quarta-feira, 7 de maio de 2008

De ponta-cabeça


Conheça a simplicidade voluntária, um estilo de vida que perverte velhos conceitos, e descubra de uma vez por todas como simplificar sua vida

por Priscilla Santos

Você deve ter passado a vida inteira ouvindo a expressão: tempo é dinheiro. Como se cada segundo desperdiçado equivalesse a moedas indo pelo espaço. Também deve ter escutado aos montes sobre a sociedade materialista e seus supostos males à humanidade. Agora, suponhamos que tudo isso virasse de cabeça para baixo. Dinheiro é tempo o tempo que você gasta para ganhá-lo. E materialismo pode ser bom desde que você entenda como materialista aquela pessoa que valoriza tanto os bens materiais, mas tanto mesmo, que aproveita tudo o que pode deles, e, por isso mesmo, não precisa de muito para se satisfazer. Essas remexidas em velhos conceitos são algumas das propostas da simplicidade voluntária, um estilo de vida que passou a se propagar nos Estados Unidos nos anos 70, em resposta à sociedade de consumo, ganhou ecos em países como Canadá e França e, devagarzinho, chega ao Brasil. Pesquisas estimam que, nos Estados Unidos, cerca de 20 milhões de pessoas, 10% da população, estejam optando por uma vida materialmente mais comedida, pautada na convivência com a família, os amigos e a comunidade e no respeito à natureza, no sentido de fazer o máximo para preservar seus recursos. Uma maneira de viver que é exteriormente mais simples e interiormente mais rica, diz o escritor norteamericano Duane Elgin em seu livro Simplicidade Voluntária. O título do livro, lançado em 1981, deu nome a essa forma de viver.

A expressão simplicidade voluntária deixa claro que ter uma vida mais simples é questão de escolha, de estarmos mais conscientes do que queremos, de quais são os propósitos da nossa vida. E esclarece: não se deve confundir simplicidade com pobreza. Simplicidade é escolha, pobreza não. Simplicidade tampouco tem a ver com negar a tecnologia afinal, ela é muito útil. E muito menos significa mudar-se para uma cabana na floresta. A idéia é simplificar a vida onde se está, com o que se tem - e a maior parte das pessoas que já fazem isso vive nas cidades.

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terça-feira, 6 de maio de 2008

Aquecimento global ameaça insetos tropicais de extinção, diz estudo


BBC:

Muitos insetos tropicais correm risco de ser extintos até o final deste século caso não consigam se adaptar ao aumento previsto nas temperaturas globais, indica um estudo realizado por pesquisadores americanos.

A pesquisa, coordenada pela Universidade de Washington, sugere que os insetos das regiões tropicais são mais sensíveis às mudanças de temperatura do que aqueles originários de outras partes do planeta.

Segundo os cientistas, em latitudes mais altas pode ocorrer o inverso, com uma explosão na população de insetos.

Os pesquisadores afirmam que essas mudanças no número de insetos em determinadas regiões podem ter efeitos secundários na polinização das plantas e nos estoques de alimentos.

Mudanças de temperatura

No estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, os pesquisadores americanos analisaram como as mudanças de temperatura entre 1950 e 2000 afetaram 38 espécies de insetos.

Segundo os cientistas, os organismos de sangue frio não conseguem regular a temperatura corporal como os animais de sangue quente.

Suas táticas estão limitadas a buscar abrigo na sombra quando está quente ou ficar ao sol quando está frio.

Os cientistas prevêem que essas espécies terão de lutar para sobreviver com o aumento de 5,4 C na temperatura previsto até 2100.

Os pesquisadores afirmam que, mesmo que algumas espécies sejam capazes de migrar para latitudes mais altas ou evoluir para se adaptar ao clima mais quente, é provável que outras desapareçam.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

FT: Brasil é 'solução óbvia' para crise de alimentos


O Brasil é uma "solução óbvia" para o problema da alta do preço dos alimentos que ameaça o mundo, avalia o Financial Times. Conforme o jornal inglês, no entanto, o potencial do País nessa área tem sido largamente ignorado. "O mundo desenvolvido parece propositadamente míope em relação às oportunidades que o Brasil apresenta."

