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sábado, 22 de dezembro de 2018

Kit satânico, nazismo de esquerda, globalismo...



Por Luiz Fernando Menezes e Ana Rita Cunha
13 de dezembro de 2018, 17h59

Maconha causa câncer; agrotóxicos não fazem mal à saúde; escolas públicas promovem erotização infantil; PT tem ligações com o PCC. Informações falsas ou controversas têm pontuado declarações de ministros anunciados pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), mostra levantamento de Aos Fatos em posts e vídeos nas redes sociais, em reportagens e em entrevistas concedidas pelos novos integrantes do primeiro escalão do Executivo federal.
Confira abaixo o que encontramos.

1

Erotização infantil e satanismo
Damares Alves, futura ministra de Direitos Humanos, da Família e dos Direitos da Mulher notabiliza-se por palestras, todas disponíveis online, onde aborda temas que se destacaram entre as notícias falsas propagadas nas eleições presidenciais. Exemplo disso são as hipóteses de que as crianças são erotizadas ou receberam ‘kit satânico’ nas escolas públicas.
Para defender a existência de uma suposta erotização infantil, Damares distorceu, em uma palestra de 2013, a origem e a faixa etária indicada de cartilhas educativas. Na ocasião, ela afirmou que o livro francês Aparelho Sexual e Cia ( Zep, pseudônimo do suíço Phillipe Chappuis, e Hélène Bruller, 2007) é vendido para crianças de 2 a 3 anos. A editora da publicação no Brasil, a Companhia das Letras afirmou, porém, que o livro destina-se a adolescentes. Nos últimos meses, as redes sociais foram tomadas por vídeos, imagens e links que afirmavam categoricamente que a obra era parte do famigerado ‘kit gay’, o projeto Escola Sem Homofobia, o que não é verdade. A informação falsa chegou a ser propagada inclusive pelo presidente eleito Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional.
Na mesma palestra, a agora futura ministra também disseminou informações falsas ao dizer que a gestão de Marta Suplicy (ex-PT, hoje MDB) na Prefeitura de São Paulo contratou uma ONG para "ensinar professores de creches sobre ereção de bebês e masturbação". Como fonte, Damares citava uma reportagem de 2004 do Estado de S. Paulo, que, por sua vez, não traz a informação citada por ela na palestra.
O que o jornal denunciou, na verdade, foi a contratação dos serviços do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS), ONG ligada à própria Marta Suplicy, "para desenvolver um projeto de sexualidade e direitos reprodutivos nas escolas". Não há qualquer menção a “ereção de bebês”.
Já em uma palestra em 2016, Damares afirmou que um "kit satânico" estaria sendo distribuído nas escolas pelo governo, mas essa informação provou-se falsa, como Aos Fatos checou durante as eleições. Na realidade, o kit nada mais era do que o material de apoio ao projeto educacional BÚ! Histórias de Medo e Coragem.
Distribuído em algumas escolas, o material pretendia incentivar os alunos a produzirem conteúdos sobre medos e coragem por meio da leitura e produção de contos. Esse projeto é uma das ações de incentivo a literatura do Programa Endesa Brasil de Educação e Cultura e do Ministério da Cultura.
Damares Alves é advogada e pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular. Sua carreira política começou em meados de 2010, quando trabalhou para o senador Arolde de Oliveira (PSD). Desde 2015, ela é assessora parlamentar do senador Magno Malta (PR).

2

Maconha causa câncer
O futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), já divulgou informações controversas sobre o consumo de maconha durante uma audiência da Comissão da Seguridade Social e Família de maio de 2015 na Câmara dos Deputados. Para ele, não há sentido legalizar a droga, já que ela “dá câncer”. Nesse mesmo discurso, Mandetta chegou a ironizar o consumo da erva dizendo que: “se o cara começa na maconha, passa pra cocaína, vai no crack, acaba votando no PT no final do processo todo”.
Por mais que o consumo de maconha traga riscos à saúde, como o aparecimento de sintomas de bronquite crônica e interferências em funções cognitivas e motoras, ainda não é possível correlacionar o câncer com a droga. Segundo o estudo de 2015 “An epidemiologic review of marijuana and cancer: an update”, da revista Cancer, Epidemiology, Biomarkers & Prevention, que reuniu 34 estudos epidemiológicos sobre maconha e câncer, não há como ter certeza se o consumo aumenta o risco de contrair a doença.
Um estudo deste ano, publicado na revista americana Chest, revisou outros artigos que tratam somente da correlação com doenças do pulmão. Segundo o artigo, “um grande estudo de corte e uma análise conjunta de seis estudos de caso bem realizados não encontraram evidências de uma ligação entre o fumo de maconha e o câncer de pulmão”.
Os dois estudos citados apontam que os riscos só serão realmente conhecidos quando forem realizadas mais pesquisas em comunidades onde o acesso a droga é maior (como acontece com o cigarro de tabaco, por exemplo).
Mandetta é médico ortopedista e entrou para a política em 2005, quando assumiu a pasta de Saúde da prefeitura de Campo Grande (MS), durante o governo de Nelson Trad Filho (MDB). Em 2010 foi eleito deputado federal, cargo no qual permanece até hoje. Também foi presidente da Unimed da capital de Mato Grosso do Sul de 2001 a 2004.

3

Conservadorismo brasileiro
Quando aceitou o convite de Bolsonaro, o futuro ministro da Educação, Ricardo Veléz Rodriguez, disse que adotaria uma posição de “elaboração de normas no contexto da preservação de valores caros à sociedade brasileira, que, na sua essência, é conservadora”. Porém, o resultado das duas últimas pesquisas nacionais sobre a aceitação de pautas e visões conservadoras e progressistas no país mostram uma realidade distinta.
O levantamento realizado pelo Datafolha concluiu que a maioria das pessoas acredita que imigrantes “contribuem com o desenvolvimento e a cultura” (70%), que a homossexualidade “deve ser aceita por toda a sociedade” (74%) e que os cidadãos não deveriam ter o direito à posse de armas (55%). Tais resultados aproximam a opinião pública da visão progressista.
A pesquisa do Ideia Big Data, por sua vez, apontou que 65,5% dos brasileiros acreditam que pessoas do mesmo sexo devem ter o direito de se casar; que 62,6% concordam que esses casais possam adotar crianças; e que 62,4% acham que direitos humanos devem valer para todos, incluindo bandidos. As posições também são distintas do pensamento conservador a que Veléz Rodriguez se referia.
Por outro lado, os brasileiros são, de fato, mais conservadores quando o assunto é a liberação de drogas e do aborto, de acordo com os dois levantamentos: 55,4% não acham que a maconha deve ser legalizada, segundo o Ideia Big Data. A regulamentação do aborto é reprovada por 70% dos entrevistados pelo Datafolha.
Ricardo Veléz Rodriguez é professor-colaborador do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora). Em suas falas, já se posicionou favoravelmente ao Escola Sem Partido e criticou o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Foi indicado pelo professor Olavo de Carvalho logo após a bancada evangélica se posicionar contra o primeiro nome, do educador Mozart Neves.

4

Agrotóxico como remédio
Tenho certeza de que não há ‘veneno’ nenhum. É discurso porque, primeiro, as pessoas só usam defensivos quando necessário, como remédios”, disse a deputada federal e futura ministra da Agricultura Tereza Cristina (DEM-MS) em um evento na Câmara de Campo Grande em junho deste ano. Defensora ferrenha do uso do agrotóxicos, a líder da bancada ruralista na Câmara Federal foi apelidada por seus colegas de Musa Veneno pelo empenho na tramitação do PL 6299/2002, que flexibiliza regras de controle de agrotóxicos no Brasil.
A certeza de que os defensivos agrícolas não causam mal à saúde vai, porém, contra diversos estudos científicos, como o Science and Total Environment de 2017. Segundo a pesquisa, que reuniu a bibliografia de diversos outros artigos sobre o tema, “as associações estatísticas entre a exposição a certos agrotóxicos e a incidência de algumas doenças são convincentes e não podem ser ignoradas”, ainda que seja difícil elucidar os impactos dos produtos na saúde humana devido a vários fatores, como tipo de pesticida, tempo de exposição e características ambientais.
Os dados disponíveis sobre danos à saúde causados pelos defensivos no Brasil também são alarmantes. Foram registrados 4.003 casos de intoxicações por agrotóxicos agrícolas no país em 2017, cerca de 11 por dia, segundo o Ministério da Saúde e a Fundação Fiocruz.
Dentre os efeitos mais preocupantes associados à exposição a agrotóxicos, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, “os mais preocupantes são as intoxicações crônicas, caracterizadas por infertilidade, impotência, abortos, malformações , neurotoxicidade, manifestada através de distúrbios cognitivos e comportamentais e quadros de neuropatia e desregulação hormonal, ocorrendo também em adolescentes, causando impacto negativo sobre o seu crescimento e desenvolvimento dentre outros desfechos durante esse período”. As informações constam do Dossiê Científico e Técnico contra o PL 6299/02 (parte 1 e parte 2).
Já o Atlas dos Agrotóxicos calcula que, de 2007 a 2014, pelo menos 1.186 pessoas morreram intoxicadas por defensivos agrícolas, uma média de 148 mortes por ano. Ainda assim, o documento alerta para uma subnotificação das ocorrências: calcula-se que, para cada caso de intoxicação notificada, outros 50 não sejam notificados.
Tereza Cristina é engenheira agrônoma, produtora rural e deputada federal pelo Mato Grosso do Sul desde 2015, quando ainda era filiada ao PSB. Ela foi uma das responsáveis pelo apoio declarado da Frente Parlamentar da Agropecuária (que reúne hoje 262 parlamentares) a Jair Bolsonaro ainda antes do primeiro turno das eleições.

5

Nazismo era de esquerda
O futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo), publicou em setembro deste ano um artigo na plataforma Medium em que sustenta que o nazismo era parte da esquerda e classificou o movimento liderado por Adolf Hitler de “socialismo de preto” (em um paralelo com o comunismo, que seria o “socialismo de vermelho”).
A informação, claro, é falsa, mas chegou a circular com tal força que a Embaixada da Alemanha no Brasil fez um vídeo explicando a história do nazismo naquele país e explicando que o movimento era uma ideologia cunhada na extrema-direita: "devemos nos opor aos extremistas de direita, não devemos ignorar, temos que mostrar nossa cara contra neonazistas e antissemitas".
Ricardo de Aquino Salles foi candidato a deputado federal pelo Partido Novo nessas eleições, mas não conseguiu ser eleito. Antes da pasta, o advogado também foi secretário do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e também ocupou a pasta de Meio Ambiente paulista durante o governo tucano.
Durante a campanha eleitoral deste ano, ele defendeu uma política da “Tolerância Zero” em que propunha balas de fuzil como a solução para questões como “praga do javali” e “esquerda e o MST”. O partido Novo, ao qual Salles é filiado, manifestou-se dizendo que não aprovava a mensagem.

6

Pesquisas fake por Bolsonaro
O futuro ministro da Secretaria Geral da Presidência e coordenador da campanha vitoriosa de Jair Bolsonaro, Gustavo Bebianno (PSL), já lançou mão de pesquisas falsas em favor do seu candidato em publicações no Instagram, rede social que mais usa.
A primeira era uma suposta pesquisa de político mais honesto do Brasil. A imagem compartilhada por Bebianno é de um post do site Hoje Notícias, que já foi tirado do ar. A Fundação Transparência Política Internacional, à qual é atribuído o ranking, também não existe. Um versão semelhante da notícia falsa publicada por Bebianno já foi checada por Aos Fatos, durante o período eleitoral.
Outra falsa pesquisa compartilhada por Bebianno foi sobre apoio feminino a Bolsonaro. Ele compartilhou a imagem de um post do site Jornal Publi Cidade sobre um suposto aumento do apoio das mulheres por conta da defesa à castração química de estupradores. O texto do próprio post contradiz o título ao não mencionar nenhuma pesquisa e ao citar como fonte da informação uma reportagem do UOL com entrevistas de simpatizantes de Bolsonaro. A reportagem do UOL, de junho desse ano, cita a rejeição das mulheres, de acordo com pesquisas de intenção de votos da época, e busca entender o que motivava as que apoiavam o então candidato do PSL.
Advogado, Bebianno aproximou-se de Bolsonaro em 2017 e, no começo de 2018, assumiu a presidência do PSL, logo após a filiação do hoje presidente eleito. A partir daí, tornou-se um dos principais coordenadores da campanha. Logo após a eleição de Bolsonaro, Bebianno deixou a presidência do PSL e, em 12 de novembro, foi indicado ao primeiro escalão do futuro governo.

7

Escola Sem Partido
Símbolo da Operação Lava Jato e futuro ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro minimizou a importância do projeto Escola Sem Partido para o governo que integrará a partir de janeiro. Na entrevista coletiva após a confirmação da sua indicação, no começo de novembro, ele disse que não havia “proposta concreta sobre este tema” por parte da administração Bolsonaro. A fala ignora que pilares do Escola Sem Partido constam na plataforma de governo apresentada pelo hoje presidente eleito nas eleições, como o ensino “sem doutrinação e sexualização precoce”.

8

Médicos cubanos
O futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), também disseminou informações falsas a respeito do programa Mais Médicos, que será tutelado por ele a partir de 1º de janeiro. Segundo o ortopedista e deputado federal publicou em sua biografia oficial, o governo federal “tratou esses trabalhadores [médicos cubanos], não como trabalhadores individuais, mas como trabalhadores de um país como uma commodity, atingindo os trabalhadores, retendo seus salários, retendo seus documentos, proibindo seu deslocamento livre no território brasileiro”.
Mas não é verdade que o governo brasileiro fazia a retenção de salários dos médicos cubanos. Como Aos Fatos já explicou em uma checagem anterior, graças a um acordo com a Opas (Organização Panamericana de Saúde), o Brasil pagava o salário dos profissionais é destinado à organização, que dividia o valor para o médico e para o governo de Cuba, que ficava com a maior parte.
Também não foram identificadas informações que atestem o fato de o governo reter os documentos dos médicos cubanos e a suposta proibição de deslocamento pelo território brasileiro.

