segunda-feira, 22 de abril de 2013
O ASSUNTO É AMERICA LATINA
As mãos dos EUA sobre a região
Mark Weisbrot *
A administração Obama não aceita que a região mudou e objetiva afastar governos de esquerda; também o Brasil precisa se manter vigilante
Acontecimentos recentes indicam que a administração Obama intensificou sua estratégia de "mudança de regime" contra os governos latino-americanos à esquerda do centro, promovendo conflito de maneiras que não eram vistas desde o golpe militar apoiado pelos EUA na Venezuela em 2002.
O exemplo mais destacado é o da própria Venezuela na última semana. No momento em que este artigo está sendo impresso, Washington está mais e mais isolada em seus esforços para desestabilizar o governo recém-eleito de Nicolás Maduro.
Mas a Venezuela não é o único país vitimado pelos esforços de Washington para reverter os resultados eleitorais dos últimos 15 anos na América Latina.
Está claro agora que o afastamento do presidente paraguaio Fernando Lugo, no ano passado, também teve a aprovação e o apoio do governo dos Estados Unidos.
Num trabalho investigativo brilhante para a agência Pública, a jornalista Natalia Viana mostrou que a administração Obama financiou os principais atores do chamado "golpe parlamentar" contra Lugo. Em seguida, Washington ajudou a organizar apoio internacional ao golpe.
O papel exercido pelos EUA no Paraguai é semelhante a seu papel na derrubada militar, em 2009, do presidente democraticamente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, caso no qual Washington dominou a Organização de Estados Americanos e a utilizou para combater os esforços de governos sul-americanos que visavam restaurar a democracia.
Na Venezuela, na semana passada, Washington não pôde dominar a OEA, mas apenas seu secretário-geral, José Miguel Insulza, que reiterou a reivindicação da Casa Branca (e da oposição venezuelana) de uma recontagem de 100% dos votos.
Mas Insulza teve de recuar, como teve de fazer a Espanha, única aliada importante dos EUA nessa empreitada nefanda, por falta de apoio.
A exigência de uma recontagem na Venezuela é absurda, já que foi feita uma recontagem das cédulas de papel de uma amostra aleatória de 54% do sistema eletrônico. O total obtido nas máquinas foi comparado à contagem manual das cédulas de papel na presença de testemunhas de todos os lados. Estatisticamente falando, não existe diferença prática entre essa auditoria enorme já realizada e a recontagem.
Jimmy Carter descreveu o sistema eleitoral da Venezuela como "o melhor do mundo", e não há dúvida quanto à exatidão da contagem.
É bom ver Lula denunciando os EUA por sua ingerência, e Dilma juntando sua voz ao resto da América do Sul para defender o direito da Venezuela a eleições livres.
Mas não apenas a Venezuela e as democracias mais fracas que estão ameaçadas pelos EUA.
Conforme relatado nas páginas deste jornal, em 2005 os EUA financiaram e organizaram esforços para mudar a legislação brasileira com vistas a enfraquecer o PT. Essa informação foi descoberta em documentos do governo americano obtidos graças à lei americana de liberdade de informação. É provável que Washington tenha feito no Brasil muito mais e siga em segredo.
Está claro que os EUA não viram o levemente reformista Fernando Lugo como um elemento ameaçador ou radical. O problema era apenas sua proximidade excessiva com os outros governos de esquerda.
Como a administração Bush, a administração Obama não aceita que a região mudou. Seu objetivo é afastar os governos de esquerda, em parte porque tendem a ser mais independentes de Washington. Também o Brasil precisa se manter vigilante diante dessa ameaça à região.
* MARK WEISBROT, 58, é codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington, e presidente da Just Foreign Policy.
Tradução de CLARA ALLAIN
Fonte AQUI.
domingo, 21 de abril de 2013
A CTNBio é uma comissão TÉCNICA?
Na reunião realizada ontem (18 abril de 2013) em Brasília, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) votou três itens de pauta motivados pela repercussão causada pelo primeiro estudo científico que avaliou no longo prazo o efeito de um milho transgênico sobre a saúde.
No primeiro se submeteu à plenária documento encomendado pelo presidente da CTNBio que refuta os resultados e conclusões a que chegou a equipe liderada pelo francês Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, na França. O documento é assinado por dois membros da comissão e dois pareceristas ad hoc e está disponível na internet em português e inglês. Mesmo com o argumento de que ciência não se faz pelo voto, o resultado foi assim obtido e o parecer, que antes era da presidência, passou a ser a posição da Comissão sobre o estudo. Quatro de seus integrantes votaram contra, registrando que, desde a escolha dos relatores, o documento deixou de contemplar as visões contraditórias existentes no órgão.
Na segunda discussão foi julgado requerimento apresentado pelo Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor, que, baseado nesse estudo que demonstrou forte incidência de tumores causados pelo consumo do milho NK 603, demandou da comissão a reavaliação da decisão que liberou o cultivo comercial dessa variedade no país e também a suspensão do plantio de todas as sementes contendo esse evento de modificação genética.
Também pelos votos de 14 contra 4 a Comissão rejeitou tanto a reavaliação, quanto a suspensão do cultivo comercial dessa variedade. Durante o debate, o presidente do CNPq, que ali representa o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, anunciou que está sendo preparado um edital para financiamento de pesquisas em biossegurança, destacando a importância de se realizar tais estudos, mas ele próprio votou contra o pedido do Fórum que pedia a revisão dos estudos que embasaram a liberação.
O terceiro debate sobre o tema tratou de documento apresentado por 14 integrantes e ex-integrantes da comissão compilando estudos em apoio aos dados dos franceses e contestando as críticas a ele apresentadas. Ali estão também pontuados níveis distintos de exigência que poderiam ser entendidos como um duplo padrão, já que boa parte das críticas apresentadas à pesquisa seriam cabíveis também aos dados apresentados à CTNBio pela Monsanto, empresa que desenvolveu o NK 603. Os pesquisadores que assinam o texto apontam que seria salutar se, aos processos que ali tramitam, fosse aplicado o mesmo rigor que mereceu o estudo que mostrou efeitos negativos de um transgênico à saúde. Também por 14 a 4 esse parecer foi negado.
O argumento da existência de um “histórico de uso seguro”, como sempre, foi evocado no debate como forma de demonstrar a segurança dos transgênicos que há mais de uma década estão no mercado. Mas como bem lembrou um dos integrantes da Comissão, se esse é um experimento, feito no mundo real e tendo a humanidade como cobaia, ele é um experimento sem hipótese, sem teste e sem controle.
A recusa a se repetir um estudo corrigindo suas falhas metodológicas indica a prevalência de um sentimento de crença que suplanta o próprio método científico, bem como um desejo de apoio à tecnologia que acaba por dispensar a oportunidade trazida pelos novos dados para se entender melhor o assunto. Ou, em outras palavras, diante da ignorância que ainda cerca a questão, prevaleceu a certeza.
