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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ALEMANHA: QUEM É O CAVALO E QUEM É O CAVALEIRO?


O Ministério alemão da Defesa do Consumidor e as secretarias estaduais (da Alemanha) se propõem a operar em conjunto no esclarecimento do escândalo da carne equina não declarada. Durante uma reunião extraordinária nesta segunda-feira (18/02) foi esboçado um plano de ação nacional de dez pontos.

Deste faria parte a imposição de rótulos de origem para carnes, em nível europeu; um sistema preventivo de alerta; e o fortalecimento das vias regionais de circulação na produção de gêneros alimentícios. O plano de ação visa esclarecer os recentes achados de carne de cavalo em produtos congelados que deveriam conter apenas carne bovina, declarou em Berlim a secretária do estado de Hessen, Lucia Puttrich.

Ela e seus colegas de pasta estudam se o plano deverá prever a aplicação de penas e multas mais severas para os infratores. A meta é tornar a falsa rotulagem tão pouco gratificante quanto possível, pois "a fraude deixa de ser atraente quando não dá lucro", observou a democrata-cristã Puttrich.

Também porco em döners

Segundo a ministra alemã da Alimentação, Agricultura e Defesa do Consumidor, Ilse Aigner, o objetivo é desvendar "onde a declaração falsa do produto ocorreu". Ela disse acreditar que mais casos virão à tona.

Uma das medidas sugeridas é a criação de um site central na internet com informações sobre produtos retirados do mercado por rotulagem enganosa. Estuda-se se os fabricantes de alimentos serão obrigados a comunicar aos órgãos estaduais eventuais suspeitas de fraude. Atualmente, a medida só é obrigatória em caso de riscos à saúde.

Além disso, a Alemanha deverá estender as análises de alimentos para além da lista de ingredientes estipulada na última semana pela União Europeia. Por exemplo: as refeições prontas deverão ser também examinadas quanto à adição de carne suína. Neste fim de semana foi constatada a presença de porco em döners – tipo de fast-food turca – em Berlim e Leipzig, fato totalmente inaceitável para os muçulmanos por questões religiosas.

Ativistas descontentes

Políticos de oposição acusam a ministra da Defesa do Consumidor de haver, até agora, impedido a adoção de normas mais severas: ainda em 2011 ela se opusera à designação de origem da carne. "Aigner tem que finalmente cuidar para que se saiba 'quem é o cavalo e quem é o cavaleiro'", exigiu a secretária-geral do Partido Social-Democrata, Andrea Nahles.

Para Jürgen Knirsch, perito da ONG ambiental Greenpeace, o plano de ação esboçado em Berlim não é o bastante. Ele quer uma melhor supervisão de toda a indústria de produção de carne, assim como o fim dos privilégios desta em relação ao Imposto de Valor Agregado (IVA). Knirsch afirma serem necessários "pelo menos outros mil fiscais de alimentos" em nível federal para conter a "máfia da carne".

O vice-diretor geral da organização de defesa do consumidor Foodwatch, Matthias Wolfschmidt, criticou a legislação federal sobre o assunto. Segundo ele, é absurdo um estado poder apenas registrar a constatação de derivados de carne equina falsamente declarados, ficando impedido de denominar os produtos que os contêm.

Problema transfronteiras

Enquanto isso, o escândalo se alastra na Alemanha. Grandes cadeias de supermercados, como Aldi Süd, Aldi Nord, Lidl e/ou seus fornecedores admitiram a presença de DNA equino em numerosas refeições prontas – de massas à bolonhesa à sopa gulache – que deveriam conter exclusivamente carne de gado.

O atual escândalo tem origem na Grã-Bretanha, e foi revelado na França e a Suécia, antes de chegar à Alemanha. As investigações são em ampla escala, já que numerosas firmas de vários países da UE estão envolvidas nas sucessivas fases de produção, e os ingredientes atravessam várias fronteiras até chegar à mesa do consumidor.

AV/dpa/afp/rtr
Revisão: Alexandre Schossler

DW.DE

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Internet apavora a velha mídia

Fonte desta imagem AQUI.

Não é apenas a revista Veja, denunciada por suas ligações com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, que está desesperada com os “insetos”, “robôs” e “petralhas amestrados” das redes sociais. Toda a velha mídia, no Brasil e no mundo, teme o vertiginoso crescimento da internet. Um estudo recente confirma que o seu modelo de negócios está em declínio acelerado.

