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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Maria Rita Kehl no Terra | ela foi demitida depois da repercussao na internet


A notícia modifica a informaçao dada na noite de 3a e replicada ontem por Blue Bus. Diz que a psicanalista Maria Rita Kehl foi efetivamente demitida pelo Estadao (foi comunicada ontem depois da repercussao na internet) - "Fui demitida pelo que consideraram um 'delito' de opiniao (...) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opiniao da pessoa é diferente da sua?" - entrevista a Bob Fernandes leia completa aqui. Leia hoje mais cedo Sobre #mariaritakehl Diretor do Estadao diz que 'entra e sai é normal'.

Numa das respostas a Bob Fernandes - "O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reaçoes ao que escrevi e escrevia, e que, por causa da repercussao (na internet), a situaçao se tornou intolerável, insustentável, nao me lembro bem que expressao usaram".


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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

MARIA RITA NÃO PODE ESCREVER SOBRE POLÍTICA

Foto Meramente Ilustrativa: esta não é Maria Rita.

Maria Rita, psicanalista e articulista do Estado, escreveu no sabado, vespera do pleito - "Este jornal (o Estado) teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleiçao. Fica assim mais honesta a discussao que se faz em suas páginas (.....) Se o povao das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotoes perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos (.....) Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de populaçao em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? (.....)" e assim por diante, 1 texto que contraria a linha do jornal.

Leia tudo no BLUE BUS.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Conflitos por água doce


Gilberto Dupas, para Estadão

Na medida em se torna globalmente mais escassa, a água doce deixa de ser considerada um bem público. De acordo com o poder dos diferentes grupos, ela se torna propriedade cada vez mais privada e menos comum, gerando um grave conflito ecológico distributivo. No caso do Brasil, a complexa e pouco aprofundada polêmica sobre a transposição das águas do Rio São Francisco é um importante ensaio inicial sobre essa questão.

Os severos estragos que a poluição por resíduos químicos e o aquecimento planetário estão fazendo nos estoques mundiais de água doce os colocam como prioridade na discussão estratégica sobre poder - e pode abrir imensas oportunidades para a América do Sul. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), já há mais de 1 bilhão de pessoas no planeta com severa carência de água potável; e vários cenários internacionais consideram que a disputa pelo acesso a ela poderá conduzir a inúmeros conflitos regionais. Uma pesquisa feita pela CIA, pelo Ministério de Defesa britânico e pela PriceWaterhouseCoopers prevê várias possibilidades de futuras guerras por água no Oriente Médio, Ásia e África subsaariana. Na Europa, enquanto bilhões de euros são gastos na despoluição dos seus rios, cresce o mercado de importação desse líquido vital. A água doce não poluída de superfície já não é suficiente para atender à população dos EUA. Mais grave ainda é a situação das águas subterrâneas, envenenadas progressivamente por produtos químicos e bactérias, pela marcha da industrialização. A redução da disponibilidade de água já está gerando pesadas disputas naquele país. Os consumidores consideram-na um bem público essencial à saúde e à vida. Já os fornecedores negam qualquer relação entre acesso à água potável e temas como direitos humanos e questões sociais. Em busca de novas possíveis fontes de água, a atenção dos norte-americanos volta-se para o sul do continente. Alguns especialistas detectam estar-se moldando uma Doutrina Monroe ambiental, segundo a qual os recursos naturais do Hemisfério devem levar em conta as prioridades dos EUA. O México, com situação ainda tranqüila, pode vir a ser o primeiro a ser pressionado.

Esse quadro crítico, no entanto, se inverte na América do Sul, onde a água doce ainda é abundante. Com 12% da população mundial, possuímos 47% das reservas de água globais, e boa parte delas se encontra submersa. Às grandes Bacias do Amazonas, do Orenoco e do Prata, mais inúmeros rios, lagos e estuários, se somam aqüíferos de grande porte, entre os quais o Guarani - o terceiro maior do mundo -, espalhado pelos territórios do Brasil, do Paraguai, do Uruguai e da Argentina. Muitos estudiosos acreditam que quem controlar os recursos ambientais da tríplice fronteira - o que inclui aquele aqüífero - terá a seu dispor matérias-primas essenciais para a manutenção da vida e para a sustentabilidade de processos produtivos geradores de desenvolvimento econômico e social em amplas áreas do Cone Sul.

