios Latinoamericanos, el fenómeno se debe a la desconcentración industrial y a la migración interna provocada por la expansión geográfica de actividades económicas. O sea, cuanto más se desconcentran la industria y la economía, más se desconcentra la violencia.

La responsabilidad directa de la seguridad pública es de los estados, aunque el gobierno nacional igualmente tenga su propia política sobre el tema. De todas formas, los resultados observados deben ser imputados principalmente en los gobiernos estaduales, que se muestran, en la inmensa mayoría, incapaces de frenar la violencia que crece y afecta la oferta de trabajo.

Todo eso hace recordar un viejo dicho brasileño: Si corres, el bicho te atrapa; si te quedas, el bicho te come. Así las cosas. El país diversifica su economía, por todas partes crecen las posibilidades de trabajo, empleo y renta, y crece también la posibilidad de que, frente a una política ineficaz de seguridad pública, te peguen un tiro.

Fonte: La Jornada
Imagem: AQUI.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Una guerra invisible diezma a la juventud brasileña


Desde que ocurrió en 1992, la masacre del Carandirú, donde murieron 111 detenidos, ametrallados en lo que era el mayor presidio de Brasil, fue registrada por miles de noticias e imágenes televisivas, además de cinco libros y una taquillera película.

Pero cada día una cantidad similar de personas, la mayoría jóvenes, es asesinada a tiros en este país sin ninguna repercusión. "Perdimos la sensibilidad" para esa "masacre cotidiana", lamentó Julio Jacobo Waiselfisz, autor del "Mapa de la Violencia 2013: muertes matadas por armas de fuego".

El informe, divulgado la noche de este miércoles 6 en esta ciudad, fue realizado para el Centro Brasileño de Estudios Latinoamericanos (Cebela) y la Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales (Flacso) y se basa en registros oficiales y totalizó 799.226 muertes por armas de fuego en Brasil entre 1980 y 2010.

De ese total de muertos, 450.255 eran jóvenes de 15 a 29 años, indica el Mapa, cuyo título recoge la expresión coloquial brasileña de ‘muertes matadas’, usada para referirse a los asesinatos.

Es una matanza invisible, que equivale a la suma de víctimas fatales en los conflictos armados de 12 países, incluyendo a Afganistán, Iraq, Sudán y Colombia, en los años críticos de 2004 a 2007, compara el Mapa.

Los homicidios representan en promedio 84 por ciento en las tres décadas registradas, en el informe que también incluye las muertes por accidente, suicidios y otras causas indeterminadas, no naturales.

En 2010, el porcentaje subió 94,6 por ciento, en parte por mejoras en el Sistema de Informaciones de Mortalidad del Ministerio de Salud.

El índice de homicidios por 100.000 habitantes pasó de de 5,1 en 1980 a 19,3 en 2010. La escalada es sobre todo grave entre los jóvenes, un grupo en que la tasa pasó de 9,1 a 42,5. Otro elemento importante es que las balas matan a 2,5 personas negras por cada blanca.

El incremento de esta tasa no fue uniforme. Aumentó hasta 2003, cuando se situó en 20,4 por 100.000 habitantes. Entonces decayó hasta reducirse a 18 en 2007 y volver a subir ligeramente.

"Vivimos un equilibrio inestable" desde 2005, con la caída de la letalidad en los estados más poblados y ricos del sureste, especialmente en el de São Paulo, mientras se produjo un "crecimiento drástico" en el norte y Nordeste del país, observó Waiselfisz a IPS.

En Maceió, capital del nororiental estado de Alagoas, se triplicó el índice de muertes por armas de fuego, alcanzando 94,5 por 100.000 habitantes en 2010, mientras en la metrópoli de São Paulo bajó a 10,4, una cuarta parte menos que una década antes.

Tres grandes factores explican la migración de la violencia criminal, según el autor del Mapa, un sociólogo argentino que vive en Recife, una de las ciudades más violentas del Nordeste brasileño y capital del estado de Pernambuco.