Estimativas apresentadas na semana passada pela seccional brasileira da agência Interactive Advertising Bureau (IAB) indicam que os jornalões serão superados pela internet como mídia mais acessada até o final deste ano. Mas não são somente os veículos impressos que perderão publicidade e terão o seu faturamento reduzido. As emissoras de televisão também sofrerão abalos.

Menos tempo diante da TV

Segundo Fabio Coelho, presidente do IAB-Brasil e também da filial do Google, em 2012 o meio digital crescerá 39%, fechando o ano com 13,7% de participação no mercado de comunicação e faturamento na casa dos R$ 4,7 bilhões. No ano passado, a web representava 11% do bolo publicitário. Para ele, a internet é “um mercado pujante”, que irá superar rapidamente as outras mídias.

O estudo da IAB, intitulado “Brasil Conectado: Hábitos de Consumo de Mídia”, aponta a existência de 80 milhões de internautas no país, dos quais 49% pertencem às chamadas classes C, D e E. Na rotina dos brasileiros, a internet já é considerada o meio mais importante para 82% dos 2.075 entrevistados. Mais de 40% deles passam, pelo menos, duas horas por dia navegando na rede, enquanto apenas 25% gastam o mesmo tempo assistindo TV.

“No limiar de uma grande transformação”

A internet aparece como a atividade preferida por todas as faixas etárias, de renda, gênero e região quando se tem pouco tempo livre, somando 62%. Em casa, a web é acessada pela manhã, quando 69% se conectam, 78% acessam à tarde e 73% à noite. Ela também é a mídia mais popular nos locais de trabalho, escola, restaurantes, shoppings e na casa de amigos.

“Todos os dados confirmam a expansão do mercado, que tende a se acentuar com as iniciativas de ampliação do acesso a banda larga e também ao aumento da base de smartphones. Estamos apenas no limiar de uma grande transformação”, garantiu Fabio Coelho, presidente do IAB, ao jornal O Globo.

Altamiro Borges é jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, militante do PCdoB.

CdoB

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

NOS EUA PIZZA É VEGETAL

Fonte da imagem AQUI.

Para Câmara dos Deputados dos EUA, pizza continua sendo vegetal

[-] Texto [+]
Por Lisa Baertlein e Charles Abbott

(Reuters) - A Câmara dos Deputados dos EUA tomou uma decisão na quinta-feira que foi um golpe para os guerreiros do combate à obesidade infantil, ao aprovar um projeto de lei que deixa dela do as propostas de restrição do consumo de pizza e batatas fritas nos almoços das escolas públicas.

As propostas buscavam eliminar a classificação da pizza como vegetal e limitar a frequência das batatas fritas nas refeições. Sua base era uma lei de nutrição infantil de 2010 que pedia às escolas uma melhora na qualidade nutricional dos almoços servidos para quase 32 milhões crianças dos EUA.

A ação é uma vitória para as fabricantes de batatas fritas e pizzas congeladas e foi adotada apenas algumas semanas depois de as grandes indústrias de alimentos, bebidas e restaurantes conseguiram enfraquecer as propostas do governo de orientar a escolha dos alimentos voltados para crianças.

"É uma vitória importante", disse Corey Henry, porta-voz do Instituto Americano de Alimentos Congelados. Essa associação de comércio fez lobby no Congresso a favor dos vendedores de pizza congelada ConAgra Foods e Schwan Food e das fabricantes de batata frita congelada McCain Foods e J.R. Simplot. Essa segunda é mais conhecida como fornecedora da empresa de fast-food McDonald's Corp.

"Nossa preocupação é que os padrões poderiam obrigar empresas, em muitos sentidos, a mudar seus produtos de forma que deixariam de ser palatáveis para os estudantes", disse Henry.

Entre os outros membros do instituto de congelados estão a H.J.Heinz, General Mills e a Kraft Foods.

A Câmara dos Deputados enviou a proposta de lei ao Senado para aprovação final no Congresso.

As provisões legais para refeições nas escolas eram uma pequena parte de uma lei gigantesca de distribuição de recursos do governo federal. A Câmara agora a enviou para a avaliação do Senado.