Fonte da Matéria AQUI.
Fonte da imagem AQUI.
No primeiro se submeteu à plenária documento encomendado pelo presidente da CTNBio que refuta os resultados e conclusões a que chegou a equipe liderada pelo francês Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, na França. O documento é assinado por dois membros da comissão e dois pareceristas ad hoc e está disponível na internet em português e inglês. Mesmo com o argumento de que ciência não se faz pelo voto, o resultado foi assim obtido e o parecer, que antes era da presidência, passou a ser a posição da Comissão sobre o estudo. Quatro de seus integrantes votaram contra, registrando que, desde a escolha dos relatores, o documento deixou de contemplar as visões contraditórias existentes no órgão.
Na segunda discussão foi julgado requerimento apresentado pelo Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor, que, baseado nesse estudo que demonstrou forte incidência de tumores causados pelo consumo do milho NK 603, demandou da comissão a reavaliação da decisão que liberou o cultivo comercial dessa variedade no país e também a suspensão do plantio de todas as sementes contendo esse evento de modificação genética.
Também pelos votos de 14 contra 4 a Comissão rejeitou tanto a reavaliação, quanto a suspensão do cultivo comercial dessa variedade. Durante o debate, o presidente do CNPq, que ali representa o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, anunciou que está sendo preparado um edital para financiamento de pesquisas em biossegurança, destacando a importância de se realizar tais estudos, mas ele próprio votou contra o pedido do Fórum que pedia a revisão dos estudos que embasaram a liberação.
O terceiro debate sobre o tema tratou de documento apresentado por 14 integrantes e ex-integrantes da comissão compilando estudos em apoio aos dados dos franceses e contestando as críticas a ele apresentadas. Ali estão também pontuados níveis distintos de exigência que poderiam ser entendidos como um duplo padrão, já que boa parte das críticas apresentadas à pesquisa seriam cabíveis também aos dados apresentados à CTNBio pela Monsanto, empresa que desenvolveu o NK 603. Os pesquisadores que assinam o texto apontam que seria salutar se, aos processos que ali tramitam, fosse aplicado o mesmo rigor que mereceu o estudo que mostrou efeitos negativos de um transgênico à saúde. Também por 14 a 4 esse parecer foi negado.
O argumento da existência de um “histórico de uso seguro”, como sempre, foi evocado no debate como forma de demonstrar a segurança dos transgênicos que há mais de uma década estão no mercado. Mas como bem lembrou um dos integrantes da Comissão, se esse é um experimento, feito no mundo real e tendo a humanidade como cobaia, ele é um experimento sem hipótese, sem teste e sem controle.
A recusa a se repetir um estudo corrigindo suas falhas metodológicas indica a prevalência de um sentimento de crença que suplanta o próprio método científico, bem como um desejo de apoio à tecnologia que acaba por dispensar a oportunidade trazida pelos novos dados para se entender melhor o assunto. Ou, em outras palavras, diante da ignorância que ainda cerca a questão, prevaleceu a certeza.
Fonte da Matéria AQUI.
Fonte da imagem AQUI.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
AFINAL, O QUE É A "CLASSE MÉDIA"?
¿En general qué es la clase “media”? Se trata de una construcción, inventada en Occidente, con el objetivo de destruir el concepto de clases del marxismo. Desde el punto de vista del marxismo no tiene sentido – es una quimera, que existe gracias a los recursos financieros sobrantes, en la que entran tanto la cúpula de la clase obrera, como la pequeña y mediana burguesía, así como los que sirven a las clases altas. Desde el punto de vista del actual estado burgués con su modelo de capitalismo financiero, la clase “media” es el grupo humano con un comportamiento de consumo tipo, y no únicamente en cuanto a los bienes y servicios, sino también en cuanto a los servicios políticos. Hacia este grupo se orienta todo el sistema de publicidad total y educación, dirigido al máximo aumento del consumo y la prohibición de hecho de los valores más meditados. En consecuencia, precisamente este grupo proporciona la base para la estabilidad político-social del actual estado occidental. Señalemos también que su creación también fue posible en parte, gracias al desplazamiento de la industria masiva y “burda” a los países del “tercer mundo”, y la posterior redistribución de los beneficios a favor de los países desarrollados.
Al mismo tiempo hoy ha surgido un serio problema con esta misma clase “media”. Está relacionado con que la principal fuente de su subsistencia tiene poca relación con los ingresos reales percibidos por este grupo de población. Más exactamente, cuando apareció el concepto de la clase “media” durante el período del máximo esplendor de la URSS en los años 60-70, las fuentes para su formación eran la redistribución de los beneficios en el interior de toda la sociedad occidental (en los años 60 en los EE.UU. la tasa superior del impuesto sobre la renta superaba el 90%) y el saqueo de las colonias y de los países del “tercer mundo”. Pero tras la crisis de los años 70 comenzaron los problemas – estos recursos ya no eran suficientes. A principios de los años 70 en Occidente incluso hubo una seria sensación de que la URSS estaba ganando la competición entre los dos sistemas. Entonces aparece la comprensión de que, en primer lugar, había que aumentar considerablemente el volumen de la clase “media” y, en segundo lugar, que la única manera de hacerlo consistía en proporcionar el crédito a los consumidores.
Esta segunda comprensión tenía que ver con el hecho de que en los años 70 los ingresos reales de los hogares habían bajado considerablemente. De hecho, si tenemos en cuenta la inflación real y no la oficial (que la estadística estatal siempre rebaja), veremos que estos por su capacidad adquisitiva no crecen desde los principios de los 80 y se corresponden aproximadamente a los ingresos de 1962-63. Está claro que, teniendo en cuenta el serio aumento de todo tipo de pagos obligatorios, como por ejemplo los seguros, semejantes ingresos no pueden asegurar de ninguna manera una vida confortable en las condiciones actuales. Y todavía menos, aumentar considerablemente el número de personas que viven esta vida confortable.
Como resultado, a principios de los años 80 comenzó a realizarse el programa de “reaganomía”, cuyo principal significado no estaba tanto en la liberalización de la economía, como en la estimulación del consumo privado a costa del crédito. Este programa, como es natural, tenía sus contras, la principal consistía en que los créditos había que devolverlos. Hasta el principio de los años 80 era prácticamente imposible obtener un nuevo crédito si antes no se devolvía el anterior (salvo la excepción de los créditos hipotecarios, pero estos también se tenían en cuenta a la hora de valorar la solvencia del solicitante). Pero en semejantes condiciones era imposible estimular la demanda durante un tiempo prolongado: cuando la persona recibe el crédito a corto plazo, la demanda no crece, sino que cae, dado que además del “cuerpo” del crédito hay que devolver los intereses.
