DANCINHA

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

COMO SÃO FEITAS AS LEIS

 

Setor imobiliário comemora Papai Noel antecipado

Por Paulo Müzell

A “bancada do concreto” da Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou nova alteração no plano diretor da cidade. Como sempre, ao “apagar das luzes”, em meados de dezembro que é quando, invariavelmente, as votações se acumulam. “A toque de caixa”, dezenas e dezenas de projetos são sumariamente apreciados. Coincidentemente, os mais importantes do ano. Época oportuna, momento adequado já que o porto-alegrense está ligado no 13º, nas compras de natal e nas férias de verão.

O vereador Reginaldo Pujol (DEM) elaborou um projeto de lei alterando o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental, lei complementar 434/99. Projeto sumário, de apenas três artigos que eleva índices de aproveitamento, densidades, volumetrias em faixas de 120 metros dos dois lados da terceira perimetral e do traçado do futuro metrô da capital. Devido ao grande atraso na implantação do metrô – que sequer tem concluído o projeto final e nem assegurados os recursos –, foram aprovadas emendas que passaram as faixas da linha do metrô para os trajetos dos eixos sul e leste da cidade – avenidas João Pessoa, Bento Gonçalves, Protásio Alves e Padre Cacique -, onde funcionará o do BRT, o “Bus Rapid Transit”. Aconteceu aí a troca do seis pela meia dúzia. Se o metrô não tem data para começar e certamente não estará em funcionamento antes dos próximos dez anos, o projeto do BRT também caminha a passos de tartaruga. Anunciado há mais de cinco anos tem suas pistas inconclusas, com obras muito atrasadas. As seis estações de transbordo não começaram a ser construídas; os equipamentos e veículos não têm data de aquisição prevista e, muito menos, de início de operação. Os dados constantes nos dois últimos orçamentos da Prefeitura e no Sistema de Despesa Orçamentária (SDO) da Secretaria da Fazenda comprovam o enorme atraso. Em 2014 a previsão era investir 74,8 milhões e só foram aplicados 6,7 milhões. Este ano a previsão foi mais modesta: orçados 13,3 milhões, aplicados apenas 4,9 milhões. No último biênio, dos 88 milhões que deveriam ser investidos no projeto foram gastos menos de 12 milhões (13%).

A óbvia pergunta é: se o BRT não tem data para entrar em funcionamento, o que certamente não ocorrerá antes de quatro ou cinco anos, porque aprovar hoje lei aumentando os índices construtivos?

Foi aprovado nas faixas o índice de aproveitamento máximo (3,0) e o parágrafo único do artigo 2 possibilita a compra da diferença entre o índice de aproveitamento do terreno e o índice máximo “sob a forma de Solo Criado, de forma direta, sem licitação”, o que configura flagrante ilicitude.

Considerando a extensão da terceira perimetral e dos eixos do BRT, a lei amplia até o máximo o potencial construtivo de cerca de 1.000 hectares de área urbana de ocupação intensiva da cidade. O absurdo é que a lei foi aprovada sem que a recentemente criada Secretaria de Urbanismo (SMURB), que substituiu a Secretaria do Planejamento Municipal (SPM) apresentasse os estudos de impacto urbano e ambiental. Um vereador apresentar e aprovar uma lei desta importância sem o aval do órgão do Executivo Municipal é um verdadeiro atestado de omissão da SMURB. Um atestado de óbito, na verdade.

Presentes na sessão no momento da votação 34 vereadores. Destes, oito se abstiveram, o que já é fato preocupante, dada a importância da matéria. Dos 26 votantes, 23 registraram “sim” e apenas três “não”: Sofia Cavedon (PT), Marcelo Sgarbossa (PT) e Alex Fraga (PSOL). A bancada do PT mais uma vez ficou dividida: dois “sim”, dois não”, uma abstenção.

