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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A INVENÇÃO DO POVO JUDEU

Fonte da imagem AQUI.


Por Paulo Müzell, para RS URGENTE

Marino Boeira, articulista e professor universitário gaúcho afirma, com toda razão, que se você quiser arrumar encrenca certa, escolha dois temas: a necessidade de submeter a mídia ao controle da sociedade e a violência e a opressão de Israel que vitima os palestinos. É incômodo e polêmica na certa.

Pois Sholomo Sand, professor de história da Universidade de Tel Aviv resolveu “topar a bronca” ao publicar “A invenção do povo judeu”, obra editada pela Benvirá no ano passado. O livro desmonta o mito que “justificou” a criação do estado de Israel como uma tardia volta dos judeus à “terra prometida”, depois de expulsos da Palestina quase dois mil anos atrás, no episódio da destruição do segundo templo pelos romanos em 70 dC. Após minuciosa pesquisa, Sand concluiu que não há nenhum indício ou prova documental de que os judeus tenham sido expulsos pelos romanos de Jerusalém ou da Palestina. Ele afirma que essa é uma falsa versão que tem origem na interpretação subjetiva de textos bíblicos (Velho Testamento). Foi fundamental construir o mito do judeu errante, perseguido, um povo único, com identidade étnico religiosa em busca de suas remotas origens.

Os judeus que vivem hoje em Israel e em outros países do mundo, segundo Sand, não tem origem única, mas múltipla. São povos que se converteram ao judaísmo em várias regiões: na bacia do Mediterrâneo e áreas vizinhas; no norte da África descenderam de pagãos convertidos (judaísmo seferdita). Há, também os judeus iemenitas, um terceiro ramo originado do reino Himiaritá, além dos judeus asquenazes, refugiados do reino Khazar, localizados na Europa do Leste.

O livro foi lançado tardiamente no Brasil, mais de três anos depois das primeiras edições européias e de Israel. Traduzido em vinte e uma línguas, como não poderia deixar de ser, teve grande repercussão. Cinco meses na lista dos mais vendidos em Israel, ganhou em 2009 na França o prestigioso “Prix Aujourdd’hui”. Reconhecimento e elogios de peso: Eric Hobsbawm, Tony Judt, Marcel Détienne, Edgar Morin e Noam Chomsky. É evidente que, em contrapartida, sobraram críticas, umas poucas amenas e equilibradas, a maioria delas duras, ásperas, apaixonadas, verdadeiros libelos contra. Professores universitários, rabinos, jornalistas com vastos espaços em grandes veículos da mídia nacional e internacional “bombardearam” o livro com grande fúria e energia.

As perseguições que vitimaram os judeus foram uma constante ao longo de séculos e séculos de história. O fanatismo religioso, não há qualquer dúvida, foi a principal causa. Mas não há como negar, também, que ao preservarem hábitos alimentares, costumes e língua própria, os judeus constituíram clãs, enclaves nas tribos e povos com quem compartilharam territórios. Essa não-integração, não há qualquer dúvida, contribuiu para alimentar e fortalecer o milenar sentimento antissemita.

A Primeira Cruzada propiciou uma explosão de antissemitismo na Europa. Entre 1096 e 1098 dezenas de milhares de judeus são mortos na Alemanha e na Europa Central. Matanças ocorrem nos anos de 1189 e 1190 na França e na Inglaterra. Em 1492 os reis católicos expulsam da Espanha quase 100 mil judeus, a maioria dos quais se refugia em Portugal, onde, alguns anos depois são vítimas do denominado Pogrom de Lisboa, “A Matança da Páscoa de 1506”. No final do século XIX tivemos o famoso caso Dreyfus, no qual um oficial francês, de origem judaica foi acusado de traição. O episódio, de repercussão internacional alimentou uma nova onde antissemita na França e na Europa. Emile Zola escreve o clássico “Je acuse”. Multidões marcham pelas ruas de Paris bradando “morte aos judeus!” Na Rússia tivemos três “ondas” de perseguições. A primeira, entre 1881 e 1884, teve como causa imediata o assassinato do Czar Alexandre II.

Entre 1903 e 1906 um novo e prolongado pogrom russo e, por fim, no início do processo revolucionário de 1917 ocorreu um novo massacre. Calcula-se que entre 1880 e 1920 mais de dois milhões de judeus russos abandonaram o país.

