domingo, 6 de dezembro de 2020

O NOVO PADRÃO DE CAMPANHAS ELEITORAIS

 


 

Não rir, nem se lamentar, nem odiar, mas compreender.

Baruch Espinoza

 

 

Muitas pessoas que se interessam por assuntos políticos estão impressionadas com alguns acontecimentos no âmbito planetário.

De fato, nos últimos 20 anos o mundo assistiu a uma espetacular ascensão de movimentos populistas de direita e extrema direita.

Partidos e movimentos de extrema direita em todo o mundo, particularmente na Europa, se sentiram à vontade para levantar a cabeça e fazer suas pregações extremistas, algumas vezes chegando ao poder em seus países.

Orbán na Hungria, o partido Lei e Justiça na Polônia, Kurs na Áustria, dentre outros, foram vencedores de processos realizados dentro de formatos democráticos considerados tradicionais.

As espetaculares vitórias eleitorais de Trump em 2016 e de Bolsonaro em 2018, além da vitória do Brexit, no início de 2020, podem ser considerados os pontos mais altos da ascensão do populismo de extrema direita.

Nos últimos tempos as ondas desse populismo extremista aparentemente estão refluindo em todo o planeta, porém a forma de fazer política nunca mais será a mesma.

A seguir veremos rapidamente quais foram as mudanças mais perceptíveis.

 

 

O Caldo de Cultura: As Redes Sociais

 

Sean Parker, primeiro financiador do Facebook, explica com funcionam as redes sociais:

“Somos criaturas sociais, e nosso bem-estar depende, em boa parte, da aprovação dos que estão em volta. Ao contrário de outros animais, o homem nasce sem defesas e sem competências e continua assim por muitos anos. Desde o início, sua sobrevivência depende das relações que ele consegue estabelecer com os outros. O diabólico poder de atração das redes sociais se baseia nesse elemento primordial. Cada curtida é uma carícia maternal em nosso ego. A arquitetura do Facebook é toda sustentada sobre a nossa necessidade de reconhecimento”.

Ele continua: “Nós fornecemos a você uma pequena dose de dopamina, cada vez que alguém o curte, comenta uma foto ou um post, ou qualquer outra coisa sua. É um loop de validação social, exatamente o tipo de coisa que um hacker como eu poderia explorar, porque tira proveito de um ponto fraco da psicologia humana. Os inventores, os criadores, eu, Mark [Zuckerberg], Kevin Systrom, do Instagram, estávamos perfeitamente conscientes disso. E, mesmo assim, fizemos o que fizemos. E isso transforma literalmente as relações que as pessoas têm entre si e com a sociedade como um todo. Interfere provavelmente na produtividade, de certa maneira. Só Deus sabe qual o efeito que isso produz no cérebro de nossos filhos.”

O cliente ideal do Sean Parker, de Zuckerberg e de todos os outros criadores de redes sociais é um ser compulsivo, empurrado por uma força irresistível para voltar à plataforma dezenas, centenas, milhares de vezes por dia, fissurado por essas pequenas doses de dopamina da qual se tornou dependente. Um estudo nos EUA demonstrou que, em média, cada pessoa dá 2.617 toques por dia na tela do smartphone. Sem dúvida, não é o comportamento de uma pessoa que esteja sã de espírito. Está mais próximo do modo de agir de um junkie em fase terminal, que se “aplica”, ao longo do dia, seguidas doses de refresh e de likes.

 

 

O “Público Alvo” da Extrema Direita

 

Obviamente que as pessoas fissuradas por reconhecimento nas redes sociais não se identificam automaticamente com as ideias da Extrema Direita.

Quem é, então, o “Público Alvo” desses movimentos populistas de direita?

O filósofo alemão Peter Sloterdijk nos dá uma dica importante.

Em um livro publicado em 2006 ele constata que um sentimento irresistível atravessa todas as sociedades.

