quinta-feira, 15 de abril de 2010

TUCANIC



Visite Hupper, o SÁTIRO.

Fórum da Liberade oscila entre o fascismo e o delírio


Evento realizado em Porto Alegre reúne pensadores que estão à direita de Adam Smith (ao não reconhecerem a função social da propriedade) e que se aproximam perigosamente de idéias fascistas, quando não descambam simplesmente para o delírio defendendo coisas como, por exemplo, a privatização dos tubarões.

por Marco Aurélio Weissheimer para a Carta Maior

Todos os anos ocorre em Porto Alegre o Fórum da Liberdade,um evento organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) que ganhou corpo propondo-se a ser uma espécie de contraponto ao Fórum Social Mundial realizado na capital gaúcho. O Fórum da Liberdade filia-se à mesma linha de pensamento do Instituto Millenium. Na abertura do encontro, o governo foi chamado de ladrão, o Estado de inútil e a propriedade colocada no altar sagrado da vida social, acima inclusive dos Direitos Humanos. Seguem dois relatos representativos do tipo de pensamento que vem sendo cultivado entre um setor do empresariado brasileiro, um pensamento que está (muito) à direita de Adam Smith, que se aproxima perigosamente de idéias fascistas, quando não descamba simplesmente para o delírio.

"O povo da América Latina é ignorante"

O presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), Luiz Leonardo Fração, desfilou todo seu ideário na abertura da 23ª edição do Fórum da Liberdade, evento promovido pelo IEE. Um breve resumo desse ideário: todo governo é ladrão, os empresários são bons, os direitos humanos não podem se sobrepor ao direito de propriedade, o ideal na vida é trabalhar, produzir e não depender de ninguém. Segundo o jornalista Flávio Ilha, do jornal Zero Hora , Fração foi aplaudido de pé por platéia de aproximadamente mil pessoas. Graduado em Engenharia Civil pela UFRGS, Fração, ao invés de produzir prédios, pontes e estradas (algo que se aproximaria de seu suposto ideal de vida), decidiu se dedicar ao mercado financeiro e atuou na área de auditoria na PricewaterhouseCoopers.

O jovem empresário que não acredita no governo, no Estado e na Constituição brasileira e que não gosta de depender de ninguém na vida considera-se por outro lado uma pessoa humilde e um líder. Como líder gosta que outros dependam dele. Sua receita de liderança é uma combinação de conhecimento e humildade segundo suas próprias palavras ao assumir a presidência do IEE.

Do alto destes valores, Fração diz que a população da América Latina é ignorante, desinformada e não sabe votar. Ele defende essa posição em um artigo intitulado O futuro da América Latina, onde critica os países que não adotaram a opção de trabalhar e não depender de ninguém, senão de si mesmo. Todos, na sua opinião, menos o Chile. Para Fração, o Estado de Direito está condenado pela Justiça Social. Ele escreve:

O que enxergamos hoje na América Latina nada mais é do que o resultado da ignorância de suas populações e da escolha de líderes que buscam o poder para benefício próprio, ludibriando a população desinformada com promessas populistas que nunca são cumpridas por culpa dos "capitalistas sanguinários". Toda vez que se ouve a palavra "social", temos um sinônimo de algo por que pagamos mais do que deveríamos, sem que obtenhamos nada em troca. O futuro da América Latina está perdido nessa palavra. O Estado de Direito está condenado pela "Justiça Social".

Luiz Leonardo Fração é um jovem e humilde empresário que não gosta de depender de ninguém, ama a propriedade acima de tudo e não gosta da ignorância do povo da América Latina. Foi aplaudido de pé no Fórum da Liberdade, encontro que, nesta edição, pretende entender o mundo. Ele, é claro, já entendeu e esteve lá para ensinar. Pena que o povo ignorante e desinformado não estava lá para beber de seu conhecimento e de sua humildade.

Em defesa da privatização dos tubarões

O Fórum da Liberdade trouxe pensadores insólitos a Porto Alegre para tentar entender o mundo. Um deles é Rodrigo Constantino, formado pela Economia na PUC-RJ e membro fundador do Instituto Millenium, convidado para debater sobre socialismo. Constantino é autor de um texto clássico intitulado Patrimônio da humanidade, onde defende a privatização dos tubarões. É isso mesmo,vocês leram direito, a privatização dos tubarões! Constantino apresenta assim o seu ponto:

Por que os tubarões podem estar ameaçados de extinção, mas as vacas dificilmente correm tal risco? Por que é absurdamente raro que uma pessoa lave um carro alugado antes de devolvê-lo? Por que a floresta amazônica anda sendo devastada em ritmo acelerado e sem responsabilidade? Apesar de aparentarem desconexas, essas perguntas estão intimamente ligadas, pois a resposta é a mesma para todas: direito de propriedade privada.

