domingo, 22 de março de 2009

Organizações de ajuda humanitária alertam para grave situação em Lampedusa


O governo italiano quer criar um centro de deportação de estrangeiros na remota ilha de Lampedusa, onde embarcações de refugiados africanos deverão permanecer por até seis meses. Um projeto que vem sendo muito criticado.

A situação nos dois campos de refugiados de Lampedusa é tensa. As pessoas vivem num espaço físico extremamente reduzido, numa atmosfera permeada pela insegurança, pelo medo e pelo tédio, o que leva automaticamente à agressão. Nenhum dos dois campos foi projetado para abrigar tanta gente por tanto tempo.

Diante desta situação, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (UNHCR), a Cruz Vermelha italiana, a Organização Internacional para Migração (IOM) e a organização de ajuda humanitária Save the Children enviaram uma severa nota de protesto ao ministro italiano do Interior, Roberto Maroni.

Revogação de um projeto europeu?

De início, os refugiados eram mantidos em Lampedusa por apenas alguns dias, onde eram primeiramente recebidos, para serem então enviados a alojamentos na Sicília e nas regiões continentais da Itália. Dali, podiam facilmente desaparecer e cair na clandestinidade. É exatamente isso que o governo italiano afirma que pretende evitar.

"Dizemos claramente que qualquer espécie de alojamento permanente em Lampedusa é extramente difícil. Quando, em janeiro, todo o transporte que sai da ilha foi interrompido, as condições de vida para os migrantes se tornaram absolutamente insuportáveis", diz Barbara Molinario, do UNHCR. Naquele momento, havia 1800 pessoas encurraladas no campo central de refugiados da ilha, um espaço que é capaz de alojar, por um curto espaço de tempo, apenas 800 pessoas."

"Queremos, por isso, acentuar abertamente que o modelo antigo era exemplar: acolhíamos os migrantes, prestando ajuda e informando as pessoas a respeito de seus direitos, para então transferi-las para centros maiores, nos quais há estruturas adequadas", diz Molinario.

Controle de "fluxo migratório"

O modelo antigo de abrigo de refugiados em Lampedusa, financiado pela União Europeia, tinha realmente um caráter exemplar. Organizações de ajuda humanitária e autoridades governamentais italianas pretendiam testar, através de um projeto especial, como o "fluxo migratório misto" poderia ser gerenciado. A Itália, porém, começou a questionar o projeto após a troca de governo em Roma.

No último ano, quase 32 mil pessoas vindas da África e da Ásia chegaram à pequena ilha de Lampedusa. Molinario observa que os migrantes que ali chegam geralmente passaram por uma viagem arriscada, na qual correram perigo de vida. O governo italiano conservador de direita, contudo, os qualifica de "imigrantes ilegais".

"Isso não está certo", diz Molinario. E as estatísticas do último ano dão razão a ela: de todos aqueles que chegaram a Lampedusa, poucos haviam deixado seus países de origem apenas por razões econômicas. Setenta por cento entraram com um pedido de asilo na Itália, sendo que a metade conseguiu. Para Molinario, esses dados já falam por si, deixando clara uma situação que o Ministério do Interior não pode ignorar: "São pessoas que não têm outra alternativa", diz ela.

Construção de campos para refugiados

No momento, mais de 700 migrantes encontram-se em Lampedusa. Mais do que isso a ilha não comporta. Os dois campos de refugiados encontram-se em obras. Na última semana, quando quatro embarcações atracaram com mais de 500 pessoas a bordo, as autoridades transferiram a maioria dos passageiros, em estado de completo esgotamento, diretamente para uma balsa rumo à Sicília.

Os representantes das Nações Unidas protestaram também contra esse transporte, diz Molinario: "É preciso haver um equilíbrio. Não é possível que as pessoas sejam transportadas para outros lugares desse jeito, tão rapidamente, que nem conseguimos encontrá-las. Por outro lado, também não pode haver nenhum centro de deportação que lote imediatamente".

Triagem pela cor da pele

Federica Bertolin, da organização humanitária Save the Children, que cuida especialmente de refugiados menores, concorda com Molinario. "Ficamos preocupados quando não encontramos crianças e adolescentes entre os migrantes. Isso costuma ocorrer quando eles já são separados após serem salvos. O que realmente é decidido com base na cor da pele".

