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quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Acampados dos Quartéis sofrem de Alucinações Coletivas? Leia o Artigo.

Bolsonaristas em Porto Alegre pedem ajuda fazendo sinais de luz com celular na cabeça.


Alucinações são mais comuns do que se imagina

Fred Schwaller, para Deutsche Welle

Todo mundo tem alucinações. Elas são parte da percepção sensorial normal, e não apenas o resultado de transtornos mentais ou drogas, apontam teorias científicas atuais.

Felix Yarwood, um designer de produto de 32 anos do Reino Unido, tem alucinações. Ele não vê pessoas imaginárias, nem ouve vozes que lhe dizem o que fazer. Mas às vezes sente coceiras inexistentes e ouve sons que podem ou não estar em sua cabeça – ele nunca tem certeza. De acordo com teorias atuais, as experiências de Yarwood são perfeitamente normais.

"Todo mundo tem alucinações", afirma Anil Seth, neurocientista da Universidade de Sussex, no Reino Unido.

"É importante reconhecer que alucinações podem ir e vir durante nossas vidas, em momentos de estresse ou cansaço", aponta. "Há um pouco de estigma em torno de alucinações, associadas a doenças mentais e com as pessoas sendo chamadas de loucas."

Na realidade, trata-se de algo muito comum e que acontece até mesmo diariamente. A experiência de Yarwood com coceiras imaginárias, por exemplo, é particularmente comum, especialmente depois de beber álcool.

"Também é comum que pessoas com capacidade de audição ou visão reduzida tenham alucinações naquele ouvido ou olho", afirma Rick Adams, psiquiatra da University College London. "Trata-se de alucinações não clínicas, pois não são associadas a um diagnóstico psiquiátrico."

 

Percepção é alucinação controlada

Para entender o que realmente acontece quando se tem alucinações, é preciso observar como o cérebro cria percepções sensoriais.

Intuitivamente, podemos pensar que a percepção é o resultado da leitura de informações externas que chegam ao cérebro. Algo que Seth contesta.

"Na verdade, é o contrário: a percepção é o cérebro gerando representações do mundo a partir de dentro. A informação vinda dos sentidos calibra as percepções", explica.

Ou seja, o cérebro é um órgão preditivo que tenta antecipar ou entender o que está acontecendo com base no que aconteceu antes, aponta o especialista.

Na visão, por exemplo, o cérebro cria hipóteses sobre as informações sensoriais vindas do olho. Ele faz previsões rápidas sobre o que um objeto pode ser com base no que você viu no passado. Outras informações sensoriais dos olhos ou de outros sentidos ajustam e corrigem essa previsão para torná-la mais precisa. 

"Isso significa que a percepção cotidiana é uma espécie de alucinação controlada ou sonho acordado. É gerada de dentro, mas controlada pelo mundo por meio de sinais sensoriais", conclui Seth.

 

Pareidolia e ilusões 

Pode parecer estranho pensar que o olho desempenha um papel secundário na percepção visual, mas há situações em que você pode perceber isso acontecendo. 

A primeira é a pareidolia – a tendência de ver padrões nas coisas quando não há nenhum, como ver um rosto na Lua. Aqui, o cérebro está gerando a percepção de um rosto, apesar de informações sensoriais dizerem que é impossível a Lua ter uma face. Desse modo, podemos saber que a Lua não tem rosto, mas ainda assim o vemos. 

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Em segundo lugar estão as ilusões visuais, como a ilusão do caçador lilás. Se você olhar para a cruz no centro da imagem por 30 segundos, poderá ver os discos lilás desaparecendo e um disco verde correndo ao redor do círculo no lugar da lacuna.

https://youtu.be/RKm_bmHoTFs

Mas é claro que não há disco verde. De acordo com Seth, o cérebro gerou a percepção do disco verde para preencher a lacuna de cor. 

 

Quando alucinações se tornam um problema? 

Embora todos nós tenhamos alucinações "simples" em alguma medida, as alucinações "complexas" são muito mais comuns em pessoas diagnosticadas com condições psiquiátricas: 89% das pessoas com esquizofrenia e 40% das pessoas com doença de Parkinson experimentam alucinações. 

De acordo com Adams, alucinações simples do dia a dia se tornam preocupantes quando começam a atrapalhar a vida normal.

"Não se trata de com que frequência você tem alucinações ou de que tipo elas são, mas de se elas têm algum tipo de efeito danoso sobre a própria pessoa. Elas também invadem a vida e não podem ser controladas", explicou. 

Muitas pessoas com esquizofrenia, por exemplo, tendem a ouvir vozes ou ver coisas que são desagradáveis ​​e perturbadoras, como vozes que as fazem lembrar de seus medos mais sombrios ou as dizem para machucar a si mesmas. Seth descreve esse tipo de alucinações como uma percepção descontrolada. 

Cientistas realmente não sabem por que alucinações perceptivas normais, como as que Yarwood experimenta, tornam-se fortes e complexas em condições como a esquizofrenia. Adams acredita que uma chave para o quebra-cabeça possa ser o fato de que as vozes parecem vir do mundo exterior, apesar de serem geradas dentro do cérebro.

"Achamos que existe um módulo envolvido na percepção no cérebro que de alguma forma ganha autonomia. Esse espaço do cérebro começa a jorrar previsões perceptivas que não têm base em informações sensoriais. O resto do cérebro recebe essas previsões e naturalmente assume que elas vieram de fora", diz o psiquiatra. 

A ideia é que o módulo autônomo de geração de percepção perdeu o feedback das informações sensoriais do olho ou dos ouvidos, que normalmente corrigiriam a percepção. Portanto, a alucinação parece estar desassociada do seu corpo. 