9

Aliança do PT com o PCC
O futuro ministro da Educação, Ricardo Veléz Rodriguez, também cercou-se polêmicas em 2014 ao dizer, em seu perfil no Facebook, que o PT estaria ligado aos “criminosos da facção mais perigosa que opera no Brasil, com táticas de guerrilha urbana, o PCC”.
O suposto vínculo entre o partido e a facção vem de 2006, quando o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, disse que haviam inquéritos que apontavam uma “correlação” entre os dois. Segundo uma ligação interceptada de criminosos do PCC, a facção criminosa combinou ataques contra políticos, menos os do PT, o que poderia indicar alguma ligação.
Logo após, o presidente do PFL da época, Jorge Bornhausen, e o então candidato José Serra (PSDB) acusaram o PT de envolvimento com a facção. Foi aberto um inquérito para apurar a ligação entre os dois. Aos Fatos não encontrou nenhuma atualização sobre o caso. Portanto, além de não haver provas que atestem o vínculo, o caso também se referia apenas ao Estado de São Paulo.
Houve ainda o caso do deputado estadual Luiz Moura (PT-SP), que teria participado de uma reunião na qual estariam presentes integrantes do PCC, segundo a polícia. A suspeita fez com que ele fosse expulso do partido. Mais uma vez, o caso não angariou provas que pudessem atestar ligações diretas e formais entre o PT e o PCC.

10

Maconha reduz Q.I de jovens
Futuro ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra (MDB), que também é médico, publicou no Twitter em agosto deste ano que “maconha reduz o QI” ao compartilhar uma reportagem do G1 sobre uma tese da UFMG de que usuários de maconha tinham mais dificuldade para passar nas matérias da faculdade.
Porém, a reportagem não traz qualquer afirmação parecida: houve comparação de rendimento escolar entre usuário e não-usuários (apenas 50,7% dos estudantes que fumam maconha passaram direto em todas as disciplinas, enquanto entre os não usuários a proporção foi de 66,1%, por exemplo), mas sem definição de causalidade.
Por mais que existam estudos que sugerem que o consumo de maconha por adolescentes podem diminuir sua capacidade mental, há outros que mostram o contrário: em 2016, um artigo da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos estudou a influência da erva em gêmeos e constatou que foram encontradas “poucas evidências para sugerir que o uso de maconha adolescente tem um efeito direto sobre o declínio intelectual”.
Esta será a segunda vez do médico Osmar Terra no comando de uma pasta ministerial. O emedebista foi ministro do Desenvolvimento Social no governo de Michel Temer (MDB). Em sua carreira política ele também foi prefeito de Santa Rosa (RS), secretário de Saúde do Rio Grande do Sul e é deputado desde 2001.

11

Rombo da Previdência
O futuro ministro da Casa Civil e atual ministro extraordinário de Transição, Onyx Lorenzoni (DEM), foi um crítico contumaz da Reforma da Previdência enviada ao Congresso pelo presidente Michel Temer (MDB) em dezembro de 2016. Para barrar o projeto, ele lançou mão, inclusive, de informações incorretas.
Durante audiência da comissão especial que analisava o projeto, em abril de 2017, Lorenzoni afirmou que o problema principal do Regime Geral de Previdência Social é a unificação da previdência rural, "que, na verdade, é assistência e, por isso, deficitária" com a urbana, que seria, de acordo com Lorenzoni, superavitária.
Porém, em 2016, a previdência urbana teve déficit de R$ 46,3 bilhões e a rural, R$ 103,4 bilhões, em valores nominais, de acordo com o Ministério da Fazenda. Esse era o dado mais recente disponível na época da fala do hoje ministro.

12

A cruzada contra o globalismo
Ernesto Araújo, futuro ministro das Relações Exteriores, também é conhecido por ter opiniões controversas, muitas das quais não podem ser comprovadas factualmente. Em seu blog pessoal, por exemplo, ele cita a existência de uma política globalista: “Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anti-cristão”.
Posição que também é adotada pelo presidente americano, Donald Trump, a teoria propaga que ONU, União Europeia, China e ONGs financiadas por bilionários como George Soros comandariam um plano para dominação global e substitução das culturas tradicionais por uma moral secular, cosmopolita e esquerdista.
De acordo com o professor de Relações Internacionais da FAAP e da PUC-SP, David Magalhães, a tese, originalmente defendida no Brasil por Olavo de Carvalho em seu texto “Do Marxismo Cultural”, publicado no jornal O Globo em 2002, foi concebida pelo escritor Willian S. Lind. Segundo ele, o movimento revolucionário comunista preconizava introduzir seus ideais em todas as instituições que influenciavam a cultura, como igrejas, universidades, escolas e imprensa.
Ainda segundo essa teoria, os marxistas teriam conseguido ocupar todos os “meios de pensamento” dos EUA, das universidades aos estúdios de Hollywood. Segundo Olavo de Carvalho: “seus dogmas macabros, vindos sem o rótulo de ‘marxismo’, são imbecilmente aceitos como valores culturais supra-ideológicos pelas classes empresariais e eclesiásticas, cuja destruição é o seu único e incontornável objetivo. Dificilmente se encontrará hoje um romance, um filme, uma peça de teatro, um livro didático onde as crenças do marxismo cultural” não apareçam.
Ernesto Araújo atualmente é diplomata há 29 anos e diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Internacionais do Itamaraty. Junto com Ricardo Veléz, é o segundo ministro indicado pelo filósofo Olavo de Carvalho.

13

Os reclusos da Esplanada
O levantamento realizado por Aos Fatos nos perfis de redes sociais, blogs, artigos, reportagens e entrevistas concedidas pelos futuros ministros de Bolsonaro esbarrou na falta de informações públicas e verificáveis de outros membros da futura Esplanada dos Ministérios. É o caso de Roberto Campos Neto (Banco Central), André Luiz de Almeida Mendonça (AGU), General Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), Tarcísio Gomes de Freitas (Ministério da Infraestrutura), Gustavo Henrique Canuto (Desenvolvimento Regional), General Fernando Azevedo e Silva (Ministério da Defesa), Wagner Rosário (Controladoria Geral da União), General Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Guedes (Ministério da Economia) e Bento Costa Lima Leite (Ministério de Minas e Energia).



Outro lado. Aos Fatos entrou em contato com os dez ministros que tiveram declarações analisadas nesta reportagem, mas não obteve respostas até a publicação desta reportagem.


Fonte: https://aosfatos.org/noticias/kit-satanico-nazismo-de-esquerda-globalismo-investigamos-o-que-ja-disseram-ministros-de-bolsonaro/

Imagem: Não consegui identificar a fonte da imagem.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

MACONHA & CERVEJA

Pequena ilha do Pacífico é ‘maior consumidora de maconha e cerveja’

Richard Knight
BBC News

Um pequeno grupo de ilhas do Pacífico com a população de uma cidade pequena foi considerado o país com o consumo mais alto de cerveja e maconha. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2012 da ONU, publicado em junho, diz que a nação com o nível mais alto de uso de maconha entre adultos é Palau.

O país diminuto que é parte da Micronésia, no oeste do oceano Pacífico, abriga somente 21 mil pessoas. Mas lá, um quarto dos adultos consome a substância. Os palauanos não só estão à frente de todo o mundo com o número, como lideram com uma margem expressiva. O segundo país da lista é a Itália, onde – segundo o relatório – cerca de 15% dos adultos usam a droga.

Se a ideia de que Palau é uma espécie de retiro hedonista soa familiar, pode ser porque a ilha já esteve no topo de uma tabela da Organização Mundial de Saúde em 2011, que examinava outro vício. De acordo com o relatório global sobre álcool e saúde da OMS, os palauanos bebem mais cerveja per capita do que qualquer outro país do mundo.

Dados intrigantes

Mas o que acontece com Palau? Vamos observar primeiro as estatísticas da bebida. O relatório da OMS foi publicado em 2011, mas contém dados de 2005.

Maiores consumidores de cerveja* 1º - Palau - 8,68 2º - República Tcheca - 8,51 3º - Seycheles - 7,15 4º - República da Irlanda - 7,04 5º - Lituânia - 5,60 • Litros consumidos per capita por pessoas de mais de 15 anos • Fonte: Relatório Global da OMS sobre álcool e saúde, 2011

Isso é importante porque, por alguma razão, os palauanos parecem ter bebido mais naquele ano. Em outros anos, eles caem algumas posições na tabela. Mas o mais importante é que, apesar de beberem muita cerveja, os habitantes de Palau não bebem muito mais de nada.

Quando se olha para o total de álcool consumido – ao invés de só cerveja – Palau cai para o 42º lugar de 188. Nessa lista, é a República Tcheca que tem a honra dúbia de estar no topo. Os dados da ONU de 2012 sobre Palau são ainda mais problemáticos do que os da OMS.

Maiores consumidores de maconha*

1º – Palau – 24,2%
2º – Itália – 14,6%
3º – Nova Zelândia – 14,6%
4º – Nigéria – 14,3%
5º – EUA – 14,1% • Prevalência de uso em percentual da população de 15 a 64 anos

• Fonte: Relatório Mundial sobre Drogas da ONU, 2012


Os autores do relatório não conseguiram obter dados sobre adultos na pesquisa em Palau. Então eles usaram uma pesquisa sobre uso de maconha entre alunos da rede pública e extrapolaram estes resultados para estimar um dado sobre a população adulta.

Há somente uma escola pública em Palau, com 742 estudantes. Os autores da pesquisa calcularam que cerca de 60% dos 565 estudantes que responderam a pesquisa haviam usado maconha pelo menos uma vez e quase 40% disseram que haviam usado no mês anterior.

Para comparar, uma pesquisa semelhante com estudantes norte-americanos descobriu que 23% deles diziam ter usado maconha no mês anterior. Mas apesar de os números da escola palauana serem impressionantes, a amostra é realmente pequena e pouco representativa da população como um todo (espera-se que os adolescentes de Palau fumem mais maconha do que seus pais de meia-idade).

Margem de erro

O diretor do Ministério da Educação de Palau, Emery Wenty, simplesmente não acredita nos dados da ONU.

– Palau é uma ilha muito pequena. Se o uso de maconha é tão prevalente quanto diz a ONU, você veria e sentiria o cheiro em todos os lugares. Mas isso não acontece. Conhecemos quase todo mundo. É inconcebível que um quarto da população fume maconha – diz.

Wenty admite que o consumo da droga pode ser um problema na escola, mas diz que há cerca de 500 outros jovens em Palau estudando em escolas privadas – a maioria religiosas.

República de Palau 

Área: 508 km² de mais de 200 ilhas vulcânicas e de corais 
Capital: Melekeok 
Política: Tornou-se independente em 1994, depois de ser administrada pelos EUA 
Presidente: Johnson Toribiong 
Economia: Dependente do turismo e de ajuda financeira norte-americana.

Angela Me, uma estatística da ONU que trabalha no Relatório Mundial sobre Drogas, aceita algumas das críticas de Wenty. Há um problema especial, segundo ela, com a coleta de dados em populações muito pequenas, porque um pequeno número de pessoas mudando de comportamento pode provocar uma mudança drástica nas estatísticas.

No entanto, ela afirma que os dados o relatório, sejam quais forem suas deficiências, sugerem que há uma prevalência relativamente alta de uso de drogas em algumas nações insulares do Pacífico.

– Vamos ter uma reunião sobre as ilhas do Pacífico. Queremos coletar mais informação e reduzir a margem de erro – diz.

Talvez seja prudente esperar até que a ONU complete sua coleta de dados antes de concluir que a pequena Palau é realmente a capital mundial do consumo de cerveja e maconha.



sábado, 14 de janeiro de 2012

Maconha é menos danosa para o pulmão comparada ao tabaco


Um estudo longitudinal envolvendo mais de 5.000 americanos adultos acompanhados por mais de 20 anos sugeriu que o consumo baixo e moderado de maconha é menos danoso aos pulmões do que a exposição ao tabaco.

O estudo foi realizado pela Universidade da Califórnia São Francisco e Universidade do Alabama at Birmingham.

Enquanto os resultados sobre a exposição ao tabaco produziu perda de função pulmonar, como era esperado, em relação a maconha, os pesquisadores encontraram resultados com padrões diferentes. Verificaram que o uso leve e ocasional de maconha não estaria relacionado a consequências adversas na função pulmonar.

Mark Pletcher, o principal autor do estudo, relata que um fator importante para a explicação destes resultados é que tipicamente um usuário de tabaco fuma muitos cigarros por dia, enquanto um usuário típico de maconha pode consumir poucas vezes por mês. Por outro lado o estudo também verificou declínio da função pulmonar com uso intenso de maconha ao longo dos anos.

Os pesquisadores consideram que este resultado pode contribuir para o corpo crescente de conhecimento sobre o uso baixo a moderado de maconha para controle da dor, estimular apetite, elevar o humor e em lidar com outros sintomar crônicos.

O estudo foi publicado no Journal of American Medical Association (JAMA) e a UFSC divulgou uma entrevista com o Mark Pletcher.