Bertolin relata que observou com espanto como refugiados de pele clara, provindos do norte da África, teriam chegado ao centro de deportação de Lampedusa, enquanto os africanos negros foram enviados, sem descanso, para a Sicília. "Não tive nem dez minutos para perguntar como eles iam", diz Bertolin, ao comentar o que considera é um desrespeito absoluto aos direitos dos refugiados.

Jovens ou adultos?

A organização Save the children também protestou contra a construção do chamado "Centro de Identificação e Deportação" em Lampedusa. Bertolin cita alguns dos vários pontos críticos, restringindo-se aos refugiados menores: "Uma radiografia da articulação da mão é a única possibildiade de avaliar a idade do refugiado aqui, embora este teste não seja, por várias razões, a melhor alternativa. O que acontece é que acabam transformando menores em adultos".

Menores de idade não podem ser deportados, ao contrário dos adultos. E a margem de erro no teste que mede a articulação da mão é de aproximadamente dois anos. Uma situação que gera insegurança não apenas entre os migrantes, mas também entre os membros das organizações de ajuda humanitária que os auxiliam. Em abril, o governo italiano promete se pronunciar a respeito do futuro de Lampedusa.

Autora: Sandra Petersmann, para Deutsche Welle
Revisão: Simone de Mello

California purga su opulencia

Schwarzenegger, atual Governador da California:

En el estado más poblado de EE.UU. se agudizan los desequilibrios | Los 'sin techo' de Sacramento acampan junto al río, sin luz, agua ni letrinas

Estados Unidos se halla en el epicentro de una crisis económica global. Los corresponsales de La Vanguardia han recorrido el país en busca de los escenarios y los rostros de la recesión. Los problemas y desequilibrios de la superpotencia no son nuevos, pero ahora se exacerban y se hacen más visibles. La clase media se encoge. La educación y la sanidad presentan déficits escandalosos. El boom inmobiliario y la euforia consumista han dejado muchas víctimas por el camino. La serie que se publica a partir de hoy expone historias de perdedores de la recesión, pero también ejemplos de coraje personal y de solidaridad colectiva, de iniciativa empresarial y de apuesta por la revolución verde que promueve Barack Obama y que pretende sentar las bases de la nueva América que puede emerger de la crisis.

Cerca de aquí, en el mismo río Americano, se encontró oro en enero de 1848. Aquel descubrimiento propició la etapa conocida como the gold rush,la fiebre del oro, inicio de la colonización masiva de California. Hoy este paraje, en el centro de Sacramento, la capital del estado, registra otro flujo muy distinto. En los terrenos baldíos entre las vías de tren y el río, también bajo los puentes, se ha instalado un campamento de los sin techo. Decenas de pequeñas tiendas de campaña cobijan a quienes no caben en los albergues de la ciudad. No disponen de agua, luz ni letrinas. Cuando cae la noche, varios coches de la policía patrullan la zona.

Jeffrey Stall y su esposa, Louise, una pareja de treintañeros, llevan tres días instalados. El 2 de marzo nació su primer hijo, Jeffrey jr., mediante parto por cesárea. Pero tuvieron que dejar al bebé en el servicio de custodia infantil por carecer de medios para atenderlo. Los Stall fueron desahuciados por la brava de su vivienda. El dueño cambió la cerradura y los dejó en la calle. No podían pagar los 700 dólares mensuales de alquiler. Jeffrey perdió su empleo como empaquetador de ropa en una empresa cuando fue operado de una infección en la médula espinal. Ahora asegura que aceptaría cualquier cosa. "No me importa, aunque sea freír hamburguesas en un McDonald´s - afirma-. Necesitamos dinero, un lugar para vivir y recuperar a nuestro niño". Ellos hubieran podido ir a un albergue, pero allí exigen a hombres y mujeres dormir en áreas distintas. Louise no quiere separarse de su marido. Jeffrey no entiende que en Estados Unidos se den situaciones como la suya: "Gastamos miles de millones en otros países y no ayudamos a nuestra propia gente", se lamenta.