 

Diversidade nas percepções 

Mas quão comum são alucinações? Cientistas não sabem exatamente. Ainda não foram realizados estudos rigorosos sobre a frequência com que as pessoas têm alucinações de qualquer tipo. Até agora, o foco tem sido apenas as alucinações associadas a estados mentais alterados pelo uso de drogas ou distúrbios mentais.

Seth tem como objetivo entender melhor alucinações em nível populacional. Ele acha que os mundos perceptivos individuais das pessoas diferem uns dos outros mais do que pensamos.

"Chamamos isso de diversidade perceptiva. Essas diferenças são subjetivas e particulares, ao contrário da nossa pele ou cor de cabelo, mas moldam nossas vidas", diz. 

O neurocientista lidera atualmente um estudo em andamento medindo variações entre os mundos perceptivos individuais, com o objetivo de entender os tipos de alucinações ou estranhezas perceptivas que experimentamos todos os dias.

Contudo, esse estudo, denominado Censo de Percepção, vai além da simples percepção. Seth acredita que a pesquisa ainda nos ajudará a entender como percebemos o mundo ao nosso redor – quais partes compartilhamos e quais são únicas, e como isso nos torna quem somos.

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

SÍNDROMES

Fonte: https://pixabay.com/


Em 2017 escolha sua síndrome:

 1. SÍNDROME DO SOTAQUE ESTRANGEIRO
Após sofrer uma pancada ou qualquer outro tipo de lesão no cérebro, as vítimas desse distúrbio passam a falar com sotaque francês... ou italiano... ou espanhol. A língua varia, mas, na maioria dos casos, as vítimas desconhecem o novo idioma. Segundo cientistas, a pronúncia não é efetivamente estrangeira, só dá a impressão disso. Pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, acreditam que o sintoma é causado por um trauma em áreas do cérebro responsáveis pela linguagem, provocando mudanças na entonação, na pronúncia e em outras características da fala. Um caso bem recente da síndrome do sotaque rolou com a britânica Lynda Walker, no mês passado. Após um infarto, Lynda acordou falando com sotaque jamaicano.



2. SÍNDROME DE CAPGRAS
Após sofrer uma desilusão com o cônjuge, com os pais ou com qualquer outro parente, a pessoa passa a acreditar que eles foram sequestrados e substituídos por impostores. O sintoma por vezes se volta contra a própria vítima: ao se olhar no espelho, ela também acredita que está vendo a imagem de um farsante. Neurose total! O problema tende a atingir mais pessoas a partir dos 40 anos e suas causas ainda não são conhecidas. A síndrome foi descoberta pelo psiquiatra francês Jean Marie Joseph Capgras, que a descreveu pela primeira vez em 1923. Em graus mais extremos, a vítima acha que até objetos inanimados, como cadeiras, mesas e livros, foram substituídos por réplicas exatas.



3. SÍNDROME DA MÃO ESTRANHA
"Minha mão agiu por conta própria..." Essa desculpa usada por alguns cafajestes pode ser verdadeira. A síndrome em questão alien hand syndrome, em inglês faz com que uma das mãos da vítima pareça ganhar vida própria. O problema atinge principalmente pessoas com lesões no cérebro ou que passaram por cirurgias na região. O duro é que o doente não presta atenção na mão boba, até que ela faça alguma besteira. A mão doida é capaz de ações complexas, como abrir zíperes... Os efeitos da falta de controle sobre a mão podem ser reduzidos dando a ela uma tarefa qualquer, tarefa qualquer, como segurar um objeto.



4. SÍNDROME DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Doença que provoca distorções na percepção visual da vítima, fazendo com que alguns objetos próximos pareçam desproporcionalmente minúsculos. O distúrbio foi descrito pela primeira vez em 1955, pelo psiquiatra inglês John Todd, que o batizou em homenagem ao livro de Lewis Carroll. Na obra, a protagonista Alice enxerga coisas desproporcionais, como se estivesse numa "viagem" provocada por LSD. As vítimas da síndrome também veem distorções no próprio corpo, acreditando que parte dele está mudando de forma ou de tamanho.



5. PICA
Esse nome também estranho não tem nada de pornográfico: pica é uma palavra latina derivada de pêga, um tipo de pombo que come qualquer coisa. E a pica a síndrome, é claro... faz exatamente isso: a pessoa sente um apetite compulsivo por coisas não comestíveis, como barro, pedras, tocos de cigarros, tinta, cabelo... O problema atinge mais grávidas e crianças. Após comerem muita porcaria involuntariamente, os glutões ficam com pedras calcificadas no estômago.Em 2004, médicos franceses atenderam um senhor de 62 anos que devorava moedas. Apesar dos esforços, ele morreu. Com cerca de 600 dólares no estômago...



6. MALDIÇÃO DE ONDINA
O nome bizarro é uma referência a Ondina, ninfa das águas na mitologia pagã européia. A doença, mais estranha ainda, faz com que as vítimas percam o controle da respiração.

Se não ficar atento, o sujeito simplesmente esquece de respirar e acaba sufocado! A síndrome foi descoberta há 30 anos e já existem cerca de 400 casos no mundo. Pesquisadores do hospital Enfants Malades, de Paris, acreditam que a doença esteja relacionada com um gene chamado THOX2B. O sistema nervoso central se descuida da respiração durante o sono e o doente precisa dormir com um ventilador no rosto para não ficar sem ar!