 Fonte: Psicologia - RedePsi 

Fonte da imagem AQUI

sábado, 8 de outubro de 2011

Cafés holandeses enfrentam novas restrições à venda de cannabis


AMSTERDAM, 8 de outubro (Reuters) - Os cafés da Holanda ficaram sem saber como cumprir as restrições anunciadas pelo governo holandês, sobre a venda de cannabis "forte", dizendo que a vigilância seria difícil por causa das leis sobre a produção.


A Holanda é famosa por suas políticas liberais em relação às drogas consideradas "suaves". Um cidadão holandês pode cultivar até cinco pés de cannabis em casa para o seu uso pessoal, mas a produção em larga escala e o seu transporte são considerados um crime.

Na sexta-feira, o governo de coalizão disse que está tentando proibir o que são considerados tipos muito potentes de cannabis, conhecidos como "skunk" - colocando-a na mesma categoria de drogas mais "pesadas", como a heroína e a cocaína.

Mas a indústria disse que as diretrizes não eram bastante claras.

"Os produtores comerciais da cannabis, já estão infringindo a lei, então de que forma a fiscalização pode ser considerada legal? O que os cafés precisam fazer, não ficou claro", disse Maurice Veldan, um advogado da Associação Varejista de cannabis, que representa os cafés na Justiça.

Uma pioneira das políticas liberais para drogas, a Holanda tem voltado atrás na sua tolerância, nos últimos anos, anunciando planos, em maio, de proibir a presença de turistas nos cafés, que são atrações populares em cidades como Amsterdã.

O governo disse que agora vai proibir a venda de cannabis, cuja concentração de THC, considerada a principal substância psicoativa, exceder 15 por cento.

A concentração média de THC na cannabis vendida nos cafés holandeses está entre 16 e 18 por cento, de acordo com o Trimbos Institute.

"Tudo isso vai fazer com que as pessoas fumem mais e eu vou vender mais. Mas, como costumava ser com o tabaco, isso vai prejudicar ainda mais a saúde delas," disse Marc Josemans, que é dono de um café na cidade de Maastricht.

O governo holandês, que a dosagem alta de THC é prejudicial à saúde mental, especialmente quando consumida por jovens, e o que está tentando fazer é enviar um sinal claro de que a cannabis forte representa um risco inaceitável, para os usuários.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Cannabis atua no alívio da ansiedade provocada por trauma


Pesquisa do Laboratório de Psicofarmacologia, da Universidade Federal de Santa Catarina


Pesquisadores do Laboratório de Psicofarmacologia, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), descobriram que o canabidiol, um dos mais de 80 constituintes da Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, pode ajudar pessoas com ansiedade provocada por experiência traumática.

Os estudos foram realizados com animais que receberam um choque moderado nas patas, simulando uma situação traumática. Quando expostos ao ambiente onde aconteceu o trauma, os animais expressam reações como medo, caracterizada por imobilidade ou “congelamento”.

Quanto maior o tempo de congelamento, maior a intensidade do medo provocada pela lembrança. Essa sensação é a mesma experimentada por uma pessoa que, por exemplo, foi assaltada em determinada rua e sente medo ao passar por ela de novo.

O tratamento para essa condição consiste na exposição repetitiva ao ambiente de trauma, para que a pessoa se adapte novamente a ele, processo chamado de condicionamento. "Os principais resultados de nossos estudos demonstraram que o canabidiol facilita esse processo de reaprendizado emocional, tornando a exposição terapêutica muito mais eficiente e com efeitos prolongados", explica Reinaldo Takahashi, autor da pesquisa.

Segundo o pesquisador, o canabidiol poderia ser associado a tratamentos psicológicos, ajudando a atenuar os traumas. A sustância reduziu a ansiedade dos animas durante o processo de condicionamento, funcionando como um ansiolítico.

Autor: Assessoria de Comunicação
Fonte: Bibliomed

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

SUGESTÃO DE LEITURA

30 DELICIOSAS RECETAS PARA COCINAR CON MARIHUANA


Mari Juani fue un popular personaje en los años 70, años de la psicodelia en San Francisco, en los cuales sus fiestas eran recordadas como espectaculares y con muy buena cocina.

El tiempo ha pasado, Mari Juani murió en el año 2005 y ahora esta obra rinde homenaje a esta curiosa mujer de la mano de su sobrino, el Dr. Marías, que ha recopilado sus recetas para ofrecerlas en este bello libro decorado con imágenes de entonces .

Dichas recetas están transcritas desde las tres libretas de anotaciones que recibió su sobrino -además de un libro de William Burroughs sobre gatos- como única herencia. Y con el tiempo dichas recetas, al igual que numerosas anécdotas de su tiempo, han sido llevadas a este libro.

Para comprar o livro clique AQUI.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Maconha pode reduzir crescimento do câncer de mama

Os componentes ativos da maconha e seus derivados poderiam reduzir o crescimento do câncer de mama e a aparição de metástases, constata uma equipe de cientistas espanhóis que testou os efeitos desta droga em ratos.

Em comunicado, os pesquisadores da UAM (Universidade Autônoma de Madri), a Universidade Complutense de Madri e o Centro Nacional de Biotecnologia destacaram nesta segunda-feira que os "cannabinoides" podem deter e acabar com as células derivadas de tumores de mama.

Essa descoberta acaba de ser publicada na revista "Cancer Cell", na qual os cientistas explicam que a pesquisa foi realizada com ratos afetados pelo modelo genético de câncer de mama MMTVneu.

Estes animais, segundo a UAM, geram de forma espontânea tumores de mama que posteriormente são transferidos por metástase ao pulmão, porque expressam elevados níveis de uma proteína chamada "oncogene ErbB2", também presente nos humanos que sofrem deste tipo de câncer.

Os pesquisadores indicaram que a propriedade antitumoral desses elementos parece vir dada pelo receptor de cannabinoides CB2, enquanto os efeitos psicotrópicos associados a esta droga se devem fundamentalmente ao receptor CB1, que é --nas palavras dos especialistas-- "o que se expressa predominantemente no sistema nervoso".

Autor: BBC Brasil 
Via: SisSaúde 

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Califórnia estreia hotel pró cannabis em ano decisivo para legalizar a droga


Los Angeles (EUA), 22 abr (EFE).- Os ativistas a favor da legalização da maconha na Califórnia inauguraram um hotel em Los Angeles onde os consumidores podem fumar cannabis sem se esconder, em mais um passo rumo à normalização do uso da substância.

No final do ano a Califórnia pode se transformar no primeiro estado do país a autorizar a maconha para consumidores maiores de 21 anos e assim equiparar legalmente esta droga ao álcool e ao tabaco.

A mesma iniciativa levou Dennis Perón, um dos estandartes da campanha pela legalização da cannabis, a restaurar um hotel no centro de Los Angeles e transformá-lo no único dos EUA tolerante com o uso da maconha.

A reabertura do estabelecimento aconteceu na noite de terça-feira, coincidindo com a realização do dia mundial da maconha, um dia de festa para os consumidores da substância, que nos próximos meses buscarão convencer os eleitores a despenalizar o hábito.

Em março as autoridades californianas informaram que a iniciativa, chamada "Cannabis Act", tinha obtido as assinaturas suficientes para ser votada em plebiscito, coincidindo com as eleições para governador do dia 2 de novembro.

A iniciativa quer estabelecer um limite legal de posse da droga de 30 gramas por pessoa e permitir o cultivo privado das plantas sempre que a parcela não supere os 2,3 metros quadrados.

Os defensores da proposta apóiam seu discurso nos benefícios terapêuticos da cannabis, argumentam que a planta tem nível de dependência inferior ao tabaco e ao álcool e, sobretudo, a legalização suporia uma importante fonte de renda para os maltratados cofres públicos do estado.

Estima-se que a Califórnia arrecadou mais de US$ 1,3 bilhão ao ano em impostos derivados da comercialização desta substância.

Uma enquete realizada há um ano pelo Oakland EMC Research indicava que 54% dos californianos era propícios a autorizar a maconha, uma percentagem que serviria para validar o "Cannabis Act", mas que não garante a vitória dessa proposta no pleito.

A oposição à legalização da maconha é muito maior no contexto geral do país, onde uma pesquisa publicada esta semana indicava que 55% dos cidadãos rejeitam transformar a maconha em um produto de consumo em massa, uma postura que tem especial aceitação entre as mulheres e os eleitores republicanos.

No caso da "Cannabis Act" sair adiante, a iniciativa entraria em conflito com as leis federais, que proíbem a venda de maconha.

Atualmente, a Califórnia é um dos 14 estados dos Estados Unidos que admitem a maconha para uso médico, uma lista à poderia se unir Dakota do Sul em breve.

Outros dois Estados do Oeste pretendem debater a legalização dessa droga.

Em Washington há uma campanha para submeter a votação em novembro o uso livre da cannabis em adultos e em Nevada há uma proposta para permitir a venda legal de maconha em estabelecimentos autorizados, embora ela não fosse entrar em vigor antes de 2012.

St. Gallen introduz limite para plantação de maconha


Pessoas que cultivam dez ou mais pés de cannabis sativa devem se registrar junto às autoridades.

É tudo uma questão de medida, inclusive também para a maconha, uma planta cultivada há séculos devido à sua utilidade e capacidades terapêuticas. Porém, segundo a Lei de Narcóticos de 1951, quando ela contém mais de 0,3% de uma substância chamada tetraidrocanabinol, também conhecida como THC, sua utilização é ilegal.

Pessoas que plantavam cannabis sativa "reforçada", ou seja, a maconha com um grau de THC mais elevado do que o permitido, podiam até então se desculpar, afirmando que suas plantas não estavam destinadas ao fumo ou não saber da sua proibição.

Fim da brecha legal

Isso acabou, pelo menos no cantão de St. Gallen. "Com o registro obrigatório, o agricultor tem de provar a utilização legal da maconha cultivada, o que facilitará bastante o nosso trabalho", declara o promotor Thomas Hansjakob à swissinfo.ch. "Graças a esse dispositivo, o registro obrigatório, já podemos confiscar e destruir plantas de cannabis sativa sem a necessidade de provar que ela é um narcótico", explica.

O registro obrigatório foi incluído na nova Lei de Saúde do cantão. Ela entrou em vigor no início do ano.

Até então, a necessidade de prova era contrária. As autoridades precisavam documentar que o agricultor estava plantando a maconha com fins ilegais, o que, segundo Hansjakob, era algo em parte difícil.

Pagamentos diretos para plantações de maconha

Já para os agricultores que plantavam cannabis sativa com baixos índices de THC, ou seja, dentro da legalidade, as novas regras não trazem mudanças. "Quem se ocupava de espécies liberadas, já havia registrado no passado as plantas para poder receber subvenções", acrescenta Hansjakob. Apenas o formulário se tornou mais detalhado.

O cantão de St. Gallen não é o único a procurar combater as plantações ilegais de maconha através de registros obrigatórios. Estes existem também nos cantões da Turgóvia, Basiléia campo, Grisões e Lucerna. O governo cantonal de Berna recusou-se implementar uma proibição em 2008.

Plantações em estufa

Segundo as autoridades, nos últimos anos houve um crescimento considerável de plantações de cannabis sativa para a produção de entorpecentes. A maconha como droga leva não é, porém, cultivada ao ar livre, mas sim em estufas no sistema "indoor", ou seja, interno.

Graças à iluminação intensiva e adubos, as flores femininas não fecundadas da maconha têm uma concentração de THC de 20% ou mais.

Renat Künzi, swissinfo.ch
(Adaptação: Alexander Thoele)

Leia o texto completo AQUI.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

OPORTUNIDADE DE EMPREGO


Jornal dos EUA abre vaga para 'crítico de maconha'

Um jornal de Denver, no Colorado, está procurando um jornalista para escrever resenhas sobre maconha para uso medicinal.

Ao ser oferecida em um blog, a vaga do Westword recebeu em poucos dias mais de 120 candidaturas.

Segundo o jornal, o "crítico de baseados" escreverá uma coluna onde dará sua avaliação sobre os diferentes locais onde pacientes com prescrição médica podem comprar maconha e as diferentes variedades da planta disponíveis, desde as produzidas localmente até algumas, importadas, que chegam a custar US$ 100 a onça (28 g).

O uso da droga é proibido por lei federal nos EUA, mas pode ter uso medicinal para aliviar a dor em alguns Estados, entre os quais o Colorado.

"Com o número de pessoas buscando autorização para o uso medicinal de maconha crescendo mais rápido que o número de farmácias autorizadas a distribuir maconha neste Estado, soubemos que não apenas havia uma necessidade de informação crítica, mas que não haveria falta de candidatos qualificados", explicou o jornal.

O post com a proposta de emprego recebeu a primeira candidatura em cinco minutos. A ideia contou com a ajuda de matérias sobre o assunto em grandes jornais americanos como o New York Times e o Wall Street Journal.

"Todos os furos de jornalismo (do Westword) são fumaça perto da atenção que atraímos com o post procurando um crítico de farmácias de maconha", comentou a jornalista Patrícia Calhoun em um artigo.

A ideia do cargo foi do jornalista Joel Warner, que escreve sobre a indústria da maconha no Colorado. Em seus posts, ele dá dicas de onde comprar e o que comprar, e sublinha a importância de garantir a procedência da erva para não acabar aumentando, inadvertidamente, o lucro dos cartéis de droga.

Importância

O prazo para submissão das candidaturas, que só são consideradas válidas se o candidato tiver permissão para comprar a droga e usá-la medicinalmente, já terminou. Em um artigo na seu site, o jornal compilou as razões que alguns aspirantes ao cargo apresentaram em seu favor.

"Por que a maconha médica é importante para mim? Ela não apenas salvou minha vida, mas me devolveu a pessoa que eu era antes de um acidente que mudou minha vida", disse um deles. "A maconha não é apenas importante para mim; é minha vida."