Os tubarões, no meio do oceano, filosofa Constantino, não possuem donos, ao contrário das vacas, com proprietários bem definidos. O pensamento do autor é, sejamos benevolentes, um tanto labiríntico. Logo após introduzir o tema dos tubarões, comparando a situação desses animais com a das vacas, Constantino dá um salto semântico para o mundo dos carros alugados, juntando as pontas depois num looping dialético, se é que vocês me entendem. Ele escreve:

O carro alugado, apesar de ter um dono, não está sendo utilizado por este quando está alugado. E o cliente não lava o carro justamente porque o carro não é dele. Da mesma forma, a floresta amazônica é tão mal tratada e explorada justamente pela ausência de uma propriedade privada bem definida. Espero que a mensagem tenha ficado bastante clara.

Não ficou muito clara, na verdade, mas deu para entender que tubarões devem ser privatizados como as vacas (Constantino não explica como; currais de tubarões nos mares, talvez, ou grandes pastos oceânicos). Não só os tubarões, mas a Amazônia também. Ele explica:

É a propriedade privada que faz florescer um tratamento adequado aos recursos naturais, com base na racionalidade e busca de lucro. Não vamos tratar a Amazônia como um mico-leão dourado. Vamos tratá-la como uma vaca. Quando as coisas têm dono, a própria lei de oferta e demanda, através do preço de mercado, força um tratamento mais racional por parte do proprietário.

Constantino também defende outras teses ousadas como a do comércio de órgãos humanos (tese transplantada de seu guru, o austríaco Ludwig Von Mises). O autor tornou-se uma celebridade no Orkut após ter afirmado que, numa certa região da África, a privatização evitou a extinção dos mamutes. O fato de os mamutes estarem extintos não foi encarada por ele como uma refutação, o que deu origem à comunidade de Refutópolis , em homenagem ao pensamento do autor.

Também foi muito aplaudido no Fórum da Liberdade.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vaticano é alvo de mais críticas por vincular gays à pedofilia


A casa onde o Papa Ratzinger nasceu (acima), localizada na Alemanha, amanheceu hoje pichada com palavras não divulgadas.

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - Políticos e grupos representantes de gays condenaram o número dois do Vaticano nesta quarta-feira por dizer que o homossexualismo é uma "patologia" e vinculá-lo diretamente ao abuso sexual de crianças.

As declarações feitas pelo cardeal Tarcisio Bertone durante visita ao Chile, e a controvérsia que desencadearam, fizeram manchetes nos grandes jornais italianos. O Ministério do Exterior francês e alguns blogs católicos que apoiam o papa também condenaram as declarações do cardeal.

À medida que o escândalo em torno do abuso sexual de crianças por parte de padres vem se alastrando, alguns setores da Igreja Católica começaram a pedir uma revisão da norma da Igreja que proíbe os padres de se casarem, dizendo que o casamento lhes permitiria desfrutar de uma vida sexual saudável.

Bertone, o secretário de Estado do Vaticano e que às vezes é chamado de "vice-papa", disse em coletiva de imprensa concedida em Santiago na segunda-feira:

"Muitos psicólogos e psiquiatras já mostraram que não existe vínculo entre o celibato e a pedofilia, mas, me foi dito recentemente, muitos outros já demonstraram que existe uma relação entre homossexualidade e pedofilia."

"Esta (a homossexualidade) é uma patologia que atinge pessoas de todas as categorias, e sacerdotes em grau menor, em termos percentuais", disse ele. "O comportamento dos padres neste caso, o comportamento negativo, é muito sério, é escandaloso."

Ativistas de defesa dos direitos dos gays reagiram com escárnio e ultraje.

"É um absurdo científico. A Organização Mundial da Saúde descreve o homossexualismo como uma variante do comportamento humano. É a pedofilia que é uma patologia, um crime, e não o homossexualismo", disse Franco Grillini, ex-parlamentar que esteve na vanguarda do movimento italiano de defesa dos direitos dos gays.

