quarta-feira, 24 de agosto de 2016

CUIDADO! Os vampiros estão entre nós.

 

OS VAMPIROS EMOCIONAIS: PERSONALIDADES QUE SUGAM O SEU BEM-ESTAR E A SUA ENERGIA VITAL!


Algumas pessoas são capazes de esgotar suas reservas de otimismo e boas vibrações.Você já deve ser se encontrado com algumas pessoas que transmitem bons valores e atitudes positivas. Normalmente, tendemos a querer ser amigos e estar em torno de tais pessoas, por razões óbvias.
No entanto, existe um outro tipo de indivíduos que tendem a enfraquecer o nosso estado emocional. As razões pelas quais os vampiros emocionais emanam sentimentos ruins nos outros são variados: pessimismo, egoísmo, narcisismo, assuntos trágicos e pornográficos, imaturidade, falta de empatia …

Os ”vampiros emocionais”: pessoas que criam confusão por onde passam

Hoje vamos aprofundar a personalidade desses vampiros emocionais; indivíduos que, inconscientemente ou não, têm a capacidade de roubar a energia e a alegria das pessoas ao seu redor, criando uma aura de negatividade.
O principal problema que os vampiros emocionais causam não é apenas a atmosfera nublada da sua presença, mas como interagimos com eles diariamente, isso acaba gerando altos níveis de estresse e fadiga emocional.
Devemos considerar que o estado emocional das pessoas ao nosso redor, eventualmente, nos afeta: as emoções são contagiosas, tanto para o bem quanto para o mal. E quando as emoções negativas se mantém por um bom tempo, os problemas psicológicos (e até algumas doenças) podem começar a aparecer.
É por esta razão que, se não tivermos outra escolha a não ser conviver com um vampiro emocional, precisamos aprender a identificar as suas características distintivas e saber lidar com as suas más vibrações.

Seis personalidades típicas de vampiros emocionais

vampiros
Indivíduos que se alimentam da energia emocional dos outros são susceptíveis a manipular emocionalmente suas ‘vítimas’ para atingir seus objetivos. Muitas vezes eles se aproximam das pessoas ao seu redor para externar a sua negatividade e se aproveitar do poder do seu interlocutor.
Além disso, uma vez que descarregam seus pensamentos e emoções negativas, eles deixam a cena e se preparam para encontrar outra pessoa para descarregar o seu desconforto.

Empatia zero

Vampiros emocionais se caracterizam por ter muito pouca empatia. Se mostram claramente egoístas ao usar a presença de outra pessoa para esvaziar toda a sua negatividade acumulada, não se importando que isso possa gerar desconforto e angústia  para o seu interlocutor. Eles não se colocam no lugar do outro.
Embora tenham certos aspectos em comum, vampiros emocionais podem assumir várias formas. É por isso que segmentamos um total de sete personalidades típicas de pessoas que roubam o seu otimismo.

1. Personalidade exigente

Não só se encarrega de apontar suas falhas como também contraria tudo o que você faz ou diz. O seu objectivo principal é fazer você se sentir inferior a ele. Você está sempre errado e ele sabe a verdade de tudo. Além disso, se você questionar a sua atitude, o normal é que ele se justifique dizendo que “só quer o melhor para você.”
Se você ficar perto dessa pessoa por algumas horas vai notar que muito do que ela diz são críticas e mais críticas. Nada parece certo, desde coisas banais como o último filme que você viu ou a série de televisão que está na moda, até as suas idéias, seus gostos ou o seu comportamento.
Este tipo de vampiro emocional é tão intransigente que acaba sendo irritante e pode levá-lo a um estado emocional terrível. Tenha cuidado para não se infectar e começar a criticá-lo também!

2. Personalidade pessimista

O vampiro emocional também pode assumir a forma de pessimista inveterado. Sempre vê a vida com o copo meio vazio, tudo parece negativo e você vai sofrer horrores para convencê-lo de que está sendo pessimista demais … porque ele sempre prepara um contra-argumento que “prova” que a existência não vale a pena.
Se você conviver com este tipo de pessoa, pode acontecer de você acabar se convencendo de que a sua visão das coisas estava errada e se tornar também uma pessoa pessimista, negativa e sem esperança de melhoras.

3. Personalidade catastrófica e pornográficas

Os vampiros emocionais também podem ser alarmantes. Esta personalidade leva o pessimismo ao extremo, para eles qualquer fato ou situação leva a uma escala apocalíptica.
Seus tópicos de conversação favoritos se referem a catástrofes e matanças que ouviram nos programas de notícias ou mesmo desastres que não ocorreram, mas que na sua opinião, acreditam que poderiam acontecer. Outro tipos, tem apenas a pornografia como assunto primário proliferado nas rodas que frequenta.


Este tipo de vampiro emocional acredita firmemente que a vida se resume a enfrentar uma longa lista de perigos iminentes e infortúnios. Se você tiver a infelicidade de conviver com alguém assim, vai logo perceber que se sente exausto com frequência e, na pior das hipóteses, pode começar a incorporar algumas de suas paranóias.

4. Personalidade vitimista

É aquela típica pessoa que não para de reclamar sobre tudo o que acontece. Indiferente se as coisas estão indo bem ou mal, ela sempre encontra razões para se queixar e se fazer de vítima.
Em uma pessoa vitimista é muito difícil de encontrar apoio emocional, pois ela sempre vai acreditar que seus problemas são muito mais importantes do que os seus. É provável que você note que o vitimista quer que você faça um download de todos os seus problemas quando ele fala, mas raramente se mostra aberto para ouvir e oferecer apoio quando é você quem precisa falar dos seus problemas pela ele.

5. Personalidade agressiva

São pessoas que reagem violentamente sem motivo. Se você dizer ou fazer algo que não lhes parece bom como, por exemplo, um gesto mal interpretado ou por um comentário fora de contexto, isso poderia ser o suficiente para acender a sua fúria.
Suas reações são desproporcionais, de modo que pode ser um problema grave se você não tiver cuidado com o que faz ou diz. É claro que conviver com uma pessoa que o obriga a calcular milimetricamente tudo o que você faz ou diz não é positivo para a sua saúde mental. E, escusado será dizer, que você vai se sentir esgotado após dez minutos de conversa com o vampiro emocional agressivo.

