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sexta-feira, 11 de maio de 2012
MEMÓRIAS DE UMA GUERRA SUJA
Livro conta como a ditadura matou
O livro "Memórias de uma Guerra Suja", lançado recentemente pelos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, deverá servir de subsídio para a Comissão da Verdade, criada para esclarecer as violações de direitos humanos nos anos da ditadura militar. A publicação revela os bastidores de uma parte do trabalho de combate e destruição da esquerda brasileira durante os anos 1970 e início dos 1980.
No livro, o policial Cláudio Guerra, ex-delegado do Dops do Espírito Santo, conta como o governo federal autorizou a matança de militantes de esquerda no Brasil e, após os crimes, de que forma os militares decidira dar sumiço nos corpos das vítimas. O texto já está sendo usado, inclusive, pelo Ministério Público Federal, que investiga quatro das mortes relatadas no livro.
Narrado em primeira pessoa, Cláudio Guerra diz ser o responsável pelo desaparecimento de dez participantes da luta armada, cujos corpos incinerou nos fornos de uma usina de açúcar. Apesar do seu nome não estar em nenhuma das listas de agentes torturadores, feitas pelas organizações de esquerda, Guerra conta que em nome das Forças Armadas tinha a missão de matar opositores. Ele revela que os corpos, na maior parte das vezes, eram incinerados em locais previamente definidos.
No livro, o ex-agente do Dops afirma ainda que um desses locais era a Usina Cambahyba, em Campos, Rio de Janeiro. Ali teriam sido incinerados pelo menos dez corpos de militantes políticos de esquerda.
CP
Marinho teria simulado atentado
De acordo com o delegado Cláudio Guerra, ex-agente do Dops do Espírito Santo, hoje com 71 anos, a decisão de usar os fornos foi tomada por ele e pelo coronel da Cavalaria do Exército Freddie Perdigão Pereira, que trabalhava para o Serviço Nacional de Informação (SNI), e o comandante da Marinha Antônio Vieira, do Centro de Informação da Marinha (Cenimar). Os dois aprovaram a ideia e passaram a usar o local para "sumir com os corpos", uma vez que os "cemitérios" utilizados até então começavam a levantar suspeitas.
O ex-agente do Dops afirma também que Roberto Marinho, dono da Rede Globo, já falecido, planejou um atentado contra si mesmo para disfarçar as suspeitas que recaíam sobre as suas publicações. Guerra conta ainda que se disfarçou de padre para tentar assassinar o governador Leonel Brizola, um dos líderes da resistência contra a ditadura militar. O disfarce era uma estratégia para responsabilizar a Igreja Católica pelo atentado.
Na época, Brizola sofreu uma tentativa de assassinato no Hotel Everest, no Rio de Janeiro, em janeiro de 1980, quatro meses depois de chegar do exílio.
Por tudo o que revela o livro do ex-agente do Dops, que será lançado nos próximos dias em todo o país, deverá gerar forte polêmica, pois se trata da confissão de um membro da Polícia política da ditadura militar, que afirma querer agora ajudar as famílias às quais causou forte sofrimento na época.
CP
sábado, 18 de fevereiro de 2012
A LIBERTADORES DA AMÉRICA E A REDE GLOBO
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| Fonte da Imagem AQUI. |
Etnia: Gaúcho e Colorado
A falta de transmissão dos jogos da Libertadores da América na TV fechada tem motivação e gênese que infringem direitos dos consumidores e a livre concorrêcia. Cabe ao CADE zelar pela preservação da livre concorrência e defesa do consumidor, reprimindo o abuso de poder econômico.
Márcio Mello Casado
Esses dias tive de preencher uma ficha médica e me questionaram sobre a minha etnia. Não tive dúvidas: colorado (Internacional de Porto Alegre). Tomei o cuidado, inclusive, de colocar a observação entre parênteses.
Inspirado na ficha médica, resolvi entrar em contato com a NET, minha provedora de canais a cabo, a fim de convencê-los de que eu merecia poder ver os jogos de meu time do coração na TV fechada.
Nem preciso dizer que a conversa foi absolutamente infrutífera. Em primeiro lugar, porque a atendente disse não ser relevante a minha etnia. Depois, não conhecia o Colorado e, por último, disse que a culpa de eu não poder ver os jogos da Libertadores da América na TV fechada era do canal Fox Sports.
Num só diálogo fui triplamente ofendido. Vi que minha etnia era desconhecida, senti-me um membro de uma tribo isolada em um canto do mundo, com língua e cultura própria (hummm...). O Internacional, Campeão de Tudo, time que mais venceu nesse milênio, era desconhecido da moça – um absurdo. Agora, a TV fechada não passar os jogos do Inter na Libertadores, por culpa da Fox Sports (será?) pareceu-me um evento antijurídico.
Moro em São Paulo.
Por tal motivo, jamais verei na TV aberta um jogo do colorado. Nem a final da Libertadores de 2010 foi transmitida na TV aberta. Preferiram transmitir o jogo do Santos na Copa do Brasil.
Entretanto, faz sentido que a TV aberta, em São Paulo, não queira mostrar jogos do Internacional. Os nativos querem ver os seus times na Globo. Em Porto Alegre, em compensação, se passasse um jogo do Corinthians, ao invés do Colorado, iniciar-se-ia verdadeira revolução.
Agora, merece atenção essa questão que envolve o canal Fox Sports e as operadores de TV a cabo NET e Sky, detentoras, pelo que se divulga, de setenta por cento do mercado da TV por assinatura.
A gênese do problema é a de sempre: quem manda são as organizações Globo. Ou se diz amém ao plim plim ou nada feito. Basta que se lembre do episódio do treinador da seleção brasileira Dunga (igualmente de etnia colorada). Embora tenha sido um sucesso durante todo o período de preparação para a Copa do Mundo, sempre foi objeto das mais duras e, no mais das vezes, injustificáveis críticas. Ao contrário do atual treinador da seleção, não era afeito às entrevistas exclusivas dos veículos da Globo. Quando a seleção foi eliminada, tornou-se um pária. Foi queimado pelo poço de virtudes que é o Sr. Ricardo Teixeira, presidente, ao menos por enquanto, da CBF. Aliás, a entrevista do Sr. Ricardo Teixeira, na qual Dunga foi duramente criticado, foi exclusiva para a Globo.