"Eles começaram com a batata frita e agora se voltaram para a pizza", disse o deputado democrata Jared Polis, do Colorado, que lamentou que o subsídio do governo seja direcionado para refeições prejudiciais à saúde. "Somente pizza (sem outros complementos)... pelo senso comum, não é vegetal."

Polis citou as batatas fritas em referência a uma provisão da lei que iria limitar a quantidade de porções desse alimento nas refeições escolares.

sábado, 7 de maio de 2011

Uma passarela eclesiástica

Ivan Lessa
Colunista da BBC Brasil

Fellini sabia das coisas. Em uma de suas muitas obras-primas, Roma, de 1972, um retrato da cidade, metade documentário, metade lembranças autobiográficas, o esplêndido cineasta italiano conseguiu encaixar uma sequência inteira surrealista, sempre com o acompanhamento musical de seu genial parceiro, Nino Rota, que, na época, além de gerar controvérsia, chegou a ser proibida em certos países, quase que juro. 

Garanto, isso sim, que a sequência na íntegra, em seus quase 10 minutos, pode ser encontrada no YouTube com perto de 200 mil hits, e merece ser vista e revista. Tratava-se, nada mais nada menos, do que um desfile de modelos eclesiásticos para os membros das diversas hierarquias eclesiásticas.

Se eu fosse um poltrão, diria que a vida imita a arte. No que paro, penso e digito: a vida imita a arte. Se não, vejamos.

Na ilha vulcânica de Pantelleria, na mesmíssima Sicília machona que deu ao mundo a Máfia, teve lugar, nesta segunda-feira que passou, aquilo que muitos chamaram, há quatro décadas, de delírio felliniano. À beira do Mediterrâneo, realizou-se um exercício para o desfile de modas eclesiásticas, graças ao espírito de vanguarda do bispo Domenico Mogavero, de 64 anos, e à visão ímpar do estilista Giorgio Armani, que possui na ilha uma luxuosa residência digna de sua grife.

Domenico Mogavero

Depreende-se, agora, que o lance de estilo acaba de ser reconhecido pela Igreja Católica como uma espécie de via crucis rumo às passarelas do mundo inteiro, objetivando, é de se supor, atingir todo o clero mundial. Uma espécie de Nike com sacristão, turíbulo, vela e todo o resto dos apetrechos católicos.

Um detalhe importante: a congregação siciliana, se não deu suspiros e gritinhos ou bateu palmas e tirou fotos com seus celulares, achou o máximo a vestimenta do bispo Mogavero, que há quatro anos exerce o sacerdócio para toda a região de Mazzara del Vallo.

O sacerdote modelo usou, para a ocasião mais que avant-garde, uma túnica de seda verde, decorada com os símbolos dos produtos que faziam (isso vai mudar) o nome da ilhota: vinhas, trigo, conchas e estrelas-do-mar. Tudo sob a sagaz orientação de Armani.

O bispo Mogavero declarou à paróquia e à imprensa que o fato, lato senso, não tinha nada a ver com uma tentativa de trazer grifes à Igreja ou aceder à prática da moda e seus estilistas. Segundo ele, a coisa era mais simples: “usar algo belo para louvar Deus”.

E, como se dando entrevista para uma revista do gênero que ele nega estar seguindo, prosseguiu: “as vestes são do melhor bom gosto possível, feitas de um tipo de seda das mais sóbrias e dão uma ideia da solenidade da ocasião.” A ocasião, no caso, era a inauguração de uma nova igreja local.

Giorgio Armani, menos acessível aos jornalistas do que o bispo Mogavero, nada teve a acrescentar a não ser lembrar que há 37 anos vinha passando temporadas anuais na região, tendo por isso lá decidido construir seu palacete, igualmente, tudo indica, do maior bom gosto possível.

Um jornal italiano lembrou o fato de que o bispo era um livre-pensador em matérias sacras e que, em ocasiões anteriores, conclamara o primeiro-ministro Silvio Berlusconi a renunciar diante de suas sucessivas incursões em escândalos sexuais e que admoestara os sicilianos no sentido de que deveriam mostrar mais tolerância para com seus irmãos imigrantes, em geral tunisianos, cujo berço, a Tunísia, fica logo ali adiante do outro lado do Mediterrâneo, bem mais perto da Sicília do que do continente italiano.

