DANCINHA

quarta-feira, 16 de março de 2016

Carta de Herbie Hancock e Wayne Shorter

Herbie Hancock and Wayne Shorter


Para as próximas gerações de artistas,

Nos encontramos em tempos turbulentos e imprevisíveis.
Do horror no Bataclan, à insurreição na Síria e o derramamento de sangue sem sentido em São Bernardino, vivemos em tempos de grande confusão e sofrimento. Como artistas, criadores e sonhadores deste mundo, pedimos para que vocês não se desanimem com o que veem e que usem suas próprias vidas, e – por consequência sua arte – como veículos para a construção da paz.

Por mais que seja verdade que os problemas enfrentados pelo mundo sejam complexos, a resposta para a paz é simples: ela começa com você. Você não precisa morar em um país do Terceiro Mundo ou trabalhar em uma ONG para fazer a diferença. Cada um de nós possui uma única missão. Somos todos peças de um quebra-cabeça gigante, fluído, onde a menor das ações feita por uma das peças afeta profundamente todo o resto. Você é relevante, suas ações importam, a sua arte importa.

Gostaríamos de deixar claro que por mais que esta carta esteja sendo escrita para um público artístico, estes pensamentos transcendem limitações profissionais e se aplicam a qualquer pessoa, independente da sua profissão.

EM PRIMEIRO LUGAR, DESPERTE A SUA HUMANIDADE

Nós não estamos sozinhos. Não existimos sozinhos e não podemos criar sozinhos. O que este mundo precisa é de um despertar humanista do desejo de melhorar as condições de vida de uma pessoa ao ponto que suas ações sejam enraizadas em altruísmo e compaixão. Você não pode se esconder por trás de uma profissão ou instrumento; você tem que ser humano. Concentre suas energias para se tornar o melhor ser humano que puder. Concentre-se no desenvolvimento da empatia e da compaixão. Inseridos neste processo, vocês conseguirão ter acesso a um tesouro de inspiração proveniente da complexidade e curiosidade do que significa simplesmente existir neste planeta. Música é somente uma gota no oceano da vida.

ADOTE E CONQUISTE O CAMINHO MENOS PERCORRIDO

O mundo precisa de novos caminhos. Não permitam ser sequestrados pela retórica comum, ou por falsas crenças e ilusões sobre como a vida deveria ser vivida. Cabe a vocês serem pioneiros. Seja pela exploração de novos sons, novos ritmos e harmonias ou colaborações inesperadas, processos e experiências, nós queremos encorajá-los a banir repetições em todas as suas formas e consequências negativas. Lute para criar novas ações tanto musicalmente quanto em relação ao sentido da sua vida. Nunca se conforme.

DÊ BOAS-VINDAS AO DESCONHECIDO

O desconhecido requer uma improvisação diferente a cada novo momento ou um processo criativo inigualável em potencial e satisfação. Não há ensaio geral para a vida porque a vida propriamente dita é o real ensaio. Cada relacionamento, obstáculo, interação, etc. é o ensaio para a próxima aventura na vida. Tudo está conectado. Tudo constrói. Nada é desperdiçado. Este tipo de pensamento requer coragem. Sejam corajosos e não percam seu senso de excitação e reverência por este mundo maravilhoso ao nosso redor.

ENTENDA A VERDADEIRA NATUREZA DOS OBSTÁCULOS

Nós temos esta ideia de fracasso, mas ela não é real; é uma ilusão. O fracasso não existe. O que você percebe como fracasso é, na verdade, uma nova oportunidade, uma nova mão de cartas ou uma nova tela sobre a qual se cria. Na vida, as oportunidades são ilimitadas. As próprias palavras‘sucesso’ e‘fracasso’não passam de rótulos. Todo momento é uma oportunidade. Vocês, como seres humanos, não têm limitações; com isso, existem possibilidades infinitas em qualquer circunstância.

NÃO TENHA MEDO DE INTERAGIR COM AQUELES QUE SÃO DIFERENTES DE VOCÊ

O mundo precisa mais de interações cara a cara entre pessoas de diferentes origens com grande ênfase em arte, cultura e educação. Nossas diferenças são o que temos em comum. Podemos trabalhar para criar um espaço onde todos os tipos de pessoas possam trocar ideias, referências, considerações e gentilezas. Precisamos nos conectar uns aos outros, aprendendo com e sobre os outros e experimentando a vida mutualmente. Nunca conseguiremos ter paz se não compreendermos a dor nos corações do próximo. Quanto mais interagirmos, mais rápido perceberemos que nossa humanidade transcende todas as diferenças.