6. Personalidade sarcástica

Esta é a personalidade de um vampiro emocional especialmente irritante. A pessoa sarcástica adora jogar ironias sobre você, dardos envenenados, e ao mesmo tempo se proteger atrás da leveza de uma “simples brincadeira.” Assim, ninguém pode culpá-lo por ser rude, porque “era apenas uma piada”.
Embora, às vezes, as suas observações possam ser engraçadas e espirituosas, a verdade é que muitas vezes excedem os limites do respeito e são cruéis para outras pessoas. Se você estiver muito exposto a uma pessoa que faz comentários sarcásticos e cortantes sobre você, isso pode acabar com a sua auto-estima. Além disso, é cansativo. É como um soldado isolado em território inimigo: você só pode rezar para que as bombas não caiam sobre você.

Como são vampiros emocionais comportam?

Vampiros emocionais se aproveitam de dois elementos para começarem a roubar a energia emocional daqueles que os rodeiam: Tempo e proximidade. É preciso que consigam ​​definir certos laços emocionais e de amizade com a outra pessoa. A partir daí, basta tirar proveito de suas fraquezas.
Por isso é muito difícil manter um bom estado emocional se o vampiro emocional é uma pessoa que faz parte do nosso círculo interno: família, amigos ou cônjuge. Quando mais próxima for a relação, mais ela vai lhe causar efeitos nocivos.

O vampiro emocional sabe como escapar

Normalmente, o vampiro emocional tenta humilhar ou desqualificar os outros, mas muitas vezes se escondem atrás de justificativas e pretextos para demonstrar o seu ponto de vista e ”provar” para os outros como é bom.

Alguns vampiros podem não estar cientes de que estão roubando a sua energia emocional

No entanto, é claro que podem haver casos em que a personalidade do vampiro emocional não é experimentada conscientemente. Alguns vampiros emocionais não são capazes de perceber que se comportam assim, e não estão cientes dos efeitos negativos de suas ações sobre as pessoas ao seu redor.

As causas do comportamento vampírico

Às vezes não percebem que o seu comportamento pode ser causado por situações ou eventos traumáticos que viveu anos atrás (ou talvez também por imitar comportamentos e atitudes  disfuncionais que viu em seus pais), e o produto disso é que suas relações com outras pessoas é influenciada por esses mecanismos de defesa que foram adquiridos e consolidados como parte de sua personalidade.

Cabe a você avaliar se o vampiro emocional merece uma segunda chance

Naturalmente, o fato de que alguns vampiros emocionais não estarem completamente cientes de que estão sugando o seu bem-estar emocional não é desculpa para irrelevar o dano que causam em você.
É uma questão de detectar o problema cedo e tomar as medidas adequadas e justas: em alguns casos, uma conversa sincera pode surtir efeito e consertar a situação. Em outros casos, a melhor solução é se distanciar deles.
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Do Original: PsicologiaYMente

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A FÁBULA DOS PORCOS ASSADOS



Certa vez, aconteceu um incêndio num bosque onde se encontravam alguns porcos. Estes foram assados pelo incêndio. Os homens, acostumados a comer carne crua, experimentaram os porcos assados e acharam deliciosos. Logo, toda vez que queriam comer carne assada incendiavam o bosque...

O sistema foi desenvolvido e aperfeiçoado. Mas nem sempre as coisas iam bem: às vezes os animais ficavam queimados ou parcialmente crus; outras, de tal maneira queimados que era impossível utilizá-los. Como era um procedimento montado em grande escala, isso preocupava muito a todos, porque, se o Sistema falhava, as perdas ocasionadas eram igualmente grandes. Milhões de pessoas alimentavam-se só de carne assada e também muitos eram os que tinham ocupação nessa tarefa. Portanto, o Sistema simplesmente não devia falhar. Mas, curiosamente, à medida que se fazia em maiores escalas, mais parecia falhar e maiores perdas parecia causar.

Em razão das deficiências, aumentavam as queixas. Já era um clamor geral a necessidade de se reformar profundamente o Sistema. Tanto assim que, todos os anos, realizavam-se congressos, seminários, conferências e jornadas para achar a solução. Mas parece que não acertavam o melhoramento do mecanismo, porque no ano seguinte repetiam-se os congressos, os seminários, as conferências e as jornadas. E assim sempre.

A causa do fracasso do Sistema, segundo os especialistas, podiam ser atribuídas ou à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deviam, ou à inconstante natureza do fogo, difícil de controlar, ou às árvores excessivamente verdes, ou à umidade da terra, ou ao serviço de informações meteorológicas que não acertava o lugar, o momento e a quantidade de chuva, ou...

Como se vê, as causas eram difíceis de determinar, porque na verdade, o Sistema para assar os porcos era muito complexo. Fora montado uma grande estrutura; uma enorme maquinaria com inúmeras variáveis tinha sido institucionalizada. Havia indivíduos dedicados a acender – os incendiadores – que, ao mesmo tempo, eram especialistas de setores. Havia incendiadores da Zona Norte, da Zona Oeste, etc., incendiadores noturnos, diurnos, com especialização matutina e vespertina, incendiadores de verão, inverno, com disputas jurídicas sobre o outono e a primavera. Havia especialista em vento, os anemotécnicos, um Diretor Geral de Assamento e Alimentação Assada, um Diretor de Técnicas Ígneas ( com seu conselho geral de assessores), um Administrador Geral de Florestação Incendiável, uma Comissão Nacional de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias (ISCUTA) e o BODRIO (Bureau Orientador de Reformas Ígneo-Operativas).

O BODRIO era tão grande, que tinha um inspetor de reformas para cada 7.000 porcos, aproximadamente. E era precisamente o BODRIO que propiciava anualmente os congressos, os seminários, as conferências e as jornadas. Mas isto só parecia servir para incrementar o BODRIO em burocracia. Tinha se projetado e encontrava-se em pleno crescimento a formação de novos bosques e selvas, seguindo as últimas indicações técnicas, em regiões escolhidas segundo determinada orientação, onde os ventos não soprassem mais de 3 horas seguidas e houvesse reduzida porcentagem de umidade. Havia milhões de pessoas trabalhando na preparação dos bosques a serem incendiados. Alguns especialistas eram enviados para a Europa e os EUA, com a missão de estudar a importação das melhores madeiras, árvores, sementes, fogos melhores e mais potentes, além de pesquisar idéias operativas, por exemplo, como fazer buracos para que neles caíssem os porcos. Havia também grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, mecanismos para deixá-los sair no momento oportuno, técnicos em sua alimentação, etc. Havia construções de estábulos para porcos, professores formadores de especialistas na construção de estábulos para porcos, universidades que preparavam os professores formadores dos especialistas na construção dos estábulos para porcos, fundações que apoiavam os investigadores que davam o fruto do seu trabalho às universidades que preparavam os professores formadores na construção de estábulo para porcos, etc.