Esse sentimento é alimentado por aquelas pessoas que, com ou sem razão, pensam ter sido lesados, excluídos, discriminados ou insuficientemente ouvidos.

Historicamente a Igreja foi a primeira a perceber esse sentimento de cólera e canalizar essa imensa raiva acumulada.

Posteriormente, os partidos de esquerda tomaram a frente a partir do final do século XIX. Segundo o filósofo, estes últimos garantiram a função de “bancos de cólera” acumulando as energias que, em vez de serem gastas em um instante, poderiam ser investidas na construção de um projeto mais amplo.

Hoje, diz Sloterdijk, ninguém mais gerencia essa cólera que as pessoas acumulam.

A Igreja Católica, por exemplo, teve que abandonar seus tons apocalípticos, para se adaptar aos “tempos modernos” e a esquerda, de forma geral, se adaptou aos princípios da democracia liberal e às regras do mercado.

Como consequência, a cólera passou a se expressar de maneira cada vez mais desorganizada, dos movimentos antiglobalização às revoltas nos subúrbios.

Entre dez a quinze anos após o livro de Sloterdijk foi possível constatar que parte significativa dessa energia colérica foi canalizada de forma organizada pelos movimentos de extrema direita.

 

 

 

Como Isso Aconteceu?

 

O caso emblemático inicial, que alterou a forma de fazer política, aconteceu na Itália. No início dos anos 2000, um italiano especialista em marketing compreende que a internet irá revolucionar a política.

Ele, Gianroberto Casaleggio, contrata um comediante, Beppe Grillo, para o papel de primeiro avatar de carne e osso de um partido-algoritmo. Nasce, assim, o Movimento 5 Estrelas.

Na realidade o 5 Estrelas não é um partido político. É um blog extremamente centralizado por Casaleggio, que faz estrondoso sucesso abordando temas populares que estimulam o ressentimento com o establishment político. Casalleggio é o maestro dos algoritmos, selecionando os assuntos que terão engajamento de seu público e Grillo, famoso comediante, é a face viva, exagerando ao máximo os assuntos abordados.

O Movimento 5 Estrelas fez muito sucesso eleitoral, elegendo numerosas bancadas de deputados e conquistando as Prefeituras de Roma e Turim em 2016.

Esse novo formato de “fazer política” chamou a atenção de vários ideólogos de movimentos populistas de extrema direita (Dominic Cummings, Steve Bannon, Milo Yiannopoulos, Arthur Finkelstein, dentre outros).

Giuliano da Empoli, escritor italiano, denomina esses ideólogos de “Engenheiros do Caos” (*).

Bannon, por exemplo, fez muitas visitas à Itália para absorver conhecimentos e elaborar a estratégia de uma “internacional populista”.

O que foi captado na Itália foi aplicado, com adaptações, em vários lugares do planeta.

 

 

 

As Fake News

 

Os algoritmos das redes sociais são programados para oferecer aos usuários qualquer conteúdo capaz de atraí-los com maior frequência e por mais tempo.

Os algoritmos dos engenheiros do caos induzem os usuários a sustentar qualquer posição, razoável ou absurda, realista ou intergaláctica, desde que ela capte as aspirações e, principalmente, os medos dos eleitores.

Esta forma de fazer propaganda se alimenta sobretudo de emoções negativas, pois são essas que garantem maior participação dos eleitores. Daí o sucesso das fake News e teorias da conspiração.

O sucesso dessa nova forma de abordagem é medido pela capacidade de fazer explodir a cisão esquerda/direita para captar os votos de todos os revoltados e furiosos, e não apenas dos fascistas.

Por trás do aparente absurdo das fake News e das teorias da conspiração oculta-se uma lógica bastante sólida. Do ponto de vista dos líderes populistas e seus assessores, as verdades alternativas não são um simples instrumento de propaganda. Elas constituem um verdadeiro vetor de coesão.