La organización privada Loaves & Fishes (panes y peces), que se nutre sólo de donativos, proporciona comida a los habitantes del campamento y les cede sus instalaciones para asearse. La monja católica Libby Fernández, directora de esta fundación humanitaria, dice que siempre ha habido gente sin techo en Sacramento, pero ahora, como consecuencia de la crisis, comienzan a verse afectadas capas sociales nuevas, no sólo los desamparados tradicionales que solían arrastrar problemas de drogadicción, alcoholismo o desequilibrios mentales. La hermana Libby constata que "la clase media se ha encogido mucho". "Siempre nos enorgullecíamos de tener una clase media fuerte en comparación con otros países, como los latinoamericanos; pero ahora los pobres amenazan con ser aquí también mayoría - concluye-. La culpa es del consumismo. La gente se endeuda y se endeuda, sin dar valor a lo que compra. Ojalá la crisis sea una lección".

A un diagnóstico parecido llega el historiador y ensayista californiano Joel Kotkin. Él cree que el Golden State, el más poblado de la Unión, refleja "de una manera más aguda y exagerada los problemas del país", entre ellos el pinchazo de la burbuja inmobiliaria, el deterioro de la educación escolar y lo que él llama "bifurcación de la sociedad", una clase alta pequeña, aunque significativa, y una clase baja muy grande. Coincide en que "la clase media ha sido erosionada en California durante muchos años". "Y pagamos un precio por ello", concluye. Kotkin considera que en el estado hay una regulación exagerada por parte de los poderes públicos que desincentiva la inversión. También supone un lastre, a su juicio, la licitación exagerada, la cultura del pleito. Cita el caso de la protección ecológica: "Está ese grupo de medioambientalistas muy ricos que, francamente, tienen al Estado agarrado por el cuello".

California acaba de superar una grave crisis presupuestaria que había paralizado al Gobierno estatal. Se plantearon medidas drásticas como el despido de 20.000 funcionarios y se llegó a suspender la devolución de impuestos a particulares. Para reequilibrar las finanzas públicas se han subido tributos, se han recortado gastos y se ha incrementado aún más la abultada deuda. En parte, la crisis californiana se debe a un reparto de poder que favorece la parálisis. El legislativo de Sacramento, controlado por los demócratas, se atribuye muchas prerrogativas. El gobernador, el republicano Arnold Schwarzenegger, suele tener las manos atadas, igual que sus predecesores.

Símbolo universal de la opulencia made in USA, California continúa siendo un motor de la innovación tecnológica. Su emblema es Silicon Valley, al sur de San Francisco. Pero ahí Kotkin ve una tendencia preocupante. "En el pasado, cuando se producía una innovación, también creaba oportunidades para la fabricación industrial a un nivel más bajo y daba muchos empleos a los proveedores - explica-. Cuando Hewlett Packard desarrollaba un producto, solía investigarse, fabricarse y comercializarse aquí. Ahora puedes tener un producto originado en Silicon Valley, pero el empleo que se crea es minúsculo comparado con el de antes. La huella laboral es muy pequeña. Es un fenómeno parecido al del sector de servicios financieros en Nueva York. La economía se vuelve muy abstracta. Se mueve a un nivel muy alto, pero se pierde el nivel medio. La economía se ha vuelto mucho menos democrática".

Desde su despacho en la conservadora Hoover Institution, en el campus de la Universidad de Stanford, una de las joyas académicas del país, el profesor de economía John Taylor ve el futuro con más optimismo.

Este ex vicesecretario del Tesoro de Bush entre el 2001 y el 2005 piensa que el Gobierno no ha afrontado bien la crisis, que la subida de impuestos no es la solución y que es peligroso que se imponga la "mentalidad de rescate" público de las empresas. Con todo, confía en el futuro de Estados Unidos y de California en particular.

Asesor de Schwarzenegger, Taylor admite la complejidad de gobernar California, si bien destaca el positivo balance histórico. "Creció muy rápido después de la Segunda Guerra Mundial, se tomaron muchas decisiones y tuvo la fortuna de contar con Reagan como gobernador". Acepta que el nivel escolar ha bajado y es un problema, pero insiste en el "enorme potencial y recursos". "California es bonita, hay industrias relevantes como la del cine, Silicon Valley, laboratorios de investigación, universidades públicas de calidad. En cierto sentido es sorprendente que las cosas no vayan mejor".

