DANCINHA

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

ÁGUA, ETC...



Fonte da Imagem: http://www.newearthgreendepot.com/wp-content/uploads/water_border.jpg



No final da década de 70 e no início dos anos 80 foi que pela primeira vez li e ouvi falar a respeito de pessoas que estavam preocupadas com o futuro da água em nosso planeta.

Na época isso me pareceu um tanto esquisito.

Onde cresci, região noroeste do RS, a água era abundante. Chegando em Porto Alegre em 1976, aos 19 anos, não via indícios de que a falta de água fosse um problema. Pelo contrário, eventualmente rios transbordavam em função de excesso de chuva.

De lugares distantes para mim naquela época, nordeste do Brasil e norte da África, por exemplo, às vezes chegavam notícias de que havia problemas com escassez de água, porém isso parecia, de certa forma, normal, pois as informações que chegavam é de que esses lugares historicamente eram muito quentes e quase que tradicionalmente ocorriam períodos de grande seca. Cheguei a ficar chocado com fotos de pessoas, no nordeste do Brasil, se alimentando de lagartixas, devido à seca, porém isso tudo era vendido pela mídia da época como algo inevitável, natural e cíclico (hoje se sabe que a seca pode ser combatida de forma inteligente).

Naquela época quando chegavam informações de que pessoas inteligentes e sensíveis, já taxadas de ecochatos pela mídia, estavam preocupadas com o futuro da água isso me deixava meio que sem saber o que pensar, então arquivava esse assunto em alguma parte do cérebro colocando uma espécie de marcação de alerta, talvez um asterisco imaginário, para ver no futuro. Por via das dúvidas comecei a acompanhar as notícias sobre mudanças no meio ambiente, cada vez mais apreensivo, pois estas não eram de maneira nenhuma positivas.

De lá para cá se passaram quase 40 anos.

Então, de repente, não há água em São Paulo.

Um dos diretores da Sabesp, empresa de economia mista e capital aberto encarregada de prover os paulistas de água, num acesso de sinceridade, declara: “Saiam de São Paulo, porque aqui não vai ter água”.

Obviamente, toda a periferia da cidade de São Paulo pensa: vamos passar uma temporada em Miami até esse problema ser resolvido...

São Paulo possui atualmente cerca de 20 milhões de pessoas em sua região metropolitana.

Mais recentemente chegam notícias de que os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais também estão à beira de um colapso no abastecimento do líquido precioso.

O que aconteceu nesses estados brasileiros, nos quase 40 anos para que a situação chegasse a esse ponto?

Consultando a Dra. Internet encontrei muitas informações interessantes. Desde 1949 existe mobilização mundial para discutir os problemas planetários do meio ambiente e a questão da escassez da água.

No final deste texto relaciono o que considerei os principais eventos. *

Foram inúmeros encontros, seminários, congressos, que resultaram em legislações no mundo todo e que deram origem à criação de numerosas organizações públicas, privadas e do terceiro setor, em todo o planeta, inclusive no Brasil.

Todos os aspectos possíveis e imagináveis envolvendo a possível escassez de água foram abordados exaustivamente.

Então permanece para mim a grande dúvida, porque falta água em São Paulo?

Até agora não consegui entender direito.

Uma pista me deu o Presidente da Nestlé, Peter Brabeck.

Em 2013 ele afirmou que a água deveria ser tratada como qualquer outro bem alimentício e ter um valor de mercado estabelecido pela lei de oferta e procura (ironicamente no final de 2014 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa proibiu a distribuição e comercialização, em todo o país, de lote da água mineral da marca São Lourenço, produzida pela Nestlé, por estar contaminada por bactéria).

Na visão de Brabek, provavelmente admirador de Adam Smith, a água deve ser entregue à mão invisível do mercado.

Aparentemente foi assim que os gestores públicos paulistas agiram ao abrir o capital da Sabesp. Economizaram em planejamento e investimentos para sobrar mais dinheiro para os acionistas. Então ficaram olhando para o céu esperando que São Pedro mandasse chuvas, o que não aconteceu.

Obviamente estou simplificando o raciocínio. Os gestores públicos são pessoas extremamente inteligentes e sensíveis, porém os de São Paulo provavelmente não acreditaram nos ecochatos quando esses afirmaram que as condições climáticas do planeta estavam mudando para pior.

Aliás, provavelmente consideraram também que o desmatamento da Amazônia nada tem a ver com as chuvas na região Sudeste do país. Como teria a ver, se é tão longe?

Estou sendo obrigado, então, a constatar que parcela importante dos gestores públicos e privados, respaldados pela “grande” mídia, acredita que não é necessário realizar planejamento de longo prazo, pois o mercado tem o poder de se autorregular.

Para mim esse modo de pensar faz faltar água. E outras coisas mais.




* Grandes Eventos sobre Meio Ambiente e Água

Fonte: Internet

Desde 1949 a ONU estava preocupada com a conservação e utilização dos recursos naturais do planeta. Nesse ano, após a devastadora segunda guerra mundial, foi realizada uma conferência a respeito em Lake Sucess, EUA, pois pessoas importantes e bem informadas estavam de olho na degradação dos oceanos, rios e mares, na contaminação industrial e na gestão de dejetos perigosos, bem como nas mudanças climatológicas e no desenvolvimento nuclear.
Naquele momento, essas pessoas e a ONU receberam uma brutal oposição de organizações extrativistas e industriais, que viam nessa movimentação um possível limitador de sua atuação, que de fato muitas vezes era extremamente danosa para a saúde do planeta.
De 1949 para cá ocorreram vários eventos destinados a tratar do estado do meio ambiente planetário.
Dá para destacar o Ano Geofísico Internacional, 1957/1958, que teve como desdobramento o Programa Biológico Internacional, com atividades entre 1964 e 1974.
Em 1970 ocorreu em Tóquio, Japão, o Simpósio das Nações Unidas sobre a Desorganização do Meio Ambiente. Esse evento foi importante, pois nele os representantes latino americanos presentes deixaram muito claro o registro da existência de correlação entre o grau de contaminação do meio ambiente e a natureza sócio econômica em vigor.
Em 1972 ocorreu a Conferência de Estocolmo, Suécia, também convocada pela ONU. Esse evento, intitulado Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, sintetizou os conceitos de política ambiental que passaram a ser adotados, em menor ou maior grau, por todos os países membros.
Em relação à água, o primeiro grande evento mundial convocado para tratar especificamente desse tema foi convocado também pela ONU e aconteceu em março de 1977 em Mar del Plata, Argentina. Esse encontro foi importante, pois as conclusões do mesmo deixaram explícita a situação de que o crescente consumo de água em dimensão planetária e a pressão exercida sobre os recursos hídricos apontavam para o surgimento de crise de escassez em médio prazo.
Essa percepção de Mar del Plata foi corroborada na conferência Eco-92, realizada em 1992 no Rio de Janeiro, e foi formalizada na Agenda 21, documento resultante dos trabalhos desse evento.
A Agenda 21 destaca “a importância de cada país a se comprometer a refletir, global e localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações governamentais e todos os setores da sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais”, destacando o problema de escassez de recursos hídricos.

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