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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Quanto custa comer orgânicos em Porto Alegre?

 



Quem deixa os supermercados de lado e opta pelas feiras ecológicas tem economia de 58% nos mesmos produtos

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)
Comprar direto do produtor é umas das vantagens das Feiras Ecológicas / Leandro Molina


A resposta para a pergunta acima depende de um único fator: o local em que esses alimentos são adquiridos. No dia 23 de julho, o Jornal Brasil de Fato RS visitou uma unidade de uma das maiores redes de supermercado do país, que trataremos nesta reportagem como Supermercado X. Também esteve nos últimos dias em feiras ecológicas de Porto Alegre. O objetivo foi comparar o preço dos orgânicos e quanto o consumidor desembolsa ao comprá-los.

Na seção de produtos orgânicos do Supermercado X, 1kg de pimentão verde custa R$ 15,97 e 1kg de cenoura R$ 15,58. O consumidor pode adquirir 1kg de tomate italiano por R$ 26,62 e 1kg de beterraba por R$ 12,98. Já nas feiras, os preços são menores: 1kg de pimentão custa em média R$ 10,00; 1kg de cenoura R$ 4,00; 1kg de tomate italiano R$ 8,00; e 1kg de beterraba R$ 4,00. Ao comprar esses produtos no Supermercado X o gasto foi de R$ 71,15. Já nas feiras, o consumidor desembolsa R$ 26,00. Uma economia de R$ 45,15 (63,4%).

Escolha do preço

Uma das organizações sociais que mais aposta na produção orgânica é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que participa de mais de 40 feiras somente na região Metropolitana de Porto Alegre. O assentado Joice da Silva, que vem de Nova Santa Rita para vender orgânicos na capital, explica como é calculado o preço dos alimentos. “As feiras de Porto Alegre não se baseiam nos mercados como padrão de preços, elas têm autonomia e propõem seus preços pela tabela de custo. Nós consideramos os gastos com mudas, sementes, hora/máquina para fazer um canteiro, adubo e produtos”, conta.

Arnaldo Soares, também assentado em Nova Santa Rita, reforça que nas feiras os preços são decididos coletivamente, são mais baixos que os orgânicos dos supermercados, têm uma média geral e não sofrem alterações com frequência. “Avaliamos o tamanho dos alimentos e a quantidade dos molhos. Dentro do combinado e das características do produto, determinamos o preço”, afirma. No entanto, em casos de superprodução, são feitas promoções com preços menores que os tabelados. Conforme Soares, pechinchar também pode gerar economia no bolso.





Contato com o produtor

Quem opta pelas Feiras Ecológicas tem ainda outras vantagens, como comprar direto do produtor e tirar suas dúvidas sobre a origem dos alimentos. Essa possibilidade, que não há em supermercados, fez com que Sandra Fonseca, há 18 anos, passasse a frequentar a Feira Ecológica do Bom Fim. Agora, ela vai a várias feiras pelo menos uma vez por semana e integra, como consumidora, o Conselho de Feiras Ecológicas de Porto Alegre. “O consumidor precisa saber de onde vem o seu alimento, como ele é produzido e conhecer de perto quem o produz, precisa entender que a agroecologia pode sim alimentar o mundo”, defende.

Mais qualidade de vida

Enquanto o Brasil lidera o ranking dos países que mais consomem veneno no mundo, as feiras ecológicas são alternativas para quem procura mais saúde e qualidade de vida. De acordo com o médico Jonas Pretto, estudos comprovam que várias doenças, principalmente o câncer de mama, de próstata e de intestino grosso, têm ligação direta com o uso abusivo de venenos nas lavouras. “Eles alteram principalmente a questão hormonal, causando esses tipos de câncer. Há grande índice de depressão e suicídios em agricultores que aplicam venenos e de aborto em mulheres gestantes, além de crianças que nascem com má formação congênita e alterações no sistema neurológico, principalmente com autismo”, explica.

Segundo a nutricionista Iara Martins, essas substâncias tóxicas podem causar muitos prejuízos à saúde, entre eles inflamações no estômago e alergias. É por isso que ela também defende o consumo de alimentos orgânicos, por considerá-los extremamente saudáveis. “Além de mais nutritivos, pois preservam todos os nutrientes presentes no alimento, como fibras, vitaminas e minerais, são sustentáveis e contribuem com o meio ambiente”, acrescenta.

