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segunda-feira, 9 de julho de 2012

MACONHA & CERVEJA

Pequena ilha do Pacífico é ‘maior consumidora de maconha e cerveja’

Richard Knight
BBC News

Um pequeno grupo de ilhas do Pacífico com a população de uma cidade pequena foi considerado o país com o consumo mais alto de cerveja e maconha. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2012 da ONU, publicado em junho, diz que a nação com o nível mais alto de uso de maconha entre adultos é Palau.

O país diminuto que é parte da Micronésia, no oeste do oceano Pacífico, abriga somente 21 mil pessoas. Mas lá, um quarto dos adultos consome a substância. Os palauanos não só estão à frente de todo o mundo com o número, como lideram com uma margem expressiva. O segundo país da lista é a Itália, onde – segundo o relatório – cerca de 15% dos adultos usam a droga.

Se a ideia de que Palau é uma espécie de retiro hedonista soa familiar, pode ser porque a ilha já esteve no topo de uma tabela da Organização Mundial de Saúde em 2011, que examinava outro vício. De acordo com o relatório global sobre álcool e saúde da OMS, os palauanos bebem mais cerveja per capita do que qualquer outro país do mundo.

Dados intrigantes

Mas o que acontece com Palau? Vamos observar primeiro as estatísticas da bebida. O relatório da OMS foi publicado em 2011, mas contém dados de 2005.

Maiores consumidores de cerveja* 1º - Palau - 8,68 2º - República Tcheca - 8,51 3º - Seycheles - 7,15 4º - República da Irlanda - 7,04 5º - Lituânia - 5,60 • Litros consumidos per capita por pessoas de mais de 15 anos • Fonte: Relatório Global da OMS sobre álcool e saúde, 2011

Isso é importante porque, por alguma razão, os palauanos parecem ter bebido mais naquele ano. Em outros anos, eles caem algumas posições na tabela. Mas o mais importante é que, apesar de beberem muita cerveja, os habitantes de Palau não bebem muito mais de nada.

Quando se olha para o total de álcool consumido – ao invés de só cerveja – Palau cai para o 42º lugar de 188. Nessa lista, é a República Tcheca que tem a honra dúbia de estar no topo. Os dados da ONU de 2012 sobre Palau são ainda mais problemáticos do que os da OMS.

Maiores consumidores de maconha*

1º – Palau – 24,2%
2º – Itália – 14,6%
3º – Nova Zelândia – 14,6%
4º – Nigéria – 14,3%
5º – EUA – 14,1% • Prevalência de uso em percentual da população de 15 a 64 anos

• Fonte: Relatório Mundial sobre Drogas da ONU, 2012


Os autores do relatório não conseguiram obter dados sobre adultos na pesquisa em Palau. Então eles usaram uma pesquisa sobre uso de maconha entre alunos da rede pública e extrapolaram estes resultados para estimar um dado sobre a população adulta.

Há somente uma escola pública em Palau, com 742 estudantes. Os autores da pesquisa calcularam que cerca de 60% dos 565 estudantes que responderam a pesquisa haviam usado maconha pelo menos uma vez e quase 40% disseram que haviam usado no mês anterior.

Para comparar, uma pesquisa semelhante com estudantes norte-americanos descobriu que 23% deles diziam ter usado maconha no mês anterior. Mas apesar de os números da escola palauana serem impressionantes, a amostra é realmente pequena e pouco representativa da população como um todo (espera-se que os adolescentes de Palau fumem mais maconha do que seus pais de meia-idade).

Margem de erro

O diretor do Ministério da Educação de Palau, Emery Wenty, simplesmente não acredita nos dados da ONU.

– Palau é uma ilha muito pequena. Se o uso de maconha é tão prevalente quanto diz a ONU, você veria e sentiria o cheiro em todos os lugares. Mas isso não acontece. Conhecemos quase todo mundo. É inconcebível que um quarto da população fume maconha – diz.

Wenty admite que o consumo da droga pode ser um problema na escola, mas diz que há cerca de 500 outros jovens em Palau estudando em escolas privadas – a maioria religiosas.

República de Palau 

Área: 508 km² de mais de 200 ilhas vulcânicas e de corais 
Capital: Melekeok 
Política: Tornou-se independente em 1994, depois de ser administrada pelos EUA 
Presidente: Johnson Toribiong 
Economia: Dependente do turismo e de ajuda financeira norte-americana.

