Mostrando postagens com marcador Polícia Federal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Polícia Federal. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Operação da PF aponta suposta fortuna de Jânio Quadros no exterior

Bebo porque é líquido. Se sólido fosse, come-lo-ia. (Jânio Quadros)

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A Operação Castelo de Areia, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada, chegou ao nome do ex-presidente Jânio Quadros, que governou o país durante apenas alguns meses em 1961.

Segundo reportagem, uma conversa por e-mail interceptada pela PF mostra que o consultor financeiro Kurt Pickel - indiciado por crimes financeiros na operação - procurava uma fortuna escondida no exterior que pertenceria a Jânio.

Em uma troca de e-mails com um advogado suíço, Pickel escreveu: "São fundos provavelmente substanciais, excedendo 20 mil, do senhor Jânio da Silva Quadros". A PF teria interpretado o valor como 20 milhões. A moeda não foi mencionada.

A busca pelo dinheiro teria sido iniciada a pedido do neto do ex-presidente, Jânio Quadros Neto, interessado na suposta herança. Ainda segundo o telejornal, um dos e-mails escritos por Pickel dá detalhes que teriam sido repassados pelo neto de Jânio: "Meu avô tinha uma conta no Citibank da Suíça, esta conta foi fechada e o dinheiro transferido para uma nova conta".

Procurado pelo telejornal, o Ministério Público Federal afirmou que abrirá uma investigação para apurar se o ex-presidente tinha mesmo dinheiro ilegal no exterior. O consultor financeiro Kurt Pickel não comentou o assunto. Já Jânio Quadros Neto negou que tenha procurado alguém para encontrar o suposto dinheiro do avô no exterior.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Polícia Federal trocará espetáculo por eficácia, diz Tarso Genro


Valor Online

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Tarso Genro, avalia que a Polícia Federal está passando por uma fase de transição em que passará a ser menos midiática, mais discreta e mais efetiva. A instituição viveu um período de consagração no combate à corrupção, tendo feito uma sucessão de prisões amplamente divulgadas pela mídia. Agora, a meta é garantir que as provas obtidas nas operações sejam levadas de forma consistente para o Judiciário, de modo a resultar em punições efetivas às pessoas que cometem crimes de corrupção.

Genro é contrário aos vazamentos de trechos das investigações, o que leva, segundo ele, à politização do trabalho da PF e prejudica o foco da apuração. É o que aconteceu na Operação Satiagraha: a imprensa deu mais atenção às gravações telefônicas do que às acusações de evasão de divisas contra o grupo Opportunity.

Ninguém pode ser fonte privilegiada da imprensa na PF, pois isso cria desequilíbrios internos na corporação , advertiu Genro.

O objetivo, agora, é retomar o perfil técnico das investigações, focando-se na apuração de crimes e deixando, assim, o plano político de lado. O Ministério da Justiça lida com assuntos de Estado, e para cumprirmos bem o nosso papel temos que retirar as questões políticas , enfatizou.

Na visão do ministro, é preciso ser vencida a fase das prisões espetaculares que, num primeiro momento, deram a visão de ação no combate à corrupção, com a divulgação de cenas com pessoas algemadas e ações de busca e apreensão de computadores e documentos. O problema é que, numa segunda etapa, o que é exigido pelo Judiciário são provas mais consistentes, capazes de levar a uma condenação dos presos. É neste contexto que Genro acredita que a PF tem que mudar sua forma de agir. Para que isso ocorra, o manual de ações internas precisa ser cumprido, pois dele consta evitar abusos nas prisões, e recomenda manter o uso de algemas apenas nos casos em que são necessárias para a segurança do preso. Não é que a visão do passado estivesse errada , disse Genro, referindo-se ao período de divulgação das prisões. Essa visão foi importante num determinado momento, mas precisamos passar adiante.

Tarso Genro avalia que a atuação da PF enquanto instituição de Estado - e não de governo - teve como marco inicial o inquérito contra o esquema de Paulo César Farias, durante o governo do presidente Fernando Collor, em 1992. Foi a primeira vez em que a PF passou a investigar diretamente o presidente da República e, ao fazê-lo, a instituição se desprendeu do poder político.

A investigação foi conduzida pelo atual diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, Paulo Lacerda, e ex-diretor-geral da PF entre 2003 e 2007. Lacerda iniciou as investigações a partir da publicação de entrevista do irmão do presidente, Pedro Collor, que revelou a participação de Paulo César Farias nos negócios da família. A primeira coisa que Lacerda fez foi sair do esquema tradicional de investigação, resumido num delegado tomando depoimentos e um escrivão anotando. Ele constituiu um grupo de mais de 50 pessoas na PF para apurar as ramificações do esquema PC na Esplanada dos Ministérios. A PF obteve detalhes de vários repasses em dinheiro a partir de um computador apreendido pela Receita no escritório do empresário. Havia planilhas com obras dos ministérios e percentuais a serem pagos. Mas, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as provas obtidas no computador devido à falta de autorização judicial e Collor foi absolvido. Ao todo, eram mais de mil volumes de investigações.