As soluções que os congressos sugeriam eram, por exemplo, aplicar triangularmente o fogo após Va -1 pela velocidade do vento sul, soltar os porcos 15 minutos antes que o fogo-promédio da floresta alcançasse 47°; outros diziam que era necessário instalar grandes ventiladores que serviriam para orientar a direção do fogo e assim por diante. Poucos especialistas estavam de acordo entre si e cada um tinha investigações e dados para provar suas afirmações.

Um dia, um investigador da categoria SO/DM/VCH , chamado João Bonsenso falou que o problema era muito fácil de se resolver. Tudo consistia, segundo ele, primeiramente, em matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal e colocando-o, posteriormente, numa jaula metálica ou armação sobre brasas, até que o efeito do calor e não das chamas, o assasse ao ponto.

Ciente, o Diretor Geral de Assamento mandou chamá-lo e perguntou que coisa esquisita ele andava falando por ali. Depois de ouvi-lo, disse-lhe:

- O que o senhor fala está bem, somente na teoria. Não vai dar certo na prática. Pior ainda, é impraticável. Vamos ver: o que o senhor faria com os anemotécnicos , no caso de se adotar o que está sugerindo?

- Não sei, respondeu João.

- Onde vai por os acendedores das diversas especialidades?

- Não sei.

- E os indivíduos que foram ao estrangeiro para se especializar durante anos e cuja formação custou tanto ao país? Vou pô-los para limpar porquinhos?

- Não sei.

- E os que têm se especializado todos esses anos em participar dos congressos, seminários e jornadas para a Reforma e Melhoramentos do Sistema? Se o que você fala resolve tudo, que faço com eles?

- Não sei.

- O senhor percebe agora que a sua solução não é aquela de que todos nós necessitamos? O senhor acredita que, se tudo fosse tão simples, os nossos especialistas não teriam achado a solução antes? Veja só! Que autores falam isso? Que autoridade há para avaliar sua sugestão? O senhor, por certo, imagina que eu posso dizer aos engenheiros em anemotécnica que é questão de por brasinhas sem chamas! O que eu faço com os bosques já preparados, no ponto de serem queimados, que somente possuem madeira apta para fogo-em-conjunto, cujas árvores não produzem frutos, cuja falta de folhas faz com que não prestem para dar sombras? O que faço? Diga-me !!!

- Não sei.

- O que faço com a Comissão Redatora de Programas Assados, com seus Departamentos de Classificação e Seleção de Porcos, com a Arquitetura Funcional de Estábulos, estatística, população, etc. ?

- Não sei.

- Diga-me: o Engenheiro em Porcopirotecnia, o Sr. J.C da Figuração, não é uma extraordinária personalidade científica?

- Sim, parece que sim.

- Bem, o simples fato de possuir valiosos e extraordinários engenheiros em Porcopirotecnia indica que o Sistema é bom. E que faço com indivíduos tão valiosos?

- Não sei.

- Viu? O senhor tem é que trazer solução para certos problemas: como fazer melhores anemotécnicos , como conseguir mais rápido acendedores do Oeste (que é a nossa maior dificuldade), como fazer estábulos de oito andares ou mais, em lugar de somente sete, como até agora. Tem que melhorar o que temos e não mudá-lo. Traga-me uma proposta para que nossos bolsistas na Europa custem menos, ou mostre-me como fazer uma boa revista para análise profunda do problema da Reforma do Assamento. É disso que necessitamos. É disso que o país necessita. Ao senhor falta sensatez, senso comum ! Diga-me, por exemplo, o que faço com meu bom amigo (e parente), o Presidente da Comissão para o Estudo de Aproveitamento Integral dos Resíduos dos Ex-Bosques?

- Realmente, estou perplexo! - falou João.

- Bem, agora que conhece bem o problema, não diga por aí que o senhor conserta tudo. Agora, o senhor vê que o problema é mais sério e não tão simples como o senhor imaginava. Tanto os de baixo como os de fora dizem: “Eu conserto tudo”. Mas tem que estar dentro para conhecer os problemas e saber das dificuldades. Agora, cá entre nós, recomendo-lhe que não insista com sua idéia, porque isso poderia trazer problemas para o senhor no seu cargo. Não por mim! Eu falo pelo seu próprio bem, porque eu o compreendo, entendo seu posicionamento, mas o senhor sabe que pode encontrar outro superior menos compreensivo. O senhor sabe como são, às vezes, não é?

João Bonsenso, coitado, não falou um “A”. Sem despedir-se, meio assustado e meio atordoado com a sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu e nunca mais ninguém o viu. Não se sabe para onde foi. Por isso é que, até hoje é costume dizer que, na tarefa de reforma e melhoria do Sistema, falta o bom senso."

Artigo originalmente publicado em: Juicio de la Escuela, CIRIGLIANO, F. T.. Editorial Humanitas, Buenos Aires, 1976.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Estados Unidos, um país à beira da desintegração


Fonte: http://novasof.deviantart.com/art/MMD-Disintegration-of-Evil-400704412


Os EUA parecem não encontrar paz. Mais uma vez, policiais foram mortos, e cresce a preocupação com novos tumultos e protestos. A ordem habitual do país corre perigo de se esfacelar, opina a jornalista Ines Pohl.
Por Ines Pohl, da Deutsche Welle (Washington, EUA)

De maneira alarmante, os Estados Unidos parecem ser a prova do quão rapidamente sociedades democráticas podem ficar fora de equilíbrio em um mundo em que as forças centrífugas da globalização rasgam as ordens políticas conhecidas. Um mundo em que as pessoas procuram refúgio no nacionalismo e não conseguem mais encontrar paz no frenesi do mundo digital.

Contextos já não são analisados como deveriam. Em vez disso, culpados são rapidamente encontrados, bodes expiatórios são nomeados. O mundo está dividido em "bem e mal", em "nós e eles".

A realidade se tornou estressante, não existem mais respostas fáceis, e uma análise honesta chegará sempre à conclusão de que o mundo rico tem que prover, pois o mundo pobre já não quer mais ficar assistindo pacificamente ao que está acontecendo.

Por isso que nos Estados Unidos, esse país de imigrantes, vem crescendo a agressão entre diferentes culturas, religiões, cores de pele. Por isso, pessoas são diariamente baleadas na rua, estudantes e policiais são mortos a bala. Certamente as liberais leis de armas têm algo a ver com isso. E é verdade que o racismo, que muitos achavam superado, desempenha um papel terrivelmente importante. Ainda.