Angela Me, uma estatística da ONU que trabalha no Relatório Mundial sobre Drogas, aceita algumas das críticas de Wenty. Há um problema especial, segundo ela, com a coleta de dados em populações muito pequenas, porque um pequeno número de pessoas mudando de comportamento pode provocar uma mudança drástica nas estatísticas.

No entanto, ela afirma que os dados o relatório, sejam quais forem suas deficiências, sugerem que há uma prevalência relativamente alta de uso de drogas em algumas nações insulares do Pacífico.

– Vamos ter uma reunião sobre as ilhas do Pacífico. Queremos coletar mais informação e reduzir a margem de erro – diz.

Talvez seja prudente esperar até que a ONU complete sua coleta de dados antes de concluir que a pequena Palau é realmente a capital mundial do consumo de cerveja e maconha.



sábado, 14 de janeiro de 2012

Maconha é menos danosa para o pulmão comparada ao tabaco


Um estudo longitudinal envolvendo mais de 5.000 americanos adultos acompanhados por mais de 20 anos sugeriu que o consumo baixo e moderado de maconha é menos danoso aos pulmões do que a exposição ao tabaco.

O estudo foi realizado pela Universidade da Califórnia São Francisco e Universidade do Alabama at Birmingham.

Enquanto os resultados sobre a exposição ao tabaco produziu perda de função pulmonar, como era esperado, em relação a maconha, os pesquisadores encontraram resultados com padrões diferentes. Verificaram que o uso leve e ocasional de maconha não estaria relacionado a consequências adversas na função pulmonar.

Mark Pletcher, o principal autor do estudo, relata que um fator importante para a explicação destes resultados é que tipicamente um usuário de tabaco fuma muitos cigarros por dia, enquanto um usuário típico de maconha pode consumir poucas vezes por mês. Por outro lado o estudo também verificou declínio da função pulmonar com uso intenso de maconha ao longo dos anos.

Os pesquisadores consideram que este resultado pode contribuir para o corpo crescente de conhecimento sobre o uso baixo a moderado de maconha para controle da dor, estimular apetite, elevar o humor e em lidar com outros sintomar crônicos.

O estudo foi publicado no Journal of American Medical Association (JAMA) e a UFSC divulgou uma entrevista com o Mark Pletcher.

 Fonte: Psicologia - RedePsi 

Fonte da imagem AQUI

sábado, 8 de outubro de 2011

Cafés holandeses enfrentam novas restrições à venda de cannabis


AMSTERDAM, 8 de outubro (Reuters) - Os cafés da Holanda ficaram sem saber como cumprir as restrições anunciadas pelo governo holandês, sobre a venda de cannabis "forte", dizendo que a vigilância seria difícil por causa das leis sobre a produção.


A Holanda é famosa por suas políticas liberais em relação às drogas consideradas "suaves". Um cidadão holandês pode cultivar até cinco pés de cannabis em casa para o seu uso pessoal, mas a produção em larga escala e o seu transporte são considerados um crime.

Na sexta-feira, o governo de coalizão disse que está tentando proibir o que são considerados tipos muito potentes de cannabis, conhecidos como "skunk" - colocando-a na mesma categoria de drogas mais "pesadas", como a heroína e a cocaína.

Mas a indústria disse que as diretrizes não eram bastante claras.

"Os produtores comerciais da cannabis, já estão infringindo a lei, então de que forma a fiscalização pode ser considerada legal? O que os cafés precisam fazer, não ficou claro", disse Maurice Veldan, um advogado da Associação Varejista de cannabis, que representa os cafés na Justiça.

Uma pioneira das políticas liberais para drogas, a Holanda tem voltado atrás na sua tolerância, nos últimos anos, anunciando planos, em maio, de proibir a presença de turistas nos cafés, que são atrações populares em cidades como Amsterdã.

O governo disse que agora vai proibir a venda de cannabis, cuja concentração de THC, considerada a principal substância psicoativa, exceder 15 por cento.

A concentração média de THC na cannabis vendida nos cafés holandeses está entre 16 e 18 por cento, de acordo com o Trimbos Institute.

"Tudo isso vai fazer com que as pessoas fumem mais e eu vou vender mais. Mas, como costumava ser com o tabaco, isso vai prejudicar ainda mais a saúde delas," disse Marc Josemans, que é dono de um café na cidade de Maastricht.