INTERNET › YOUTUBE BLOQUEO LOS VIDEOCLIPS EN GRAN BRETAñA


Una guerra de regalías

Por Andrew Keen *

Esta semana, la música murió para los usuarios ingleses de YouTube: el martes pasado, Google –la empresa madre de YouTube– empezó a bloquear a los usuarios para ver lo que llaman “videos musicales premium” en la plataforma de Internet más popular. La razón, por supuesto, fue el dinero: Google no pudo cerrar una nueva licencia o un acuerdo de regalías por el contenido de YouTube con la Performing Rights Society (PRS), el ente que recolecta en Gran Bretaña las regalías de los músicos. Naturalmente, ambas partes entraron en una sobrecarga de operaciones de prensa: PRS encontró la decisión de Google “particularmente decepcionante”, mientras que un vocero de Google protestó porque las demandas financieras de PRS eran “tan prohibitivas” que habrían forzado a YouTube a “perder sumas significativas con cada pasada”.

Los fans ingleses de la música no deberían sentirse especialmente perseguidos. Lo mismo sucedió en Estados Unidos en diciembre pasado, cuando Google, alegando una “imposibilidad de alcanzar términos comerciales aceptables”, bajó del sitio todos los videos musicales de Warner Music Group. Que todos los videos de Warner, de The B-52’s a Jane’s Addiction, desaparecieran abruptamente, fue un cruel regalo de Navidad para los usuarios regulares de YouTube.

Entonces, ¿qué está pasando, por qué esta súbita guerra entre YouTube y el negocio de la música? La verdad es que Google –que se encuentra bajo una severa presión económica, a causa de la declinación de la publicidad online y la potente competencia de nuevos medios sociales como Facebook y Twitter– está empezando a jugar fuerte con YouTube. No sorprende: YouTube, que es hoy el cuarto website más visitado y el segundo buscador más grande en Internet, controla alrededor del 60 por ciento del mercado de video online de Estados Unidos, con la música representando un 30% de sus visionados y un 47 por ciento de sus creativos más populares perteneciente a la música. Pero este tráfico masivo (estimado en cinco billones de visionados musicales por mes en Estados Unidos) no se está trasladando a la recaudación publicitaria, con el sitio aún vendiendo apenas un 3% de su capacidad.

Lord Carter, ministro de Comunicaciones, Tecnología y Transmisiones de Inglaterra, informó la semana pasada a un Comité de la Cámara de los Comunes sobre la situación entre PRS y YouTube: “Es un ejemplo de cómo valorar y financiar el contenido en el mundo digital... Hemos tenido décadas de contenido financiado de una única manera –vía pago de derechos y publicidad–, y ese modelo está cambiando a rápida velocidad”. Lord Carter incluso podría estar subestimando la naturaleza sísmica de los cambios en el negocio musical. Ciertamente todo está cambiando, con los sellos tradicionales, licenciatarios, publicitarios y vendedores siendo reemplazados por un radicalmente nuevo ecosistema de artistas, productores, distribuidores y consumidores. Y, para la sorpresa de casi todos, es YouTube –un proyecto con cuatro años de vida, iniciado por tres geeks de Silicon Valley que sólo querían un servicio simple para transmitir online videos de sus amigos y mascotas– el que se está convirtiendo rápidamente en el jugador decisivo.

La música no está muerta en YouTube. Google y PRS llegarán a un acuerdo y Google eventualmente firmará también acuerdos estratégicos con las cuatro grandes compañías discográficas. La música en Internet tiene hoy un tono diferente: Google está conduciendo las cosas con su nueva batuta de YouTube. Y no a todos les gustará lo que están escuchando.

* De The Independent de Gran Bretaña. Especial para Página/12.

sábado, 21 de março de 2009

Mil millones de personas no disponen de agua potable


Los especialistas reunidos esta semana en el V Foro Mundial del Agua enfatizaron que mientras la cantidad de personas y el nivel de vida general aumentan, las regiones secas avanzan por el cambio climático, por lo cual dos tercios de la población global pueden tener en unos años dificultades de acceso a ese recurso vital.

Las declaraciones fueron efectuadas con motivo de celebrarse mañana el Día Mundial del Agua, según lo dispuesto por las Naciones Unidas desde el 22 de diciembre de 1993.

"Sobre la mesa del comedor aparece un kilo de carne para el consumo; pero para su producción se necesitaron entre 6000 y 20.000 litros de agua dulce", dice una declaración del foro del Agua.

En coincidencia con este enfoque, el responsable de Tierras y Aguas de la organización alimentaria de las Naciones Unidas FAO, Jan Van Wambeke, afirmó que "una persona sólo necesita de tres litros de agua al día, pero para producir sus requerimientos alimenticios diarios, se necesitan 3 mil litros de agua".