O FT afirma que o País tem grandes reservas de terras cultiváveis desocupadas, a maioria delas hoje servindo como pasto, e que podem facilmente se transformar em áreas de produção de grãos e outros alimentos. "O problema é que a maior parte da produção agrícola brasileira continua enfrentando tarifas proibitivas e outras barreiras colocadas pelos mercados desenvolvidos na Europa e nos Estados Unidos."

Segundo o jornal, se a produtividade da pecuária for elevada de 0,8 gado por hectare para 1,2, cerca de 80 milhões de hectares de terras seriam liberados para o plantio de alimentos. "Mas isso irritaria os fazendeiros americanos e europeus."

Em entrevista ao jornal, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que a resposta correta à crise dos alimentos, além de dar prioridade ao combate à fome, é atacar a raiz do problema: os subsídios dos países ricos, que enfraquecem a produção das nações em desenvolvimento. "A fome mundial não é resultado de falta de oferta, mas principalmente do baixo nível de renda dos países pobres", afirmou o ministro.

O FT avalia que o Brasil possui sua parcela de culpa nessa discussão, pois tem feito pouco para combater a "histeria contra a suposta ameaça do etanol à floresta amazônica", por exemplo. "Uma ameaça que, se existe, está mais relacionada à ilegalidade na região da Amazônia do que aos imperativos econômicos da produção de etanol."

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segunda-feira, 21 de abril de 2008

La ONU califica de "asesinato en masa" la subida de los alimentos


EL PAÍS:

El aumento global del precio de los alimentos está llevando a un "silencioso asesinato en masa" en los países más pobres del mundo, según aseguró ayer Jean Ziegler, enviado de Naciones Unidas para asuntos alimenticios. Ziegler responsabilizó a Occidente de la situación en declaraciones al diario austríaco Kurier am Sonntag. La expansión de los biocombustibles, la especulación en los mercados de materias primas y los subsidios de las explotaciones en la Unión Europea y Estados Unidos convierten a los países occidentales en responsables de la hambruna que afecta a los países pobres.

El enviado de la ONU señaló que las organizaciones multilaterales deben poner de manifiesto la "locura" de la gente que cree que el hambre no es cosa del destino. "El hambre no ha sido cosa del destino desde hace mucho tiempo. Más bien hay un asesinato detrás de cada víctima. Es un silencioso asesinato en masa", dijo antes de culpar a la globalización de la "monopolización de los ricos en la Tierra" y de responsabilizar a las multinacionales de una especie de "violencia estructural". "Tenemos una multitud de empresarios, especuladores y bandidos financieros que han convertido en salvaje un mundo de desigualdad y horror", señaló, informa Reuters.

La ONU ha puesto la crisis alimentaria en su punto de mira. El secretario general de Naciones Unidas, Ban Ki Moon, advirtió ayer de que si no se gestiona adecuadamente, el encarecimiento de los productos básicos podría provocar importantes perjuicios al crecimiento económico mundial e incluso a la seguridad. "Nos arriesgamos a volver a la casilla uno", afirmó Ban en Accra (Ghana) durante la inauguración de la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Comercio y Desarrollo.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

“A Argentina é um laboratório a céu aberto”


CARTA MAIOR:

Segundo Marie-Monique Robin, depois do “paro” agrário argentino, promovido fundamentalmente pelos grandes produtores de soja do país, o latifúndio sojeiro deveria ser a principal questão de debate para a sociedade. A Argentina está ameaçada pela soja, disse a jornalista e documentarista à Carta Maior.

Clarissa Pont

RESISTÊNCIA, Argentina – Marie-Monique esteve esta semana na cidade argentina de Corrientes para apresentar o documentário de 2004, "Os esquadrões da morte - a escola francesa" e participar dos processos contra militares locais que atuaram durante a ditadura militar. No entanto, em Resistência, a jornalista francesa falou sobre o “paro” agrário, a produção de soja transgênica em países da América Latina e sobre seu novo documentário, fruto de três anos de investigação, “Le monde selon Monsanto” (O Mundo segundo a Monsanto). O documentário e o livro homônimo contam o avanço do plantio de soja pelo mundo e as perigosas ligações da indústria com governos, cientistas e jornalistas.