O governo holandês, que a dosagem alta de THC é prejudicial à saúde mental, especialmente quando consumida por jovens, e o que está tentando fazer é enviar um sinal claro de que a cannabis forte representa um risco inaceitável, para os usuários.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Cannabis atua no alívio da ansiedade provocada por trauma


Pesquisa do Laboratório de Psicofarmacologia, da Universidade Federal de Santa Catarina


Pesquisadores do Laboratório de Psicofarmacologia, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), descobriram que o canabidiol, um dos mais de 80 constituintes da Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, pode ajudar pessoas com ansiedade provocada por experiência traumática.

Os estudos foram realizados com animais que receberam um choque moderado nas patas, simulando uma situação traumática. Quando expostos ao ambiente onde aconteceu o trauma, os animais expressam reações como medo, caracterizada por imobilidade ou “congelamento”.

Quanto maior o tempo de congelamento, maior a intensidade do medo provocada pela lembrança. Essa sensação é a mesma experimentada por uma pessoa que, por exemplo, foi assaltada em determinada rua e sente medo ao passar por ela de novo.

O tratamento para essa condição consiste na exposição repetitiva ao ambiente de trauma, para que a pessoa se adapte novamente a ele, processo chamado de condicionamento. "Os principais resultados de nossos estudos demonstraram que o canabidiol facilita esse processo de reaprendizado emocional, tornando a exposição terapêutica muito mais eficiente e com efeitos prolongados", explica Reinaldo Takahashi, autor da pesquisa.

Segundo o pesquisador, o canabidiol poderia ser associado a tratamentos psicológicos, ajudando a atenuar os traumas. A sustância reduziu a ansiedade dos animas durante o processo de condicionamento, funcionando como um ansiolítico.

Autor: Assessoria de Comunicação
Fonte: Bibliomed

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Maconha pode reduzir crescimento do câncer de mama

Os componentes ativos da maconha e seus derivados poderiam reduzir o crescimento do câncer de mama e a aparição de metástases, constata uma equipe de cientistas espanhóis que testou os efeitos desta droga em ratos.

Em comunicado, os pesquisadores da UAM (Universidade Autônoma de Madri), a Universidade Complutense de Madri e o Centro Nacional de Biotecnologia destacaram nesta segunda-feira que os "cannabinoides" podem deter e acabar com as células derivadas de tumores de mama.

Essa descoberta acaba de ser publicada na revista "Cancer Cell", na qual os cientistas explicam que a pesquisa foi realizada com ratos afetados pelo modelo genético de câncer de mama MMTVneu.

Estes animais, segundo a UAM, geram de forma espontânea tumores de mama que posteriormente são transferidos por metástase ao pulmão, porque expressam elevados níveis de uma proteína chamada "oncogene ErbB2", também presente nos humanos que sofrem deste tipo de câncer.

Os pesquisadores indicaram que a propriedade antitumoral desses elementos parece vir dada pelo receptor de cannabinoides CB2, enquanto os efeitos psicotrópicos associados a esta droga se devem fundamentalmente ao receptor CB1, que é --nas palavras dos especialistas-- "o que se expressa predominantemente no sistema nervoso".

Autor: BBC Brasil 
Via: SisSaúde 

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Califórnia estreia hotel pró cannabis em ano decisivo para legalizar a droga


Los Angeles (EUA), 22 abr (EFE).- Os ativistas a favor da legalização da maconha na Califórnia inauguraram um hotel em Los Angeles onde os consumidores podem fumar cannabis sem se esconder, em mais um passo rumo à normalização do uso da substância.

No final do ano a Califórnia pode se transformar no primeiro estado do país a autorizar a maconha para consumidores maiores de 21 anos e assim equiparar legalmente esta droga ao álcool e ao tabaco.

A mesma iniciativa levou Dennis Perón, um dos estandartes da campanha pela legalização da cannabis, a restaurar um hotel no centro de Los Angeles e transformá-lo no único dos EUA tolerante com o uso da maconha.

A reabertura do estabelecimento aconteceu na noite de terça-feira, coincidindo com a realização do dia mundial da maconha, um dia de festa para os consumidores da substância, que nos próximos meses buscarão convencer os eleitores a despenalizar o hábito.