Outro candidato se descreveu como um "chapado altamente capaz". "Sou seu connoisseur na arte de fumar maconha com credenciais impecáveis para as características do Westword."

Já outro afirmou que, "quando as farmácias se tornarem tão comuns quanto as lavanderias, as pessoas verão que o céu não está caindo sobre elas ou que as coisas não estão dando errado. Elas começarão a se questionar e desafiar os pressupostos".

"Talvez você possa fumar maconha e ter um trabalho. Talvez ela não te deixe mole. Talvez um dia possamos até ter uma discussão pública e honesta sobre isso. Sinto que os ventos da mudança estão soprando, e que quando a poeira assentar vou gostar do que verei. PS: Se desperdicei seu tempo, ou se você se sentir mais idiota por ter lido meu texto, desculpas adiantadas. Estou medicado."

BBC

sábado, 18 de abril de 2009

AVISO


Encontrado 1 kit MacBook+maconha, por acaso seria o seu?

Um jornal estudantil da Universidade de Montana avisou: durante a patrulha matinal desta 6a feira, um policial encontrou, no meio da rua, um pacote contendo um MacBook e um saco com maconha. A segurança está tentando encontrar o dono para fazer a devoluçao, mas só do computador; “a maconha será provavelmente destruída” informa o jornal.

Blue Bus

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Maconha pode preservar memória na velhice, sugere estudo


Cientistas americanos dizem que substâncias presentes na maconha podem ser benéficas para o cérebro à medida que as pessoas envelhecem, reduzindo índices de inflamação e estimulando a formação de novos neurônios.

A equipe, da Ohio State University, em Ohio, nos Estados Unidos, apresentou seu estudo durante uma reunião da Society for Neuroscience na capital americana, Washington.

O trabalho indica que a criação de uma droga legal que contenha certas propriedades similares às da maconha poderia ajudar a prevenir ou retardar a chegada de doenças como o Mal de Alzheimer.

Embora a causa exata desta doença seja desconhecida, acredita-se que uma inflamação crônica no cérebro contribua para a perda da memória.

A intenção dos cientistas é criar uma nova droga cujas propriedades seriam semelhantes às da tetrahidrocanabinol, ou THC, a principal substância psicoativa da planta da maconha - mas sem o efeito inebriante da droga.

Ao lado de nicotina, álcool e cafeína, a THC, quando consumida em moderação, tem demonstrado uma certa eficácia em proteger o cérebro contra inflamações, o que pode se traduzir em uma melhor memória na velhice.

"Não é que tudo o que é imoral seja bom para o cérebro", disse o responsável pela pesquisa, Gary Wenk, da Ohio State University. "Simplesmente, existem algumas substâncias que milhões de pessoas, durante milhares de anos, vêm usando em bilhões de doses, e você está notando que existe um pouco de sinal no meio de todo o ruído".

As pesquisas de Wenk e seus colaboradores já demonstraram que uma droga sintética semelhante ao THC pode melhorar a memória de ratos.

Sua equipe está agora tentando entender como a substância funciona no cérebro.

Um dos co-autores do estudo, Yannick Marchalant, fez testes com ratos idosos usando a droga sintética WIN-55212-2. Ela não é usada em humanos por que pode produzir fortes efeitos inebriantes.

Os especialistas colocaram uma sonda sob a pele dos animais para injetar nos ratos uma dose constate de WIN durante três semanas - a dose era baixa, de forma a não inebriar os ratos.

Um outro grupo de ratos não recebeu a droga.

Depois, os dois grupos foram submetidos a testes de memória em que eram colocados dentro de uma pequena piscina para determinar quão capazes eles eram de usar pistas visuais para encontrar uma plataforma escondida sob a superfície da água.

Os ratos que tomaram a droga tiveram desempenho melhor em aprender e lembrar como encontrar a plataforma escondida.

"Ratos velhos não são muito bons nessa atividade. Eles podem aprender, mas demora mais tempo para acharem a plataforma", disse Marchalant. "Quando demos a eles a droga, tiveram um desempenho um pouco melhor".

"Quando somos jovens, reproduzimos nossos neurônios e nossa memória funciona bem. À medida em que envelhecemos, o processo fica mais lento e temos uma diminuição na formação de novos neurônios. Você precisa que essas células retornem e ajudem a formar novas memórias, e verificamos que este agente, semelhante ao THC, pode influenciar a criação dessas células".

As pesquisas com ratos sugerem que pelo menos três receptores no cérebro são ativados pela droga sintética. Esses receptores são proteínas do sistema endocabinóide, que controla a memória e processos psicológicos associados ao apetite, humor e resposta à dor.

Entender em detalhe a ação da THC é fundamental para que os criadores de uma nova droga possam dirigir a ação do remédio para sistemas específicos, maximizando seu efeito positivo.

"Será que as pessoas poderiam fumar maconha para evitar o Mal de Alzheimer se a doença estiver na família?", pergunta Wenk. "Não é isso o que estamos dizendo, mas poderia funcionar. O que estamos dizendo, o que nos parece, é que uma substância legal, segura, que imite essas propriedades importantes da maconha pode trabalhar nos receptores do cérebro para evitar a perda da memória na velhice".

Uma coisa já está clara para os cientistas: o tratamento não é eficaz se já existe perda da memória - é preciso reduzir a inflamação, preservar os neurônios existentes e gerar novos neurônios antes que a perda de memória seja óbvia.

Também está claro, segundo os pesquisadores, que a THC sozinha não é a resposta.

Eles esperam encontrar um composto de substâncias que possam especificamente agir na inflamação do cérebro e ativar a formação de novos neurônios.

bbc

domingo, 16 de novembro de 2008

Cáñamo Now


Por Santiago O’Donnell, para Página/12

Empujado por la crisis económica, el debate sobre la despenalización de la marihuana llegó al tope de la agenda cultural de los Estados Unidos. En las elecciones del 4 de noviembre, nueve de diez iniciativas para despenalizar su tenencia o su uso terapéutico fueron aprobadas en distintos estados de ese país.

Pero a diferencia de lo que sucede acá, en Estados Unidos la discusión no se limita a los aspectos médicos y criminalísticos que giran alrededor de la planta de marihuana, también llamada cáñamo.

Allá, en los últimos meses, el debate ha sido impulsado por aspectos económicos de candente actualidad, como la crisis de la industria automotriz, la caída en el precio de los commodities, los problemas de las economías regionales, la producción de energía alternativa y las relaciones comerciales con los países vecinos.

Todos esos temas atraviesan un juicio iniciado en junio del año pasado por dos granjeros en el estado de Dakota del Norte, que se ha convertido en un caso testigo para los defensores de la planta en Estados Unidos.

Los demandantes Wayne Hauge y Dave Monson no son dos hippies, sino más bien lo contrario. Monson, además de granjero, es un representante estadual por el Partido Republicano y vicepresidente de la legislatura de Dakota del Norte.

Los granjeros cuentan con el apoyo del gobernador republicano John Hoeven. También de la legislatura de Dakota del Norte, que en 1999 aprobó una ley que autoriza la plantación de cáñamo. Cuentan además con el aval del Departamento de Agricultura del estado, que en el 2006 completó su proceso para otorgar licencias, y a principios del año pasado extendió las primeras dos a los granjeros en cuestión.

También los apoya, o más bien los patrocina, Vote Cáñamo (Vote Hemp), un grupo de lobby en Washington D.C., que lleva gastados más de cien mil dólares en este caso.

El juicio es contra la DEA, la agencia federal antinarcóticos, que no reconoce las licencias y prohíbe terminantemente la plantación de cáñamo en todo el territorio norteamericano.

La semana pasada, tres días después de la noticia del pasaje de las distintas iniciativas pro marihuana, los granjeros ofrecieron una conferencia de prensa en el estudio de sus abogados en Bismark, la capital de Dakota del Norte. Como buenos republicanos, lo hicieron de riguroso traje y con una biblioteca jurídica como telón de fondo (foto). “Yo nunca fumé marihuana ni pienso hacerlo –dijo el granjero Hauge–. Yo quiero sembrarla por razones estrictamente económicas.”

A su turno, Monson dijo que el cáñamo es la cosecha ideal para rotar con el trigo y la avena que cosecha en su granja. Señaló que granjeros canadienses localizados a sólo 30 kilómetros de su propiedad están haciendo un gran negocio con la venta de fibras de cáñamo a las automotrices de Detroit, que las usan en los paneles de las puertas y como aislamiento en los asientos.

Y explicó que la variedad de cáñamo aprobada por el Departamento de Agricultura de Dakota del Norte no sirve para drogarse porque no contiene suficiente concentración de THC, la sustancia que produce el efecto narcótico. “El cáñamo (industrial) no tiene valor como droga”, apuntó el granjero.

El cáñamo sirve para fabricar una gran variedad de productos que se comercializan en Estados Unidos, desde sogas y telas hasta jabones y perfumes. La importación de semillas, aceites y fibras de cáñamo es legal, pero no así la producción de la planta.

Para la DEA, cualquier cultivo de cáñamo en suelo estadounidense es problemático. “El nivel de THC no importa. Si tiene THC, es ilegal”, dijo Garrison Courtney, vocero de la agencia, refiriéndose a la planta.

Sin embargo, los abogados de los granjeros aseguran que con el mismo criterio habría que prohibir las semillas de amapola que se utilizan en Estados Unidos para decorar pan, ya que contienen dosis ínfimas e imperceptibles para el organismo de opio, otra droga prohibida por la DEA. Los abogados también dijeron que el Departamento de Agricultura está en condiciones de monitorear las plantas de cáñamo para asegurarse de que no alcancen un límite de THC que sirva para la producción de droga.

Miles de negocios en Estados Unidos ya dependen de la importación de cáñamo y los expertos predicen un crecimiento mucho mayor si se legaliza la producción. “Yo creo que el mercado tiene un potencial explosivo”, dijo David Bronner, presidente de la firma Jabones Mágicos Bronner (Bronner’s Magic Soaps), de Escondido California. Citado en el periódico USA Today, el empresario dijo que gasta más de cien mil dólares por año en cáñamo canadiense para sus jabones, lociones y bálsamos.

Pero para usar cáñamo estadounidense, Bronner tendrá que esperar. En noviembre del año pasado una corte de Dakota del Norte falló en primera instancia en favor de la DEA. Los granjeros apelaron. La conferencia de prensa de la semana pasada fue para anunciar que habían presentado sus argumentos ante la Corte de Apelaciones.

“El juez no tendría que haber tomado una decisión sin escuchar testimonios sobre la diferencia entre el cáñamo industrial y la marihuana común –dijo Tim Pruden, el abogado de los granjeros–. Esperamos un fallo que diga que el cáñamo industrial no está sujeto a regulación de la DEA y que los granjeros pueden plantarlo sin ser acusados de un crimen.”

Claro que detrás del argumento jurídico aparece un razonamiento económico y por detrás, un planteo político. Por eso el abogado Purdon apeló al chauvinismo latente que siempre se manifiesta en tiempos de recesión.

“Es muy frustrante para nuestros granjeros mirar del otro lado de la frontera y ver cómo los granjeros canadienses producen cáñamo y viven de él”, se lamentó.

En las últimas semanas la caída en el precio del trigo ha castigado con particular dureza a los granjeros de Dakota del Norte, que por razones climáticas no tienen muchas opciones de cultivos.

La crisis también ha golpeado a las automotrices, que han sufrido pérdidas multimillonarias este año y que reducirían sus costos si pudieran abastecerse de cáñamo producido localmente. Pero hay más.

El paquete de reactivación que impulsa el presidente electo Barack Obama se basa en subsidios para el desarrollo de biocombustibles. El cáñamo es una fuente potencial de biocombustible. Al ser una especie muy adaptable puede plantarse en todo el país, aun en tierras agotadas o no aptas para otros cultivos. A diferencia del biocombustible en base a maíz que hoy se produce en Estados Unidos, el de cáñamo no afectaría la producción de alimentos.

Pero la versatilidad de la planta termina siendo el mayor obstáculo para su introducción masiva en el mercado norteamericano. En la industria médica, la droga THC no tiene sustituto como inductor de apetito para pacientes de cáncer. Las pastillas de THC que se venden en las farmacias se obtienen de plantaciones manejadas por el Departamento de Salud. El THC tiene otros usos medicinales, como bronquiodilatador e inhibidor de presión ocular, pero no ha sido aprobado para esos usos porque hay drogas alternativas que comercializan los grandes laboratorios.

Por su parte, el cáñamo industrial podría abastecer de materia prima local a varias industrias, no sólo la cosmética, la automotriz o la de biocombustibles.

Las prendas de cáñamo representan una amenaza para la industria del algodón, principal fuente de trabajo en las zonas rurales de Georgia y Alabama, acaso las más pobres del país. El cáñamo legal sería también un competidor durísimo para la industria maderera en la producción de papel y materiales de embalaje, ya que la planta crece rápido y no necesita tanto cuidado.

Pero la producción de materias primas es el eslabón más vulnerable en la cadena de valor, y por eso sus empresarios cuentan con fuertes protecciones y un gran poder de lobby a nivel federal.

Hasta ahora esos lobbies han tenido éxito suprimiendo el debate económico y han prevalecido los argumentos en favor del prohibicionismo, que apelan a la moral puritana de la ética protestante, pilar fundacional de la cultura estadounidense.

Pero los efectos del crac financiero, unidos a los aires de renovación que trajo Obama al movimiento de derechos civiles, amenazan con alterar esa ecuación. Las iniciativas aprobadas el 4 de noviembre son señales.