Do esquema PC surgiram 123 inquéritos, dos quais muitos ainda tramitam na Justiça. Lacerda realizou uma investigação técnica rigorosa num ambiente político tenso , ressaltou Genro. Foi a partir daquela investigação que a PF passou a atender mais ao Estado do que ao governo.

Após o esquema PC, o Congresso aprovou uma série de leis instituindo novos mecanismos de investigação: Lei dos Crimes de Colarinho Branco (em 1995), Lei de Escutas Telefônicas (1996), Lei de Combate à Lavagem de Dinheiro (1998). O Congresso permitiu ainda a realização de ações controladas - quando o juiz autoriza que a polícia, após saber de um crime, continue monitorando a quadrilha e, inclusive, induza a subornos.

Um novo momento de afirmação da PF se deu, a partir de 2003, com a organização das mega-operações, que duram até hoje. A principal novidade neste período foi o uso da prisão temporária, uma das maiores críticas que a corporação enfrenta no momento.

Realizada com autorização judicial, a prisão temporária permite reter os suspeitos por até cinco dias. É essencial para a PF, pois, sem ter a certeza do que está sendo acusado, e sem a assessoria imediata de advogados, o preso acaba sendo induzido a revelar mais detalhes sobre a quadrilha criminosa no seu depoimento inicial.

A partir de 2003, segundo análise de especialistas na atuação da polícia, é que se passou a fazer, no Brasil, a prisão temporária para os crimes financeiros e de envio de dinheiro de forma irregular para o exterior. O objetivo da PF passou a ser a desarticulação imediata do esquema criminoso, através de prisões simultâneas em vários estados. O uso deste tipo de prisão foi amplamente difundido durante as principais operações do período, como Anaconda (2003), Curupira (2005), Sanguessuga (2006) e Navalha (2007).

Agora, os momentos são outros. A análise de setores do governo é de que, se os relatórios das investigações não forem suficientes para produzir provas robustas e condenatórias, dar-se-á um passo atrás na percepção de combate à impunidade. O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Vinicio Wink, disse que a PF não precisa de marketing. Não queremos delegados que querem aparecer na mídia como salvadores da pátria. Fez concurso para a polícia, aja como policial , assinalou Wink.

Para o presidente da Comissão de Prerrogativas da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Marcos Leôncio de Sousa Ribeiro, os delegados que se apoiavam na mídia durante o primeiro mandato de Lula não agiam assim por atração pelos holofotes, mas por uma questão de sobrevivência. Como as equipes são pequenas e passamos a nos defrontar com organizações criminosas complexas, a publicidade aumentava a sensação de segurança dos condutores do inquérito , disse.

Leôncio reconheceu que muitos inquéritos podem não redundar em condenações. Menos por despreparo intelectual dos delegados e mais por conta do complexo sistema processual penal brasileiro. Existe uma interposição infinita de recursos para a defesa. Em muitos casos, o crime chega a prescrever e o suspeito se livra de qualquer possibilidade de condenação .

(Paulo de Tarso Lyra e Juliano Basile | Valor Econômico)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Operação "abafa"


Luciano Martins Costa

O noticiário de hoje sobre o caso do Banco Opportunity mais esconde do que revela, mas dá ao cidadão comum, leitor de jornais e revistas, uma idéia de como o Estado brasileiro pode estar contaminado pela corrupção.

Por mais justificativas que ofereça o comando da Polícia Federal, não há como convencer o mais ingênuo dos indivíduos de que os delegados encarregados da Operação Satiagraha foram afastados do caso pelas razões alegadas.

Por mais que se possa discutir o estilo de certas ações policiais, também não há talento capaz de justificar a pressa em alterar a legislação para tornar mais rigorosos os limites da atuação da Polícia Federal e do Ministério Público.

A propósito, ninguém se reuniu em Brasília para discutir o estilo da Polícia Militar, que continua matando inocentes por todo o Brasil.

O noticiário diz mais pelo que omite do que pelo que revela.

Não há como não fazer uma relação direta entre o afastamento dos delegados, a reunião entre o presidente Lula, o presidente do Supremo Tribunal Federal e o ministro da Justiça para discutir uma lei contra supostos abusos de autoridade e o caso que tem como epicentro o dono do Opportunity.

A confirmação de nomes de autoridades e parlamentares citados na investigação já vinha provocando comichões no Congresso, no Palácio do Planalto e em alguns endereços de ex-poderosos.

O aparecimento de registros de computador que estavam escondidos atrás de uma parede falsa no apartamento do banqueiro Daniel Dantas faz até o Judiciário temer a justiça.

A permanência dos acusados Humberto Brás e Hugo Chicaroni na prisão parece indicar os limites a que o sistema pode chegar: na iminência do escândalo maior, oferecem-se para o sacrifício dois personagens de menor relevância, para amenizar a indignação da sociedade com os sinais de que, mais uma vez, os chefes da máfia que se apropriou do Estado vão ficar livres.