Em março as autoridades californianas informaram que a iniciativa, chamada "Cannabis Act", tinha obtido as assinaturas suficientes para ser votada em plebiscito, coincidindo com as eleições para governador do dia 2 de novembro.

A iniciativa quer estabelecer um limite legal de posse da droga de 30 gramas por pessoa e permitir o cultivo privado das plantas sempre que a parcela não supere os 2,3 metros quadrados.

Os defensores da proposta apóiam seu discurso nos benefícios terapêuticos da cannabis, argumentam que a planta tem nível de dependência inferior ao tabaco e ao álcool e, sobretudo, a legalização suporia uma importante fonte de renda para os maltratados cofres públicos do estado.

Estima-se que a Califórnia arrecadou mais de US$ 1,3 bilhão ao ano em impostos derivados da comercialização desta substância.

Uma enquete realizada há um ano pelo Oakland EMC Research indicava que 54% dos californianos era propícios a autorizar a maconha, uma percentagem que serviria para validar o "Cannabis Act", mas que não garante a vitória dessa proposta no pleito.

A oposição à legalização da maconha é muito maior no contexto geral do país, onde uma pesquisa publicada esta semana indicava que 55% dos cidadãos rejeitam transformar a maconha em um produto de consumo em massa, uma postura que tem especial aceitação entre as mulheres e os eleitores republicanos.

No caso da "Cannabis Act" sair adiante, a iniciativa entraria em conflito com as leis federais, que proíbem a venda de maconha.

Atualmente, a Califórnia é um dos 14 estados dos Estados Unidos que admitem a maconha para uso médico, uma lista à poderia se unir Dakota do Sul em breve.

Outros dois Estados do Oeste pretendem debater a legalização dessa droga.

Em Washington há uma campanha para submeter a votação em novembro o uso livre da cannabis em adultos e em Nevada há uma proposta para permitir a venda legal de maconha em estabelecimentos autorizados, embora ela não fosse entrar em vigor antes de 2012.

St. Gallen introduz limite para plantação de maconha


Pessoas que cultivam dez ou mais pés de cannabis sativa devem se registrar junto às autoridades.

É tudo uma questão de medida, inclusive também para a maconha, uma planta cultivada há séculos devido à sua utilidade e capacidades terapêuticas. Porém, segundo a Lei de Narcóticos de 1951, quando ela contém mais de 0,3% de uma substância chamada tetraidrocanabinol, também conhecida como THC, sua utilização é ilegal.

Pessoas que plantavam cannabis sativa "reforçada", ou seja, a maconha com um grau de THC mais elevado do que o permitido, podiam até então se desculpar, afirmando que suas plantas não estavam destinadas ao fumo ou não saber da sua proibição.

Fim da brecha legal

Isso acabou, pelo menos no cantão de St. Gallen. "Com o registro obrigatório, o agricultor tem de provar a utilização legal da maconha cultivada, o que facilitará bastante o nosso trabalho", declara o promotor Thomas Hansjakob à swissinfo.ch. "Graças a esse dispositivo, o registro obrigatório, já podemos confiscar e destruir plantas de cannabis sativa sem a necessidade de provar que ela é um narcótico", explica.

O registro obrigatório foi incluído na nova Lei de Saúde do cantão. Ela entrou em vigor no início do ano.

Até então, a necessidade de prova era contrária. As autoridades precisavam documentar que o agricultor estava plantando a maconha com fins ilegais, o que, segundo Hansjakob, era algo em parte difícil.

Pagamentos diretos para plantações de maconha

Já para os agricultores que plantavam cannabis sativa com baixos índices de THC, ou seja, dentro da legalidade, as novas regras não trazem mudanças. "Quem se ocupava de espécies liberadas, já havia registrado no passado as plantas para poder receber subvenções", acrescenta Hansjakob. Apenas o formulário se tornou mais detalhado.

O cantão de St. Gallen não é o único a procurar combater as plantações ilegais de maconha através de registros obrigatórios. Estes existem também nos cantões da Turgóvia, Basiléia campo, Grisões e Lucerna. O governo cantonal de Berna recusou-se implementar uma proibição em 2008.

Plantações em estufa

Segundo as autoridades, nos últimos anos houve um crescimento considerável de plantações de cannabis sativa para a produção de entorpecentes. A maconha como droga leva não é, porém, cultivada ao ar livre, mas sim em estufas no sistema "indoor", ou seja, interno.

