segunda-feira, 17 de agosto de 2009

SANTA ROSA - II

Bansky's "Maid in London":

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 16 DE AGOSTO DE 2009

Escola foi transformada em presídio

FELIPE DORNELES
fdorneles@correiodopovo.com.br

A cidade de Santa Rosa, na região Noroeste do Estado, guarda na memória histórias de perseguição e sofrimento durante a 2ª Guerra Mundial. Imigrantes que se instalaram na região, principalmente alemães, foram vítimas da repressão praticada pela polícia política brasileira. Centenas deles foram presos e alguns morreram na Colônia Penal Agrícola, transformada em uma espécie de campo de concentração. O fato está registrado em livros e na lembrança de quem testemunhou as perseguições.
Teresa Christensen, historiadora de Santa Rosa, conta que os primeiros alemães presos foram levados para três celas no porão da antiga sede da prefeitura. 'Mas tinha pouco espaço e, como ali era o Centro da cidade, não podiam torturar os imigrantes, pois se ouviriam os gritos. Então foi estruturado um presídio em local mais afastado, hoje a Vila Agrícola, no Bairro Planalto', explica a pesquisadora.
Em 1920, o governo do Estado criou a Escola Técnica Agrícola de Santa Rosa, com o objetivo de incentivar novas culturas e preparar jovens para as lidas no campo. Devido a problemas financeiros, o estabelecimento de ensino funcionou apenas três anos. Abandonados e com maquinários ao relento, os dois prédios construídos para a escola, um sobrado de madeira e um galpão onde eram ministradas aulas práticas passaram a ser uma prisão.
Teresa revela que a história guarda, desse tempo difícil, as grandes arbitrariedades que tinham como palco a Colônia Penal Agrícola. 'Conta-se que alguns colonos alemães e de outras etnias que mal falavam o português, eram levados ao Presídio da Agrícola e obrigados a assinar um documento de venda das colônias que possuíam e logo após eram degolados. Dizem os mais velhos que as paredes do galpão de madeira eram todas marcadas por mãos sujas de sangue', relata.
Segundo a historiadora, todos eram obrigados a falar português e as escolas confessionais, mantidas pelas comunidades, tiveram que mudar radicalmente. Professores foram demitidos, livros confiscados e escolas fechadas. Muitos espiões e denunciantes rondavam as casas de famílias para ver se estavam falando alemão e principalmente, se ouviam rádio. Teresa acrescenta que o fato de falar neste ou em outro idioma, era considerado crime contra a Pátria e as punições eram a cadeia e a tortura. Casas eram invadidas e os objetos dos moradores confiscados. As igrejas evangélicas e católicas também sofreram ataques. Padres e pastores eram presos e desrespeitados em plena celebração religiosa quando oravam em língua alemã..
No livro 'Santa Rosa: Histórias e Memórias', Tereza Christensen, com base em depoimentos de uma comerciante alemã, já falecida, narra o episódio do ataque ao mercado 14 de Julho. O fato ocorreu no dia 22 de agosto de 1942, após um comício no qual autoridades teriam instigado a população a invadir casas de alemães e italianos.

