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quarta-feira, 6 de julho de 2011

PREOCUPAÇÕES EUROPEIAS COM TRANSGÊNICOS


A decisão de cultivar organismos geneticamente modificados deve ser feita por cada estado-membro. A proposta teve, esta terça-feira, o apoio de uma larga maioria dos eurodeputados. Para proibir ou limitar o cultivo de OGM, devem ser apresentados motivos ambientais locais e impactos socioeconómicos. 

É o que explica a eurodeputada francesa, Corinne Lepage. “Na diretiva inicial, estava previsto estudar o que chamamos de meios recetores, onde se vai plantar. Estes estudos nunca foram feitos. Os meios recetores na Europa são muito diferentes. Quando se vai a Itália ou à Suécia, não se encontram os mesmos meios, nem as mesmas plantas, nem as mesmas condições locais. Por isso, a minha proposta tem em conta este tipo de considerações que não podem ser avaliadas em toda a Europa”.

Será que a proibição a nível nacional é a solução?

Este tema também divide a Bélgica, onde a Valónia é contra os OGM e a Flandres é mais favorável.

Seguimos os passos de um investigador junto do único campo de batatas transgénicas do país, situado em Wetteren, na Flandres. Há cerca de um mês, os ambientalistas invadiram o local. Para Marc De Loose, o risco de contaminação à agricultura tradicional ou biológica não faz sentido.

“Para este campo experimental, tomámos todas as precauções necessárias para prevenir a contaminação. Sei que os ativistas dizem que há contaminação. Perguntaram-nos sobre as abelhas. Mas as abelhas não voam em cima das batatas”, conclui o investigador.

O cultivo de milho transgénico também não apresenta risco, acrescenta. “No ano passado fizemos uma experiência e demonstrámos que uma distância de 50 metros entre um campo de milho transgénico e outro sem OGM é suficiente.”

Mas na Valónia, a zona de segurança é de 600 metros, ou seja, 12 vezes maior.

Num país onde a batata frita é o prato do dia, na hora de questionar os turistas sobre se preferem batatas com ou sem OGM, a resposta é imediata: “Com certeza sem!”

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Nota do Blog: Aqui no Brasil não se tem tempo para essas preocupações sutis. Por aqui pode tudo. Os transgênicos estão misturados com as culturas não modificadas geneticamente sem que os produtores e governos, alguns também geneticamente modificados, percam uma boa noite de sono.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Rejeição por produtores faz Bayer adiar planos de lançar arroz transgênico no Brasil


Empresa alemã, que vende no Brasil soja e milho geneticamente modificados, desiste temporariamente de obter licença para arroz transgênico. Brasileiros não querem ser os primeiros do mundo a oferecer esse tipo de grão.

A reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que debateu aprovações comerciais de novos produtos geneticamente modificados no mercado brasileiro em 23 de junho último, era para ter sido sem surpresas.

Mas não foi: a aprovação dada como "certa" do arroz LibertyLink (semente tolerante ao herbicida glufosinato de amônio), da Bayer, não chegou sequer a ser discutida pelos membros da comissão. Por iniciativa da própria empresa alemã, o processo foi retirado temporariamente da pauta de decisões técnicas.

A Bayer, que já comercializa no Brasil sementes transgênicas de algodão, milho e soja, divulgou uma nota no mesmo dia, justificando que é preciso ampliar o diálogo com os principais integrantes da cadeia de produção de arroz no Brasil.

"O objetivo do diálogo será tratar das medidas necessárias para trazer ao mercado a tecnologia LibertyLink para a cultura do arroz. Esta decisão está em linha com nossa abordagem responsável no lançamento de produtos e representa nosso compromisso com as necessidades dos nossos clientes", diz a nota.

Mas Marijane Lisboa, pesquisadora brasileira e participante de uma rede de cientistas que acompanha o debate de transgênicos na CTNBio, conhece os bastidores da discussão: "Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul temem que o Brasil, sendo o primeiro país a plantar arroz transgênico em escala comercial, possa sofrer uma rejeição por parte de países que são, atualmente, importadores do arroz brasileiro, particularmente a União Europeia."

Diálogo com o mercado

Questionada pela Deutsche Welle se a essa decisão estaria ligada a possíveis prejuízos comerciais que os produtores sofreriam ao exportar o arroz transgênico, a Bayer respondeu que "ficou claro que é preciso mais tempo para que todas as partes da cadeia produtiva do arroz possam compreender os passos necessários para o potencial uso de biotecnologia também na produção de arroz".

O estado do Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro do grão. Pouco antes da reunião da CNTBio de 23 de junho, o setor reafirmou por escrito sua posição, que já havia sido tomada numa audiência pública da CTNBio em Brasília no ano passado. Neste documento, disponível no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, fica clara a preocupação dos produtores de colocar em risco os mercados interno e externo e comprometer a rentabilidade.

O setor produtivo gaúcho se diz favorável ao uso de tecnologias no campo, mas ressalta que foram levados em consideração dois fatos principais para a oposição ao LibertyLink: ainda não existe consumo corrente para o arroz transgênico no mercado global e as exportações são vitais para a sustentabilidade econômica do setor produtivo nacional.

O documento diz ainda que os produtores nortearam a decisão após seguidas consultas a agentes de mercado que atuam nas exportações e importações, além do diálogo mantido com pesquisadores, estudiosos e técnicos. Ficou comprovado que a maioria dos importadores exige o certificado de arroz não transgênico.

Marijane Lisboa ressalta o ineditismo da situação: "Pela primeira vez, nós temos no Brasil setores comerciais importantes se manifestando contra. O que não aconteceu nem no caso da soja nem do caso do milho".