Graças à iluminação intensiva e adubos, as flores femininas não fecundadas da maconha têm uma concentração de THC de 20% ou mais.

Renat Künzi, swissinfo.ch
(Adaptação: Alexander Thoele)

Leia o texto completo AQUI.

domingo, 16 de novembro de 2008

Cáñamo Now


Por Santiago O’Donnell, para Página/12

Empujado por la crisis económica, el debate sobre la despenalización de la marihuana llegó al tope de la agenda cultural de los Estados Unidos. En las elecciones del 4 de noviembre, nueve de diez iniciativas para despenalizar su tenencia o su uso terapéutico fueron aprobadas en distintos estados de ese país.

Pero a diferencia de lo que sucede acá, en Estados Unidos la discusión no se limita a los aspectos médicos y criminalísticos que giran alrededor de la planta de marihuana, también llamada cáñamo.

Allá, en los últimos meses, el debate ha sido impulsado por aspectos económicos de candente actualidad, como la crisis de la industria automotriz, la caída en el precio de los commodities, los problemas de las economías regionales, la producción de energía alternativa y las relaciones comerciales con los países vecinos.

Todos esos temas atraviesan un juicio iniciado en junio del año pasado por dos granjeros en el estado de Dakota del Norte, que se ha convertido en un caso testigo para los defensores de la planta en Estados Unidos.

Los demandantes Wayne Hauge y Dave Monson no son dos hippies, sino más bien lo contrario. Monson, además de granjero, es un representante estadual por el Partido Republicano y vicepresidente de la legislatura de Dakota del Norte.

Los granjeros cuentan con el apoyo del gobernador republicano John Hoeven. También de la legislatura de Dakota del Norte, que en 1999 aprobó una ley que autoriza la plantación de cáñamo. Cuentan además con el aval del Departamento de Agricultura del estado, que en el 2006 completó su proceso para otorgar licencias, y a principios del año pasado extendió las primeras dos a los granjeros en cuestión.

También los apoya, o más bien los patrocina, Vote Cáñamo (Vote Hemp), un grupo de lobby en Washington D.C., que lleva gastados más de cien mil dólares en este caso.

El juicio es contra la DEA, la agencia federal antinarcóticos, que no reconoce las licencias y prohíbe terminantemente la plantación de cáñamo en todo el territorio norteamericano.

La semana pasada, tres días después de la noticia del pasaje de las distintas iniciativas pro marihuana, los granjeros ofrecieron una conferencia de prensa en el estudio de sus abogados en Bismark, la capital de Dakota del Norte. Como buenos republicanos, lo hicieron de riguroso traje y con una biblioteca jurídica como telón de fondo (foto). “Yo nunca fumé marihuana ni pienso hacerlo –dijo el granjero Hauge–. Yo quiero sembrarla por razones estrictamente económicas.”

A su turno, Monson dijo que el cáñamo es la cosecha ideal para rotar con el trigo y la avena que cosecha en su granja. Señaló que granjeros canadienses localizados a sólo 30 kilómetros de su propiedad están haciendo un gran negocio con la venta de fibras de cáñamo a las automotrices de Detroit, que las usan en los paneles de las puertas y como aislamiento en los asientos.

Y explicó que la variedad de cáñamo aprobada por el Departamento de Agricultura de Dakota del Norte no sirve para drogarse porque no contiene suficiente concentración de THC, la sustancia que produce el efecto narcótico. “El cáñamo (industrial) no tiene valor como droga”, apuntó el granjero.

El cáñamo sirve para fabricar una gran variedad de productos que se comercializan en Estados Unidos, desde sogas y telas hasta jabones y perfumes. La importación de semillas, aceites y fibras de cáñamo es legal, pero no así la producción de la planta.

Para la DEA, cualquier cultivo de cáñamo en suelo estadounidense es problemático. “El nivel de THC no importa. Si tiene THC, es ilegal”, dijo Garrison Courtney, vocero de la agencia, refiriéndose a la planta.

Sin embargo, los abogados de los granjeros aseguran que con el mismo criterio habría que prohibir las semillas de amapola que se utilizan en Estados Unidos para decorar pan, ya que contienen dosis ínfimas e imperceptibles para el organismo de opio, otra droga prohibida por la DEA. Los abogados también dijeron que el Departamento de Agricultura está en condiciones de monitorear las plantas de cáñamo para asegurarse de que no alcancen un límite de THC que sirva para la producción de droga.

