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terça-feira, 22 de março de 2011

MENINO NUCLEAR



Nuclear Boy, ou seja, o Menino Nuclear, é um menino doente com diarreia que ajuda a explicar às crianças o que aconteceu em Fukushima.

Perante a dificuldade de explicar aos mais pequenos o que se passa com a central nuclear japonesa, o artista Hachiya Kazuhiko criou este personagem que tal como o Menino Three Mile Island e o Menino Chernobyl está doente, mas não tão gravemente como eles estiveram.

No fim do desenho animado de 4 minutos, o Menino Nuclear vai recuperando aos poucos e irá ficar bom.

Uma forma simpática de explicar às crianças o problema do acidente nuclear japonês sem necessidade de recorrer à linguagem dos mass media, certamente demasiado complexa para os mais novos.

domingo, 13 de março de 2011

Depois do terremoto, catástrofe nuclear ameaça Japão

Depois de um terremoto e de um tsunami, o Japão enfrenta agora a ameaça de uma catástrofe nuclear. Falta de energia após terremoto dificulta refrigeração de reator, que ameaça derreter e provocar uma tragédia.

 

A usina nuclear japonesa Fukushima Daiichi I é um reator de água fervente. Barras de combustível dentro do reator produzem calor através da fissão nuclear. Com isso a água é aquecida e faz girar uma turbina que gera eletricidade. A água é, então, resfriada e bombeada de volta para para o reator para ser aquecida novamente.

O interior de um reator como esse é composto de longos tubos, dentro dos quais as barras de combustível são armazenadas. Dentro dessas barras há urânio enriquecido. Quando o urânio radioativo se decompõe, grandes quantidades de energia são liberadas e aquecem a água ao seu redor. Ao mesmo tempo, nêutrons energizados são liberados e desencadeiam novas fissões nucleares nas barras de combustível adjacentes.

Para controlar ou parar o processo, são instaladas as chamadas hastes de controle, que absorvem os nêutrons liberados. Em um desligamento da usina nuclear, as hastes de controle são inseridas dentro do reator. Novas fissões nucleares são evitadas. O reator se resfria, no entanto não rápido o suficiente. O ciclo da água deve continuar sendo bombeado com energia para continuar o resfriamento do sistema.

A falta de energia leva a uma situação crítica. A pressão e a temperatura dentro do reator continuam subindo. Se não for possível interromper esse processo, a pressão e o calor podem causar danos ou mesmo destruir completamente o invólucro das barras de combustível.

Nessa fase, o conteúdo das barras de combustível, urânio e o produto de sua fissão, como o césio, afundam, o que pode levar a explosões nucleares descontroladas, que geram mais calor e pressão. No final do processo, o reator inteiro pode explodir, como ocorreu há quase 25 anos em Tchernobil. Essa fase é conhecida como o pior cenário possível. O conjunto dos produtos radioativos decompostos acaba sendo liberado para a atmosfera por uma explosão.

Em Fukushima, o circuito de segurança foi interrompido por falta de energia após o terremoto. O segundo nível de segurança, com geradores a diesel, também falhou. O resfriamento pôde ser mantido apenas por baterias elétricas, cujo tempo de funcionamento é limitado.

No reator, a temperatura da água subiu. Através da evaporação, a pressão aumentou. Para evitar uma explosão, a primeira tentativa foi expelir o vapor levemente radioativo através de uma válvula.

Mas essa opção foi apenas parcialmente bem sucedida. Caso ocorra uma fissão nuclear e, com isso, o colapso, as pessoas no Japão podem apenas torcer para que um vento leve embora a nuvem radioativa, soprando-a em direção ao Pacífico.

Autor: Sybille Golte (ff)
Revisão: Marcio Damasceno

DW

 

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Técnico que previu terremoto foi denunciado por causar pânico


Assimina Vlahou
De Roma para a BBC Brasil

Um especialista em física que mora em Áquila, na Itália, revelou nesta segunda-feira que havia alertado as autoridades locais, há algumas semanas, sobre a possibilidade de um terremoto "desastroso" em Abruzzo, região que sofreu um forte abalo nesta madrugada.

"Há três dias estávamos vendo sinais fortes de terremoto", disse a jornais italianos Giampaolo Giuliani, técnico do Laboratório Nacional de Física e Astrofísica Gran Sasso, também em Abruzzo.

Segundo ele, o Instituto Italiano de Geofísica registrou cerca de 200 abalos sísmicos em Áquila, cidade no epicentro do terremoto, nos últimos dois meses. No final de março, Giuliani disse às autoridades que a série de tremores registrados poderia ser o anúncio de um evento mais forte.

Mas o técnico conta que foi acusado de "brincar com assuntos sérios" e que foi denunciado à polícia pela Prefeitura de Áquila por alarmar a população.

Polêmica

Entretanto, o diretor do Departamento de Proteção Civil do governo italiano, Guido Bertolaso, declarou que embora a região seja sujeita a abalos sísmicos, não era possível prever o grave terremoto desta madrugada.

Segundo Bertolaso, na semana passada, os principais especialistas em terremotos da Itália haviam se reunido em Áquila por causa dos contínuos tremores, mas concluíram que não era possível prever o ocorrido nesta segunda-feira.

Giampaolo Giuliano não concorda com esta avaliação.

"Esta noite meu sismógrafo indicava um forte terremoto. Esta informação estava online. Todos podiam observar o sismógrafo e muitas pessoas o fizeram. Vivemos a noite mais terrível de nossa vida", comentou o técnico, que disse estar desabrigado.

O Laboratório Nacional usa um sistema de análise chamado "Revelador Gama". O método se baseia na observação da emissão de gás radon do terreno.

Segundo Giuliano, há dez anos, o instituto consegue prever eventos como o que atingiu a região do Abruzzo através deste tipo de estudo.

"Há três dias, estávamos vendo um forte aumento do radon, o que indica fortes terremotos", explicou o técnico ao jornal Corriere della Sera.

Por causa da série de tremores registrados nas últimas semanas, algumas escolas de Áquila chegaram a permanecer fechadas por precaução.

O terremoto desta segunda-feira deixou dezenas de mortos e desabrigados.