O projeto se encontra na Diretoria Legislativa da Câmara para elaboração da redação final. Finda esta etapa será encaminhado ao Prefeito José Fortunati, sempre muito “simpático e receptivo” às propostas e interesses do “empreendedorismo imobiliário” da cidade. Certamente ele nem vai precisar dos 15 dias – prazo que lhe assegura a Lei Orgânica -, para sancionar e publicar a nova lei.

.oOo.

Paulo Muzell é economista.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

10 Estratégias de Manipulação em Massa utilizadas diariamente contra Você

 

1. A estratégia da Distração

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio, ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se por conhecimentos essenciais, nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética.

Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais

 

2. Criar problemas e depois oferecer soluções

Este método também é chamado “problema-reação-solução“. Se cria um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja aceitar.

Por exemplo: Deixar que se desenvolva ou que se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas desfavoráveis à liberdade.

Ou também: Criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos. (qualquer semelhança com a atual situação do Brasil não é mera coincidência).

Este post PORQUE A GRANDE MÍDIA ESCONDE DE VOCÊ AS NOTÍCIAS BOAS? retrata bem porque focar nos problemas é interessante para grande mídia.

 

3. A estratégia da gradualidade

Para fazer que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Foi dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas, neoliberalismo por exemplo, foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estratégia também utilizada por Hitler  E comumente utilizada pelas grandes meios de comunicação.

 

4. A estratégia de diferir

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária“, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.

É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.

Depois, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “amanhã tudo irá melhorar” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

 

5. Dirigir-se ao público como crianças

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criança de pouca idade ou um deficiente mental.

Quanto mais se tenta enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como as de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.”

 

6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e finalmente no sentido crítico dos indivíduos.

Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.

 

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.

“A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser revertida por estas classes mais baixas.

 

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade

Promover ao público a crer que é moda o ato de ser estúpido, vulgar e inculto.

 

9. Reforçar a auto-culpabilidade

Fazer com que o indivíduo acredite que somente ele é culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, suas capacidades, ou de seus esforços.

Assim, no lugar de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se auto desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E, sem ação, não há questionamento!

 

10. Conhecer aos indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem

No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes.
Graças à biologia, a neurobiologia a psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado sobre a psique do ser humano, tanto em sua forma física como psicologicamente.
O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que o dos indivíduos sobre si mesmos.




manipulacao-em-massa

domingo, 6 de dezembro de 2015

SOBRE O TEMPO E OS RITOS DE PASSAGEM PARA A “VIDA ADULTA”



Obra de Salvador Dali


O tempo parece ser relativo. Por exemplo: da infância até a adolescência, o tempo parece passar muito devagar. Os finais de semana demoram a chegar. As férias de verão, então, não chegam nunca. Outro exemplo: em um jogo de futebol importante (ou de basquete), se a diferença de placar é apertada, o tempo para o time que está ganhando passa muito vagarosamente. Para o time que está perdendo o tempo passa rapidamente.

O tempo também pode ser considerado inexorável. Ele nunca cede ou se abala diante de súplicas e rogos. Implacavelmente passa. As pessoas às vezes fazem tolas tentativas de retardar seus efeitos, muitas vezes por questões estéticas. Essas tentativas, porém, normalmente produzem resultados efêmeros e na maioria das vezes, à médio prazo, se revelam desastrosas.
 
É difícil monitorar a passagem do tempo. Desde a pré-história a humanidade ficava deslumbrada pela sucessão dos dias e noites. Passou, então, a utilizar as fases da Lua como referência. A noção do conceito de Ano, porém, só apareceu concomitantemente com o desenvolvimento da agricultura, entre 10 e 12 mil anos atrás. Independentemente do desenvolvimento de calendários, na prática o tempo escoa sem que as pessoas percebam. Eventualmente, quando se dão conta, mais da metade da vida útil já passou.

O tempo passa e de repente uma pessoa chega ao final da idade escolar. Em torno de 17 anos.