Como resultado, hubo que cambiar todo el sistema de crédito para los particulares, permitiéndose de manera encubierta su refinanciación, cuando el resto del crédito anterior se devolvía a costa del nuevo crédito y como garantía de pago servían diferentes avales, en primer lugar, los bienes inmuebles. Pero, para que dentro del marco de semejante esquema la deuda no se acumulara con excesiva rapidez, había que rebajar continuamente el precio del crédito. Lo que efectivamente ocurría en la práctica: la tasa de descuento del Sistema de la Reserva Federal, el acreedor en última instancia en los EE.UU. y en el mundo, que en 1980 era del 19%, a finales de 2008 había bajado prácticamente hasta cero.
Después de que la tasa fue rebajada hasta el cero, la deuda acumulada (para el otoño de 2008 en los Estados Unidos para el hogar medio ya suponía el 130%, cuando antes del comienzo de la “reaganomía” no superaba el 65%), se había convertido en un serio problema, del que nos informan los periódicos prácticamente a diario. Pero lo importante no es eso. Si ya no se puede conceder más créditos, si ahora hay que devolver las deudas ¿qué pasará con la clase “media”?
Recordemos que los ingresos reales de los hogares hoy corresponden a los comienzos de los años 60 (sin contar el peso de la deuda crecido considerablemente). Si los representantes de la clase “media” comienzan a rebajar su consumo, lo cual es prácticamente inevitable, sus ingresos ya de por sí bajos, también descenderán – porque bajarán los salarios y se cerrarán las empresas. Lo que, teóricamente, significa que la estructura de los ingresos tendrá que volver como mínimo a los años 50, pero por entonces no existía ni de lejos ninguna clase “media”. Y lo más importante – la gente estaba acostumbrada a vivir pobremente, aún era desconocida la propaganda del “consumismo”.
Y no se trata de centenares de miles y ni siquiera de millones, sino de decenas o incluso de centenares de millones de personas. Volver a traer la industria llevada al sudeste de Asia no podrá salvar a nadie (en referencia a las promesas de Obama – N. del T.) – podría crear algunos puestos de trabajo, pero no podrá aumentar los salarios – en el caso contrario tal cosa no sería rentable. Es decir, que esencialmente no cambiaría nada.
Así que no se puede hablar de conservar la clase “media” – para ello simplemente no hay recursos. Señalemos que en la Unión Europea la situación es aún peor, porque en general la población es más pobre. La cuestión de cómo los estados burgueses actuales piensan salir de la situación en la que se destruye su principal pilar social no es solamente seria, sino que además es extremadamente actual. Creo que esta cuestión ya se está discutiendo, aunque evidentemente, no en público y, a juzgar por las filtraciones, la solución se reduce al fortalecimiento del control estatal sobre el pueblo (“la plebe” por usar el lenguaje al uso de las clases dominantes). Lo malo es que tal fortalecimiento del control en absoluto puede cambiar el modelo económico – lo que significa que también hacen falta acciones constructivas. Y en esta dirección por el momento nadie hace nada, en primer lugar, debido a que los economicsistas (así llama Khazin a los economistas liberales, de economics, con la que sustituyeron a la economía política – N. del T.) mantienen el monopolio sobre la ciencia económica.
por Mikhail Khazin
Worldcrisis.ru, 14/01/2013
(Traducción de Arturo Marián Llanos)
Fonte da Ilustração: AQUI.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Brasil y su mapa de la violencia
Eric Nepomuceno
Entre 2004 y 2007, el conflicto armado de Irak resultó en 76 mil 266 muertes. En Sudán, otro país convulsionado, los muertos fueron 12 mil 719, poco más que los 12 mil 417 registrados en Afganistán. En el mismo periodo, los muertos de Colombia han sido 11 mil 833.
Pues en Brasil, entre 2004 y 2007, ocurrieron 147 mil 343 muertes por armas de fuego. Ese número se hace aún más impactante cuando es comparado con el total de víctimas fatales registradas en 12 países que vivieron conflictos armados, de la República del Congo a Pakistán, pasando por Somalia y los territorios palestinos e Israel: 169 mil 574.
Esos son los datos compilados por el Centro Brasileño de Estudios Latinoamericanos, y que acaban de ser divulgados en Brasilia. Solamente en 2010 han sido asesinadas 36 mil 792 personas en Brasil, una media de 100 al día, o cuatro por hora. Una cada 15 minutos.
Hay otros aspectos del mapa de la violencia en Brasil que llaman la atención. Si antes las muertes violentas estaban concentradas en los dos mayores centros urbanos, Sao Paulo y Río de Janeiro, ahora el fenómeno se nacionalizó. Con eso, Brasil sigue ocupando un lugar destacado entre los países más violentos del mundo, tomándose como base la proporción de asesinatos por cada 100 mil habitantes: 20.4 personas.
Ese número sitúa a Brasil en el octavo puesto entre las 100 naciones con estadísticas consideradas relativamente confiables, según la institución.
La media de asesinatos es el doble de lo que la ONU considera tolerable (10 por cada 100 mil habitantes). Julio Jacobo Waiselfisz, coordinador de la investigación, destaca que la violencia se expandió por todo el país, aunque se haya concentrado en el nordeste y en el norte.
En Alagoas, por ejemplo, se registró en 2010 la tasa de 55.3 homicidios por cada 100 mil habitantes. Es el estado donde más se mata a negros y mujeres. En Maceió, famosa por sus playas y polo de atracción turística, esa media es de 94.5. No sólo es la capital más violenta de Brasil, sino una de las más violentas del mundo.
El problema es que otras capitales muy turísticas, como Salvador de Bahía, también aparecen con índices elevadísimos (59.6 asesinatos por cada 100 mil habitantes). Río de Janeiro, octavo estado con mayor proporción de muertos por arma de fuego (26.4 por cada 100 mil habitantes), tiene una capital relativamente segura, comparada con las demás: 23.54. Más del doble del tope determinado por la ONU.
Sao Paulo, el más rico y poblado del país, es uno de los cuatro, entre los 27 estados brasileños, que se queda por debajo de lo que la ONU dice que es tolerable: 9.3 asesinatos por cada 100 mil habitantes. Ha sido el estado con la disminución más significativa de esa proporción, en el periodo entre 2000 y 2010: 67.5% menos asesinatos. En Río de Janeiro, la caída ha sido de 43%.
Ya en Pará, entre 2000 y 2010 el número de asesinatos creció absurdos 307%. En el vecino Maranhão, también en el norte miserable, 282.2%. En Bahía, 195%.
El estudio abarca un periodo que va de los dos últimos años de la segunda presidencia de Fernando Henrique Cardoso al final de los dos gobiernos de Lula da Silva. El resultado demuestra que pese a haber sido declarado reiteradamente por los gobiernos estatuales, a lo largo de todos esos años, que la seguridad pública era tema prioritario (también el gobierno nacional dio en la misma tecla), los resultados son elocuentes, y preocupantes. Son políticas ineficaces o, en el mejor de los casos, insuficientes.
Hay muchas explicaciones para el fenómeno de la violencia: el narcotráfico, la gran cantidad de armas (legales y principalmente ilegales) en circulación, y la misma cultura de la violencia como vía de solución para conflictos personales.