O mito de um povo judeu errante em busca de suas origens começa a ser construído na Alemanha a partir da segunda metade do século XIX. Intelectuais de origem judaica, influenciados pelo vigor do tardio nacionalismo alemão começam a construir a versão que foi fundamental para a criação do estado de Israel. Heinrich Graetz é o pioneiro e segundo Sholomo Sand ele “forjou” o modelo nacional da escrita da história dos judeus com “J” maiúsculo, ponto de partida para que outros pesquisadores, mais decididamente nacionalistas, deixassem de pensar a judeidade como uma civilização religiosa variada e rica para se tornar um “antigo povo-raça”, desenraizado, expulso de suas origens, o país de Canaã.

Moses Hess publica em 1862 a obra “Roma e Jerusalém” citando Graetz com entusiasmo. Observa Hess que a fonte dos conflitos entre judeus e não-judeus “reside no fato dos primeiros constituírem, desde sempre, um grupo hereditário diferente”. O “tipo judeu” teria permanecido o mesmo através dos séculos. E continua, com um pessimismo amargo: “De nada serve aos judeus negar suas origens fazendo-se batizar e se misturando às massas dos povos indo-germânicos ou mongóis. Os tipos judeus são indeléveis”. Graetz ratifica e complementa o pensamento de Hess, concluindo: “não se pode negar a existência de povos mortais, que desaparecem na história e de outros que são imortais. Nada permanece da raça helênica ou latina, que se fundiram a outras entidades humanas. A raça judaica, ela sim, conseguiu perdurar e sobreviver, estando a ponto de avivar o fogo da sua juventude bíblica milagrosa”. O povo judeu “é de fato um povo-messias, que, chegando o dia, salvará a humanidade inteira”.

Sand observa que a fonte do fortalecimento da teoria da raça nos grandes centros europeus foi a mesma que trouxe a revolução burguesa e o iluminismo com seus ideais de liberdade e igualdade entre todos.. A extraordinária evolução tecnológica e industrial do capitalismo cristalizou um sentimento de arrogância e de superioridade biológica e moral da Europa. Ironias da história.

Graetz, Hess e alguns outros autores constituíram o núcleo teórico das ideias que possibilitaram a construção do “mito sionista”, fundamental para a formação do estado de Israel, muitas décadas depois. E que explica o estranho fato da Universidade de Tel Aviv ter dois departamentos de história que funcionam como compartimentos estanques, isolados, sem nenhuma comunicação entre si. Temos uma “história de Israel” e a “outra”, a história geral. A história de Israel se fundamenta na interpretação de documentos bíblicos, especialmente do Velho Testamento, o Livro dos Livros, verdadeira “carteira de identidade” do povo judeu e “a prova de seu justo mandato sobre a terra de Israel”. Não temos aqui ciência e sim uma visão do passado elaborada através de interpretação subjetiva de milenares documentos religiosos. Com o que não concordaria, se vivo fosse, o irreverente Mark Twain. Ele não via com bons olhos a bíblia, em especial o Velho Testamento, para ele uma sucessão de violências, crimes, estupros cometidos por um Deus injusto, mesquinho, cruel e vingativo que: “punia crianças inocentes, o povo pelo pecado dos seus governantes e até as inofensivas cabras e ovelhas por desvios e erros cometidos por seus donos”.

Em 1948, favorecido por uma série de circunstâncias a ONU oficializou a criação do estado de Israel. Com uma constituição que deveria assegurar “igualdade perante a lei para todos seus cidadãos, liberdade de culto, sem quaisquer distinções ou discriminação de raça e cor, com total liberdade de ir e vir”. Sabe-se que nada disso ocorre. Israel é hoje uma etnocracia religiosa. Um quarto dos seus quase oito milhões de habitantes são palestinos, cidadãos de segunda linha, confinados, segregados, discriminados, vivendo em condições de extrema pobreza.

