DANCINHA

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

COMO SÃO FEITAS AS LEIS

 

Setor imobiliário comemora Papai Noel antecipado

Por Paulo Müzell

A “bancada do concreto” da Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou nova alteração no plano diretor da cidade. Como sempre, ao “apagar das luzes”, em meados de dezembro que é quando, invariavelmente, as votações se acumulam. “A toque de caixa”, dezenas e dezenas de projetos são sumariamente apreciados. Coincidentemente, os mais importantes do ano. Época oportuna, momento adequado já que o porto-alegrense está ligado no 13º, nas compras de natal e nas férias de verão.

O vereador Reginaldo Pujol (DEM) elaborou um projeto de lei alterando o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental, lei complementar 434/99. Projeto sumário, de apenas três artigos que eleva índices de aproveitamento, densidades, volumetrias em faixas de 120 metros dos dois lados da terceira perimetral e do traçado do futuro metrô da capital. Devido ao grande atraso na implantação do metrô – que sequer tem concluído o projeto final e nem assegurados os recursos –, foram aprovadas emendas que passaram as faixas da linha do metrô para os trajetos dos eixos sul e leste da cidade – avenidas João Pessoa, Bento Gonçalves, Protásio Alves e Padre Cacique -, onde funcionará o do BRT, o “Bus Rapid Transit”. Aconteceu aí a troca do seis pela meia dúzia. Se o metrô não tem data para começar e certamente não estará em funcionamento antes dos próximos dez anos, o projeto do BRT também caminha a passos de tartaruga. Anunciado há mais de cinco anos tem suas pistas inconclusas, com obras muito atrasadas. As seis estações de transbordo não começaram a ser construídas; os equipamentos e veículos não têm data de aquisição prevista e, muito menos, de início de operação. Os dados constantes nos dois últimos orçamentos da Prefeitura e no Sistema de Despesa Orçamentária (SDO) da Secretaria da Fazenda comprovam o enorme atraso. Em 2014 a previsão era investir 74,8 milhões e só foram aplicados 6,7 milhões. Este ano a previsão foi mais modesta: orçados 13,3 milhões, aplicados apenas 4,9 milhões. No último biênio, dos 88 milhões que deveriam ser investidos no projeto foram gastos menos de 12 milhões (13%).

A óbvia pergunta é: se o BRT não tem data para entrar em funcionamento, o que certamente não ocorrerá antes de quatro ou cinco anos, porque aprovar hoje lei aumentando os índices construtivos?

Foi aprovado nas faixas o índice de aproveitamento máximo (3,0) e o parágrafo único do artigo 2 possibilita a compra da diferença entre o índice de aproveitamento do terreno e o índice máximo “sob a forma de Solo Criado, de forma direta, sem licitação”, o que configura flagrante ilicitude.

Considerando a extensão da terceira perimetral e dos eixos do BRT, a lei amplia até o máximo o potencial construtivo de cerca de 1.000 hectares de área urbana de ocupação intensiva da cidade. O absurdo é que a lei foi aprovada sem que a recentemente criada Secretaria de Urbanismo (SMURB), que substituiu a Secretaria do Planejamento Municipal (SPM) apresentasse os estudos de impacto urbano e ambiental. Um vereador apresentar e aprovar uma lei desta importância sem o aval do órgão do Executivo Municipal é um verdadeiro atestado de omissão da SMURB. Um atestado de óbito, na verdade.

Presentes na sessão no momento da votação 34 vereadores. Destes, oito se abstiveram, o que já é fato preocupante, dada a importância da matéria. Dos 26 votantes, 23 registraram “sim” e apenas três “não”: Sofia Cavedon (PT), Marcelo Sgarbossa (PT) e Alex Fraga (PSOL). A bancada do PT mais uma vez ficou dividida: dois “sim”, dois não”, uma abstenção.

O projeto se encontra na Diretoria Legislativa da Câmara para elaboração da redação final. Finda esta etapa será encaminhado ao Prefeito José Fortunati, sempre muito “simpático e receptivo” às propostas e interesses do “empreendedorismo imobiliário” da cidade. Certamente ele nem vai precisar dos 15 dias – prazo que lhe assegura a Lei Orgânica -, para sancionar e publicar a nova lei.

.oOo.

Paulo Muzell é economista.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

10 Estratégias de Manipulação em Massa utilizadas diariamente contra Você

 

1. A estratégia da Distração

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio, ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se por conhecimentos essenciais, nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética.

Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais

 

2. Criar problemas e depois oferecer soluções

Este método também é chamado “problema-reação-solução“. Se cria um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja aceitar.

Por exemplo: Deixar que se desenvolva ou que se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas desfavoráveis à liberdade.

Ou também: Criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos. (qualquer semelhança com a atual situação do Brasil não é mera coincidência).

Este post PORQUE A GRANDE MÍDIA ESCONDE DE VOCÊ AS NOTÍCIAS BOAS? retrata bem porque focar nos problemas é interessante para grande mídia.

 

3. A estratégia da gradualidade

Para fazer que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Foi dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas, neoliberalismo por exemplo, foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estratégia também utilizada por Hitler  E comumente utilizada pelas grandes meios de comunicação.

 

4. A estratégia de diferir

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária“, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.

É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.

Depois, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “amanhã tudo irá melhorar” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

 

5. Dirigir-se ao público como crianças

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criança de pouca idade ou um deficiente mental.

Quanto mais se tenta enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como as de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.”

 

6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e finalmente no sentido crítico dos indivíduos.

Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.

 

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.

“A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser revertida por estas classes mais baixas.

 

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade

Promover ao público a crer que é moda o ato de ser estúpido, vulgar e inculto.

 

9. Reforçar a auto-culpabilidade

Fazer com que o indivíduo acredite que somente ele é culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, suas capacidades, ou de seus esforços.

Assim, no lugar de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se auto desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E, sem ação, não há questionamento!

 

10. Conhecer aos indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem

No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes.
Graças à biologia, a neurobiologia a psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado sobre a psique do ser humano, tanto em sua forma física como psicologicamente.
O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que o dos indivíduos sobre si mesmos.




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domingo, 6 de dezembro de 2015

SOBRE O TEMPO E OS RITOS DE PASSAGEM PARA A “VIDA ADULTA”



Obra de Salvador Dali


O tempo parece ser relativo. Por exemplo: da infância até a adolescência, o tempo parece passar muito devagar. Os finais de semana demoram a chegar. As férias de verão, então, não chegam nunca. Outro exemplo: em um jogo de futebol importante (ou de basquete), se a diferença de placar é apertada, o tempo para o time que está ganhando passa muito vagarosamente. Para o time que está perdendo o tempo passa rapidamente.

O tempo também pode ser considerado inexorável. Ele nunca cede ou se abala diante de súplicas e rogos. Implacavelmente passa. As pessoas às vezes fazem tolas tentativas de retardar seus efeitos, muitas vezes por questões estéticas. Essas tentativas, porém, normalmente produzem resultados efêmeros e na maioria das vezes, à médio prazo, se revelam desastrosas.
 
É difícil monitorar a passagem do tempo. Desde a pré-história a humanidade ficava deslumbrada pela sucessão dos dias e noites. Passou, então, a utilizar as fases da Lua como referência. A noção do conceito de Ano, porém, só apareceu concomitantemente com o desenvolvimento da agricultura, entre 10 e 12 mil anos atrás. Independentemente do desenvolvimento de calendários, na prática o tempo escoa sem que as pessoas percebam. Eventualmente, quando se dão conta, mais da metade da vida útil já passou.

O tempo passa e de repente uma pessoa chega ao final da idade escolar. Em torno de 17 anos.

Em nossa sociedade, no extremo sul do Brasil, essa época tem a força de um ritual de passagem para a vida adulta. As meninas algumas vezes simulam esse ritual antes disso, aos 15 anos. Os rapazes não.

Antigamente, para os rapazes, muitas vezes essa cerimônia de passagem para a vida adulta se dava no momento em que ele fazia a caça e o abate do primeiro animal. Ligadas, portanto, ao derramamento de sangue, essas cerimônias significavam a integração daquela pessoa como membro produtivo da tribo.

Isso é só um exemplo. Variadas cerimônias marcavam a passagem para a idade adulta.

Entre os nativos norte-americanos, algumas tribos praticavam um rito onde a pele do peito dos jovens guerreiros era trespassada por espetos e repuxada por cordas. A dor e o sangue derramado eram, dessa forma, considerados como uma retribuição à Terra das dádivas que a tribo recebera até ali.