No entanto, o problema tem mais uma dimensão. A ordem habitual do país corre perigo de se esfacelar. As pessoas já não estão mais dispostas a aceitar as consequências da nova ordem mundial. Políticos não parecem encontrar – junto com instituições, sindicatos, autoridades estaduais, policiais e sociedade civil – soluções credíveis.

Quem viaja pelos Estados Unidos em 2016 encontra um país em fuga da realidade. Isso combina com o fato de que um homem cujo grande sucesso foi celebrado em um reality show se prepara para se tornar o próximo presidente dos Estados Unidos da América.

As pessoas se refugiam em mundos virtuais. As pessoas encenam fotos para o Snapchat, Facebook, Instagram ou outras mídias sociais. Quem viaja por este país pode observar como crianças de um ano posam para foto quando avistam uma câmera. Elas vivenciam adolescentes que, aos sábados, não conversam uns com os outros no bar, mas ficam lado a lado, posando para as fotos que vão diretamente para a internet.

A realidade está se transformando em um palco para a encenação de uma vida que muitas vezes não condiz com a realidade. Há estudos que mostram que, para muitos, a visita ao restaurante, a caminhada na praia, o jantar de família só é "vivenciado" quando as fotos e videoclipes são postados na internet. E isso serve até mesmo para o memorial diante da delegacia de polícia em Dallas, onde as pessoas só começaram a soluçar e se abraçar quando uma câmera foi apontada para elas.

Donald Trump aposta na realidade encenada, incluindo os castelos do sonho em seus campos de golfe, as torneiras de ouro na Trump Tower, a cor artificial do rosto e o cabelo falso. Ele tem que fazê-lo porque lhe falta substância. Ele pode fazê-lo porque aprendeu cedo a seduzir as pessoas. E ele tem tanto sucesso porque muitos preferem sonhar com um mundo passado a trabalhar para um futuro.
 
Fonte:  http://m.dw.com/pt/opini%C3%A3o-estados-unidos-um-pa%C3%ADs-%C3%A0-beira-da-desintegra%C3%A7%C3%A3o/a-19408156

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Cada vez mais esquecido? Isso tem nome: ‘demência do preocupado’





para El País

Identifique se você sofre dos sintomas desse novo transtorno moderno

Vivemos em uma sociedade obcecada com a produtividade, na qual se valoriza realizar o maior número de tarefas no menor tempo possível. Esse excesso de responsabilidades que enfrentamos, juntamente com a sensação de estarmos continuamente conectados através do smartphone e outros dispositivos, deteriora a qualidade das atividades realizadas, o que leva a uma irremediável impressão de fracasso. Perceber continuamente que se tem algo pendente, e sofrer por não poder alcançar o sucesso em todos os aspectos da vida, passou a ser conhecido como a demência do preocupado, conceito recentemente cunhado pela neurologista Frances Jensen, autora de O Cérebro Adolescente.

"A síndrome parece uma demência [perda ou debilidade das faculdades mentais, que se caracteriza por alterações de memória, razão ou conduta], mas, na verdade, é apenas algo que acontece devido às preocupações contínuas e constantes. Acho que acontece com muitas pessoas. Nosso cérebro não pode mudar de tarefa de uma maneira tão rápida como a que nos exige o dia a dia, de forma que perdemos a atenção, e depois nos esquecemos o que tínhamos que fazer", diz Jansen.

O que nos levou a isso

O termo multitasking, (multitarefa, em português) foi criado em 1965 por especialistas em computação dos Estados Unidos para se referir às múltiplas funções que um computador poderia executar naquela época. Hoje, essa palavra nos remete à capacidade humana de prestar atenção a muitas atividades ao mesmo tempo. A psicóloga Isabel García afirma que esse fenômeno não é novo: "As figuras maternas tradicionais colocam em prática desde sempre, mas é atualmente, com a implementação dos meios eletrônicos na vida cotidiana, que extrapolou para outras áreas da nossa vida e se deu visibilidade".

Para a especialista, esse excesso de obrigações responde a uma questão de violência estrutural. "A multitarefa nos é vendida de inúmeras formas que, às vezes, podem ser atraentes ou inevitáveis: é cool, e se você não pode fazer tudo é porque você não é um bom profissional ou não conseguiu aproveitar o curso ao máximo. No Ocidente se fomenta um modelo produtivo no qual temos que competir de forma contínua para nos mantermos atuais, mas é quase impossível seguir o ritmo porque o nível de acontecimentos e possibilidades é infinito e absolutamente inalcançável".

Quais são as soluções

Se você não entende porque a sua produtividade é cada vez menor apesar de seu esforço ser maior a cada dia, pode ser que sofra dessa demência, com outros sintomas como falta de concentração e um sentimento de indecisão perpétua. "Estar sempre alerta é desgastante, e a sensação de que constantemente há algo nos escapando nos causa fastio. Combater passa por frear o ritmo e perguntar ao que queremos dedicar o dia. Só a partir desse momento começamos a eliminar todas aqueles acréscimos que não precisamos em nossa vida; selecionar entre as atividades e tomar decisões faz com que tudo se torne um pouco mais claro", aconselha García.

Avalie o seu caso concreto. "Todo mundo tem diferentes ritmos e formas de lidar com a sua rotina. Alguns preferem acordar cedo e outros trabalhar à noite; há pessoas que gostam de intercalar tarefas para evitar o tédio e outras se sentem mais confortáveis se concentrando em uma tarefa só até o fim", continua: "Normalmente, se ignora questões como a família, as doenças e as pessoas que temos sob nossa responsabilidade, mas são variáveis que têm um grande peso na maneira em que configuramos nossa vida". Se a nossa situação pessoal nos faz sentir sobrecarregados, García recomenda que se procure ajuda em outras pessoas e a criar em nosso entorno redes de apoio que nos poupem algum trabalho.

O estresse é a causa de entre 50% e 60% de todos os dias de trabalho perdidos, um enorme custo humano e econômico

Não é um problema trivial. Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que o estresse "é a causa de entre 50% e 60% de todos os dias de trabalho perdidos, um enorme custo humano e econômico". A organização encontra sua explicação em diferentes fatores: "Excesso de informação, intensificação das obrigações, maiores exigências de mobilidade e flexibilidade, estar sempre disponível devido à tecnologia e, por último, mas não menos importante, o medo de perder o emprego".