A eso hay que sumar la corrupción policial, la incompetencia olímpica de la policía a la hora de investigar crímenes, la absurda morosidad y la corrupción de la justicia, el estado degradante y degradado del sistema carcelario.
Con relación a la manera como las muertes por arma de fuego se extendieron rápidamente por todo el país, dejando de concentrarse en los dos o tres mayores centros urbanos de Brasil, la explicación resulta sorprendente: acorde a la investigación llevada a cabo por el Centro Brasileño de Estudios Latinoamericanos, el fenómeno se debe a la desconcentración industrial y a la migración interna provocada por la expansión geográfica de actividades económicas. O sea, cuanto más se desconcentran la industria y la economía, más se desconcentra la violencia.
La responsabilidad directa de la seguridad pública es de los estados, aunque el gobierno nacional igualmente tenga su propia política sobre el tema. De todas formas, los resultados observados deben ser imputados principalmente en los gobiernos estaduales, que se muestran, en la inmensa mayoría, incapaces de frenar la violencia que crece y afecta la oferta de trabajo.
Todo eso hace recordar un viejo dicho brasileño: Si corres, el bicho te atrapa; si te quedas, el bicho te come. Así las cosas. El país diversifica su economía, por todas partes crecen las posibilidades de trabajo, empleo y renta, y crece también la posibilidad de que, frente a una política ineficaz de seguridad pública, te peguen un tiro.
Fonte: La Jornada
Imagem: AQUI.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Un lugar peligroso para las mujeres
Laura Carlsen *
CIP Programa de las Américas
http://www.cipamericas.org/
La mayoría de nosotros ya escuchó sobre los asesinatos de jóvenes mujeres en
Ciudad Juárez o sobre las violaciones genocidas de Congo. En estos casos,
dignos de nota, la situación de las víctimas es al menos reconocida - aunque
muchas veces perdemos la esperanza ante la falta de un cambio verdadero tras
años de noticias y programas de los gobiernos y ONGs. Foros públicos y
oficiales hacen notar que son serios estos crímenes, y se hacen intentos de
remediarlos.
Quizás si el mundo se hubiera puesto en marcha antes para confrontar estos crímenes, menos mujeres hubieran sido asesinadas. Frecuentemente nosotros, como sociedad, fallamos en responder a los alertas de la creciente violencia contra las mujeres hasta que los desgarradores testimonios de aquellas que la sufrieron, en parte por cuenta de nuestra falta de atención, nos mueven a la acción. Las crisis silenciosas quitan a las mujeres, víctimas y potenciales víctimas, la voz para reclamar sus derechos.
Actualmente las organizaciones de mujeres alzan una bandera roja en Nicaragua. En una audiencia el 12 de marzo, la comisionada de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos en Nicaragua, Rose-Marie Antoine, concluyó que el país centroamericano tiene "una tasa inaceptablemente elevada de violencia sexual". Y resaltó que "hay seguramente la necesidad de medidas más proactivas por parte del Estado".
La falta de esas medidas y la complicidad del gobierno con algunos de los casos de violencia es precisamente lo que representantes de organizaciones de mujeres de Nicaragua reportaron a la sesión sobre violencia contra niñas y mujeres. Azahalea Solís, abogada y representante del Movimiento Autónomo de Mujeres de Nicaragua (MAM), declaró que hay un "clima de protección" general a los perpetradores de violencia contra las mujeres en su país, y afirmó que de 85 feminicidios ocurridos durante 2012, únicamente 27 resultaron en detenciones y cuatro en una sentencia de prisión. Trece de esas mujeres ya habían puesto demandas en las oficinas del gobierno y no les fueron garantizadas medidas de protección que pudieran haber salvado sus vidas.
Solís demostró dos tendencias alarmantes: el aumento de la incidencia de violencia en contra de mujeres, y las elevadas estadísticas de violencia cometida contra niñas. Ella dijo que el 84 por ciento de los crímenes de violencia sexual registrados fueron cometidos contra niñas y jóvenes con menos de 17 años de edad.
"En los últimos cinco años, la situación no quedó igual; empeoró continuamente sin una respuesta firme por parte del gobierno de Nicaragua", dijo Solís, y señaló que, a pesar de los avances existentes en el panorama legal, especialmente con la nueva Ley Integral sobre Violencia contra las Mujeres, "el impacto que las mejorías en la ley pudieran tener para estimular las demandas y la reducción de la impunidad, se anuló por el comportamiento de la policía y por las sentencias que vienen del sistema judiciario". Ella describió la "re-victimización" de las mujeres por la policía cuando van a demandar un crimen y que son acosadas o disminuidas por las autoridades.
Es un fenómeno especialmente amenazador, de acuerdo con Solís, la manera como la violencia sexual se mezcla a la violencia política. Citó un caso de noviembre de 2012 en lo cual un grupo de jóvenes mujeres que protestaban contra el partido del gobierno por fraude en las elecciones locales fueron arrestadas, torturadas y amenazadas con violación - sin que haya sido hecho ninguna investigación sobre el caso hasta la fecha; además de otros casos de policías que abusan de su autoridad y protegen criminales. "Somos acusadas de politizar el problema, pero la verdad es que la falta de justicia incrementa la violencia y hay un problema serio de corrupción y de impunidad en el país", dijo.
Martha María Blandon contó a los comisionados que una vez que el gobierno prohibió cualquier forma de aborto terapéutico, niñas que fueron víctimas de violación han sido forzadas a llevar adelante embarazos de alto riesgo. Aunque el código penal considera que el sexo con niñas de menos de 14 años no es consensual, ninguno de los mil 453 nacimientos de madres de entre los 10 y 14 años de edad fue investigado o denunciado para el conocimiento de los defensores de los derechos humanos.
Violet Delgado, experta en derechos de las mujeres y miembro del MAM, identificó un gran abismo entre los alcances de las instituciones y comisiones gubernamentales para lidiar con el tráfico sexual y la falta de demandas, investigaciones y sentencias. "Hay poco acceso a la información, y el abuso y la parcialidad en los casos son más la regla que la excepción", dijo a la audición.
Delgado señaló que hay muchos reportes y artículos de los medios sobre el tráfico en el país. La mayoría de las mujeres están siendo traficadas para la prostitución y otras son forzadas a transportar drogas. Para la trata de personas, la corrupción en el gobierno facilita la actividad criminal.
Ante la falta de acciones efectivas por parte del gobierno, fueron las organizaciones de mujeres quienes construyeron servicios para las víctimas de la violencia. Delgado afirma que "organizaciones de la sociedad civil son las únicas que proveen atención y encuentran los recursos para crear servicios, recursos humanos como psicólogos y abogados para acompañar a las mujeres en su lucha por acceder a justicia, para que las escuchen". Ella resaltó que hay más de 50 organizaciones que proveen apoyo y que de los 11 albergues de mujeres, sólo uno es del gobierno.