7. SÍNDROME DE COTARD
Depressão extrema, em que o doente passa a acreditar que já morreu há alguns anos. Ele acha que é um cadáver ambulante e que todos à sua volta também estão mortos. Em casos extremos, o sujeito diz que pode sentir sua carne apodrecendo e vermes passeando pelo corpo... Na fase final, a vítima deixa até de dormir e sua ilusão pode efetivamente se tornar realidade. O nome da doença faz referência ao médico francês Jules Cotard, que a descreveu pela primeira vez em 1880. Apesar de depressivo e certo de que está morto, o doente, contraditoriamente, também pode apresentar ideias megalomaníacas, como a crença na própria imortalidade.



8. SÍNDROME DE RILEY-DAY
Se você já sonhou em nunca mais sentir nenhuma dor, cuidado com o que pede... As vítimas dessa doença não sentem dores, mas isso é um problemão. Elas ficam muito mais sujeitas a sofrer acidentes porque param de registrar qualquer aviso de dano nos tecidos do corpo, como cortes ou queimaduras. A doença é causada por uma mutação no gene IKBKAP do cromossomo 9 e foi descrita pela primeira vez pelos médicos Milton Riley e Richard Lawrence Day. Sem o aviso de perigo que a dor proporciona às pessoas comuns, a maioria dos doentes com a síndrome de Riley-Day tende a morrer jovem, antes dos 30 anos, por causa de ferimentos.



9. SÍNDROME DA REDUÇÃO GENITAL
Também conhecido como koro, esse distúrbio mental deixa a pessoa convencida de que seus genitais estão desaparecendo. A maioria dos casos até hoje foi relatada em países da Ásia ou da África, e em muitos deles a síndrome parece ter sido contagiosa! Um dos episódios mais estranhos ocorreu em Cingapura, em 1967, quando o serviço de saúde local registrou centenas de casos de homens que acreditavam que seu pênis estava sumindo. Um único caso da síndrome da redução genital foi registrado até hoje no Brasil, no Instituto de Psiquiatria da USP. Convencido de que seu pênis estava sumindo, o doente tentou se matar com duas facadas no abdômen!



10. CEGUEIRA EMOCIONAL
A expressão "cego de emoção" existe na prática, e pode acontecer com qualquer pessoa normal. O problema foi descoberto recentemente por pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Depois de olhar para alguma imagem forte, principalmente com conteúdo pornográfico, a maioria das pessoas perde a vista por um curto espaço de tempo - décimos de segundo na verdade. Até agora, nenhum especialista conseguiu explicar o porquê dessa reação. A descoberta da cegueira emocional deu origem a um movimento no Congresso americano para que seja banida toda a publicidade com apelo erótico em grandes rodovias do país.


Fonte: http://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/10-doencas-mais-estranhas-do-mundo.html

domingo, 24 de maio de 2015

GAÚCHOS NA PRIMA-DONA





(O divã ou prima-dona é uma espécie de sofá sem encosto, uma peça de mobiliário. Ficou muito famosa por ser o local onde os psicanalistas desenvolvem as suas atividades ouvindo seus pacientes.)


Nósoutros Gaúchos: Crise? Qual crise?
       

O debate proposto pelo projeto “Nósoutros Gaúchos” parte de uma suposta crise regional como objeto de análise. Os gaúchos convivem há décadas com a falácia que o Rio Grande do Sul viveria uma crise específica em sua economia. A falácia remonta ao conjunto de reportagens de Franklin de Oliveira nos anos 60, publicadas no livro Rio Grande do Sul, um novo Nordeste. A ideia é recorrente e se reproduz em documentos, livros, artigos acadêmicos, simpósios, imprensa local e campanhas políticas.

Entre os indicadores da crise, o mais citado é a perda da participação medida a preços correntes do PIB gaúcho no nacional. Se considerado o período 1995-2013, a participação a preços constantes do PIB gaúcho no PIB nacional passou de 7,07% em 1995 para 6,64% em 2013. Em 18 anos, houve uma redução de 0,43 pontos percentuais, mesmo com as secas ocorridas em 2004, 2005 e 2012 e com o salutar aumento da participação de regiões mais pobres do país. Uma medida mais eficaz do desempenho econômico é o PIB per capita, a razão entre o valor produzido e a população. O PIB per capita do Rio Grande do Sul a preços constantes em 2013 foi 15,6% superior ao brasileiro, em 1995 esse valor era de 13,3%.

A economia gaúcha cresce ao ritmo da economia brasileira, adaptando-se, em geral com êxito, às dinâmicas do desenvolvimento nacional. O Estado permanece como a quarta economia do País, com a terceira maior indústria de transformação, com as menores taxas de desemprego e com rendimentos do trabalho relativamente elevados, apesar dos prognósticos pessimistas. Setores tradicionais, com baixa produtividade, têm sido substituídos por aqueles com maior intensidade tecnológica na agricultura, indústria e serviços. Com o menor crescimento populacional do Brasil, o Rio Grande do Sul tem no aumento da produtividade o caminho para o crescimento econômico.

Parte significativa dos indicadores sociais apresenta uma situação e evolução favoráveis, como a taxa de mortalidade infantil ou a expectativa de vida ao nascer, o que também contraria a percepção de decadência regional. Como referência para análise dos indicadores socioeconômicos, indicamos a leitura dos três volumes do RS 2030 – Agenda de Desenvolvimento Territorial, disponíveis nos sites da FEE e da Seplag/RS.