Wambeke enfatizó que la agricultura demanda el 70 por ciento de las extracciones de agua dulce a nivel mundial, y opinó que el reto de la agricultura es producir más alimentos con menos agua.

El énfasis sobre la legislación de las cuencas hidrográficas comunes entre países, que involucra áreas en las que vive un 40 por ciento de la población mundial, es este año el motivo de la jornada, ya que de las 263 cuencas hidrográficas internacionales y sistemas acuíferos transfronterizos, 158 carecen de marco común de gestión.

Existe una amenaza de "stress por el agua", de huida de los territorios en crisis y, en el peor de los casos, de guerras por los recursos en peligro de desaparición, enfatiza un documento del Foro, según consignó la agencia alemana de noticias DPA.

Unos mil millones de personas no disponen en la actualidad de agua potable de una población total de 6800 millones, que crecerán a 7 mil millones para 2012 y unos 9 mil millones en 2050, según pronósticos divulgados en el Foro Mundial del Agua.

"El cambio climático se manifestará primero y, sobre todo, a través del agua, por medio de sequías, inundaciones, huracanes, deshielos o un aumento del nivel del mar", anticipó Mark Smith, experto en agua de la Unión para la Protección de la Naturaleza (UICN).

"En muchas regiones la escasez de agua y la contaminación amenazan cada vez más el bienestar de las personas", opinó Smith. El secretario general del V Foro Mundial del Agua, Oktay Tabasaran, afirmó que "la agricultura tiene el mayor potencial de ahorro, ya que consume unos dos tercios del agua dulce utilizado en el mundo".

Según cifras de la FAO, América Latina y el Caribe poseen el 15 por ciento de la superficie de tierras del planeta, el 10 por ciento de la población mundial y aproximadamente el 42 por ciento del agua dulce del mundo, en tanto, la región recibe el 30 por ciento de las precipitaciones a nivel mundial.

El representante regional de la FAO para América Latina y el Caribe, José Graziano da Silva, consideró que "con el cambio climático, el acceso al agua puede convertirse en un desafío mayor que el acceso a la tierra para la agricultura".

La FAO impulsa el uso del agua de manera eficiente a través de iniciativas como la mejora de los esquemas de riego, y la reglamentación del tratamiento de aguas servidas y contaminadas para su reutilización en la producción agrícola.

"Desde 1900 se perdieron la mitad de las tierras húmedas del mundo, nuestra principal fuente de agua dulce, por eso es decisivo poner fin al deterioro de los ecosistemas de tierras húmedas transfronterizas, a fin de garantizar un suministro estable de agua para el hogar, la agricultura y la industria", enfatizó da Silva.

En las 263 cuencas hidrográficas transfronterizas del planeta está comprendido el territorio de 145 países, y cubren casi la mitad de la superficie terrestre de la Tierra.

Los grandes depósitos de agua dulce también circulan por debajo de las fronteras en los acuíferos subterráneos transfronterizos, de los que se conocen más de 270 a nivel mundial.

Página/12

Astronauta japonês testa cueca espacial


Ewerthon Tobace
De Tóquio para a BBC Brasil

O astronauta japonês Koichi Wakata, que chegou à Estação Espacial na última terça-feira, tem, entre as tarefas que terá que executar, uma missão fora do comum: testar uma nova cueca desenvolvida para diminuir o mau cheiro e absorver o suor.

Wakata, de 48 anos, está proibido de trocar as roupas íntimas - que incluem camiseta, cueca e meias - mais do que uma vez por semana.

As novas peças - fabricadas em material que contém fios de polímeros anti-bactericida - foram criadas por pesquisadores da Universidade Feminina do Japão em conjunto com outras cinco fabricantes de roupas locais.

Segundo a Agência de Investigações Aeroespaciais do Japão, elas também absorvem o suor e outros líquidos, separando-os do corpo humano e secando em questões de minutos.

Em geral, os astronautas trocam de roupa apenas a cada três dias no espaço, porque não há água suficiente para lavar as peças. Os "banhos" são tomados com a ajuda de esponjas umedecidas.

Mas com as missões espaciais cada vez mais longas, cientistas estão buscando formas de fazer com que as roupas da tripulação possam ser usadas por mais tempo.

Segundo a mídia japonesa, as empresas que criaram as peças também pensam em usar a mesma tecnologia para desenvolver roupas para quem vive na Terra.