Las crisis siempre representan una oportunidad. Los granjeros republicanos de Dakota del Norte ya se dieron cuenta.

sodonnell@pagina12.com.ar

terça-feira, 30 de setembro de 2008

“La droga ya no se cultiva, se fabrica en laboratorios”


Entrevista a Nora Volkow

Es la mayor experta mundial en drogas. Dirige el Instituto Nacional sobre el Abuso de Drogas de Estados Unidos (NIDA). Fue la primera en utilizar neuroimágenes para investigar los cambios neuroquímicos en personas adictas. Nacida en México, bisnieta de Trotsky –quien fue asesinado en ese país–, advierte a la Argentina sobre los peligros de la droga: “Hace cinco años, en México, nadie sabía qué era la metanfetamina, y hoy es la causa Nº 1 de admisión psiquiátrica”.

Por Jorge Fontevecchia, para Diario Perfil.

—Ud. obtuvo de universidades de todo el mundo decenas de doctorados honoris causa, premios y reconocimientos de todo tipo, por haber podido mostrar el daño que produce el consumo de drogas en el cerebro a través de neuroimágenes, y dirige el organismo que estudia la drogadicción con el mayor presupuesto del mundo; pero quienes no tienen su especialización precisan definiciones básicas, comenzando por la palabra “droga”: ¿hay buenas, como las medicinales, y malas? ¿Hay blandas y duras? ¿Son malas aquellas que producen efectos psicotóxicos? ¿O las que producen síndrome de abstinencia? ¿O de las que se puede abusar, como indicaría el nombre del Instituto Nacional sobre el Abuso de Drogas (NIDA)? Por ejemplo: ¿al no producir adicción, los alucinógenos quedan fuera del NIDA?

—La definición que se utiliza en el mundo científico es que aquellos compuestos que al usarlos pueden generar la compulsión en la toma es lo que se considera una droga de abuso. ¿Por qué la gente toma drogas? La idea es que esas drogas producen una sensación placentera, y es la razón número uno por la cual la mayor parte de la gente las toma. Pero hay drogas que no dan un estado placentero. Aquí es donde entran el LSD, el peyote o la mezcalina, que cambian la sensibilidad sensitiva de tal manera que los estímulos son percibidos de manera diferente, y eso da una experiencia diferente del mundo. Y hay gente que toma la droga por esa razón. Después, tiene drogas como el cigarrillo, que no necesariamente da un sentimiento de placer de manera inmediata. Pero lo que sí hace es permitir temporalmente concentrarse mejor, y puede pasar que alguien las consuma porque le ayuda a pensar o a concentrarse mejor. Pero estas drogas, las llamadas de abuso, con el uso repetido son las que pueden causar adicción. Porque hay otras que ayudan a concentrarse mejor, como el café, que no causan adicción. Lo que el instituto nuestro trabaja son todas esas drogas de abuso que pueden producir el uso compulsivo y la adicción. Y eso incluye drogas legales e ilegales. Y en cuanto a si hay drogas duras y suaves, es un concepto que a nuestra sociedad le gusta usar, porque tenemos necesidad de clasificar las cosas entre las que son malas y las no tan malas. Pero eso es muy arbitrario, porque depende de cómo responde cada persona. Tomemos una que se toma como suave: la marihuana. En los últimos años aumentó el número de gente adicta a la marihuana y aumentó significativamente el número que tiene reacciones psicóticas a la marihuana. No es que haya más gente tomando marihuana. Lo que pasa es que el contenido de tetrahidrocannabinoide, la sustancia psicoactiva que genera la sensación, aumentó considerablemente. En los 80 el contenido era del 2 por ciento, y ahora tiene entre el 6 y el 8. Por eso es relativo el concepto de las drogas duras y suaves. Cada uno puede tener una mejor o peor reacción frente a la droga. Tomemos otra: el alcohol. Es considerada suave y es legal. Pero si tiene los antecedentes genéticos que lo hacen vulnerable al alcoholismo, se vuelve una droga peligrosa.

—La revista “Newsweek” publicó en 1980 que la droga que se consumía era siete veces más potente que la que se encontraba disponible en Woodstock. ¿Cada generación consume una marihuana mucho más potente que la anterior?

—Hay marihuana que tiene un contenido altísimo, por ejemplo, del 15 o 16 por ciento. Pero a mí me gusta hablar del contenido promedio, y tener una perspectiva más conservadora. Entonces lo que puedo decir es que ha aumentado tres veces.

—¿Desde cuándo?

—Digamos que los últimos diez años.

—¿Y en las décadas anteriores, como ya se decía en 1980?

—Ha aumentado paulatinamente. Es como la agricultura: si tiene un producto que quiere mejorar, empieza a cultivar el que le da mejor.

—¿En la época de Woodstock la marihuana no producía efectos psicóticos, como sí la cocaína, pero la marihuana actual sí los produce?

—Siempre los ha producido. Depende de cuál es la concentración que le meten y cuál la sensibilidad del cerebro para las reacciones psicóticas. Puedo producir un cuadro psicótico o paranoico en cualquier persona si le doy dosis suficientemente altas.

—Las drogas de abuso aumentan sensiblemente la dopamina en el cuerpo, pero hay otros elementos altamente dopaminógenos que producen cambios importantes en el estado de ánimo, como el chocolate, con personas que se consideran adictas al chocolate, o el café. ¿Es una cuestión de dósis y aplicación? Leí una explicación suya en la que decía que si una persona se inyectara café en las venas tendría un efecto totalmente distinto al que produce su consumo bebido. Imagino que algo similar sucede con el té de marihuana. ¿Cuál es la frontera y cuál su relación con la dopamina?

—Nuestro cerebro no se desarrolló para consumir drogas. Está optimizado para asegurar la sobrevivencia del individuo y de la especie. La manera en que la naturaleza se asegura que nosotros actuemos como tenemos que actuar para sobrevivir es asociar las conductas adecuadas con la sensación de placer. Y esa sensación de placer crea una memoria que le va a hacer que quiera volver a repetir esa experiencia.

—El placer del sexo y la comida.

—Produce placer lo que es indispensable para la supervivencia del individuo y de la especie. De tal manera que nuestro cerebro está hecho para responder al placer. Podemos decir: “Esto no me parece muy bien o no es políticamente correcto”. Pero la realidad es que esta es la manera como la naturaleza se asegura de que se sigan las conductas que van a permitir que sobrevivamos. ¿Qué es placer? Es un concepto relativo, porque lo que es placentero en un momento no lo es en otro. Entonces, el cerebro tiene que desarrollarse de tal manera que tenga la flexibilidad para mandar la señal de placer cuando es adecuado. Esta señal es la dopamina. Entonces, si usted me la estuviera aumentando ahora, yo relacionaría este momento con algo extremadamente importante para mi sobrevivencia, que experimentaría como algo importantísimo que me gustaría repetir. Eso es lo que hace la dopamina.

—¿El amor?

—Exacto, si se enamora de alguien, está liberando dopamina, y le genera una sensación que llamamos de placer. Si está muy enamorado de alguien, no se puede separar. Esta misma sensación es la de un adicto con la droga. Las drogas tomaron estos circuitos del cerebro que funcionan para enamorarse y asegurar que se multiplique la especie o para que coma y no se muera de hambre; esa motivación tan intensa es donde actúa la droga. Y es por pura química. Tiene estos compuestos que se acoplan perfectamente a los receptores de nuestro cerebro que normalmente están modulando las descargas dopaminescas.

—Y otros sentimientos que no tienen que ver con la reproducción.

—Las interacciones sociales aumentan la dopamina. O un libro que emocione, un cuadro, la cara de una persona muy bella. Pero las drogas aumentan la dopamina de manera más directa, potente y eficaz que cualquier otro estímulo fisiológico. La cantidad de dopamina que se aumenta al consumir cocaína es de 5 a 10 veces mayor que al tomar el mejor de los chocolates. Como el cerebro no se hizo para recibir esas concentraciones de dopamina, esos cambios tan profundos, al generarse una respuesta más allá de la fisiología, inmediatamente el cerebro inicia cambios para adaptarse. Es lo que se llama homeóstasis, que es que cuando se tiene un cambio en un sistema biológico no aguantamos mucho…

—El termostato que corta.

—Claro, entonces, al tomar una droga que activa los mismos procesos que la comida, el sexo, la belleza o las interacciones sociales, pero de una manera más eficiente, desarrolla una respuesta mucho más poderosa, pero también inicia una serie de cambios para esa homeóstasis.

—Es mucho más facil dañar al termostato con droga que con chocolate o el sexo.

—Las drogas son esas sustancias que tiene mayor posibilidad de desajustar el termostato. Porque no todo el mundo se vuelve adicto a las drogas. Hay personas que pueden consumir cocaína cada 6 meses sin ningún problema. Pero a cierta gente, con cierta vulnerabilidad genética, estímulos naturales como la comida pueden desajustarle el termostato, y se vuelve una compulsiva a comer, que es cuando la persona no se sacia. Lo mismo se da con el sexo. Hay gente que tiene una compulsividad sexual en la que nunca hay una sensación de saciedad. En ellos se ha desajustado el termostato.

—¿Sigue siendo correcto el uso de la palabra adicción? Su etimología refiere a “ausencia de palabras”: “a-dicto”.

—La adicción tiene un componente de pérdida del control. En el mundo psiquiátrico se ha dicho que la persona adicta no tiene voluntad. Y con ese argumento, se echó la culpa al adicto. La voluntad es el producto del funcionamiento de áreas específicas de nuestro cerebro que el uso repetido de las drogas daña. De aquí que el concepto de la adicción para mí es en el cual la persona no puede controlar la ingesta de drogas a pesar de que conscientemente ya no las quiera tomar y de que es muy consciente de que tiene consecuencias catastróficas.

—Una de las distintas fronteras que separan las drogas legales (el cigarrillo, por ejemplo) de las ilegales (marihuana, cocaína, etc.) está relacionada con cómo afecta a terceros el consumo de esa droga por el adicto. Quien fuma tabaco, al no perder el control de sus actos como sí sucede con el consumo de drogas ilegales, no se transforma en un peligro para los demás. Pero el alcohol, siendo una droga legal, sí afecta a terceros, porque quien bebe en exceso es un peligro al volante, o puede ser más agresivo. A comienzos del siglo pasado, en EE.UU. estuvo prohibida la venta de alcohol y no la de tabaco. En orden de prioridad: ¿sería útil para la sociedad que se declarara ilegal el alcohol o el cigarrillo? Y en ese caso, ¿cuál primero?

—No todas las drogas son igualmente adictivas. ¿De qué depende? Número uno, de la magnitud del cambio de la dopamina que produce la droga. La metanfetamina es la que produce un mayor cambio en el cerebro. Por mucho. Desde ese punto de vista, es la droga que genera una mayor dependencia, una mayor compulsividad. El alcohol y el cigarrillo producen niveles de dopamina mucho más bajos que las otras drogas clásicamente ilegales. Cuando me pregunta qué es más importante, si hacer ilegal el alcohol o los cigarrillos, yo diría que el porcentaje de gente que bebe alcohol es altísimo, pero es muy pequeño el porcentaje de gente que se vuelve problemática al beberlo. El alcohol no es tan adictivo como las otras. Y lo mismo sucede con la nicotina. El problema de la nicotina es que por su accesibilidad es la única droga que aunque no produce grandes cambios de dopamina, sí permite mezclarla con la vida diaria. No interfiere con las capacidades cognoscitivas. Cuando se aumenta la dopamina, uno asocia esa situación con algo placentero. Esto se llama acondicionamiento. Y le va a generar querer fumar el cigarrillo. Entonces el cigarrillo, al mezclarlo en la vida, genera un acondicionamiento a casi todo lo que lo rodea. De aquí que aunque no sea tan adictivo se vuelve tan difícil dejar de fumar.

—Como en todo, la industrialización lo hizo “eficiente”.

—Increíblemente accesible. Si hubiera que inyectárselo, no sería lo mismo. El cigarrillo es extraordinario desde el punto de vista de la administración de las sustancias. La nicotina permite usarla tan rápido porque entra y sale del cerebro muy rápidamente, lo cual no sucede con otras sustancias. Todas sus propiedades de farmacoquinesia son perfectas para el cigarrillo y le puede aumentar la concentración, lo cual a su vez le permite mezclarlo con su vida diaria. Uno de los problemas que están muy poco hablados es el uso del cigarrillo durante el embarazo. Sin embargo, tiene efectos más dañinos que el de otras sustancias ilícitas, como la heroína o la cocaína.

—Entonces no haría ilegal el alcohol. Además, el vino es bueno para el corazón.

—Cuando se intentó hacer ilegal el alcohol, no resultó porque permitió el mercado negro, y las consecuencias del alcoholismo no se pudieron controlar. Lo haría mucho más caro. Pondría leyes mucho más rigurosas en el uso del alcohol cuando alguien maneja. También bajaría el nivel de lo que se llama intoxicación. Y también tomaría medidas de penalización mucho más grandes sobre aquellos lugares en los que se vende alcohol a menores.

—En la Argentina se debate la despenalización del consumo de droga. ¿Ud. es partidaria de la despenalización parcial o total del consumo?

—No. Por mucho, las dos drogas que generan más muertes son el alcohol y la nicotina. ¿Por qué? Porque son las más accesibles. Al ser las drogas legales, el consumo se va para arriba. Se lo garantizo.

—¿Qué pasó en Holanda con la marihuana?

—Holanda tiene una política abierta sobre el uso de la marihuana y Estados Unidos no. Sin embargo, en Estados Unidos se consume mucho más. ¿Por qué? Son sociedades completamente distintas. Estados Unidos tiene uno de los consumos más altos entre los jóvenes. ¿Qué lo determina? Hay muchos factores de cultura. El grupo social, por ejemplo. Si en su grupo social consumen drogas, es mucho más probable que usted las consuma. Entonces, legalizar la marihuana en Estados Unidos como se ha legalizado en Holanda produciría un aumento.