Carecem de fundamento os boatos de que, à maneira de Clóvis Bornay, Evandro de Castro Lima e outras lendárias figuras de nosso nada sacro Carnaval dos bons tempos, o bispo ou membros de sua congregação estejam pensando em batizar as novas vestimentas como “Catedral Submersa”, “Sinfonia Vulcânica” ou coisa parecida.

domingo, 1 de maio de 2011

Ilusiones perdidas


La American University organizó en Washington la mayor conferencia sobre derechos humanos, para evaluar en veinte paneles el impacto de la política del gobierno de Obama. Junto con líderes de las principales organizaciones de derechos humanos de todo el mundo, funcionarios de ese gobierno y miembros actuales y pasados de los organismos especializados de la OEA y de las Naciones Unidas, participaron líderes de ONG de todo el mundo. Horacio Verbitsky expuso el jueves la posición del CELS.

Por Horacio Verbitsky, para Página/12

Lo primero que debo decir es que Obama tuvo y tendrá una gran ventaja, por el solo hecho de ser el presidente que sucedió a George W. Bush. Pero su oferta electoral iba mucho más allá de no ser un violador sistemático y manifiesto de los derechos humanos. Como organización de Sud América identificamos varios puntos de preocupación en sus políticas de derechos humanos. Por supuesto, tenemos conciencia de las disputas partidarias y de las presiones de los grupos más conservadores de ambos partidos, pero aun así la responsabilidad del Poder Ejecutivo es central. Por desgracia el balance tiene pocos aspectos positivos y son sobre todo simbólicos. Obama se alejó de la retórica belicista de Bush y eso le bastó para obtener el premio Nobel de la paz. Pero la verdad es que en los hechos pisoteó las esperanzas que había suscitado en la comunidad de derechos humanos.

La prisión de la Bahía de Guantánamo es un impresionante ejemplo de sus promesas electorales incumplidas. Se esperaba que con el cierre de esa cárcel Estados Unidos cumpliera con los requisitos del sistema legal internacional, pero la falta de decisión contra las violaciones masivas y sistemáticas a los derechos humanos perpetúa el excepcionalismo del período Bush, que coloca a este país por encima del derecho internacional de los derechos humanos, lo cual es de una enorme arrogancia.

En febrero de 2006 el Relator Especial de las Naciones Unidas sobre la tortura, el Relator Especial sobre la libertad religiosa y el presidente del Grupo de Trabajo sobre detenciones arbitrarias informó a la Asamblea General que en Guantánamo se violaba el derecho a un juicio justo y se empleaban métodos de interrogatorio prohibidos por la Convención contra la Tortura y otros tratos crueles y degradantes. También concluyeron que las condiciones de detención, la alimentación forzosa de las personas en huelga de hambre, el tiempo indeterminado de detención y el extenso confinamiento solitario violaban el derecho a la salud y a ser tratado con dignidad. La semana pasada se confirmó que no menos de 150 personas inocentes estuvieron confinadas allí durante años, incluyendo choferes, agricultores, pastores y cocineros, por errores de identificación o por haber estado en mal momento en un lugar inconveniente.

Un par de miembros de la ONG Médicos por los Derechos Humanos pudieron leer las hojas clínicas de muchos presos en Guantánamo. Encontraron huesos rotos por palizas brutales, ataques sexuales, aplicación del submarino y simulacros de fusilamiento, métodos prohibidos por las convenciones internacionales y por normas éticas universales.

Analogías perturbadoras

 

Creemos que la política de Obama debería incluir un apoyo activo a los procesos judiciales que se realizan en la región por los crímenes de las dictaduras. El gobierno de los Estados Unidos debería adoptar también mecanismos de responsabilidad para juzgar los más graves crímenes internacionales cometidos en la denominada guerra contra el terrorismo, que tiene perturbadoras analogías con las prácticas autoritarias de las dictaduras latinoamericanas del pasado.

Las detenciones sin juicio y la entrega de prisioneros a países en los que la tortura es común, para sacarlos de la jurisdicción estadounidense y privarlos de su sistema de protección de garantías, contradice el principio de no devolución establecido por la Convención contra la Tortura. Esta práctica frecuente es emblemática de una regresión peligrosa respecto de las normas de derechos humanos fijadas por la comunidad internacional cuando se conocieron los horrores cometidos durante la Segunda Guerra Mundial.