Em nossa sociedade, no extremo sul do Brasil, essa época tem a força de um ritual de passagem para a vida adulta. As meninas algumas vezes simulam esse ritual antes disso, aos 15 anos. Os rapazes não.

Antigamente, para os rapazes, muitas vezes essa cerimônia de passagem para a vida adulta se dava no momento em que ele fazia a caça e o abate do primeiro animal. Ligadas, portanto, ao derramamento de sangue, essas cerimônias significavam a integração daquela pessoa como membro produtivo da tribo.

Isso é só um exemplo. Variadas cerimônias marcavam a passagem para a idade adulta.

Entre os nativos norte-americanos, algumas tribos praticavam um rito onde a pele do peito dos jovens guerreiros era trespassada por espetos e repuxada por cordas. A dor e o sangue derramado eram, dessa forma, considerados como uma retribuição à Terra das dádivas que a tribo recebera até ali.

As tribos que vivem perto do rio Sepik em Papua Nova Guiné usam a tradição das cicatrizes para mostrar que seus meninos se tornaram homens. A cerimônia pede que o jovem seja cortado nas costas, na barriga e nas nádegas, em padrões que deixem cicatrizes elaboradas que imitem a pele de um crocodilo. Além disso, durante semanas a paciência do rapaz é testada sendo constantemente humilhado por outros homens.

Em outro local do planeta, a cerimônia de passagem começa com os jovens que passarão pelo teste fazendo jejum de comida e de bebida e se privando de sono por quatro dias seguidos. Depois eles são perfurados e pendurados pelos furos em uma tenda. Para aumentar a dor, suas pernas são presas a um tipo de peso, que puxa o candidato a guerreiro para baixo. Eles devem ficar assim até desmaiar. Depois que acordar, ele deve sacrificar o dedo mindinho de cada mão e, feito isso, correr pela praça da aldeia várias vezes.

Quando um menino se torna um homem, é motivo de celebração para a tribo Xhosa da África do Sul. O abakwetha (o iniciado) é barbeado e um banquete é oferecido para ele. Depois ele é levado para uma cabana nas montanhas que será sua casa pelas próximas semanas. Sem nenhuma preparação, o “cirurgião” aparece e realiza o procedimento de remoção do prepúcio e depois o rapaz é deixado sozinho até “se curar”. A lâmina usada na cirurgia, por si só, representa um grande risco, já que é usada para vários homens sem nenhum processo de limpeza, podendo causar infecções e transmissão de DSTs. Um dos maiores medos dos meninos que vão passar pela iniciação é ouvir que o garoto que veio antes dele teve que ser hospitalizado.

Em outro local de nosso planeta, para que um menino passe a ser considerado um homem ele deve confeccionar um chicote da forma que ele produza um “efeito” muito dolorido. Depois ele deve enfrentar com sua arma um outro companheiro que também está passando pelo rito de iniciação em uma luta que será assistida por toda a aldeia. Seu objetivo é acertar com mais força o oponente e gemer o menos possível quando ele é acertado.

A tribo Matausa, de Papua Nova Guiné, acredita que se seus meninos não passarem pela iniciação de sangue, eles sofrerão as consequências pelo resto de suas vidas – ele nunca será visto como um guerreiro e não terá vigor e nem força. Por essa razão os rapazes ficam ansiosos para passar pelo rito, mesmo sabendo o quão horrível ele será. Primeiro eles precisam tirar do corpo qualquer influência feminina que tenha vindo de suas mães. Então eles enfiam pedaços de madeira na garganta para induzir o vômito até que toda a comida no seu estômago seja eliminada. Depois pedaços de cana são introduzidos no nariz do candidato a guerreiro para que ele elimine, também, outras influências ruins. No fim, sua língua é apunhalada diversas vezes. Se ele suportar tudo isso, é considerado um guerreiro da tribo, completamente purificado.