Mas é pouco. Muito pouco.

Raras vezes na nossa história recente o aparelho policial e a Justiça chegaram tão perto de colocar a nu o núcleo da podridão institucional que atrasa o Brasil.

Se as instituições do Estado não são capazes de seguir adiante, cabe à imprensa apoiar o prosseguimento das investigações e contar a história completa à sociedade.

Empresários amigos do Estado

O noticiário dos últimos dias revela que o Estado brasileiro foi assaltado há muitos anos por uma quadrilha que se apropriou do patrimõnio público durante o processo das privatizações e que segue até hoje praticando um capitalismo sem riscos.

O que a imprensa publicou até aqui dá a entender que algumas das grandes fortunas que costumam ser incensadas pelo jornalismo de negócios foram construídas em cima de fraudes em licitações, evasão fiscal e roubo puro e simples.

Consideradas as revelações feitas pela Operação Satiagraha, cabe muito bem o questionamento feito pelo senador Aloísio Mercadante ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles: o que o BC estava fazendo enquanto o Banco Opportunity acumulava lucros com atividades ilegais?

Outra questão que merece mais atenção dos jornais: o que fazia a CVM, Comissão de Valores Mobiliários, enquanto se desenrolavam as fraudes denunciadas agora pela Polícia Federal?

O Brasil vem se destacando no cenário internacional pela pujança de sua economia, o processo de modernização da Bolsa de Valores atrai investidores internacionais e consolida um moderno mercado interno de ações.

O País conquistou recentemente o grau de investimento por parte de importantes agências de avaliação de riscos e consolida uma nova reputação como mercado confiável.

A revelação de que as fortunas de Daniel Dantas e de outros heróis do empreendedorismo nacional vicejam à sombra do Estado e à margem da lei revela que a iniciativa privada no Brasil é cheia de iniciativa, mas não é assim tão privada.

Boa hora para a imprensa fazer uma radiografia do capitalismo brasileiro, como fez o Jornal da Tarde há trinta anos, na célebre sére de Ruy Mesquita sobre o socialismo embutido no governo militar.

É hora de quebrar certos santos de pés de barro.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

E a Margareth?


Cristóvão Feil:

Ontem, o presidente Lula acordou bem indisposto. Pensou tratar-se dos distúrbios causados pelo fuso horário enfrentado na sua recente viagem ao Oriente. Mas não. Diagnosticou que era o conflito. Ele não pode com conflitos. Ainda com a escova na boca que pingava espuma dental comprada no Japão, o presidente Lula enxerga no fundo do espelho embaçado a Thatcher, que lhe diz de forma clara:

- Presidente, não existe essa coisa de sociedade! – o presidente Lula ainda tentou limpar o vapor do espelho com a manga do pijama de algodão egípcio, mas o que sumiu foi a imagem da dama de ferro.

Chegando ao Palácio do Planalto, o presidente Lula mandou que ligassem para o presidente do STJ, ministro Gilmar Mendes. Depois de conversar com Mendes, manda ligar para o ministro da Justiça, Tarso Genro. No telefone mesmo, determina a Tarso que demita toda a equipe do delegado Protógenes do caso Daniel Dantas:

- Não discuta ministro, é uma condição do Gilmar Mendes para começar a conversar conosco ainda hoje à tarde aqui no Planalto. Eu quero essas demissões sacramentadas ainda agora pela manhã. Passe bem.

À tarde, na vasta mesa de reuniões do gabinete da presidência estão reunidos quatro personagens dispostos ao congraçamento e à lhaneza de propósitos, no melhor espírito do “brasileiro cordial”: o presidente Lula, o presidente Gilmar Mendes, o ministro Nelson Jobim e o ainda atônito, ministro Tarso Genro.

A conversa foi rápida. O presidente Lula iniciou dizendo que os delegados já estavam fora do caso, conforme condição “que você impôs, Gilmar”. Tarso Genro sentia pregos na sua cadeira. Nelson Jobim anotava tudo para depois reproduzir a seus companheiros tucanos e peemedebistas. O presidente Gilmar Mendes, se sentindo agora, mais presidente, mais Gilmar, e mais Mendes, sugeriu que ele e o ministro Genro façam em conjunto uma declaração à imprensa, “assim que sairmos agora do Planalto”.

Os quatro personagens se levantam ao mesmo tempo, apertam-se as mãos e o presidente Lula ainda comenta algo sobre futebol, que ninguém entende. Ao chegar perto da porta de saída do gabinete presidencial, o ministro Gilmar Mendes, cada vez mais presidente, vira-se e pergunta mesmo de longe para o presidente Lula:

- E a Margareth, presidente Lula? – Lula ainda coça a barba do queixo e responde com boca de quem chupou limão.

- Que Margareth, meu presidente?