As organizações Globo são donas dos canais Sportv. O ingresso da FOX Sports na grade de programação das operadoras de TV a cabo significará perda de audiência da Sportv. Haverá concorrência! E aí não há Bozó que suporte.
Dessa forma, o que poderia ser uma reclamação de torcedor (ou de secador – por acaso alguém acha que os gremistas, os sãopaulinos e os palmeirenses não têm interesse em ver os jogos da Libertadores?), passa a ser um caso de infração às regras de concorrência. O art. 21, da Lei 8884/94, determina: “Art. 21. As seguintes condutas, além de outras, na medida em que configurem hipótese prevista no art. 20 e seus incisos, caracterizam infração da ordem econômica: IV - limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado; V - criar dificuldades à constituição, ao funcionamento ou ao desenvolvimento de empresa concorrente ou de fornecedor, adquirente ou financiador de bens ou serviços.”
A posição dominante no mercado exercida pela Globo e seus longos braços, esgana todos os consumidores que gostariam de ver os jogos de seus times na TV fechada.
Futebol é coisa séria. Trata-se de patrimônio cultural do povo brasileiro. Basta lembrar da Copa do Mundo e a mobilização da União, Estados e Municípios para viabilizar o evento.
Futebol é questão tão séria que há interesse social nas notícias a ele ligadas. Não fosse assim, os notáveis debates nos tribunais envolvendo o jornalista Juca Kfouri, a CBF e o Sr. Ricardo Teixeira, teriam solução diversa.
Se Ricardo Teixeira pode ser chamado de “sub-chefe da máfia do futebol nacional” por Juca Kfouri é porque o futebol e tudo que o cerca estão sujeitos à crítica – por mais dura que seja – inspirada pelo interesse coletivo (conforme trecho da decisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, no AI 675276/RJ).
A não transmissão dos jogos da Libertadores da América na TV fechada deve ser tratada com a seriedade que a questão impõe. Cabe ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) zelar (art. 7º, L. 8884/94) pela preservação da livre concorrência e defesa do consumidor, reprimindo o abuso de poder econômico (art. 1º, L. 8884/94).
Entidades privadas, ligadas por interesses nada nobres, não estão acima do consumidor de futebol. Ou melhor, evidente que estão! É por tal motivo que os órgãos de controle do Estado devem se fazer presentes, a fim de reequlibrar essa relação sempre desigual. Hoje, é a Libertadores que, de certa forma, é objeto de uma censura motivada por infração à ordem econômica e social. Ontem, esses entes privados estavam conectados para dar a mais ampla divulgação ao esporte bretão. Enquanto mais alto, melhor. Afinal, os gritos nos porões da ditadura tinham que ser de alguma forma abafados.
Esse manuseio da paixão nacional é ilegal. É imoral.
(E o mais curioso nessa história toda é que o Sr. Ricardo Teixeira, se for mesmo morar em Miami, poderá ver a Libertadores da América na Fox Sports. E nós, não!)
Inspirado na ficha médica, resolvi entrar em contato com a NET, minha provedora de canais a cabo, a fim de convencê-los de que eu merecia poder ver os jogos de meu time do coração na TV fechada.
Nem preciso dizer que a conversa foi absolutamente infrutífera. Em primeiro lugar, porque a atendente disse não ser relevante a minha etnia. Depois, não conhecia o Colorado e, por último, disse que a culpa de eu não poder ver os jogos da Libertadores da América na TV fechada era do canal Fox Sports.
Num só diálogo fui triplamente ofendido. Vi que minha etnia era desconhecida, senti-me um membro de uma tribo isolada em um canto do mundo, com língua e cultura própria (hummm...). O Internacional, Campeão de Tudo, time que mais venceu nesse milênio, era desconhecido da moça – um absurdo. Agora, a TV fechada não passar os jogos do Inter na Libertadores, por culpa da Fox Sports (será?) pareceu-me um evento antijurídico.
Moro em São Paulo.
Por tal motivo, jamais verei na TV aberta um jogo do colorado. Nem a final da Libertadores de 2010 foi transmitida na TV aberta. Preferiram transmitir o jogo do Santos na Copa do Brasil.
Entretanto, faz sentido que a TV aberta, em São Paulo, não queira mostrar jogos do Internacional. Os nativos querem ver os seus times na Globo. Em Porto Alegre, em compensação, se passasse um jogo do Corinthians, ao invés do Colorado, iniciar-se-ia verdadeira revolução.
Agora, merece atenção essa questão que envolve o canal Fox Sports e as operadores de TV a cabo NET e Sky, detentoras, pelo que se divulga, de setenta por cento do mercado da TV por assinatura.
A gênese do problema é a de sempre: quem manda são as organizações Globo. Ou se diz amém ao plim plim ou nada feito. Basta que se lembre do episódio do treinador da seleção brasileira Dunga (igualmente de etnia colorada). Embora tenha sido um sucesso durante todo o período de preparação para a Copa do Mundo, sempre foi objeto das mais duras e, no mais das vezes, injustificáveis críticas. Ao contrário do atual treinador da seleção, não era afeito às entrevistas exclusivas dos veículos da Globo. Quando a seleção foi eliminada, tornou-se um pária. Foi queimado pelo poço de virtudes que é o Sr. Ricardo Teixeira, presidente, ao menos por enquanto, da CBF. Aliás, a entrevista do Sr. Ricardo Teixeira, na qual Dunga foi duramente criticado, foi exclusiva para a Globo.
As organizações Globo são donas dos canais Sportv. O ingresso da FOX Sports na grade de programação das operadoras de TV a cabo significará perda de audiência da Sportv. Haverá concorrência! E aí não há Bozó que suporte.
Dessa forma, o que poderia ser uma reclamação de torcedor (ou de secador – por acaso alguém acha que os gremistas, os sãopaulinos e os palmeirenses não têm interesse em ver os jogos da Libertadores?), passa a ser um caso de infração às regras de concorrência. O art. 21, da Lei 8884/94, determina: “Art. 21. As seguintes condutas, além de outras, na medida em que configurem hipótese prevista no art. 20 e seus incisos, caracterizam infração da ordem econômica: IV - limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado; V - criar dificuldades à constituição, ao funcionamento ou ao desenvolvimento de empresa concorrente ou de fornecedor, adquirente ou financiador de bens ou serviços.”