Longe de descrever um "mar de rosas", constatamos que a população está envelhecendo rapidamente, deve diminuir em termos absolutos a partir de 2025 e ficar concentrada no chamado "eixo Porto Alegre-Caxias do Sul expandido". O Estado possui características demográficas de uma sociedade madura, mas ainda distante de atingir uma situação de desenvolvimento elevado em diversos aspectos da vida social e econômica. Entre as situações mais preocupantes podem ser destacadas as carências nas condições de moradia, de tratamento dos riscos ambientais e nos quatro temas tradicionais: educação, segurança, saúde e infraestrutura. Isto sem contar a grave situação fiscal do governo gaúcho.

As dificuldades e potencialidades no que tange à inserção nacional e internacional foram abordadas nos estudos. Há uma discussão sobre como superar as dificuldades para se conectar com o país e o mundo e aproveitar as potencialidades econômicas e culturais existentes nas diferentes regiões do Estado.

No RS 2030 denominamos a percepção da crise regional, que é recorrente e equivocada, como uma "síndrome", que deve interessar aos especialistas do projeto Nósoutros Gaúchos. Por que esta autoimagem depreciativa, quando no contexto nacional o sul do país é frequentemente associado ao adjetivo “maravilha”?

        Adalmir Marquetti
        Alvaro Magalhães

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Novas formas de sofrer no Brasil

 

 

Novas formas de sofrer no Brasil da Retomada


Dois problemas, ou processos, se cruzam, no Brasil dos últimos 20 anos, fazendo com que pensemos em uma mudança estrutural de nossas formas de sofrimento. O primeiro problema é o que podemos chamar de expansão da racionalidade diagnóstica no Brasil pós-inflacionário. Desde então passamos, gradualmente, a entender nossa vida no trabalho, na escola e na comunidade a partir de avaliações. Avaliações, que justificam intervenções que geram novas avaliações. Métricas, orientação para resultados, comparações e cálculo de valores agregados tornaram-se parte e nossa forma de vida comum como nunca antes. Isso justifica, em parte, o crescimento dos diagnósticos de todo tipo: psicológico, educacional, corporativo, jurídico e assim por diante. E não há diagnóstico sem sintoma. Na psicanálise isso se mostrou como uma preocupação ascendente com a psicopatologia e com o tema dos sintomas, os chamados “novos sintomas”: pânicos, depressão, drogadição, anorexia. Esses novos sintomas têm uma coisa em comum. Eles não se organizam a partir do conflito entre o que é proibido e o que é obrigatório, como os sintomas clássicos derivados da contradição entre o desejo e a lei. Os novos sintomas dizem respeito à oposição entre potência e impotência, e eles são determinados por uma crise na intensidade do desejo, ou no que a psicanálise chama de relação entre desejo e gozo.

Paralelamente temos que reconhecer um segundo processo, que tem relação com a profunda reorganização social que o Brasil sofreu nestes últimos 20 anos. Deixamos de nos pensar a partir de divisões como “campo ou cidade”, “desenvolvimento ou subdesenvolvimento”, “nacional ou estrangeiro”, e passamos a tematizar nossas divisões internas em termos da distribuição de recursos ou renda e de acesso a bens simbólicos como saúde, justiça e educação. O deslocamento social da ralé para a pobreza, da pobreza para a classe média, bem como da classe média para cima e para baixo tornou-se real. Isso produziu uma modificação estrutural do mal-estar. O mal-estar (Unbehagen) é uma noção intuitivamente acessível, mas difícil de conceitualizar. Todos nós já passamos por aquela situação na qual o que deveria ter ficado tácito e pressuposto vem à tona, revelando um desencontro de expectativas e rasgando o semblante de nossa representação social.  Algo análogo teria acontecido nesta nova configuração do mal-estar quando ficou claro que algo havia se rompido nos pactos que formaram a brasilidade até então. Há um descompasso entre a transformação e a nomeação da transformação. O mal-estar é a experiência desta zona de indeterminação, anomia e contingência que acompanha toda transformação, mas também todo fracasso transformativo, por isso seu afeto fundamental foi pensado por Freud como sendo a angústia e suas variações mais próximas: sentimento de culpa, desamparo e ansiedade expectante.

Temos então de um lado estes novos sintomas e do outro esta mutação do mal-estar. Entre eles é possível situar a transformação de nossas maneiras de sofrer. O sofrimento possui três características importantes, que explicam porque ele é uma espécie de ponte ou de caminho pelo qual particularizamos o mal-estar na forma de sintomas:
  1. Todo sofrimento é transitivista. Quando sofremos criamos identificações, nas quais o agente e o paciente da ação se indeterminam mutuamente. Exemplo: uma pessoa querida adoece. Ela sofre porque perde sua saúde, você sofre porque ela sofre, ela sofre porque você sofre porque ela sofre, e assim por diante envolvendo todos os que amam aquele que sofre. Vem daí a irresistível tentação, diante de uma história de sofrimento, de contar uma história pior, mais trágica, mais infeliz, mais terrível.
  2. O sofrimento depende de relações de reconhecimento. A experiência de sofrimento que é reconhecida, seja por aqueles que nos cercam, seja pelo Estado, é diferente do sofrimento sobre o qual paira o silêncio, a invisibilidade ou a indiferença. Há, portanto uma política do sofrimento que estabelece para cada comunidade qual demanda deve ser sancionada como legítima e qual deve ser reduzida ao que Freud chamava de sofrimento ordinário.
  3. O sofrimento se estrutura como uma narrativa. Ao contrário da dor, que permanece mais ou menos igual a si mesma, o sofrimento exprime-se em séries transformativas, ele se realiza por meio de um enredo, ele convoca personagens (como a vítima e o carrasco). A experiência de sofrimento envolve a transferência e a partilha de um saber sobre suas causas, motivos e razões. O sofrimento varia radicalmente em conformidade com o saber que se organiza em torno e por meio dele.
Para efeitos de simplificação poderia dizer que estas três condições do sofrimento se sintetizam no que os filósofos antigos chamavam de sentimento. O sentimento é uma categoria essencialmente social, que reúne e resolve contradições inerentes ao mal estar. Disse anteriormente que o mal-estar é sempre um fracasso de nomeação, e quando ele se nomeia perfeitamente o pior se enuncia no horizonte. Ora, uma índice de como o mal-estar se combina com os sintomas na experiência de reconhecimento narrativa e transitiva do sofrimento é justamente a noção de sentimento. Como dizia Lacan o sentimento, mente. Mas é esta mentira que nos permite localizar outro lugar onde estará o grão de verdade faltante.