Mencius Moldburd, famoso blogueiro da direita alternativa dos EUA, escreveu: “Por vários ângulos o absurdo é uma ferramenta organizacional mais eficaz que a verdade. Qualquer um pode crer na verdade, enquanto acreditar no absurdo é uma real demonstração de lealdade: a pessoa passa a possuir um uniforme virtual e pensa fazer parte de um exército”.

Assim, as lideranças de movimentos que agreguem fake News à construção de sua própria visão de mundo se destacam da manada dos comuns. Não são vistos como burocratas pragmáticos e fatalistas como os outros, mas como homens de ação, que constroem sua própria realidade para responder a anseios de seus seguidores.

 

 

 

A Destruição de Adversários

 

Arthur Finkelstein é um judeu homossexual de Nova York, apaixonado por ópera e literatura russa que milita, desde muito jovem, na ala dura do Partido Republicano dos EUA.

Seu método é o microtargeting, ou seja, análises demográficas sofisticadas e sondagens de boca de urna entre os eleitores das primárias dos EUA, que vão permitir identificar os diversos grupos para os quais devem ser enviadas mensagens segmentadas. A uns ele envia mensagens mais moderadas. Com outros envia mensagens pesadas, apontando certos aspectos do programa ou da personalidade dos candidatos que esses eleitores apoiam.

O verdadeiro talento de Finkelstein consiste não tanto em promover seu candidato, mas em destruir seus adversários. Ele desenvolve campanhas negativas, que jogam luzes nos defeitos de seus oponentes.

Ele transformou essa metodologia em uma arte que é copiada em vários locais do planeta.

 

 

 

Comunicação Segmentada

 

No modelo tradicional, a comunicação entre um candidato e seus eleitores alvo era (e é) muito limitada: se o candidato queria se comunicar com uma categoria ou grupo específico (base de sindicato, categoria empresarial, bairro, ...) tinha que fazer de forma pública. Se um candidato quisesse fazer uma comunicação para um público heterogêneo teria que utilizar termos moderados, para atrair o maior número possível de eleitores.

Atualmente, com a atuação de especialistas (físicos de dados, profissionais de TI, ...), a situação funciona de forma totalmente diferente. Esses profissionais identificam indivíduos ou pequenos grupos com características semelhantes e enviam mensagens customizadas para cada pessoa ou grupelho. Essas pessoas e grupos podem ter compreensões e comportamentos contraditórios entre si, porém nunca ficarão sabendo uns dos outros. O importante para os especialistas é convencê-los a votar no seu candidato ou não votar no candidato a ser destruído.

Essa nova forma de atuação política seria impensável sem a internet e as redes sociais.

 

 

 

Comentários Finais

 

Os atores com capacidade de liderança e visão estratégica continuam sendo fundamentais no jogo político.

Por outro lado, as redes sociais e a utilização de métodos científicos na comunicação via internet estão sendo cada vez mais decisivos na escolha dos eleitores. Para o bem ou para o mal.

É muito importante que as forças democráticas se apropriem dessas estratégias de comunicação com os eleitores, não só para se contrapor ao populismo de direita e extrema direita mas, principalmente, para fazer com que suas mensagens cheguem com qualidade a um número cada vez maior de pessoas.

Para que isso ocorra é fundamental que energias e recursos financeiros sejam direcionados para formação e organização de núcleos de especialistas em internet e tecnologia da informação.

Felizmente parece que estamos assistindo, no planeta, a um refluxo da onda de extrema direita e a um avanço dos ventos democráticos. Acredito que essa situação possa ser potencializada nos próximos anos.

Omar Rösler, dezembro de 2020.

 

(*) No livro “Os Engenheiros do Caos”, de Giulano da Empoli, ele explica didaticamente como as fake News, as teorias da conspiração e os algoritmos estão sendo utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar eleições. No presente texto tomei a liberdade de fazer citações literais desse livro. Sugiro fortemente sua leitura. Reitero agradecimento ao amigo Junico Antunes pela indicação deste livro.