Miles de negocios en Estados Unidos ya dependen de la importación de cáñamo y los expertos predicen un crecimiento mucho mayor si se legaliza la producción. “Yo creo que el mercado tiene un potencial explosivo”, dijo David Bronner, presidente de la firma Jabones Mágicos Bronner (Bronner’s Magic Soaps), de Escondido California. Citado en el periódico USA Today, el empresario dijo que gasta más de cien mil dólares por año en cáñamo canadiense para sus jabones, lociones y bálsamos.

Pero para usar cáñamo estadounidense, Bronner tendrá que esperar. En noviembre del año pasado una corte de Dakota del Norte falló en primera instancia en favor de la DEA. Los granjeros apelaron. La conferencia de prensa de la semana pasada fue para anunciar que habían presentado sus argumentos ante la Corte de Apelaciones.

“El juez no tendría que haber tomado una decisión sin escuchar testimonios sobre la diferencia entre el cáñamo industrial y la marihuana común –dijo Tim Pruden, el abogado de los granjeros–. Esperamos un fallo que diga que el cáñamo industrial no está sujeto a regulación de la DEA y que los granjeros pueden plantarlo sin ser acusados de un crimen.”

Claro que detrás del argumento jurídico aparece un razonamiento económico y por detrás, un planteo político. Por eso el abogado Purdon apeló al chauvinismo latente que siempre se manifiesta en tiempos de recesión.

“Es muy frustrante para nuestros granjeros mirar del otro lado de la frontera y ver cómo los granjeros canadienses producen cáñamo y viven de él”, se lamentó.

En las últimas semanas la caída en el precio del trigo ha castigado con particular dureza a los granjeros de Dakota del Norte, que por razones climáticas no tienen muchas opciones de cultivos.

La crisis también ha golpeado a las automotrices, que han sufrido pérdidas multimillonarias este año y que reducirían sus costos si pudieran abastecerse de cáñamo producido localmente. Pero hay más.

El paquete de reactivación que impulsa el presidente electo Barack Obama se basa en subsidios para el desarrollo de biocombustibles. El cáñamo es una fuente potencial de biocombustible. Al ser una especie muy adaptable puede plantarse en todo el país, aun en tierras agotadas o no aptas para otros cultivos. A diferencia del biocombustible en base a maíz que hoy se produce en Estados Unidos, el de cáñamo no afectaría la producción de alimentos.

Pero la versatilidad de la planta termina siendo el mayor obstáculo para su introducción masiva en el mercado norteamericano. En la industria médica, la droga THC no tiene sustituto como inductor de apetito para pacientes de cáncer. Las pastillas de THC que se venden en las farmacias se obtienen de plantaciones manejadas por el Departamento de Salud. El THC tiene otros usos medicinales, como bronquiodilatador e inhibidor de presión ocular, pero no ha sido aprobado para esos usos porque hay drogas alternativas que comercializan los grandes laboratorios.

Por su parte, el cáñamo industrial podría abastecer de materia prima local a varias industrias, no sólo la cosmética, la automotriz o la de biocombustibles.

Las prendas de cáñamo representan una amenaza para la industria del algodón, principal fuente de trabajo en las zonas rurales de Georgia y Alabama, acaso las más pobres del país. El cáñamo legal sería también un competidor durísimo para la industria maderera en la producción de papel y materiales de embalaje, ya que la planta crece rápido y no necesita tanto cuidado.

Pero la producción de materias primas es el eslabón más vulnerable en la cadena de valor, y por eso sus empresarios cuentan con fuertes protecciones y un gran poder de lobby a nivel federal.

Hasta ahora esos lobbies han tenido éxito suprimiendo el debate económico y han prevalecido los argumentos en favor del prohibicionismo, que apelan a la moral puritana de la ética protestante, pilar fundacional de la cultura estadounidense.

Pero los efectos del crac financiero, unidos a los aires de renovación que trajo Obama al movimiento de derechos civiles, amenazan con alterar esa ecuación. Las iniciativas aprobadas el 4 de noviembre son señales.