"Pelo fato de terem seus próprios problemas com a crise dos abusos e de não saberem como lidar com isso, estão tentando transferir sua 'cruz' dos ombros deles para os nossos", disse Grillini à Reuters.

BLOG CATÓLICO CRITICA

O Ministério do Exterior da França disse que foi "uma vinculação inaceitável e que condenamos".

Alguns blogs católicos pró-Vaticano disseram que mais polêmica é a última coisa de que o Vaticano precisa.

"Pedofilia e homossexualismo: Bertone tropeça -- mais uma vez -- sobre os gays", disse um post no "Blog dos Amigos do papa Ratzinger."

O blog disse que agora o papa terá que "limpar a sujeira feita por seu braço direito".

O porta-voz do Vaticano padre Federico Lombardi divulgou um comunicado no qual tentou minimizar a repercussão do incidente.

Ele disse que líderes da Igreja não estavam fazendo "afirmações gerais sobre uma natureza psicológica específica" e mostrou estatísticas da Igreja mostrando que dois terços dos casos de abuso de adolescentes por padres envolviam padres homossexuais.

Um editorial de primeira página no jornal romano de viés esquerdista La Repubblica, intitulado "A Confusão na Igreja", disse que as declarações de Bertone acabarão por "prejudicar mais a própria Igreja, e não os homossexuais".

Bertone também foi criticado pela deputada de direita Alessandra Mussolini, cujo avô, o ditador fascista Benito Mussolini, enviou os gays para o exílio interno.

"Não se pode vincular orientação sexual a pedofilia. O vínculo corre o risco de ser perigosamente enganoso para a proteção das crianças", disse ela.

O ArciLesbica, principal grupo italiano de defesa dos direitos das lésbicas, acusou o Vaticano de usar "declarações violentas e enganosas" para desviar a atenção de seu escândalo de abuso sexual e disse que os pais italianos deveriam estudar a possibilidade de tirar seus filhos de instituições dirigidas pela Igreja.

Em sua audiência semanal geral, o papa Bento 16 não fez nenhuma referência direta à crise enfrentada pela Igreja.

(Reportagem adicional de Crispian Balmer, em Paris, e Simon Gardner, em Santiago)

Troca-Troca inclui transgênicos


Os agricultores gaúchos poderão adquirir sementes de milho transgênico pelo programa Troca-Troca para cultivar a próxima safra. A determinação foi dada ontem em reunião do Conselho de Administração do Feaper, que reuniu lideranças do setor na Secretaria da Agricultura (Seappa).

O secretário interino da Agricultura, Gilmar Tietböhl, destaca que a medida foi solicitada em 2009, mas o conselho havia decidido não incluir porque considerou a semente muito cara. "Incentivamos o produtor a usar cultivares certificadas e de qualidade, por isso, devemos dar possibilidade de escolha." No entanto, o subsídio oferecido terá o mesmo valor firmado para a semente convencional. Atualmente, a saca de semente do tipo híbrido está em torno de R$ 80,00 e o subsídio proporcionado pelo Estado é de R$ 17,50.

Correio do Povo

Secretário de Estado do Vaticano relaciona pedofilia com homossexualidade


O "número dois" do Vaticano nega qualquer relação entre o celibato e a pedofília. Numa conferência de imprensa, no Chile, o cardeal Tarcisio Bertone defendeu antes que há estudos que comprovam que existe uma conexão entre homossexualidade e abusos sexuais de menores. Declarações polémicas que surgem poucos dias antes da visita do Papa a Malta, uma deslocação que está já a ser marcada por protestos.

"Muitos psicólogos e muitos psiquiatras demonstraram que não há qualquer relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros mostraram, como me disseram recentemente, que há uma ligação entre a homossexualidade e pedofilia", disse o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, de visita ao Chile.

O cardeal reforçou, mesmo assim, que os casos de abusos entre o clero são escandalosos e assegurou que o Papa vai anunciar em breve novas medidas para evitar este problema.

O Vaticano divulgou, entretanto, um guia de orientações para os casos de abusos sexuais numa altura que surgem na imprensa novos escândalos a envolver a Igreja.

Na Alemanha um mosteiro da Baviera está sob suspeita por alegados actos pedofilos dos sacerdotes. Já na Austria, um padre católico está indiciado pela posse de pornografia infantil no computador pessoal.