Missão

Wakata será o primeiro japonês a ficar tanto tempo no espaço - serão três meses no total - e sua principal missão será concluir a construção do Módulo Experimental Japonês, chamado de Kibo.

O Kibo, que em japonês significa esperança, foi desenvolvido para conduzir pesquisas científicas em órbita. No compartimento cabem até quatro astronautas, que realizarão os experimentos.

Wakata tem uma grande facilidade de manipular braços robóticos, essencial para seu trabalho no espaço.

Durante o treinamento na Nasa, a agência espacial norte-americana, ele também ajudou no desenvolvimento do aparelho que faz inspeção em busca de danos na aeronave.

16 tarefas

Mas o astronauta terá outras estranhas tarefas a cumprir, além de testar a roupa íntima espacial.

Entre os desafios está pingar colírio nos olhos em gravidade zero, "voar" num "tapete mágico", dobrar roupas e praticar queda-de-braço com outros astronautas.

No total, são 16 tarefas inusitadas, escolhidas entre 1.597 sugestões enviadas pelo público, que participou de uma promoção feita pela própria Agência de Investigações Aeroespaciais do Japão.

Wakata chegou à Estação Espacial Internacional na última terça-feira, junto com a tripulação do Discovery, lançado ao espaço no dia 15.

O japonês vai substituir a também engenheira de bordo da estação, a norte-americana Sandra Magnus, em órbita desde novembro. Ela volta à Terra com o Discovery.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Yamandu Costa: com os dedos no mundo


Violonista brasileiro fala de sua relação com a Alemanha, recorda suas origens fronteiriças e diz que a bossa nova pode ser muito famosa no exterior, mas não é o movimento musical mais importante do Brasil.

O músico gaúcho Yamandu Costa está de volta aos palcos europeus, fazendo valer mais uma vez o fascínio que a música brasileira exerce no Velho Continente.

Depois de se apresentar no último dia 10 de março na Brotfabrik de Frankfurt, ao lado do contrabaixista Guto Wirtti e do violinista Nicola Krassik, numa noite de ingressos esgotados, o instrumentista segue com sua temporada pelo exterior, que até o dia 21 de março terá passado também por Holanda, Bélgica e Áustria, indo depois para os Emirados Árabes.

Yamandu está convicto de que a terra de Beethoven é uma "república do violão". Afinal, não foi na Alemanha que seu ídolo maior, Baden Powell, fez sua casa, instalando-se em 1983 numa cidade curiosamente chamada Baden-Baden?

Yamandu goza de intimidade cada vez maior com o público alemão. No ano passado, chegou a lançar um disco solo chamado Mafuá, que foi gravado em Osnabrück para o selo fonográfico germânico Acoustic Music Records. Um belo trabalho, inclusive com uma singela homenagem ao alemão Johann Sebastian Bach: uma das músicas chama-se Bachbaridade.

Em 2009, ele volta como que para ilustrar as palavras elogiosas do produtor Peter Finger, guitarrista alemão que está por trás de Mafuá e que afirmou no encarte do disco: "Tudo é perfeito nesse jovem: técnica, musicalidade, groove, humor e uma incontrolável alegria de tocar".

Antes de entrar em cena no show da Brotfabrik, um evento que foi organizado pelo CCBF – Centro Cultural Brasileiro em Frankfurt –, Yamandu concedeu entrevista exclusiva à Deutsche Welle.

DW-WORLD.DE: Você parece muito disposto a cativar o público alemão. Ele é muito especial para você?

Yamandu Costa: A Alemanha é o país onde eu mais toco fora do Brasil. Eu gosto muito de gente que gosta de violão, e os alemães são completamente apaixonados pelo instrumento, é impressionante. Em cada buraquinho da Alemanha tem um festival de guitarra. Já toquei em todos os cantos do país, fiz um disco por um selo alemão, um álbum produzido por um guitarrista muito importante.

É provável que essa afinidade com a Alemanha venha do fato de você ser do sul do Brasil. Seus pais também eram músicos. Eles conseguiam viver exclusivamente da arte?

Totalmente. Meu pai tinha um grupo de música no sul do Brasil chamado Os Fronteiriços, que tocava em bailes gaúchos. Eles eram um grupo vocal que também fazia shows em festivais, tudo muito bem elaborado, com um nível muito bacana. A minha família sempre foi muito ligada em música.

