domingo, 13 de setembro de 2009

O mito do Sapucay

PORTO MAUÁ:

FELIPE DORNELES
fdorneles@correiodopovo.com.br

Gritos que simbolizavam comemorações, sinais de alerta ou tristeza nas aldeias dos índios guaranis são tema do documentário 'Eco do Sapucay'. A produção, dirigida pelo cineasta santa-rosense Anderson Farias, retrata a história, a cultura e a música da região Noroeste do Estado. Sapucay, no dialeto mbya-guarani, proveniente da língua tupi, significa grito. O termo surgiu nas tribos guaranis, e os gritos simbolizavam emoções e momentos vividos pelos índios. Com o passar dos anos e a chegada dos jesuítas à região, o Sapucay foi tomando outras formas e outros significados. É esta a história abordada no documentário. Uma equipe de sete profissionais da área de cinema percorreu, durante quatro dias de gravações, municípios do Noroeste gaúcho e cidades argentinas que fazem fronteira com o Brasil.
Anderson conta que a ideia deste documentário surgiu no seu retorno à terra natal. Jornalista e artista plástico, natural de Santa Rosa, ele passou um período no Rio de Janeiro, cursando Cinema, e retornou com o objetivo de contar histórias da região. Instigado por amigos cariocas para encontrar um tema e desenvolver um trabalho, lembrou dos contos do Sapucay. A mãe de Anderson é natural de Porto Mauá, onde ele ouvia falar da história de um gaiteiro, que vivia na beira do rio Uruguai, chamado Sapucay. 'Até o momento, para mim, Sapucay era um homem que vivia na barranca do rio Uruguai, e realizava bailes em sua casa para driblar a fiscalização na fronteira, e permitir que o chibo (contrabando de mercadorias) ocorresse na região'. A história conta que gritos eram usados como sinais, para que os chibeiros soubessem se podiam fazer a travessia ou não, se haviam no momento pessoas controlando o fluxo na fronteira.
Cláudia Cavali, historiadora de Porto Mauá, explica: 'Na década de 1940, quando João Felipe Bernardo, veio para esta região, devido ao seu trabalho na estrada de ferro, foi apelidado de Sapucaia, pois era natural do município de Sapucaia do Sul, na Grande Porto Alegre. Mais tarde, devido à sua sua fama de gritar na beira do rio Uruguai, recebeu esta reformulação no apelido'.
Na cidade de Porto Mauá, Fronteira-Noroeste do Estado, o túmulo do Sapucay é a única lembrança da época. Anderson conta que descobriu com as pesquisas, que João Felipe Bernardo, o Sapucay, não era quem havia originado a lenda.
O cineasta diz que constatou que termo vinha dos guaranis e que o 'Grito do Sapucay' ainda está presente na música gaúcha por meio do gênero chamamé. A partir destas descobertas o documentário percorre locais por onde os gritos ecoavam.
Serviram como locações gravações o Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, mais conhecido como Ruínas de São Miguel, em São Miguel das Missões, onde viviam índios guaranis; o Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas, que tem como atração internacional o Salto do Yucumã, a maior queda d’água longitudinal do mundo, com 1,8 mil metros de extensão; as cidades de Santa Rosa, São Luiz Gonzaga, Porto Mauá. Na Argentina houve locações no Sítio Arqueológico de San Ignacio Meni, na província de Misiones. Além de Cláudia Cavali foram entrevistados o professor da Unijuí Larry Wiznieswiski e o tradicionalista Erni Friderich. Na Argentina, as fontes foram os músicos Karai Genilito Benitez e Karozo Zuetta.

CORREIO DO POVO, 13 de setembro de 2009.

3 comentários:

  1. O maior salto longitudinal do mundo pode desaparecer, mas isso não é nada perto do desastre que pode causar para as cidades vizinhas e o meio ambiente. Ou será o contrário? Veja mais em:

    http://www.livrodemochila.com/2010/04/salto-do-yucuma/

    ResponderExcluir
  2. oi sou diego brum da cruz bis neto do joao feliper bernado eu queria saber onde posso encontrar esse dvd minha vo filha dele se chama geni brum bernardo

    ResponderExcluir
  3. Oi Diego, sugiro se informar na Secretaria da Cultura e Esporte de Santa Rosa: http://www.santarosa.rs.gov.br/secretarias.php?secretaria=13

    ResponderExcluir