A resposta das empresas

Para ajudar a reduzir esse ritmo de trabalho e evitar a dita demência, algumas empresas decidiram implantar jornadas de seis horas de trabalho, que permitem a seus funcionários desfrutar de mais tempo de lazer. Um bom exemplo disso são as instalações da Toyota na cidade de Gotemburgo (Suécia). Seus funcionários estão há 13 anos saindo duas horas antes do restante da Europa. A implementação dessa medida resultou em um número menor de faltas e uma produtividade maior.

No blog da consultoria Adecco se oferece uma receita aparentemente simples: reduzir as distrações e evitar a multitarefa. Segundo a empresa, temos a tendência de pensar que a melhor opção é realizar o maior número de tarefas no menor intervalo possível, mas quase nunca é assim. "Acaba repercutindo na concentração e na qualidade. Podemos nos equivocar com facilidade, e acabar tendo que refazer o que já foi feito", afirmam.

E mais: nada disso funciona se você ficar grudado na celular quando sair do trabalho. "Precisamos voltar a nos conectar com nós mesmos, começar a ouvir o nosso corpo e levar em conta as nossas preocupações e tudo o que nos faz feliz", conclui Isabel García. De fato não há nada que te motive mais do que passar a próxima hora preso às redes sociais? Pois é.

A SOBRECARGA TEM NOME DE MULHER
As mulheres são as mais afetadas por esse sistema de valores. "É crucial que aquelas que estão sobrecarregadas possam delegar as suas obrigações para outras pessoas. Só assim poderão dedicar tempo a quem são realmente", recomenda a psicóloga. Ainda assim, nem sempre é fácil. "A primeira coisa é entender que está no seu direito de fazer isso; normalmente a culpa tem muito peso sobre elas, e isso as impede de pensar exclusivamente em si mesmas", diz a terapeuta.


Fonte: El País (http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/15/ciencia/1465999552_160036.html)

terça-feira, 28 de junho de 2016

Brexit: consecuencias e impactos

 

Yanis Varoufakis
Michael Roberts 26/06/2016

El Brexit no protegerá a la Gran Bretaña del horror de una Unión Europea en vías de desintegración

Yanis Varoufakis

Ganó el Leave, salir, porque demasiados votantes británicos identificaron a la UE con autoritarismo, irracionalidad y desprecio de la democracia parlamentaria, y porque demasiado pocos creyeron a los que sosteníamos que otra UE era posible.

Hice campaña a favor de un voto radical por el Remain, por quedarse, haciéndome eco de los valores de nuestro movimiento paneuropeo Democracy in Europe Movement (DiEM25). Visité distintas ciudades en Inglaterra, Gales, Escocia e Irlanda del Norte, buscando convencer a los progresistas de que disolver la UE no era la solución. Sostuve que su desintegración desencadenaría fuerzas deflacionarias tales, que muy probablemente significarán por doquiera una nueva vuelta de tuerca de la austeridad y que terminarán favoreciendo al establishment y a sus adláteres xenófobos. Junto con John McDonell, Caroline Lucas, Owen Jones, Paul Mason y otros, abogué por una estrategia de permanecer, pero contra el orden y las instituciones establecidos.

Contra nosotros se levantaba una alianza fraguada entre:

- David Cameron, cuyos amaños con Bruselas traen a la memoria de los británicos todo lo que desprecian en la UE;

- el Tesoro y su grotesco alarmismo pseudoeconométrico;

- la City, cuya insufrible arrogancia ensimismada puso a millones de votantes contra la UE;

- Bruselas, tenazmente empleada en aplicar su última tortura del “submarino” y el simulacro de asfixia a la periferia europea;

- el ministro de finanzas alemán, Wolfgang Schäuble, cuyas amenazas a los votantes británicos galvanizaron el sentimiento antialemán;

- el penoso gobierno socialista francés;

- Hillary Clinton y sus alegras muchachos atlantistas, dibujando una UE incluida en otra peligrosa “coalición de voluntades”;

- y el gobierno griego, cuya persistente capitulación ante la punitiva austeridad de la UE tan difícil nos hacía convencer a la clase obrera británica de que sus derechos estaban protegidos por Bruselas.

Las fuerzas subterráneas insidiosas que se verán activadas ahora

Las repercusiones del voto serán calamitosas. Pero no serán aquellas contra las que repetidamente advirtían Cameron y Bruselas. Los mercados no tardarán en estabilizarse, y las negociaciones probablemente llevarán a una solución de tipo noruego, lo que permitirá al próximo parlamento británico encontrar la vía hacia algún tipo de arreglo tomado de común acuerdo. Schäuble y Bruselas patalearán y resoplarán, pero, inevitablemente, buscarán un compromiso de este tipo con Londres. Los Tories se mantendrán unidos, como siempre, guiados por el potente instinto de su interés de clase. Sin embargo, a pesar de la relativa tranquilidad que seguirá al actual shock, se activarán fuerzas subterráneas insidiosas dotadas de una formidable capacidad para infligir daños a Europa y a la Gran Bretaña.

Ni Italia, ni Finlandia, ni España, ni Francia ni, desde luego, Grecia son sostenibles bajo las actuales condiciones. La arquitectura del euro es garantía de estancamiento y está profundizando la espiral deflacionaria de deuda que fortalece a la derecha xenófoba. Los populistas en Italia, en Finlandia, posiblemente en Francia, exigirán referéndums u otras sendas de desconexión.

El único hombre con un plan es el ministro alemán de finanzas. Schäuble ve en el pánico post-Brexit su gran oportunidad de poner por obra una unión permanentemente austeritaria. Las zanahorias vienen en forma de un pequeño presupuesto de la eurozona destinado cubrir parcialmente el desempleo y los seguros de los depósitos bancarios. El palo será un poder de veto sobre los presupuestos nacionales.

Si yo estoy en lo cierto y el Brexit lleva a la construcción de una jaula de hierro austeritaria permanente para los estados miembros que permanecen en la UE, hay dos posibles resultados. Uno es que la jaula de hierro se sostenga, en cuyo caso la austeridad institucionalizada exportará deflación a Gran Bretaña, pero también a China (cuyo ulterior desestabilización tendrá a su vez negativas repercusiones en Gran Bretaña y en la UE).

Otra posibilidad es que la jaula se rompa (por abandono de Italia o de Finlandia, por ejemplo), resultando finalmente en el abandono por parte alemana de una eurozona en colapso. Pero eso convertirá a la nueva zona Deutschmark –que probablemente se extenderá hasta la frontera ucraniana— en una gigantesca máquina generadora de deflación (puesto que la nueva moneda se disparará al alza, y las fábricas alemanas perderán mercados internacionales). Gran Bretaña y China tendrían, bajo ese escenario, mayores posibilidades aún de ser alcanzadas por un shock deflacionario todavía mayor.