Las mujeres en la audiencia de IACHR pidieron una visita de los comisionados de Mujeres, Niños y de Nicaragua. Solís dijo que la contribución más importante de la comunidad internacional y de mujeres de otros países hoy es traer el problema a la luz. "El comportamiento del gobierno de Nicaragua debe ser un punto en la agenda [de las organizaciones de derechos humanos], para evaluar el papel del gobierno en violaciones de derechos humanos y crímenes contra la mujer".
* Laura Carlsen es escritora y directora del CIP Programa de las Américas www.cipamericas.org, basado en la Ciudad de México, donde se publicó originalmente este texto en inglés. Es también integrante del Consejo Editorial de Desinformémonos.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Caso Feliciano expõe poder da religião na política nacional
Bancada religiosa representa um quinto do Congresso e se une para conter o avanço de pautas como aborto, drogas, direitos das mulheres e de homossexuais. Postura leva a questionamentos sobre real laicidade do Estado.
A controversa escolha do deputado federal Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara não é um fato isolado. Ela expõe, segundo especialistas, a consolidação do poder político das religiões no Brasil, sobretudo da evangélica, que cada vez mais direciona forças para impor sua agenda.
Os parlamentares ligados a instituições religiosas já representam um quinto do Congresso. Em 20 anos, o número de deputados federais e senadores evangélicos mais que triplicou – saltou de 23 em 1990 para 73 em 2010, perdendo hoje só para a bancada ruralista. E, com isso, os embates com grupos de direitos civis, pró-liberalização do aborto e das drogas, de direitos humanos e de defesa da laicização do Estado se intensificaram.
"Os católicos sempre foram hegemônicos no Brasil, você não precisava nem dizer que pertencia a essa religião. Mas, com o crescimento dos evangélicos, há um desequilíbrio nessa equação. A disputa foi para além dos limites do campo religioso, porque estar na política é garantir espaços privilegiados", destaca Christina Vital, professora de ciências sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Sob o pretexto de "proteger a família e a vida", os parlamentares das bancadas católica (22 congressistas) e evangélica deixam as diferenças de lado e chegam a trabalhar juntos para tentar conter o avanço de pautas como aborto, casamento homossexual e liberalização das drogas.
Mas os atuais esforços de hoje diferem da atuação após a redemocratização, quando parte do segmento católico e evangélico foi importante para o avanço dos direitos humanos e pautas da minoria, como temas ligados à terra, melhoria das condições de trabalho e dos direitos cidadãos. Os assuntos, no entanto, não afetavam a reprodução e a sexualidade.
E as alianças formadas pelas bancadas religiosas têm grande poder de ramificação. Como exemplo, a Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Preservação da Família, que une católicos, evangélicos e outros políticos de alguma forma ligados a esses preceitos, conta com 192 parlamentares (40% do Congresso).
"Não são somente eles que são conservadores. Eles vocalizam boa parte do que a população brasileira pensa sobre aborto, direitos das mulheres e de homossexuais", diz Vital.
Frank Usarski, professor de ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), diz que, em comparação com a Alemanha, por exemplo, o pluralismo das forças religiosas é menor no Brasil, porém a influência da religião é maior. "O enraizamento das igrejas na consciência e na realidade social dos brasileiros é maior", afirma o especialista alemão.
Estado laico
E, dessa forma, as religiões ameaçam o Estado laico brasileiro, como alerta o livro Religião e política: uma análise da atuação de parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e de LGBTs no Brasil. O estudo, de autoria dos pesquisadores Christina Vital e Paulo Victor Leite Lopes, é fruto da parceria entre a Fundação Heinrich Böll no Brasil e o Instituto de Estudos da Religião (Iser).
Nele, os autores descrevem o avanço dos evangélicos na política na década de 1980 e dizem que essa movimentação no campo político-religioso pelos evangélicos "introduziu um empowerment de diferentes tradições religiosas". Dessa forma, diz o texto, as igrejas passaram a reivindicar um lugar para si a fim de ampliarem a influência de suas denominações, tradições e valores.
Cerca de metade dos deputados pentecostais é composta por pastores, cantores gospel e parentes de líderes de igrejas, tele-evangelistas e donos de emissoras de rádio e TV. E, para serem eleitos, eles dependem do apoio eleitoral de pastores e líderes das igrejas.
"Essa dependência reforça o caráter corporativista e moralista de seus mandatos e seu compromisso de atuarem como despachantes de igreja", opina Ricardo Mariano, professor de sociologia da PUC do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em artigo recentemente publicado pela Revista de História.
Mas um equilibro das forças, mesmo que religiosas, é bem visto no palco político nacional. "É bom que diminua o poder dos católicos, mas que não se substitua um equívoco por outro – que seria a luta de algumas religiões evangélicas contra a predominância católica", destaca Ubirajara Calmon, professor aposentado de ética e teologia da Universidade de Brasília (UnB).
Luta pelo poder
Mas os evangélicos não são os primeiros a inaugurar a relação entre Estado e religião. O Brasil se tornou formalmente laico a partir da primeira Constituição Republicana, em 1891, "mas a igreja Católica sempre fez esforço ao longo desse período para garantir presença no Estado público", destaca Vital.
Como exemplo, está a introdução na Constituição de 1934 da obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas brasileiras e o acordo Brasil-Santa Sé aprovado em 2009 – que dá mais direitos à Igreja Católica em território nacional e recebeu na época críticas de organizações não governamentais e até mesmo do Ministério da Educação.
Para Vital, a questão da laicidade do Brasil é embaralhada, até mesmo pela abrangência do termo. Ela cita, por exemplo, o fato de não existir contribuição direta do imposto de renda para instituições religiosas, como acontece em alguns países da Europa.
"Por esse lado, o Estado é laico. Mas, por outro, se laicidade não é a presença da religião ou não ter a interlocução da religião com o segmento político, aí o Brasil não é laico. No Brasil, há uma enorme presença do elemento religioso no espaço público", concluiu.
A controversa escolha do deputado federal Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara não é um fato isolado. Ela expõe, segundo especialistas, a consolidação do poder político das religiões no Brasil, sobretudo da evangélica, que cada vez mais direciona forças para impor sua agenda.
Os parlamentares ligados a instituições religiosas já representam um quinto do Congresso. Em 20 anos, o número de deputados federais e senadores evangélicos mais que triplicou – saltou de 23 em 1990 para 73 em 2010, perdendo hoje só para a bancada ruralista. E, com isso, os embates com grupos de direitos civis, pró-liberalização do aborto e das drogas, de direitos humanos e de defesa da laicização do Estado se intensificaram.