O Rio Paraná divide as duas capitais de províncias argentinas, de um lado está Corrientes e do outro, Resistência, no Chaco. Marie-Monique percorreu os poucos minutos que separam as cidades para apresentar trechos de ambos documentários no Museu de Imprensa de Resistência. Na ocasião, falou à Carta Maior. “A soja transgênica chegou ao país por uma debilidade, para não dizer outra palavra, do Governo Menem. A Monsanto entrou no país sem nenhuma lei que regulamentasse o plantio, sem estudos, sem nada. No Paraguai, é a mesma situação”, explica.

Hoje, mais da metade da área agricultável da Argentina está coberta pelas sementes transgênicas da Monsanto, regularmente pulverizadas desde aviões por Roundup. “Muitos campesinos estão deixando o campo porque seus cultivos são fumigados, as frutas que comemos aqui estão contaminadas pelo veneno da Monsanto. É terrível, e o governo ainda não entendeu o risco”. Marie-Monique contou que entrevistou o presidente da Federação Agrária em 2006 para a realização do documentário.

“É lamentável o que os grandes produtores estão fazendo aqui. A eles não interessa o futuro da terra. O fato de Eduardo Buzzi ter apoiado o paro assusta um pouco, porque quando eu o entrevistei ele estava preocupado com a situação do país”. Os últimos dados que constam nas documentações de Marie-Monique confirmam que a produção de arroz e de legumes baixou de modo significativo nas terras argentinas.

“Le monde selon Monsanto”, lançado junto a um livro de mesmo nome, ainda não tem previsão de chegar ao Brasil. Segundo a autora, uma editora nacional estaria começando a traduzir a publicação apenas. “Através das patentes da Monsanto, o que se pretende é tomar as sementes do mundo. Por desgraça, a Argentina é, nesse momento, um laboratório a céu aberto”. O documentário ainda cataloga ações da Monsanto para divulgar estudos científicos duvidosos que apóiam suas pesquisas e produtos. Segundo dados da jornalista, em 2007, havia mais de 100 milhões de hectares plantados com sementes geneticamente modificadas, metade nos EUA e o restante em países emergentes como a Argentina, a China e o Brasil.

O documentário anterior de Marie-Monique mostra entrevistas realizadas por ela onde militares argentinos reconhecem ter aplicado técnicas de tortura e de desaparecimento importadas da França durante a Ditadura no país. Com entrevistas, imagens de arquivo e documentos, “Os esquadrões da morte” relata como os franceses ensinaram aos militares da América Latina métodos de tortura desenvolvidos na Argélia e na Indochina. Os depoimentos dos generais argentinos Ramón Díaz Bessone, Reynaldo Bignone e Albano Harguindeguy são impactantes e têm ajudado na incriminação de diversos algozes da Ditadura Argentina.

Quando perguntada como conseguiu que os generais lhe concedessem tais entrevistas, Marie-Monique não deixa sombra de dúvida. “Eu enganei esses senhores”, responde. O documentário é resultado de dois anos de trabalho.

'A internets e o YouTube, meu Deus, temos q detê-los', Tim Robbins


BLUE BUS:

O ator, diretor, roteirista e produtor Tim Robbins, conhecido pelas posiçoes politicas de esquerda e por condenar a invasao do Iraque, fez um discurso polêmico no National Association of Broadcasters Show, em Las Vegas, no inicio da semana. Irônico, poupou a plateia dos palavroes, criticou o mercado de comunicaçao pela consolidaçao em grandes grupos e a consequente perda da variedade de opinioes. Cobrou das emissoras de TV e radio o trabalho jornalistico serio e menos atençao a escândalos e celebridades. Referiu a internet como 'internets', imitando a gafe do presidente Bush, e ironizou o medo que a midia tradicional têm das novas tecnologias. Robbins publicou o audio e a transcriçao do discurso no Huffington Post - ouça e leia aqui. Abaixo 2 trechos de sua fala. Obrigado pela dica ao Marcio Malmegrin. 18/04 Julio Hungria

"Nao ocorreram atos criminosos nesse Governo? Nao deveria haver uma prestaçao de contas para decisoes politicas ineptas? Nao há alguem que deveria ser demitido? Sabem de uma coisa? Eu nao ouvi nada disso, porque eu ainda estou pensando naquela celebridade que saiu do carro sem calcinha".