—¿En Holanda aumentó pero sus niveles previos eran más bajos?

—Siempre aumenta, claro.

—¿La prohibición no convierte al consumo de drogas en algo más deseable todavía?

—Para los jóvenes y para ciertas personalidades es así. Hay que hacerles ver a los jóvenes que ese concepto que tienen de la libertad, básicamente, es consumir una droga que daña el cerebro en las zonas vinculadas con la voluntad. De tal manera que se va a volver un ser repetitivo. Entonces lo que como rebelde quiere romper, el ser predecible, es antitético a lo que hacen las drogas.

—Varios premios Nobel, generalmente de Economía, han promovido la legalización de las drogas para eliminar la violencia que genera el narcotráfico. ¿Están mal informados?

—Los economistas traen toda su perspectiva económica sin tener el conocimiento de cuáles son las consecuencias del uso de las drogas sobre el cerebro.

—¿Nunca la consultaron?

—Muchas veces me han preguntado, y yo digo que como científica me manejo con los datos, y los datos claramente dicen que si las drogas ilegales se hacen legales el consumo se va para arriba.

—Según un informe de la ONU, reproducido en PERFIL, la Argentina es el principal consumidor de anfetaminas del mundo, por sobre los Estados Unidos y Brasil. ¿Por qué puede suceder esto y cómo se combate el uso de estas “drogas legales”?

—Hablemos de los anfetamínicos que se utilizan como medicamentos. Dejemos la metanfetamina afuera. Actualmente, empezamos de nuevo a ver un aumento significativo en el uso de los estimulantes en Estados Unidos. Y en esto mucho tienen que ver las recetas para el uso de la anfetamina. En Estados Unidos, a partir de las recetas, el consumo se ha doblado cada 5 o 10 años. Y la producción también ha aumentado.

—¿Y a qué se atribuye?

—En el sistema médico hay modas. Durante muchos años hemos utilizado los estimulantes para el déficit de la atención. Se creía que ocurría con los niños y los adolescentes, y que cuando se entraba a la vida adulta desaparecía. Pero lo que se ha documentado en los últimos diez años es que no es cierto, y que un 70 por ciento de los chicos que tienen este déficit pasan a la vida adulta con el mismo problema. Lo que aumentó significativamente es la prescripción de estos estimulantes a la gente que sufre del déficit de atención. El problema reside en saber qué tan adecuados son estos diagnósticos. Al aumentar la producción de estos medicamentos, se vuelve mucho más accesible. La otra cosa que estamos viendo en Estados Unidos y en Europa es el aumento del uso de estos estimulantes para aumentar la capacidad cognitiva. Por ejemplo, si tiene que terminar este artículo para mañana a las seis de la mañana, se toma estos estimulantes y va a estar alerta toda la noche. Esto es lo que hacen los estudiantes antes de los exámenes o los abogados antes de un caso importante. También se da para la pérdida de sueño o de peso. Lo que pasa es que las personas se vuelven tolerantes y empiezan a tomar cada vez más.

—Incluyamos ahora la metanfetamina, sobre la que Ud. recién dijo que era la que produce un mayor cambio en el cerebro, mayor dependencia y mayor compulsividad.

—Y además es muy fácil de hacer.

—En la Argentina recientemente tuvimos un triple crimen que se atribuye a hasta el no hace mucho desconocido para los argentinos Cartel de Sinaloa, los líderes de la metanfetamina. ¿Qué pasa con México y la metanfetamina?

—En los últimos dos o tres años, la metanfetamina, que hace cinco años no existía, se ha vuelto la causa número uno de admisión psiquiátrica en lugares como Colima (norte de México).

—En Argentina el consumo de metanfetamina en las discos se convirtió en una moda tan difundida que el agua mineral con la que combate la deshidratación quien consumió, se vende al doble del precio de una cerveza, y los dueños de las discos cierran el aguda corriente de los baños para obligar a los adolescentes consumidores a comprar agua. ¿Escuchó de algo similar en otros países?

—No había oído esto nunca. En las discotecas están las metanfetaminas y el éxtasis, que son particularmente tóxicas cuando se combinan con la hipertemia y la deshidratación, y la manera en que se pueden dar casos muy serios de intoxicación es no dando agua.

—¿Es la metanfetamina en el siglo XXI lo que fue la cocaína en las últimas décadas del siglo pasado: la droga euforizante de la fiesta?

—En Estados Unidos el éxtasis ha bajado muchísimo. El gobierno se metió en una campaña muy poderosa para hacer evidentes sus consecuencias. Y lo mismo se está haciendo hoy con la metanfetamina, y aparentemente se está yendo para abajo. Desgraciadamente estamos viendo un resurgimiento de la cocaína, y como problema número uno el aumento de drogas de prescripción, los analgésicos con opiáceos. La droga número uno en frecuencia entre los jóvenes es la marihuana, y la número dos es el vicodin, que es un analgésico con opiáceo que si va al dentista se la puede prescribir. De nuevo tenemos una situación en la que el aumento de las prescripciones y de la producción hacen más fácil el acceso.

—¿Eso es lo que usan los adolescentes como estimulantes?

—No sé si alguna vez le han dado un opiáceo con analgésico. A mí sí, y puedo decir que son drogas altamente placenteras. Cuando me la dieron, me pareció interesantísima la experiencia porque pude entender por qué alguien se puede volver adicto a lo que hace sentir ese medicamento. Y los jóvenes las están usando en lugar de las sustancias ilícitas porque piensan que al ser recetadas son menos dañinas. Estamos viendo de nuevo en Estados Unidos que han aumentado las muertes por sobredosis, significativamente. En los últimos veinte años se ha doblado el número de muertes por sobredosis.

—La metanfetamina, al ser fácil de producir, ¿es más barata?

—Es muy fácil y también es más barata que la cocaína.

—Por lo cual su penetración será más fácil en países como México, Brasil y Argentina, con una población con menores recursos económicos que la de EE.UU. y Europa.

—Pero si se hace imposible el acceso a la efedrina no se la puede producir. De lo que está hablando es de una situación en donde no hay control de la efedrina.

—¿Funciona la penetración como una ola: lo que llegó a México hace diez años, y hace cinco a Brasil, ahora está llegando a la Argentina?

—Lo que me horroriza es lo rápido que se mueve esta hola. Yo hice la carrera de Medicina en la ciudad de México y nunca vi un caso de cocaína. Jamás escuché que se hablara de la metanfetamina. Pero ahora voy a México y hay cocaína por todos lados. En los niveles de la frontera, hay un gran problema de inyección de drogas con una tasa altísima de sida y de hepatitis C. Y lo mismo sucede hoy con la metanfetamina. Es la droga numero uno ilícita en Colima. Y esto sucedió en sólo cinco años. Estas sustancias penetran en el mercado con tanta velocidad que se puede generar una catástrofe rapidísimo.

—El gran argumento de los jóvenes es que de la misma forma que una copa de vino por día no hace daño, tampoco hace daño fumar un habano o dos cigarrillos por día después de las comidas, o un cigarrillo de marihuana dos o tres veces por semana. ¿Las neuroimágenes del NIDA mostraron daño cerebral en personas con consumos moderados de marihuana o en todos los casos se trataba de personas de alto consumo? O sea, ¿hay un consumo no abusivo de drogas o en todos los casos se encuentran daños cerebrales?

—Me he concentrado en casos severos o moderadamente severos. Por lo tanto, mis resultados no son aplicables a gente que utilice las drogas socialmente o a niveles bajos. Lo que se sabe es que cada uno de nosotros trae consigo una carga genética, sobre la que no tenemos ningún control, que nos da diferentes vulnerabilidades a la adicción a las drogas. Entonces usted puede decir que quiere fumar dos o tres cigarrillos de marihuana al año y no le va a pasar nada…

—¿Y dos o tres por semana?

—He tratado con adictos a drogas durante muchos años y nunca encontré a nadie que haya empezado a consumir pensando que se iba a volver adicto. Empezaron pensando que no les iba a pasar nada, hasta que terminaron volviéndose compulsivos. Y hay personas no adictas que mueren por una sobredosis, lo que tiene que ver con la carga genética de vulnerabilidad de cada uno. Por un lado, está la vulnerabilidad a la adicción, y por el otro la vulnerabilidad a los efectos de las sustancias…

—¿Es un mito el argumento de que el consumo moderado de marihuana es menos perjudicial para la salud que el de cigarrillo?

—Hay estudios que muestran que la marihuana es muy dañina y otros que muestran que no es tan dañina. A nivel pulmonar, hace un tiempo se publicó un estudio que decía que era menos dañina, y esto tenía que ver con una cuestión cuantitativa. ¿Por qué? Porque si uno fuma dos paquetes de cigarrillos, fuma durante todo el día, pero si se fuma marihuana, se lo hará como mucho 4 o 5 veces al día. De lo que no hay dudas es que las sustancias de la marihuana son dañinas y cancerígenas. Pero no hay evidencia de si esas sustancias son más o menos dañinas que las del cigarrillo. La diferencia está en el nivel de exposición que se tiene con la sustancia.

—¿La nicotina es la más adictiva?

—La cocaína y la metanfetamina.

—Le preguntaba respecto de la marihuana.

—Depende de los factores genético-sociales. Es importante la edad a la que se empieza. Y esto se ha documentado para la marihuana, la nicotina y el alcohol: cuanto más joven se empieza, mayor es la posibilidad de volverse adicto. Pero el 50 por ciento de la vulnerabilidad está dado por los genes, por lo que conviven factores genéticos y de desarrollos.

—¿Los genes determinan la vulnerabilidad general hacia las adicciones o hay personas que para determinadas drogas tienen una mayor vulnerabilidad genética, pero para otras tienen menos o no tienen?

—En general, si tiene vulnerabilidad para la adicción, la tiene para todas las drogas. Pero, dentro de esa generalidad, hay gente que tiene vulnerabilidad para la nicotina pero no para la cocaína. ¿Sabe por qué está esa vulnerabilidad común? Uno de los hallazgos más interesantes en el área de las drogas es que el tipo de genes que están involucrados en la vulnerabilidad tienen que ver con genes que están involucrados en el aprendizaje y la memorización, es decir, en la formación de nuevas sinapsis. Entonces, los genes que permiten formar estas nuevas sinapsis permiten aprender y acondicionarse, que es muy importante en las relaciones sociales, y son los mismos que permiten volverse adicto más fácilmente. Entonces, si fácilmente se condiciona a un ambiente, probablemente también fácilmente se condicione a las drogas.

—¿Cómo define la palabra “acondicionamiento”?

—Hay un componente de afecto. ¿Por qué tenemos la tendencia de ir repetidamente a los lugares que ya conocemos? Es una reacción emocional que nos hace sentir bien. ¿Por qué le gusta ver a sus amigos? Es una reacción afectiva. Todas las relaciones afectivas tienen un componente de acondicionamiento. El acondicionamiento es la memoria en donde lo que recuerda es la emoción y no el hecho.

—¿La memoria emocional?

—Claro. Ocurre en un área del cerebro que se llama el hipocampo. Pero lo que le permite evocar la emoción sucede en otra área, pero es también la memoria. Y eso es el acondicionamiento.

—Leí que las mujeres les cuesta más dejar de fumar que a los hombres. Creí que una de las causas era el mayor temor de las mujeres a engordar. ¿Es así o tiene que ver con la mayor emocionalidad de las mujeres y el “acondicionamiento”?

—Definitivamente, el temor a engordar es una de las causas. Es muy difícil dejar de fumar no sólo por la adictividad de la droga, sino porque nos han acondicionado a fumar la droga en todos los lugares. Entonces, todos los lugares se la van a evocar. Comida o drogas aumentan la dopamina. No le estoy dando una droga, sólo le estoy presentando el elemento al que está acondicionado. Lo mismo genera la droga.

—Eso explica por qué los fumadores encienden un cigarrillo después de hacer el amor o comer.

—Típico. Están totalmente acondicionados a esa sensación. Y las mujeres se acondicionan más que los hombres al cigarrillo porque responden mucho más fuerte a los estímulos de acondicionamiento. El estímulo acondicionado va a generar la respuesta del cerebro que se va a traducir como experiencia de querer tomar la droga.

—Ud. estudió también la obesidad como adicción.

—Mi interés surgió por la similitud de los casos. Clínicamente, una persona adicta a la droga que tiene esa compulsividad que no puede frenar me recordaba mucho a los pacientes que entraban con cuadros de diabetes e hipertensión, y sin embargo no podían dejar de comer. Estamos promoviendo estudios, en aquellos casos en que se puede obtener información útil para la adicción con las drogas. Es importante, porque los circuitos que toman las drogas son los que creó la naturaleza para la motivación de los efectos placenteros de la comida y de acondicionamiento y de interacción social. Para mí, como instituto, es una gran ventaja contar con medicamentos para la obesidad que puedo usar para tratar la adicción. ¿Por qué? Porque las farmacéuticas no están interesadas en desarrollar medicamentos para la drogadicción. No hay mercado. En cambio, hay un enorme mercado de millones de dólares para desarrollar medicamentos contra la obesidad. En la oportunidad de encontrar los vínculos entre un problema y otro, nos permitiría tener acceso a esos medicamentos.

—Algunos tratamientos para adelgazar utilizaban hace años anfetaminas y hoy antidepresivos. ¿La dopamina es la responsable de todo?