El horror de esos posibles desarrollos, de los que el Brexit no protegerá a Gran Bretaña, es la razón principal de que yo y otros miembros del DiEM25 hayamos tratado de salvar a la UE del establishment que está llevando al europeismo al abismo. Yo dudo mucho de que, a pesar del pánico que han sentido tras el Brexit, los dirigentes de la UE sean capaces de aprender la lección. Seguirán parloteando de la democratización de la UE y seguirán imponiéndose a través del miedo. ¿Puede sorprender que tantos progresistas británicos hayan terminado dando la espalda a esta UE?

Aunque yo sigo convencido de que el Leave era la opción equivocada, me congratulo de la determinación del pueblo británico para enfrentarse a la disminución de soberanía democrática causada por el déficit democrático de la UE. Y me niego a sentirme abatido, aun contándome entre los perdedores del referéndum.

Lo que ahora deben hacer los demócratas británicos y europeos es aprovechar ese voto para enfrentarse al establishment en Londres y en Bruselas con más ahínco que antes. La desintegración de la UE corre ahora a toda velocidad. Tender puentes por toda Europa, unir a los demócratas a través de toda las fronteras y de todos los partidos; eso es lo que Europa necesita más que nunca para evitar deslizarse hacia un abismo xenófobo y deflacionario como el de los años 30 del siglo pasado.

Traducción para www.sinpermiso.info: Mínima Estrella

https://yanisvaroufakis.eu/, 25 junio 2016



El impacto de Brexit

Michael Roberts

Bueno, me equivoqué. Creí que los británicos votarían a favor de permanecer en la UE, aunque por poco. Pero han votado, por poco, salir. El índice de participación del 72% fue mucho mayor que en las últimas elecciones generales de mayo de 2015 (67%), cuando el partido conservador volvió al poder con una exigua mayoría de sólo 12 escaños. El Primer Ministro David Cameron había logrado la victoria por los pelos gracias a la promesa de convocar un referéndum sobre la pertenencia a la UE. Lo que bastó para debilitar el apoyo electoral del euroescéptico Partido de la Independencia del Reino Unido (UKIP), que había obtenido más del 20% de los votos en las elecciones europeas y locales. Al aceptar un referéndum, Cameron logró reducir la representación de UKIP a un sólo escaño en el parlamento.

Pero esta táctica política ha fracasado. Cameron ha perdido el referéndum y ha anunciado ya que dimitirá y que dará paso como primer ministro a un dirigente pro-Brexit para llevar a cabo las tensas y tortuosas negociaciones con los dirigentes de la UE en otoño. Ganar las elecciones así ha resultado un regalo envenenado, como sugerí.

Parece que un número suficiente de votantes ha creído los argumentos de los conservadores pro Brexit y UKIP de que la culpa de lo que les pasaba la tenía “demasiada inmigración” y un exceso de regulación de la UE (aunque Gran Bretaña ya es la economía más desregulada de la OCDE). Nada que ver con la crisis capitalista global, la consiguiente larga depresión y las políticas de austeridad del gobierno conservador.

Sí, muchos votantes no se tragaron los argumentos sobre la inmigración y la regulación; pero fueron principalmente los jóvenes; los que vivían en las zonas multiétnicas como Londres y Manchester y los hogares más acomodados en el sur urbano. No fueron suficientes en comparación con los que votaron a favor de la salida. Es decir, los mayores, los que viven en pequeños pueblos y ciudades, principalmente en el norte o en Gales, lejos de Londres y de los “inmigrantes”, pero que han sufrido y mucho los trabajos mal pagados, los recortes del sector público, las viviendas sin mantenimiento y el abandono de las calles y de los servicios públicos.

Junto a ellos, los racistas acérrimos de la pequeña-burguesía y las pequeñas empresas, que de nada se aprovechan del comercio con la UE o de su generosidad financiera. Creen que les iría mejor de alguna manera con una vuelta a los viejos tiempos, cuando el imperialismo británico se bastaba a si mismo ("recuperar de nuevo nuestro país"). Pero no será así porque es muy probable que los escoceses, que rechazaron por muy poco en referéndum su propia independencia en septiembre de 2014, y que votaron mayoritariamente permanecer en la UE, ahora pedirán otro referéndum para abandonar el Reino Unido y permanecer en la UE como un estado independiente. Volver a los viejos tiempos del imperialismo británico será remontarse en el tiempo a antes de la unión de 1603, cuando Inglaterra-Gales y Escocia tenían distintos monarcas.

¿Y ahora qué? Pues bien, los mercados financieros han reaccionado de forma natural con pánico, el valor de la libra esterlina frente al dólar ha caído a su nivel más bajo desde 1985, cuando había (otra) crisis del petróleo. Los precios de las acciones también se han desplomado drásticamente. Pero se trata sólo de una reacción de sorpresa ante lo inesperado. Cómo reaccionarán los mercados financieros en los próximos meses dependerá del curso de las negociaciones (que podrían durar dos años o incluso más). Y de lo que suceda a la economía del Reino Unido.

En notas anteriores, he subrayado la opinión casi unánime entre los economistas convencionales de que Brexit podría perjudicar la economía del Reino Unido, tanto a corto como a largo plazo. La mayoría cree que el Reino Unido entrará en recesión antes de que finalice el año. ¿Por qué? Después de todo, con una libra más débil, los exportadores británicos serán capaces de competir en precios en los mercados mundiales y europeos. Seguramente se reducirá el peligrosamente elevado déficit exterior (el 7% del PIB) que el capitalismo británico mantiene con el resto del mundo. Y el Banco de Inglaterra proporcionará todo el crédito que bancos y compañías quieran y es posible incluso que recorte las tasas de interés a cero para ayudar a las familias con sus hipotecas y a las empresas con sus deudas.

Quizás - pero la historia ha demostrado que la devaluación de una moneda rara vez consigue relanzar el crecimiento económico, la productividad e incluso el comercio de un país. He citado en otra ocasión cómo los keynesianos se equivocaron cuando creyeron en 2001 que la devaluación del peso en Argentina relanzaría la economía: la Gran Recesión pronto les desengañó.

Y durante la Gran Recesión, el Reino Unido dejó caer de manera espectacular la libra. Sin embargo, las exportaciones no se recuperaron, y la economía nacional, impulsada por las bajas tasas de interés y una burbuja de la vivienda, sólo consiguió un déficit por cuenta corriente.