 

Fonte da Imagem: https://nl.pinterest.com/pin/622059767269792755/

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ARROZ: A FÁBULA E A REALIDADE

 

 


 

A FÁBULA

Pantanal queimando. Animais fogem desesperados. De repente percebem um passarinho que vai em direção ao fogo e se afasta, vai e volta. – Que está fazendo, pequeno pássaro, pergunta a onça? – Estou indo até o rio, encho meu bico de água, volto e jogo no fogo. – Mas desta forma não vai conseguir apagar o fogo! – Eu sei, porém ficarei com minha consciência tranquila.



A REALIDADE

Milhares de “passarinhos” desligam a água na pia enquanto escovam os dentes e ficam com a consciência tranquila. Enquanto isso, para suprir a necessidade de água do arroz, estima-se que venha sendo utilizado, atualmente, um volume de água médio de 8 a 10 mil m3 /ha (vazão de 1,0 a 1,4 L/s. POR HECTARE!), para um período médio de irrigação de 80 a 100 dias (GONÇALVES, 2010). É muita água! E, na maioria das vezes, essa água retorna para os rios e lagos com significativo volume de pesticidas (veneno), principal estratégia no campo para o combate e a prevenção de pragas.



ESSA HISTÓRIA TEM MORAL?

Os produtores de arroz utilizam intensamente nossa água, devolvem ela envenenada, depois vendem o arroz para países ricos. "Oh, a taxa de câmbio está favorável"! Enquanto isso os preços do arroz nos supermercados brasileiros aumentam, chegando a valores exorbitantes, inacessíveis para pessoas pobres. E o Governo Federal o que faz atualmente sobre isso? Apela para um hipotético “patriotismo” dos donos de supermercados, vários deles com matriz em outros países. Os donos de supermercados, claro, fazem de conta que não é com eles.


- FIM -

Omar, em outubro de 2020.

sábado, 3 de outubro de 2020

A CLASSE MÉDIA ESTÁ DE PARTIDA

 


por Zuggi Almeida

A classe média afivelou as malas. Vai fazer uma longa viagem e não sabe se volta (isso, se puder retornar!)

Ela parte deixando para trás a ilusão que pertencia a elite e que imitando hábitos e trejeitos de uma casta superior poderia posar de rica.

Se despede do apartamento de três quartos financiado na zona nobre da cidade. Na garagem fica o carro bacana com as prestações atrasadas. Adeus ao sonho de ver o filho formado fazer uma pós-graduação no exterior.

Ela embarca com a incerteza de adquirir a aposentadoria e sem saber se vai continuar a pagar o plano de saúde da família.

Esse momento exige desapego dos mimos das grifes importadas, dos jantares creditados nos cartões, das viagens internacionais.

A viagem de agora é pra ‘não sei pra onde’.

A classe média tem um semblante de esposa traída, bem pior, o ex-marido já mantinha um casamento oficial, anterior ao dela. Muito duro. Difícil de acreditar.

A classe média perdeu a voz, o ímpeto, a arrogância. Hoje anda disfarçada e correndo das câmaras de TV, das postagens indignadas nas redes sociais. Sumiu das ruas e das sacadas.

A classe média se despede levando apenas duas coisas na mala: uma camiseta da seleção brasileira e uma panela.

Good bye!

 

Em tempo: texto publicado em 12 de outubro de 2016. Mais que atual! 

Fonte da Imagem:  https://www.pikist.com/free-photo-shbdf

 

domingo, 6 de setembro de 2020

OS ENGENHEIROS DO CAOS

 


Se você quiser saber como as Fake News, as Teorias da Conspiração e os Algoritmos estão sendo utilizados para disseminar ÓDIO, MEDO e influenciar ELEIÇÕES, a leitura do livro “OS ENGENHEIROS DOS CAOS”, de Giuliano Da Empoli, é fundamental.

Você vai entender perfeitamente como figuras improváveis, como Bolsonaro e Trump, tiveram sucesso eleitoral.

