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domingo, 14 de dezembro de 2008

Veja as principais resoluções da conferência da ONU sobre clima


Eric Brücher Camara
Enviado especial da BBC Brasil a Poznan (Polônia)

A reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Poznan, na Polônia, terminou na madrugada deste sábado sob críticas de países em desenvolvimento e ambientalistas.

A conferência marca a metade do caminho para um novo acordo sobre emissões de gás carbônico, que deve ser fechado em Copenhague, Dinamarca, no final de 2009.

O novo acordo vai substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Veja agora as principais resoluções da conferência.

Fundo de Adaptação às mudanças climáticas

Considerado o ponto mais urgente, o instrumento finalmente vai sair do papel, liberando milhões de dólares por ano para países em desenvolvimento que enfrentam conseqüências das mudanças climáticas.

Redução de Emissões Decorrentes de Desmatamento e Degradação de Florestas (Redd)

Um dos assuntos de maior interesse para o Brasil, a redução de emissões por desmatamento e degradação pouco avançou.

No texto de Poznan, foi incluída uma frase sobre “a necessidade de participação completa e efetiva de povos indígenas e comunidades locais” nos projetos de Redd.

Um dos pontos que mais irritou as ONGs ativistas, no entanto, foi a ausência da palavra “direitos” indígenas no documento.

Cronograma

Foram marcadas reuniões em Bonn, na Alemanha, de 29 de março a 8 de abril, e de 1º a 12 de junho, na qual deve ser avaliada a primeira versão de um possível substituto do Protocolo de Kyoto.

Em agosto ou setembro deve acontecer mais um encontro preparatório.

A próxima reunião da ONU sobre mudanças climáticas acontecerá entre 7 e 18 de dezembro, em Copenhague, Dinamarca.

Mercados de carbono

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo criado pelo Protocolo de Kyoto prevê que países desenvolvidos abatam de suas metas reduções de emissões provocadas por projetos em países em desenvolvimento.

Em Poznan, foi adiada para 2009 a decisão sobre a inclusão de projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês), que possibilitariam usinas termoelétricas de carvão capturar a sua poluição e armazená-la subterraneamente.

Também foram adiadas decisões sobre o uso de reflorestamento em áreas degradadas como forma de ganhar créditos de carbono e ainda sobre novas propostas de emissão de créditos de carbono a partir da destruição de gases CFC, que contribuem fortemente para o efeito estufa.

Kyoto

Os países que ratificaram o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012, concordaram que um novo acordo deveria se concentrar em cortes de emissões mais profundos, em vez de outras formas de verificação de poluição.

O grupo repetiu as intenções anunciadas antes do encontro de Bali, de reduzir emissões entre 25% e 40%, em comparação com os níveis de 1990, até 2020.

Dessa forma, as emissões ficariam dentro dos limites sugeridos pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), para que o aquecimento global não passe de 2º C.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Metas de Kyoto são cumpridas por 161 cidades suíças

Schaffhausen:

Os altos custos do petróleo e o debate sobre o clima levam as cidades suíças a economizar energia e a reduzir as emissões: 161 já usam um selo de sustentabilidade.

Nessas 161 cidades vivem 2,6 milhões de pessoas, um terço dos habitantes do país. A meta do governo é atingir 200 cidades (75% da população suíça) até 2010, diz Kurt Egger, diretor do Programa de Energia para os Municípios Suíços.

As chamadas "cidades da energia" (Energiestädte) assumem o compromisso de economizar energia, fomentar energias renováveis e reduzir as emissões. Quanto maior a população maior é a pressão para combater os problemas do meio ambiente, constata Egger.

Zurique, Basiléia, Berna, Lausanne e St-Gallen já aderiram ao programa. Genebra também se prepara para obter o selo azul e branco. A primeira "cidade da energia" da Suíça é Schaffhausen, no leste do país, que tem o selo desde 1991.

Esse distintivo de qualidade também é cobiçado por municípios turísticos, como Davos e Saas-Fee. Já no Tecino, região italiana da Suíça, apenas Chiasso e Mendrisio são "cidades da energia". Nos estados de Appenzell Innerrhoden e Obwalden até agora nenhuma aderiu.

Com um total de 40 programas do EnergieSuisse, o programa de eficiência energética e energias renováveis da Suíça, as emissões de CO2 no país são reduzidas 6% ao ano. O programa "Energiestadt" contribui com cerca de um quinto dessa redução. Dessa forma, as "cidades da energia" – por si só – cumprem as metas do Protocolo de Kyoto.

Não basta

"Para cumprir a meta estabelecida pelo Conselho Federal (Executivo suíço), de reduzir em 20% as emissões de gases do efeito estufa até 2020, são necessárias novas regras jurídicas", diz Egger.

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) indiretamente confirma isso: Christian Zeyer, vice-diretor de política climática do WWF Suíça, classifica as "cidades da energia" como um "passo muito bom".

De acordo com os cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), no entanto, as emissões de CO2 dos países industrializados teriam de ser reduzidas em 80% a 90% até 2050. "O selo não resolve esse problema", afirma Zeyer.

Economizar energia

A Associação Cidade da Energia Suíça lista 87 medidas que podem ser adotadas para proteger o clima, por exemplo, através da construção, do planejamento urbano, do trânsito e do consumo de energia.

Muitas das 161 prefeituras oferecem um serviço de consultoria especial aos moradores locais. Mais de 30% delas têm programas de fomento. Sem modificações nas edificações, a cidade não recebe o selo.

As prefeituras podem, por exemplo, tornar obrigatório o uso de energias renováveis em novas áreas residenciais. Isso é mais fácil de implementar na construção de novas casas do que no saneamento de antigas.

A cidade que cumpriu pelo menos a metade das medidas de redução das emissões recomendadas recebe o selo, que é controlado a cada quatro anos.

Tendo aprovado ou cumprido mais de 75% das medidas possíveis, o município recebe como distinção máxima a medalha de ouro "European Energy Award GOLD". Dez localidades suíças já receberam essa distinção.

Mais incentivos

O diretor da Associação Suíca dos Proprietários de Imóveis, Ansgar Gmür, reinvindica mais estímulos financeiros para renovações, "para que os programas atraiam os proprietários".

Também Michael Töngi, da Associação dos Locatários da Suíça alemã, considera os incentivos financeiros importantes. Mas os governos federal e estaduais devem ser os principais fomentadores, depois as prefeituras. Os custos da renovação não devem ser repassados só aos locatários, diz.

swissinfo, Geraldo Hoffmann (com agências)