A posição dominante no mercado exercida pela Globo e seus longos braços, esgana todos os consumidores que gostariam de ver os jogos de seus times na TV fechada.
Futebol é coisa séria. Trata-se de patrimônio cultural do povo brasileiro. Basta lembrar da Copa do Mundo e a mobilização da União, Estados e Municípios para viabilizar o evento.
Futebol é questão tão séria que há interesse social nas notícias a ele ligadas. Não fosse assim, os notáveis debates nos tribunais envolvendo o jornalista Juca Kfouri, a CBF e o Sr. Ricardo Teixeira, teriam solução diversa.
Se Ricardo Teixeira pode ser chamado de “sub-chefe da máfia do futebol nacional” por Juca Kfouri é porque o futebol e tudo que o cerca estão sujeitos à crítica – por mais dura que seja – inspirada pelo interesse coletivo (conforme trecho da decisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, no AI 675276/RJ).
A não transmissão dos jogos da Libertadores da América na TV fechada deve ser tratada com a seriedade que a questão impõe. Cabe ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) zelar (art. 7º, L. 8884/94) pela preservação da livre concorrência e defesa do consumidor, reprimindo o abuso de poder econômico (art. 1º, L. 8884/94).
Entidades privadas, ligadas por interesses nada nobres, não estão acima do consumidor de futebol. Ou melhor, evidente que estão! É por tal motivo que os órgãos de controle do Estado devem se fazer presentes, a fim de reequlibrar essa relação sempre desigual. Hoje, é a Libertadores que, de certa forma, é objeto de uma censura motivada por infração à ordem econômica e social. Ontem, esses entes privados estavam conectados para dar a mais ampla divulgação ao esporte bretão. Enquanto mais alto, melhor. Afinal, os gritos nos porões da ditadura tinham que ser de alguma forma abafados.
Esse manuseio da paixão nacional é ilegal. É imoral.
(E o mais curioso nessa história toda é que o Sr. Ricardo Teixeira, se for mesmo morar em Miami, poderá ver a Libertadores da América na Fox Sports. E nós, não!)
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
TERIA HAVIDO PENETRAÇÃO? (Uma grave questão nacional.)
Grave questão nacional
O grande público foi surpreendido, em notícia recente, por uma questão que transcende os altos muros da imponente mansão que abriga os privilegiados hóspedes do "Big Brother Brasil", versão 2012. Teria o rapaz, sorrateiramente, aproveitando-se da embriaguez da bela adormecida, praticado atos sexuais ilícitos, debaixo dos cobertores? E, será que tal ação deletéria deveria ser punida com a expulsão da Casa? Discute-se, na mídia, se houve consentimento, ou se ela teria sido atacada pelo tarado sexual em sua mordaz investida, impossível de ser rechaçada. Teria havido penetração? - indaga, pelas ruas, a população preocupada. Ou apenas carícias clitorianas (charuto, estilo Mônica Lewinsky, pensamos que não estaria disponível na Casa). De toda forma, é imprescindível investigar. Trata-se de uma questão que desmoraliza o severo regulamento do Programa (com P maiúsculo).Chame-se a Polícia Civil: interrogue-se os indiciados, promova-se o depoimento de testemunhas, analise-se os vídeos. Afinal, estamos diante de um programa educativo: o que resultar, ao final da investigação, poderá promover revisões dos valores da Pátria para resgatá-los ou para destruí-los. É o "BBB" da Globo!
O juiz, que está analisando o caso, em seu primeiro depoimento disse que vai pedir exame da perícia técnica nos lençóis, na cueca do rapaz e na calcinha da donzela. Diante disso, o Brasil acompanha, com redobrada ansiedade, a evolução do caso: haverá sinais de sêmen espargido pelos "macios lençóis da cama...?".
Enquanto isso, nos recônditos de outras casas, centenas de jovens raparigas menos dignas e desconhecidas, crianças ainda, em quartinhos sujos e malcheirosos, estão sendo surradas, agredidas e estupradas, longe dos holofotes da televisão, e ainda não encontraram algum juiz, tão zeloso, que lhes dê guarida com tal rapidez. Enquanto isso, assaltantes, sequestradores, corruptos e corruptores, traficantes e uma corja interminável de larápios de colarinho-branco seguem incólumes alicerçados nas inúmeras prerrogativas que o Código Penal Brasileiro lhes oportuniza. Enquanto isso, a citada rede de TV, com sua gigantesca audiência, coordena campanhas contra o fumo e excessos de bebida alcoólica.
Atenção, meus jovens: as recomendações só valem para fora da Casa. Lá dentro, o fumo e o álcool têm livre trânsito. As festas são regadas a grandes quantidades de bebidas alcoólicas. Na Casa, só vale o "se beber, não durma". Azar de vocês.
Nilson Luiz May, médico e escritor, para CP
Fonte da Imagem AQUI.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
BBB: Triunfo da Chinelagem
Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br
Até que ponto o gosto do outro deve ser respeitado? O primado da tolerância deve silenciar a crítica? Toda crítica frontal a um tipo de gosto é preconceito? A expulsão de um participante do BBB12, reality show da Rede Globo, por suspeita de estupro obriga a falar disso. Quem gosta do programa, escorado na ideia simples de que é brincadeira, lazer e um jogo inofensivo, detesta que se fale mal do baixo nível do que é exibido. O Brasil parece ser um dos poucos ou o único país com 12 edições do Big Brother em rede nacional aberta e em horário nobre. É inegável uma evolução no programa: a cada ano, fica pior. Como se sabe, a baixaria não tem piso nem teto. Mas estamos vivendo a era do consumidor mimado, triunfante, incriticável, infantilizado, agressivo, sempre com razão, que se regala espiando o gozo obsceno dos outros para satisfazer os seus mais baixos e selvagens instintos.
Não se trata de dar lições de moral ou de fazer pose de intelectual. A questão é outra: como chegamos a esse ponto? Houve um tempo em que o elitismo sufocava os gostos populares. A hipocrisia se impunha como uma máscara social. Hoje, os gostos ditos populares, fabricados pela chamada indústria cultural, asfixiam qualquer crítica como expressão de preconceito, o que esconde um preconceito maior, a ideia de que as tais camadas populares só se divertem com chinelagem. O que é mesmo chinelagem? Uma casa com um número de camas inferior ao de moradores para obrigá-los a dormir juntos em público. Um jogo em que o sexo deve ser o horizonte incontornável para delírio de milhões de voyeurs. Uma brincadeira que termina em suposto estupro, em Polícia nos domínios da televisão e em constrangimento nacional.