As tribos que vivem perto do rio Sepik em Papua Nova Guiné usam a tradição das cicatrizes para mostrar que seus meninos se tornaram homens. A cerimônia pede que o jovem seja cortado nas costas, na barriga e nas nádegas, em padrões que deixem cicatrizes elaboradas que imitem a pele de um crocodilo. Além disso, durante semanas a paciência do rapaz é testada sendo constantemente humilhado por outros homens.

Em outro local do planeta, a cerimônia de passagem começa com os jovens que passarão pelo teste fazendo jejum de comida e de bebida e se privando de sono por quatro dias seguidos. Depois eles são perfurados e pendurados pelos furos em uma tenda. Para aumentar a dor, suas pernas são presas a um tipo de peso, que puxa o candidato a guerreiro para baixo. Eles devem ficar assim até desmaiar. Depois que acordar, ele deve sacrificar o dedo mindinho de cada mão e, feito isso, correr pela praça da aldeia várias vezes.

Quando um menino se torna um homem, é motivo de celebração para a tribo Xhosa da África do Sul. O abakwetha (o iniciado) é barbeado e um banquete é oferecido para ele. Depois ele é levado para uma cabana nas montanhas que será sua casa pelas próximas semanas. Sem nenhuma preparação, o “cirurgião” aparece e realiza o procedimento de remoção do prepúcio e depois o rapaz é deixado sozinho até “se curar”. A lâmina usada na cirurgia, por si só, representa um grande risco, já que é usada para vários homens sem nenhum processo de limpeza, podendo causar infecções e transmissão de DSTs. Um dos maiores medos dos meninos que vão passar pela iniciação é ouvir que o garoto que veio antes dele teve que ser hospitalizado.

Em outro local de nosso planeta, para que um menino passe a ser considerado um homem ele deve confeccionar um chicote da forma que ele produza um “efeito” muito dolorido. Depois ele deve enfrentar com sua arma um outro companheiro que também está passando pelo rito de iniciação em uma luta que será assistida por toda a aldeia. Seu objetivo é acertar com mais força o oponente e gemer o menos possível quando ele é acertado.

A tribo Matausa, de Papua Nova Guiné, acredita que se seus meninos não passarem pela iniciação de sangue, eles sofrerão as consequências pelo resto de suas vidas – ele nunca será visto como um guerreiro e não terá vigor e nem força. Por essa razão os rapazes ficam ansiosos para passar pelo rito, mesmo sabendo o quão horrível ele será. Primeiro eles precisam tirar do corpo qualquer influência feminina que tenha vindo de suas mães. Então eles enfiam pedaços de madeira na garganta para induzir o vômito até que toda a comida no seu estômago seja eliminada. Depois pedaços de cana são introduzidos no nariz do candidato a guerreiro para que ele elimine, também, outras influências ruins. No fim, sua língua é apunhalada diversas vezes. Se ele suportar tudo isso, é considerado um guerreiro da tribo, completamente purificado.

Na Amazônia Brasileira a tribo Satere-Mawe é considerada dona de um dos mais dolorosos ritos de passagem do mundo, graças à formiga 24. A formiga é conhecida por esse nome pelas 24 horas de dor horrível que quem sofre a sua picada passa. Além da dor, a vítima sofre com vômitos, náusea e arritmia cardíaca. Isso só com uma picada. Mas os Satere-Mawe não se contentam com pouco. Cerca de 30 formigas são embebidas em água até que fiquem inconscientes. Depois uma luva de folhas, carvão e formigas é construída. Quando acordam as formigas ficam desesperadas tentando se libertar e, é nessa hora, que o iniciado veste duas luvas de formigas, agüentando inúmeras picadas. Durante o ritual, ele e os membros da tribo cantam para distrair o futuro guerreiro da dor. Depois do ritual ele vai sofrer com as conseqüências das picadas por dias a fio, mas no fim será considerado um guerreiro da tribo

Etc.

Todas essas cerimônias tinham um significado comum: marcavam pontos de desprendimento. Velhas atitudes eram abandonadas e novas deviam ser aceitas.

Claro que nas sociedades modernas as passagens se dão de forma muito mais suave e com grau de simbolismo bem menor. Em alguns casos, inclusive, não há essa passagem e as algumas pessoas ficam misturando atitudes infantis e adultas durante boa parte da vida.

De qualquer forma, essa época é um dos períodos da vida mais significativos, que não será esquecido jamais.

Omar Rösler
Dezembro de 2015



Observação: as informações sobre ritos de passagem incluídas neste texto tiveram origem em vários sites da internet.