El desarrollo económico, concentrado en las regiones metropolitanas industriales del sureste, se descentralizó a partir de los años 90, creando nuevos polos en otros estados y en el interior del país, atrayendo allí población e inversiones.

A eso se sumó el Plan Nacional de Seguridad Pública, con un fondo que ayudó a mejorar el combate a la criminalidad en grandes metrópolis como São Paulo y Río de Janeiro. Adicionalmente, una mejora en los registros de mortalidad redujo los "cementerios clandestinos" y el subregistro cayó casi a la mitad.

Pese a los avances logrados, la tasa de homicidios por armas de fuego sigue demasiado alta. "Se repite un Carandirú por día", observó Waiselfisz.

Se trata de una llaga compartida con el resto de la región latinoamericana, fruto de una "herencia colonial y esclavista, de desprecio por la vida humana", fundamentada en "la cultura de la violencia, en la que los conflictos se resuelven exterminando al otro" y no mediante la negociación o la justicia, y a una "elevada impunidad", diagnosticó.

Cifras de la Organización de las Naciones Unidas indican que la tasa promedio de homicidios en América Latina fue en 2010 de 26 por cada 100.000 habitantes, el triple que en Europa. El organismo caracteriza de epidémica la violencia de más de ocho homicidios por 100.000 personas.

Estudios en São Paulo estimaron que solo cuatro por ciento de los homicidas son encarcelados, con "pérdidas" sucesivas en la cadena de denuncias, averiguaciones policiales, procesos y condenas judiciales. Eso estimula la criminalidad y la cantidad excesiva de delitos aumenta la impunidad en un "círculo vicioso", evaluó el sociólogo.

Waiselfisz puso como ejemplo el del brutal incremento de asesinatos en el estado de Alagoas, de 248 por ciento durante la década pasada, debido al arribo allí de otra lacra criminal latinoamericana: las mafias del narcotráfico, expulsadas de otras zonas, y a la debilidad de la policía local, que protagonizó huelgas de más de siete meses.

Jorge Werthein, presidente de Cibela, subrayó a IPS una contradicción que merece una gran reflexión: la persistencia de la mortandad, e incluso su ligero incremento, en los últimos 10 años, cuando crecieron la economía, la inclusión social y la generación de empleos, con fuerte reducción de la pobreza y la desigualdad.

La sociedad brasileña tiene que reconocer su realidad, en la que "predomina la violencia en niveles inaceptables", y buscar respuestas "que no sean solo represivas", opinó.

El período de reducción de los homicidios en Brasil fue fruto de la campaña contra la posesión y uso de armas de fuego durante el final del siglo pasado y el comienzo del actual, parcialmente por un referendo que, en 2005, no aprobó la prohibición en el país del comercio de armas y municiones.

En Brasil y en los demás países latinoamericanos el control de la venta de armas es necesario para reducir los asesinatos, además de acciones en áreas como la de la persistencia de la cultura de la violencia, sostuvo Werthein.

El Mapa de la violencia sobre la criminalidad letal en Brasil pretende principalmente "traer a la luz pública" las muertes cotidianas que permanecen "invisibles" para la sociedad y cuya reducción exige "políticas nacionales" y no solo las tradicionales intervenciones puntuales, allí donde hay brotes de violencia criminal, concluyó Waiselfisz.(FIN/2013)

Mario Osava para IPS.

domingo, 18 de março de 2012

PROIBIDO MORRER

Falciano Del Massico

Cidade proíbe moradores de morrer

Na cidade italiana de Falciano Del Massico (4 mil habitantes), os moradores estão proibidos de morrer, porque o cemitério está lotado. O prefeito Giulio Cesare Fava decretou que "os cidadãos não poderão cruzar as fronteiras da vida terrestre e adentrar o além". Ele não disse como será a punição. Dois idosos já morreram desde então. O cemitério da cidade vizinha, Carinola, também está cheio
.