O que caracteriza o Brasil dos anos 1984 em diante não é apenas uma redemocratização do país, a abertura gradual de sua economia ou a modernização de suas práticas institucionais. Mudamos nossa forma de sofrer, e, como argumentei acima, de reconhecer, partilhar e narrar nosso sofrimento. Isso poderia ser ilustrado pelo que aconteceu com o nosso cinema, particularmente no período de 1997 a 2007, com o chamado Cinema da Retomada. De repente quatro temas ganharam as telas: a traição e a vingança, a invasão de privacidade, a deriva errática de destinos e a “cosmética” da fome e da pobreza. Todas estas narrativas são convergentes com o nome que encontramos para o nosso novo mal-estar: a violência. Meu argumento aqui não é apenas constatativo. Ele aponta para o fato de que a violência está sobrecarregando e condensando muita coisa, talvez coisas demais: a corrupção, a diferença de classes, a tensão entre gêneros, a má distribuição de recursos, a precariedade institucional. Ou seja, o engodo está em pensar que tudo isso tem um nome só, violência, e que, portanto, ao “combatermos” este problema estamos resolvendo todo a resto que nele se comprime. Nada mais falso.

Há um antropólogo, chamado Clemens, que na década de 1930 fez uma pesquisa transcultural estudando como os diferentes povos e civilizações narram seu sofrimento, notadamente no contexto de interpretação social da experiência de adoecimento, e na interpretação narrativa de suas causas. Ele observou que nossa imaginação quanto às diferentes maneiras de sofrer é bastante curta e repetitiva. Nós não conseguimos sair de quatro hipóteses:
  1. Violação de um pacto. Ou seja, acreditamos que o sofrimento deriva do não cumprimento de um pacto, ou da sua não realização adequada ou da usurpação de seu sentido. Essa é a nossa teoria trivial de que se estamos em desgraça é porque é porque algo ou alguém está descumprindo a lei.  Como se se todos agissem em conformidade e adequação com a lei o sofrimento se extinguiria. Ora, no Brasil dos últimos vinte anos há uma maneira nova de pensar o pacto social, que inverte esta teoria. Surge uma percepção de que a lei pode ser usada de forma contrária ao espírito do pacto que a originou. Isso cria um sentimento social que domina uma de nossas novas narrativas de sofrimento, a saber, o ressentimento. O ressentido não é aquele que perdeu, mas aquele que acha que no fundo o jogo é injusto. Ele acha que o Outro tem muito mais poderes do que ele realmente tem, por isso está sempre apaixonado por sua própria inferioridade.
  2. A segunda narrativa clássica para dar forma de linguagem ao sofrimento é a narrativa da perda da alma. E aqui sofremos porque não conseguimos mais nos reconhecer no que fazemos ou em quem nos tornamos. Pensem naquelas pessoas que mudam de classe social ou de padrão de consumo e que de repente são percebidas como inautênticas, postiças, habitando um mundo de mera aparência, por exemplo, como os novos ricos (emergentes). Pensem também naqueles que estão corroídos por uma espécie de sentimento de inadequação existencial, incorrigível e persistente. Uma espécie de vergonha incurável, que não diz respeito ao que alguém faz, que pode ser progressivamente aperfeiçoado, mas que é uma vergonha de ser.
  3. A terceira forma de sofrer, que vem ganhando força entre nós, está referida à hipótese do objeto intrusivo. Ou seja, diante do sofrimento logo interpreto que há alguém a-mais em meu território que está desequilibrando o ambiente e tirando a suposta pureza e harmonia na qual vivíamos antes. Este é o caso tanto da vida murada, em forma de condomínio, que precisa defender-se permanentemente do outro percebido como perigoso, quando das erupções de preconceito e segregação inspirada na homofobia, na opressão contra as minorias sentidas como “perigosas”. Obviamente esta forma de sofrimento refere-se a uma patologia da inveja, ou seja, uma transformação do sentimento de que o outro, com sua própria modalidade de gozo, pode estar mais feliz do que eu, gera a resposta de negação. Uma recusa a reconhecer que isso que é sentido como uma espécie de ostentação ou de exibicionismo é uma espécie de inveja mal tratada em nós mesmos.
  4. A quarta maneira ascendente de sofrer no Brasil da Retomada apoia-se no que Clemens chamou de narrativa da perda da unidade do espírito, ou do sentimento de desregulação entre os sistemas que compõe nossa forma de vida. É o que os sociólogos chamam de anomia e que se expressa em sentimentos como o desamparo, a desorientação e no nosso estranhamento com relação ao tempo ou ao espaço que vivemos. Isso pode se dar por meio de sintomas como o sentimento de inadequação persistente em relação ao próprio corpo, à própria família, à própria vida laboral.
Podemos ver que estas novas formas de sofrimento apoiam-se em discursos antes fartamente disponíveis no Brasil e indissociáveis de nossa formação histórica. O Brasil do jeitinho e do “para os amigos tudo, para os inimigos a lei” deu nesta obsessão com a corrupção e com a purificação dos interesses. O Brasil da opressão de classe e dos latifúndios deu no ressentimento contra a recente mobilidade social. O Brasil da racialização engendrou o sofrimento com a insegurança e com o perigo das classes criminosas e com as patologias do consumo. Por fim, o Brasil da mistura, do sincretismo e da desordem pariu esta nova forma de desorientação que habita as vidas depressivas, sem ideais e sem rumo, que se tornam presas fáceis para novos discursos “ordenadores”.