A nutricionista dá uma dica para ajudar o consumidor a identificar os alimentos que realmente são livres de venenos. “No supermercado, as embalagens devem conter o selo federal SisORG, que garante que o produto é orgânico; e nas feiras, as bancas devem ter a Declaração de Conformidade Orgânica, que comprova que o agricultor produz orgânico”, ressalta.

Confira locais e horários de Feiras Ecológicas em Porto Alegre:
AUXILIADORA

Terças-feiras, 7h

Travessa Lanceiros Negros (passagem de pedestres entre as ruas Mata Bacelar e a Coronel Bordini)

BOM FIM

Sábados, 7h às 12h30

Av. José Bonifácio, 675

MENINO DEUS

Quartas-feiras, 13h30 às 18h30

Sábados, 7h às 12h30

Av. Getúlio Vargas, 1384

PETRÓPOLIS

Quartas-feiras, 13h às 18h

Rua General Tibúrcio (Praça Ruy Teixeira)

TRÊS FIGUEIRAS

Sábados, 8h30 às 13h

Rua Cel. Armando Assis (ao lado da Praça Desembargador La Hire Guerra)

RÔMULO TELLES

Sábados, 7h às 13h

Rua Rômulo Telles Pessoa (ao lado da Praça André Forster)

TRISTEZA

Sábados, 7h às 12h30

Av. Otto Niemeyer (esquina com a Av. Wenceslau)

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Quartas-feiras, 13h às 19h

Praça Mal. Deodoro, 101

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

Quartas-feiras, 10h30 às 13h30

Av. Loureiro da Silva, 515

UFRGS Campus Central

Terças-feiras, 9h às 16h

Av. Paulo Gama, 110

UFRGS Campus do Vale

Quintas-feiras, 14h às 19h

Av. Bento Gonçalves, 9500

UFRGS Campus Saúde

Quartas-feiras, 9h às 16h

Rua Ramiro Barcelos, 2705

UFRGS Fabico

Quintas-feiras, 12h às 18h

Rua Ramiro Barcelos, 2705

IPANEMA

Sábados, 8h as 12h

Av. Guaíba, 10410 (Esquina com a Dea Coufal)

INCRA

Quartas-feiras, 10h às 14h

Av. Loureiro da Silva, 515

SHOPPING IGUATEMI

Terças-feiras, 10h às 16h

Av. João Wallig, 1800

SHOPPING PRAIA DE BELAS

Quintas-feiras, 15h às 20h

Av. Praia de Belas, 1181

SHOPPING TOTAL

Quintas-feiras, 8h às 13h30

Av. Cristóvão Colombo, 545

COLÉGIO MARISTA ROSÁRIO

Na 1ª terça-feira do mês, 11h às 19h

R. Praça D. Sebastião, 2

COLÉGIO SANTA INÊS

Na 2ª e 3ª terças-feiras do mês, 11h às 19h

Av. Protásio Alves, 2493

IPA

Quintas-feiras, 13h às 19h

Cel. Joaquim Pedro Salgado, 80

COLÉGIO JOÃO XXIII

Na 2ª e 4ª semana do mês,10h às 19h

Rua Sepé Tiarajú, 1013

COLÉGIO ISRAELITA BRASILEIRO

Na última quinta-feira do mês, 13h às 17h

Av. Protásio Alves, 943

CLÍNICA ONCOTRATA

Quartas-feiras, 14h às 18h30

Av. Plínio Brasil Milano, 80

SINTRAJUFE

Quartas-feiras (quinzenal), 9h às 13h

R. Marcílio Dias, 660

SOGIPA

Quintas-feiras, 8h às 14h

Praça dos Laureados (sob a sede social)

FEIRA ECOLÓGICA DA JOÃO MANOEL

Sextas-feiras, 15h às 20h no verão; e das 15h às 19h30 no inverno

Rua João Manoel, 627 (perto da escadaria, fundos do estacionamento)

Edição: Katia Marko

domingo, 2 de outubro de 2016

DIETAS






A HUMANIDADE EM BUSCA DA MELHOR DIETA

Ultimamente tenho percebido uma crescente preocupação relacionada com a cota habitual de alimentos sólidos e líquidos que as pessoas ingerem.

Esse tema, de fato, está sendo objeto de interesse de um número considerável de pessoas, tanto que os sagazes operadores do “mercado” já perceberam e estão ofertando programas de televisão, livros, vídeos na internet, etc, tratando do assunto, com isso certamente ganhando um bom dinheiro.

Dentro desse tema, uma discussão está fervilhando, dividindo opiniões, causando uma verdadeira cisão: quantas vezes por dia as pessoas devem se alimentar e de quanto em quanto tempo.