La relación de Estados Unidos con América Latina es dirigida por el Pentágono, que dispone de más presupuesto y personal que las secretarías del Tesoro, de Agricultura, de Comercio y de Estado juntas. Cada año, durante las audiencias legislativas, el jefe del Comando Sur explica esta relación en términos de seguridad nacional, un concepto tan vasto como impreciso que incluye casi cualquier cosa imaginable, incluso las opciones electorales de nuestros países, que suelen ser descalificados como populistas. La presencia estadounidense en la región sigue siendo demasiado militarizada. El gobierno de Obama no revirtió el alistamiento de la 4ª Flota Naval dispuesto en 2008. Por el contrario, avanzó más allá por este camino equivocado cuando impulsó a Colombia a confrontar con el resto de la región por la cesión de bases militares a los Estados Unidos. El Comando Sur planeaba usarlas como herramienta para controlar a otros países de Latinoamérica, que naturalmente se opusieron. Según fuentes ecuatorianas, la inteligencia estadounidense jugó un papel central en el ataque aéreo del gobierno de Colombia sobre un campamento de las FARC, del lado ecuatoriano de la frontera.

La militarización de todo

 

Los Estados Unidos hacen un doble juego con el rol de las Fuerzas Armadas. El gobierno de Obama no reconoce la diferencia entre seguridad y defensa, algo fundamental para los países que padecieron terribles dictaduras militares. Mientras la ley Posse Comitatus, del siglo XIX, prohíbe el uso de las Fuerzas Armadas en tareas de seguridad pública dentro de los Estados Unidos, su gobierno presiona a nuestros países en la dirección contraria, borrando los límites entre ambos roles. Lo mismo ocurre entre defensa e Inteligencia, en una sociedad con una proyección sin precedentes de lo militar sobre toda clase de actividades. Esto no ocurre por casualidad sino debido a decisiones políticas, como se aprecia con el enroque entre uno de los más altos jefes de las Fuerzas Armadas y el director de la CIA. El traslado del militar a la CIA y la designación en el ministerio de Defensa de quien dirigía la CIA sugiere que no hay diferencias, que son lo mismo. Esta clase de confusión ha socavado incluso la ayuda a Haití después del terremoto. La misión estadounidense en ese país se caracterizó por la presencia militar, más que social o económica. Haití necesita con desesperación de médicos, servicios sociales, inversiones y no de soldados que exhiben uniformes futuristas y un amenazante equipamiento bélico. Esto es tan fuerte en la cultura estadounidense que incluso cuesta explicar aquí por qué debería ser de otra manera.

Al presentar al Congreso su justificación del presupuesto solicitado para 2010, el Pentágono introdujo la doctrina expansionista de la Guerra Irregular, de inquietante similitud con algunas doctrinas contrainsurgentes de la década del 60, actualizadas en la denominada guerra contra las drogas, pero no sólo. Junto con la contrainsurgencia viene la doctrina de la construcción nacional o National Building, que se propone remodelar las instituciones políticas de otros países, lo cual no es una actitud amistosa. Otros documentos militares estadounidenses consideran a algunos países y regiones, entre ellos Venezuela, como posibles teatros de operaciones. El envío de coroneles de la brigada aerotransportada de paracaidistas de Fort Bragg para entrenar a la Policía Federal es otra mala señal. El gobierno argentino los acusó de tratar de introducir en el país sin declararlos armas, drogas como morfina y misteriosos equipos de comunicaciones. Este modelo de intervención ha tenido negativo impacto sobre los derechos humanos. Peor aún, cuando algunos países tratan de cambiar por formas más eficaces de enfrentar a la criminalidad compleja con respeto por los derechos humanos, el gobierno de Obama insiste en las fracasadas recetas de la era Nixon. Devastado por una violencia siempre en aumento, México es la prueba viviente de la insanía de esta política. México provee las drogas que se consumen en Estados Unidos y Estados Unidos las armas con las que se asesina en México. No es una política de buena vecindad. Los ex presidentes Ernesto Zedillo, Fernando Henrique Cardoso y Cesar Gaviria y el premio Nobel de literatura Mario Vargas Llosa, entre otros, dan por perdida esa guerra a las drogas y proponen un enfoque diferente, que Estados Unidos no acepta.