Chinelagem também é colocar fama e dinheiro absolutamente acima de tudo. Chinelagem é produzir um imaginário centrado na ideia de que o mais importante é se tornar celebridade e que esse objetivo justifica os maiores micos e o abandono de qualquer limite. O suposto estupro do BBB12 é a cara de certo Brasil, o Brasil que quer cometer infrações de trânsito sem ter de pagar multas, o Brasil onde parlamentares são os primeiros a não respeitar normas, o Brasil onde estádios de futebol são prioridades em relação a hospitais, o Brasil onde os muito ricos pagam menos impostos, o Brasil que só quer gozar, ainda que seja um gozo passageiro, escabroso, cínico e feio.
Está mais do que na hora de se atacar em várias frentes: acabar com preconceitos, respeitar diferenças, levar na boa brincadeiras de estação e, ao mesmo tempo, defender uma utopia: a possibilidade de diversão para todos que exija um pouquinho mais do cérebro de cada um, o que, há alguns anos, era chamado de criatividade e inteligência. O pior mesmo, enquanto a utopia não se realiza, é a hipótese radical que rola nas redes sociais: o suposto estupro do BBB12 seria apenas uma estratégia de marketing. Aí, claro, só resta gritar: que baita chinelagem! Esse pode ter sido o nosso 11 de Setembro. Ainda que, claro, tudo acabe na pizza do mal-entendido.
Fonte da imagem AQUI.
Até que ponto o gosto do outro deve ser respeitado? O primado da tolerância deve silenciar a crítica? Toda crítica frontal a um tipo de gosto é preconceito? A expulsão de um participante do BBB12, reality show da Rede Globo, por suspeita de estupro obriga a falar disso. Quem gosta do programa, escorado na ideia simples de que é brincadeira, lazer e um jogo inofensivo, detesta que se fale mal do baixo nível do que é exibido. O Brasil parece ser um dos poucos ou o único país com 12 edições do Big Brother em rede nacional aberta e em horário nobre. É inegável uma evolução no programa: a cada ano, fica pior. Como se sabe, a baixaria não tem piso nem teto. Mas estamos vivendo a era do consumidor mimado, triunfante, incriticável, infantilizado, agressivo, sempre com razão, que se regala espiando o gozo obsceno dos outros para satisfazer os seus mais baixos e selvagens instintos.
Não se trata de dar lições de moral ou de fazer pose de intelectual. A questão é outra: como chegamos a esse ponto? Houve um tempo em que o elitismo sufocava os gostos populares. A hipocrisia se impunha como uma máscara social. Hoje, os gostos ditos populares, fabricados pela chamada indústria cultural, asfixiam qualquer crítica como expressão de preconceito, o que esconde um preconceito maior, a ideia de que as tais camadas populares só se divertem com chinelagem. O que é mesmo chinelagem? Uma casa com um número de camas inferior ao de moradores para obrigá-los a dormir juntos em público. Um jogo em que o sexo deve ser o horizonte incontornável para delírio de milhões de voyeurs. Uma brincadeira que termina em suposto estupro, em Polícia nos domínios da televisão e em constrangimento nacional.
Chinelagem também é colocar fama e dinheiro absolutamente acima de tudo. Chinelagem é produzir um imaginário centrado na ideia de que o mais importante é se tornar celebridade e que esse objetivo justifica os maiores micos e o abandono de qualquer limite. O suposto estupro do BBB12 é a cara de certo Brasil, o Brasil que quer cometer infrações de trânsito sem ter de pagar multas, o Brasil onde parlamentares são os primeiros a não respeitar normas, o Brasil onde estádios de futebol são prioridades em relação a hospitais, o Brasil onde os muito ricos pagam menos impostos, o Brasil que só quer gozar, ainda que seja um gozo passageiro, escabroso, cínico e feio.
Está mais do que na hora de se atacar em várias frentes: acabar com preconceitos, respeitar diferenças, levar na boa brincadeiras de estação e, ao mesmo tempo, defender uma utopia: a possibilidade de diversão para todos que exija um pouquinho mais do cérebro de cada um, o que, há alguns anos, era chamado de criatividade e inteligência. O pior mesmo, enquanto a utopia não se realiza, é a hipótese radical que rola nas redes sociais: o suposto estupro do BBB12 seria apenas uma estratégia de marketing. Aí, claro, só resta gritar: que baita chinelagem! Esse pode ter sido o nosso 11 de Setembro. Ainda que, claro, tudo acabe na pizza do mal-entendido.
Fonte da imagem AQUI.
domingo, 4 de dezembro de 2011
A LENTA AGONIA DA GLOBO
O JN muda pelo baixo ibope
Ricardo Feltrin
Ricardo Feltrin
A troca de Fátima Bernardes por Patrícia Poeta é mais uma tentativa da Globo para estancar o ibope que vaza de sua tela ano após ano desde 2000. Desde então, cerca de um em cada quatro telespectadores trocaram o ato de assistir à Globo por fazer qualquer outra coisa.
Em termos de ibope, 2011 é o pior da emissora desde que a medição passou a ser feita. Até o dia 30 de novembro, a média do canal é de 16,4 pontos (0,1 a menos do que no ano passado).
No horário 'comercial' (das 7h à 0h), abril, outubro e novembro foram os menores ibopes já registrados na casa: 15,5 pontos de média. Parece pouco, mas nem tanto ao se pensar que cada ponto vale, em tese, por 58 mil famílias (na Grande SP), cada uma com mais de três pessoas.
O que é notável foi que a queda em 2011 ocorre a despeito do sucesso impressionante de "Fina Estampa" em horário nobre, algo que já não ocorria há anos.
Talvez a Globo ache que, ao mexer no jornalismo, ela pode mexer, agitar, surpreender ou uhú etc. o dia a dia do telespectador cidadão. Só que ela já fez isso recentemente, no grande troca-troca de âncoras matinais e vespertinos, e o resultado, também falando em ibope, foi zero a zero.
