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quarta-feira, 7 de abril de 2010

FRASES


"O MPE fez, ao que parece, um belo trabalho. O trabalho que a Polícia Civil deixou de fazer."

Juremir Machado da Silva

Não perca o contexto. Leia AQUI todo o texto.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

INJUSTIÇA E DESORDEM


Por Luis Fernando Verissimo

Texto publicado em O Estado de S. Paulo, O Globo e Zero Hora
3 de julho de 2008

Quando Goethe disse que preferia a injustiça à desordem, a Europa recém fora sacudida pela revolução francesa e enfrentava outro terremoto, o bonapartismo em marcha. Sua opção não era teórica, era pela específica velha ordem que os novos tempos ameaçavam. Por mais injusta que fosse, a velha ordem era melhor do que as paixões incontroláveis libertadas pela revolução. Mas a frase de Goethe atravessou 200 anos, foi usada ou repudiada por muitos, na teoria ou na prática e em vários contextos, e chega aos nossos dias mais atual do que nunca. Você não pode pensar na questão agrária brasileira, por exemplo, sem cedo ou tarde ter que se perguntar se prefere a justiça ou a ordem.

A injustiça no caso é flagrante e escandalosa. Mesmo que se aceitem todas as teses sobre o desvirtuamento do movimento dos sem-terra e se acate a demonização dos seus líderes, militantes e simpatizantes, a dimensão do movimento é uma evidência literalmente gritante do tamanho da iniqüidade fundiária no Brasil, que ou é uma ficção que milhares de pessoas resolveram adotar só para fazer barulho, ou é uma vergonha nacional. A iniqüidade que criou essa multidão de deserdados no país com a maior extensão de terras aráveis do mundo é a mesma que expulsou outra multidão para as ruas e favelas das grandes cidades, deixando o campo despovoado para o latifúndio e o agronegócio predatório. A demora de uma reforma agrária para valer, tão prometida e tão adiada, só agrava a exclusão e aumenta a revolta.

Quem acha que desordem é pior do que injustiça tem do que se queixar, e a que recorrer. As invasões e manifestações dos Sem Terra se sucedem e assustam. Proprietários rurais se mobilizam e se armam, a violência e o medo aumentam, a reação se organiza. Agora mesmo no Rio Grande do Sul, enquanto endurece a repressão policial às ações do MST, um documento do Ministério Público estadual prega a criminalização de vez do movimento, caracterizando-o como uma guerrilha que ameaça a segurança nacional, com ajuda de fora. É improvável que uma maioria de promotores de Justiça do Estado, transformados em promotores de ordem acima de tudo, tivesse abonado o documento como estava redigido, com seu vocabulário evocativo de outra era. Mas ele dá uma idéia da força crescente do outro lado da opção definidora, dos que escolheram como Goethe.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Última bruxa executada era inocente


Ana Göldi, acusada de envenenar um menor e decapitada, deverá ser oficialmente inocentada pelo cantão de Glarus, na Suíça Central, em agosto.

Göldi foi a última pessoa executada na Europa por bruxaria. O caso aconteceu no vilarejo de Mollis em 1782 e ilustra o fanatismo religioso, a superstição e o abuso de poder que vigoravam na época de seu julgamento.

O destino de Anna Göldi voltou à atualidade depois que o jornalista Walter Hauser publicou, no ano passado, um livro com novos elementos sobre a influência excessiva que o patrão da acusada exerceu sobre as autoridades locais.

Hauser explica à swissinfo a razão de seu interesse pelo assunto. "Em primeiro lugar sou do cantão de Glarus (Suíça Central), é minha terra e também sou advogado. Pode-se dizer que estava predestinado a escrever sobre isso."

O reconhecimento de que Anna Göldi foi vítima de um erro judicial provocou um amplo debate em que as igrejas Católica e Reformada foram consultadas.

Esta não é a primeira vez que o caso é abordado. No ano passado, o governo cantonal (estadual) e o Conselho da Igreja Protestante recusaram um pedido de reabilitação da vítima.

As autoridades mudaram de opinião depois que o Parlamento cantonal reabriu o caso, forçando o Executivo a limpar o nome de Anna Göldi.

"Estou muito satisfeito que o governo de Glarus tenha mudado de opinião, reconhecendo a inocência de Anna Göldi, vítima de um escandaloso erro judicial", afirma Hauser.
"Um feitiço"

Göldi, de 48 anos, era empregada doméstica do outrora distinto cidadão Johann Jacob Tschudi. Ela foi acusada de enfeitiçar uma filha de Tschudi de oito anos, provocando convulsões na menina.

O médico e juiz Jakob Tschudi, ao que tudo indica, teve relações sexuais com Anna Göldi e sua reputação no vilarejo seria seriamente abalada se o adultério se tornasse público.

Antes de trabalhar na casa de Tschudi, Anna levava uma vida miserável. Nascida em uma família muito pobre, trabalhou como criada desde muito jovem. Ficou grávida solteira e foi desprezada quando descobriram que o bebê estava morto.

Três anos depois, engravidou novamente e teve um menino cujo destino é desconhecido. Anna mudou de emprego várias vezes até chegar à casa de Tschudi, onde trabalhou seis anos. Foi então demitida e acusada de responsável pela doença de uma das crianças da família.

O julgamento e a decapitação de Göldi ocorreram em 1782, quando esse tipo de processo já havia desaparecido na Europa. A última mulher executada por bruxaria antes de Ana Göldi fora julgada em 1738 na Alemanha.
Julgamento ilegal

Uma declaração da administração de Glarus publicada este mês indica que o Conselho da Igreja Reformada, que julgou Anna Göldi, não tinha autoridade legal alguma e decidiu antecipadamente que a mulher era culpada. Além disso, atesta que Göldi foi executada quando a lei não impunha a pena capital por envenenamento não letal.

"Este é o reconhecimento de que o veredicto foi pronunciado em julgamento ilegal e que Anna Göldi foi vítima de um assassinato judicial", afirma o documento.

"A revisão deve ser mais que uma simples confirmação de sua inocência", continua o texto. "Isso deve deixar bem claro que se tratou de um ato estatal incompreensível e injusto, uma injustiça grosseira que provocou um veredicto falso."

No entanto, as autoridades de Glarus advertem que a revisão do caso Anna Göldi não pode dar a impressão de que a geração atual assume a responsabilidade pelo passado de seus antigos habitantes.

swissinfo, Glare O'Dea