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segunda-feira, 5 de agosto de 2013
O MÉXICO NA MIRA DO IEE
O atual Presidente do Instituto de Estudos Empresariais, Bruno Zaffari, conforme Correio do Povo de 5 de agosto de 2013, declarou:
"A Argentina, por excesso de intervencionismo do Estado, está mergulhada em sérias dificuldades. O México fez as reformas estruturais e vive uma fase positiva de crescimento. Já o Brasil não fez reformas, estagnou, perdeu competitividade e o PIB está em queda".
O México que se cuide.
As economias elogiadas e consideradas como modelo pelo IEE, como por exemplo Irlanda e Islândia, QUEBRARAM.
O México será o próximo?
Observação: a foto acima foi tirada por este blogueiro em 30 de julho de 2013 no charmoso Boulevard Saint-Michel, em Paris. A imagem, de certa forma, sintetiza a posição da The Economist, que costuma criticar de forma violenta as economias de países que buscam diminuir os problemas de concentração de renda, mas que costuma minimizar os problemas das economias europeias, particularmente da britânica.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Fórum da Liberade oscila entre o fascismo e o delírio

Evento realizado em Porto Alegre reúne pensadores que estão à direita de Adam Smith (ao não reconhecerem a função social da propriedade) e que se aproximam perigosamente de idéias fascistas, quando não descambam simplesmente para o delírio defendendo coisas como, por exemplo, a privatização dos tubarões.
por Marco Aurélio Weissheimer para a Carta Maior
Todos os anos ocorre em Porto Alegre o Fórum da Liberdade,um evento organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) que ganhou corpo propondo-se a ser uma espécie de contraponto ao Fórum Social Mundial realizado na capital gaúcho. O Fórum da Liberdade filia-se à mesma linha de pensamento do Instituto Millenium. Na abertura do encontro, o governo foi chamado de ladrão, o Estado de inútil e a propriedade colocada no altar sagrado da vida social, acima inclusive dos Direitos Humanos. Seguem dois relatos representativos do tipo de pensamento que vem sendo cultivado entre um setor do empresariado brasileiro, um pensamento que está (muito) à direita de Adam Smith, que se aproxima perigosamente de idéias fascistas, quando não descamba simplesmente para o delírio.
"O povo da América Latina é ignorante"
O presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), Luiz Leonardo Fração, desfilou todo seu ideário na abertura da 23ª edição do Fórum da Liberdade, evento promovido pelo IEE. Um breve resumo desse ideário: todo governo é ladrão, os empresários são bons, os direitos humanos não podem se sobrepor ao direito de propriedade, o ideal na vida é trabalhar, produzir e não depender de ninguém. Segundo o jornalista Flávio Ilha, do jornal Zero Hora , Fração foi aplaudido de pé por platéia de aproximadamente mil pessoas. Graduado em Engenharia Civil pela UFRGS, Fração, ao invés de produzir prédios, pontes e estradas (algo que se aproximaria de seu suposto ideal de vida), decidiu se dedicar ao mercado financeiro e atuou na área de auditoria na PricewaterhouseCoopers.
O jovem empresário que não acredita no governo, no Estado e na Constituição brasileira e que não gosta de depender de ninguém na vida considera-se por outro lado uma pessoa humilde e um líder. Como líder gosta que outros dependam dele. Sua receita de liderança é uma combinação de conhecimento e humildade segundo suas próprias palavras ao assumir a presidência do IEE.
Do alto destes valores, Fração diz que a população da América Latina é ignorante, desinformada e não sabe votar. Ele defende essa posição em um artigo intitulado O futuro da América Latina, onde critica os países que não adotaram a opção de trabalhar e não depender de ninguém, senão de si mesmo. Todos, na sua opinião, menos o Chile. Para Fração, o Estado de Direito está condenado pela Justiça Social. Ele escreve:
O que enxergamos hoje na América Latina nada mais é do que o resultado da ignorância de suas populações e da escolha de líderes que buscam o poder para benefício próprio, ludibriando a população desinformada com promessas populistas que nunca são cumpridas por culpa dos "capitalistas sanguinários". Toda vez que se ouve a palavra "social", temos um sinônimo de algo por que pagamos mais do que deveríamos, sem que obtenhamos nada em troca. O futuro da América Latina está perdido nessa palavra. O Estado de Direito está condenado pela "Justiça Social".
Luiz Leonardo Fração é um jovem e humilde empresário que não gosta de depender de ninguém, ama a propriedade acima de tudo e não gosta da ignorância do povo da América Latina. Foi aplaudido de pé no Fórum da Liberdade, encontro que, nesta edição, pretende entender o mundo. Ele, é claro, já entendeu e esteve lá para ensinar. Pena que o povo ignorante e desinformado não estava lá para beber de seu conhecimento e de sua humildade.