"Os católicos sempre foram hegemônicos no Brasil, você não precisava nem dizer que pertencia a essa religião. Mas, com o crescimento dos evangélicos, há um desequilíbrio nessa equação. A disputa foi para além dos limites do campo religioso, porque estar na política é garantir espaços privilegiados", destaca Christina Vital, professora de ciências sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Sob o pretexto de "proteger a família e a vida", os parlamentares das bancadas católica (22 congressistas) e evangélica deixam as diferenças de lado e chegam a trabalhar juntos para tentar conter o avanço de pautas como aborto, casamento homossexual e liberalização das drogas.
Mas os atuais esforços de hoje diferem da atuação após a redemocratização, quando parte do segmento católico e evangélico foi importante para o avanço dos direitos humanos e pautas da minoria, como temas ligados à terra, melhoria das condições de trabalho e dos direitos cidadãos. Os assuntos, no entanto, não afetavam a reprodução e a sexualidade.
E as alianças formadas pelas bancadas religiosas têm grande poder de ramificação. Como exemplo, a Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Preservação da Família, que une católicos, evangélicos e outros políticos de alguma forma ligados a esses preceitos, conta com 192 parlamentares (40% do Congresso).
"Não são somente eles que são conservadores. Eles vocalizam boa parte do que a população brasileira pensa sobre aborto, direitos das mulheres e de homossexuais", diz Vital.
Frank Usarski, professor de ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), diz que, em comparação com a Alemanha, por exemplo, o pluralismo das forças religiosas é menor no Brasil, porém a influência da religião é maior. "O enraizamento das igrejas na consciência e na realidade social dos brasileiros é maior", afirma o especialista alemão.
Estado laico
E, dessa forma, as religiões ameaçam o Estado laico brasileiro, como alerta o livro Religião e política: uma análise da atuação de parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e de LGBTs no Brasil. O estudo, de autoria dos pesquisadores Christina Vital e Paulo Victor Leite Lopes, é fruto da parceria entre a Fundação Heinrich Böll no Brasil e o Instituto de Estudos da Religião (Iser).
Nele, os autores descrevem o avanço dos evangélicos na política na década de 1980 e dizem que essa movimentação no campo político-religioso pelos evangélicos "introduziu um empowerment de diferentes tradições religiosas". Dessa forma, diz o texto, as igrejas passaram a reivindicar um lugar para si a fim de ampliarem a influência de suas denominações, tradições e valores.
Cerca de metade dos deputados pentecostais é composta por pastores, cantores gospel e parentes de líderes de igrejas, tele-evangelistas e donos de emissoras de rádio e TV. E, para serem eleitos, eles dependem do apoio eleitoral de pastores e líderes das igrejas.
"Essa dependência reforça o caráter corporativista e moralista de seus mandatos e seu compromisso de atuarem como despachantes de igreja", opina Ricardo Mariano, professor de sociologia da PUC do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em artigo recentemente publicado pela Revista de História.
Mas um equilibro das forças, mesmo que religiosas, é bem visto no palco político nacional. "É bom que diminua o poder dos católicos, mas que não se substitua um equívoco por outro – que seria a luta de algumas religiões evangélicas contra a predominância católica", destaca Ubirajara Calmon, professor aposentado de ética e teologia da Universidade de Brasília (UnB).
Luta pelo poder
Mas os evangélicos não são os primeiros a inaugurar a relação entre Estado e religião. O Brasil se tornou formalmente laico a partir da primeira Constituição Republicana, em 1891, "mas a igreja Católica sempre fez esforço ao longo desse período para garantir presença no Estado público", destaca Vital.
Como exemplo, está a introdução na Constituição de 1934 da obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas brasileiras e o acordo Brasil-Santa Sé aprovado em 2009 – que dá mais direitos à Igreja Católica em território nacional e recebeu na época críticas de organizações não governamentais e até mesmo do Ministério da Educação.
Para Vital, a questão da laicidade do Brasil é embaralhada, até mesmo pela abrangência do termo. Ela cita, por exemplo, o fato de não existir contribuição direta do imposto de renda para instituições religiosas, como acontece em alguns países da Europa.
"Por esse lado, o Estado é laico. Mas, por outro, se laicidade não é a presença da religião ou não ter a interlocução da religião com o segmento político, aí o Brasil não é laico. No Brasil, há uma enorme presença do elemento religioso no espaço público", concluiu.
DW.DE
Fonte da imagem AQUI.
segunda-feira, 25 de março de 2013
¿Cómo es Irak hoy 10 años después de la invasión?
![]() |
| Fonte da imagem AQUI. |
Diez cifras que ayudan a entender la realidad política y economica de Irak
eldiario.es
9º Estado fracasado
Irak es el noveno país en el ranking de estados fracasados o fallidos que elabora la revista Foreign Policy. La lista la encabezan Somalia, Congo, Sudán, Chad y Zimbabue. Los peores datos de Irak se refieren a las categorías relacionadas con la militarización del país (por la abundancia de fuerzas de seguridad y militares), conflictos internos (entre grupos políticos, étnicos o religiosos) y élites sectarias (dirigentes que sólo responden ante el grupo al que representan y con un bajo sentimiento de representar a todos los ciudadanos).
En 2007, Irak llegó a ser el segundo peor Estado del mundo en ese ranking.
Irak es el noveno país en el ranking de estados fracasados o fallidos que elabora la revista Foreign Policy. La lista la encabezan Somalia, Congo, Sudán, Chad y Zimbabue. Los peores datos de Irak se refieren a las categorías relacionadas con la militarización del país (por la abundancia de fuerzas de seguridad y militares), conflictos internos (entre grupos políticos, étnicos o religiosos) y élites sectarias (dirigentes que sólo responden ante el grupo al que representan y con un bajo sentimiento de representar a todos los ciudadanos).
En 2007, Irak llegó a ser el segundo peor Estado del mundo en ese ranking.
56 muertos
La última ronda de atentados de la insurgencia suní en la mañana del martes acabó con 56 muertos y más de 200 heridos. La mayoría fueron explosiones de coches bomba dirigidos contra la población civil de confesión chií. El mayor número de muertos se produjo frente al Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales.
Obviamente, la violencia en Irak es muy inferior a los peores años de la guerra civil entre suníes y chiíes de 2006 y 2007. Sin embargo, el país se ha rendido a un estado de violencia permanente en el que las cifras varían mucho en función de la zona. La provincia de Bagdad continúa siendo una de las más violentas. Cuando el número de víctimas se reduce durante varios meses, en seguida se produce un aumento repentino. Entre marzo y mayo de 2012, el número de muertos en Bagdad cayó a 44, 54 y 49 muertos, unos números bajos para lo habitual en Irak. En junio saltó a 147.
El Gobierno se ve incapaz de acabar con Al Qaeda en Irak y otros grupos insurgentes, pero esos no pueden sostener sus ofensivas durante muchos meses seguidos. En términos relativos, la ciudad de Mosul es aún más violenta que la capital, aunque allí los atentados con bomba son menos habituales y más frecuentes los tiroteos.
La última ronda de atentados de la insurgencia suní en la mañana del martes acabó con 56 muertos y más de 200 heridos. La mayoría fueron explosiones de coches bomba dirigidos contra la población civil de confesión chií. El mayor número de muertos se produjo frente al Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales.