Quanto à exportação de água, é preciso lembrar que sua forma mais eficaz ocorrerá de maneira crescente por via indireta, por meio de alimentos e produtos industrializados que a utilizem em seu processo produtivo. São necessários 1.650 litros de água para produzir 1 kg de soja, 1.900 para 1 kg de arroz, 3.500 para 1 kg de aves e 15 mil para 1 kg de carne bovina. O mesmo ocorre com produtos industrializados. São 10 litros de água para 1 de gasolina, 95 para 1 kg de aço, 324 para 1 kg de papel e 600 litros para 1 kg de cana-de-açúcar voltada para a produção de etanol. Como se vê, a importação de grãos e matérias-primas é a maneira mais eficiente para os países com déficit hídrico importarem água em larga escala daqueles que a têm. A América do Sul, obviamente, ainda não tem condição de "precificar" a escassez futura de água no mundo, mas precisa zelar vigorosamente pela qualidade de seus estoques e considerar estrategicamente quanto quer comprometer de suas reservas num quadro global de escassez que poderá elevar consideravelmente o preço futuro desses produtos. No caso dos industrializados, a água agrega ainda mais valor em função do maior preço. Se esses fatores não forem adequadamente incluídos nos preços, a divisão internacional do trabalho e da produção poderá impor mais uma vez restrições futuras importantes aos países sul-americanos.

Há quem chame também a atenção para eventuais ações norte-americanas na América do Sul. Estudo realizado por John Ackerman, do Air Command and Staff College da US Air Force, diz: "Nós (EUA) deveremos passar progressivamente da guerra contra o terrorismo para o novo conceito de segurança sustentável." E cita, como motivações para intervenções armadas, secas, crises da água e eventos meteorológicos extremos. O Center for Naval Analysis, em relatório recente, asseverou que "a mudança climática é uma realidade e os EUA, bem como o Exército, precisam se preparar para as suas conseqüências". Na mesma perspectiva, o Plano do Exército Argentino 2025 vê "a possibilidade de conflito com outros Estados pela posse de recursos naturais", com destaque para o Aqüífero Guarani, como o problema que mais tem possibilidades de conduzir a conflitos bélico com vizinhos. E afirma que o país "deverá desenvolver organizações militares com capacidade para defender a nação de um inimigo convencional superior", incluindo a organização de resistência civil.

Como vemos, a América do Sul pode ter na escassez da água doce global uma enorme vantagem mundial, ou meter-se em encrencas internas e hemisféricas. Tudo depende de bom senso, visão estratégica e articulação conjunta entre os países da região. Essa é uma oportunidade preciosa, num mundo que caminha para difíceis impasses.

Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP, presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI), é autor de vários livros, entre os quais O Mito do Progresso (Editora Unesp)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Nos bastidores, Mendes é criticado no STF e no CNJ


BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, falhou no teste de líder político do Poder Judiciário. O bate-boca na sessão de anteontem com o ministro Joaquim Barbosa foi o mais grave exemplo da insatisfação que reverberava nos bastidores do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). "Truculento", "estrela", "exibido", "grosseiro", "pop star" e "brucutu" são alguns dos adjetivos que alguns ministros e integrantes do CNJ usam para se referir a Gilmar Mendes.

No STF, a reclamação principal é de que o presidente avocou para si uma posição de líder intelectual e político num tribunal em que os ministros são iguais. Resumiu um ministro: Mendes age como presidencialista numa Casa que é parlamentarista. Nessa postura de liderança, avaliam alguns ministros, ele acabou por abrir diversas frentes de confronto, rivalizou com os demais Poderes e deixou o tribunal suscetível a críticas de todos os lados.

Ao mesmo tempo, Mendes comprou briga com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Polícia Federal, o Ministério Público e juízes de primeira instância, após a Operação Satiagraha, que levou Daniel Dantas à prisão, e, mais recentemente, com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ?Quem fala o que quer ouve o que não quer?, foi o desabafo feito anteontem por um membro do Ministério Público Federal, depois do bate-boca, conforme relato apurado pelo Estado junto a ministros do STF.

