DANCINHA

domingo, 15 de junho de 2008

‘BLACKWATER’ EXPÕE A PRIVATARIA DA GUERRA

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Elio Gaspari

Está chegando às livrarias 'Blackwater – A Ascensão do Exército Mercenário Mais Poderoso do Mundo', do jornalista americano Jeremy Scahill. É um retrato da maquinação de empreiteiras que estão privatizando as Forças Armadas e um pedaço da política externa dos Estados Unidos. É uma novidade que deixa para trás o famoso 'complexo militar-industrial' denunciado pelo presidente Eisenhower em 1961.
A Blackwater, a quem a Embraer vendeu um Super Tucano de 4,5 milhões de dólares, é a maior empreiteira de segurança do mundo. Esse novo negócio emprega 100 mil funcionários de diversas companhias no Iraque.
Praticamente um miliciano para cada soldado fardado. Exércitos terceirizados já acabaram com uma revolta em Serra Leoa e com a guerra civil de Angola.
O banco de dados da Blackwater tem um cadastro de 21 mil soldados e policiais de elite. Entre eles, os veteranos chilenos dos porões de Pinochet. Uma tropa de 2,3 mil homens está espalhada por nove países. Um miliciano de primeira classe da Blackwater recebe 600 dólares por dia.
É uma quantia parecida com os 180 mil dólares que recebe anualmente o general David Petraeus, que comanda a ocupação americana.
Os contratos da empresa já ultrapassaram a cifra do bilhão de dólares (metade sem licitação). Em alguns países, os funcionários da Blackwater estão acima das leis locais. A empresa pertence ao bilionário Erik Prince, uma mistura de James Bond, Rambo, pastor da direita cristã e generoso financiador do Partido Republicano.
Quem atravessar o volume de 'Blackwater' pode ficar com uma pergunta capciosa na cabeça: o que aconteceria na América do Sul se o governo da Colômbia decidisse contratar uma dessas empreiteiras e se metesse numa confusão com a Venezuela ou o com o Equador? Ou se os separatistas de Santa Cruz de la Sierra alugassem uma milícia de Erik Prince? Fantasia? A base americana no porto equatoriano de Manta tem agentes privatizados que já andaram recrutando nativos para o Iraque.
Pode-se suspeitar de que pilotos brasileiros tenham sido contratados para serviços externos.

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