Em defesa da privatização dos tubarões
O Fórum da Liberdade trouxe pensadores insólitos a Porto Alegre para tentar entender o mundo. Um deles é Rodrigo Constantino, formado pela Economia na PUC-RJ e membro fundador do Instituto Millenium, convidado para debater sobre socialismo. Constantino é autor de um texto clássico intitulado Patrimônio da humanidade, onde defende a privatização dos tubarões. É isso mesmo,vocês leram direito, a privatização dos tubarões! Constantino apresenta assim o seu ponto:
Por que os tubarões podem estar ameaçados de extinção, mas as vacas dificilmente correm tal risco? Por que é absurdamente raro que uma pessoa lave um carro alugado antes de devolvê-lo? Por que a floresta amazônica anda sendo devastada em ritmo acelerado e sem responsabilidade? Apesar de aparentarem desconexas, essas perguntas estão intimamente ligadas, pois a resposta é a mesma para todas: direito de propriedade privada.
Os tubarões, no meio do oceano, filosofa Constantino, não possuem donos, ao contrário das vacas, com proprietários bem definidos. O pensamento do autor é, sejamos benevolentes, um tanto labiríntico. Logo após introduzir o tema dos tubarões, comparando a situação desses animais com a das vacas, Constantino dá um salto semântico para o mundo dos carros alugados, juntando as pontas depois num looping dialético, se é que vocês me entendem. Ele escreve:
O carro alugado, apesar de ter um dono, não está sendo utilizado por este quando está alugado. E o cliente não lava o carro justamente porque o carro não é dele. Da mesma forma, a floresta amazônica é tão mal tratada e explorada justamente pela ausência de uma propriedade privada bem definida. Espero que a mensagem tenha ficado bastante clara.
Não ficou muito clara, na verdade, mas deu para entender que tubarões devem ser privatizados como as vacas (Constantino não explica como; currais de tubarões nos mares, talvez, ou grandes pastos oceânicos). Não só os tubarões, mas a Amazônia também. Ele explica:
É a propriedade privada que faz florescer um tratamento adequado aos recursos naturais, com base na racionalidade e busca de lucro. Não vamos tratar a Amazônia como um mico-leão dourado. Vamos tratá-la como uma vaca. Quando as coisas têm dono, a própria lei de oferta e demanda, através do preço de mercado, força um tratamento mais racional por parte do proprietário.
Constantino também defende outras teses ousadas como a do comércio de órgãos humanos (tese transplantada de seu guru, o austríaco Ludwig Von Mises). O autor tornou-se uma celebridade no Orkut após ter afirmado que, numa certa região da África, a privatização evitou a extinção dos mamutes. O fato de os mamutes estarem extintos não foi encarada por ele como uma refutação, o que deu origem à comunidade de Refutópolis , em homenagem ao pensamento do autor.
Também foi muito aplaudido no Fórum da Liberdade.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Esquerda vence eleições legislativas na Islândia
VISTA DE REYKJAVIK:

Reykjavík, 25 abr (EFE).- O bloco de esquerda da primeira-ministra islandesa, a social-democrata Jóhanna Sigurdardóttir, venceu hoje as eleições legislativas antecipadas na Islândia com 52,9% do votos após 38% das urnas apuradas, segundo dados da Comissão Nacional Eleitoral do país.
A Aliança Social-Democrata obteve 32,9%, contra 26,8% nas eleições de 2007, e seu aliado no Governo, o Movimento de Esquerda Verde, obteve 19,9%.
Os dois partidos ganharam quatro cadeiras a mais do que no pleito anterior. Os social-democratas elegeram 22 deputados e os verdes, 13, somando 35 dos 63 cadeiras do Parlamento unicameral islandês.
O conservador Partido da Independência, que ocupou o poder das últimas duas décadas, ficou com 23% dos votos e 15 cadeiras, dez a menos do que nas eleições anteriores.
É a primeira vez em que a esquerda da Islândia conquista a maioria absoluta e que o Partido da Independência não é a força mais votada desde a independência do país, em 1944.
Estes dados provisórios procedem de uma apuração das primeiras urnas e que não foi divulgada até o fechamento dos colégios eleitorais, como havia sido anunciado pela Comissão Nacional Eleitoral.
O resultado confirma as previsões apontadas pelas pesquisas nas últimas semanas, que previam uma cômoda vitória da esquerda.
O triunfo eleitoral confirma o apoio a Sigurdardóttir, fervorosa defensora da entrada da Islândia na União Europeia (UE) e que já anunciou sua intenção de iniciar as negociações com Bruxelas o mais rápido possível para poder realizar um referendo em 2010 num país tido tradicionalmente como cético em relação ao bloco.
O afundamento dos conservadores reflete o voto punitivo dos eleitores contra o partido que, com sua política neoliberal, levou à crise que provocou a quebra do setor bancário islandês em outubro passado e deixou o país à beira da falência. EFE

Reykjavík, 25 abr (EFE).- O bloco de esquerda da primeira-ministra islandesa, a social-democrata Jóhanna Sigurdardóttir, venceu hoje as eleições legislativas antecipadas na Islândia com 52,9% do votos após 38% das urnas apuradas, segundo dados da Comissão Nacional Eleitoral do país.
A Aliança Social-Democrata obteve 32,9%, contra 26,8% nas eleições de 2007, e seu aliado no Governo, o Movimento de Esquerda Verde, obteve 19,9%.