"Justamente quando estavamos perto de um jornalismo que oferecia um consenso sobre o que é verdade, chega a 'internets' que permite ao usuario escolher o tipo de noticia que quer ver. E o YouTube! Meu Deus, temos que dete-los ;- )".

O novo Brasil vai obrigar a revermos nossos conceitos

Blue Bus:

Passar quase 2 horas escutando o antropólogo Roberto DaMatta analisar a sociedade brasileira, como diz aquela propaganda de cartao de crédito, nao tem preço. Isso aconteceu comigo na 4a feira, quando aceitei o convite da MPM para participar da abertura do seu ciclo de palestras. Novo mesmo para mim foi ver o professor ao vivo. As idéias que ele foi apresentando naturalmente, como se estivesse numa sala de aula, sao conhecidas de quem acompanha seu trabalho. No auditório da agência, DaMatta propôs mais uma comparaçao entre o Brasil e os EUA, desta vez usando músicas - ele contrapôs a versao de 'Aquarela do Brasil', gravada por Sílvio Caldas em 1942 com 'The house I live In', que Sinatra gravou em 1945, para mostrar que os americanos definem seu país como a casa onde eles moram, enquanto nós exaltamos o Brasil como um paraíso criado por Deus, caracterizado por uma natureza perfeita habitada por uma sociedade imperfeita. 18/04 Luiz Alberto Marinho

Essa sociedade imperfeita e hierarquizada, segundo DaMatta, é fruto da trajetória do país, colonizado pela realeza e marcado historicamente pela relaçao de poder entre a elite e a patuléia. Porém, nao nos damos conta dos absurdos que cometemos cotidianamente por conta dessa herança cultural, tais como nos comportarmos em grupo no restaurante como se estivéssemos na nossa casa ou bloquearmos com nossos carrinhos de bagagem a porta do desembarque do aeroporto, obrigando os outros a esperar enquanto abraçamos nossos saudosos amigos e parentes. "Os incomodados que se mudem", pensamos nós. Também faz parte da nossa natureza acreditar que é o Governo que deve mudar a sociedade e nao o contrário. Por isso, esperamos que o poder público resolva todos os nossos problemas ao mesmo tempo em que imputamos a culpa pela epidemia de dengue ao mosquito, o que implicitamente significa isentar o Estado ineficiente. 18/04 Luiz Alberto Marinho

Para nao dizer que nao falou de propaganda, DaMatta mencionou um comercial estrangeiro de automóvel, onde um carro equipado com detector de obstáculos ultrapassa outro na estrada, para explicar a relaçao que existe hoje entre velocidade e superioridade - para nós, ultrapassar os outros, furar uma fila ou fazer alguém esperar é exercer o poder. Por este raciocínio, consideramos normal aguardar horas por uma pessoa mais importante, mas nao estamos dispostos a perder 1 minuto sequer para encontrar um subalterno. 18/04 Luiz Alberto Marinho

DaMatta encerrou dizendo que a medida que as desigualdades vao se reduzindo, como de fato acontece hoje no Brasil, nossa sociedade se defrontará com o desafio de rever seus conceitos, aceitar a diversidade e combater a noçao de hierarquia que orienta a relaçao entre as pessoas. O mesmo se aplica a publicidade, que é espelho dessa sociedade. Todas do Marinho no Blue Bus, escolha uma aqui. 18/04 Luiz Alberto Marinho

O Marinho escreve no Blue Bus as 2as, 4as e 6as.