Espero que essa breve decomposição permita iluminar porque a combinação entre ressentimento, vergonha, inveja e desamparo funde-se no ódio que tem dividido o país. A indignação que este transpira não é só porque enfrentamos problemas novos, mas também porque as novas formas de narrar e de partilhar o sofrimento ainda não foram propriamente reconhecidas, nem institucionalmente, nem em termos discursivos. Quando isso acontece é simples recuarmos para uma variação mais simples da angústia, que é o medo, e a partir dele pressupor no outro a violência que se está a praticar.

A dimensão estética da experiência caracteriza de modo cada vez mais intenso nossa apreciação dos laços de desejo, de amor e de gozo. Em Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros, proponho discutir algumas novas formas de sofrimento que psicoterapeutas e  psicanalistas estão enfrentando tendo em vista o sujeito estético e seu eventual apagamento na contemporaneidade. Nesse sentido, abordo as modalidades de tratamento espontâneo do sofrimento com especial atenção aos sentimentos de desamparo, de ressentimento, de inveja e de vergonha.

http://blogdaboitempo.com.br/2015/04/24/novas-formas-de-sofrer-no-brasil-da-retomada/

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

MARIA RITA NÃO PODE ESCREVER SOBRE POLÍTICA

Foto Meramente Ilustrativa: esta não é Maria Rita.

Maria Rita, psicanalista e articulista do Estado, escreveu no sabado, vespera do pleito - "Este jornal (o Estado) teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleiçao. Fica assim mais honesta a discussao que se faz em suas páginas (.....) Se o povao das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotoes perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos (.....) Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de populaçao em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? (.....)" e assim por diante, 1 texto que contraria a linha do jornal.

Leia tudo no BLUE BUS.

sábado, 15 de maio de 2010

La inseguridad es un discurso


El psicoanalista Guillermo Greco examina las reacciones sociales en torno del fenómeno (discursivo) de la (in)seguridad. La conformación del “nosotros” y “ellos”. La visión clasista. Los derechos humanos.

Por Guillermo Greco*, para Página/12

Decir que la inseguridad es un discurso implica sostener que no es un sentimiento natural, respuesta subjetiva espontánea e inmediata al hecho delictivo objetivo. A diferencia de los animales, que identifican instintivamente a su alimento, a su pareja sexual y a las amenazas a la supervivencia, los seres humanos nos relacionamos con esas realidades, con los placeres y sufrimientos que nos ocasionan, por la mediación del lenguaje. Es por eso que hay comida china o francesa, perversiones o inhibiciones sexuales, valentía ante el peligro o miedo a la oscuridad o a insectos insignificantes. Quienes investigan o simplemente hablan sobre el sentimiento de inseguridad confirman lo que estoy planteando, ya que lo identifican, es decir, lo confunden, a veces, con discursos ideológicos, otras con posiciones políticas de derecha, también con manifestaciones psicopatológicas (fobias, obsesiones, delirios), con estadísticas criminológicas y de victimización o con un discurso de sentido común en relación con el riesgo. Lo único que le da unidad a esta diversidad fenomenológica es la demanda de seguridad dirigida al Estado.

Inseguridad y delito. Ellos y nosotros

En nuestro país la inseguridad siempre está referida al delito, especialmente al robo-asesinato y a la violación-asesinato. Esos delitos le permiten construir, al Discurso de la Inseguridad, un conjunto, un nosotros, a partir de un rasgo que nos identifica: “Todos podemos ser víctimas”, todos padecemos una amenaza que nos es ajena, exterior y referida al futuro probable y no al delito ya ocurrido, al riesgo de ser víctima y a la impotencia de acotar ese riesgo o, lo que es lo mismo, a la impotencia de acotar el poder del delincuente. Las personas que se sienten en riesgo tienen la certeza de que tarde o temprano, sin necesidad de hacer cálculos de probabilidad, serán víctimas. Y éste es el principal logro del discurso de la inseguridad; nos convenció de que estamos en riesgo sin ninguna valoración de las probabilidades.

Ellos, los otros, los victimarios, son los que transgreden la ley y pisotean el bien común, el orden, la paz, el progreso y hasta la vida misma. El problema es que ellos, los delincuentes, no son sólo los declarados culpables por la Justicia, sino también los sospechosos de haber cometido algún delito y los que por cualquier motivo nos intimidan. A decir verdad, no les tenemos miedo porque son delincuentes, sino que, porque les tenemos miedo, creemos que son delincuentes. De allí la importancia de las contravenciones. Ellas nos permiten identificar y perseguir preventivamente a la amenaza: a ellos, los que tienen costumbres, hábitos o estilos que no se corresponden con los standards estéticos y morales que impone el sentido común.

Delitos como la violencia doméstica, el gatillo fácil, la trata de personas, la venta de medicamentos truchos y tantos otros no son considerados porque no contribuyen a la construcción de la oposición nosotros/ellos. Lo mismo vale para los accidentes de tránsito, la pérdida del trabajo o la falta de cobertura médica.