—La dopamina es la responsable de la motivación, que es lo que da el impulso para la vida. La motivación es importante para la atención, el placer, las relaciones sociales y los procesos cognoscitivos. Si hay algo que no lo motiva, nunca lo va a poder entender. Un día estaba en un congreso sobre el déficit de la atención, muy aburrida, y no podía prestar atención. Me dije que sería buenísimo tener una píldora que pudiera lograr que esa situación tan aburrida se transformara en algo divertido. Y ahí hice click y me di cuenta que eso es lo que generaba el café. O lo que generan estas sustancias sobre las que estuvimos hablando: al aumentarse la dopamina, algo que es aburrido parece mucho más divertido. Hay gente totalmente amotivada que tiene niveles de dopamina muy bajos, y tiene altos riesgos de depresión. Lo importante es la emoción.

—¿Usted dijo que los antidepresivos no funcionan para el tratamiento de la obesidad?

—Y los estimulantes tampoco.

—¿Por la plasticidad o tolerancia del cerebro, pasado cierto tiempo deja de hacer efecto?

—El estimulante lo vuelve tolerante. Requiere dosis más y más altas. A principios del siglo pasado, cuando se empezó a utilizar la cocaína para perder peso, se requerían dosis cada vez más altas. Lo mismo sucedió en los 50 y 60 con la efedrina, la seudoefedrina, las anfetaminas y la metanfetamina. Pero empezó a haber muchos casos de psicosis, y se dieron cuenta de que no funcionaban.

—¿Cuál es su opinión sobre los antidepresivos?

—Para la gente que sufre depresión clínica pueden ser de una gran utilidad. Pero estamos sobreutilizando los medicamentos psicoactivos, incluyendo los antidepresivos, para el tratamiento de una reacción emocional que puede ser normal. Un fármaco se debe utilizar cuando se trata de un caso depresivo clínico, cuando es una enfermedad y no un estado anímico.

—Freud y Lacan hablaban del contexto melancólico del drogadicto. Viendo esta relación con los antidepresivos y las drogas, y cuando menciona que un 50 por ciento de las vulnerabilidades es de tipo genético, me pregunto si no hay una predisposición a la depresión en las personas que tienen mayor vulnerabilidad hacia las drogas.

—Si tiene una vulnerabilidad hacia la depresión, eso aumenta el riesgo del uso de las drogas. El cerebro está hecho para realizar conductas que nos hagan sentir mejor. Si está deprimido, los estímulos sociales normales no lo sacan de ese estado de apatía. Pero las drogas, por un rato, sí. Imagine ver un mundo en blanco y negro que de repente se vuelve de colores al tomar una droga.

—¿Quienes se drogan están autoprescribiéndose antidepresivos, o sea, se automedican con las drogas?

—Es así en un gran porcentaje. Particularmente importante es reconocer esto en los adolescentes, donde hacer un diagnóstico de depresión es más difícil que en un adulto. Un mensaje para la psiquiatría, que siempre ha relegado el problema de las drogas, es que están perdiendo la oportunidad de realizar una intervención que les permita evitar un problema de enfermedad mental. El uso de drogas en la niñez o en la adolescencia debe alertar al psiquiatra de que existe una enfermedad psiquiátrica subyacente que lo lleva a consumir drogas.

—¿Se imagina un futuro en el que una significativa parte de la sociedad consuma antidepresivos de la misma manera en la que durante los años 50 se consumían cigarrillos?

—Vivimos en una sociedad sobremedicada. No sólo para la enfermedad, sino para sentirnos mejor. En EE.UU. hay 100 millones de prescripciones de vicodin al año. Y no es el único opiáceo. La cantidad de medicamentos que se producen y se prescriben en EE.UU. es gigante. Y estuvo aumentado durante los últimos treinta o cuarenta años. Lo que podemos pensar es que si esto no se controla va a seguir creciendo cada vez más.

—¿Hay alguna relación entre el sistema político y el uso de las drogas?

—Las drogas son parte de la civilización humana desde el inicio. Se ve en sistemas políticos totalmente diferentes.

—Dos perspectivas, consumidor-productor. En los países en vías de desarrollo el narcotráfico es un mecanismo de financiación ilegal de la política; en los países desarrollados, la droga cumple el papel de tranquilizador social, simplificadamente un político vende felicidad.

—Expectativa de felicidad.

—Los soldados norteamericanos en Irak están consumiendo Prozac. Esa expectativa de felicidad es una herramienta.

—El uso ahí es distinto porque los niveles de estrés en las condiciones de Irak no tienen nada que ver con nuestras vidas. Hubo mucho desajuste emocional en estas personas que son sometidas a situaciones de batallas tan intensas…

—Argentina padeció en 2001 el mayor default de la historia económica moderna. Nuestra sociedad vivió un shock enorme, prácticamente no hubo quien de la noche a la mañana no haya perdido un 70% de sus bienes. Al ver al Prozac como una herramienta en la guerra de Irak contra el estrés vale especular si no hubiera sido ideal para los políticos argentinos contar con Prozac para colocarlo en el agua corriente y hacer a los argentinos más soportable el estrés de esa situación tan extrema.

—Hay una diferencia en ese tipo de cambio social y económico, y es el concepto de que si le sucede a todo el mundo, se acepta mucho más una situación inaceptable. Si está aislado, funciona otra dinámica.

—Pero es una herramienta de guerra si un Estado beligerante cuenta con ella y el otro no.

—Absolutamente. Uno de los intereses de todas estas organizaciones de defensas es conseguir medicamentos que permitan mantenerse alerta sin tener que dormir, sin perjudicar el juicio o la percepción. La droga número uno en los EE.UU. es la marihuana pero de la segunda a la octava, son medicamentos. Es la industria farmacéutica y no los países en vías de desarrollo la que está promoviendo la mayor parte de las drogas que consumen los jóvenes en EE.UU.

—Antes de pasar a ese tema, ¿si EE.UU. hubiera contado con Prozac en Vietnam la guerra podría haber sido diferente?

—No habrían tomado heroína pero no hubiese sido otro el resultado. Esos medicamentos no son milagrosos.

—La decadencia de China durante el renacimiento europeo y su conquista por las potencias occidentales se apoyó en la difusión del opio entre los chinos para hacerlos dependientes e indolentes. ¿Serían posibles en el futuro nuevas conquistas utilizando las drogas para minar las fuerzas de algún país?

—Teóricamente, claro que es posible. Vuelva a una población adicta a las drogas y la destruye.

—El alcohol no produce el mismo efecto en las diferentes personas, sino que desinhibe la parte reprimida de cada uno: los muy serios se hacen alegres, los contenidos pueden transformarse en violentos, a otras personas las induce al llanto y la depresión. ¿Las drogas ilegales también revelan aspectos reprimidos de la personalidad?

—Todas las drogas, como toda experiencia nueva, revelan un aspecto nuevo del individuo. Se ve con el alcohol; hay gente que se vuelve muy taciturna y otra que se vuelve muy locuaz. Lo mismo con los estimulantes, puede haber gente que se ponga totalmente agresiva y paranoide y otra muy amigable.

—En los 60 fue muy común entre psiquiatras y psicólogos el uso de determinadas drogas, como el LSD, con fines experimentales. ¿Qué quedó de aquellas experiencias?

—Casi todo ese movimiento de la psiquiatría ha desaparecido en Estados Unidos. En John Hopkins están evaluando el uso del éxtasis para crear una experiencia vivencial de una gran intensidad, como una manera de darle inside en sus propios aspectos internos de reacción emocional. Esta estrategia ha sido criticada psiquiátricamente porque hay gente que es muy vulnerable y estas drogas que se utilizan, con las que se crea un cambio total de la percepción, pueden causar efectos muy duraderos dañinos para el individuo. Yo misma he recibido un par de propuestas para estudiar los aspectos potencialmente positivos del uso de estas drogas como elementos psicoterapéuticos. Lo mismo con el peyote, también hay interés, son drogas que se han utilizado para ceremonias por las mismas razones, porque crean un cambio de la percepción sensorial.

—El “uso recreativo” de las drogas o para la expansión de “las puertas de la percepción”, tal como las llamó el escritor Aldous Huxley. ¿Hay alguna posibilidad de considerar algunas drogas como un elemento de expansión de la recreación, que haya pasaje de ida y vuelta, o decididamente el pasaje es sólo de ida?

—Dar cocaína a alguien lo puede energizar, pero también le puede ocasionar un accidente cerebrovascular.

—¿Ud. probó alguna droga por el motivo que fuera?

—Nicotina y alcohol.

—Clinton en el pasado, luego Bush y ahora Obama confesaron que probaron drogas. ¿Cómo afecta a la sociedad ver que todos sus presidentes de los últimos veinte años confiesan haber probado droga?

—Me gustaría decirle que ayuda a la sociedad a rebatir el concepto de que si alguien prueba la droga está dañado, porque un gran porcentaje de los jóvenes son expuestos a las drogas. No es algo moral, es una situación social y cultural. Bush tuvo problemas más severos, pero qué bueno que Obama nunca cayó en ningún estado de adicción ni dependencia. Evidentemente, no tiene los factores genéticos, si no, no tendríamos un candidato con esa brillantez. Por el otro lado, alguien con muchos recursos materiales, la familia Bush, no lo protegió lo suficiente como para decirle que no a tomar alcohol. La drogadicción no discrimina y cualquier persona puede ser vulnerable.

—¿Cómo cambia el cerebro de un adicto? ¿Es correcto decir que produce un efecto de envejecimiento prematuro del cerebro?

—Ciertas drogas producen cambios similares a los del envejecimiento. El mensaje educativo a los jóvenes no es que en 15 años les va a dar cáncer, sino cuáles son los sistemas que envejecen con las drogas: los de la motivación del placer; los cambios que se ven en una persona de 25 años adicta son equivalentes a la manera de cómo se vería el cerebro de una persona de 60, 65 años.

—¿Qué sucede con la memoria?

—Al sistema de la memoria principalmente lo afectan el alcohol y la marihuana. La gente intoxicada con marihuana no puede aprender porque el hipocampo está completamente extorsionado por su uso. El hipocampo también tiene una gran concentración de sistemas inhibitorios, y el alcohol los activa. Genera problemas severos de memoria que pueden durar varias semanas, pero si no se consumen drogas, eventualmente, se puede recuperar, aunque no totalmente, en alguien que ha tomado alcohol por años.

—Si el envejecimiento deteriora la acción de la dopamina en el cerebro, ¿lo que descubre para curar la drogadicción sirve también para tratar los efectos no deseados de la vejez respecto de la dopamina?

—Sí. Estoy intentando convencer a la industria farmacológica de que no fabrique medicamentos contra la adicción a la cocaína, les pido que desarrollen drogas contra procesos afectados por la drogadicción. Uno de los procesos es el funcionamiento de la corteza frontal, que es una de las áreas donde la actividad disminuye cuando se envejece. Me interesa mucho la fabricación de medicamentos que puedan fortalecer esta corteza. Existen datos de que el cerebro es mucho más plástico de lo que se pensaba antiguamente; aun en la vida adulta, se pueden reforzar áreas que estén debilitadas, y ciertos medicamentos pueden acelerar este proceso de reforzamiento. Entonces esto, que ayudaría a una persona adicta, ayudaría a una persona anciana.

—¿Las mujeres mayores tienden a la depresión y los hombres mayores a la agresividad por trastornos dopamínicos o por otras cuestiones hormonales?

—La dopamina está involucrada en la depresión. Uno de los medicamentos antidepresivos va a los transportadores de la dopamina, no a los transportadores de la serotonina, como el Prozac. El estrógeno y la progesterona interactúan directamente con los receptores. En la mujer post menopáusica esos factores de regulación dopaminérgica no van a tener tanta influencia. No está claro actualmente por qué en la etapa post menopáusica el aumento de la depresión es mayor en las mujeres.

—¿Y la agresividad en el caso de los hombres?

—La testosterona se va para abajo como las hormonas en las mujeres. Pero los hombres tienen mayores reacciones amigdalinas que están relacionadas con la agresividad y la violencia. En un sistema social la corteza prefrontal le permite controlarlo; conforme va envejeciendo, el funcionamiento de la corteza prefrontal se va para abajo. Lo que en el pasado podía controlar muy bien, se pierde de control.

—¿Una persona con aversión al riesgo difícilmente tenga predisposición a ser adicto?

—Si le gustan las cosas riesgosas va a experimentar…

—Pero no quiere decir que se vuelva adicto.

—No. Experimenta, pero no tiene esos cambios neuroplásticos, entonces nunca se vuelve adicto. Por otro lado, tiene aversión a tomar drogas, pero va al doctor y le da un medicamento potencialmente adicto y tiene los genes para la neuroplasticidad: se vuelve adicto al medicamento. Puede entrarle por las dos maneras.

—¿Hay alguna relación psicosocial entre rock y drogas, o arte y droga, o el factor genético es el que predispone incluso para la elección de la profesión?

—Tenemos ideas del tipo de genes y proteínas que están produciendo esa vulnerabilidad pero aún no sabemos cuáles son los genes de la predisposición. Depende del medio en el que se mueve: si es más aceptado o no, determina una mayor probabilidad de tomar drogas. En los medios artísticos es mucho más aceptado que en el medio de los abogados o de religiosos. Me puede decir que aquella persona que tomó la religiosidad era distinta también, y eso es correcto. Pero también hay sistemas sociales donde se promueve. Hay médicos con muchísimo más riesgo de tomar drogas, no por su personalidad, sino por el ambiente en el que están. Los anestesiólogos, los médicos de salas de emergencia, donde el acceso a los medicamentos es muy fácil, pero no es que sus personalidades sean diferentes. Cualquier persona puede ser vulnerable a la adicción. La idea de que porque una persona es estudiosa, no le gustan los riesgos no va a volverse adicta, no es el caso. George Bush y Obama son dos casos de personalidades totalmente distintas; uno no se volvió adicto, el otro, probablemente, tenía un síndrome de dependencia.