SANTA ROSA - I


Rio Grande do Sul teve campos de concentração

ROBERTO TAVARES
rtavares@correiodopovo.com.br

A existência, em território brasileiro, de campos de concentração ou de internamento, onde foram confinados centenas de imigrantes alemães, italianos e japoneses durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945) raramente é referida nos livros. O professor da PUCRS e da Ufgrs René Gertz, doutor em História, afirma que esses locais existiram do Pará ao Rio Grande do Sul. Em solo gaúcho houve confinamentos na Colônia Penal Agrícola Daltro Filho, em Charqueadas, e em Santa Rosa, na região Noroeste do Estado. Ele cita pronunciamento feito na Assembleia Legislativa do RS, em 1948, pelo deputado Alcides Flores Soares Júnior, da UDN. O parlamentar exigiu o pagamento de indenização aos alemães presos e denunciou tortura, sevícia e mortes no campo de Santa Rosa.
Gertz cujos avós eram russos, fez doutorado em Berlim e apaixonou-se pela história dos alemães no Brasil em 1975, quando decidiu elaborar uma tese sobre a Aliança Nacional Libertadora. Ele lembra que foi aconselhado pelo o médico e escritor Dyonélio Machado, militante comunista, a não fazer a pesquisa, pois o trabalho 'traria muita incomodação'. Depois de conversar com o professor Hélgio Trindade, o historiador decidiu estudar o Integralismo e os estudos resultaram na publicação dos livros 'O Fascismo no Sul do Brasil', 'O Perigo Alemão' e 'O Aviador e o Carroceiro'. O professor observa que nos locais de internamento não havia a mesma violência dos campos nazistas e que os italianos foram poupados, pois sua participação na guerra nunca foi considerada pelos gaúchos. A Colônia Penal Agrícola Daltro Filho, onde hoje está instalada a Pasc, foi construída como presídio comum, mas a partir de 1942 virou campo de internamento para cidadãos comuns sem nenhuma atividade política.
Foram recolhidos à Colônia Penal mais de cem alemães e três japoneses. Gertz conta que houve relato da morte de um alemão, mas o inquérito policial concluiu que o falecimento do prisioneiro teve causas naturais. O deputado Flores Soares, afirmou na época, durante discussão com outros políticos, que presenciara em Santa Rosa as práticas denunciadas. O caso, segundo o historiador, foi retratado também na Revista Vida Policial, da série 1942/1943 e numa brochura publicada em 18 de maio de 1948. Em Santa Rosa, o repórter Felipe Dorneles entrevistou uma historiadora e moradores que confirmam a repressão a imigrantes.

CORREIO DO POVO, 16 DE AGOSTO DE 2009.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O ROMANCE ESTÁ NO AR



AbundaCanalha

A queda do feudo e da audiência global e velhas práticas


Nota do Blog: Mesmo tendo sido encomendado pelo Grupo Record, vale a pena ler o texto.