Y ese déficit tuvo que ser financiado con flujos de capital exterior: extranjeros que invierten en la industria británica; la compra de acciones de empresas y bonos del Estado británicos; y depósitos de dinero en efectivo en los bancos británicos para ganar intereses o reinvertir. Pero la financiación ya había empezado a secarse por temor al Brexit. Y el Brexit ahora es una realidad. La única forma de financiar el déficit será elevando las tasas de interés de los depósitos y los bonos, no recortando las tasas.

Sin embargo, el déficit externo en realidad puede reducirse, no porque las exportaciones mejoren, sino porque las importaciones de bienes y servicios extranjeros caigan. Porque si la economía británica se estanca, las empresas y los hogares van a comprar menos del extranjero, ya que los precios de las importaciones subirán con la caída de la libra esterlina y puede haber inflación. Ello reduciría los ingresos reales de los hogares medios británicos.

Y los beneficios de una libra más débil también dependen de la demanda en otras partes del mundo. Si la zona euro y la economía de Estados Unidos no crecen, puede que no basten precios más bajos para que haya un aumento significativo en la demanda de exportaciones del Reino Unido. Además, en los últimos años, las exportaciones británicas han demostrado ser bastante inelástica. Las mercancías británicas tienden a ser bienes y servicios de mayor valor añadido, menos sensibles a la variación de los precios que la ropa confeccionada.

Y esa es la verdadera cuestión. La devaluación en realidad sólo afecta a la demanda. La otra parte de la ecuación es la oferta y la capacidad productiva. La devaluación no necesariamente promueve la inversión y una mayor productividad. Hay quién incluso defiende que la devaluación puede reducir el incentivo para ser eficiente porque se gana competitividad sin el esfuerzo de aumentar la productividad. Lo que realmente importa es lo que va a pasar con la inversión y la rentabilidad empresarial.

Los mayores costes de producción por las importaciones y la debilidad de la demanda en el país y en el extranjero es probable que desalienten a las empresas británicas a la hora de invertir en el país y que lo mismo les ocurra a los inversores extranjeros. Y la rentabilidad general de las empresas británicas a finales de 2015 se situaba todavía por debajo del pico de 1997, mientras que la rentabilidad del sector industrial clave para las exportaciones era la mitad que en 1997.

Si el Reino Unido entra en recesión, la demanda de exportaciones de la UE (coches alemanes, vino francés, ropa italiana etc..) va a debilitarse. Y una recesión en el Reino Unido podría arrastrar también a la UE. Y ello en un entorno en el que el crecimiento económico mundial se ha reducido a su nivel más bajo desde el final de la Gran Recesión, en el que el crecimiento de los beneficios empresariales globales es cero y la inversión empresarial está cayendo en muchas economías.

A largo plazo el Brexit no supondrá una gran diferencia para la salud del capitalismo británico, pero en este momento podría ayudar a acelerar una nueva recesión mundial. Y tendría un impacto mucho mayor en las vidas de los que votaron a favor del Brexit que los supuestos problemas como la inmigración “descontrolada” o las regulaciones de Bruselas.

Traducción para www.sinpermiso.info: G. Buster

https://thenextrecession.wordpress.com/2016/06/24/the-impact-of-brexit/


Yanis Varoufakis
exministro de finanzas del gobierno griego de Syriza, es Profesor de política económica en la Universidad de Atenas. Su libro El Minotauro Global fue publicado en castellano por la editorial española Capitán Swing, a partir de la 2ª edición inglesa revisada.

Michael Roberts
es un reconocido economista marxista británico, que ha trabajador 30 años en la City londinense como analista económico y publica el blog The Next Recession. Fuente:
Varias

domingo, 5 de junho de 2016

Democracia e Poder

Obra de Jheronnimus Bosch


Por Paulo Müzell

John Kenneth Galbraith definiu o poder como “habilidade de um indivíduo ou de um grupo conseguir a submissão de outros a seu(s) propósito(s)”. Bertrand Russell complementou, afirmando que o poder na vida social tem um papel correspondente ao da energia no mundo físico. De que forma se exerce o poder, quais os meios utilizados para exercê-lo? Galbraith sintetiza citando o primeiro: punição, coerção, medo, a forma mais antiga de poder. Maquiavel aconselhou o príncipe: “é melhor ser temido do que amado.” Segundo: compensação, premiando aqueles que se submetem ao poder, é exatamente o inverso do medo e da punição. Terceiro: persuasão, que é conseguir a adesão através do convencimento, da crença. A sua forma mais perene: quem adere se sente ou tem a ilusão de ser partícipe.

A história da vida em sociedade é a história do poder. A produção do excedente econômico libera mão de obra da atividade diretamente produtiva: nasce a classe ociosa, nas figuras do líder político e chefe da guerra, do pajé e do curandeiro. Resumidamente, os cinco mil anos da história da humanidade consistem na luta da imensa maioria para ser ouvida, participar das decisões e se beneficiar do aumento da renda e da riqueza gerada. Não querendo ser pessimista, considero que os resultados foram até agora extremamente modestos.

Nas idades antiga, média e moderna, ao longo de quarenta e oito séculos, tivemos lentos e milimétricos avanços na luta contra a tirania e o poder absoluto de uma minoria. Durante séculos e séculos os reis e a Igreja lutaram – e tiveram sucesso – para manter seu poder e privilégios. Só no século XIII, na Inglaterra, tivemos um avanço: revolta dos barões, num episódio de enfrentamento dos excessos do monarca João Sem Terra. A limitação do poder real só ocorreu efetivamente, também na Inglaterra, quatrocentos anos depois, no século XVII: a revolta liderada por Cronwell foi consolidada na Revolução Gloriosa que depôs Jaime II em 1688. Institucionalizou-se ali o Parlamento e uma Constituição que estabeleceu limites ao poder absoluto do rei.

Decorrem pouco mais de duzentos anos da Revolução Francesa, da ascensão de uma nova classe, a burguesia, do iluminismo, do nascimento da democracia formal, do Estado laico estruturado em três poderes teoricamente autônomos e harmônicos entre si. Apesar do triunfante lema de uma Revolução que prometia – liberté, égalité, fraternité -, as desigualdades não foram superadas, se mantiveram. As potências europeias exploraram suas colônias na África, Ásia e América Latina até poucas décadas atrás; o sufrágio universal extensivo às mulheres tem apenas oitenta anos. A escravidão foi abolida formalmente há pouco mais de um século: de fato ainda existe nos países pobres e até aqui no Brasil. Em muitos países não ocorreu ainda a separação Igreja-Estado. Quase um terço da população mundial vive em países muçulmanos onde a fé religiosa se sobrepõe aos direitos da cidadania e há extrema desigualdade de gênero Mais de dois bilhões de chineses, indianos e japoneses vivem numa sociedade onde ainda impera um patriarcalismo primitivo.