Las crisis siempre representan una oportunidad. Los granjeros republicanos de Dakota del Norte ya se dieron cuenta.

sodonnell@pagina12.com.ar

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Holanda proíbe tabaco em 'coffee shops' e preocupa usuários de maconha


Clívia Caracciolo
De Amersfoort, na Holanda, para a BBC Brasil

A lei antitabaco, que entra em vigor a partir desta terça-feira na Holanda, não irá excluir os famosos coffee shops – cafés que vendem maconha e haxixe e em que a compra e consumo das drogas também é permitido.

A nova legislação proíbe o fumo em cafés, bares e restaurantes e segue o exemplo de vários outros países europeus, que já adotaram a proibição.

Mas, na Holanda, a legislação, introduzida para proteger os não-fumantes, teve que ir mais longe por causa dos coffee shops.

De acordo com a nova legislação, os famosos joints – cigarros de maconha ou haxixe misturados com tabaco – só poderão ser consumidas em espaços internos reservados e isolados do restante do público nos coffee shops.

Os freqüentadores dos coffee shops, entretanto, poderão fumar cigarros de maconha pura, sem a mistura com o tabaco. Cigarros comuns só podem ser fumados do lado de fora dos estabelecimentos comerciais.

A permissão para o uso dessas cabines internas é a principal diferença da lei antitabaco holandesa com relação à de outros países europeus. Na Holanda, cigarros de maconha e haxixe não podem ser consumidos na rua - pelo menos oficialmente - e, por isso, a lei inclui a permissão para a construção dessas cabines isoladas.

A ofensiva antitabaco na Holanda vai ao encontro da orientação da União Européia, cujo comissário da Saúde, Markos Kyprianou, já expressou desejo de ver uma proibição total ao fumo de tabaco em locais públicos em toda a Europa em questão de poucos anos.

Comércio

Proprietários de coffee shops temem que a medida afete a freqüência dos estabelecimentos - tidos como importante atração turística na Holanda- já que a maioria dos clientes costuma fumar maconha e haxixe misturados com o tabaco.

O proprietário do coffee shop Pumpkin, em Amsterdã, Sigmund Laurent, diz que a droga pura é impossível de ser consumida porque "é muito pesada para o corpo, ninguém agüenta".

Segundo ele, a nova legislação irá mudar o perfil de seu estabelecimento comercial, já que os fregueses, que normalmente vão ao local para fumar seu joint, jogar xadrez, ouvir música e conversar.

"A partir de agora, vai se tornar apenas um centro de recolhimento do produto", disse Laurent.

Ele não tem espaço para construir uma cabine reservada, mas ainda assim calcula que não irá ter prejuízo financeiro porque o local é pequeno e sua clientela é fiel. Os clientes estão recebendo nota de esclarecimento com os detalhes da lei antitabaco.

Já o proprietário do coffee shop Trenchtown, em Amersfoort, investiu em uma cabine hermeticamente fechada com vidro duplo, para satisfazer sua freguesia fumante e a lei.

Dois terços do local estão dentro do "aquário" e os funcionários no balcão de atendimento são totalmente protegidos da fumaça, até mesmo para alcançar o banheiro.

Há dois meses, o proprietário do local começou com o "processo de educação" de sua clientela.

Segundo o gerente, "a tendência é que o movimento aumente ainda mais, já que o local será uma rara alternativa para quem deseja tomar um cafezinho acompanhado por um joint". Nos coffeeshops não são permitidas bebidas alcoólicas.

Adaptação

Muitos detalhes sobre a implantação da lei no país ficaram claros somente no final da semana passada. Isso porque a organização dos proprietários de hotéis, cafés e restaurantes (Horeca) abriu vários processos contra o governo para modificar algumas resoluções.

Há novas restrições para o uso de tabaco em barracas de campanha abertas ou fechadas, nos terraços, nos festivais culturais e artísticos, em danceterias, nas cantinas de ginásios de esporte entre outros casos específicos.

O que facilita a adoção da medida é que ela ocorre no verão. O calor e o tempo bom são essenciais para o sucesso da lei, assinala Angela Klarenbeek, proprietária do Jazz Café e Restaurante Lazy Louis, em Amersfoort.

"Dentro de três meses as pessoas já vão estar acostumadas a fumar lá fora e nem vão sentir a diferença".

Já o dono do restaurante Pallas Athenas, na região de Utrecht, Kostas Georgiadis, diz que vai esperar passar o verão para decidir se constrói ou não uma cabine para fumantes no andar superior de seu restaurante.