Importante lembrar que a Globo ainda tem a liderança folgada, que em alguns dias e horários seu público pode ser maior que todas as concorrentes e TVs pagas somadas no país. Por outro lado, essa liderança é estatisticamente menor ano após ano, de segunda a sexta, bem como aos domingos. Esse dia se tornou o mais equilibrado na disputa das TVs abertas.
Isso seria inimaginável até o início deste século 21. Em sua defesa, a Globo pode se gabar de também ser o canal mais visto também da TV paga, e que fatura centenas de milhões de reais anuais com pay-per-view, além de ter construído uma estrutura sólida também na internet.
Mesmo assim, seu modelo de negócio ainda é calcado na TV aberta com suas novelas, futebol, atrações e jornalismo. Por mais que diversifique, por muito tempo a TV Globo aberta ainda será a pata dos ovos de ouro das Organizações Globo.
Falando em outra 'pata de ouro', Patrícia Poeta foi escolhida para ser a nova âncora do "JN" somente depois que pesquisas apontaram-na como sendo, em 2011, mais popular que qualquer outra apresentadora da casa, inclusive Fátima Bernardes. Patrícia foi eleita especialmente graças à empatia que teve com as classes C e D. A dúvida é se seu rostinho brasileiro e bonito vai ajudar o ibope e, principalmente, se tornará mais relevante o "JN", hoje um telejornal hoje opaco em meio aos novos aparelhos ("devices", como dizem uns metidos) que o telespectador cidadão usa para se informar.
Como o que você está usando agora para ler este texto.
domingo, 27 de novembro de 2011
FRASES
"Sou amigo do Ricardo Teixeira mesmo, sou amigo da Globo, apesar de ela ser gângster."
Declaração de Andrés Sanchez, recém escolhido por Ricardo Teixeira para ser o Dirigente de Seleções da CBF.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
WikiLeaks aponta Wiliam Waack como informante do governo dos EUA patrocinado pela CIA
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| Fonte da imagem AQUI. |
O repórter William Waack, da Rede Globo de Televisão, foi apontado como informante do governo norte-americano, segundo post do blog Brasil que Vai – que citou documentos sigilosos trazidos a público pelo site WikiLeaks há pouco menos de dois meses. De acordo com o texto, Waack foi indicado por membros do governo dos EUA para “sustentar posições na mídia brasileira afinadas com as grandes linhas da política externa americana”.
Por essa razão, ainda segundo o texto, é que se sentiu à vontade para protagonizar insólitos episódios na programação que conduz, nos quais não faltaram sequer palavrões dirigidos a autoridades do governo brasileiro.
O post informa ainda que a política externa brasileira tem “novas orientações” que “não mais se coadunam nem com os interesses norte-americanos, que se preocupam com o cosmopolitismo nacional, nem com os do Estado de Israel, influente no ‘stablishment’ norte- americano”. Por isso, o Departamento de Estado dos EUA “buscou fincar estacas nos meios de comunicação especializados em política internacional do Brasil” – no que seria um caso de “infiltração da CIA (a agência norte-americana de inteligência) nas instituições do país”.
O post do blog afirma ainda que os documentos divulgados pelo Wikileaks de encontros regulares de Waack com o embaixador do EUA no Brasil e com autoridades do Departamento de Estado e da Embaixada de Israel “mostram que sua atuação atende a outro comando que não aquele instalado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro”.
CB
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
A RESSACA DOS DERROTADOS
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| Fonte dessa imagem AQUI. |
A nova passeata da Globo
Os brasileiros, que tiveram de passar 20 anos, lendo nas entrelinhas, especulando a partir de meias palavras ou interpretando – procurando interpretar – as rudes reações viscerais trazidas ao público por aqueles que detinham o poder, têm hoje olhos e ouvidos apuradíssimos para entender o que há por trás de cada episódio do cotidiano, por mais irrelevante que possa parecer à primeira vista. É isso que o baronato midiático parece não ter entendido ao continuar patrocinando atos que, a pretexto de combater a corrupção, têm como objetivo esvaziar a política.
Os movimentos que saem da internet para ganhar as ruas, longe de ser a “primavera” com que sonham – ou fingem sonhar – seus reais mentores, têm se mostrado um melancólico outono dos tradicionais dispositivos de agenciamento midiático. Submersos na crise do imobilismo de suas bases, resta à velha direita o consolo de platitudes publicadas para justificar mais uma tentativa fracassada. O saldo de mais um insucesso ora é debitado à boa situação da economia brasileira ora a uma estranha lógica binária, como a apresentada pelo professor de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo (USP), Renato Janine Ribeiro, na edição de 13 de Maio, de O Globo.
“O problema na luta contra a corrupção é que ela está tomada pelos partidos. E é uma lástima que as pessoas usem isso contra o partido oposto”. Mas a que se refere o renomado acadêmico? A característica do movimento não seria exatamente o seu reiterado “caráter apartidário”? Ou, sem se dar conta, Janine revela o fato que deveria permanecer oculto: o centro político da reação está agrupado no campo jornalístico oligopolista que assume para si o papel de partido de oposição.
O mesmo partido que deu sustentação a duas décadas de ditadura militar. O mesmo agrupamento que silenciou as emoções e expectativas da opinião pública durante os oito anos de desmando do tucanato. Que editou a realidade para ocultar as preocupações da população com o apagão, o descontrole cambial, a desnacionalização de partes substanciosas da produção e serviços nacionais, os rigores de uma política econômica que duplicaram as dívidas externas e internas e criaram seguidos déficits comerciais.
Desemprego, congelamento ou irrisórios aumentos salariais, ao lado de escândalos políticos e econômicos, pareciam fazer parte do cenário natural para os mesmos colunistas militantes que agora se arvoram em defensores de valores republicanos. Num conhecido jogo de espelhos, a defesa incondicional dos ditames do mercado é trocada, editorialmente, pela busca de posicionamento ético no trato da coisa pública. A guinada é tão mal-feita que não atrai o distinto público, como pudemos constatar nas manifestações de quarta-feira, dia da padroeira oficial do Brasil. No Rio de Janeiro, os manifestantes chegaram a hostilizar os que preferiram olhar o mar a ver a ressaca dos derrotados.