Na Amazônia Brasileira a tribo Satere-Mawe é considerada dona de um dos mais dolorosos ritos de passagem do mundo, graças à formiga 24. A formiga é conhecida por esse nome pelas 24 horas de dor horrível que quem sofre a sua picada passa. Além da dor, a vítima sofre com vômitos, náusea e arritmia cardíaca. Isso só com uma picada. Mas os Satere-Mawe não se contentam com pouco. Cerca de 30 formigas são embebidas em água até que fiquem inconscientes. Depois uma luva de folhas, carvão e formigas é construída. Quando acordam as formigas ficam desesperadas tentando se libertar e, é nessa hora, que o iniciado veste duas luvas de formigas, agüentando inúmeras picadas. Durante o ritual, ele e os membros da tribo cantam para distrair o futuro guerreiro da dor. Depois do ritual ele vai sofrer com as conseqüências das picadas por dias a fio, mas no fim será considerado um guerreiro da tribo

Etc.

Todas essas cerimônias tinham um significado comum: marcavam pontos de desprendimento. Velhas atitudes eram abandonadas e novas deviam ser aceitas.

Claro que nas sociedades modernas as passagens se dão de forma muito mais suave e com grau de simbolismo bem menor. Em alguns casos, inclusive, não há essa passagem e as algumas pessoas ficam misturando atitudes infantis e adultas durante boa parte da vida.

De qualquer forma, essa época é um dos períodos da vida mais significativos, que não será esquecido jamais.

Omar Rösler
Dezembro de 2015



Observação: as informações sobre ritos de passagem incluídas neste texto tiveram origem em vários sites da internet.

domingo, 13 de setembro de 2015

STF PROTEGE FALCATRUAS DA CBF



O Supremo Tribunal Federal segue garantindo o direito à CBF de não apresentar à CPI do futebol a abertura dos contratods de patrocínio.

Os parlamentares já fizeram até agora três requerimentos para ter acesso a documentos de enorme interesse público, como a relação da renda obtida com bilheteria e comercialização de direitos de transmissão dos jogos da Seleção, acordos com patrocinadores desde 2002, relação dos recursos recebidos da CBF em decorrência de acordo com a Fifa referente à organização da Copa do Mundo de 2014.

É por essas e outras que os mesmos dirigentes vêm se mantendo na CBF há anos sem nenhum tipo de problema.

Teve que o FBI, dos EUA, entrar nas investigações para que realmente acontecessem punições.

É inacreditável o poder da CBF em território nacional.

Convenhamos, não poder serem revelados contratos de recursos obtidos com a Seleção Brasileira é uma vergonha.

Nada é mais de interesse público do que a Seleção.

A proibição para investigar os recursos recebidos para a Copa do Mundo, patético.

O dinheiro público rolou direto na organização do evento.

Mas como? A CBF não precisa prestar contas de nada?


por Nando Gross (Correio do Povo, 13 de setembro de 2015)

domingo, 30 de agosto de 2015

Trotsky



Por Eduardo Mancuso

Lev Davidovitch Bronstein nasce na Ucrânia, em 1879, filho de um proprietário de terras judeu. Aos 18 anos juntamente com sua esposa Alexandra e um pequeno grupo de militantes, funda a União dos Trabalhadores do Sul da Rússia. Preso pela polícia czarista, é condenado a quatro anos de deportação na Sibéria. Em 1902, após adotar o pseudônimo que o identificará por toda a vida (copiado de um de seus carcereiros), Trotsky foge da prisão e vai encontrar-se com Lenin em Londres, onde era editado o jornal Iskra (Centelha), órgão do Partido Operário Social-Democrata Russo.