Sem dúvida é uma preocupação que vem ocupando cada vez mais os corações e mentes.
Nessa discussão, duas principais correntes de pensamento se chocam:

·         Uma corrente prega que as pessoas devem se alimentar, enquanto estiverem acordadas, de 3 em 3 horas.

·         A outra corrente assegura que o ideal é que as pessoas fiquem 16 horas em jejum, abrindo uma “janela” de 8 horas para se alimentar.


As defensoras e defensores dessas correntes contam com argumentos irrefutáveis de que uma é melhor que a outra e chegam a se digladiar publicamente na defesa de seus pontos de vista.

Sem dúvida, apesar de parecer banal à primeira vista, é um assunto que se destaca por ocupar um patamar extremamente refinado no processo civilizatório da humanidade (quem quiser se aprofundar sobre esse assunto sugiro ler, de Norbert Elias, O Processo Civilizador – Uma História dos Costumes, Volume I).

Mais como descarga de consciência pessoal, correndo risco de ser considerado pedante, tomo a liberdade de tecer alguns comentários sobre essa situação.


UMA PREOCUPAÇÃO ANTERIOR

Nosso combalido planeta possui atualmente uma população aproximada de 7 bilhões de seres humanos.

De acordo com a ONU, em torno de 1 bilhão de pessoas não tem acesso a alimentação suficiente, ou seja, passam fome.

Isso significa que, em grandes números, quase 5 populações totais do Brasil não têm acesso a alimentação adequada.

Então, antes de mais nada, convém destacar que para essas pessoas nossa brilhante argumentação carece de sentido.

É importante essa informação, pois definitivamente são números relevantes.


O FATOR SUBJETIVO

Estamos falando, então, de 6 bilhões de pessoas, o que é certamente um número impactante.
Sendo um número tão significativo, algumas pessoas razoavelmente esclarecidas poderiam ponderar que, em se tratando de seres humanos, generalizações podem ser incorretas.

Essa ponderação provavelmente levaria em consideração vários fatores, desde questões genéticas, tipo de alimentos acessíveis, tipo de trabalho exercido quando as pessoas são adultas, qualidade do habitat, etc.

De fato, fica difícil comparar a dieta adequada de uma pessoa que exerce atividades ao ar livre em ambientes livres de poluição para outra pessoa que trabalha, por exemplo, em um call center em uma cidade como São Paulo.

Além disso essas duas hipotéticas pessoas poderiam apresentar importantes características físicas e biológicas bastante diferentes entre si.

Assim por diante. Pegaram a ideia?


A QUALIDADE DOS ALIMENTOS

As duas correntes de pensamento acima citadas fazem referência, em maior ou menor grau, dependendo da defensora ou defensor, à composição da alimentação. 

Citam, às vezes, que a alimentação deve ser equilibrada, balanceada, ou seja, que deve conter alimentos de diversos tipos como: carne, verduras, legumes, arroz, macarrão, feijão, frutas, leite e derivados, e até mesmo gordura e açúcar. Algumas sugestões de dietas perfeitas suprimem elementos como carboidratos e/ou outros.

O problema hoje colocado, infelizmente, é que grande percentual dos produtos alimentícios disponíveis nos grandes (e pequenos) estabelecimentos comerciais são contaminados por diversos tipos de venenos utilizados no processo produtivo. Além disso, muitas vezes passam por modificações genéticas cujas consequências no corpo humano, no futuro, não são objeto de estudos conclusivos.

Ou seja, não importa o conteúdo da composição da comida. O veneno é genérico.


OS CLICHÊS

Observando-se as diversas fontes de opinião sobre dietas modernas, pode ser observado que a maioria das correntes tentam generalizar clichês que possam ser utilizados como solução mágica para todas as pessoas, sem levar em consideração suas peculiaridades.

Não levam em consideração, quase nunca, que cada indivíduo humano tem necessidades específicas que devem ser respeitadas para o estabelecimento de uma dieta adequada, quando necessário.

Clichês por clichês, ainda prefiro aqueles mais antigos. Por exemplo:

·         Um oriental, que diz que tem que ter no mínimo cinco cores no prato e que se deve comer no máximo 80% do que sente vontade.

·         Um ocidental, que diz que devemos tomar o desjejum como reis, almoçar como príncipes e jantar como mendigos.