Os dois partidos ganharam quatro cadeiras a mais do que no pleito anterior. Os social-democratas elegeram 22 deputados e os verdes, 13, somando 35 dos 63 cadeiras do Parlamento unicameral islandês.
O conservador Partido da Independência, que ocupou o poder das últimas duas décadas, ficou com 23% dos votos e 15 cadeiras, dez a menos do que nas eleições anteriores.
É a primeira vez em que a esquerda da Islândia conquista a maioria absoluta e que o Partido da Independência não é a força mais votada desde a independência do país, em 1944.
Estes dados provisórios procedem de uma apuração das primeiras urnas e que não foi divulgada até o fechamento dos colégios eleitorais, como havia sido anunciado pela Comissão Nacional Eleitoral.
O resultado confirma as previsões apontadas pelas pesquisas nas últimas semanas, que previam uma cômoda vitória da esquerda.
O triunfo eleitoral confirma o apoio a Sigurdardóttir, fervorosa defensora da entrada da Islândia na União Europeia (UE) e que já anunciou sua intenção de iniciar as negociações com Bruxelas o mais rápido possível para poder realizar um referendo em 2010 num país tido tradicionalmente como cético em relação ao bloco.
O afundamento dos conservadores reflete o voto punitivo dos eleitores contra o partido que, com sua política neoliberal, levou à crise que provocou a quebra do setor bancário islandês em outubro passado e deixou o país à beira da falência. EFE
terça-feira, 7 de abril de 2009
DE DAVOS A DAVINHOS

Juremir Machado da Silva, para Correio do Povo
Porto Alegre é demais. Não vive sem um bom anacronismo. Já teve o seu tempo de Fórum Social Mundial. Quem não se lembra de todos aqueles bichos-grilos dizendo que outro mundo era possível? Quem não se lembra, sobretudo, do sarcasmo dos modernos neoliberais? Como riam aqueles homens. Como tinham certezas. Como eram pragmáticos e seguros. Mas até os seguros se revelaram maus investimentos. Porto Alegre é demais. Mantém-se fiel ao mais ideológico dos fóruns, o da liberdade, cujo mundo idealizado se tornou repentinamente impossível. Pena que não pude acompanhar de dentro. Eu adoraria estar presente no Fórum da Liberdade para escutar as sessões de mea culpa.
Imagino que todos tenham aproveitado para chicotear as costas em público e reconhecer os erros dos últimos 30 anos. A ideologia, sabemos, é cheia de astúcias. Tem mais astúcias do que a razão. Uma delas é considerar ideologia exclusivamente o pensamento dos outros. Essa é a grande astúcia da direita, que nem se chama de direita. As astúcias ideológicas, repito, estão por toda parte. Os adversários das cotas, por exemplo, em defesa de interesses particulares e de privilégios mantidos ao longo do tempo, recorrem a um universalismo abstrato como forma de tentar barrar uma necessidade muito concreta de reconhecimento das singularidades. Todo argumento é bom quando se trata de converter o particular em universal por conveniência.
O Fórum da Liberdade deu-se a liberdade de preconizar o Estado mínimo com o máximo de pretensão e uma gigantesca dose de minimalismo teórico. Deve ter acontecido uma sessão inteira apenas para explicar em bom português os bônus pagos, nos Estados Unidos, com dinheiro público, para executivos que fracassaram em iniciativas privadas de pouco risco para eles e de muita vertigem para contribuintes e governos. Como diz o outro, aqui se faz, aqui se paga. Com o dinheiro dos impostos. Haja impostos para pagar tudo o que foi feito e não pode ser desfeito para não romper contratos malfeitos. Eu perdi o melhor da festa. Queria tanto ter ouvido os ideólogos do neoliberalismo explicando o 'risco-Estados Unidos', a oferta de dinheiro do Luiz Inácio atrevido da Silva para o FMI, os bilhões saídos dos cofres públicos para salvar a lavoura neoliberal, as críticas de neoliberais de ontem à falta de regulamentação de hoje e, principalmente, teria amado ouvi-los comentar o retorno de Keynes, o economista desprezado na alta e suportado na baixa. É mais ou menos como a volta do Zorro e do Tonto. Que fazer sem eles? Sucumbir? O Zorro é o herói mascarado que evita a tragédia. Tem um preço. Tonto é o contribuinte.
Meu nome é Tonto. My name is Tonto. Je m’appelle Tonto. Não entrei para ouvir as conferências. Não existe almoço grátis. Nem ingresso. Mas compareci ao local do evento para observar antropologicamente os personagens. Que seres estranhos! Pareciam saídos da máquina do tempo com seus ternos fashion, seus relógios de marca, suas ideias recém-vencidas e seus perfis ousados e inovadores com um cheiro fresquinho de intervenção estatal. Confesso que senti medo. E se me pedissem contribuição para salvar o planeta, a GM, a Chrysler, a AIG e todo o sistema financeiro norte-americano? Eu daria uma sugestão: deixem quebrar! Mas cobraria por ela. Consultor é consultor. A vida é assim mesmo. Tem Danone e Danoninho, Davos e Davinhos. Porto Alegre é demais. Este é o Estado atual.
juremir@correiodopovo.com.br
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