A seguir pequeno trecho do livro, para degustação:

““Somos criaturas sociais, e nosso bem-estar depende, em boa parte, da aprovação dos que estão em volta. Ao contrário de outros animais, o homem nasce sem defesas e sem competências e continua assim por muitos anos. Desde o início, sua sobrevivência depende das relações que ele consegue estabelecer com os outros. O diabólico poder de atração das redes sociais se baseia nesse elemento primordial. Cada curtida é uma carícia maternal em nosso ego. A arquitetura do Facebook é toda sustentada sobre a nossa necessidade de reconhecimento, como admite, tranquilamente, seu primeiro financiador, Sean Parker.

“Nós fornecemos a você uma pequena dose de dopamina, cada vez que alguém o curte, comenta uma foto ou um post, ou qualquer outra coisa sua. É um loop de validação social, exatamente o tipo de coisa que um hacker como eu poderia explorar, porque tira proveito de um ponto fraco da psicologia humana. Os inventores, os criadores, eu, Mark [Zuckerberg], Kevin Systrom, do Instagram, estávamos perfeitamente conscientes disso. E, mesmo assim, fizemos o que fizemos. E isso transforma literalmente as relações que as pessoas têm entre si e com a sociedade como um todo. Interfere provavelmente na produtividade, de certa maneira. Só Deus sabe qual o efeito que isso produz no cérebro de nossos filhos.”

Bem antes dos Bannon e dos Casaleggio, há o trabalho dos aprendizes de feiticeiro do Vale do Silício. O maquinário hiperpotente das redes sociais, suspenso sobre as molas mais primárias da psicologia humana, não foi concebido para nos confortar, mas, pelo contrário, veio à luz para nos manter num estado de incerteza e de carência permanente. O cliente ideal do Sean Parker, de Zuckerberg e de todos os outros é um ser compulsivo, empurrado por uma força irresistível para voltar à plataforma dezenas, centenas, milhares de vezes por dia, fissurado por essas pequenas doses de dopamina da qual se tornou dependente. Um estudo americano demonstrou que, em média, cada um de nós dá 2.617 toques por dia na tela de nosso smartphone. Sem dúvida, não é o comportamento de uma pessoa que esteja sã de espírito. Está mais próximo do modo de agir de um junkie em fase terminal, que se “aplica”, ao longo do dia, seguidas doses de refresh e de likes.””

 

Agradeço ao amigo Dr. Junico Antunes pela indicação e ao meu filho Henrique Zasso Rösler pela digitação.

 

Omar. 

Setembro de 2020 

 

Fonte da Imagem: https://br.pinterest.com/pin/674554850408950152/

domingo, 30 de agosto de 2020

FLORDELIS

 



“Moral (do latim moralis "maneira, caráter, comportamento próprio") é a diferenciação de intenções, decisões e ações entre aquelas que são distinguidas como próprias e as que são impróprias.

Ética ou filosofia moral é, na filosofia, o estudo do conjunto de valores morais de um grupo ou indivíduo.”

Fonte: Wikipédia


Longe de mim querer fazer julgamento moral ou generalizar. O que me chamou a atenção, porém, é a diferença abissal entre o que a Pastora Evangélica Pentecostal e Deputada Federal FLORDELIS dizia e o que ela praticava.

Por exemplo: ela tinha um posicionamento firme e radical em defesa da vida, principalmente no caso de abortos. Agora se sabe que ela foi responsável pelo assassinato de seu marido, que antes de assumir esse posto era seu filho adotivo.

As notícias que chegam sobre o comportamento de FLORDELIS são extremamente interessantes e estão amplamente divulgadas na mídia.

A seguir passo a relatar alguns trechos que selecionei, que revelam noções de moral e ética incomuns, principalmente em se tratando de uma religiosa (pastora pentecostal):

“Depoimentos dados à polícia no inquérito que investiga a morte do pastor Anderson do Carmo, marido de Flordelis dos Santos, revelam episódios de traições, relacionamentos amorosos entre irmãos e até mesmo troca de casais dentro da família.