CORREIO DO POVO, 13 DE AGOSTO DE 2009

O crescimento da audiência e do faturamento comercial da Rede Record pressupõe que alguém esteja caindo em graus, números e gêneros. Quando, em um determinado mercado, um grupo começa a ficar forte, significa que hegemonias estão sendo quebradas e alguém está ficando fraco.
Quem tem acompanhado o embate entre a TV Record e a TV Globo percebe o quanto a outrora 'todo-poderosa' 'Vênus Platinada' tem tido o seu brilho embaçado pelos avanços em graus, números e gêneros de sua principal concorrente.
A Record tem mostrado a que veio: lutar e alcançar a liderança do mercado televisivo, antes dominado sem nenhuma preocupação pela Globo.
O assombro global acentuou-se ainda mais com o advento das TVs a cabo. Com esse novo cenário, a globalização, ironicamente, obrigaria a emissora a rever sua costumeira fórmula de gerar notícias para sua conveniência.
O desespero a levou a promover campanhas que beiravam o ridículo e que sugeriam tentar manter a imagem que ela mesma (Rede Globo) criou como a guardiã oficial dos interesses da Nação e da preservação da cultura – cultura esta que sugeriria a indução de um povo quanto ao que se deve vestir, falar, acreditar e em quem votar.
A tentativa dos Marinho não logrou êxito, sobretudo no campo da política, onde seu apoio ou oposição a qualquer que fosse o candidato a um cargo político passou a não fazer muita diferença.
O falecido ex-governador Leonel Brizola e o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, são exemplos clássicos do apático e debilitado feudo midiático dos Marinho.
Só para relembrar, em 1982, Brizola deparou-se com um inescrupuloso inimigo – Roberto Marinho e todo o seu poder centrado nas organizações Globo. Marinho, que controlava o jornal O Globo e a Rádio Globo, fez pressão contra Brizola quando este almejava o cargo de ministro da Fazenda de João Goulart. Vale lembrar que Roberto Marinho foi um dos empresários que apoiaram o Golpe de 1964, golpe que forçou Brizola a ir para o exílio.
Em 1982, Roberto Marinho foi acusado de comandar o esquema do caso Proconsult, que visava impedir a vitória de Brizola na eleição para governador. O plano de fraude comandado por Marinho foi denunciado pelo Jornal do Brasil e abortado após Brizola denunciá-lo pessoalmente na imprensa. Em 1984, a briga com o 'império global' ganhou mais visibilidade, pois Brizola quebrou o monopólio da Rede Globo na transmissão do Carnaval, concedendo o direito de transmissão para a Rede Manchete. A emissora de Marinho então desistiu de cobrir o evento, mas a expressiva queda de audiência durante os desfiles fez a Globo recuar e aceitar transmitir o evento a partir do ano seguinte em conjunto com a Manchete.
Em 1989, Brizola, que liderava as pesquisas de opinião para eleição presidencial, sentiu-se sabotado pela Rede Globo após ter feito contra ele uma série de acusações pessoais em rede nacional.
No caso do presidente Lula, estamos tratando de uma situação atual e que dispensa nos estendermos para relembrar a notória e constante oposição da emissora dos Marinho a este governo.
A prole dos Marinho traz em sua genética esse caráter, ou seja, tentar execrar os que, em seu entender, ameaçam uma suposta hegemonia.
Outro emblemático, pérfido e lamentável episódio foi o que a Globo fez com o caso da Escola Base, atingindo seus proprietários e familiares com acusações infundadas de abuso sexual de menores.
Enquanto a 'todo-poderosa' despencava vertiginosamente, a Rede Record ascendeu, ganhou terreno, e continua avançando no mesmo mercado das desesperadas e velhas Organizações Globo.
Velha no sentido literal, em se tratando de suas tentativas de ações estratégicas que vêm desde antes, durante e após a ditadura, isto é, de métodos retrógrados que não cabem e nem funcionam na sociedade atual.
Já que estamos falando de ações ultrapassadas, que a sociedade moderna não digere, há um antigo ditado bem próprio ao péssimo e amargo momento vivido pela emissora dos Marinho: 'Enquanto os cães ladram, a caravana da Record avança' (e como avança!).
No desespero, a Rede Globo, mais uma vez, como em tantas outras em que se viu acuada de alguma forma, tenta impor o seu costumeiro estilo 'highlander', ou seja, 'só pode haver um'.
Só que o grupo Record topa o enfrentamento sem medo e sem desespero, até porque o império decadente está sendo o da Globo.
Em uma crise de identidade, fragilizada, a emissora dos Marinho parte para a leviandade, golpes e ataques inescrupulosos, como sempre lhe foi peculiar. Quando a prole dos Marinhos se vê acuada, esgotada em todos os seus recursos, a falta de alternativas somada ao seu desespero os leva a esquentar o forno do inescrúpulo e requentar os pães dormidos.
Afinal, a tradição familiar precisa ser preservada!
No entanto, eles parecem ter se esquecido de que, como já exemplificados, seus tiros têm saído pela culatra – que o diga o testemunho do presidente Lula e de todos os que são simpáticos a ele. Os ataques globais sobraram até para o novo presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) por declarar aprovação ao governo Lula, sem falar em profissionais do jornalismo que, em suas análises políticas, sofreram pressões, chegando a casos de demissão pelo fato de, em seus comentários políticos, enaltecerem o governo federal.
A Globo, diante da Record, está se postando como um cachorro pequeno que, mediante a sua fragilidade, rosna e ataca o maior. Uma de suas maiores especialidades é requentar velhas notícias.

Carlos Oliveira
especialista em comunicação e política

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Webjornalismo cidadao é alvo facil para poderosos incomodados


Acabou A Nova Corja, blog gaucho independente que fez história na internet brasileira. Ex-integrante, Marcelo Trasel explicou - registrado hoje pelo Toda Midia - "Rodrigo Alvares decidiu encerrar o blog... O motivo é o desânimo causado pelos processos de Políbio Braga, Felipe Vieira e Banrisul. Nao que metessem medo. O problema é que custam dinheiro e tomam muito tempo. Todos os membros atuais e antigos da Corja têm empregos e famílias. O jornalismo era como uma prestaçao de serviços à sociedade. Quando os poderosos foram perturbados e resolveram se aproveitar do Judiciário para tentar calar a Corja, a sociedade mostrou-se incapaz de ajudar. O tempo livre dedicado ao jornalismo passou a ser dedicado a defender-se da litigância de má-fé... Algumas liçoes importantes. Percebe-se que o bom jornalismo ainda faz diferença. [Mas] esse caso mostra os limites do webjornalismo cidadao. Repórteres funcionários podem contar com o setor jurídico para defendê-los e seguir com a rotina produtiva. Repórteres amadores sao alvos fáceis para a intimidaçao jurídica".

Blue Bus

VOTE DIA 23 DE AGOSTO

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