Em 1896 Theodor Herzl, um jornalista judeu austríaco que cobrira o caso Dreyfus para a imprensa europeia e ficara impactado pelo forte sentimento de ódio aos judeus na França e na Europa Central escreve “O estado judaico” e no ano seguinte organiza e preside o primeiro congresso sionista na Basiléia. Foram dois importantes passos para a consolidação de um movimento sionista internacional rumo à criação do estado de Israel. Estado tornado possível graças ao apoio econômico, político e militar de duas grandes potências – numa primeira etapa da Inglaterra e mais tarde dos Estados Unidos -, interessadas em criar um enclave seu numa região de vital importância estratégica pela sua privilegiada localização geográfica, próxima de grandes reservas de petróleo árabe.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

SHLOMO SAND




O profeta dos Hebreus, o Príncipe da Paz, conduz os Judeus para a Terra Prometida


Dois textos de Juremir Machado da Silva:
 

Mito judaico

Os palestinos querem ter um Estado reconhecido pela ONU agora em setembro. Muitos judeus brasileiros acham que ainda não é o momento. Talvez mudem de ideia depois de ler o livro de Shlomo Sand, que finalmente chega ao Brasil, "Como Foi Inventado o Povo Judeu". Como esta coluna é vanguardista, escrevi aqui sobre Sand em 2009. Judeu, professor da Universidade de Tel-Aviv, tendo vivido até os 2 anos de idade num campo de concentração e sido soldado na Guerra dos Seis Dias, Sand sustenta que a base da cultura judaica é puro mito, o que transforma em poeira os principais argumentos israelenses em favor de seus privilégios no território que ocupam.

Segundo Sand, a ideia de que os judeus são um povo, uma etnia, ou que descendem de Moisés, Davi e Salomão, é apenas uma tradição religiosa recuperada no século XIX e oficializada a partir de 1960: "Qualquer israelense sabe que o povo judeu existe desde a entrega da Torá no monte Sinai e se considera seu descendente direto e exclusivo. Todos estão convencidos de que os judeus saíram do Egito e fixaram-se na Terra Prometida, onde edificaram o glorioso reino de Davi e Salomão, posteriormente dividido entre Judeia e Israel. E ninguém ignora o fato de que esse povo conheceu o exílio em duas ocasiões: depois da destruição do Primeiro Templo, no século 6 a.C., e após o fim do Segundo Templo, em 70 d.C.".

Sand vira o jogo: "Novas descobertas arqueológicas contradizem a possibilidade de um grande êxodo no século XIII antes da nossa Era. Da mesma forma, Moisés não poderia ter feito os hebreus saírem do Egito, nem tê-los conduzido à ''terra prometida'' - pelo simples fato de que, naquela época, a região estava nas mãos dos próprios egípcios!". Tem mais: "Tampouco há sinal ou lembrança do suntuoso reinado de Davi e Salomão. As descobertas da década passada mostram a existência de dois pequenos reinos: Israel, o mais potente, e a Judeia, cujos habitantes não sofreram exílio no século 6 a.C. Apenas as elites políticas e intelectuais tiveram de se instalar na Babilônia". Uau! É punk.

Rui o mito? "E o exílio do ano 70 d.C. teria efetivamente acontecido? (...) os romanos nunca exilaram povo nenhum em toda a porção oriental do Mediterrâneo. Com exceção dos prisioneiros reduzidos à escravidão, os habitantes da Judeia continuaram a viver em suas terras mesmo após a destruição do Segundo Templo." Conclusões de Shlomo Sand: não houve êxodos nem exílios. Os judeus espalhados pelo mundo não descendem, na maioria, de pessoas que um dia tenham vivido na Palestina, mas de um povo de origem turca, os kházaros, convertido ao judaísmo no século VIII da nossa Era. Entre os descendentes dos judeus de 2 mil atrás há palestinos da Cisjordânia convertidos ao islamismo durante a ocupação muçulmana.

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Entrevista com Shlomo Sand

Adoro voltar a ser repórter de cultura. Mandei um e-mail para o historiador Shlomo Sand. Ele me enviou seus telefones. Liguei para ele em Israel. Conversamos durante quase uma hora. Pagarei uma fortuna. Resumo do papo:

JMS - O senhor lutou na Guerra dos Seis Dias?

Sand - Claro. Fui soldado. Infelizmente ajudei a conquistar Jerusalém para Israel. Saí sem ferimentos.

JMS - O senhor nasceu num campo de refugiados, não de concentração, obviamente, na Áustria ou na Alemanha?

Sand - Na Áustria, onde só ficamos três semanas. Passamos imediatamente para um campo de refugiados na Alemanha.