 CP

sábado, 22 de outubro de 2011

O assassinato de Gaddafi e a crise moral dos europeus e dos EUA


Como se esperava, os imperialistas (EUA, França, Inglaterra e Itália), com o apoio de grupos líbios derrubaram o presidente da Líbia, Muammar Gaddafi. Mais do que isso: o assassinaram como fizeram com o presidente do Iraque, Saddam Hussein, e agora se preparam para saquear as riquezas dos líbios, especialmente no que concerne às reservas de petróleo e gás.

Mais uma vez, os imperialistas e colonialistas do ocidente, brancos e cristãos invadem um país soberano em uma cruzada, aos moldes das medievais, para ter o controle da energia fóssil que é o petróleo. São países cujos governos são perigosíssimos, armados até os dentes, possuidores de milhares de ogivas nucleares e com um aparato militar que não pode parar, porque é muito caro e por isso tem de ser usado para atender à trilionária indústria bélica, que é mais letal que o tráfico de drogas internacional.

Como se esperava, a morte do dirigente líbio foi tramada nas salas da ONU (Conselho de Segurança dominado por apenas cinco países) e da OTAN (EUA), órgãos de espoliação política e militar, criados para dar “legalidade” às ações criminosas de guerra dos países ocidentais desenvolvidos, que quase dizimaram seus povos em duas guerras mundiais, em uma selvageria que deixaria qualquer país de periferia que eles consideram selvagem, subdesenvolvido e atrasado com imensa vergonha e com um sentimento animal de ser.

Mais uma vez, lideranças contrárias aos interesses da globalização (nova forma de colonialismo e pirataria) foram mortas e seus países invadidos e bombardeados em nome da “liberdade”, da “democracia” e de um “mundo mais seguro”. Enquanto isso, o sistema capitalista excludente e belicoso derrete em Wall Street e nas praças européias importantes como a de Londres, com as populações desses países brancos, cristãos e desenvolvidos a gritar revoltados nas ruas contra a roubalheira do sistema financeiro e da leniência e subserviência de governos que foram e são cúmplices da jogatina praticada por empresas e instituições que, de forma criminosa, levaram à cabo uma crise econômica e financeira sem precedentes, que eliminou milhões de empregos desse povos que deitaram e rolaram durante quase cinco décadas com a opulência e a fartura às custas dos países africanos, asiáticos e principalmente os da América Latina, que sustentaram até a década de 1990 o alto padrão de vida dos europeus, estadunidenses, japoneses e outros países do assim denominado primeiro mundo, como o Canadá e a Austrália.

Como se esperava esses governantes de países desenvolvidos que agem secularmente como piratas e que, apesar de historicamente se odiarem, para roubar e matar se unem, porque precisam dessa vil aliança para movimentar seu parque industrial bélico e civil e assim renovar a circulação do dinheiro, inclusive o ilegal, que é lavado nos paraísos fiscais, grosso modo, porque todo mundo sabe disso, mas ninguém pega um tanque ou um míssil para destruir tais ”instituições” financeiras, que fomentam há séculos a fome, a miséria e a exploração dos povos menos desenvolvidos, no que concerne às suas infraestruturas e ao acesso às tecnologias, à educação de qualidade e ao sistema bancário e industrial que garanta a seus países desenvolvimento econômico e bem-estar social, o que é quase impossível alcançar sem o apoio dos países desenvolvidos, que se recusam a efetivar um marco em que a cooperação e o aprendizado sejam a tônica.