Otra fuente de desacuerdos con la región es la posición estadounidense sobre el golpe en Honduras. Aunque al principio Washington rechazó el golpe como ilegal, la presión del partido Republicano en el Congreso forzó a Obama, Hillary Clinton y Arturo Valenzuela a reconocer un proceso electoral viciado que permitió la elección del nuevo presidente Porfirio Lobo, a pesar de la expulsión del derrocado presidente Manuel Zelaya, cuyo regreso fue la condición no negociable de Latinoamérica desde el comienzo de la crisis. El resultado ha sido divisivo para el hemisferio. El gobierno hondureño fue reconocido por Estados Unidos pero excluido de la OEA y sin relaciones diplomáticas con la mayoría de los países latinoamericanos. Honduras aún padece una duradera crisis institucional y de derechos humanos.

El compromiso con el Consejo de Derechos Humanos de las Naciones Unidas, reflejado en la jerarquía de los representantes de Obama ante ese foro, es la decisión política más positiva que podemos identificar. Creemos que Estados Unidos debe permanecer en el Consejo y ayudar a su consolidación. Pero aún le falta desarrollar un marco estratégico para relacionarse en forma positiva con los nuevos mecanismos regionales, como la UNASUR y el Consejo Sudamericano de Defensa, para apoyar la estabilidad en la región por medio del manejo y la prevención de crisis y la afirmación de una agenda de derechos humanos.

Varios países de Sudamérica (como la Argentina, Chile, Perú y Uruguay, y ahora, en parte, también Brasil) han decidido investigar y de ser posible llevar a juicio los crímenes cometidos durante sus dictaduras cívico-militares. Esta es una decisión fundamental para consolidar nuestras democracias, y debería ser bienvenida y apoyada por Estados Unidos. También ponemos esperanzas en la posible desclasificación de archivos de la CIA y del Pentágono sobre nuestros países, pero también urgimos que se tomen acciones en ese sentido, aquí en los Estados Unidos. Es incongruente condenar a las dictaduras latinoamericanas y proteger a los responsables de autorizar en Washington crímenes similares con el pretexto de proteger al pueblo norteamericano, un razonamiento similar a los de Videla o Pinochet.

La guerra contra los chicos

 

También nos preocupa la falta de atención que presta Estados Unidos a los derechos económicos, sociales y culturales a diferencia de la protección a los derechos civiles y políticos. La salud, la vivienda y el trabajo no son considerados como derechos humanos y los tratados que los consagran como tales no han sido ratificados por Estados Unidos. Según el informe presentado al Consejo de Derechos Humanos de las Naciones Unidas, que resume los aportes de más de un centenar de ONGs a la Revisión Periódica Universal:

- cerca del 30 por ciento de la población carece de ingresos suficientes para atender sus necesidades básicas, con 24,7 por ciento de los afroamericanos, 20 por ciento de los chicos y 14,5 por ciento de las mujeres debajo de la línea de pobreza.
- centenares de mujeres mueren cada año por complicaciones evitables del embarazo, con amplias disparidades en el acceso al cuidado de la salud basadas en razones étnicas.
- pese a la sanción de una ley que mejora la salud pública, aún existen 20 millones de ciudadanos estadounidenses sin ningún tipo de seguro de salud.

Por desgracia, este problema estructural se agravó por algunas decisiones de política interna influenciadas por fuerzas que se oponen al gobierno de Obama. Desde un punto de vista latinoamericano el cierre de guarderías y escuelas públicas para sectores de bajos ingresos, el despido de maestros, la eliminación de miles de planes de salud para niños solos, la reducción de gastos en Medicaid podrían emplearse para justificar similares políticas horribles, pasadas o futuras, en nuestros países. Todo esto constituye una vergonzosa guerra a los chicos, que el pueblo de los Estados Unidos no debería consentir.

A pesar de todo esto creemos que aún existe en todo el mundo, aunque declinante, una ventana de oportunidad y buena voluntad para que Estados Unidos, o mejor dicho el gobierno de Obama marque un enfoque diferente en su política exterior, en particular hacia Latinoamérica y los derechos humanos. La región está madura para discusiones multilaterales más equilibradas, mejor meditadas, estratégicas sobre cuestiones que puedan afirmar los derechos humanos. Esperamos que los próximos años de gobierno de Obama muestren acciones concretas hacia esa finalidad.