Mas o mais importante, se alguém necessita introduzir uma nova forma de alimentação na sua vida, é consultar um profissional que estudou para isso e que pode dar orientação específica para seu caso particular.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

CONTRA OS AGROTÓXICOS


Cinco esclarecimentos sobre agrotóxicos e alimentos orgânicos e agroecológicos.

    Na primeira semana de 2012, veículos da mídia de grande circulação divulgaram informações parciais e incorretas sobre o uso de pesticidas nos alimentos.

    Nós, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, contestamos essas informações e, com base no conhecimento de diversos cientistas, agrônomos, produtores e distribuidores de alimentos orgânicos, aproveitamos essa oportunidade para dialogar com a sociedade e apresentar nossos argumentos a favor dos alimentos sem venenos.

1 - O nome correto é agrotóxico ou pesticida e não “defensivo agrícola”.

    Como afirma a engenheira agrônoma Flavia Londres: “A própria legislação sobre a matéria refere-se aos produtos como agrotóxicos.”

    E o engenheiro agrônomo Eduardo Ribas Amaral complementa: “Mundialmente o termo utilizado é ‘pesticida’. Não conheço outro país que adote o termo ‘defensivo agrícola”.

2 - O nível de resíduos químicos contido nos alimentos comercializados no Brasil é muito preocupante e requer providências imediatas devido aos sérios impactos que gera na saúde da população.

    Voltamos a palavra à engenheira agrônoma Flavia Londres: “A revista se propõe a tranquilizar a população, certamente alarmada pelo conhecimento dos níveis de contaminação da comida que põe à mesa. Os entrevistados na matéria são conhecidos defensores dos venenos agrícolas, alguns dos quais com atuação direta junto a indústrias do ramo. Os limites ‘aceitáveis’ no Brasil são em geral superiores àqueles permitidos na Europa – isso pra não dizer que aqui ainda se usam produtos já proibidos em quase todo o mundo”.

    O engenheiro agrônomo Eduardo Ribas Amaral nos traz outra informação igualmente importante: “A matéria induz o leitor a acreditar que não há uso indiscriminado de agrotóxicos no país, quando a realidade é de um grande descontrole na aplicação desses produtos, fato indicado pelo censo do IBGE de 2006 e normalmente constatado a campo por técnicos da extensão rural e por fiscais responsáveis pelo controle do comércio de agrotóxicos”.

3 - Agrotóxicos fazem muito mal à saúde e há estudos científicos importantes que demonstram esse fato.

    Com a palavra a Profª Dra. Raquel Rigotto, da faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará: “No Brasil, há mais de mil produtos comerciais de agrotóxicos diferentes, que são elaborados a partir de 450 ingredientes ativos, aproximadamente. Os agrotóxicos têm dois grandes grupos de impactos sobre a saúde. O primeiro é o das intoxicações agudas, aquelas que acontecem logo após a exposição ao agrotóxico, de período curto, mas de concentração elevada. O segundo grande grupo de impactos dos agrotóxicos sobre a saúde é o dos chamados efeitos crônicos, que são muito ampliados. Temos o que se chama de interferentes endócrinos, que é o fato de alguns agrotóxicos conseguirem se comportar como se fossem o hormônio feminino ou masculino dentro do nosso corpo; enganam os receptores das células para que aceitem uma mensagem deles. Com isso, se desencadeia uma série de alterações – inclusive má formação congênita; e hoje está provado que pode ter a ver com esses interferentes endócrinos. Pode ter a ver com os cânceres de tireóide, pois implica no metabolismo. E cada vez temos visto mais câncer de tireóide em jovens. Pode ter a ver com câncer de mama. E também leucemias, nos linfomas. Tem alguns agrotóxicos que já são comprovadamente carcinogênicos.Também existem problemas hepáticos relacionados aos agrotóxicos. A maioria deles é metabolizada no fígado, que é como o laboratório químico do nosso corpo. E há também um grupo importante de alterações neurocomportamentais relacionadas aos agrotóxicos, que vão desde a hiperatividade em crianças até o suicídio.”

      De acordo com o relatório final aprovado na subcomissão da Câmara dos Deputados que analisa o impacto dos agrotóxicos no país (criada no âmbito da Comissão de Seguridade Social e Saúde), há realmente uma “forte correlação” entre o aumento da incidência de câncer e o uso desses produtos. O trabalho aponta situações reais observadas em cidades brasileiras. Em Unaí (MG), por exemplo, cidade com alta concentração do agronegócio, há ocorrências de 1.260 novos casos da doença por ano para cada 100 mil habitantes, quando a incidência média mundial encontra-se em 600 casos por 100 mil habitantes no mesmo período.