A pesquisadora diz ainda que a decisão contrária, no entanto, é ligada exclusivamente a fatores comerciais. "Nunca tivemos restrições de ordem ambiental, as preocupações não se dirigem a esse aspecto. Quem levanta as preocupações de ordem ambiental, de saúde etc. são os ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, também o de Desenvolvimento Agrário. Já as decisões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança se restringem apenas a questões genéticas."

Caso à parte

A Bayer informou que a semente LibertyLink já está aprovada na Austrália, nos Estados Unidos, na Rússia, no México, no Canadá e na Colômbia. "Mas, por sua própria decisão, a empresa não disponibilizou a tecnologia para o uso comercial em nenhum país porque busca a homologação do produto no maior número possível de países envolvidos com o comércio internacional do arroz."

Em abril último, a Justiça norte-americana decidiu que a Bayer terá que pagar 1,5 milhão de dólares a produtores do estado do Mississipi que tiveram as lavouras de arroz contaminadas pelas sementes geneticamente modificadas LibertyLink.

O arroz transgênico estava em teste nos Estados Unidos e os primeiros vestígios de que o grão teria infiltrado lavouras convencionais foram detectados em 2006. Os produtores alegaram perdas econômicas e processaram a Bayer, que em dezembro do ano passado já havia sido condenada a pagamento de multa numa primeira sentença. Há ainda outros três casos para serem julgados.

A direção alemã da empresa informou à Deutsche Welle que esse incidente não influenciou a retirada do processo junto à comissão brasileira que autoriza a comercialização, e que a Bayer sempre agiu com responsabilidade e de forma apropriada.

Mas o incidente norte-americano também ajudou os produtores do Brasil a tomar a decisão contrária à LiberyLink. Eles citam a retaliação da União Europeia e das Filipinas ao arroz dos EUA após a contaminação da produção com arroz transgênico.

"Mesmo assim, o produto foi exportado para um país da Europa, e por causa deste negócio os EUA perderam todo seu mercado, fato que provocou milhões de dólares de prejuízos nos mercados interno e externo. Prejuízo que os americanos tentam recuperar até os dias de hoje, gastando fortunas para controlar e garantir a produção livre de transgênico em todas as etapas do processo produtivo e industrial", diz o documento elaborado pelo presidente da Câmara Nacional do Arroz, Francisco Schardong.

Os brasileiros citam o alinhamento dos países do Mercosul, que também são exportadores e protegem a produção para que esta permaneça livre de transgênicos.

O mercado de arroz

A previsão para a safra brasileira de 2009/2010 é de 11,3 milhões de toneladas. O país deve ainda importar 950 mil toneladas e vender para o mercado externo 300 mil toneladas. Desde a criação do Mercosul, em 1991, os produtores brasileiros passaram a sofrer o impacto provocado pela importação de arroz dos países do bloco, que produzem menos, mas cujo produto chega mais barato ao mercado brasileiro.

Atualmente, a produção brasileira corresponde a apenas 1,8% da produção mundial – a China é a maior produtora do mundo, com a fatia de 29% do total, seguida pela Índia, com 21,5%.

Dois terços do arroz consumido na União Europeia são produzidos na própria região: Itália e Espanha são as maiores produtoras, seguidas por Bulgária, França, Grécia, Hungria e Portugal que, juntos, somam 2,5 milhões de toneladas anuais. O bloco importa principalmente da Tailândia, Índia e Paquistão.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

DEUTSCHE WELLE

quarta-feira, 18 de março de 2009

TRANSGÊNICOS NO RIO GRANDE DO SUL


CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 17 DE MARÇO DE 2009

Área de milho transgênico em alta

A área plantada com milho transgênico deve aumentar 20% na safra 2009/2010. A previsão é do vice-presidente da Abrasem, Narciso Barison Neto e foi feita ontem no 1º Fórum Nacional do Milho. O presidente da Abramilho, Odacir Klein, ressaltou que este é o primeiro ano de plantio legal e é preciso que os produtores atentem para o refúgio.
Embora a maioria dos produtores concorde que a transgenia agregue valor à agricultura, há preocupação com a segregação. Segundo o professor da Unicamp José Maria da Silveira, como alguns mercados exigem que o produto seja não-transgênico, a separação é feita para clientes específicos. 'Isso acaba elevando os custos de produção entre 8% e até 25% em alguns casos', destacou. Ele explica que a proposta é usar a sistemática do 'pode conter'.
A questão da coexistência foi abordada pelo pesquisador da Embrapa Antônio Purcino, que afirmou não existir dificuldade de convivência entre as lavouras. 'É uma questão de ter a informação, gerenciamento e responsabilidade.'

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 18 DE MARÇO DE 2009

Arrozeiros são contra transgênico

Os arrozeiros gaúchos prometem se posicionar contrariamente à liberação do arroz transgênico em audiência pública que será realizada hoje, em Brasília. O encontro faz parte dos trâmites da CTNBio para liberação de variedades geneticamente modificadas.
O presidente da Federarroz, Renato Rocha, destacou que a entidade é a favor das pesquisas e dos avanços em tecnologia. No entanto, ele teme que o Rio Grande do Sul não consiga exportar o grão, já que grande parte dos importadores exige o certificado de não-transgenia. Pelo menos 20% da safra gaúcha é vendida para países europeus, que têm resistência aos organismos geneticamente modificados (OGMs).
O presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Arroz e da Comissão do Arroz da Farsul, Francisco Schardong, ainda comentou que a intenção é definir hoje, em audiência no Minstério da Fazenda, o valor dos contratos de opção. O governo federal anunciou, na Abertura Oficial da Colheita do Arroz, leilões para 1,3 milhão de toneladas.