LUTE PARA CRIAR DIÁLOGOS LIVRES DE AGENDAS PRÉ-ESTABELECIDAS

Qualquer forma de arte é um meio para o diálogo, o que já faz dela uma ferramenta poderosa. Já está na hora do mundo da música produzir boas histórias que iniciem diálogos sobre o mistério em nós. Quando dizemos ‘o mistério em nós’, estamos falando sobre desafiar e refletir sobre nossos medos que nos impede de descobrir o acesso ilimitado à coragem inerente a todos nós. Sim, você é o suficiente. Sim, você é o suficiente. Sim, você importa. Sim, você deve continuar.

TENHA CUIDADO COM O EGO

A arrogância pode ser desenvolvida pelos artistas, ou por aqueles que acreditam que o status faz com que sejam mais importantes, ou pelos que por associação com uma área criativa se sentem dignos de algum tipo de superioridade. Cuidado com o ego; a criatividade não consegue fluir onde somente o ego é nutrido.

TRABALHE POR UM NEGÓCIO SEM FRONTEIRAS

A área médica possui uma organização chamada Médicos Sem Fronteiras.  The medical field has an organization called Doctors Without Borders. Este esforço admirável pode servir de modelo para transcender as limitações e estratégias das antigas fórmulas de negócios que são desenhadas para perpetuar sistemas obsoletos disfarçados de novos modelos. Estamos falando diretamente com um sistema que está estabelecido, um sistema que condiciona os consumidores a comprar somente os produtos que são julgados comerciais, um sistema onde o dinheiro é o único meio para os fins. O negócio da música é uma fração do negócio da vida. Viver com integridade criativa pode trazer benefícios futuros nunca imaginados.

VALORIZE A GERAÇÃO QUE VEIO ANTES DA SUA

Os mais velhos podem te ajudar. Eles são uma fonte de riquezas em forma de sabedoria. Eles já passaram por tormentas e sofreram decepções: deixe que suas lutas sejam a luz que clareia o caminho da escuridão. Não perca tempos repetindo os erros que eles cometeram. Ao invés disso, pegue o que eles já fizeram e catapulte essas ideias em direção a um mundo progressivamente melhor para a posteridade.

FINALMENTE, ESPERAMOS QUE VOCÊ VIVA EM UM ESTADO DE CONSTANTE DESLUMBRAMENTO

Com o acúmulo dos anos, partes da nossa imaginação tende a apagar. Ou por tristeza, dificuldades prolongadas, ou condicionamento social, em algum momento de suas vidas as pessoas se esquecem de como acessar esta mágica inerente que existe dentro de nossas mentes. Não deixe esta parte da sua imaginação desaparecer. Olhe para as estrelas e imagine como seria ser um astronauta ou um piloto. Imagine explorar as pirâmides ou o Machu Picchu. Imagine poder voar como um pássaro ou passar por uma parede como o Super-Homem. Imagine correr com os dinossauros ou nadar com criaturas do mar. Tudo o que existe é produto da imaginação de alguém; cuide bem e nutra sua imaginação e você sempre se encontrará à beira da descoberta.
 Como cada um desses fatores levam à criação de uma sociedade pacífica? - você deve estar se perguntando. Tudo começa com uma causa. Suas causas criam os efeitos que moldam o seu futuro e o futuro de todos ao seu redor. Sejam os protagonistas no filme de suas vidas. Vocês são os diretores, os produtores e os atores. Sejam ousados e incansavelmente benevolentes enquanto dançam pela viagem que é esta vida.

Herbie Hancock and Wayne Shorter

(Tradução: Babi Mendes)

domingo, 6 de março de 2016

La automatización podría llevarnos a una sociedad poslaboral, pero no debemos tener miedo

Fonte da Imagem: http://www.playbuzz.com/combotlabs10/how-well-do-you-know-robot-trivia

Para beneficiarnos por completo de la revolución de la automatización, necesitamos una renta básica universal, una disminución drástica de la jornada laboral y una redefinición del ser humano sin el trabajo.

Cuando los investigadores Frey y Osborne predijeron en 2013 que el 47 % de los trabajos en EE. UU. serían susceptibles de ser automatizados en 2050, desencadenaron una oleada de tribulaciones distópicas. Así y todo, la palabra que despunta en su estudio es “susceptible”.

La revolución de la automatización es posible, pero sin un cambio radical en las convenciones sociales que subyacen al trabajo, jamás se producirá. La verdadera distopía llegará si, por temer al desempleo masivo y a la desidia psicológica que este pudiera causar, terminamos atrofiando la tercera revolución industrial. En su lugar, acabaríamos creando millones de puestos de trabajo de baja cualificación, que resultan absolutamente innecesarios.