—La Argentina tiene al mayor ídolo musical y ha tenido al mayor ídolo deportivo con tratamiento de rehabilitación por consumo de drogas. ¿Qué es lo que se utiliza actualmente en los EE.UU. para tratar a los adictos?

—Depende de la droga, de la edad y de la historia del paciente. Primero, la adicción es una enfermedad crónica, entonces el relapso es parte del proceso. Es muy difícil encontrar a alguien que tenga una adicción severa, que se lo ingrese en un tratamiento y que no recaiga. El nivel de recaída en la adicción es de 70 por ciento. En la heroína tenemos medicamentos muy poderosos, el que más se conoce es la metadona, pero hay un medicamento que tiene mejores propiedades, más caro, que es la buprenofina. No todos responden, pero la probabilidad de recuperación es muy alta. El tratamiento debe considerarse crónico, no es una rehabilitación de dos o tres meses y ya está curado. Es tratamiento, no curación.

—¿Pronto van a estar listas dos vacunas contra la nicotina y varios años después otra contra la cocaína?

—Estamos promoviendo investigación en la vacuna de la nicotina. Científicamente, existe la posibilidad, pero decir cuándo la voy a tener depende de la cantidad de recursos económicos que se inviertan.

—¿La solución a los problemas de drogadicción vendrá de la ciencia?

—La drogadicción tiene un componente social que condiciona tanto que pensar que un medicamento va a ser suficiente creo que es muy simplista. Los medicamentos van a ayudar a aumentar la probabilidad de que la gente pueda dejar de tomar drogas. Es como el tratamiento de la depresión; se pueden dar medicamentos antidepresivos, pero la intervención psicoterapéutica aumenta enormemente las chances.

—¿Así como una vacuna libró al mundo de la poliomielitis, se podrá decir lo mismo con la cocaína en el futuro?

—Se libera la vacuna contra el polio y después tenemos el VIH, desarrollo una vacuna contra la cocaína, tengo la anfetamina. Si no quiero que mi hijo tome cocaína o nicotina, vamos a darle la vacuna. Entonces el que quiere drogarse no consume nicótica, consume algo más peligroso.

—Suele decirse que las drogas ocupan un lugar necesario porque la vida, sin algún tipo de estimulante, es insoportable. ¿Puede decirse entonces que es intrínseco al ser humano y a todas las épocas?

—Es posible, teóricamente, tener una civilización sin drogas. La probabilidad de que eso ocurra es muy baja dada la fuerza que tienen en motivar, pero podría serlo porque hay pequeños grupos donde nunca ha existido la droga, donde no se necesita para la supervivencia.

—Ud. experimentó con la droga que se prescribe para el trastorno de déficit de atención con hiperactividad que afecta del 3 al 7% de los niños, el metilfenidato (Ritanil), que tiene efectos similares pero más potentes que los de la cafeína, y similares, pero menos potentes, que los de las anfetaminas. Ud. dijo que tiene el efecto notable de disminuir el comportamiento impulsivo y mejorar la atención en las personas con ADHD, especialmente en los niños, ayudándolos a concentrarse. Pero el abuso de metilfenidato por sus efectos estimulantes (supresión del apetito y del sueño, aumento de atención/concentración y euforia) puede producir efectos similares a los de la cocaína. ¿Es cierto que utilizó metilfenidato como sustituto de la cocaína en algunos experimentos?

—La utilicé para comparar la respuesta del cerebro de una persona adicta a la cocaína y la de una persona no adicta a la cocaína.

—¿No es sustitutivo, no produce efectos similares?

—En la mayor parte de los adictos a la cocaína produce un efecto similar. Euforia. En los que no son adictos las respuestas son muy variadas. A la mitad de la gente les molesta mucho la manera en que los hace sentir, fuera de control. Un porcentaje de individuos no adictos a las drogas responde al metilfenidato como algo placentero. Estaba estudiando cocainómanos a los cuales les estaba dando metilfenidato intravenoso, y excepto por un caso de un paciente que tuvo una respuesta de mucha angustia, a todos los cocainómanos les ha gustado muchísimo la sensación, la describen como muy similar a la cocaína, excepto que los efectos físicos de taquicardia son mucho más duraderos.

—El organismo que usted dirige dedica el 30% de sus recursos al VIH por el contagio que genera el uso de jeringas. Pero, ¿cuál es la relación intrínseca entre drogas y sexo? El alcohol desinhibe, la metanfetamina y la cocaína aumentan el deseo sexual.

—Tiene muchísimos aspectos. El alcohol desinhibe, aumenta las interacciones sociales. Shakespeare decía: “It provokes the desire, but it takes away the performance”.

—Dos copas aumentan el deseo. Diez lo destruyen.

—Pero la heroína quita completamente el deseo sexual. Como con el alcohol, una dosis pequeña de cocaína aumenta el deseo sexual, pero si cae en uno de esos binyes, forget about it. La metanfetamina se utiliza en forma oral para aumentar el deseo sexual, y la utilizan también cuando van a estas fiestas donde van a tener muchas relaciones anónimas de alto riesgo, y la combinan con Viagra porque puede disminuir la performance. También existe el uso de la droga acondicionada con el sexo o el sexo acondicionado con la droga.

—Tanto Freud como Lacan describían a la droga como un autoerotismo. En los casos que recién mencionó, es la droga en sí misma el placer final, todo lo demás es irrelevante. ¿Existe el orgasmo farmacológico?

—Existe. Cuando alguien adicto a la heroína está destoxificándose puede tener un orgasmo, pero no es placentero. Cuando una persona está compulsivamente tomando cocaína y le pregunta por qué, dice: “No sé, ya ni siquiera es placentera, no puedo dejar de hacerlo”. El placer es lo que seduce, pero sólo en la primera parte, después se vuelve compulsivo, el placer es irrelevante.

—En términos freudianos, la diferencia entre deseo y goce.

—No solamente, si como algo placentero es distinto el placer que siento en la primera porción que luego de varias.

—Esa es la ley de la utilidad marginal decreciente: el valor del primer vaso de agua en el desierto por el que se da todo y el último, que sólo lo toma si le pagan por hacerlo. Pero mi pregunta es psicológica: si el adicto es aquél que no se puede saciar porque no puede gozar.

—Se vuelve inflexible. Se pensó mucho tiempo que el adicto tenía mayor placer con la droga; yo hice el estudio, y no. Le da la droga y el valor es mucho menor que en las personas que no son adictas, pero desea algo insaciable de esa compulsividad. Hay inflexibilidad porque el área del cerebro que le permite cambiar está dañada.

—Freud asociaba la droga a la teta, al autoerotismo como una falta de destete, y su visión era que el sexo maduro se alcanzaba en la etapa genital, no en la oral ni en la anal.

—Cuando se es niño o adolescente esa área el cerebro que permite controlar está mucho menos desarrollada. Pero cuando se es niño o adolescente se tiene mucha mayor sensibilidad a todos los estímulos ambientales, y el drogadicto tiene una disminución a la sensibilidad de los factores placenteros, entonces hay aspectos similares y otros muy distintos. En los escritos de alguien que ha tenido problemas de drogas, se ve que se quedan en la etapa de cuando han comenzado a consumir las drogas, porque toda su vida se ve concentrada en los rituales de conseguirla, nunca se exponen a todo el desarrollo que es necesario. Creo que el uso de la droga en la mayor parte de los casos tiene una iniciación como una interacción de grupo, los jóvenes expuestos por otros jóvenes.

—Ud. sostuvo que la adicción al tabaquismo aumenta en personas con trastornos mentales. Por ejemplo, mencionó que el 85% de los pacientes esquizofrénicos fuma cigarrillos o usa drogas. ¿Las drogas mitigan los síntomas de su patología?

—El 90 por ciento de los esquizofrénicos fuma cigarrillos y un gran porcentaje usa drogas. Fuman en parte porque aumenta su capacidad de filtración sensorial. Tenemos una limitación temporal en la capacidad de procesar estímulos. El esquizofrénico no lo tiene, y al fumar cigarrillos ve el estímulo y lo normaliza. Esto permite cognitivamente funcionar mucho mejor.

—Antes de acumular su larga experiencia en EE.UU. Ud. pasó por el Hospital Psiquiátrico Sainte Anne de París, el mismo donde Lacan hizo su residencia y escribió su tesis de doctorado sobre la paranoia. Leí que en los comienzos de su carrera Ud. comenzó a experimentar con neuroimágenes investigando la esquizofrenia. ¿Le habría gustado ser una psiquiatra al estilo de Lacan o Freud?

—Me encantan los aspectos teóricos y leer a Freud, me encantó cuando estaba en el hospital psiquiátrico, ir a las lecturas de Lacan y la psiquiatría clínica y psicoanalítica, y todavía me interesa muchísimo, pero como médico, como psiquiatra, como científico, para mí la oportunidad de poder ver dentro del cerebro humano es extraordinaria, y no la cambiaría por nada.

—¿Sería una exageración decir que en EE.UU. Freud y Lacan no son considerados ciencia sino religión?

—Hay gente que tiene un gran respeto por la habilidad de Freud de sintetizar conceptos tan avanzados cuando no existía la información. Por ejemplo, el concepto de la conciencia y la inconciencia. Actualmente sabemos que es a través de la imagenología que nuestros procesos inconscientes se permeabilizan en nuestras decisiones sin darnos cuenta de que está pasado. Hay mucho respeto de cierta gente, pero hay otros que dicen que es literatura o religión. El problema es que algunos han tomado sus escritos como una biblia, y no es culpa de Freud; es culpa de quienes toman literalmente lo que dijo a principios del siglo pasado como si no hubiera habido conocimientos nuevos en estos cien años.

—Ud. está en el país con mayor cantidad de psicoanalistas per cápita del mundo. ¿Qué piensa del psicoanálisis?

—Veo a Freud como un neurocientífico sin las técnicas pero con una gran comprensión y una capacidad analítica extraordinaria. Hay gente en el campo psicoanalítico que mantiene esta rigurosidad intelectual de pensamiento. Con lo que yo no estoy de acuerdo es con seguir las técnicas que se usaban cien años antes.

—Dedicó su vida a estudiar el cerebro humano, ¿en qué porcentaje conoce a los seres humanos más que antes?

—Aprendí que a pesar de que como seres humanos queremos sentir que estamos tomando decisiones con nuestras partes cognitivas del cerebro y del raciocinio, lo que resulta de nuestras acciones es mucho más inconsciente con asociaciones mucho más afectivas que la parte cognitiva. Al entrar en el mundo de las drogas, eso se hace más evidente.

—Somos mucho menos racionales de lo que creemos.

—Mucho menos. Pusieron en un estudio de imágenes a republicanos y demócratas, y les presentaban un anuncio de un republicano o un demócrata. Si era demócrata y le ponían un aviso demócrata, se le activaba el sistema límbico; si era un aviso republicano, su corteza prefrontal se activaba inmediatamente. Cuando oigo al candidato con el que me identifico, existe esta reacción emocional de calor humano, hasta de querer abrazarlo, una reacción emotiva. En cambio, me ponen al otro, e inmediatamente toda mi capacidad intelectual se va a destruir los argumentos. No entro a destruir los argumentos de la persona con la que estoy acondicionada; acondicionamiento positivo para éste y se me activa el sistema límbico; tengo un elemento de acondicionamiento negativo con el otro y se me activa el sistema cognitivo.

—Schopenhauer especialmente y Nietzsche, desde la filosofía, pusieron a la voluntad como la condición esencial de la vida. Sabiendo que la adicción se caracteriza por la pérdida de la voluntad y el libre albedrío, ¿qué reflexión filosófica le dejaron sus estudios sobre el cerebro?

—Lo veo desde la perspectiva de la libertad. La libertad tiene sentido cuando se tiene posibilidad de elección. He aprendido sin embargo que lo que es libre albedrío no es algo fijo, y que en ciertos momentos de la vida el control sobre ella no va a ser tan fuerte. Creo que si todos somos honestos podemos evaluarnos en momentos en que hemos perdido el control en cierto nivel.

—El derecho comprende esa situación en los estados de emoción violenta.

—Cuando las emociones son muy intensas, como puede suceder con un adicto a las drogas, la corteza frontal se desconecta porque se genera el mecanismo de... flight, entonces la corteza en esa circunstancia se vuelve negativa para tu supervivencia.

—Ud. conduce un organismo del país en que más severamente se responsabiliza a las personas por sus elecciones equivocadas.

—Se lo puedo llevar al extremo de cómo nuestros genes determinan nuestra responsabilidad y nuestra conducta. Hace siete años se hicieron unos experimentos con animales. Hay dos especies que son básicamente similares, excepto que una es monogámica y la otro poligámica: la diferencia es un gen que tiene que ver con la oxitocina. A los animales monogámicos se les cambia el gen y se vuelven poligámicos, y viceversa. No es algo moral, es algo biológico.

—¿Algo que no le haya preguntado que quiera transmitir a los argentinos?

—Que la adicción es una enfermedad del cerebro y que desgraciadamente las áreas del cerebro que están afectadas son áreas que influyen en nuestra capacidad de libre albedrío. De ahí que a veces las personas que consumen drogas tengan conductas que parecen tan estúpidas y con consecuencias tan graves que no tienen ningún sentido, porque la manera en que ellos están tomando decisiones es muy distinta a cómo sería si esas áreas estuvieran funcionando apropiadamente. La adicción a las drogas no se cura, pero se puede tratar y el pronóstico permite a la persona recuperarse básicamente con un tratamiento adecuado.

—Una mirada optimista.

—Absolutamente.

Obrigado ao Daniel Oiticica pela indicação.