Uma das filhas adotivas de Flordelis, Erica dos Santos de Souza, em seu depoimento, foi questionada pelos policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo se havia presenciado envolvimento entre as pessoas que moram na casa. Ela relatou que Adriano dos Santos, filho biológico apenas de Flordelis, se relacionou amorosamente com duas irmãs adotivas, Nylaine e Lorrana, quando já namorava com Marcele, sua atual esposa.

Erica também contou que Simone dos Santos, também filha biológica apenas de Flordelis, se envolveu com Alexandre Freire, que é filho adotivo. Simone, de acordo com depoimento de Maria Edna do Carmo, mãe do pastor Anderson, namorou, ainda no início dos anos 90, com o filho. Segundo relato de Edna, pouco tempo depois, Anderson “largou” Simone para ficar com Flordelis.

No depoimento dado à polícia, Erica também contou que dois irmãos adotivos - Iago e Francine - se envolveram, mas saíram da casa para assumir o relacionamento, “porque Anderson e Flordelis não permitiam esse comportamento dentro de casa”.

Além dos relacionamentos citados nos depoimentos, pelo menos outros dois casais já se formaram na família de Flordelis. Os pastores Carlor Ubiraci e Cristiane - ambos filhos adotivos de Flordelis - são casados e moram no terreno da casa da família, em Pendotiba. Eles fizeram uma construção anexa à residência, onde vivem. O casal tem uma filha biológica, Raquel, e uma adotiva, Rebeca. Eles também são considerados pais por Roberta de Souza, que foi acolhida por Flordelis em sua casa, ainda no Jacarezinho, mas quem a criou foi Carlos e Cristiane.

A própria Simone já foi casada com André Luiz de Oliveira, conhecido como Bigode, também filho adotivo. Juntos, tiveram três filhos biológicos - Lorrane, Ramon e Rafaela. Eles já estão separados há dez anos. O casal também criou como filha Raiane, a primeira criança pega por Flordelis para criar. De acordo com os relatos da pastora, Raiane foi encontrada numa lixeira na Central do Brasil.

Um dos filhos adotivos da deputada federal Flordelis, acusada de ser a mandante do assassinato do seu marido, o pastor Andersson do Carmo, revelou em depoimento ao Ministério Público, que manteve relações sexuais com a mãe.

Ele disse ainda que a parlamentar oferecia algumas das mulheres da casa a pastores estrangeiros.

No depoimento à polícia, o filho adotivo contou que os religiosos eram negros e falavam em francês. Eles teriam ido visitar o Ministério e ficaram hospedados na casa da parlamentar, que ofereceu as meninas como uma “forma de recepção”, nas palavras do filho.

De acordo com o depoimento, o filho adotivo conta que além de oferecer as mulheres como favores sexuais aos pastores estrangeiros, Flordelis mantinha relações com os filhos adotivos. A testemunha relatou que em seu primeiro dia morando na casa do bairro Rio Comprido, no Rio de Janeiro, ele recebeu uma visita da cantora gospel e os dois transaram.

O relacionamento continuou até ele conhecer a atual esposa, frequentadora do Ministério Flordelis.

A esposa do filho adotivo encontrou uma espécie de diário, onde ele contava detalhes dos cultos e do relacionamento com a mãe. Após a descoberta, ela fez com que ele cortasse de vez as relações com a mãe e o resto da família.

A DHNISG (Delegacia de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo) investiga se a deputada federal Flordelis (PSD-RJ) e o pastor Anderson do Carmo foram a uma casa de swing na noite em que ele foi assassinado.

Allan Duarte, delegado titular da DHNISG, disse à imprensa que o casal não esteve em Copacabana na noite da morte de Anderson, contradizendo o que Flordelis declarou em depoimento. A deputada disse à polícia que o casal foi comer petiscos, mas ela não sabia confirmar a localização exata ou o nome do local que visitaram naquela noite.