No II Congresso do partido, em 1903, ocorre a divisão entre bolcheviques (maioria), liderados por Lenin e os mencheviques (minoria), que defendem o protagonismo da burguesia liberal na revolução democrática, contra a monarquia czarista.  Trotsky diverge radicalmente da estratégia menchevique, mas vota contra os bolcheviques na questão da organização partidária, fazendo duras críticas às concepções leninistas, que considerava centralizadoras e autoritárias. Às portas da revolução de 1917, quando adere ao bolchevismo, Trotsky fará autocrítica das posições que havia adotado durante e após o histórico congresso, sobre concepção partidária e sua insistência em buscar a conciliação entre mencheviques e bolcheviques (subestimando, inclusive, suas brilhantes análises naquele debate).

A revolução russa de 1905 teve destacada participação de Trotsky, que assume a presidência do primeiro soviete (conselho) da história da classe trabalhadora, em São Petersburgo (futura Petrogrado), e após a derrota do movimento escreve o seu relato. Primeira revolução do século XX, iniciada com a crise do regime czarista, provocada pelas greves dos trabalhadores e pela derrota militar frente ao Japão, teve como marco o “domingo sangrento”, em que milhares de manifestantes foram fuzilados pelas tropas, diante do palácio do czar. A revolução de 1905 marca o surgimento dos sovietes e da greve geral de massas como criações políticas revolucionárias da luta de classes, e exerce forte impacto nas concepções teóricas de Trotsky, Lenin e Rosa Luxemburgo.

Após a revolução de 1905, Trotsky publica um pequeno livro que se mostra profético, “Balanço e Perspectivas”, onde antecipa a estratégia vitoriosa da Revolução Russa. Nessa obra ele resgata o conceito de revolução permanente de Marx, e sustenta o caráter socialista e internacional da revolução na Rússia, sob a direção política da classe operária em aliança com os camponeses – ao contrário dos bolcheviques, que defendiam o caráter democrático burguês da revolução. Uma década depois, Lenin adota essa estratégia em suas “Teses de abril”, reorientando o partido bolchevique para a vitória comunista de 1917.

Em 1914, explode a Primeira Guerra Mundial, com a capitulação da social-democracia frente à guerra imperialista, e seus 10 milhões de mortos marcam tragicamente a traição histórica da Segunda Internacional ao socialismo. Em 1915, a esquerda internacionalista contrária à guerra se encontra na Conferência de Zimmerwald, na Suiça, e as posições de Lenin e Trotsky se reaproximam. Com a fome e a mortandade provocada pela guerra, explode a revolução de fevereiro de 1917, que derruba o czarismo e implanta o governo provisório. Trotsky embarca de volta à Rússia, e chega a Petrogrado um mês depois de Lenin ter desembarcado na famosa Estação Finlândia, e reorientado os rumos do partido bolchevique na oposição ao governo provisório (formado por burgueses liberais e monarquistas constitucionalistas, e depois com a participação de socialistas-revolucionários e mencheviques) que insistia em manter a Rússia na guerra, barrava a reforma agrária e reprimia os trabalhadores e os camponeses.

“Todo o poder aos sovietes” foi a palavra de ordem que Lenin lançou às massas radicalizadas pela guerra e a fome, abrindo o caminho para a revolução de outubro. Em julho, Trotsky ingressa no partido e no comitê central bolchevique com a sua organização Interdistrital. Em setembro, é eleito novamente presidente do Soviete de Petrogrado, e logo depois coordenador do Comitê Militar Revolucionário, órgão responsável pela organização da tomada do poder. Em novembro (outubro pelo antigo calendário russo), irrompe vitoriosa a primeira revolução socialista da história, sob direção bolchevique e o lema de “Paz, pão e terra”.

Porém, havia a guerra com a Alemanha, o bloqueio e a intervenção militar das potências ocidentais contra a Rússia. Trotsky torna-se Comissário do Povo para as Relações Exteriores, chefia as negociações com o alto comando alemão e desenvolve nesse período uma intensa agitação dirigida ao proletariado europeu, em que denuncia as chantagens imperialistas. Porém, no início de 1918 a jovem república soviética é obrigada a assinar a Paz de Brest-Litovsk, imposta pela superioridade militar alemã. No plano interno, era o caos com a guerra civil e os exércitos brancos contrarrevolucionários atacando em três frentes, a oposição de mencheviques e socialistas-revolucionários, e a terrível crise econômica, com o colapso da produção agrícola, industrial e dos transportes. A revolução estava em perigo.