Você mal havia completado quatro anos de idade e já estava gravando disco. Conte um pouco mais sobre isso.

Naquela época eu era cantor mirim dos Fronteiriços. Tinha um movimento nativista, de regional gaúcho, que tinha uma música que falava de machismo. Eu é que a cantava, ainda criança. Era bem cômico. Aí surgiu um cara que queria patrocinar um disco meu. Ele chegou a ser gravado, mas não saiu.

Seu nome de batismo vem do tupi-guarani e você cresceu ouvindo músicas folclóricas gaúchas. A família pelo jeito era muito nacionalista, certo?

Sim, muito, mas era um nacionalismo internacional (risos). Na verdade era mais um sentimento latino-americano muito forte. Eu me criei num mundo que não tem fronteiras, ali onde Brasil, Argentina e Uruguai são a mesma coisa. Falamos também espanhol, tocamos os ritmos daquela região e Os Fronteiriços eram totalmente voltados para isso.

Aliás, eu acho que essa é a minha contribuição para o Brasil, de unir esses países tocando as músicas dos três lados, tanto o choro e a milonga como o tango. Minha missão é juntar essas escolas. É um sentimento gaúcho, do pampa.

Outro dia eu estava lendo umas cartas do Atahualpa Yupanki falando exatamente disso, dessa quebra de fronteiras do comportamento do índio e do gaúcho, quando os dois se fundem na mesma figura. A gente se criou num universo muito patriótico, mas ligado à América Latina em geral.

Um fato interessante é que sua música, mesmo identificada com todas essas raízes, nunca foi rotulada de regionalista, um peso que outros artistas, como o seu conterrâneo Renato Borghetti, precisam carregar.

É que eu nunca liguei para esse preconceito que existe contra a música regional. Eu venho desse berço, toco de bombachas, de alpargatas, e tenho um orgulho danado disso. Só que eu também toco outras coisas, já tendo gravado com Paulo Moura, com Armandinho Macedo e Dominguinhos.

Esses rótulos não têm mesmo o mínimo fundamento porque a música está acima disso, não é? Hermeto Paschoal também é um músico completamente "regional", assim como Egberto Gismonti e Gilberto Gil. Todo mundo que faz um trabalho que tem a cara de um país acaba esbarrando nisso, porque é um sentimento popular. Villa-Lobos adorava isso.

Uma de suas grandes referências musicais foi o argentino Lúcio Yanel, que você viu tocar bem cedinho, no começo de sua vida. Como foi gravar o disco Dois Tempos com seu ídolo, em 2000?

O Lúcio era um parceiro de casa. Ele morou na casa dos meus pais, e eu tenho uma história com ele que eu acho genial, e que pouca gente tem com o seu mestre, com a pessoa que lhe inspirou a fazer música. Certa vez, quando estávamos passando por uma séria dificuldade financeira na nossa casa, meu pai ficou doente, e a comida na geladeira acabou.

Isso foi em 1994, por aí, e o Lúcio estava voltando a morar conosco. Olhávamos também para as prateleiras e não tinha nada para comer. E agora? Meu pai tinha escrito um livro, que teve uma tiragem grande, e o Lúcio pegou os que a gente tinha em casa e falou que ia dar um jeito na situação. Fomos para o centro de Porto Alegre, para a Rua da Praia, um lugar que era ponto de encontro para muita gente. O Lúcio é muito comunicativo e conhecido.

Em meia hora, vendemos todos aqueles livros, levantamos uma grana, voltamos para casa, compramos carne e já fomos fazer um churrasco, onde tocamos até as cinco da manhã. Quer dizer, o que eu tenho pelo Lúcio não é só uma convivência de admiração, é uma coisa completamente familiar. Eu me lembro do cheiro dele de manhã! E o nosso disco nasceu das noitadas em que ficávamos tocando lá na nossa casa.

Outro músico que o influenciou bastante foi Baden Powell, ícone da MPB também na Alemanha. Você concorda que Yamandu tem mais a ver com o Baden dos chamados afro-sambas, feitos em parceria com Vinícius de Morais, do que com o violonista que integrou a bossa nova?

O Baden da bossa é muito devagar, não é? Até ele mesmo achava isso.

É a faceta dele mais conhecida.