Mais uma vez na história esses países brancos e cristãos e ocidentais que se comportam como aves de rapina ou como cães predadores optam pelo saque das riquezas alheias e o torna crível e cinicamente aceitável perante a população mundial por intermédio do sistema midiático, notadamente a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?), que porta-voz e ponta-de-lança do sistema de capitais inicia e termina um processo de demonização dos presidentes dos países agredidos e invadidos ao ponto de não se saber, de forma alguma, como pensam, como vivem e o que fazem os povos vítimas de bombas, de mísseis, de todo tipo de armas de grosso calibre, que não têm como se defender contra forças estrangeiras que quase se dizimaram nas duas guerras mundiais iniciadas pelos brancos cristãos e que se consideram, com a maior cara-de-pau possível, civilizados e não selvagens.

Como se esperava, Gaddafi foi assassinado tal qual ao Saddam. A questão não é se os dois dirigentes eram ditadores. O que importa nesses casos é que os países ocidentais que não se consideram selvagens, o que é uma grande desfaçatez, apoiaram, apóiam e sempre apoiarão ditaduras espalhadas em todo o planeta, porque é assim que esses países, com a ONU e a OTAN usadas como títeres da legalidade, agem em uma conduta para lá de questionável, pois moralmente sem credibilidade no que é relativo às diferenças dos povos, bem como aos seus interesses, que não se coadunam e por isso, geralmente, o país ou aliança mais forte belicamente e que controla regiões diversas por meio da geopolítica ataca seu alvo sem dar satisfação alguma à comunidade internacional, além de fazer da ONU uma organização fantoche, desacredita e humilhada pela prepotência e a arrogância dos Estados Unidos, cujo presidente Barack Obama, apesar da novidade de ser um homem negro, tem os mesmos defeitos, o mesmo perfil e a conduta e estratégias de seus antecessores, que é realizar guerra, invadir países para saquear e ter controle geopolítica de determinadas regiões, ao preço de sangue, muito sangue de povos, neste caso, árabes, que não conseguem há quase dois milênios se livrar de forças estrangeiras que não cansam de matar e de literalmente roubar seus países e sociedades.

Mais uma vez, moralmente os Estados Unidos sucumbem principalmente após o monumental desabamento do World Trade Center em 2001 e o derretimento de seu sistema de capitais no fim de 2008. O país do Capitão América aplicou de forma científica a tortura e a aceitou e a efetivou como prática corriqueira e ordinária para ter acesso a informações de pessoas consideradas inimigas, mesmo as que foram presas sem provas e acusação formal, pois desobediente às leis e às normas do Direito Internacional, e negou o mais fundamental e elementar dos direitos de cidadania e da humanidade: o habeas corpus. Seqüestrou, torturou e matou e seus mandatários reconheceram que a tortura era praticada e mesmo assim apoiaram tal ignomínia. Uma vergonha, que deixou a potência mundial como pária no que concerne à civilização, além de ter efetivado uma política diplomática unilateral e isolacionista, o que acarretou o recrudescimento das ações da direita estadunidense no que é referente à legalidade, ao contraditório, ao direito de defesa e no que é civilizado e não selvagem e animalesco.

Como se esperava, Muammar Gaddafi e as forças regulares e armadas da Líbia foram derrotados. O dirigente líbio — político nacionalista e que, apesar de seus erros e defeitos, desenvolveu o país do norte da África, que, juntamente com a África do Sul, é um dos dois mais desenvolvidos do continente, com IDH alto — foi morto, assassinado e mostrado ao público internacional como caça, como troféu. O povo líbio até então, não se sabe como ele vai ficar, tinha acesso a muitos benefícios sociais e que nunca foram mostrados pela imprensa comercial, privada e corporativa do ocidente. Nunca a imprensa hegemônica brasileira veiculou matérias sobre a Líbia, seu desenvolvimento e as conquistas sociais de seu povo, muito avançado para os padrões africanos. Essa imprensa apenas se preocupou em demonizar o presidente líbio, a fim de dar legalidade e razão às ações de pirataria explícita da OTAN, ou seja, dos EUA, da França, da Inglaterra e da Itália, países em profunda crise econômica e financeira e moralmente abalados, no que é relativo a discernir sobre o que é humano, legal e justo.