Trotsky torna-se Comissário do Povo para Assuntos Militares e organiza o Exército Vermelho, onde combina oficiais do antigo exército czarista, que se mantém leais ao novo governo com a supervisão de comissários políticos bolcheviques. Depois de passar dois anos atravessando a Rússia em um trem blindado, de onde comanda o Exército Vermelho durante a guerra civil (e onde escreve “Terrorismo e comunismo”, provavelmente seu pior livro), Trotsky conquista a vitória sobre os exércitos brancos em 1920. Porém, em março de 1921, o X Congresso do Partido Bolchevique defronta-se com a revolta dos marinheiros do Kronstadt e revoltas camponesas, ambas, sob influência anarquista, são esmagadas pelo poder soviético. Nesse contexto, o Congresso bolchevique suspende, em caráter extraordinário o direito de tendências no partido, e Lenin lança a Nova Política Econômica (a NEP), que substitui a fase do comunismo de guerra. Após as derrotas das revoluções na Alemanha, na Finlândia e na Hungria, o isolamento da Rússia soviética era total.

Em 1919 Lenin convoca o congresso de fundação da Internacional Comunista e Trotsky redige seu Manifesto (ele vai escrever, também, o Manifesto do II e as Teses do III Congresso). Em 1923 Lenin propõe a Trotsky uma aliança contra Stalin (que detinha a secretaria-geral do partido) e o combate conjunto à nascente burocratização da revolução. Trotsky organiza a Oposição de Esquerda, mas em janeiro de 1924 Lenin morre. Stalin lança uma campanha de filiação partidária de massas, chamada de “recrutamento Lenin”, e apresenta a teoria antimarxista do “socialismo em um só país”.

Entre 1925 e 1927, Trotsky é afastado das suas funções no governo e na direção do partido, até sua expulsão da União Soviética, em 1929. Nesse período, Trotsky escreve algumas de suas obras mais importantes: “Literatura e Revolução”, em defesa de uma arte e cultura socialista; “A Internacional Comunista depois de Lenin”, onde faz um balanço devastador da política internacional do stalinismo; “A Revolução Desfigurada”, onde responde às calúnias e falsificações históricas sobre o seu papel na revolução, e defende a luta política da oposição contra a burocracia stalinista; “Minha Vida”, sua autobiografia; e “A Revolução Permanente”, em que retoma e desenvolve suas teses formuladas anos antes.

Trotsky vive exilado na Turquia até 1933, onde escreve os três volumes de sua magistral “História da Revolução Russa” e os “Escritos sobre a Alemanha” (editado no Brasil por Mário Pedrosa, sob o título “Revolução e contrarrevolução na Alemanha”), duas obras primas do marxismo. Depois de passar pela França e pela Noruega, sob pressão diplomática e ameaças constantes, Trotsky finalmente encontra abrigo no México, graças ao presidente nacionalista Lázaro Cárdenas.

No exílio mexicano, hospedado com sua segunda esposa, Natália Sedova, inicialmente na casa do grande muralista Diego Rivera e da artista plástica Frida Khalo, e depois na casa da rua Viena, a atividade de Trotsky continua sendo o combate incansável contra a burocracia stalinista. Ele denuncia a traição histórica do partido comunista e da social-democracia ao movimento operário alemão, por se recusarem a cerrar fileiras em uma frente única, permitindo a chegada do nazismo ao poder, sem luta; denuncia a traição da revolução espanhola pelo stalinismo e os abjetos Processos de Moscou na Rússia (nos quais Stalin elimina fisicamente toda a “velha guarda” bolchevique).