Para deixar claro qual o objetivo da TV Globo e de seus sócios menores nessa simulação barata, vale a pena reproduzir o que escreveu o ex-deputado Milton Temer (PSOL) em seu blog: “promover no Brasil uma onda semelhante à que lamentavelmente varre povos de potências capitalistas, que se reúnem em manifestações pontuais e conjunturais, mas que, pela abstenção nos processos eleitorais, por justificado ceticismo, permitem à direita mais reacionária manter o controle absoluto das instituições, ditas republicanas, que realmente deliberam sobre seus destinos, através do modelo de sociedade que desenham com suas leis e decisões dos poderes Executivo e Judiciário”.
O brasileiro sabe que, sempre que uma esperança se frustra (o que não é o caso do atual do governo), vem a decepção e é preciso criar alternativas. Sempre é preciso reconstruir caminhos, mas o que a grande imprensa apresenta é um atalho para o precipício.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior, colaborador do Correio do Brasil e do Jornal do Brasil.
CB
sexta-feira, 3 de junho de 2011
O PIG EM CRISE
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| Novo equipamento para não se sujar na periferia. |
Cai a ficha da grande mídia
Por Venício A. de Lima em 03/06/2011 na edição 644 (Observatório de Imprensa)
Raras vezes a realidade fala mais alto e revela ter mais poder do que alguns atores tradicionais da grande mídia brasileira.
Um artigo de Soraya Aggege, sob o título “O poder da maioria”, recentemente publicado na CartaCapital (n. 644, de 4/5/2011), fez um interessante resumo de informações que têm circulado há algum tempo sobre a impressionante ascensão que a classe C teve em nosso país, nos últimos anos. A revista se utiliza, sobretudo, de dados do instituto Data Popular, especializado em pesquisar esse segmento da população que, em 2014, será majoritário e concentrará 54% do eleitorado.
Nada de novo. Apenas algumas confirmações e, mais importante, algumas conseqüências.
“Deslocando” a formação da opinião
A matéria afirma que “no atual contexto, dizem os especialistas, o eixo da formação de opinião deslocou-se dos pais, ou de velhas lideranças locais, como padres e representantes comunitários, para os filhos”. E prossegue: “Os dados revelam que, nesse segmento, o que mais vale não é o que diz a televisão. Nada menos que 79% deles confiam mais nas recomendações dos parentes que na propaganda de tevê. Para se ter uma ideia, no Nordeste, onde se deu a maior expansão desse estrato social, 74% preferem se informar pelo boca a boca”.
Ao longo do texto alguns depoimentos colhidos de novos representantes da Classe C ratificam aquilo que as pesquisas revelam. Exemplo:
** “Aos 20 anos, [Vanessa Antonio] integra a porção jovem dos 31 milhões de brasileiros recém-instalados no meio da pirâmide social, com renda familiar mensal entre 1,5 mil e 5 mil reais. [Ela] e outros milhões de jovens das periferias começam a desempenhar o papel de principais formadores de opinião da chamada “nova classe média”. E mais: “Para os jovens como [Vanessa], três fatores aumentaram seu poder de opinião sobre a família e suas comunidades: emprego, estudos e o que eles chamam de “nova bomba do mundo”, a tecnologia. “Temos computadores e celulares. Nossas famílias agora têm mais acesso à informação. Agente vê as notícias, compara na internet e conta para eles.”
Esse extraordinário fenômeno de deslocamento do poder de construção da opinião pública de seus “formadores tradicionais” (pais, padres, professores e colunistas da velha mídia, dentre outros) para “líderes de opinião” das classes em ascensão social, com acesso direto e/ou indireto a fontes alternativas de informação, sobretudo à internet, já havia sido identificado faz tempo e deu mostras inequívocas de seu poder pelo menos desde as eleições de 2006 [cf. Venício A. de Lima, A Mídia nas Eleições de 2006, Perseu Abramo; 2007 e, neste Observatório , “A internet e os novos formadores de opinião”].
A grande mídia brasileira, no entanto, fazia de conta que não via o que estava acontecendo no país [ver, neste OI, “A velha mídia finge que o país não mudou”].
A entrevista de Florisbal
Por total coincidência, alguns dias depois da matéria da CartaCapital, sob o sugestivo título “Globo muda programação para atender a nova classe C”, o portal UOL divulga uma longa entrevista com Octavio Florisbal, diretor-geral da Globo. O que diz ele? Vale a pena ler a entrevista na sua totalidade, mas reproduzo abaixo alguns highlights:
Na introdução à entrevista Maurício Stycer escreve:
“A Rede Globo aprofundou um processo de modificações em sua programação para atender a uma nova clientela: a emergente classe C. As mudanças afetam as áreas de novelas, os programas de humor e o jornalismo. E objetivam deixar a programação mais popular. A nova classe C, na visão da emissora, quer se ver retratada nas telas.”
O diretor-geral da Globo afirma:** “Em dramaturgia, se você voltar 20 anos, você tinha alguns estereótipos. A novela estava centrada nos Jardins, em São Paulo, ou na zona sul do Rio e tinha um núcleo, aquele núcleo alegre, de classe C, na periferia. Hoje, não. A gente começa a ver essas histórias trafegando mais na periferia.”
** “[A classe C] tem que estar mais bem representada e identificada na dramaturgia, no jornalismo. Antes, você fazia uma coisa mais geral. Hoje, não. A gente tem que ir, principalmente nos telejornais locais, ao encontro deles. Eles têm que ver a sua realidade retratada nos telejornais. (...) No jornalismo é a mesma coisa. (...) Tem a redação móvel, que vai nas periferias e faz de lá. Nos telejornais nacionais você também tem que cuidar bem para não colocar em excesso certos temas que não atendem tanto.”
Aaahhh... Então a classe C não estava sendo “retratada nas telas”, ausente no entretenimento e ausente no jornalismo? Uai... não era a exclusão de alguns setores da população da telinha – a ausência de pluralidade e diversidade na representação – exatamente o que críticos da mídia apontam há anos?
E continua o diretor-geral:
** “No passado, a classe C seguia muito os padrões das classes A e B. (...) Eram seguidores. (...) Houve uma mudança de comportamento e de valores para estas pessoas. Acabamos de fazer uma pesquisa muito interessante de classe C que mostra isso. (...) Aquela divisão de que 80% do público é das classes C, D e E continua, mas eles têm mais presença, mais opinião. Eles ascenderam. Têm um jeito próprio de ser. Você tem que atendê-los melhor.”