Protestos em Malta

Num país profundamente católico, a visita de Bento XVI, no sábado, é esperada com ansiedade, mas a deslocação está também a ser ensombrada pelos casos de pedofilia - 45 padres estão a ser investigados por suspeita de abusos de menores.

Algumas das vítimas pedem justiça, querem ser recebidas pelo Papa e planeiam uma manifestação para o fim-de-semana.

As autoridades vão reforçar a segurança nas ruas.

SAPO

terça-feira, 13 de abril de 2010

Vaticano elogia os Beatles 40 anos após fim da banda

THE GURITLES:

O Vaticano elogiou os Beatles por ocasião dos 40 anos da dissolução da banda britânica, lembrados neste ano.

Em um artigo intitulado Sete Anos que Abalaram a Música, o jornal do Vaticano L'Osservatore Romano chamou o grupo de "joia preciosa".

O texto lembra que, segundo alguns comentaristas, os Beatles divulgavam mensagens misteriosas, tidas por alguns até como "satânicas".

"É verdade que eles tomaram drogas, viveram uma vida de excessos por causa do seu sucesso, e até disseram que eram mais famosos do que Jesus".

"No entanto, ao ouvir suas canções, tudo isso parece distante e insignificante".

"Eles podem não ser o melhor exemplo da juventude da época, mas não eram, de maneira nenhuma, o pior. Suas belas melodias mudaram a música e continuam a dar prazer", diz o artigo.

Referindo-se à dissolução da banda em abril de 1970, o texto diz que "mais do que expressar tristeza pela separação deles, talvez a questão (a se refletir) deveria ser como a música pop teria sido sem os Beatles."

Surpresa

Os elogios ao grupo britânico podem surpreender muitos católicos, já que a banda chegou a criticar religiões organizadas.

John Lennon causou grande polêmica em 1966 quando disse em uma entrevista à imprensa britânica que os Beatles eram mais populares do que Jesus.

"O cristianismo vai acabar (...) Eu não preciso argumentar, eu estou certo e isso será comprovado. Nós somos mais populares do que Jesus hoje em dia. Eu não sei o que vai acabar primeiro - o rock n' roll ou o cristianismo."

Há dois anos a Igreja Católica perdoou Lennon por este comentário. "A declaração de John Lennon, que provocou tanta indignação nos Estados Unidos, depois de todos estes anos soa como uma bravata de um jovem proletário inglês às voltas com um sucesso inesperado", disse artigo publicado no L'Osservatore Romano em 2008.

BBC

Nota do Blog: Que hora para fazer os elogios... Justamente quando o Papa e a Igreja Católica estão soterrados por denúncias de abusos contra menores de idade.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Extrema direita cresce na Europa


Partidos de extrema direita vêm ganhando cada vez mais espaço nas eleições regionais e nacionais europeias nos últimos meses. Mas até que ponto os europeus se deixam atrair pelo discurso populista?

Nas eleições deste domingo (11/04) na Hungria, pela primeira vez um partido declaradamente de extrema direita conseguiu entrar no parlamento nacional de um país europeu. Na França, a Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen teve resultados significativos nas eleições regionais.

Na Itália, a populista e xenófoba Liga Norte fortificou sua posição e, na Holanda a popularidade do crítico do Islã Geert Wilders aumenta a cada dia. Até que ponto a população da Europa é vulnerável aos apelos populistas, que apresentam soluções aparentemente simples para problemas complexos?

A Europa cresce unida. O espaço Schengen foi ampliado nos últimos anos, chegando até à Islândia e à fronteira com a Ucrânia, sendo que cada vez mais pessoas cruzam as fronteiras internas do bloco. Muitos se veem hoje tanto como europeus quanto como cidadãos de seus Estados nacionais de origem.

Mas os partidos xenófobos e de extrema direita estão ganhando popularidade. Nos últimos meses, têm conseguido ganhos espetaculares em vários países da UE. Como é o caso agora da Hungria, onde Viktor Orban, vencedor das eleições e presidente do conservador Fidesz, se serviu durante a campanha tanto de estereótipos xenófobos como de um discurso eurocético; assim como do recém-formado partido de extrema direita Jobbik, que também apresentou ganhos significativos de eleitorado.