Em 1936, Trotsky escreve “A Revolução Traída”, caracteriza a União Soviética como um “Estado operário burocraticamente degenerado”, defende a derrubada da ditadura stalinista pelos trabalhadores, através de uma “revolução política”, que resgate a democracia socialista e o poder dos sovietes com pluripartidarismo. Ele afirma então que, ou a classe operária derruba o regime burocrático, ou cedo ou tarde, haverá o retorno ao capitalismo, e declara: “um rio de sangue separa o stalinismo do bolchevismo”. Eram tempos contrarrevolucionários: stalinismo, fascismo, a Grande Depressão capitalista. “Era meia-noite no século”, declara o companheiro de Oposição de Esquerda e biógrafo de Trotsky, Victor Serge. A Segunda Guerra Mundial apontava no horizonte.

Trotsky passa seus últimos anos de vida no México, tentando organizar a Quarta Internacional – fundada em Paris, em 1938, sem a sua presença, por razões de segurança. Escreve o Programa de Transição, com o objetivo de formar uma nova geração de marxistas revolucionários (ele não chama o seu movimento de “trotskista” mas “bolchevique-leninista”), que garantisse a herança e a continuidade da Revolução de Outubro e da Oposição de Esquerda. Após sobreviver ao atentado organizado por membros do Partido Comunista mexicano, armados de metralhadoras, finalmente o braço assassino de Stalin alcança Trotsky. Em 20 de agosto de 1940, o agente stalinista Ramón Mercader, infiltrado na casa-fortaleza de Coyoacan, ataca-o pelas costas em seu escritório, e fura o seu cérebro com uma picareta. Ele resiste por mais um dia, vindo a falecer em 21 de agosto. Na mesa de trabalho de Leon Trotsky, os seus últimos escritos sobre a polícia secreta e os métodos criminosos de Stalin, restam manchados de sangue.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Carta abierta de Thomas Piketty y otros economistas a Angela Merkel



La interminable austeridad que se intenta hacer tragar a la fuerza al pueblo griego básicamente no funciona. Grecia ha dicho ahora basta ya de modo resonante.  

Como la mayoría del mundo ya sabía, las exigencias financieras hechas por Europa han aplastado a la economía griega, han llevado a un desempleo masivo, a un derrumbe del sistema bancario, han empeorado bastante más la crisis, con un problema de deuda que se ha acrecentado hasta un 175 %  del PIB impagable. La economía yace hoy quebrantada con una caída en picado de los ingresos, la producción y el empleo deprimidos, y las empresas famélicas de capital.

El impacto humanitario ha resultado colosal—hoy el 40 % de los niños vive en la pobreza, la mortalidad infantil se ha disparado y el desempleo juvenil se acerca al 50 %. La corrupción, la evasión fiscal y la mala contabilidad de anteriores gobiernos griegos contribuyeron a crear el problema de la deuda. Los griegos se han plegado a buena parte de la demanda de austeridad de la canciller alemana Angela Merkel —recorte de salarios, recorte del gasto público, tajos a las pensiones, privatizadas y desreguladas, y aumento de impuestos. Pero en años recientes los llamados programas de ajuste infligidos a países como Grecia sólo han servido para crear una Gran Depresión como no habíamos visto en Europa desde 1929-1933. La medicina prescrita por el Ministerio de Finanzas alemán y Bruselas ha sangrado al paciente, no ha curado la enfermedad.  

Juntos apremiamos a la canciller Merkel y a la troika a efectuar una corrección de rumbo para evitar mayores desastres y permitir que Grecia permanezca en la eurozona. Ahora mismo se le está pidiendo al gobierno griego que se ponga una pistola en la cabeza y apriete el gatillo. Por desgracia, la bala no solo acabará con el futuro de Grecia en Europa. El daño colateral acabará con la eurozona como ejemplo de esperanza, democracia y prosperidad y podría llevar a consecuencias económicas de  largo alcance en todo el mundo. 