Obviamente, la violencia en Irak es muy inferior a los peores años de la guerra civil entre suníes y chiíes de 2006 y 2007. Sin embargo, el país se ha rendido a un estado de violencia permanente en el que las cifras varían mucho en función de la zona. La provincia de Bagdad continúa siendo una de las más violentas. Cuando el número de víctimas se reduce durante varios meses, en seguida se produce un aumento repentino. Entre marzo y mayo de 2012, el número de muertos en Bagdad cayó a 44, 54 y 49 muertos, unos números bajos para lo habitual en Irak. En junio saltó a 147.
El Gobierno se ve incapaz de acabar con Al Qaeda en Irak y otros grupos insurgentes, pero esos no pueden sostener sus ofensivas durante muchos meses seguidos. En términos relativos, la ciudad de Mosul es aún más violenta que la capital, aunque allí los atentados con bomba son menos habituales y más frecuentes los tiroteos.
24,2% de los votos
Nouri Al-Maliki domina la vida política de Irak a pesar de que la coalición que dirige sólo obtuvo el 24,2% de los votos en 2010. Maliki ha confirmado el adagio que decía que Irak sólo podía ser gobernado por una mano dura. Y la suya es especialmente cruel, favorecida por la continuación de la violencia. El primer ministro se ve favorecido por un sistema de política sectaria en la que chiíes, suníes y kurdos votan a sus partidos sin cuestionarse otras opciones.
El reparto del poder entre chiíes y kurdos, que deja fuera a los suníes, ha sido una constante desde las primeras elecciones. Básicamente, los chiíes controlan el Gobierno central desde Bagdad, mientras que los kurdos gozan de la mayor autonomía que hayan tenido nunca en el norte. Al ser el principal dirigente chií, Maliki tiene asegurado el poder, en especial por su control de las fuerzas de seguridad y del Ejército.
La legislación antiterrorista es una palanca decisiva con la que el Gobierno mantiene controlados a sus enemigos, en especial entre los suníes. Los tribunales aplican, de forma indiscriminada para los suníes, el artículo 4 de esa ley. Cualquier persona que participe en actos terroristas o los promueva o financie es condenada a la pena de muerte. Cualquier persona que encubra esos delitos es condenado a cadena perpetua.
La ley antiterrorista ha servido para eliminar a rivales políticos, como fue el caso del vicepresidente (suní) Al-Hashemi, refugiado en Turquía para escapar de una detención provocada por una denuncia de credibilidad dudosa. Otros enemigos de Maliki han sido amenazados con sufrir el mismo destino. Las denuncias por torturas en las comisarías son numerosas. A la policía no le resulta difícil arrancar confesiones por la fuerza.
El Gobierno no tiene la menor intención de anular el artículo 4, a pesar de las protestas de la comunidad suní. En eso, tiene el apoyo de los partidos kurdos.
En 2005, la pena de muerte fue reinstaurada en Irak. La cifra de ejecutados desde 2005 llega a 447. Sólo en 2012 fueron ahorcados 129 presos. Centenares de personas están ahora en el corredor de la muerte.
El reparto del poder entre chiíes y kurdos, que deja fuera a los suníes, ha sido una constante desde las primeras elecciones. Básicamente, los chiíes controlan el Gobierno central desde Bagdad, mientras que los kurdos gozan de la mayor autonomía que hayan tenido nunca en el norte. Al ser el principal dirigente chií, Maliki tiene asegurado el poder, en especial por su control de las fuerzas de seguridad y del Ejército.
La legislación antiterrorista es una palanca decisiva con la que el Gobierno mantiene controlados a sus enemigos, en especial entre los suníes. Los tribunales aplican, de forma indiscriminada para los suníes, el artículo 4 de esa ley. Cualquier persona que participe en actos terroristas o los promueva o financie es condenada a la pena de muerte. Cualquier persona que encubra esos delitos es condenado a cadena perpetua.
La ley antiterrorista ha servido para eliminar a rivales políticos, como fue el caso del vicepresidente (suní) Al-Hashemi, refugiado en Turquía para escapar de una detención provocada por una denuncia de credibilidad dudosa. Otros enemigos de Maliki han sido amenazados con sufrir el mismo destino. Las denuncias por torturas en las comisarías son numerosas. A la policía no le resulta difícil arrancar confesiones por la fuerza.
El Gobierno no tiene la menor intención de anular el artículo 4, a pesar de las protestas de la comunidad suní. En eso, tiene el apoyo de los partidos kurdos.
En 2005, la pena de muerte fue reinstaurada en Irak. La cifra de ejecutados desde 2005 llega a 447. Sólo en 2012 fueron ahorcados 129 presos. Centenares de personas están ahora en el corredor de la muerte.
600.000 peregrinos
Cada año se celebran peregrinaciones multitudinarias a los lugares santos del Islam chií en Nayaf y Kerbala. La cita más importante se produce cuando se conmemora la muerte de Hussein en la batalla de Kerbala donde los califas omeyas derrotaron en el año 680 a los que podríamos llamar los padres fundadores del chiísmo. Los peregrinos se cuentan por millones, y entre ellos puede haber unos 600.000 extranjeros, muchos de ellos procedentes de Irán.
La conexión religiosa entre Irán e Irak (un Irak gobernado por chiíes) es indestructible y se basa en siglos de persecuciones. La idea del mártir está firmemente sellada en las dos culturas. Los neoconservadores norteamericanos pensaban que un Irak sin Sadam Hussein y dominado por los chiíes sería un aliado natural de EEUU en Oriente Medio frente al resto de gobiernos árabes suníes. En el colmo de la ignorancia, políticos como Wolfowitz pensaban que el nuevo Irak podría en el futuro reconocer al Estado de Israel.
La realidad fue muy diferente. Los nuevos dirigentes iraquíes habían gozado del apoyo de Irán durante la dictadura de Sadam. Ya en el poder, su relación siempre ha sido muy buena con Teherán. Por eso, se dijo que Irán había sido el gran vencedor político de la guerra de Irak. Otros países les libraron del odiado Sadam, que había iniciado la guerra con Irán en 1980, y permitieron que la mayoría demográfica chií se hiciera con el poder en Bagdad.
Desde la retirada de las tropas norteamericanas, la influencia de Washington se ha reducido. Ni siquiera ha conseguido que Irak colabore en el aislamiento de Irán en la campaña de sanciones por su programa nuclear.
Seis meses
El Gobierno presentó su proyecto de presupuestos para este año en octubre de 2012. No se aprobó hasta el 7 de marzo. La razón principal del retraso fue la discusión entre el Gobierno central y el Gobierno kurdo sobre la compensación que debería recibir el Kurdistán por las compañías petrolíferas que operan en el norte del país. Los kurdos pedían 3.500 millones de dólares. Bagdad sólo ofrecía 650 millones.