Como afirma o relator, deputado Padre João (PT-MG), “Diversos estudos científicos indicam estreita associação entre a exposição a agrotóxicos e o surgimento de diferentes tipos de tumores malignos. Eu concluo o relatório não tendo dúvida nenhuma do nexo causal do agrotóxico com uma série de doenças, inclusive o câncer”, sustenta. Fonte: Globo Rural On-line, 30/11/2011.

4 - Não é possível eliminar os agrotóxicos lavando ou descascando os alimentos já que eles se infiltram no interior da planta e na polpa dos alimentos.

    A única maneira de ficar livre dos agrotóxicos é consumir alimentos orgânicos e agroecológicos. Não adianta lavar os alimentos contaminados com agrotóxicos com água e sabão ou mergulhá-los em solução de água sanitária ou, mesmo, cozinhá-los. Os resíduos do veneno continuarão presentes e serão ingeridos durante as refeições.

Além disso é importante lembrar que o uso exagerado de agrotóxicos também faz com que estes resíduos estejam presentes nos alimentos já industrializados, portanto, a melhor forma de não consumir alimentos contaminados com agrotóxicos, é eliminar a sua utilização.

5 - Os orgânicos não apresentam riscos maiores de intoxicação por bactérias, como a salmonela e a Escherichia coli.

    Segundo a engenheira agrônoma Flavia Londres: “Ao contrário dos resíduos de agrotóxicos, esses patógenos– que também ocorrem nos alimentos produzidos com agrotóxicos – podem ser eliminados com a velha e boa lavagem ou com o simples cozimento”.

A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida recomenda o documentário “O Veneno está na Mesa”, de Silvio Tendler, totalmente disponível no site da campanha (www.contraosagrotoxicos.org) bem como todos os materiais disponíveis na página.

    Participe você também nos diferentes comitês da campanha organizados nos diversos estados do Brasil, para maiores contatos envie e-mail para contraosagrotoxicos@gmail.com.

Fonte da imagem AQUI.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Reforma Agrária tem novo ponto de comercialização no RS


Por Bianca Costa
Da Página do MST

Os pequenos agricultores do Rio Grande do Sul contam com um novo espaço para a comercialização de seus produtos na capital gaúcha. 


O "Contraponto, Entreposto de cultura, saúde e saber" comercializa desde os alimentos dos assentamentos da Reforma Agrária a produtos da Economia Solidária.

O espaço foi oficialmente inaugurado na noite desta quarta-feira, ao lado da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na região central de Porto Alegre.

Durante todo o dia, foram realizadas atividades culturais e feiras da Economia Solidária.

A solenidade de inauguração contou com a presença do reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carlos Alexandre Netto, e do coordenador do Núcleo de Economia Alternativa da Universidade (NEA), professor Carlos Schmidt.

O grupo que participa do NEA foi um dos idealizadores do projeto, que pretende desenvolver alternativas à economia capitalista. Nesse sentido, a intenção do núcleo é estimular uma organização social diferente do capital e do trabalho assalariado.

De acordo com Schmidt, essa nova forma de organização, sustentada pela economia alternativa e vivenciada na prática pelos assentados da Reforma Agrária e os movimentos sociais, gera a desalienação do homem com relação ao seu trabalho. “Isso acontece pois é o trabalhador que decide como será a gestão da produção e da circulação dos produtos que ele próprio produz”, explica.

Além do espaço para a circulação da mercadoria produzida por pequenos produtores associados, o local ainda se destina para a discussão de temas voltados a alternativa de organização da sociedade apresentada pelos movimentos sociais populares do campo.

Atualmente, aproximadamente 11 empreendimentos de pequenos produtores associados, dentre eles a Cooperativa Central dos Assentamentos do Rio Grande do Sul (COCEARGS), comercializam seus produtos na Contraponto.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Compra de orgânicos: Ir ao SUPERMERCADO é fazer POLÍTICA

Brotos de Girassol:

Do Blog AGROTÓXICOS , TRANSGÊNICOS E OUTROS CONTAMINANTES

por Samantha Buglione(*)

Um ato político é aquele que visa um fim, e mesmo quando não sabemos disso ou de explicita vontade não estamos preocupados com isso, nosso ato pode ser político. Falar que o supermercado é político é dizer que o mais privado dos atos, o de buscar alimento e garantir necessidades primárias, não se encerra na hora de pagar a conta. A escolha do produto até pode se dar por razões econômicas, busca de qualidade ou, ainda, ideologia. Contudo, ao escolher um produto também se escolhe, querendo ou não, uma forma de produção, um tipo de relação de trabalho, um determinado impacto ambiental. Em suma, comprar algo é trazer para casa, além do produto, a sua cadeia de fabricação e as conseqüências. Ignorar esses fatores é se proteger de duas conseqüências do conhecimento: liberdade e responsabilidade.