JMS - Mantém suas ideias de que judeus atuais askenazes descendem dos khazares, um reino convertido ao judaísmo?

Sand - Claro que mantenho. É uma evidência. Só os ignorantes e os sionistas rejeitam isso. Em todos os sentidos, inclusive demográficos, os judeus do Leste Europeu não poderiam ter saído de onde se diz. A origem mítica judia é uma construção sionista do século XIX.

JMS - As críticas não o abalaram?

Sand - Tive mais elogios do que críticas. Grandes historiadores, como Tony Judt, Marcel Détienne e Eric Hobsbawm, me elogiaram. Edgar Morin me apoiou. Noam Chomsky gostou. Eles são muito mais importantes do que os sionistas que me atacaram. Críticas sionistas são comprometidas. Ganhei o Prix Aujourd''hui 2009, o mais importante prêmio atribuído pelos jornalistas franceses. Meu livro será traduzido em 21 línguas. Só os sionistas fanáticos é que o recusam. Só não conseguem refutá-lo.

JMS - Alguns dos seus críticos afirmam que as suas ideias servem aos antissemitas? Isso chega a incomodá-lo?

Sand - Dizer que isso é uma asneira é pouco. Não passa de uma chantagem primária. Não sou antissemita. Sou de origem judaica. Mas ser judeu não é pertencer a uma raça. Isso não existe. Quem pensa assim é racista. Um judeu brasileiro é, antes de tudo, um brasileiro de religião judaica. Quase nada há em comum entre um judeu polonês e um judeu brasileiro. Não existe uma cultura laica judia.

JMS - O fato de ser um especialista em história europeia deslegitima o seu trabalho sobre a história judaica?

Sand - Outra bobagem. Trabalho na Universidade de Tel Aviv, onde tem um departamento de história judaica e outro de história geral, que não se comunicam. Por eu ser especialista em história geral não poderia falar da história judaica? Só aos sionistas interessa essa ideia.

JMS - Para o senhor, como mostra em "A Invenção do Povo Judeu", o judaísmo é uma religião, não uma nação ou um povo. Significa que Israel não tem direito histórico ao seu território ou que deve dividi-lo com os palestinos?

Sand - Israel não tinha mais direito histórico algum sobre o atual território. Isso é loucura. Dois mil anos depois, com gente nascida por toda parte e de origens diferentes, que direito é esse? Estou escrevendo uma continuação de meu livro "O Mito da Terra de Israel". Por que um brasileiro de remota origem judaica tem direito a ir morar em Israel e um palestino nascido em Jerusalém não pode voltar para a sua terra natal? Israel deve existir por ser um fato consumado. Recuar seria uma tragédia. Devemos formar uma confederação de dois estados nacionais para resolver o problema e ir em frente. Viveremos em paz quando formos israelenses, não judeus.

Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br

Correio do Povo

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Israel y el antisemitismo


Varias unidades de las fuerzas israelíes asaltaron la semana pasada una flotilla de buques desarmados que pretendía romper pacíficamente el bloqueo de Gaza. Todo ello sucedía en aguas internacionales, con flagrante vulneración del derecho. Total, nueve muertos en la tripulación de la flotilla y ninguno en las tropas asaltantes: una desproporción que revela la iniquidad del ataque. Las armas que encontró Israel en la flotilla turca eran simples cuchillos de cocina. Fue peor que un error: fue un crimen. Uno más en aquella zona de inacabable violencia.

Francesc de Carreras, para La Vanguardia

Como siempre sucede en estos casos, las críticas a esta acción israelí han sido consideradas un signo de antisemitismo. Por lo visto, criticar a los gobiernos israelíes tiene un límite que establecen unos infalibles detectores de antisemitismo con vocación de censores. Para ellos, cualquier crítica al Estado de Israel suscita sospechas. Mediante esta coacción moral, se intenta limitar la libertad de expresión de los críticos: su versión de los hechos siempre es considerada sesgada, cargada de prejuicios, de un latente racismo, en definitiva, se trata del antisemitismo de siempre.

¿Qué hacer ante este chantaje? Simplemente no ceder, no dejarse influir, seguir razonando sin complejos. Quizás –paradójicamente– seguir el ejemplo de muchos judíos a lo largo de la historia: aquellos que no han cejado en el empeño de ser judíos a pesar, no ya de las críticas, sino de las persecuciones.