Festa

Organizações antitabagistas prevêem que a entrada da lei em vigor nesta terça-feira será marcada por grande movimentação nos bares, cafés, restaurantes e coffee shop.

Já os fumantes promovem, nesta segunda-feira, a "festa do cinzeiro", onde irão fumar seus últimos cigarros em ambiente fechado.

Uma enquete do instituto de pesquisa Nivel, a pedido do Ministério da Saúde e o Fundo para Asma, revelou que o setor de hotéis, cafés e restaurantes vai contar com 800 mil novos fregueses, entre pacientes asmáticos e de outras doenças respiratória e os não-fumantes.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Repórter obtém receita médica de maconha para 'ansiedade' na Califórnia


David Willis
Da BBC em Los Angeles

O consumo de maconha é proibido pelo governo federal nos Estados Unidos, mas a erva pode ser receitada para uso medicinal por pacientes sofrendo de doenças graves no Estado da Califórnia.

Os benefícios da cannabis para doentes com câncer, Aids, artrite, esclerose múltipla e outras condições debilitantes são amplamente documentados. Segundo os usuários, ela torna os sintomas mais suportáveis.

Estima-se que cerca de 250 mil californianos possuam receitas que os autorizam a consumir o que se entende como "maconha medicinal".

Mas não é preciso sofrer de doenças terminais para conseguir uma receita. Depois de fazer uma busca no site de pesquisas Google digitando as palavras "medicinal marijuana" e "Los Angeles", obtive uma longa lista de clínicas onde "pacientes qualificados" podem obter uma recomendação médica autorizando-os a usar maconha legalmente.

Uma das clínicas, o 420 Evaluation Centre, localizado em San Fernando Valley, um subúrbio de Los Angeles, oferecia um desconto de US$ 25 para novos pacientes. O termo 420 é uma gíria local para maconha.

Consulta

Marquei uma consulta. Ao chegar, paguei US$ 100 e preenchi um questionário com dados pessoais. Em uma seção do questionário, respondi perguntas sobre minha condição.

De acordo com as regras, o paciente deve estar sofrendo de doenças graves ou sentindo dor crônica para se qualificar. O melhor que pude imaginar foi escrever que sofro de ansiedade. Afinal, sou do tipo ansioso.

O médico, um vietnamita que se apresentou como doutor Do, tomou meu pulso, mediu minha pressão sangüínea e perguntou há quanto tempo eu me sentia ansioso. "Há vários anos", respondi.

"Você sofre de ataques de pânico?", perguntou o médico. "Não". Do escreveu "ataques de pânico" em seu livro de anotações.

Depois de passarmos alguns minutos falando sobre a culinária asiática, Do assinou uma receita para maconha medicinal, válida por um ano.

Caverna de Aladim

Com mais de 200 farmácias de maconha medicinal operando legalmente na região, os traficantes de rua ficaram obsoletos.

O governo do Estado, por sua vez, está satisfeito, já que sua fatia de impostos está garantida.

Ainda assim, com algumas farmácias instalando máquinas automáticas para lidar com pacientes fora do horário comercial, é difícil você não se perguntar se a situação não estaria correndo o risco de virar uma comédia.

A uma distância curta da clínica fica uma das lojas preferidas dos usuários, votada "farmácia do ano" por uma das revistas lidas pela comunidade de maconheiros. A publicação mais famosa intitula-se High Times.

A loja é uma verdadeira Caverna de Aladim dos narcóticos. Sob o balcão de vidro, estavam dezenas de variedades de cannabis em potes de plástico. Ao lado, um arsenal de objetos usados no consumo, entre eles, cachimbos.

Fumar e tragar

As variedades tinham nomes exóticos, como Sonho Azul e Devastação do Super Trem (em tradução livre).

Para sintomas como ansiedade, o atendente recomendou uma variedade conhecida como Travesseiro Púrpura. A receita não estipulava quantidade.

"Quanto devo usar?", perguntei. Pego de surpresa, o vendedor respondeu: "Acho que você poderia começar tragando duas ou três vezes e ver o que acontece".

Eu não comprei a maconha e estou pensando em, um dia, colocar minha receita em uma moldura e pendurá-la na parede.

Nesse meio tempo, parafraseando (o ex-presidente americano) Bill Clinton, se eu fumar, certamente não vou tragar.