Além disso, ministros e integrantes do CNJ vinham reclamando do tratamento dispensado por Mendes nas sessões. A crítica é de que o ministro trata os colegas com descaso, em alguns casos de forma desrespeitosa. As consequências dessa forma de agir aparecem nas sessões e nas votações.

Em março deste ano, por exemplo, uma proposta de Mendes por pouco não foi derrotada no plenário do CNJ. O ministro queria aprovar uma recomendação para que os juízes priorizassem julgamentos de conflitos agrários, uma forma de tentar coibir as invasões de terra pelo MST. Mas o ministro não apresentou previamente a proposta ou negociou com os colegas. Alguns conselheiros viram uma tentativa de Mendes de "enfiar goela abaixo" o texto. O resultado dessa postura foi um empate numa votação que parecia simples. Sete conselheiros votaram favoravelmente à recomendação. Outros sete se manifestaram contra. Para evitar uma derrota política num assunto sem qualquer efeito prático, o corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, deu o voto de desempate em favor de Mendes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quarta-feira, 25 de março de 2009

CASO DANIEL DANTAS


O silêncio dos jornais

Por Luciano Martins Costa em 24/3/2009
Comentário para o programa radiofônico do OI, 24/3/2009

A Folha de S.Paulo e o Globo ignoraram a notícia, mas o Estado de S.Paulo publica na edição de terça-feira (24/3), com destaque, que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região impôs ontem uma importante derrota à estratégia de defesa do banqueiro Daniel Dantas.

O controlador do banco Opportunity queria trancar a ação penal nascida da acusação de corrupção ativa, por tentativa de subornar um delegado federal para ser excluído da chamada Operação Satiagraha.

A decisão é fundamental para o prosseguimento das ações judiciais contra Dantas. Por essa razão, os leitores da Folha e do Globo ficarão menos informados sobre o assunto do que os leitores do Estadão.

A defesa de Daniel Dantas queria que a Justiça Federal considerasse irregular a parceria feita entre a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência – Abin – durante as investigações. Se a Justiça acatasse essa tese, o processo poderia ser abortado, mas os magistrados votaram por unanimidade considerando que a ação conjunta entre a Abin e a Polícia Federal não tem nada de errado.

Muito barulho

Fica, portanto, sobre a mesa, uma questão incômoda para ser respondida pela imprensa. A quem mais, a não ser ao próprio Daniel Dantas, interessaria toda a campanha feita principalmente pelos jornais O Globo e Folha de S.Paulo e pela revista Veja, no sentido de criminalizar as ações da Polícia Federal junto com a Abin?

Fica evidente, até mesmo para o leitor mais distraído com a paisagem, que parte da imprensa brasileira tem dedicado os últimos meses mais energia e espaço à tentativa de desqualificar os investigadores do que a investigar o acusado.

Foi tão desproporcional a concessão de espaço para supostas revelações sobre desmandos atribuídos ao delegado Protógenes Queiroz e ao juiz responsável pelo caso Satiagraha, Fausto de Sanctis, que algum leitor poderia supor que o delegado e o juiz é que eram os principais acusados.

O fato de parte da imprensa omitir na terça-feira (24) de seus leitores que a Justiça Federal considera normal a parceria entre a Polícia Federal e a Abin chega a soprar na brasa da teoria conspiratória segundo a qual o banqueiro contaria com a solidariedade de algumas redações.

Será que foi apenas um "furo" do Estadão? Os outros jornais não têm acesso à agenda da Justiça Federal?

Depois de todo barulho a respeito das ações conjuntas entre as duas instituições, o silêncio da Folha e do Globo chega a ensurdecer.

A disputa pelos leitores

O caso Satiagraha deflagrou uma guerra nos bastidores da imprensa, que só pode ser acompanhada pela internet.

Desde o já clássico confronto entre a revista Veja e o jornalista Luis Nassif, até os vazamentos e contravazamentos de supostas revelações da Polícia Federal, o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Dantas dá uma idéia de outra disputa que marca este começo de século: a disputa entre a imprensa tradicional, de papel, e a nova imprensa, que trafega pelos meios eletrônicos, pela atenção e o tempo dos leitores.