Aaahhh... quer dizer que a classe C não é mais seguidora, agora ela sabe o que quer. Talvez, quem sabe, tenha aprendido até mesmo a votar, não é mesmo?
Mudanças inevitáveis?
Ao que parece, alguns princípios consagrados na Constituição de 1988, esperando há mais de 22 anos para serem cumpridos, acabarão acontecendo por força das mudanças que ocorreram no país, independente até mesmo da regulamentação legal. Exemplo: a regionalização da produção cultural, artística e jornalística.
Da mesma forma, a sobrevivência no “mercado” talvez obrigue o jornalismo televisivo a operar mudanças não só aos níveis local e regional, mas também no nacional. Afinal, a classe C agora sabe o que quer, tem “mais presença, mais opinião” e é preciso atendê-la.
Há realmente momentos em que a realidade parece ser mais forte do que o status quo.
A ver.
terça-feira, 31 de maio de 2011
RÁDIO E TELEVISÃO NO BRASIL
Veja quem são os proprietários de Rádio e Televisão no Brasil:
RELAÇÃO DE OUTORGADOS E OUTROS DADOS
Essa informação é importante, pois muitos outorgados estão funcionando ao arrepio da lei e utilizam recursos irregulares grosseiros para parecerem legais.
Ou seja, fazem de conta que estão regulares e os órgãos de fiscalização fazem de conta que não enxergam nada.
Leia muito mais no RS URGENTE.
terça-feira, 5 de abril de 2011
COMO SURGIU O PIG (PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA)
Os golpes da mídia
A possibilidade de ser instalada no Brasil uma comissão da verdade para contar o que aconteceu durante a ditadura militar, começada em 1964, aterroriza os setores conservadores. Tenho recebido pilhas de e-mails com o objetivo de mostrar que o golpe foi apoiado pelo povo. Estudei muito, ao longo dos anos, o processo que levou ao regime militar. Li centenas de livros. Convivi com intelectuais de esquerda que experimentaram o exílio, como Décio Freitas. Sempre soube de algo que agora parece surpreender as pessoas: a grande imprensa da época apoiou a rasteira dada em João Goulart. O golpismo da mídia chegou ao cúmulo de transformar a ditadura em democracia. Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Correio da Manhã, revista O Cruzeiro, O Dia, todos fecharam com os militares e com o golpe "democrático".
O Globo foi um dos mais vergonhosos apoiadores da ditadura. Em editorial, que recebi seis vezes na última semana, o jornal de Roberto Marinho vibrou: "Ressurge a democracia". E cometeu este parágrafo digno de figurar numa história nacional da infâmia: "Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes aos seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições". Dias gloriosos? Até parece texto de humor.
A Folha de S.Paulo, que, não faz muito, chamou o regime militar de "ditabranda", exultava em 1964: "É cedo para falar dos programas administrativos da Revolução. Mas é incontestável que um clima de ordem substituiu o que dominava o país, onde nem mesmo nas Forças Armadas se mantinham os princípios de rígida disciplina hierárquica que as caracterizam". O Correio da Manhã batia na mesa: "Basta! Não é possível continuar neste caos em todos os setores. Tanto no lado administrativo como no lado econômico e financeiro". O Estado de S. Paulo beijava as botas dos generais. A revista O Cruzeiro, a Veja da época, do cangaceiro Chatô, dava voz aos que, como Carlos Lacerda, soltavam coices: "O Sr. João Goulart é um leviano que nunca estudou - e não estudou porque não quis, não é porque não pôde. E agora, no governo do país, queria levar-nos ao comunismo".
Tudo se repete. Inclusive os e-mails. As conclusões é que são diferentes. Nossa mídia adora contar que resistiu à censura com poemas e receitas de bolo no lugar dos textos proibidos. A verdade é que, primeiro, ela caiu de quatro. Deve ser por isso que a maioria dos jornais considera uma comissão da verdade inadequada e radical. Raul Ryff, secretário de imprensa de Jango, nunca teve dúvidas: "O golpe foi dado contra nossos acertos e não contra nossos erros". Jango havia cometido o erro de dizer isto: "Espero que, em menos de 60 dias, já comecem a ser divididos os latifúndios de beira de estrada".
Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br
Correio do Povo
quinta-feira, 3 de março de 2011
"BRASILEIROS"
Ontem a noite dois times brasileiros tiveram jogos pela Libertadores: Santos e Fluminense.
No final do jogo do Fluminense, ao constatar que o Santos apenas empatou com um time paraguaio em plena Vila Belmiro e o Fluminense perdeu para um time mexicano, no México, um narrador da SPORTV declarou que havia sido uma péssima noite para o futebol brasileiro na Libertadores.
Alíás, complementa ele, "nessa edição da Libertadores os times brasileiros vão muito mal".
O comentarista que trabalhava com ele, então, lembrou que o Cruzeiro estava muito bem, com 7 pontos em três jogos.
"É verdade", responde, "havia esquecido do Cruzeiro".
O comentarista insiste dizendo que Grêmio e Internacional também não estão tão mal.
O narrador muda de assunto.
-x-
Os diálogos não são totalmente literais, porém o sentido foi exatamente esse.
Comentário do Blog: Depois esses caras reclamam que a gauchada canta mais alto o Hino local do que o Nacional...
terça-feira, 1 de março de 2011
O SHOW DE DILMA
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| FORMAGGIO OMELETTE |
DILMA PREPARA OMELETE PRESIDENCIAL
A presidente Dilma Rousseff participou da gravação do programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga, na TV Globo, durante a manhã desta segunda-feira (28), nos estúdios da emissora, na zona oeste do Rio de Janeiro.Durante o encontro, a presidente preparou uma receita de omelete presidencial. A entrevista deve ser exibida na próxima terça-feira (1º).
Na semana passada, Dilma gravou com a apresentadora Hebe, para seu programa na Rede TV!, no Palácio da Alvorada, residência oficial em Brasília, para um programa especial sobre o Dia das Mulheres. A conversa vai ao ar no próximo dia 15 e marcará a estreia da apresentadora na Rede TV!.
De acordo com a assessoria de imprensa do Planalto, a presidente não tinha compromissos marcados com autoridades no Rio de Janeiro, porém, o governador Sérgio Cabral (PMDB) foi até a base aérea no aeroporto Tom Jobim, o Galeão, na zona norte da capital, para encontrá-la.