Efectivamente, la persecución de los judíos, por el mero hecho de ser judíos, no es ningún mito, sino una verdad histórica irrefutable. El judaísmo es una religión y, a la vez, una cultura y unas costumbres. Practicar esta religión y estas costumbres no ha sido fácil. Todo empezó en la antigüedad más remota, con el patriarca Abraham arribando a Canaán, hoy Israel, tal como cuenta la Biblia. Después la huida a Egipto hasta su vuelta a Canaán, la tierra prometida. La peculiaridad judía de aquellos tiempos era que se trataba de una religión monoteísta frente al politeísmo reinante. Los judíos adoraban a un dios que no tenía ni las formas ni las características de los humanos, como era el caso de los dioses griegos y romanos. Era un grupo raro en aquellos tiempos y por eso fueron perseguidos.

No les cambió la suerte con la aparición y la posterior expansión del cristianismo. En la unidad cristiana medieval, los judíos fueron la única minoría no cristiana de Europa. A pesar de un origen común, no adoraban al mismo dios que los cristianos porque no creían que Jesucristo era el Mesías esperado. Iglesia y sinagoga eran símbolos opuestos. El Evangelio ya maldice a los judíos y san Juan Crisóstomo dice de ellos: "La sinagoga no sólo es un burdel y un teatro, es también una cueva de ladrones y un antro de bestias salvajes...". Es sólo un ejemplo.

En la edad media los judíos se convirtieron en el chivo expiatorio de cualquier conflicto y sufrieron las consecuencias: la eliminación física –pogromos–, la segregación en las ciudades –los guetos o juderías–, expulsiones continuas –la diáspora–. Podían haberse salvado con el protestantismo, pero Lutero fue un antisemita convencido, no menos que la Santa Inquisición. En todos estos casos, se les perseguía en nombre de la religión cristiana.

Con la Ilustración se empezó a cambiar de criterio: la igualdad política los convertía en ciudadanos. Ello se acentuó con las revoluciones liberales: en Gran Bretaña, en Estados Unidos, en Francia, después en toda Europa. Sin embargo, los judíos empezaron a destacar en las finanzas, en las profesiones liberales, en el mundo del pensamiento. Empezaron a disputar el poder social y económico a las élites tradicionales y conservadoras de los distintos países. Con éxito, con mucho éxito.

Fue entonces cuando se conjugaron dos factores en su contra: por un lado, el nacionalismo romántico alemán; por el otro, las teorías raciales con pretensiones científicas. Se les consideraba traidores a la patria –eran "un Estado dentro del Estado", según Fichte– y, además, ya no sólo observaban una religión distinta, sino que pertenecían a una raza distinta dentro de un mundo, según algunos, de razas enfrentadas en las que, a la manera darwinista, sólo sobrevivirían las más aptas. Ahí empezó la persecución racial en el mundo germánico a mitad de siglo XIX, que se acentuaría con la primera guerra europea y culminaría con Hitler y el holocausto, el mayor genocidio de la historia.

La historia de los judíos ha sido, no cabe duda, una trágica historia de persecución, discriminación y segregación. Pero ello no implica que debamos permanecer callados ante los desmanes de quienes hoy dirigen Israel, que son judíos pero no son todos los judíos y ni siquiera representan a los judíos. La historia nunca puede justificar las injusticias del presente. No se critica al Gobierno de Israel por razones religiosas ni por razones raciales –las dos principales causas del antisemitismo–, sino por sus actuaciones políticas concretas. No es antisemitismo. Incluso no son antisemitas quienes dan argumentos razonables para poner en duda la oportunidad de la ONU al crear, hace más de sesenta años, el Estado de Israel.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

El costo de los lefebvristas

Daniel Paz & Rudy:

El Rabinato de Israel exige una disculpa por la anulación papal de la excomunión a los cuatro obispos integristas. Intentando frenar la polémica, Benedicto XVI condenó en la audiencia pública de los miércoles la negación del Holocausto.