O sistema econômico concentra cada vez mais capital: um pequeno número de empresas multinacionais controla o avanço tecnológico e a produção mundial. Defendem a livre concorrência e uma economia de mercado que não existe mais. Um capital financeiro cada vez desregulamentado e especulativo provoca frequentes crises cíclicas: os lucros são privados; os prejuízos públicos. No final da estória o contribuinte é quem acaba pagando a conta, ou seja, cobre os “rombos bilionários”. É a “socialização do prejuízo”, um capitalismo sem riscos. A oligarquia concentra cada vez mais a riqueza dos países, é dona dos meios de comunicação, financia partidos, elege políticos e controla de fato os governos. Este é o cenário mundial: nos Estados Unidos, na Europa e aqui na América Latina.

A crescente concentração da riqueza e do poder torna cada vez mais distante a democracia real. Resta-nos a democracia burguesa e mesmo esta ainda não se consolidou no Brasil. A grave crise política que vivemos hoje é uma prova disto. Um Congresso reacionário liderado por um criminoso montou uma farsa grotesca, um golpe parlamentar, expondo o país ao ridículo. O golpe – uma agressão às leis e à Constituição – contou com a cumplicidade de um poder judiciário cuja instância maior, o Supremo uma vez mais envergonhou a nação, dando respaldo a um justiceiro que cometeu flagrantes arbitrariedades, desrespeitou o direito de defesa e descumpriu as leis. Um juiz cujos atos evidenciam sua parcialidade: um juiz que tem lado. Aquele mesmo Supremo que já se acovardara durante a ditadura militar – dando ares de legalidade à violência e ao arbítrio -, tapou os ouvidos e fechou os olhos no episódio do golpe, chegando ao absurdo de impedir a posse de um ministro de Estado legitimamente indicado pela presidência. Um Supremo que desrespeita a Constituição, influenciado e submisso a uma mídia que falseia os fatos, a serviço de uma oligarquia atrasada, entreguista. Um judiciário corporativo, que instituiu a auxílio moradia, que desrespeita o teto salarial do serviço público e ainda pleiteia novos benefícios absurdos. Um judiciário que se pensa e se organiza como casta, fechado, sem controles externos, um verdadeiro acinte à cidadania. A recente atuação do judiciário brasileiro mostra que a reforma do judiciário é tão ou mais urgente que a reforma política que há tantos anos o país aguarda.

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/democracia-e-poder/

terça-feira, 17 de maio de 2016

AS ESPADAS DA BRIGADA




GAÚCHO

Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das coxilhas!
Saí de meus pagos em louca arrancada!
— Para que?
— Para nada!

Ascenso Ferreira


Se alguém não sabe, sabre é uma das três armas usadas na esgrima, juntamente com o florete e a espada. O sabre é a mais leve das armas da esgrima, com aproximadamente 500g de peso, o mesmo que um florete. É a arma mais curta das três disponíveis, tendo no máximo 88 cm de comprimento de lâmina e 105 cm de comprimento total.

Há uma certa dúvida a respeito de qual arma a Brigada Militar fez uso na carga de cavalaria realizada na sexta-feira, 13 de maio de 2016, em Porto Alegre.

Alguns órgãos da mídia declararam que os policiais utilizaram espadas. Outros viram perfeitamente que se tratava de sabres.

Possivelmente muitos dos membros da Brigada Militar que participaram da carga de cavalaria gostariam de ficar conhecidos como portadores de espadas. Afinal a espada é mais comprida que o sabre e é dura (os sabres são bastante flexíveis). Por outro lado, presume-se que não gostariam de ser conhecidos como portadores de floretes.

Porém, alguns dias após o ocorrido, há um certo consenso de que a arma utilizada foi o que costumam chamar de sabre.

Os sabres têm diversas utilidades. Além de serem armas de esgrima, podem ser usados para abrir espumantes, por exemplo.

Chamam a isso sabragem ou sabrage.

(O processo da sabragem funciona assim: primeiro é necessário que o espumante esteja bem gelado, depois é importante remover toda a cápsula (objeto de plástico, ligas metálicas ou estanho que cobre o gargalo) e a gaiola (arame) do produto. Em seguida, é necessário encontrar a emenda de vidro das duas metades que formam a garrafa, o que pode ser feito com tato ou a olho nu. O sabre deve acompanhar a emenda e percorrer o pescoço da garrafa para se chocar de forma brusca contra a base do gargalo e a pressão interna, de seis atmosferas, vai se encarregar de expelir a parte superior do líquido para longe. Se bem executado o processo, não há risco ao beber o conteúdo da garrafa, pois não ficam sobrando caquinhos de vidro.)

Segundo alguns, o sabre também é muito útil para coçar partes do corpo não alcançadas pelas mãos, porém quanto a isso não tenho certeza se funciona a contento.

A dúvida que ficou em relação à carga de cavalaria acima referida é a seguinte: para que diabos estavam sendo utilizados os sabres naquela sexta-feira?

Aparentemente o problema é que algumas pessoas, jovens na maioria, estavam extravasando seu descontentamento com o governo e, devido ao calor do momento, talvez estivessem mais entusiasmadas do que costumam ser usualmente.

A Brigada Militar examinou a situação e por algum motivo decidiu que as pessoas estavam passando de um ponto considerado como tolerável.

Decidiu, então, dispersá-las.

Para isso utilizou várias formas, uma das quais foi a famosa carga da cavalaria, com os nossos amigos sabres em posição de ataque.

Realmente não se conseguiu chegar a uma conclusão lógica em relação a como seriam utilizados os sabres na prática.

Provavelmente os valorosos membros da Brigada não estavam pensando em furar o corpo de ninguém com eles. Ou estavam?

Será que gostariam de bater nas pessoas, a la Rodrigo Cambará* (com os pequenos, de prancha)? De prancha: bater de lado, sem cortar, só para afugentar.

De qualquer forma esse mistério permanecerá, pois quando chegaram ao final da fatídica carga aparentemente não encontraram ninguém pela frente.

Ainda bem.





* "Buenas e me espalho, nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!"
Passagem do livro Um certo Capitão Rodrigo - Érico Veríssimo.