En otros contextos políticos, la amenaza a la seguridad fue identificada con el comunismo, lo que hoy nos permite establecer comparaciones entre el Discurso de la Inseguridad y la Doctrina de la Seguridad Nacional. En otras latitudes, la inseguridad está referida a la inmigración, al terrorismo o a los carteles de la droga. En nuestro país, a pesar de los atentados a la AMIA y a la Embajada de Israel, no está instalada en la opinión pública la inseguridad en relación con el terrorismo, ya que quienes corren el riesgo de nuevos atentados, se supone, no somos “todos”, sino solo los que están ligados a instituciones de la comunidad judía.

La ley y los objetos

“¡Ya no se puede salir a la calle!”, se dramatiza. El discurso de la inseguridad destaca lo que falta y denuncia la impotencia de la ley, de la ley escrita y de la fuerza de la ley, la materializada en jueces, policía y sistema penitenciario, la que debiera proveernos de lo que tanta falta nos hace. Blumberg, un padre que por siempre llorará a su hijo asesinado, se sintió llamado a restaurar el imperio de la ley pero... hubo un problema. Se identificó con un título falso y la sociedad lo abandonó. No podía ser de otro modo. ¿Cómo iba a restaurar la ley un padre que la violaba? Ahora bien: ¿fue esto una contingencia propia de este país que no es normal o un aviso de que todos los padres están fallados y de que la ley nunca será lo suficientemente eficaz? ¿Qué pensará el rabino Bergman? El, que tiene un lazo particular con Dios, nos advierte: “Se puede obtener la seguridad que nos falta, pero hay que pagar un precio, debemos perder la libertad”. El discurso de la inseguridad en relación con el delito, la inmigración o el terrorismo, entonces, no es más que el síntoma de la imposibilidad que afecta al Estado, gobierne quien gobierne, de garantizar plenamente el orden y la seguridad. Ejemplo: el atentado a las Torres Gemelas. De todos modos, hay que reconocer que la derecha sabe qué hacer con las fallas de la ley.

Mientras tanto, la prolífica triple alianza integrada por el capital, la ciencia y la técnica suple las insuficiencias de la ley con la producción de infinitos objetos que se ofrecen en el mercado con la promesa de que su consumo permitirá el disfrute de la tan ansiada seguridad: alarmas, blindajes, circuitos cerrados de televisión, rejas, armas, etcétera.

Inseguridad y derechos humanos

Desde ese vasto movimiento social, político y cultural que se merece un nombre más digno que el de centroizquierda o progresismo, se han ensayado distintas respuestas, hasta ahora, infructuosas. Bajo el supuesto de que la inseguridad es un fenómeno subjetivo, reacción al delito en tanto hecho objetivo, algunos funcionarios del Gobierno intentan combatirla con la difusión de verdades estadísticas que indican que la tasa de los delitos ocurridos en nuestro país ha disminuido o que es igual o menor a las de otros países. Pues bien. Es inútil, totalmente inútil. Alcanza con que un par de ricos y famosos exhiban impúdicamente su miedo en las pantallas de televisión para que las estadísticas se disuelvan como una lágrima en el mar. Es que la eficacia política del sentimiento de inseguridad es inmune a la incongruencia o la irracionalidad.

Son legión quienes dicen que la causa de la delincuencia y por consiguiente de la inseguridad es la exclusión social, la pobreza, el desempleo. Para confirmar esta tesis nos recuerdan que los pobres son los habitantes preferenciales de las cárceles. Esto es verdad, pero ¿acaso no se debe a que ellos cuentan con menos recursos simbólicos y económicos para defenderse, no sólo de la policía y la Justicia, sino también de una sociedad que está dispuesta a sacrificar una parte de sí misma para apaciguar a dioses oscuros? Los delincuentes no son necesariamente pobres ni los pobres están condenados a ser delincuentes. El delito es una creación de la ley. El aborto o la eutanasia pueden ser un delito o un derecho, según lo que establezca la voluntad del legislador. Calumnias e injurias eran un delito y dejaron de serlo porque los legisladores así lo decidieron.

Esta teoría clasista del delito nos impide reconocer que las víctimas no son sólo los burgueses. Los trabajadores y los desempleados también son poseedores de riquezas y victimas de robos, violaciones y asesinatos. Son poseedores de un cuerpo, de fuerza de trabajo, de hijos amenazados, de bicicletas, de motos, de esperanzas de una vida mejor. Esa es la riqueza que ellos quieren asegurar. Con sólo abrir las orejas se podrá verificar que el discurso de la inseguridad está diseminado en todas las clases sociales y no, como a algunos les gusta creer, exclusivamente en la clase media.

El discurso de la inseguridad es un problema político del cual el Gobierno debe hacerse cargo sin confundirlo con las estadísticas sobre criminalidad. Es cierto que todos los gobiernos tienen la obligación de definir y ejecutar una política en relación con el delito, pero a un discurso se lo combate con otro discurso y este gobierno no cuenta con ninguno mejor que el de los derechos humanos. El artículo 3ª de la Declaración Universal de los Derechos Humanos sostiene que “todo individuo tiene derecho a la vida, a la libertad y la seguridad de su persona”. Este es el principio de una política posible. El gobierno nacional supo darse una política, en relación con las Fuerzas Armadas, que tuvo como uno de sus ejes a los derechos humanos. ¿Por qué no hizo algo equivalente con las fuerzas de seguridad? Para peor, al gobernador Scioli se le ocurrió “la genial idea” de combatir la inseguridad relacionada con el delito dándole más poder a “la mejor policía del mundo”. Allí está el núcleo del problema y de la solución: se impone una profunda reforma policial, del sistema penitenciario y de la Justicia.