En la década de 1950, Europa se fundó sobre el perdón de deudas pasadas, sobre todo las de Alemania, lo que generó una aportación masiva al crecimiento económico y la paz de la postguerra. Hoy necesitamos reestructurar y reducir la deuda griega, dejar espacio para que la economía pueda respirar y recuperarse, y permitir que Grecia vaya pagando un gravamen reducido de la deuda durante un largo periodo de tiempo. Este es el momento de repensar con humanidad el programa de austeridad, punitivo y fracasado, de años recientes y avenirse a una reducción considerable de las deudas griegas en conjunción con reformas muy necesarias en Grecia.

 Nuestro mensaje a la canciller Merkel es bien claro: le apremiamos a emprender esta acción vital de liderazgo para con Grecia y Alemania, y también ante el mundo. La historia le recordará por su forma de actuar en esta semana. Esperamos y contamos con que haga posible que se den pasos audaces y generosos en relación con Grecia que sean de utilidad para Europa en las generaciones por venir.

 Atentamente,

Heiner Flassbeck, ex-secretario de Estado del Ministerio Federal de Finanzas alemán  
Thomas Piketty, profesor de Economía de la Escuela de Economía de París 
Jeffrey D. Sachs, profesor de Desarrollo Sostenible, profesor de Política de Salud y Gestión, director del Instituto de la Tierra de la Universidad de Columbia
Dani Rodrik, profesor Fundación Ford de Economía Política Internacional, Escuela Kennedy de Harvard  
Simon Wren-Lewis, profesor de Política Económica de la Escuela Blavatnik de  Gobierno, Universidad de Oxford

Traducción para www.sinpermiso.info: Lucas Antón

sinpermiso electrónico se ofrece semanalmente de forma gratuita. No recibe ningún tipo de subvención pública ni privada, y su existencia sólo es posible gracias al trabajo voluntario de sus colaboradores y a las donaciones altruistas de sus lectores.

 Esta carta ha aparecido en publicaciones como The Nation, The Guardian, Le Monde y Der Tagesspiegel los días 7 y 8 de julio de 2015.

domingo, 12 de julho de 2015

DINHEIRO DE PLÁSTICO





Cena que se repete inúmeras vezes.

Alguém faz uma compra e vai pagar com cartão.

Débito ou crédito?

Não importa.

A pessoa que vai cobrar começa a mexer em um teclado.

A pessoa que está comprando fixa os olhos na tela do aparelho receptor do cartão.

Momento de tensão.

Aparece a mensagem “COLOQUE O CARTÃO”.

A compradora tenta imediatamente colocar o cartão, mas a pessoa do caixa rapidamente ordena: “coloque o cartão!”.

Quem ganhou? Foi ao mesmo tempo? Empate?

A caixa começa a digitar novamente no teclado.

De repente para.

Ambas ficam em suspense olhando para suas telas, a caixa para a tela do computador, a compradora para a tela do receptor do cartão.

Aparece a mensagem “COLOQUE A SENHA”.

Imediatamente a compradora coloca a senha, mas ao mesmo tempo a caixa ordena: “coloque a senha! ”.

Quem venceu desta vez? Empate?

Pequeno momento de relaxamento.

A compradora lentamente coloca a senha e aperta o botão verde.

Ambas, compradora e caixa, ficam de olho nas respectivas telas.

Suspense quase insuportável!

Depois de um lapso de tempo aparece a mensagem: RETIRE O CARTÃO”.

A caixa imediatamente manda: “retire o cartão”, mas ao mesmo tempo a compradora já está retirando o cartão.

Quem venceu desta vez? Deu empate?

Uma dúvida atroz paira no ar.

Realmente, está cada vez mais que na hora de ser criada a profissão de JUIZ DE COMPRAS COM CARTÃO!