É isso aí.

Davis Sena Filho é jornalista, editor do blog Palavra Livre.

domingo, 19 de dezembro de 2010

BEEFHEART

Ayer murió a los 69 años el pintor, compositor, guitarrista y ex hippie vocacional Don Van Vliet, que en los años sesenta se hizo famoso como el Capitán Beefheart. Socio musical de Frank Zappa, Beefheart lanzó en 1969 con su Magic Band el disco Trout Mask Replica, considerado desde entonces un hito en el rock experimental. Desde los ’80, Beefheart se dedicaba a pintar y exponer. Sufría de esclerosis múltiple. (Página/12)

domingo, 29 de agosto de 2010

OVADIA YOSEF, O RABINO DA MORTE


Rabino israelense diz que Abbas e palestinos deveriam morrer

JERUSALÉM (Reuters) - Um influente rabino israelense disse que Deus deveria enviar uma praga contra os palestinos e seu líder, pedindo sua morte num violento sermão antes do início das negociações de paz no Oriente Médio na próxima semana.

"Abu Mazen e todas essas pessoas malignas deveriam desaparecer da terra", disse o rabino Ovadia Yosef, líder espiritual do partido religioso Shas - que forma parte do governo -, num sermão na noite de sábado, chamando o presidente palestino pelo seu nome popular.

"Deus deveria atacá-los e a esses palestinos - malvados que odeiam Israel - com a praga", declarou o rabino de 89 anos em seu sermão semanal frente a fiéis, que teve partes transmitidas pelo rádio israelense no domingo.

O clérigo israelense fez comentários semelhantes antes. O mais conhecido foi em 2001, quando pediu a aniquilação dos árabes e disse que era proibido ter piedade deles.

Depois ele afirmou que estava se referindo apenas a "terroristas" que atacam os israelenses.

Seus comentários mais recentes não tiveram comentários imediatos de líderes palestinos nem israelenses.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e Abbas devem retomar negociações diretas de paz na quinta-feira em Washington, na primeira reunião do tipo em 20 meses, num processo de paz que inclui compromissos de ambas as partes para evitar provocações.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Historiadores investigam destino das vítimas da eutanásia nazista


Historiadores alemães investigam o destino de 9 mil doentes assassinados pelos nazistas. Eram vítimas do programa "eliminação de vida sem valor".

O projeto de investigar o destino de vítimas da eutanásia nazista é uma iniciativa da Universidade Livre de Berlim e da Fundação Memória do Estado de Bandemburgo. Conforme levantamento, mais de 300 mil pessoas foram mortas durante a Segunda Guerra Mundial, entre elas doentes mentais.

O assassinato dos pacientes foi chamado pelos nazistas eufemisticamente de "eutanásia" da "vida sem valor". Na primeira fase do mórbido programa, de janeiro de 1940 a agosto de 1944, 70 mil alemães internados em hospitais foram mortos.

A idéia da operação secreta, que contou com a participação ativa de numerosos médicos e enfermeiros, foi propagada também em numerosos filmes nazistas. Nas películas, os doentes mentais ou terminais eram chamados de "bocas inúteis que precisam ser alimentadas".

Participação médica

A campanha, criada em um edifício da rua Tiergartenstrasse, em Berlim, foi chamada de T-4. Os assassinatos foram sendo executados com a falsa explicação de "morte natural" e de forma estritamente confidencial. As instituições onde estavam internados os pacientes chegavam a enviar cartões de condolências às famílias das vítimas.

A intenção do projeto de pesquisa das duas instituições alemãs é determinar os nomes dos 5 mil berlinenses, de um total de 9 mil vítimas, do T-4 em Brandemburgo/Havel. "A diferença em relação a outros hospitais na Alemanha e na Áustria em que os crimes foram praticados é que em Brandemburgo/Havel a identidade dos doentes mortos não foi investigada sistematicamente", explicou a Dra. Astrid Ley, colaboradora científica do setor Crimes de "eutanásia" da Fundação Memória de Brandemburgo.