La solución, entonces, radica en empezar a desvincular efectivamente el trabajo de los salarios. Uno puede contemplar los inicios de esta escisión en un vuelo cualquiera de negocios. Los hombres y mujeres que viajan en el avión lo hacen encorvados sobre sus ordenadores portátiles y tabletas, con los codos tan cerca unos de otros que, si se tratara de una fábrica, ya la habrían cerrado por motivos de salud y seguridad.

Sin embargo, de algún modo, se trata de una fábrica y, de hecho, sus ocupantes están trabajando —al menos parte del tiempo—. Saltan de una hoja de cálculo a una película, al correo electrónico o al juego del solitario: ninguno de ellos tiene activado el temporizador —a no ser que integren una de esas profesiones que contabilizan el tiempo, como las derivadas del derecho—. En el extremo más cualificado de la fuerza de trabajo, cada vez se trabaja más por objetivos y menos por horas.

No obstante, para librar debidamente la revolución de la automatización, es probable que necesitemos la combinación de una renta básica universal, retribuida mediante la recaudación de impuestos, y una reducción drástica de la jornada laboral oficial. Por lo general, el norte de Europa está a la vanguardia en esto: Suecia ha reducido ya la jornada a seis horas, mientras que Finlandia experimenta con la idea de una renta básica ciudadana.

La renta básica exhibe oponentes tanto en la derecha como en la izquierda, teniéndola los primeros por una forma de abaratar el bienestar social. Así, su contribución más valiosa habría de venir del subsidio de pago único, el cual favorecería una rápida automatización de la economía.

En caso de que se esta produjera, merecería la pena considerar en detalle el papel que las tecnologías pudieran desempeñar. Actualmente, se destina la mayor parte de los esfuerzos a la robotización, la cual nos ha provisto ya de blancas criaturas antropomórficas capaces de bailar música disco al unísono. Antes bien, el verdadero potencial de la automatización debe radicar en la inteligencia artificial, el aprendizaje automático y los sistemas autoregenerables.

En “The last job on earth” (El último trabajo en la tierra), una trabajadora llamada Alice se frustra enormemente cuando una máquina se niega a dispensarle su medicamento. A medida que la sociedad deviene más automatizada, podríamos alcanzar un estado en el que la epidemiología llegara a emplear sensores a tiempo real con los que evaluar nuestra salud y amonestar al trabajador: tiene usted probabilidades de caer enfermo esta noche, hemos introducido los fármacos apropiados en el aire acondicionado de su casa.

Una sociedad con menos trabajo es solamente una distopía si su sistema social está orientado a distribuir las compensaciones a través del empleo. A principios del siglo XIX, los socialistas utópicos no solo trataron de imaginar una alternativa, sino también de ponerla en funcionamiento mediante comunidades cerradas ligeramente estrafalarias, inspiradas en los escritos del filósofo Charles Fourier.

Fourier predijo célebremente que el trabajo podría convertirse en un elemento lúdico —sus cualidades absorberían las del ocio, el humor e incluso el erotismo—. Podríamos revolotear de un trabajo a otro de distinta índole, olvidándonos solazosamente de su función productiva.

El marxismo se fundó sobre la base del rechazo a esta idea: el socialismo antiutópico se centraba fundamentalmente en reducir el trabajo al mínimo, al tiempo que se incrementaba al máximo el tiempo libre.

Hoy, dado que todas las utopías actuales acerca del trabajo se erigen sobre la posibilidad de su desaparición, lo mejor que uno puede decir en el debate del ocio frente al trabajo es que resulta un tema complejo. Muchos de nosotros trabajamos con un único dispositivo portátil, el cual, más allá de nuestros contactos, correos electrónicos, guiones y demás, contiene sobre todo gran parte de nuestro yo externalizado.

Ya podemos contemplar nuestra propia fragmentación, nuestra conversión en entes “multicanal”, pues las comunicaciones en red invaden espacios como la mesa del comedor o la cama compartida, lo que de otro modo sería una oficina jerarquizada.

El mayor enigma de la sociedad poslaboral es qué ocurrirá con el yo cuando no pueda definirse frente a la identidad corporativa, frente a sus habilidades laborales o su antigüedad profesional. No tardaremos en descubrirlo.


Paul Mason
editor de economía de Channel 4 News. Su libro Postcapitalismo: A guide to our Future, ha sido publicado por Penguin en 2015.

Fuente:

http://www.theguardian.com/sustainable-business/2016/feb/17/automation-may-mean-a-post-work-society-but-we-shouldnt-be-afraid

Traducción: Vicente Abella

Via: Sin Permiso