* Psicoanalista.

domingo, 28 de março de 2010

SOGRAS E GENROS


Língua de Sogra


Relendo o livro "Totem e Tabu e Outros Trabalhos", publicação da editora Imago que faz parte da coleção "Obras Completas de Sigmund Freud", me deparei com certas regras que povos observam em relação às sogras.

Devido ao conteúdo quase prescritivo, a seguir reproduzo textos contidos nas páginas 30 e 31 da edição que tenho em mãos:

"Sem sombra de dúvida, a evitação mais difundida e rigorosa (e a mais interessante, do ponto de vista das raças civilizadas) é a que impede as relações de um homem com a sogra. É bastante generalizada na Austrália e estende-se também à Melanésia, Polinésia e às raças negras da África, onde quer que traços do totemismo e do sistema classificatório de parentesco sejam encontrados e provavelmente mais além ainda.
...
Entre os melanésios das Ilhas Bank's, essas regras de evitação são muito severas e minuciosas. Um homem não deve chegar perto da mãe de sua esposa, nem ela dele. Se acontecer de os dois se encontrarem num caminho, a mulher se desvia e fica de costas até que ele tenha passado ou, talvez, se for mais conveniente, será ele que se afastará do caminho. Em Vanua Lava, em Port Pattenson, um homem só pode seguir a sogra ao longo da praia depois que a maré crescente tenha lavado suas pegadas da areia. Não obstante, o genro e a sogra podem falar-se a uma certa distância, mas uma mulher em nenhuma circunstância menciona o nome do marido de sua filha, nem ele o dela.
Nas Ilhas Salomão, após o casamento, o genro não pode ver nem conversar com a sogra. Se a encontrar, não deve reconhecê-la; deve fugir e esconder-se o mais depressa possível.
Entre os bantos orientais, o costume exige que o homem tenha vergonha da mãe de sua esposa, isto é, que se esquive deliberadamente a sua companhia. Não deve entrar na mesma casa que ela e se por acaso se encontrarem num caminho, um ou outro volta-se para o lado, ela talvez escondendo-se atrás de um arbusto, enquanto ele oculta o rosto. Se não puderem evitar-se assim e a sogra não tiver nada com que se cobrir, amarra um talo de capim em volta da cabeça, como símbolo de evitação cerimonial. Toda a comunicação entre os dois - seja através de terceiros, seja gritando um para o outro a uma certa distância -, tem de ter alguma barreira interposta entre eles. Não podem nem mesmo pronunciar o nome próprio um do outro.
Entre os basogas, povo banto que vive na região nas nascentes do Nilo, o homem só pode falar com a sogra quando ela se encontra noutra peça e fora de vista.
..."


Não são abordagens interessantes?

Omar

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A INFLUÊNCIA DAS NÁDEGAS


Um documentário e um livro que chegam nesta quarta-feira ao público francês prometem alimentar um debate nacional sobre a contribuição do traseiro na formação do imaginário nacional.

La Face Cacheé des Fesses (“A Face Oculta das Nádegas”, em tradução livre), uma parceria entre a documentarista Caroline Pochon e o jornalista Allan Rothschild, estreia em forma de documentário nesta quarta-feira no canal Arte de televisão, horas antes de a edição impressa homônima chegar às livrarias.

Os autores concluíram 18 meses de uma investigação que as editoras da obra, Arte e Democratic Book, estão apresentando como "séria, ao mesmo que lúdica", e com um "toque de espírito libertino".

"Quando falamos das nádegas", diz um trecho do documentário, "falamos de nós mesmos".

Psicanálise e semiótica

Os autores propõem uma viagem multidisciplinar pelas diferentes representações do traseiro na história da humanidade, emprestando conceitos de história da arte, psicanálise, sociologia e semiótica.

Pochon e Rothschild falam a um país onde as referências ao que a revista semanal L’Express descreveu como "a parte mais subversiva da anatomia humana" não são incomuns.

"A pátria, a honra, a liberdade, nada existe: o universo gira em torno de um par de nádegas", disse o filósofo Jean-Paul Sartre, como lembrou o diário Le Monde.

Nesse contexto, a imprensa vem tratando esta celebração ao traseiro como "a cereja do bolo dos lançamentos natalinos".

"Há mil coisas a dizer sobre as nádegas", afirmam Pochon e Rothschild. "Elas nos falam sobre os fundamentos – no sentido literal e figurado – de nossa sociedade, os seus tabus e os seus desejos", refletem.

BBC

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ato Falho


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Um ato falho, lapso freudiano ou parapráxis é um erro na fala, na memória ou numa ação física que seria supostamente causada pelo inconsciente.

Alguns erros, como o marido que acidentalmente troca o nome da própria esposa pelo da amante, parecem representar casos relativemente claros de atos falhos ou deslizes freudianos. Noutros casos, erros triviais ou bizarros na aparência podem encerrar um significado mais profundo se analisados.

Os actos falhos não são limitados ao discurso oral ou a desejos sexuais reprimidos, podendo afetar até mesmo à cognição, que se vê prejudicada por fixações do inconsciente.

Sigmund Freud descreveu o fenômeno denominando-o em língua alemã Fehlleistung (em português a tradução é ato falho; em inglês usa-se a expressão Freudian slip) em seu livro de 1901 Sobre a psicopatologia do cotidiano.