Experimentos para o Holocausto

"A falta de informação é lamentável, já que o T-4 de Brandemburgo foi um dos primeiros centros de morte do projeto nazista", lamentou a Dra. Ley. Além disso, foi lá que ocorreram, em janeiro de 1940, as primeiras "mortes experimentais". A partir deste momento, se decidiu aplicar o método de assassinato por meio do uso de gás. "A partir de Brandemburgo há portanto um caminho direto que conduz às câmaras de gás dos campos de extermínio e ao Holocausto", ressaltou.

Outra peculiaridade de Brandemburgo é a ação, em julho de 1940, contra pacientes judeus, que marcou o começo da morte sistemática de doentes psiquiátricos judaicos durante o III Reich. "Com este projeto, queremos proporcionar às famílias dos mortos informações confiáveis sobre o destino de seus familiares", ressaltou Günter Morsch, diretor da Fundação Memória de Brandemburgo.

Morsch acrescentou que, devido à perda de documentos, será possível provavelmente precisar apenas os nomes da metade dos 9 mil mortos em Branbemburgo/Havel. As vítimas da operação T-4 foram intoxicadas com monóxido de carbono em seis centros, construídos especialmente para este fim em Havel, Grafeneck, Bernburg, Hartheim, Pirna e Hadamar.

Pablo Kummetz, para Deutsche Welle

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ataque dos EUA no Afeganistão mata civis em casamento


Autoridades americanas no Afeganistão confirmaram que civis foram mortos em um ataque aéreo que atingiu uma festa de casamento na província de Kandahar na noite de terça-feira.

Um parlamentar local disse à BBC que o ataque teria deixado até 38 mortos e mais de 40 feridos - crianças estariam entre as vítimas.

Um porta-voz militar americano disse estar certo de que houve vítimas civis no ataque, que tinha como alvo militantes do Talebã que atuam na região, e expressou pesar pelo ocorrido.

Este é o mais recente incidente envolvendo a morte de civis no Afeganistão e ressalta um dos principais desafios que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barak Obama, terá pela frente.

Críticas

O presidente afegão, Hamid Karzai, voltou a criticar o alto número de vítimas civis causadas por ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos e fez um apelo para que Obama tome medidas para conter o problema.

"Nosso pedido é que não haja vítimas civis no Afeganistão", disse Karzai. "Não podemos vencer a luta contra o terrorismo com ataques aéreos."

"Essa é minha primeira demanda ao novo presidente dos Estados Unidos: que acabe com as vítimas civis."

Uma investigação foi lançada para tentar apurar o que deu errado no ataque de terça-feira.

Correspondentes dizem que a morte de civis é extremamente prejudicial para a imagem das forças estrangeiras, que tentam conquistar os "corações e mentes" da população afegã.

Número de mortes

No mês passado, o Exército americano confirmou que ataques aéreos no dia 22 de agosto mataram 33 civis afegãos, muito mais do que o inicialmente divulgado.

Uma investigação do Parlamento afegão em julho também descobriu que outro ataque aéreo americano, também em agosto, matou 47 civis na província de Nangarhar, no leste do país.

De acordo com autoridades regionais, as vítimas também estavam participando de uma festa de casamento - e a noiva estava entre os mortos.

Números divulgados em setembro pela ONU (Organização das Nações Unidas) apontam um grande aumento no número de mortes de civis no Afeganistão em 2008 - algumas causadas pela coalizão, mas a maioria pelo Talebã.

A organização afirma que, de janeiro a agosto, 1.445 civis foram mortos, um aumento de 39% em relação ao mesmo período do ano passado.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Governo suíço quer restringir "turismo da morte"


SWISSINFO:

Cerca de 1800 pessoas se suicidaram em 2007 na Suíça. Quatrocentas foram assistidas nessa decisão pelas organizações Exit, Dignitas e Ex International.