Os registros da CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro) apontam que o carro do casal não esteve em Copacabana. O último dado mostra que o veículo passou por um radar no bairro do Humaitá, vizinho a Botafogo. A informação reacendeu as suspeitas de que o casal fora a uma casa de swing na noite do assassinato de Anderson.

Uma testemunha disse aos investigadores que Flordelis e Anderson tinham o costume de visitar uma casa de swing em Botafogo, mas a versão foi negada pelo gerente da casa. A polícia não descartou a hipótese porque não é comum que estabelecimentos do gênero reconhecem clientes por respeito à privacidade.

Segundo um relatório da investigação divulgado pelo Extra, a casa de swing fica a 500 metros do radar pelo qual a CET-Rio afirma que o casal passou na noite do crime.Parte superior do formulário

Uma mulher que frequentava a igreja fundada pela deputada federal Flordelis dos Santos de Souza (PSD) relatou à Polícia Civil que a parlamentar e seu marido, o pastor Anderson do Carmo, frequentavam uma casa de swing, lugar onde há troca de casais. O depoimento foi dado em setembro do ano passado a policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí no inquérito que apura a morte de Anderson.

A fiel afirmou que soube da informação em 2007, ao levar sua supervisora a um culto no Ministério Flordelis. Ela relatou à polícia que ao ver a deputada e pastora, sua amiga ficou surpresa e comentou que Flordelis frequentava a mesma casa de swing que ela, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

A supervisora da fiel afirmou que além de Flordelis e Anderson, Simone, filha biológica da deputada, e o marido dela, André, também frequentavam o local. Ainda segundo a mulher, Flordelis possuía um quarto privativo na casa de swing. A mulher chegou a descrever a roupa usada por Flordelis na ocasião em que a viu na casa de swing e afirmou que ela estava extremamente bêbada.

Etc.

Ou seja, Nelson Rodrigues perdeu totalmente a graça.

Omar
Agosto de 2020

Imagem: obra de Jacek Yerka.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

HISTÓRIAS DO MERCADO PÚBLICO DE POA

 



Essa eu testemunhei.

Um Senhor, aparentando entre 70 e 75 anos de idade, se aproxima com passos decididos do balcão do Café do Mercado e anuncia:

- Vim fazer uma reclamação!

Uma atendente, solícita, se aproxima e pergunta se pode ajudar.

O Senhor saca do bolso um celular e, depois de algumas tentativas, mostra um vídeo para a atendente.

No vídeo um rapaz enche parcialmente com água dois copos altos. No primeiro copo coloca uma colher de café oriunda de uma embalagem e no outro coloca quantidade parecida, oriunda de outra embalagem. Em um dos copos o café permaneceu todo na superfície da água, boiando. No segundo copo parte do café baixou até o fundo e parte permaneceu na superfície. O rapaz afirmou que aquelas partículas que desceram até o fundo não eram de café e sim de outra substância adicionada para adulterar o produto.

- O café de vocês é falsificado, adulterado, bradou o Senhor! Coloquei o café que comprei aqui em um copo com água e ele desceu todo pro fundo!

- Mas meu Senhor, isso é impossível! Olha ali os grãos de café. Olha o rapaz tirar, pesar e colocar no moedor. Olha o café moído! Não tem como ser adulterado. É tudo transparente!

- Não sei como vocês fazem, mas o café de vocês é falsificado. Quer ver o vídeo de novo?

- Não tenho tempo. Olha a fila... O que o Senhor quer, seu dinheiro de volta?

- Não. Não precisa. Eu usei o pó de vocês para fazer café e ficou bom. Então não precisa devolver o dinheiro. Mas o café é falsificado!!!

Se virou e foi embora, com seus passos decididos.

Omar, em agosto de 2020. 

 

 Foto: Jefferson Bernardes/ PMPA