A internet está completando sua segunda década. A configuração gráfica da comunicação entre computadores, inaugurada com o navegador Mosaic, em 1994, cresceu, se espalhou pelo mundo e se miniaturizou, conquistando espaço também nas telinhas dos telefones celulares. O jornalismo infiltrou-se pelos novos meios, e agora o leitor, antigo receptáculo passivo de informações, é também agente e observador da imprensa.

Observatório de Imprensa

terça-feira, 10 de março de 2009

O PIOR DO BRASIL


Correio do Povo

Parece uma missão impossível designar o pior do Brasil. Eu não hesito: a mídia. Temos uma das mais conservadoras imprensas do mundo ocidental. Uma mídia maria-vai-com-as-outras que segue um único dogma: a moda. Ou a lei do mais forte. Nas últimas décadas, a mídia brasileira aderiu a todos os clichês sobre globalização e desregulamentação do mercado. Quem manda na mídia? O patrocinador. Muitas vezes, claro, o patrocinador é um governo. Aí o bicho pega de vez. Mas, mesmo quando o patrocinador não distribui dinheiro público, o quadro não muda. A mídia brasileira odeia movimentos sociais e reza pela cartilha dos donos do dinheiro que a financiam. Qualquer jornalista iniciante que deseje ascender na carreira vira imediatamente um neoliberal ferrenho.
Mesmo a Folha de S. Paulo, que passa por ser menos indecente, não escapa do furor conservador. Numa das derrapagens mais patéticas deste começo de século, a Folha de S. Paulo, em editorial, transformou o regime militar que enxovalhou o Brasil a partir de 1964 em 'ditabranda'. Só faltou declarar a sua saudade daqueles tempos de 'milagre econômico'. A verdade é que branda foi a relação da mídia brasileira com os milicos. O Estado de S. Paulo, que adora se mitificar lembrando que publicava receitas de bolo ou poemas de Camões no lugar de artigos censurados, foi um dos pilares da ditadura. Apoiou abertamente. O Estadão colocou luto pela morte de ditador chileno Augusto Pinochet. Uma tarja preta emoldurou a capa do jornal. A revista Veja nasceu durante a ditadura, segundo consta, com o beneplácito de Golberi do Couto e Silva. A Rede Globo, assim como, no outro terreno, a Varig, foi a grande beneficiada pela 'brandura' militar.
Nas províncias, especialmente naquelas em que o conservadorismo sempre esteve na ordem do dia, a imprensa se acomodou sem maiores complicações. Jornalistas enfrentaram a ditadura. Jornais, raramente. A imprensa tinha o álibi perfeito: que poderia fazer contra a força? Nada. Nem por isso precisava apoiar. O Grupo Folha, que hoje edita a Folha de S. Paulo, expandiu-se, sob o comando de Octavio Frias de Oliveira, graças às boas relações com a ditadura, que, sem dúvida, foi muito branda e generosa com os amigos. Passada a época de bancar o herói em segurança, durante a fase de redemocratização, no qual a mídia passou a rugir contra os ditadores, chegou o tempo de fazer as pazes com esse passado nebuloso. Pedro Bial alugou a sua pena de BBB para converter Roberto Marinho num espetacular estrategista em luta dissimulada (tão dissimulada que ninguém percebeu) contra o poder ditatorial brasileiro.
Agora, aparentemente com mais legitimidade, foi a vez de a Folha de S. Paulo contribuir para o revisionismo apressado que sonha em afastar o Brasil do paradigma que dominou o resto da América do Sul. Felizmente a Folha de S. Paulo tem um limite: o marketing. O termo 'ditabranda' pegou mal. O remédio foi dar abrigo aos artigos de intelectuais descontentes e não cercear as manifestações do próprio pessoal da casa, gente que tomou um susto com a recaída do jornal. Fez-se, no popular mais demagógico possível, do limão uma caipirinha. A Folha deu as costas ao látego e está faturando como jornal que se autocritica em praça pública. Branda é a nossa paciência com tamanho besteirol. A mídia brasileira é uma casa da mãe-joana.

juremir@correiodopovo.com.br