La capital no era entonces demasiado generosa, pero hay que tener en cuenta que llevan años acusando a los kurdos de firmar acuerdos unilaterales con empresas extranjeras o sencillamente vendiendo por su cuenta parte de la producción de crudo.
Lo mejor que se puede decir de las relaciones entre árabes y kurdos es que no ha desembocado en una guerra civil por la ciudad de Kirkuk. En realidad, este conflicto no tiene solución porque ninguno de los dos grupos renunciará nunca a su control, pero al menos hasta ahora esa paz fría se ha mantenido.
95%
El 95% de los ingresos del Estado iraquí procede del petróleo. La dependencia es absoluta. Los datos del último presupuesto parten de un objetivo de producción de 2,9 millones de barriles a un precio medio de 90 dólares el barril. En numerosas ocasiones, el Gobierno ha prometido que su objetivo es diversificar la fuente de ingresos, como suelen decir muchos estados petroleros, pero sin mucho éxito. El 60% del PIB procede del petróleo.
En octubre y noviembre de 2012, Irak produjo 2,62 millones de barriles de petróleos diarios. No sólo significaba superar ampliamente la producción anterior a la invasión, sino que era la cifra mayor desde los años 80. La mayor parte, justo por encima de los dos millones, procedía de los campos petrolíferos del sur. En enero la producción bajó a 2,35 millones. Irak puede haber alcanzado el máximo de su capacidad productiva, a menos que afronte inversiones que están más allá de las capacidades del Estado.
En cualquier caso, con el precio actual del crudo, eso asegura una inyección constante de fondos. Sólo en enero el Estado ingresó 7.672 millones de dólares gracias al petróleo.
23% de pobreza
La tasa del 23% de la población viviendo bajo el umbral de la pobreza es otra cifra oficial que conviene revisar al alza, aunque en algunos aspectos no se puede negar la mejora producida en los últimos años. Un estudio de Unicef de 2011 en 2011 a partir de los datos facilitados por 36.000 familias revela algunos de esos avances. La mortalidad de los niños de cinco años o menor edad fue de 37 por cada mil ese año. Con ser alta, era inferior a la cifra de 45 registrada por la OMS un año antes. Ahora casi todas las mujeres tienen a sus bebés en hospitales o clínicas, incluso en el medio rural. El 99% de los niños están registrados por la Administración.
La clave es la vacunación. La mitad de los niños de entre 18 y 29 meses de edad fueron vacunados a tiempo. Pero aunque sobrevivan las condiciones de vida de muchos son terribles. Uno de cada cuatro niños sufre algún problema de crecimiento a causa de la malnutrición. Los casos de malnutrición extrema sólo son el 4%.
Según el Programa Mundial de Alimentos de la ONU, 1,9 millones de iraquíes pasan hambre. Eso es el 5,7% de la población. El porcentaje era del 7,1% cuatro años atrás.
En la escuela primaria, la presencia de las niñas es ya masiva. Hay casi una niña por cada niño. Esa presencia no asegura el éxito escolar. Aunque el 90% de los niños comienzan la educación primaria, sólo la acaban el 40%. En el campo, eso afecta especialmente a las niñas. Obviamente, el país necesita escuelas mejores y el Gobierno no las está facilitando.
Lo que es difícil es recuperar el retraso anterior. El 30% de las mujeres de entre 15 y 25 años son analfabetas.
10% de paro
La tasa oficial de paro es del 10%, un número irreal que nadie se cree. Algunos análisis independientes elevan esa cifra al 35%, pero la cifra real es imposible de conocer. En 2008, el porcentaje de empleados públicos sobre el total de personas con empleo era de un 43%, uno de los mayores del mundo en estados mínimamente desarrollados. El empleo en la Administración es en la práctica una forma de control político y de mantener la lealtad de caudillos locales al servicio del Gobierno.
La incompetencia de la Administración es uno de los factores más evidentes a la hora de explicar por qué el país vive absolutamente del dinero fácil del petróleo. Irak es uno de los peores países del mundo para hacer negocios, según el Banco Mundial. Cada Ministerio es un baluarte de un jefe político cuya función principal es dar empleo a sus partidarios y presentar todo tipo de obstáculos a los que se presentan para pedir permisos.
58% de presupuesto ejecutado
No es raro que al final del año varios ministerios no hayan consumido todo el dinero asignado para inversiones. De hecho, es lo habitual. En 2011, el Ministerio de Sanidad gastó el 58% del presupuesto asignado. El de Educación, el 57%. El de Vivienda, el 70%. El de Industria, el 94%. Los grandes proyectos industriales son fáciles de detectar por su capacidad de crear empleo. El gasto social en educación y sanidad no se ve tan beneficiado por los ingresos procedentes del petróleo porque la Administración no es efectiva ni cuenta con personal cualificado.
No es raro que al final del año varios ministerios no hayan consumido todo el dinero asignado para inversiones. De hecho, es lo habitual. En 2011, el Ministerio de Sanidad gastó el 58% del presupuesto asignado. El de Educación, el 57%. El de Vivienda, el 70%. El de Industria, el 94%. Los grandes proyectos industriales son fáciles de detectar por su capacidad de crear empleo. El gasto social en educación y sanidad no se ve tan beneficiado por los ingresos procedentes del petróleo porque la Administración no es efectiva ni cuenta con personal cualificado.
10.800 millones de dólares
Turquía terminó siendo el vencedor comercial de la guerra de Irak. Las exportaciones turcas a Irak han aumentado de forma constante año a año hasta alcanzar una cifra de 10.800 millones de dólares en 2012. Para Turquía, su vecino se ha convertido en un mercado fundamental. Sólo exporta más a Alemania. Las relaciones entre los dos gobiernos nunca han sido buenas, pero era lógico que las empresas turcas se aprovecharan del aumento de fondos iraquíes por la mayor producción de petróleo. Y no es sólo el comercio. Las compañías de Turquía intervinieron en proyectos de infraestructuras en 2012 por valor de 3.500 millones de dólares.
Fuente original: http://www.eldiario.es/internacional/cifras-anos-Irak_0_112689469.html
Turquía terminó siendo el vencedor comercial de la guerra de Irak. Las exportaciones turcas a Irak han aumentado de forma constante año a año hasta alcanzar una cifra de 10.800 millones de dólares en 2012. Para Turquía, su vecino se ha convertido en un mercado fundamental. Sólo exporta más a Alemania. Las relaciones entre los dos gobiernos nunca han sido buenas, pero era lógico que las empresas turcas se aprovecharan del aumento de fondos iraquíes por la mayor producción de petróleo. Y no es sólo el comercio. Las compañías de Turquía intervinieron en proyectos de infraestructuras en 2012 por valor de 3.500 millones de dólares.
Fuente original: http://www.eldiario.es/internacional/cifras-anos-Irak_0_112689469.html
Assinar:
Postagens (Atom)



.jpg)