Dados de recentes pesquisas demonstraram que produtos orgânicos possuem mais nutrientes que os alimentos da produção linear. Ou seja, não é apenas uma questão de quantidade, mas de qualidade. Pode até ser que a agricultura orgânica não produza tanto quanto a linear, mas alimenta mais.

O artigo Comparação da qualidade nutricional de frutas, hortaliças e grãos orgânicos e convencionais, publicado no Jornal de Medicina Alternativa, relata que produtos orgânicos, em média, contêm 29,3% mais magnésio, 27% mais vitamina C, 21% mais ferro, 26% mais cálcio, 11% mais cobre, 42% mais manganês, 9% mais potássio e 15% menos nitratos. Indo mais além, conforme relatório do Environmental Group, atualmente, ao completar um ano de vida uma criança já recebeu, por conta do consumo de alimentos convencionais, a dosagem máxima aceitável pela Organização Mundial de Saúde de oito pesticidas altamente carcinogênicos para uma vida inteira.

Além das questões nutricionais, alimentos orgânicos e de agricultura familiar contribuem para a empregabilidade no campo. O que evita o êxodo rural, e, por conseqüência, o aumento de favelas em centros urbanos.

Um outro dado importante é que quem produz alimento para o brasileiro não é a produção convencional ou linear ou o agronegócio, mas a agricultura familiar e orgânica. Mais da metade do feijão vem da produção familiar; no caso do arroz, mais de um terço; e, da mandioca, 90%. Essas são algumas informações que demonstram a importância do setor na economia brasileira, um setor responsável por uma média de 10% do produto interno bruto (PIB) nacional, conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.

E, mais, o que realmente alimenta é a produção de grãos, vegetais e hortaliças. A carne de suínos, aves e bovinos não é o alimento mais completo em nutrientes ou que vai estar na mesa de todos os brasileiros. O Brasil é campeão de exportações. E Santa Catarina orgulha-se dos seus números. No entanto, ao exportar a carne produzida por aqui também se exporta a água potável, os milhões de hectares utilizados para alimentar os animais, as florestas queimadas. A única coisa que fica são os resíduos.

A Epagri de SC revela que as fezes dos 5,6 milhões de suínos que existem no Estado produzem 9,7 toneladas de dióxido de carbono por dia. Para 1 kg produzido de carne de suíno ou bovino é gerado o equivalente a 8 kg de excremento. Imagine levar tudo isso para casa ao comprar um inocente pacotinho de presunto para o sanduíche? Não levamos. Desde 2005, no Brasil, há mais bois e vacas que homens e mulheres, 200 milhões de bovinos ocupam um espaço três vezes maior do que toda a área cultivada no País e consomem quatro vezes mais água.

Se for uma questão de aumento da riqueza nacional e de estratégia para matar a fome dos brasileiros, a nossa matemática não está bem certa. Afinal, o agronegócio nem emprega tanta gente assim e os custos ambientais com a poluição de rios, solo, mananciais e emissão de metano são revertidos ou para o preço final do produto ou para o Estado, que terá mais gastos com saúde e políticas para despoluição. Aí, quem paga a conta somos todos nós, querendo ou não, sabendo ou não.

Foi-se o tempo em que comprar mandioquinha, feijão ou ovos era só comprar mandioquinha, feijão ou ovos. Quando se leva ovo para casa, o da produção convencional, se está chancelando, incentivando e financiando um processo que trata animais como coisa; que ignora que sentem dor e que possuem uma forma própria de viver a vida. Além de fazê-los viver de forma confinada e sendo alimentados com uma ração que contêm tantos aditivos que os transformam mais em uma pasta química do que em um ser vivo. Nem o peitinho de frango se salva.

Ir ao supermercado é fazer política. É fazer escolhas. É dizer que tipo de produção de alimentos queremos e que tipo de empregos queremos financiar. O ato de escolher e comprar o que se vai consumir pode ser silencioso, mas é muito poderoso.

(*)Samantha Buglione é Jurista e professora
e-mail: buglione@antigona.org.br

Obrigado Herlon.