Movimentos têm características distintas

Os movimentos populistas de direita europeus têm características distintas, segundo Wolfgang Kapust, especialista em extremismo da rede pública alemã de rádio e TV Westdeutsche Rundfunk.

"Temos populistas de extrema direita na Escandinávia que protestam contra impostos, temos os nacionalistas na Europa Oriental que tentam ganhar novas identidades com a queda do Muro. Temos características muito diferentes, como o líder francês Jean-Marie Le Pen, ou com o movimento na Áustria que era liderado por Jörg Haider", afirma.

Mas populistas de extrema direita têm em comum a capacidade de instrumentalizar a seu favor os medos dos eleitores em tempos de crise, explica, se aproveitando da insatisfação dos cidadãos e oferecendo respostas simples para problemas complexos, como a situação econômica ou o desemprego. "Eles querem se livrar sobretudo dos estrangeiros e dos 'outros'", afirma.

Dificuldade de cooperação

O fato de esses movimentos se caracterizarem sobretudo pela discriminação de tudo aquilo que é estrangeiro faz com que não consigam colaborar com outras forças similares além das fronteiras dos países em que atuam.

Isso fica claro no Parlamento Europeu. "Tanto extremistas de direita quanto populistas de direita têm seus problemas com o conceito de Europa. Eles lutam contra instituições políticas supranacionais como a UE. Querem manter a identidade de seus próprios países. Paradoxalmente, tentaram formar uma bancada própria no Parlamento Europeu, o que não deu certo, porque as diferenças entre eles eram muito grandes" , afirma Kapust.

Muitas vezes, os pequenos partidos de extrema direita permanecem partidos de protesto e não conseguem participar de uma coalizão. Ao mesmo tempo, exercem pressão sobre os partidos conservadores do centro, os quais não querem perder seus eleitores mais de direita.

Isso pôde ser observado também nas eleições regionais de fevereiro na França, nas quais tanto os socialistas como a Frente Nacional conseguiram um forte ganho de votos, às custas dos conservadores, afirma Elisabeth Cadot, especialista em França da Deutsche Welle.

Decepção com Sarkozy deu votos a Le Pen

Na sua opinião de Cadot, as eleições regionais francesas foram uma oportunidade de eleitores conservadores mais à direita mostrarem a Sarkozy que estão decepcionados com sua política.

"Nas últimas eleições presidenciais, Sarkozy havia tirado eleitores da Frente Nacional, e muitos acreditavam que este partido estava chegando ao fim, só porque Le Pen, com 81 anos, já não era mais tão novo. Mas ele enviou com sucesso sua filha para a campanha e os desapontados com Sarkozy votaram novamente na Frente Nacional", completa Cadot.

Enquanto pequenos partidos radicais muitas vezes desaparecem ao serem atingidos por escândalos de corrupção, grandes agremiações populares de direita menos radicais conseguem sobreviver bem aos escândalos e mantêm a popularidade. É o caso do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, que não foi mal nas eleições de março, apesar dos muitos escândalos em que está envolvido.

O próprio partido de Berlusconi teve um resultado um pouco fraco, conseguindo entre 20% e 30%, dependendo da região. Os vencedores, entretanto, não foram seus adversários políticos, mas seus aliados, como a Liga Norte", explica Stefan Köppl, especialista em Itália da Academia para Educação Política de Tutzin. "Além do mais, os eleitores de Berlusconi já conhecem seus escândalos e escapadas há mais de 15 anos e já não deixam de votar nele por causa disso", observa.

Partidos anti-islâmicos visam um diferencial

No espectro da direita populista, os movimentos anti-islâmicos, como o do deputado holandês Geert Wilders, têm um certo diferencial. Wilders, por exemplo, se distancia claramente do antissemitismo ou de estereótipos antimodernos, como os normalmente cultivados pelos partidos de extrema direita, e se apresenta como um expoente da defesa da democracia.

Mas Kapust vê um paralelo entre o holandês e seus congêneres. "Essa tendência vista na Holanda está, certamente, em conexão com a proibição dos minaretes na Suíça e com movimentos similares na Alemanha, também caracterizados pelo anti-islamismo. Há uma conexão, eles cooperam entre si. Cientistas políticos já falam em um 'racismo anti-islâmico' que tenta alimentar o medo e construir um adversário ou inimigo palpável", avalia o especialista.

Autor: Fabian Schmidt (md)
Revisão: Rodrigo Rimon

Deutsche Welle