Página/12

En un principio fue la anulación de la excomunión de cuatro obispos cismáticos lefebvristas. Luego se hizo pública la parcialidad histórica del obispo ultraconservador Richard Williamson: “Las evidencias están inmensamente en contra de que seis millones de judíos murieran asesinados en cámaras de gas”, afirmó a una cadena televisiva sueca. Entonces, las críticas estallaron, al obispo y al Papa por haberle levantado la sanción. Ayer, el Rabinato de Israel escaló la polémica y cortó todos sus lazos con el Vaticano e, incluso, suspendió un encuentro judeo-cristiano programado para marzo. El anuncio de ruptura de Jerusalén fue recibido con preocupación por el Vaticano y obligó a Benedicto XVI a condenar públicamente el revisionismo sobre el Holocausto. Mientras tanto, Williamson se encuentra “guardando silencio” en una comunidad de la Fraternidad San Pío X de La Reja, en el partido de Moreno.

“Sin una disculpa pública será difícil continuar con este diálogo”, aseguró Oded Weiner, director general del Rabinato de Israel, en una carta enviada directamente al Vaticano, luego de las declaraciones de Williamson. Weiner comunicó su indignación por la rehabilitación del obispo británico y suspendió la reunión interreligiosa entre el Rabinato –organismo oficial en Israel– y la Comisión vaticana para las Relaciones Religiosas con el Judaísmo –presidida por el cardenal Walter Casper– que debía celebrarse del 2 al 4 de marzo próximo en Roma.

Recientemente, Williamson descartó, en una entrevista con un medio sueco, la posibilidad de que seis millones de judíos murieran a manos de los nazis durante la Segunda Guerra Mundial. El obispo estimó que a lo sumo se trata de “entre 200 y 300 mil muertos en campos de concentración, pero ninguno en cámaras de gas”, según dijo el 21 de enero, tres días antes de que Benedicto XVI concretara la ya por entonces anunciada anulación de la excomunión.

El rabino Shear Yishuv Cohen, colega de Weiner en la Comisión israelí paralela, se mostró esperanzado en que el obispo lefebvrista corrija su postura y dichos antes de volver al diálogo interreligioso.

La creciente polémica entre el Vaticano y miembros de la comunidad judía llevó a Ratzinger a condenar públicamente y con dureza las posturas negacionistas sobre el Holocausto. Ante varios miles de fieles, que asistían a la audiencia de los miércoles, el Papa reiteró su “plena e indiscutible solidaridad” con los judíos y condenó, nuevamente, “la matanza de millones de víctimas inocentes de un ciego odio racial y religioso”. Asimismo, a partir de la referencia al “revisionismo”, el Pontífice descalificó las declaraciones de Williamson: “La Shoá debe ser para todos una advertencia contra el olvido, la negación o el reduccionismo, ya que la violencia hecha contra un solo hombre es violencia contra todos”, subrayó el Papa.

Paralelamente, Benedicto XVI debió explicar su decisión de levantar la excomunión a los cuatro prelados ordenados en 1988 por el arzobispo Marcel Lefebvre, sin el consentimiento de Juan Pablo II. Ratzinger subrayó que la misión del Papa es “trabajar por la unidad de todos los cristianos” y con esa medida se trató de hacer un gesto de “paterna misericordia”. No obstante, el Pontífice exigió a los cuatro prelados que reconozcan su magisterio y autoridad y acaten, sobre todo, el Concilio Vaticano II, negado por Lefebvre y sus seguidores en los ’60. En realidad, tanto Juan Pablo II como Benedicto XVI han dado durante años numerosos pasos –entre ellos la recuperación en 2007 de la misa en latín– para que los “lefebvrianos” regresaran a la obediencia oficial de la Iglesia.

Sin embargo, durante 20 años los tradicionalistas se mantuvieron firmes en sus planteos y demandaron el levantamiento previo de las excomuniones para el inicio del diálogo. Luego de las exigencias papales pronunciadas ayer, el obispo Bernard Fellay –uno de los cuatro rehabilitados y superior de la Fraternidad San Pío X– reiteró, en una carta enviada a sus seguidores, sus “reservas” sobre el Concilio Vaticano II.

Mientras los intercambios interreligiosos continúan, Williamson descansa en una comunidad cristiana del conurbano bonaerense. “Sí está, pero no va a hablar”, aseguró el cura francés Jacques Barrou al confirmar que el obispo británico dirige un seminario ultraconservador en la localidad de La Reja, a unos 50 kilómetros al oeste de Buenos Aires. El religioso aseguró que Williamson vive en esa localidad “de manera estable” y que en la actualidad “está descansando porque no hay clases” en el seminario.