Isso fora do Brasil. É muito curiosa essa história da bossa nova. Ela é um movimento importante, mas se fala dela como se fosse "o" grande momento. De fama foi, mas não de importância, porque senão não estaríamos fazendo justiça ao samba nem ao choro. O Baden sempre teve muito mais ligação com os dois. Quando ele compôs Astronauta (com Vinícius de Morais), ele flertou com a bossa daquela época, mas ele sempre esteve acima disso.

Tanto que os grandes do movimento sempre namoraram a bossa, mas tinham suas coisas por fora. Tom Jobim, por exemplo, que sempre foi um homem sinfônico, um artista que ajudou a criar aquela história toda, tinha uma cabeça muito maior que a bossa.

A bossa nova é uma música diplomática, que tem um conceito de agregar jazzistas e todo mundo que a possa cantar. Ela é muito importante para o Brasil, mas não está sozinha.

E o choro, também estava dentro da tua casa?

Sim, porque o meu pai tocava cavaquinho. Lembro-me que quando ele tocava Odeon, do Ernesto Nazareth, era uma coisa! Era a música mais difícil que ele tocava, e ele tinha uma grande admiração por ela. Eu ficava até com medo da Odeon.

O choro começou assim para mim. Meu pai era um homem que tinha muita preocupação com os fundamentos, em respeito aos movimentos. E ele me falava: se você quer tocar música brasileira, tem que mergulhar no choro, porque essa música tem tudo. Tem técnica, linguagem, é um tipo de música que existe no Brasil todo, e em cada região do país há um sotaque de choro.

E cantar, é só um capítulo do seu passado, dos tempos que você estava nos Fronteiriços?

Eu sempre gostei muito de cantar, mas quando o cara começa a tocar tem que se dedicar. Eu ainda não voltei a cantar porque não compus as músicas para isso. Não quero ser intérprete de ninguém. Já tive convite do Paulo César Pinheiro para fazermos uma suíte sobre o Sul, mas isso ainda não me veio.

Mas sinto que a hora está chegando, que cada vez mais eu cantarolo melodias nos meus concertos e parece que a voz quer se manifestar. Mas a gente tem que ter cuidado com isso. Tenho uma voz bonita, canto bonito, mas não é nada especial a ponto de pensar numa carreira de canário.

A Europa emite sinais de que está aberta para a sua arte…

Venho à Europa duas ou três vezes ao ano, mas não é fácil. Às vezes fazemos sete concertos em dez dias, não há tempo para fazer mais nada. Eu gosto de confraternizar com bons músicos de outros lugares depois dos nossos shows, nas tais "guitarradas", que é como a gente chama na América Latina, de tocar violão junto com os outros e beber cerveja.

Mas aqui tem muito problema com o silêncio, não é? Depois de certa época, sair do Brasil fica parecendo mais uma missão. É importante conhecer outras gentes e lugares, levando a música do Brasil de uma maneira diferente do "oba-oba".

Autor: Felipe Tadeu, para Deutsche Welle

Revisão: Alexandre Schossler

Escola estimulava luta de estudantes em jaula, diz jornal


Uma escola de ensino secundário nos Estados Unidos estimulava seus estudantes a resolver diferenças em brigas dentro de uma jaula de aço, de acordo com denúncias feitas por um jornal local.

O Dallas Morning News, do Texas, disse que teve acesso a um relatório de uma comissão texana que investigava denúncias de irregularidades com notas de alunos da escola.

A comissão teria descoberto que pelo menos duas brigas ocorreram na suposta jaula localizada no vestiário masculino da escola South Oak Cliff High entre 2003 e 2005.

O relatório cita um professor dizendo que o diretor da escola na época, Donald Moten, instruiu um funcionário a colocar dois estudantes "na jaula e deixar eles se entenderem".

Procurado pelo jornal, Moten negou as acusações dizendo que as brigas nunca aconteceram.

O Dallas Morning News diz que a mãe de um dos alunos que supostamente teria brigado na jaula retirou-o da escola e se mudou de cidade logo após o ocorrido.

Angela Williamson disse que seu filho Cortland lhe contou que lutou por entre 5 e 10 minutos dentro da jaula em 2004, enquanto outros estudantes assistiam a briga aos gritos.

Ela diz que foi ignorada quando tentou levar o caso às autoridades.

Um integrante da secretaria de educação de Dallas, Jerome Garza, disse estar "chocado que isso possa ter ocorrido e ter sido aprovado por uma administração profissional".

BBC