A Dignitas é alvo de severas críticas por atender principalmente estrangeiros. Agora o Conselho Federal (Executivo suíço) planeja impor restrições ao suicídio assistido.

A absoluta maioria (85%) das 141 pessoas que a Dignitas assistiu no ano passado vieram do exterior. Por isso, ela é acusada de fomentar o chamado "turismo da morte". Seus "clientes" estrangeiros seriam enviados para o além sem muitos esclarecimentos.

O diretor da organização, o jornalista e advogado zuriquense Ludwig Minelli (75 anos), é criticado especialmente por usar hélio como meio para o suicídio. Com isso, a Dignitas escapa do controle médico, uma vez que essa substância pode ser comprada livremente no mercado.

O pentobarbital de sódio, comumente usado para esse fim, depende de receita, de modo que nenhum suicídio seria possível sem autorização médica.

O próprio Minelli admitiu em entrevista a uma revista suíça, que, com a utilização do hélio, quis demonstrar que "poderíamos descartar o controle e a cooperação médica".

"Com o método do hélio, a Dignitas escapa ao controle na área de medicamentos", diz Bernardo Stadelmann, do Ministério da Justiça. Isso abre uma brecha que coloca em questão um suicídio digno e eleva o risco de abusos, acrescenta.

Por isso, o Conselho Federal encarregou o Ministério da Justiça de apresentar, até o início de 2009, um relatório com propostas de normas legais para o suicídio assistido.

Serão avaliados os deveres mínimos de diligência e aconselhamento das organizações de assistência ao suicídio, a documentação, o controle de qualidade na seleção e na formação do pessoal envolvido, transparência financeira e a definição de limites éticos.

Limites legais e éticos

A definição de limites éticos pode significar que o suicídio de pessoas saudáveis venha a ser proibido. Não está planejada uma supervisão oficial dessas organizações, porque isso, segundo o ministério, lhes daria um "selo de qualidade estatal".

Por recomendação do ex-ministro da Justiça, Christoph Blocher, o governo havia renunciado a uma regulamentação do suicídio assistido. A sucessora de Blocher, Eveline Widmer-Schlumpf, vê a necessidade de ação do Legislativo, principalmente para combater o "turismo da morte".

As organizações Exit e Dignitas disseram que, em princípio, não são contra uma regulamentação, mas pedem que não haja um excesso de burocratização da ajuda ao suicídio. Do contrário, as pessoas "cansadas da vida" buscariam uma alternativa no mercado negro ou optariam por um suicídio brutal.
As regras em outros países

O país em que a Dignitas tem mais "clientes" é a Alemanha, onde a ajuda ativa ao suicídio é proibida. A ajuda passiva é permitida, se este for o desejo do paciente. Mas não há uma lei sobre como lidar com esse desejo.

A Holanda foi o primeiro país no mundo a permitir a "ajuda ativa ao suicídio". Desde abril de 2002, os médicos holandeses podem aplicar uma injeção mortal em um paciente terminal, se ele o desejar em plena consciência. Uma comissão formada por um médico, um jurista e um especialista em ética precisa aprovar o suicídio assistido. A Bélgica tem uma lei semelhante.

Na França, os médicos podem "deixar morrer" pacientes terminais, mas não podem pôr um fim ativamente à vida deles. Os médicos também podem interromper medidas de prolongação da vida, como a respiração artificial.

No Reino Unido, os médicos podem dar fortes doses de sedativos, mesmo correndo o risco de que o paciente morra mais rápido. Na Suécia e na Noruega, sob determinadas condições, é possível interromper tratamentos que prolongariam a vida.

Na Grécia, onde a influência da Igreja Ortodoxa é forte, a assistência ao suicídio é rigorosamente proibida. Na católica Polônia, quem presta assistência ao suicídio corre o risco de levar até cinco anos de cadeia.