O encontro foi informal, de acordo com a assessoria de Cabral, e durou aproximadamente 30 minutos.
FONTE: R7
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Cade aprova acordo proposto pela Globo+Clube dos 13
Foram 6 votos contra 1. O Cade aceitou os termos do acordo proposto pela Globo e pelo Clube dos 13 para evitarem multa pesada por pratica antcompetitiva. A Globo ganhou o alivio de nao ter que pagar a multa mas perde (a partir de 2012) o direito de preferência de compra dos direitos de transmissao do Brasileirao. E terá de competir de igual para igual com os concorrentes. Até aqui tinha direto a uma 2a oferta que cobrisse a proposta de uma outra emissora ou rede - segundo o acordo com os clubes. A açao corria ha mais de 10 anos no Cade e nao foi possivel adiar a decisao mais uma vez.
Blue Bus
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
MPF acusa TV Globo e Clube dos 13 de cartel em transmissões do brasileirão

Redação Portal IMPRENSA
O Ministério Publico Federal (MPF) emitiu parecer contra a TV Globo e o Clube dos 13 por prática de cartel sobre a venda dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.
O órgão acusa a emissora de se unir à TV Bandeirantes para cobrir proposta do SBT e de exercer influência direta sobre o formato de negociação. Já o Clube dos 13 teria executado contratos sob regime de exclusividade. O processo já tramita no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A emissora alega como defesa uma competitividade neutra na preferência, uma vez que esta não impede a maior concorrência a cada renovação de contrato. Segundo o Clube, a exclusividade é apenas uma garantia de transmissão a quem comprou o produto, sem prejuízo à concorrência.
Para a Secretaria de Direito Econômico (SDE), responsável pela investigação de práticas anticoncorrenciais, os direitos de transmissão devem ser vendidos em três pacotes separados, evitando assim sua venda conjunta. A Secretaria ainda sugere a proibição da cláusula de direito de preferência na renovação de contratos.
"A prática teve efeitos anticompetitivos. O Clube dos Treze e a Globo limitaram e prejudicaram a livre concorrência ao usar a cláusula de preferência", explicou procurador regional da República e representante substituto do MPF junto ao Cade, Marcus da Penha Souza Lima.
A emissora e os clubes também são acusados de impedir o acesso de novas empresas no mercado em desrespeito à Constituição Federal, que determina que "os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio".
O MPF pede a instauração de novo processo administrativo para investigar as condutas de venda de transmissão no futebol brasileiro.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
RBS TINHA DEZ SENHAS DO GOVERNO YEDA PARA ESPIONAR DESAFETOS

Depois de admitir, por meio de nota publicada no tabloide venal Zero Hora, que o araponga lotado na Casa Militar do Palácio Piratini era informante do Grupo RBS (afiliado da Globo no RS e em SC), o império mafiomidiático gaúcho está às voltas com mais uma sarna: pelo menos dez senhas de acesso ao Sistema de Consultas Integradas da Secretaria de Segurança foram distribuídas pelo governo Yeda Crusius (PSDB) aos repórteres do conglomerado da Famiglia Sirotsky. A informação foi veiculada pelo Twitter do jornalista Vitor Vieira, profissional que passa longe de ser considerado um “petista”.
Com a revelação, a sociedade passa a conhecer melhor as outras fontes “jornalísticas” da corporação. Como se sabe, os veículos da RBS também costumam basear seus “furos de reportagem” em materiais apócrifos e anônimos encontrados nos latões de lixo dos estacionamentos de Porto Alegre.
Até o momento, a laboriosa colunista-abelha de ZH e o operoso comentarista-vendedor-de-salames da RBS não se manifestaram sobre a violação, pela empresa, de seu próprio Código de Ética.
Aguardam-se, para breve, as posições da ARI (Associação Rio-grandense de Impresa), da ANJ (Associação Nacional de Jornais), da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e do Sindicato dos Jornalistas.
CLOACA NEWS
Nota do Blog: Como diria o filho estuprador de um diretor da RBS: "Eu como quem eu quero".
terça-feira, 14 de setembro de 2010
CRÔNICAS GLOBAIS

O repórter da Globo com 4 rodas em cima da calçada - motorista de 2m de altura
Conta hoje Joaquim Ferreira dos Santos em sua coluna Gente Boa no Globo - "Jards Macalé ia pela calçada da Rua Maria Angélica, Jardim Botânico, quando foi interrompido por um carro estacionado com as quatro rodas. Nao teve dúvida. Arranhou-o de um lado ao outro - e só nao continuou pelo outro lado porque de dentro do carro, escondido pelo insulfilm, saiu o motorista, de 2m de altura. Começou o bate-boca e a multidao juntou, tomando partido em discursos".
"A cena ficou mais 'fantástica' quando surgiu o dono do carro, o repórter Tadeu Schmidt, da Globo. A PM veio em seguida, depois, a Guarda Municipal. A cena se desfez duas horas depois, quando Macalé se dispôs a pagar os danos à lataria do carro (já orçados em R$ 1,000), desde que houvesse multa pelo estacionamento na calçada. O caso está na 15ª DP".
Visite Blue Bus.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Lula dá flor a Dilma por "calma" em entrevista à TV

BELO HORIZONTE (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez sua provocação da noite. Deu uma rosa à candidata Dilma Rousseff nesta terça-feira por ter mantido a "calma" na entrevista dada na véspera ao Jornal Nacional
"Dilma, pela tua paciência, pela tua grandeza, queria te dar essa rosa e dizer pra você: não fique nervosa nunca, não perca as estribeiras nunca, não aceite provocação nunca, porque a verdade nua e crua é que tem muita gente com medo que uma mulher possa provar que tem mais capacidade de fazer muita coisa do que os homens já fizeram", disse Lula em um discurso inflamado em que atacou frontalmente a oposição.
Dilma foi a primeira presidenciável entrevistada por William Bonner e Fátima Bernardes, da TV Globo. Lula achou os ancoras agressivos com a candidata.
"Eu sinceramente esperava que, pelo fato de ser mulher e candidata, que o entrevistador tivesse um pouco mais de gentileza com a nossa candidata", afirmou ele, levando a plateia aos gritos.
(Reportagem de Natuza Nery)
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